Borboleta de Ouro

2 Desconhecido no Palco


Notas iniciais
Oi de novo!!! Eu gostaria de pedir desculpas por deixarem vocês esperando. Mas, um acidente com arquivos me permitiu experimentar um pouquinho da frustração de passar 5 horas escrevendo e perder tudo depois, sem mais nem menos. Além disso, nunca me disseram que o tempo estava a meu favor huh? Mas peço que não desistam dessa história, porque eu estou trabalhando duro nela. Agora, desfrute das palavras... Boa Leitura... S2

Antes de sair completamente daquele lugar, Jess pediu para que eu a acompanhasse em um tour pela Academia. Porém, nós sabíamos que nem dois dias me fariam conhecer tudo. Digamos que o Campus era um pequeno mundo. Ela me disse que foi avisada sobre minha suposta apresentação no teatro. Então, não perdeu tempo e pegou o atalho mais rápido até o local, parando algumas vezes para me mostrar o interior das salas que se seguiam pelo caminho ou para cumprimentar os mestres a quem eu provavelmente teria medo nos próximos dias.

Após muitos lances de escada, pude experimentar uma sensação rarefeita vinda inexplicavelmente do abrir das cortinas daquele enorme palco. Eu e Jess entramos por trás, o que fez com que eu pudesse ter a visão completa da platéia. Como eu já esperava, minhas veias começaram a saltar e o suor inundou minhas mãos. A assistente ao meu lado perguntou se eu queria uma pausa para me arrumar no camarim, mas eu preferi esperar ali. Os holofotes já estavam ligados e refletiam exatamente em mim. Por um momento o tempo parou, mas começou a correr de novo. De repente, milhares de vozes preencheram o local e só pude me esconder em meios às coxias.

Vi subir as escadas laterais, o corpo estudantil, a equipe de funcionários e o diretor. Um borbulhar de vozes cessou ao passo que o Senhor Evans tocou no microfone, testando-o com elegância. Tão logo o silêncio reinou, as luzes se apagaram e os holofotes brilharam sobre o homem.

“Sejam bem-vindos alunos da Liberty´s Academy. É um prazer para mim, revê-los em mais um ano letivo. Creio que vocês já tenham notado certa movimentação no corpo estudantil, mas, temos uma razão para isso. O projeto Wings and Stars nasceu com o objetivo de atrair novos alunos, dando oportunidades para aqueles do exterior. Não quero me estender num discurso que vocês já estão cansados de saber. Sendo assim, para a experiência ficar mais real, apresento-lhes uma das novas bolsistas participantes do projeto.”

O púlpito ficou vazio e a minha deixa. Andei quase que flutuando até a boca do microfone. Encostei meus braços de forma desleixada sobre o apoio e respirei bem fundo pela enésima vez.

“Olá. Imagino que vocês estejam estranhando um desconhecido num palco que é de vocês. Mas, eu fui escolhida para estar aqui. Então, por que... Ficar clicando na mesma tecla hum? Bem, todos nós temos sonhos. Somos estrelas em ascensão até o momento e ninguém pode tirar o brilho que já veio em nosso DNA. E eu deixei tudo para trás pra mostrar ao mundo inteiro, talvez, o que eu posso e sou capaz de fazer. Não é algo como um plano audacioso, é só porque eu segui o meu coração. Nossas conquistas são como uma grande torre. O que a deixa de pé são nossas caídas e nossas decisões. Pra chegar ao sucesso que tanto queremos muitas lágrimas, muito suor,o nosso sangue. E nada em vão. É um novo ano, porque não aproveitar? É só descobrir as asas e aprender a voar. Vamos ressurgir como grandes furacões, causando o caos da melhor forma. Com o que fazemos de melhor, com a nossa essência. Somos ousados, somos estrelas numa imensidão real chamada Vida. Somos livres. E mostraremos o melhor de nós.”

Bombinha de asma. Preciso de uma dessas pra ontem! De onde vieram essas palavras cheias de significados arrasadores?! Acho que vou desmaiar.

Um estouro invadiu meus tímpanos, a platéia uivando ferozmente, enquanto eu me curvava o máximo que podia. As palmas cessaram e foi aí que eu percebi que havia esquecido uma informação vital do discurso: Meu nome.

Seria ruim eu apenas sair como se todo mundo já me conhecesse. Retornei à minha posição e tomei as atenções novamente:

“A propósito, me chamem de Borboleta de Ouro.”

E foi aí mais uma vez que eu percebi o tamanho da besteira que eu havia acabado de cometer. Sem pensar olhei para senhor Evans que sorria de orelha a orelha. Não sei se era pelo discurso ou se era pelo apelido.

Ah Rebeca, o que você fez...

A reunião introdutória finalmente acabou. O burburinho foi se apagando junto ao calor humano que desapareceu. Cumprimentei por fim mais professores e mestres e fui elogiada várias vezes pelo diretor.

Aos poucos foram todos voltando a seus lugares naquela grande máquina de sonhos. E eu me perdi olhando para a multidão invisível à minha frente. A cabeça tão distraída que desligou um pouco da emoção me fez avistar lindas pétalas contrastando com a madeira do palco. Uma linda rosa pendurada a um pequeno cartão. Peguei-a e vi apenas uma assinatura.

Anonimatus...

Um sorriso ladrão roubou minha face e o relógio marcou 10h30.

Além de desajeitada, atrasada. Uma decepção. Tomei o mesmo caminho de volta ao ponto de partida. Pela pressa e pela provável cegueira instantânea, meu ombro entrou em choque com alguma outra coisa que também estava correndo. O contato mesmo forte nos manteve de pé. Virei-me para ver a vítima da minha pressa e pedir-lhe desculpas, recebendo uma também. Um sorriso se formou no rosto de um garoto alto, pálido, dono de uma pequena cicatriz na bochecha; que estava encarando a flor em minhas mãos.

Novamente, o tempo parou. E sem avisar, correu dois minutos. Encaramos-nos por um minuto e no outro, o sorriso se desfez e o vi desaparecer por um dos vários corredores. Balancei a cabeça, afastando um pensamento bobo.

P.O.V Autora

E ela ficou ali, encarando o nada. De um transe, seu corpo se projetou numa nova corrida. A aula àquela altura já tinha começado e a sala ficava na mesma direção de onde o garoto desaparecera segundo seu mapa. Desesperada e ansiosa, a sala finalmente chegou a seu rumo. O suor em sua testa não lhe atrapalhou para abrir a porta num impulso só e revelar pelo menos treze jovens e uma professora de boa forma.

“Seja bem-vinda à sua primeira aula de dança, Rebeca.”

Um sorriso inconsciente.

Coração sedento por novos passos.

Uma rosa e um sorriso.

Começou de verdade.

Diga Adeus à saída, Borboleta de Ouro.

Notas finais
Espero que tenham gostado... Comentem! Obrigada, minhas estrelas... Beijos estelares