Borderline

7 Compreensão


Notas iniciais
Desculpa a demora mas estava finalizando um dos meus cursos e fazendo atividades do outro, então não deu tempo para postar a fic, esse ano vai ser difícil postar com regularidade, mas espero que vocês continuem acompanhando.

Dormi na poltrona do quarto da Sany naquela noite, infelizmente precisei sedá-la ela estava em uma crise horrível, e eu sabia o motivo. Não aguentei, na manhã seguinte, fiz algo que ia contra tudo o que eu queria.

—Alo Britt?

—Rach, oi, a San melhorou?

—Não, por isso estou te ligando. Preciso que venha aqui.

—Mesmo? Mas você disse...

—Esqueça o que eu disse, apenas venha, eu acredito que ela esteja assim ainda porque pensa que você fugiu.

—Oh! Eu estou indo, em dez minutos eu chego!

—Britt...

—Dez minutos, não te preocupa, estou indo.

Dez minutos passaram e Brittany estava na minha porta.

—Oi Britt.

—Rach! – Me abraçou animada. – Posso vê-la?

—Ainda não, eu preciso te explicar algumas coisas antes.

—Tudo bem. – Encarou-me atenta e seguimos para a sala onde sentamos no sofá da sala.

—Ontem você viu ela se machucando, certo?

—Sim. Não entendi por que.

—Bom, quando a Sany fica nervosa, ou triste, ou irritada e não quer perder o controle ela se machuca.

—Ah, eu já li sobre isso, se chama automutilação, certo?

—Sim, onde você leu isso?

—Ah, eu peguei um livro do meu pai, ele também é médico de cabeça e eu também quero ser.

—Mesmo?

—Sim, eu acho a profissão de vocês muito legal. Precisa fazer medicina pra ser médico de cabeça?

—Não, tem muitas profissões na área da saúde que não é necessário a faculdade de medicina, e ajudam na cabeça do paciente.

—Mesmo?

—Sim.

—Bom você estava me falando que a San se machuca quando fica nervosa, e precisa se controlar.

—Isso, então, quando ela se machuca muito e não consegue parar, eu às vezes preciso, usar uma faixa.

—Ah, eu uma vez fui na clínica onde meu pai trabalha, eu já vi eles usando essas faixas nos pacientes. É triste.

—Sim, é triste, mas serve para eles não se machucarem.

—Eu sei, papai me explicou. Você está me preparando porque a San está usando as faixas, certo?

—Sim, e eu acho que se você aparecer lá quando ela acordar, ela não vai mais precisar das faixas.

—Entendi, vamos então. – A loira saltou do sofá e correu escada a cima eu fui atrás fiquei na porta enquanto olhava Brittany sentada na poltrona ao lado da cama fazendo carinho no rosto da minha irmã.

—Rach? – Santana perguntou sem abrir os olhos.

—Não San, sou eu, a Britt. – Fiquei impressionada que Britt não tinha o olhar de pena ela tinha um sorriso doce.

—Britt? Mas o que? – Puxou o braço e viu que estava presa.

—Calma não fica nervosa ou assustada, está tudo bem.

—Não está tudo bem! – Santana gritou e tentou arrancar a contenção não me movi, queria ver como Britt reagiria.

—Sim está tudo bem, eu vou ficar aqui do teu lado ate você se acalmar, depois assistiremos a um filme.

—Porque você está aqui?

—Porque eu sei que você pensou que eu estava com medo, eu sei que você pensou que eu te abandonaria depois de ontem, contudo, isso não é verdade, eu vim aqui para mostrar que nos momentos bons e ruins e eu ficarei do teu lado.

—Mas...

—Para de reclamar! Eu sou sua amiga, e é isso que amigos fazem, amigos não deixam o outro a própria sorte, não abandonam nos piores momentos, eles enfrentam tudo junto.

—Porque você seria amiga de uma pessoa doente como eu? – Perguntou com a voz fraquinha — Britt me encarou e eu assenti.

—Porque não seria? San, você é como qualquer outra pessoa, eu não acho que você seja doente, você tem problemas, mas quem não tem, você requer mais cuidados, mais atenção, é a única diferença das outras pessoas. Você fica, triste, brava, nervosa e ansiosa como qualquer outra pessoa, assim como fica feliz, alegre. Só que a diferença é que você sente tudo isso em maior intensidade do que nós seres humanos comuns , isso faz de você especial, ate melhor que nós, mas não acho que seja doente.

—Então porque eu preciso ser amarrada?

—Mi amor, como a Britt disse, você sente tudo em maior intensidade, por isso para não sentir você se machuca, nós não queremos que você se machuque, por isso eu preciso te segurar. Só deixo claro, eu não gosto de fazer isso contigo, me destrói, mas me machuca mais ainda deixar que faça.

—Rach, nós podemos tirar uma mão da faixa? – Santana pediu.

— Claro Pequeña. – Soltei a mão direita, ela pegou a minha.

—Eu te amo Rach! – Soltei uma lágrima, Santana não costumava falar sobre o que sentia. – Desculpa ser birrenta quando você precisa usar a contenção, eu só não entendia por que.

—Mesmo eu já tendo te explicado milhões de vezes. – Santana corou.

—É, você precisa me explicar milhões de vezes a mesma coisa, deve ser um saco.

—Eu também não entendo muitas coisas, os professores precisam ficar me explicando diversas vezes a mesma coisa, e eu acho que pra eles deve ser um saco. Mas quando meu pai explica sobre a profissão dele, médico de cabeça, eu entendo direitinho.

—O seu pai também é? – Britt assentiu. – A mesma profissão da Rach?

—Sim, a Rach vai me falar sobre outras profissões como essa porque eu não quero medicina, mas quero ajudar as pessoas especiais como você. – Britt era tão fofa e inocente que não tinha como se zangar com ela.

—Mesmo?

—Sim, quero ajudar vocês a entenderem os problemas e lidarem com eles.

—Isso é lindo Britt. – Falei, Santana soltou a minha mão e levou para a boca.

—Não faz isso San, Você ficou triste? – Santana assentiu. – Não fica, vai ficar tudo bem. – Puxou a mão da minha irmã delicadamente e amarrou com a faixa. – Eu sei que é difícil. – Falou carinhosa. – Mas você vai aprender a viver com isso e se acostumar. Rach, o que acha de prepararmos um lanche e fazer um pic-nic de café da manhã na cama?

—Ótima ideia Britt! – Falei ainda surpresa com a loira, não imaginei que ela lidaria daquela forma.

—Já voltamos San – Britt deu um beijinho no rosto da minha irmã e eu fiz o mesmo.

Saímos do quarto e fomos para a cozinha em silêncio, eu sabia que a loira estava se segurando para não chorar na frente da Sany.

—Tudo bem, — Falei quando chegamos na cozinha – Pode chorar agora.

A abracei e ela desabou nos meus braços, como muitas vezes eu desabei nos braços do Puck ou dos meus pais pelo mesmo motivo.

Notas finais
Até o próximo e aguardo vocês nos comentários.