Notas iniciais
Só para compensar o tempo perdido e a espera de vocês... Boa Leitura, galáxias S2

“Obrigada miss...”

Olhei rapidamente para o papel que carregava em mãos, já amassado e contaminado pelo suor que minhas mãos eliminavam ilegalmente.

“Miss Elioth”

Ela parecia ser uma mulher que não gostava de apelidinhos de amigo, nem de calças saruel... Talvez seu status de boa professora a salvasse de um possível mar de reclamações.

Joguei a bolsa e o papel no canto da sala. Arrumei a camisa e encarei meus lindos e talvez um pouco desgastados coturnos. Quanto à flor pousei delicadamente encima da bolsa. Fui para perto dos outros alunos que se alongavam aleatoriamente. Tudo isso com um pequeno silêncio em meu coração. Acho que eu morri durante o trajeto até a sala e não percebi...

“Então senhorita Williams, poderia se apresentar?”

Os alunos antes reunidos se dispersaram pelos cantos da sala sem a menor preocupação e pude ver um olhar já conhecido. O garoto do corredor.

Ah meu Deus, então é por isso que estava correndo. Estava igualmente atrasado.

Segui encarando todas as novas faces. Parei na professora que pela postura, parecia querer me dizer algo. Posicionei-me no centro conforme sua mão me guiou.

“Aqui na Liberty´s, o corpo de professores conhece seus alunos por aquilo que eles podem fazer. Se você está aqui para aprender dança, mostre-nos o que é capaz de fazer...

De repente comecei a sentir um medo de dança livre...

Genuinamente, ela, a quem devo muito respeito até o último dia de minha vida, apertou o play do rádio que ali estava. O eco refletido das caixas de som bem posicionadas uma de cada lado do espelho, enorme para falar a verdade, fez com que meus pelos levantassem violentamente. Ajeitei-me numa posição inicial e uma música da qual eu já conhecia muito bem clareou o lugar com suas notas bem pausadas. Curvei minhas costas e apoiei meus cotovelos nas coxas, como se estivesse cansada e precisasse encontrar uma posição favorável.

Timidamente cresci o corpo, fazendo pausas conforme a pulsação ditava em meus ouvidos. Uma expressão leve, mas cheia de significados tomou meus músculos faciais e minha mente me permitiu deslizar com passos silenciosos e marcantes.

Miss Elioth se deu o prazer de relaxar ao ver que eu já dominava alguma coisa. A música foi se intensificando e favorecendo meus passos. O processo lento de um sentimento audacioso foi ficando cada vez mais rápido. Um mortal bem dado, digamos.

A batida parou. E eu também, na mesma posição que comecei.

Como um jogo de cartas que se inicia silencioso

Dá-se o primeiro coringa, um truque na manga

Olhares de fogo penetrando uma alma que respira álcool

Uma explosão de sabores, o sangue fervendo em audácia

Um perigo talvez

O último salvador da partida

Tudo volta ao normal em passos fulminantes

Como um jogo de cartas que morre em meus pés

Do contrário, o fôlego pratica reviravoltas

Voltando a aquietar o monstro sedento por explosão

Queimando o rei, sorrindo para o coringa

Um “truque na manga.”

Na mesma posição, sorrindo ilegalmente para um público estático.

Não sei, quando eu danço assim parece que eu atiro em alguém, sou a criminosa da cena e um conflito parece crescer internamente, mas, ao mesmo tempo atingir a todos ao meu redor. Eu sou uma confusão quando danço.

Eu sou um pequeno caos, e ao mesmo tempo, sou a borboleta que causa o caos.

Endireito-me, ofegante. Os passos ocos de Miss Elioth rondando minha pessoa, analisando talvez o feito ou o estilo que eu carregava naquele dia. Nada disso.

“Eu quero duplas. Jeon, acompanhe-a.”

“Sim, senhora.”

Ao fundo da sala, o garoto dono da voz avança em nossa direção, uma postura tímida e ao mesmo tempo rebelde faz com que eu tome minha primeira impressão.

Professora facilitou o arco entre os personagens do primeiro capítulo da minha vida. Aquele garoto cruzara meu caminho não uma, mas duas vezes e esta era a segunda vez que ele aparecia. Olhei para baixo meio intimidada por ser covardemente mais baixa e vi o estopim.

Um Timberland mostarda, muito bem cuidado, modelo original antigo. Não era um simples coturno, mas O Coturno. Que eu coincidentemente escolhi para iniciar o ano letivo na Liberty´s.

Sem saber o que realmente sentia, ou sabendo e querendo arduamente desconhecer esse sentimento, sorri ao ver que ele também localizara os meus.

Recuamos após um grito agudo que bateu nas paredes e rasgou nossos tímpanos sem dó. Uma temerosa decisão da professora.

“Para começar o ano letivo de uma forma proveitosa, o tema de hoje é nada mais nada menos que um dueto em Freestyle. Eu quero amor.”

Fazer um duo com um cara desconhecido, e representar amor é algo, sem dúvida, muito perigoso.

Mas se você não quer acordar um dragão, caminhe no escuro.

Pena. Eu sou ótima em enxergar coisas no escuro.

Um sentimento de audácia recente.

Trabalhem Timberlands...

Olhei para meu parceiro, ainda assustado e frenético.

“Comecem!”

Notas finais
talvez não esteja esclarecendo muita coisa, mas eu espero que gostem, Rebeca não terminou ainda. O nome da música vai ser revelado depois (no ritmo de suspense) Até o próximo... Beijos Estelares