Notas iniciais
Oiii! Você esperou uma eternidade achando que a autora tinha abandonado a história? Desculpa mas, ABAIXA ESSA FACA! Bem, eu tenho minhas razões: estudar e escrever algo de qualidade pra vocês ao mesmo tempo é realmente muito difícil, ainda mais quando o seu notebook não está com você (R.I.P notebookzinho). Amém, julho está na porta! Mas eu apaguei e reescrevi esse capítulo muitas vezes só pra ficar bom pra vocês lerem. E para recompensar o tempo perdido, a continuação vem aí... Leiam com carinho e GUARDEM AS FACAS obrigada, de nada Chu S2

Miss Elioth se deu o trabalho de separar outras duplas. O fato de haverem treze alunos não incomodou ninguém porque um deles saiu de cena misteriosamente, passando pela porta em alta velocidade. Em sua breve corrida pude perceber uma máscara preta que cobria metade de seu rosto e uma boina acomodava um cabelo segundo os fios rebeldes que caíam para fora uma tonalidade vermelha escura.

Ninguém ali quebrou o silêncio da sala e a professora que arranjava posições para cada dupla pareceu também não perceber. Continuou seu trabalho de forma organizada.

Olhei novamente para meu parceiro e seu olhar correu de volta para meus coturnos. Talvez ele o conhecesse e tivesse tentado disfarçar, já que estava na academia a mais tempo que eu (ou não). Então, me dei conta de que eu não sabia nada sobre meu mais novo parceiro de dança e que talvez isso não fosse o fim do mundo para mim, mas, ele me conhecia. Aliás, que aluno ali não me conhecia sendo que a poucos minutos antes eu falei de mim para um teatro cheio? Ser popular ali era a última coisa que eu queria. E fiz questão de ficar quieta para não estragar esse meu objetivo. Mesmo assim, sua expressão meio vazia fez com que eu suspeitasse de algo e isso, foi o suficiente para que deixássemos o acontecido de lado e começássemos nosso trabalho.

A senhorita posicionou-se no meio da sala, ficando visível para todos. Retirou papéis de uma pasta vermelha, que colocou no chão ao seu lado, e limpou a garganta:

— O trabalho a que vocês estão incumbidos de fazer é parte de um teste. Nível de aptidão física e conhecimento geral de dança foram avaliados durantes os testes de aquisição de matrícula para o começo do ano letivo. Porém, este a que estou me referindo será julgado em função de reorganizar a turma e deixar apenas os mais preparados para continuar. Essa é uma nova fase na academia e os mestres desejam conduzir os melhores para um nível de reconhecimento internacional. Por isso, eu faço questão de alertar que esses duetos são a última chance de provar que vocês podem permanecer nessa indústria. Tudo o que acontecer durante o período do teste vai ser colocado na ficha acadêmica de vocês e, como sabem, pode vir também a prejudicar possíveis novas tentativas de entrar em outras faculdades. Por isso, quem reconhece que ainda não está apto para enfrentar os desafios dessa nova fase de manutenção, por favor, retire-se da sala.

Sob torturante pressão esmagando os ouvintes ao meu redor, de quebra, voaram sala afora dez alunos em fila, como se estivessem marchando para o fim. Como era possível desistirem após tanto esforço para entrarem numa academia de nível profissional? Como podiam ter traído o rumo de seus maiores sonhos porque se achavam inaptos? Será que ao menos eu conseguiria aguentar toda a pressão que estava por vir? Afinal, eu estava, de qualquer modo, no mesmo patamar: eu era uma iniciante num mundo de gigantes da arte. Mas se estes também começavam assim tão pequenos então certamente é porque eu poderia agir em prol do meu crescimento como estudante. Mas, eles também podiam.

E largaram sem hesitar, a maior chance que tiveram. Sem se importar com isso.

O que leva o ser humano a desistir de uma guerra só porque na batalha ele perdeu?

A confiança para se alcançar a paz é rasgada em mil pedacinhos enquanto ele deixa para trás todas as conquistas passadas, como se elas não tivessem sido importantes para que ele chegasse até ali.

Sentindo a garganta queimar de nervosismo, virei-me para o espelho para não ter de ver aquela cena, aos meus olhos, absurda e me concentrei em meu próprio reflexo que estava quase sucumbindo ao meu olhar já embaçado por lágrimas teimosas se acumulando em meu globo ocular.

Quando pelo ruído a porta se fechou, o silêncio da ocasião e os olhares perdidos dos que restaram, já sem suas respectivas duplas, se voltaram a Miss Elioth, a mesma retornou a fala num tom mais agudo, talvez impactada pela infidelidade de seus ex novos alunos.

— Enfim, espero que vocês se esforcem para garantir um lugar nesse espaço cheio de leões famintos. Vou logo lhes dizendo que não vai ser fácil. Vocês ensaiarão dia e noite, encararão desafios assustadores. Mas não buscaremos a perfeição, apesar dela ser o lema da arte que pregamos, nós buscaremos o sucesso efetivo, para que nasçam mais gigantes prontos para enfrentar qualquer coisa. Agora, se me permitem, preciso que assinem essa ficha de registro para o teste que será realizado amanhã à noite nas dependências do teatro.

Enquanto Jeon preenchia nossa ficha do teste, peguei meu celular disposta a procurar uma música significativa com o tema que havia sido escolhido. Foi quando o aluno misterioso entrou na sala silenciosamente e pediu a atenção da professora no canto onde ela estava. Não pude ouvir a conversa pela distância, mas pelo fato de que aquele cabelo vermelho chamava a minha atenção com indiscrição e apelava para meu lado curioso, poucas vezes mostrado em todos os meus 18 anos de vida, soube que havia algo sério no meio daquilo.

De certo, aquele garoto tinha um propósito para ter corrido desesperadamente daquele jeito então, me permiti desconfiar dele. Mesmo que aquela expressão suave em seu rosto tentasse me provar outra coisa; A senhorita, balançou a cabeça discretamente em aprovação e a conversa findou ali. Me projetei por impulso até Jeon para evitar que algum deles olhasse em minha direção. Inevitavelmente, olhei novamente para o garoto para me certificar de que ele não tinha notado minha existência mas errei feio ao ver seu olhar se chocar com o meu, e um sorriso ladino aparecer entre suas maçãs do rosto bem marcadas. Assustada com tal ato desviei meu olhar para o papel e percebi que a música para trabalhar o dueto já havia sido escolhida.

—Alunos, já que restaram apenas vocês, algumas outras salas estão disponíveis para ensaio no andar superior. Jeon e Rebeca, Stuart e Estela subam por favor. Fiquem Taeyong e Lisa, Daisy e Mark.

Subimos acompanhados de Jess, que apareceu ao lado da professora enquanto arrumávamos nossas bolsas e os garotos pegavam as caixas de som disponíveis. O trajeto foi curto e silencioso e as salas eram bem distantes uma da outra. O andar de cima não tinha um gramado central e sim uma sala de projeção enorme como a secretária havia me mostrado antes da reunião no teatro.

Assim que nos despedimos da outra dupla, adentramos na sala número 098 que parecia estar em manutenção. As paredes brancas de tijolo e o espelho coberto por um plástico empoeirado, além das janelas escuras e pequenas davam a sensação de que aquele era o lugar perfeito para um ensaio sem interrupções. Porém, por que teriam nos deixado ali naquele lugar sendo que haviam salas ativadas?

Enquanto meu parceiro avaliava o local, retirei o plástico de metade do espelho e localizei o interruptor ao lado. Apenas duas lâmpadas ligaram, o que deixou o lugar ainda mais sombrio. Jeon ligou a caixa de som e retirou o celular do bolso, conectando-o em seguida ao aparelho maior.

A estrutura de isolação acústica permitia apenas que a música fosse ouvida e uma pequena sensação de nervosismo tomou meu coração. Ensaiaríamos para um teste naquele lugar...

Ao som de “Distraction”*, fui pegando a pulsação* da música junto a batida da caixa e começando a deslizar sob o chão acinzentado.

—Vamos alongar primeiro e...- disse ele num tom alto para que eu escutasse, parando no meio da frase para virar-se e ver que eu já estava muito envolvida na batida para prestar atenção nele.

Sugerindo que me acompanhasse, ao invés de um freestyle normal, me movimentei com passos básicos a fim de que ele se juntasse a mim. Lancei um olhar desafiador para o reflexo dele no espelho e ele correu até mim, emendando seus passos no meu. Chegamos no refrão da música e eu já até poderia dizer que estávamos conectados com a música.

Quando se está dançando, 20% do que você faz é movimento e os outros 80% é expressão. Um passo básico pode se desmembrar até se tornar um novo, um passo próprio. Passos não se criam, eles se transformam a partir da base. O feeling* é o que você tira da música e consegue senti-la.

Eu podia ver tudo isso enquanto ele se movia habilidosamente ao meu lado. Já era o bastante para confirmar que eu estava com sorte por tê-lo derrubado naquela altura do campeonato.

Terminamos cada um como uma pose e Jeon desligou o som. Ao virar-se novamente, sorriu em minha direção como se tivesse tido a maior e melhor das ideias.

—Vamos causar uma pequena distração nos jurados amanhã senhorita Will- espaçou o sorriso travesso no rosto e pegando duas bandanas vermelhas da bolsa azul marinho que carregava.

—Com imenso prazer Jeon- esbocei um sorriso igual ao seu

Confesso: eu estava aflita com o que viria a seguir, mas o carisma que ele havia demonstrado em apenas alguns passos de improviso ali ao meu lado em poucos segundos antes havia me dado certa euforia.

Pelo visto, eu começava a me enturmar com um ser daquele lugar e isso me dava a plena sensação de estar começando a provocar um incêndio no meu curso de vida.

Notas finais
*Distraction- Kehlani (recomendo pra quem não gosta de ver clipes meio... hmm... assim, não sei como explicar, escutem só o áudio) * Pulsação e Caixa- usados para pegar a batida da música e executar os passos no tempo certo *Feeling- é quando você sente a música, e por isso consegue aproveitar melhor; com o feeling, seus movimentos se tornam ´seus (digamos assim) Bem espero que tenham gostado Por favor não sejam leitores fantasmas, por favorzinho, comentem Obrigada por ler até aqui e perdoe qualquer erro Beijos estelares