Borboleta Negra

24 Capítulo Vinte e Três


Notas iniciais
Oie... Bom dia!Enfim, consegui adiantar o capítulo. Espero que gostem!Como sempre, obrigada pelos reviews... ♥BOA LEITURA!

Quando assimilou o significado de cada palavra, Edward acreditou ter sua resposta. Milagrosamente o ciúme crescente se converteu em piedade por Embry, assim como consolidou seu temor em perdê-la. Ouvir as considerações finais também aumentou a repugnância sentida pelo barão maldito que a estuprou. Por culpa do vil canalha Isabella se depreciava pela pureza roubada ao ponto de não se estabelecer com ninguém. Ela se considerava uma pária da sociedade sem qualquer direito; estava explicado até sua estranha relação com a felicidade, reduzindo-a a momentos felizes.

Tal grau de descrença somente poderia vir de alguém que se considerava abjeta, tanto que se escondia sob a desculpa de não ser merecida, pois ela mesma não se aceitava. Com isso Edward apenas pôde imaginar o quanto ela sofria. Não era a toa que invariavelmente a tristeza lhe viesse aos olhos. Pelo que sentia, poderia também mensurar o quanto todos aqueles que ele ridicularizou ou até hostilizou sentiram ao serem deixados.

Em sua imaginação o barão quase podia ver aqueles que Isabella não nomeou implorando para que ela ficasse em suas vidas assim como ele o fazia. Talvez pelo tanto que cismou com o amante renegado sua mente conseguiu dar-lhe um rosto. O mesmo que agora via claramente abaixado sobre várias folhas de papel onde nervosamente rabiscava palavras escolhidas para comovê-la. Onde tentava reconquistá-la com a narrativa de um sonho; questionava a necessidade de um castigo e implorava pelo reencontro. Igualmente ficava claro que sabia mais do que todos eles, pois não deveriam saber do abuso somente revelado a ele por falta de opção. Com isso Edward concedeu-se alguma vantagem e foi se valendo dela que finalmente falou:

– Talvez essa seja a sua verdade. De onde tirou que situações como essa seriam constantes?

– Nós dois sabemos que seriam, pois essa não é a primeira vez que meu passado o incomoda – Isabella murmurou, tentando afastar a mão molhada e morna que esfregava a lateral de seu pescoço. – Você não é homem de se contentar com pouco ou com metades e acabo de dizer que não lhe direi nada mais.

– Então não diga! – Edward a liberou. – Guarde para si aquilo que pertence ao outro e dê a mim a parte que me cabe.

– Edward, isso não vai dar certo! – Isabella profetizou, desistindo de mover a mão masculina que não afastou um milímetro sequer.

Onde estava sua fria determinação quando mais se precisava dela? Isabella pensou ao fechar os olhos. Quanto mais percebia não haver futuro, mas queria que Edward a convencesse do contrário. Por meio de ações, de palavras que ambos sabiam serem mentirosas.

– Não vê? – Edward sentou ereto fazendo com que mais água fosse derramada sobre o piso. – Já está dando certo. O que aconteceu hoje foi uma contrariedade passageira e não vai se repetir. Entre ficarmos juntos ou conseguir respostas, escolho você.

– Não vai aguentar. Pediu no pomar que eu pensasse somente em você e é o que venho fazendo todos esses dias, mas ainda assim insiste em citar Embry.

– Quem é esse? – o barão perguntou franzindo o cenho em estudada estranheza.

– Não faça isso comigo Edward... – Isabella pediu num fio de voz; não queria chorar muito menos se render, contudo o resquício de auto-preservação caia por terra quando Edward recorria à leveza e ao bom humor. – Será tão mais fácil para nós dois se desistir de me cortejar e assumir que somente mantemos um caso. Vamos vivê-lo intensamente e depois seguir cada um em sua direção.

– Você não faça isso comigo Isabella – ele pediu retomando a seriedade, segurando-a pelo rosto com mãos firmes indagou. – Quem lhe disse que haverá alguma direção para mim caso vá embora definitivamente?

– Sempre haverá! – a jovem assegurou com o coração fundo no peito. – Não é como se nos amassemos loucamente e não pudéssemos viver um sem o outro.

O barão escolhia as palavras que poderia desdizê-la, porém entender que ainda não era correspondido, não da forma esperada, calou a pronta declaração. Extinto o ciúme, restou o orgulho levemente ferido e a certeza de que seria preciso se esforçar mais para quebrar as barreiras que ela ergueu em torno do coração; ainda era cedo para querer ser amado por alguém tão machucada quanto ela.

– Realmente não é. – Edward concordou, terminando por derrubar um coração que já tombava; melhor assim Isabella se consolou.

– Então... Vamos aceitar que vivemos uma aventura e nada mais – determinou tocando-lhe os joelhos que despontavam acima da lâmina d’água; as palavras tinham um sabor amargo, a necessidade de senti-lo era urgente.

– É o que quer? – o barão perguntou, segurando-lhe as mãos e exibindo um brilho intenso no olhar. – Ser somente minha amante?

– Quero poder ficar com você pelo tempo que for possível. – Isabella externou sua vontade real. – Quero contentá-lo, satisfazê-lo enquanto me queira, sem compromissos nem cobranças. Como disse, não é homem de aceitar nada pela metade e eu não sou uma mulher inteira.

– Pois saiba que para mim, as coisas não funcionariam desta forma – a voz exprimia sua resolução. – Minha palavra é uma única Isabella. E já lhe disse que entre nós não havia aventuras.

– Então...? – ela não teve coragem de verbalizar seu pensamento; seria o fim?

– Então... Eu acho que deveria se secar e voltar ao seu quarto. Tente descansar... Vemo-nos no jantar.

Ao que parecia, sim, era o fim. Antes que se movesse Isabella ainda perscrutou o rosto de Edward a procura de alguma indecisão. Para sua consternação, encontrou nada além de resoluta serenidade. Sentiu-se traída por suas impressões que levavam seus nervos ao limite por imaginar que o barão há tempos estivesse em vias de declarar-se. Ali, considerando a água morna subitamente muito fria, a jovem percebia o quanto esteve enganada. O interesse havia; a paixão era clara, no entanto, amor...

– Vemo-nos no jantar – disse ao finalmente considerar que sua voz sairia limpa.

Voltando o rosto ligeiramente no sentido oposto, Edward fechou os olhos para não vê-la deixar a tina. Assim os manteve enquanto a ouvia se movimentar em seu quarto. Sabia que sua atitude era arriscada, ainda mais quando a jovem por inúmeras vezes já havia demonstrado a facilidade com que o deixaria, mas no momento, dar-lhe espaço se fazia necessário. Queria ser amado por ela, todavia não poderia obrigá-la.

Jamais a forçaria a nada quando já havia perdido o que considerava seu bem mais precioso de forma torpe. Preso em sua incapacidade o barão sentia seu peito oprimido, pois em momento algum percebeu hesitação naquela já considerada sua mulher que ouvia vestir as roupas apressadamente. Ela iria embora, fácil como antes e daquela vez ele não a deteria. Com os punhos cerrados na borda da tina, obrigou-se a ficar no lugar. Imóvel, esperou apenas o abrir e fechar da porta para olhar em volta e descobrir que havia sido deixado sozinho.

Porém não o fora. Descalça, vestida apenas em sua combinação, abraçada fortemente às suas botas e roupas, Isabella se encontrava recostada na porta, de cabeça baixa e, como ele segundos antes, com os olhos fechados fortemente. A incredulidade manteve o barão no lugar por parcos instantes, antes que se levantasse e sem se importar que molhasse todo o piso em seu caminho, cruzasse a distância que os separava.

Ao cercá-la tomou-lhe as roupas e as atirou sem cuidado ao chão. Não dominava sua ação, nem os tremores que corriam seu corpo ao segurar a cabeça da moça para erguê-la em sua direção. Descobrir que Isabella chorava manso despedaçou-o de vez. Novamente tinha tanto a perguntar, contudo descobriu que não importavam as respostas. Para que entender as razões que a fizeram ficar quando o mais importante é que havia apenas ficado?

– Minha Bella... – murmurou comovido antes de dar vazão a sua paixão e tomar os lábios entreabertos com volúpia.

O amor poderia não existir, mas para Isabella bastava aquela paixão desmedida com que o barão – completamente molhado – a aceitava e acolhia. Era uma fraca, bem o sabia, pois deveria ter aproveitado o ensejo para encerrar aquela relação divergente e sem futuro, porém simplesmente não conseguiu dar um passo para fora do quarto ao imaginar que se cruzasse o batente, aquele homem altivo que se mantinha de costas indiferente à sua saída, talvez nunca mais a recebesse de volta.

Num segundo perturbador vislumbrou seus dias longe dele; sem seus sorrisos de lábios e cavanhaque ou seus beijos espinhentos. Sem poder perguntar como havia sido seu dia durante o jantar com a naturalidade habitual entre os casais. Sem dormir e acordar ao seu lado. Sem seu Lord que a tratava por sua Lady.

Pouco se importando que suas roupas molhassem Isabella o enlaçou pelo pescoço comprimindo seu corpo contra o dele levando o barão a liberar um gemido satisfeito e provar-lhe a língua com maior intensidade. O temor de que tudo acabasse ainda não se extinguira, fazendo com que a jovem saltasse sobre ele para abraçá-lo também com suas pernas ao redor da cintura.

– Bella... – Edward exalou o nome quase num lamento ao sentir a concavidade morna contra seu membro semi-ereto.

Segurando-a pelas nádegas, o barão seguiu até a cama e sentou na borda, deixando a jovem sobre seu colo. Sentindo crescer a urgência de tomá-la, quebrou o beijo apenas para livrá-la do chemise e logo as bocas se procuravam para provarem-se com fome. Logo as mãos já secas do barão amparavam os seios livres, beliscando os mamilos há muito enrijecidos, aumentando o afluxo de calor que a inundava.

– Edward... – espirou plangente ao ter os lábios escoriadores a arranhar seu pescoço, vagando por seu colo antes de provar um dos seios que ele mantinha eretos. Segurando nos ombros ainda úmidos, Isabella tombou o dorso para que a boca torturadora sugasse em excruciante e inesperada lentidão um dos mamilos. Logo seu centro pulsava em dor latente de encontro ao membro muito rígido. – Preciso de você...

– E eu de você.

Este foi o retrucar rouco e baixo dito enquanto Edward a deitava sobre a cama para livrá-la da pantalona. Num movimento contínuo, o barão tratou de cobrir-se com o preservativo e planou acima dela mal permitindo que apreciasse seu corpo de músculos tesos antes que se posicionasse e prontamente a possuísse. Então eles eram novamente um, movendo-se numa dança primitiva. Não era o fim afinal; não ainda.

Apertando-a em seus braços, moveu seu quadril, com pressa quase desesperada; levando-a a sussurrar seu nome e então, praticamente o gritar ao estremecer violentamente.

– Minha Bella... Minha doce e pequena Bella... – ele exalou rouco atingindo também sua satisfação plena, deixando-se tombar sobre ela.

Minutos haviam se passado desde que cada um teve sua satisfação; os corpos já estavam livres da febre que os ligava, contudo não haviam se afastado um do outro. Edward ainda enlevado pela permanência espontânea de Isabella em seu quarto rolava a ponta da trança úmida entre os dedos enquanto a jovem pousava a cabeça sobre o peito, correndo os dedos entre os pelos crespos. Nenhum dos dois se atreveu a falar, até que o barão tomasse a iniciativa.

– Não saberia lhe dizer o quanto estou contente que tenha ficado.

– Disse que eu fosse para meu quarto, mas não tenho um – falou levemente embargada com a recordação do que a fez ficar. – Não outro além deste ou um onde você não esteja.

– Sim, este quarto é seu. – Edward a abraçou; feliz com a declaração. – Ele ficaria frio e vazio caso tivesse saído.

Exatamente como a vida dela ficaria, pensou ao se sentar para encará-lo.

– Mesmo assim deixaria que eu fosse?

– Não posso obrigá-la a aceitar minhas condições Bella. – Edward disse amável, gostando até mesmo do tom acusador. Talvez ela já o amasse, apenas não soubesse. – Qual o sentido em impedi-la de sair quando parece sempre querer deixar minha vida?

– Não é que eu queira... – assumiu num murmúrio, vacilando em sustentar-lhe o olhar avaliativo. – É o que considero certo. Não preciso repetir o que já disse umas mil vezes. Eu poderia ser sua amante pelo resto de minha vida se assim você o quisesse. Ficaria quieta em meu canto e nos encontraríamos de tempos em tempos. Assim você poderia se casar com alguém que...

– Isabella, por favor... – Edward começou, puxando-a pelo braço para fazê-la se deitar antes de concluir. – Fique de boca fechada. Não quero brigar com você; não quando acabamos de nos entender novamente.

– Também não quero brigar – assegurou depositando um beijo conciliador sobre o peito do barão. – Quero é resolver nosso impasse da melhor forma possível.

– Pois então ficamos com este arranjo. Você aceita meus termos e eu aceito um dos seus... Esqueça essa ideia absurda de ser minha amante que prometo nunca mais lhe fazer qualquer tipo de pergunta sobre sua vida; basta não me manter de fora a partir de agora.

Por ora era uma boa alternativa Isabella concluiu finalmente acalmando seu coração. Resignada com aquele arranjo, provocou-o.

– Vou aceitar o que me propõe mesmo sabendo que seria melhor do meu jeito.

– Pois lhe asseguro que é melhor do meu. – Edward teimou ainda mais satisfeito. Sua manobra arriscada rendia-lhe louros. – Já lhe disse que a considero minha mulher, por que luta contra isso?

– Acho que... – ela pensou um segundo então deu voz a uma analogia inteiramente particular. – Uma borboleta cansada de voar por canteiros áridos e feios relutaria em acreditar que um jardim florido, sozinho, pudesse ser inteirinho seu.

– Só para que fique claro – Edward conferiu leveza à voz para encobrir uma repentina comoção com as palavras sentidas – Eu sou o jardim, certo?

– Sim, você é o jardim. – Isabella garantiu, sorrindo brandamente.

– Pois então acredite e fique a vontade – o barão a abraçou carinhosamente. – Sou todo seu, minha borboleta.

A calmaria vinda após as tempestades costumava trazer certa estagnação. Para Edward e Isabella a bonança trouxe a cumplicidade que ambos partilhavam até mesmo no silêncio estabelecido depois do jantar onde as palavras foram igualmente economizadas. Não que lhes faltasse assunto; envoltos num entendimento conjunto apenas optaram por se admirarem mutuamente cada um a analisar todo o ocorrido no quarto.

O barão considerava ter feito a melhor escolha em assegurar que não mais a pressionaria, entendendo que nem tudo deveria ser dito. Principalmente sobre assuntos que somente o assombrariam futuramente. Bastava que ela tivesse ficado de livre e espontânea vontade, aceitando suas atenções.

Isabella por sua vez tentava descartar uma ideia temerária que ameaçava ganhar força em sua mente. Argumentava com sua insensatez que não importava as promessas feitas por Edward, não havia meios de ficar ao seu lado sem revelar toda a verdade. Todavia, nas vezes que o observou entre uma garfada e outra, ou até mesmo ali, na biblioteca, vendo-o tão absorto em seus afazeres, o desejo estapafúrdio ganhava força.

– Tem algo a me dizer Bella?

A pergunta levou Isabella a sobressaltar-se e focar sua atenção no homem que tinha a sua frente. Sentado à mesa, o barão tinha a cabeça ligeiramente abaixada sobre um caderninho onde conferia seus compromissos futuros, equilibrando o pincenê no nariz afilado. Parecia que toda sua atenção era direcionada à tarefa, levando Isabella a considerar se não havia imaginado a questão. Soube que não ao ser encarada por sobre o aro dos pequenos óculos antes que Edward repetisse:

– E então... Tem algo a me dizer?

– Não – negou prontamente.

A rapidez levou o barão a retirar os óculos e pousar as mãos sobre o caderno para dispensar a ela total atenção.

– Então, por que eu acho que tem? – indagou desafiador.

Não poderia ser novidade, pois Edward sempre a analisava. Isabella esteve tão absorta em suas excêntricas considerações que nem se lembrava do que lia. Simplesmente baixou o livro escolhido e se distraiu quanto ao observar o barão, então ele com certeza teve várias oportunidades de flagrá-la em sua distante divagação. Fora inapta ao negar.

– Era bobagem – falou por fim, escolhendo temas adversos, para mascarar o único que de fato a perturbava.

– Pois diga mesmo assim. – Edward incentivou. – No que pensava tão distraída?

– Em algo que você disse mais cedo... – começou cautelosa, afinal o comentário veio antes da rusga. – Sobre cada um ter que ficar em seu lugar. Acredita mesmo nisso?

Para dispersar a tensão que o enrijecia por ter imaginado que ela finalmente lhe daria algo relevante, Edward respirou profundamente e apertou o vão entre os olhos com estes fortemente fechados, antes de olhá-la. Deveria se acostumar e de fato esquecer, pois estava mais do que claro de daquela mulher tão enigmática quanto uma Esfinge jamais se revelaria ou seria decifrada.

– Acredito! – Edward disse sincero. Ao perceber a estranheza se abater sobre o olhar escuro, pediu. – Não me olhe como se não me conhecesse.

– Bem... – ela novamente se acautelou, contudo não se furtou de lembrá-lo – Como você mesmo me lembrou, não conheço. Sempre o vi tratar seus criados com igualdade e agora praticamente declara que são inferiores.

A conversa que começou como disfarce para seus pensamentos de omissão eterna estava se revelando tão perturbadora quanto. Não era como se fosse hostilizá-lo pelo inesperado pedantismo, mas sua admiração sofreu um pequeno abalo.

– Não confunda o que eu disse nem as ações que viu até aqui – ele pediu unindo as sobrancelhas com severidade. – Nunca os tratei como iguais e sim com respeito, pois os vejo como pessoas e não meros criados. Contudo eles são meus criados e como tal devem se ater aos seus afazeres.

– Então por essa razão Mike não poderia assistir as aulas? – ela saiu em defesa do cavalariço. O pobre rapaz quis apenas ajudar e fora repreendido. Contudo não se tratava apenas dele, no fundo tinha a ver com ela; precisava colher informações sobre a visão separatista de Edward. – Por ser o tratador de cavalos ele é obrigado a ficar no estábulo?

– Sinceramente não entendo porque está aborrecida, mas, sim... – disse avaliando-a. – Mike Newton recebe um salário digno e ocupa uma de minhas casas em troca de cuidar de meus cavalos. Não o acolho ou pago para especular nossa vida. Pois era isso que ele e todos os outros faziam.

– Você disse Mike Newton? – por um instante a curiosidade se sobrepôs a todas as coisas. – Seria coincidência ou...

– Não há coincidência. Mike é filho de Marie e os dois ocupam uma das casas destinadas aos criados.

– Ela nunca me disse que tem um filho. – Isabella comentou admirada.

– Isso porque ela conhece seu lugar. – Edward usou a situação como ilustração para o que tentava explicar; verdadeiramente não entendia o assombro. – Por mais que a trate pelo primeiro nome, Marie sabe quais são suas funções e as executa com competência. Ela não está aqui para falar da própria vida e é isso que quero que entenda. Não confunda o respeito que dispenso aos criados com amizade ou igualdade. Hierarquia existe e há que ser mantida, pois sou o senhor desta casa e destas terras. Se cada um deles não vir um líder em mim, nada funcionará.

E ali estava a confirmação do que sempre soube. Edward tinha razão, a ela restava manter-se em seu lugar. O líder daquela baronia perderia completamente a autoridade caso um dia soubessem que sua estimada esposa havia sido uma marafona.

– Não me julgue por isso Isabella. – Edward chamou-lhe a atenção, somente então ela percebeu que havia estacado.

– Não julgo – tranquilizou-o. – Você está certo. É o barão a quem todos devem obediência.

– Fala como se fosse errado – o nobre retrucou. – Qual o problema em comandar aqueles que dependem de mim?

– Nenhum. – Isabella tentou imprimir verdade à sua voz. – E de fato confundi o tratamento que dava a eles. E também nunca tinha parado para pensar na grandiosidade que é ser alguém titulado.

Tarde demais Edward percebeu do que se tratava. Poderiam estar falando de Mike ou Marie, mas a verdade é que mãe e filho, assim como todos os que não foram citados, serviam de alegoria para ela mesma. No momento o barão poderia fazer uma ideia do quanto suas palavras a afetavam. Tentando não deixar transparecer seu nervosismo com o mal-estar que causara, contemporizou:

– Evidente que em toda regra há exceções.

– O que quer dizer? – Isabella o encarou de sobrancelhas unidas. Então, recordando-se da exceção conhecida, desanuviou a expressão e, baixando os olhos, exclamou. – Ah, sim... Jacob! A amizade de vocês é mesmo muito bonita e transcende posições hierárquicas.

– Há outras – ele acrescentou intensamente fazendo com ela voltasse a encará-lo. – Não só para mim, como para muitos outros. A outra exceção em minha vida é você. Acredito que saiba que tudo o que disse não se aplica a nós dois.

– O princípio é o mesmo – ela replicou sem pesar.

– Mas não se aplica. – Edward reafirmou incisivo. – O que existe entre mim e você ultrapassa qualquer regra. Eu jamais me importaria caso me disse que é a criada em uma das casas de Wisbury, por exemplo. Assim como não me importo se vem de boa família ou com sua classe social. Que, diga-se de passagem, não faço à mínima ideia qual seja, mesmo sabendo que é bem cuidada e educada.

– Edward... – ela moveu a cabeça num lamento; não queria voltar à mesma questão anterior.

– Não estou perguntando! – ele exclamou de mãos erguidas como quem se rende. – Apenas comentando a verdade baseada no que vejo. Conheci-a em suas próprias roupas. Veste-se bem. Mesmo que sem ostentação os tecidos são caros. Não somente é educada, como culta. Sabe se portar à mesa e interage bem com Marie o que demonstra ser acostumada a ter quem lhe sirva... Estou enganado no meu julgamento?

– Não está – para que mentiria sobre o que era claro para alguém que a analisava constantemente?

– Então... – o barão prosseguiu com um meio sorriso vitorioso a lhe curvar lábios e cavanhaque. – Mesmo que não seja uma criada ou uma desvalida, ainda estaria aquém daquelas que insiste em dizer serem melhores para mim. E eu reafirmo... Não me importo. Essas questões que levantou não se aplicam a nós dois, entendido?

– Entendido – ela lhe sorriu apenas para acalmá-lo mais, pois a verdade limitante ele jamais conheceria; e com ela, sem dúvida se importaria.

– Muito bem! – Edward exclamou satisfeito voltando a recolocar o pincenê sobre o nariz. – Agora me deixe terminar com isso.

Com um assentimento mudo Isabella voltou sua atenção ao livro. Fechou-o no minuto seguinte e novamente se perdeu a olhar o barão. Ele de fato se dedicava a organizar seus afazeres futuros. Ao virar uma página, franziu o cenho e liberou uma quase inaudível imprecação.

– Algum problema? – Isabella indagou reflexiva.

– Não. – Edward respondeu sem olhá-la. – Apenas dois compromissos que tinha essa semana que me faria ir até a cidade, mas os desmarcarei.

– Por quê? – talvez não devesse especular, mas estava curiosa.

– Não são importantes. Apenas duas reuniões entre cavalheiros onde jogaríamos, apreciaríamos alguns charutos e tomaríamos brandy – enquanto falava o barão alcançou uma caneta tinteiro com o corpo em ouro para riscar os compromissos. Virando a página mais uma vez após esperar que a tinta secasse, olhou para a jovem por cima dos óculos e lhe piscou maliciosamente. – Prefiro ficar em casa.

Em resposta, ela lhe sorriu envaidecida, corando como se fosse uma mocinha virginal, instigando o desejo do nobre. Isabella por sua vez, não gostava daquele ardor em seu rosto, que denunciava o quanto o barão a afetava. Contudo era algo além de sua vontade. Edward simplesmente lhe despertava sensações completamente divergentes de sua realidade. Ele lhe dava vida.

– Não quero ser um empecilho para seus encontros – falou sustentando-lhe o olhar –, mas também prefiro.

Após outra piscadela, tão sugestiva quanto a primeira, Edward novamente folheou seu caderno. Era intenção de Isabella deixar que o barão trabalhasse, porém, baseada na outra exceção em sua vida, ela se pegou a indagar:

– Posso lhe fazer uma pergunta sobre Jacob?

– Sobre Jacob? – Edward estranhou, porém permaneceu a conferir o que estava marcado, rabiscando brevemente vez ou outra. – O que seria?

– Nada muito importante – respondeu-lhe. Deixando o livro sobre o sofá, aproximou-se enquanto explicava. – Queria somente entender qual é exatamente sua função. É que já os ouvi conversar sobre os trabalhos de Apple White, assim como desde ontem o vejo a cuidar de você. Ele o acorda, o barbeia. Hoje lhe preparou o banho...

– Jake é acima de tudo meu criado pessoal – o barão respondeu, dedicando sua atenção a tentativa de remarcar a visita à gráfica responsável pelos rótulos da sidra; talvez daquele compromisso não pudesse escapar. Ainda com sua atenção dividida, prosseguiu. – Mas basicamente é aquilo que preciso que ele seja.

– Isso me parece muito para uma só pessoa – ela comentou se colocando às costas do barão e pousando as mãos em seus ombros.

Decidindo que não havia como deixar de ir até a gráfica, Edward finalizou sua conferência e fechou o caderno.

– Será esta a oportunidade de finalmente me acusar de exploração? – troçou.

– Não, pois pelo pouco que começo Jacob e o que já me disse sobre ele, eu sei que faz por gosto.

– Exatamente – Edward concordou a fechar também os olhos para apreciar a leve pressão dos dedos da moça a massageá-lo. – Ele ficaria ofendido caso o liberasse de algum serviço.

– Ficaria ofendido também se eu decidisse cuidar de você?

– Cuidar de mim?! – Edward abriu os olhos e procurou olhá-la acima de si mesmo que a enxergasse invertida. – O que pretende?

– Ah... – ela deu de ombros. – Jacob poderia continuar a acordá-lo caso quisesse, mas eu poderia cuidar de seu banho... Posso escolher suas roupas, penteá-lo e também escanhoá-lo caso confie em mim.

– Já barbeou alguém antes?! – não era sua intenção, mas cada detalhe descoberto sobre ela que envolvia ações puramente masculinas o incomodava.

– Você prometeu? – Isabella o lembrou, acariciando-lhe os cabelos ternamente.

– Tudo bem – exalou entre contrafeito e resignado. Tendo as mãos delicadas em seus cabelos, imaginou como não seria ser barbeado por elas, então, pacificado, aquiesceu com um gracejo para amenizar os ânimos. – Se me jurar que jamais degolou alguém, eu confio.

Isabella lhe sorriu satisfeita e então se curvou para apertar seus lábios aos dele de forma invertida. Adoraria se ocupar com as necessidades do barão enquanto estivessem juntos, pois aqueles seriam mais detalhes para acalentar os dias que viriam.

Na manhã seguinte Isabella despertou ao som de vozes murmuradas. Ainda sonolenta, instintivamente correu uma das mãos pelo espaço ao seu lado. Não encontrando Edward, coçou os olhos para adaptá-los a claridade e olhou em volta. Nero já havia saído e avistou seu Lord vestido no chambre azul escuro a conversar discretamente com Jacob parado além da porta do quarto.

– Deixe-me ver se entendi – ela ouviu a voz do criado – a partir de hoje não preciso vir acordá-lo?

– Exatamente – o barão confirmou, levando-a a sorrir por se lembrar que ele lhe atendia um pedido.

– Nem providenciar seus banhos ou fazer sua barba – Jacob enumerou um tanto descrente.

– Sim Jake. – Edward novamente concordou e demonstrando uma ligeira irritação indagou. – O que está difícil de entender?

– Acho que nada – ele disse. A Isabella parecia que encobria um sorriso. – Então a senhorita vai cuidar desses afazeres agora... Tem certeza de que ela sabe manusear a navalha? Não tem medo de ficar sem a posta do nariz?

– Isso não é hora para graças Jacob. – Edward replicou sisudo.

– Eu ouvi isso Jacob... – Isabella falou alto o suficiente para que o criado a ouvisse.

– Está vendo só – o barão ralhou. – Você a acordou!

– Na verdade foi o falatório dos dois que me acordou – ela esclareceu sentando para vê-los melhor. – De toda forma não importa, pois se vou reduzir seu nariz tenho que me levantar cedo.

– Não se atreva a sair de onde está, Isabella. – Edward ordenou, olhando-a com o cenho franzido. Para Jacob demandou. – E você desça de uma vez e me espere.

– Bom dia senhorita – o criado a cumprimentou ignorando a carranca de seu patrão por se dirigir a ela. Ao ser respondido ele se voltou para Edward e anunciou. – Estarei esperando.

– Desço num instante. – Edward avisou já a fechar a porta.

– Caso caiba minha recomendação, cuidado com o nariz. Não haveria pelos para esconder este tipo de acidente.

Em resposta o barão fechou a porta com desnecessária força para demonstrar que não havia apreciado o gracejo. Olhando em direção à cama Edward descobriu que seu azedume se dava por Isabella não se importar em ser vista em trajes de dormir por seu criado. Ao que parecia fizera bem em dispensá-lo de lhe acordar todas as manhãs agora que não estaria sozinho em seu quarto.

– Posso saber o que o aflige? – Isabella lhe perguntou, deixando a cama para se aproximar. – Se está com medo de me deixar barbeá-lo, eu...

– Não estou – assegurou envolvendo-a pela cintura para depositar um casto beijo na testa vincada. – É que não gosto que Jacob a veja assim.

– Estou tão decente nessa camisola quanto quando uso um vestido – ela retrucou após a indicação de seus trajes. – Não vá cismar até mesmo com Jacob.

– Está bem – ele exalou resignado; mesmo se a índole do seu amigo não fosse impoluta, Jacob não se atreveria a desrespeitá-la. Desfazendo sua expressão consternada, pediu. – Já que está decidida a ajudar, escolha o que vestirei. Logo estarei de volta.

Depois de um novo beijo o barão se foi. Isabella não precisava perguntar para saber aonde iria, então, seguindo até o guarda-roupa vasculhou entre as peças dispostas, admirando-se com o capricho já conhecido das criadas do palácio. Não teve trabalho algum em separar tudo o que o barão vestiria naquele dia.

Ao deixar todas as peças sobre uma das poltronas, olhou em volta pelo quarto e descobriu que os utensílios para barbear estavam dispostos sobre o aparador. De certo quando acordou o criado estava sendo convidado a se retirar depois de trazer o que precisaria para cumprir suas obrigações. Ainda sorria com a lembrança de sua preocupação quanto a integridade do nariz de seu patrão, quando este retornou ao quarto.

– O que é engraçado? – Edward indagou ao fechar a porta atrás de si.

– Sua relação com Jacob – disse simplesmente.

– E irritante – o barão acrescentou com deliberado enfado.

– Claro! Tanto que você não saberia mais ficar sem ele. – Isabella comentou com carinho antes de indicar as roupas sobre a poltrona. – Veja se está tudo de acordo.

– Está – disse-lhe ao despir o chambre para vestir a calça escolhida.

Não lhe disse, mas se admirou que Isabella tivesse reservado suas roupas mais simples; as mesmas que usava na lida diária. Com certeza ela conhecia seu gosto por observá-lo naqueles poucos dias. Em seu contentamento se deixou ser auxiliado e lamentou não ter o costume de usar em seu colarinho lenços ou gravatas em dias comuns, pois depois de todo o processo apreciaria ter a jovem diante de si a fazer um laço ou nó e então prender o tecido com um alfinete exatamente como uma esposa faria.

Ao vestir a camisa sem abotoá-la completamente o desejo foi substituído pelo impasse por se recusar em ser penteado por ela.

– Por que não posso penteá-lo?

– É desnecessário – retrucou a pergunta exasperada. – Sempre fui capaz de me pentear Bella. Jake nunca teve esse trabalho.

– Por favor – ela pediu a torcendo os lábios num bico sentido. – Gosto de seu cabelo, deixe-me tocá-lo agora para lembrá-lo durante todo o dia.

Mudar de tática surtiu efeito, mesmo a contragosto o barão não teria coragem de lhe negar coisa alguma. Não depois de ser encarado pelos olhos negros brilhantes e esperançosos; estava de fato perdido. Todavia ao se sentar diante do aparador e deixar que ela o penteasse como se fosse uma ridícula boneca, descobriu que apreciava aquele contato. O escovar e prender de seu cabelo o relaxou ao ponto de esquecer seu leve receio com o barbear cada vez mais próximo.

– Agora se vire – sua cabeleireira pediu compenetrada ao terminar a tarefa.

Como pedido, Edward se voltou sobre o banco e estendeu seu rosto para ela que já remexia habilidosa a espuma na vasinha com o pincel de barbear, abalando um pouco a segurança do barão, enciumando-o.

– Se não ficar quieto quando eu estiver com a navalha posso cortá-lo – avisou, pois Edward não parava no lugar. – Por que se mexe tanto? Está com medo?

– Não – negou veemente e então, ao lembrar a comparação feita por seu criado se obrigou a relaxar e sorriu. – Jake invariavelmente faz a mesma queixa. Irei me comportar.

Era o que a moça esperava. Ao espalhar a espuma sobre o rosto dele tão próximo ao seu, Isabella começava a se arrepender de seu oferecimento. Mesmo que nada dissesse ou fizesse, Edward a desestabilizava. Exalava dele uma estimulante força máscula que a atraia. Podia sentir a própria face afogueada somente por correr o pincel naquele rosto bonito, sob a intensa vigilância dos semicerrados olhos azuis. Quando estendeu a mão para alcançar a navalha, ela se admirou que esta não estivesse trêmula.

– Por favor, não se mexa – pediu, após respirar algumas vezes. Estava confiante de que não o cortaria a despeito do tremor interno então, caso acidentes ocorressem, estes viriam se o barão voltasse a se inquietar. – Não me perdoaria se o machucasse.

Como resposta Edward paralisou deixando que ela deslizasse a lâmina fria sobre sua pele. Isabella tinha o toque firme e cumpria com maestria o papel que pediu para si. O barão não sabia o que aquela proximidade causava nela; nele aguçava os sentidos e lhe eriçava os pelos, levando-o a crer que nunca mais deixaria Jacob recuperar seu posto. Quando uma moça compenetrada finalizou o barbear do rosto e o escanhoar do cavanhaque acalmando a pele do barão com uma toalha embebida em água quente, este se encontrava consideravelmente excitado.

Ainda imbuída em sua função, Isabella alcançou a loção perfumada e a derramou nas próprias mãos antes de espalhá-la no rosto recém-barbeado. Quando Edward se contraiu perceptivelmente, falou num delicado lamento:

– Queria que não ardesse querido – e como se de fato o tivesse machucado, soprou-lhe o rosto brandamente.

Somente quando seu olhar distraído encontrou o intrigado de Edward ainda quando lhe soprava a bochecha, foi que Isabella percebeu tê-lo tratado como Embry para confortá-lo das mazelas sentidas. Talvez fosse o amor desmedido a lhe despertar os instintos protecionistas, porém o barão era um homem formado que dispensava certos cuidados pueris. Antes que pudesse se erguer ou desculpar, ele já a derrubava sobre suas coxas para prontamente beijá-la.

– Edward... – ela murmurou ao ter seu pescoço cheirado, enquanto ele aventurava uma das mãos pelo decote da camisola para beliscar o monte pujante de um seio. A loção usada a inebriava, potencializando o estímulo vindo com aquele ataque inesperado. Contudo, prendendo-se a um fio de consciência, Isabella o lembrou:

– Jacob o espera... Disse que desceria num instante.

– Não se preocupe – pediu rouco assanhando-lhe a pele com seus beijos torturadores. – Quero apenas um bom beijo para também me lembrar durante todo o dia.

E foi exatamente o que fez. O barão a beijou daquela forma completa e indecente na qual sempre a satisfazia ao final antes de aninhá-la sob as cobertas com recomendação de que voltasse a dormir por ser ainda cedo; terminar de se vestir e partir.

Como não havia muito a ser feito, ela o atendeu. Despertou poucas horas depois com Marie a entrar no quarto cautelosamente, munida com a habitual bandeja com seu café da manhã. Vinha seguida pelo galgo que saltou sobre a cama tão logo a viu.

– Bom dia rapaz – ela o cumprimentou com um afago antes de se dirigir à criada. – Bom dia Marie.

– Bom dia Isabella – Marie lhe respondeu parando a meio caminho. – Desculpe se a acordei sem cuidado.

– Não foi o caso. – Isabella assegurou ainda a acariciar a cabeça de Nero.

– Bom... – a criada começou, seguindo para a cama. – Já que acordou, tome seu café.

– Obrigada, Marie!

Acomodando-se contra o travesseiro, deixou que a criada colocasse a bandeja sobre seu colo. Aproveitou a proximidade para analisar-lhe o rosto procurando por traços que a ligassem ao cavalariço.

– Deseja me dizer alguma coisa Isabella? – Marie indagou ao notar a avaliação.

– Perguntar na verdade. Ontem Edward comentou que Mike é seu filho.

– Sim, ele é – a criada confirmou com um imediato sorriso.

– Por que nunca me disse? – era apenas curiosidade, sabia que a mulher não lhe devia satisfação da própria vida.

– Não devo falar de mim Isabella – respondeu sem qualquer entonação especial, apagando o sorriso. – Estou aqui para servir.

– Sei que sim, mas acho que pode me considerar sua amiga. – Isabella comentou afável. – Gostaria de saber mais sobre você. Mike é seu único filho?

– Sim – o sorriso novamente se desenhou no rosto ainda jovem. – Meu marido e eu tínhamos planos de ter vários filhos, mas infelizmente eu o perdi muito cedo. Mike foi tudo o que me restou.

Isabella a entendia e sentia que o rapaz dos cavalos não tivesse irmãos. Como filha única, em seus primeiros anos acalentou o sonho pueril de formar uma numerosa família, porém, assim como a morte ceifou o desejo de Marie, Edward I fizera naufragar o seu. Poderia considerar uma boa sorte quando ao menos um filho era gerado.

Com um suspiro melancólico vindo com as recordações boas e ruins, a moça tratou de expulsar as lamentações e focou em Marie. Queria saber mais sobre aquela que considerava uma amiga. Sabendo que quebraria mais um protocolo daquela casa, bateu ao seu lado na cama e a convidou.

– Sente-se aqui e me conte mais.

– Não devo! – Marie exclamou alarmada. – Preciso ficar em meu lugar Isabella.

– E eu deveria ter ficado no meu – Isabella replicou. – Não vejo aqui outra pessoa mais fora de lugar do que eu, no entanto, cá estou. Então deixe de reservas e sente-se. Caso se sinta melhor considere como uma ordem.

Não fora grosseira em tempo algum, porém ao se calar a moça temeu ter ofendido a criada. Esta, porém, lhe sorriu e sem mais desculpas acomodou-se ao seu lado colocando-se a disposição para responder o que desejasse. Sim, Isabella pensou tranquila, estava fora de lugar, mas não sozinha.

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Bem, sei que prometi deixar spoiler, mas já teremos capítulo novo na quinta, então... Vou ficar devendo... rs

Na próxima eu deixo!

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Talvez seja pouco, talvez ela tenha recuado depois da conversa sobre se manterem em seu lugar, mas o fato é que Bella já começa a pensar em ficar. O que no caso dela é grande coisa... Vamos ver se esse desejo se fortifica, pois só assim, com ela querendo ficar e lutar é que terá motivos para revelar sobre sua vida e tudo o que ela implicaria na vida do barão... Depois me contem o que acharam... ;)Bjus meus amores!... BOA SEMANA!