Borboleta Negra
25 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
Mais um capítulo... Espero que gostem!
Obrigada pelos reviews que deixaram no bônus.Sempre umas lindas comigo!... ♥
BOA LEITURA!
Caso o tempo a tudo curasse, a Edward sua passagem indicava que também serviria para consolidar acordos feitos por apaixonados. Ainda era pouco, mas nos dois dias que se seguiram a ligeira rusga, o clima intimista entre ele e sua escolhida se mantinha sem sobressaltos. Criou-se uma rotina aprazível onde pela manhã ele a deixava em seu quarto, encontrava-a para o almoço e então para as aulas de equitação ao término de suas tarefas em Apple White ou na sidreria.
Particularmente o barão gostava mais das primeiras horas do dia quando, depois de despertados por Marie, a moça o ajudava a se vestir e, como o acostumou, penteava e prendia seu cabelo. Aquela função nunca fora de Jacob, mas o barão apreciava ter os dedos delicados em sua cabeça da mesma forma que adorou ser barbeado por mãos cuidadosas e estimulantes na quarta e naquela mesma manhã.
– Por que adotou um cavanhaque? – ela lhe perguntara horas antes enquanto deslizava as cerdas de texugo em sua pele tão leve quanto uma carícia, cobrindo-a de espuma.
– Inicialmente por um surto de vaidade juvenil – respondera-lhe sem rodeios. – Depois me acostumei. Acho que nem recordo de minha imagem sem ele.
– Por vaidade?! – ela pareceu estranhar. – O que pensou? Que ficaria mais bonito com ele?
– Não me recordo exatamente do que pensei – disse-lhe com um sorriso. – Apenas quis encobrir o que considerei um defeito. Se olhar com atenção verá que ele esconde uma fina cicatriz em meu queixo.
Como ainda não havia espalhado toda a espuma, Isabella aproximou o rosto para averiguar a informação, soltando uma breve exclamação ao encontrar o corte.
– De que é? – indagou interessada, voltando à sua nova função.
– Fui ferido durante uma aula de esgrima.
Ver o horror tomar os olhos negros o fez se sentir culpado por revelar seu pequeno ferimento de forma descuidada. Com ela a tremer e lhe crivar de mais perguntas, Edward precisou acalmá-la até que conseguisse segurar a navalha e o barbear sem de fato decepar a ponta de seu nariz. Ela pareceu se conformar com o acidente que classificou como extremamente perigoso. Edward sabia que não deveria, afinal a consternação da moça fora real, porém ao deixá-la se encontrava extremamente satisfeito com o cuidado exacerbado.
Isabella mesmo sem saber lhe confirmava a impressão de que cada vez ela se afeiçoava a ele. Em tempo algum naqueles dias a viu oscilar entre a alegria e a tristeza e era recebido sempre com o melhor sorriso, assim como presenteado com saudosos beijos; acalorados ou não. O barão queria crer que aqueles eram dias em que ela colecionava momentos felizes e alimentava seus sentimentos para que abolisse de vez a ideia infundada de ser apenas sua amante.
Nem mesmo que o quisesse, não conseguiria relegá-la ao segundo lugar em sua vida. Não via como poderia ter outra mulher em sua casa para estar com Isabella em dias marcados, durante encontros fortuitos. Somente numa mente tão depreciativa quanto a dela tal arranjo funcionaria. Não que fosse hipócrita ao ponto de discursar contra o adultério quando ele mesmo por vezes fora o vértice de um triângulo ao se envolver com senhoras casadas; tituladas ou não. Todavia queria ser ele o amante, jamais o marido infiel.
No tocante a Isabella, queria a dupla posição. Bastava aquela cansada borboleta acreditar que era seu jardim, inteirinho somente dela para que planasse a sua volta livremente como fazia naquele momento. Ao vê-la montada em Luna a circular pelo gramado frontal do palacete, tendo os cabelos negros esvoaçando ao vento manso e frio de final de tarde, Edward considerava perfeita a alusão sugerida por ela. Isabella era uma linda borboleta que no momento vinha em sua direção segurando as rédeas para que a égua parasse exatamente a sua frente.
– E então instrutor? – Isabella perguntou arfante; as bochechas coradas, o sorriso expectante. – Como me saí?
– É... Está melhorando – ele disse com simulado enfado somente para arreliá-la.
– Não seja tão exigente – ergueu o nariz, orgulhosa. – Sou sua melhor aluna. Já faço Luna correr, sem medo de cair e isso com apenas quatro aulas.
O barão riu com gosto antes de retrucar, ainda com o intuito de provocá-la.
– Evidente que é minha melhor aluna. Não tenho outras... Vá mais uma vez até o portão e volte para que eu possa julgar melhor.
Retribuindo seu riso, ela instigou a égua a andar e depois de contornar seu orgulhoso instrutor, bateu os calcanhares em seus flancos para que corresse. Com um sorriso fixado no rosto, o barão a viu fazer como o sugerido, ir até o portão, frear Luna, fazer a volta cautelosamente antes de voltar em disparada.
Edward jamais lhe diria, mas vê-la correr daquela forma ainda o apreendia como na tarde anterior quando ela se aventurou numa velocidade mais acelerada tão logo concordou em soltar a corda do cabresto de Luna pela primeira vez. Considerou cedo para tamanha ousadia, mesmo ela se mostrando muito capaz.
– E agora? – Isabella indagou ao parar ao seu lado. – Qual minha nota?
– Ainda estou decidindo – soou indeciso.
– Isso não vale! – Isabella exclamou num muxoxo. – Acho que vou perguntar a nossa plateia. Talvez Jacob saiba me dar uma nota aceitável.
A lembrança de que eram assistidos roubou um pouco do bom humor do barão, contudo ele continuou a ignorar aqueles que os observavam de longe; até mesmo Jacob que já deveria ter ido para sua casa. Segurando o cabresto de Luna quando Isabella fez menção de seguir até seus criados, falou:
– Eu sou o instrutor, eu dou as notas.
– Pois estou esperando... Já monto na primeira tentativa, não caiu ao descer e perdi o medo da corrida... Quanto isso me rende?
– Rende a nota máxima. – Edward finalmente reconheceu, porém não se furtou em adverti-la. – Mas gostaria que não perdesse o medo completamente. Não seja tão confiante, pois nunca sabemos o que pode acontecer... Monta há apenas quatro dias.
Isabella sabia que ele tinha razão. Tentaria não se empolgar tanto com a sensação de liberdade que a carreira lhe incutia. O que seria uma lástima, pois a cada volta que dava até o portão sentia mais e mais o medo se esvair, levando-a a ridicularizar sua apreensão quando Luna ameaçou correr pela primeira vez. Orgulhosa de si mesma, desejou que Embry pudesse vê-la.
Lamentava pela impossibilidade e também por não poder apresentá-lo a Edward. Caso o barão dispensasse a ele a mesma atenção e o ensinasse a montar, teria um amigo eterno. Jamais aconteceria. Com o pensamento a alegria do momento sofreu forte abalo, contudo a jovem não o deixou transparecer. Edward merecia ser recompensado com alegria por todos os momentos felizes que lhe proporcionava.
– Recomendação ouvida e entendida Milord – ela brincou; e com um suspiro profundo, avisou. – Acho que por hoje não aguento mais. Podemos encerrar a aula?
– Podemos. – Edward segurou a égua com mais firmeza. – Pode desmontar.
– Gostaria de fazê-lo sem que você a segurasse.
– Bella, acho que ainda não é o momento.
– Não seja tão protetor. – Isabella sorriu confiante para um Edward incerto. – Da mesma forma que não poderia me colocar sobre a sela sempre, não poderá segurar Luna ou qualquer outro cavalo para que eu desmonte.
O barão pensou por alguns segundo então, mesmo não querendo a atendeu. Manteve-se próximo, muito pronto a segurar o cabresto da égua caso ela ameaçasse se mover. Logo notou ser de fato super protetor, pois Isabella se segurou firme na sela e desceu com a mesma graça com que montava, pousando no solo com segurança, sem oscilar como da primeira vez.
– Consegui! – exclamou contente e seu sorriso se alargou ao receber discretos aplausos de alguns criados. Olhando na direção do som, instintivamente lhes acenou em agradecimento, rindo abertamente.
– Não devia encorajá-los. – Edward resmungou. – Agora é que não saem mais dali.
– Eles não nos atrapalham – a jovem voltou sua atenção para ele. – Ou está com ciúmes por roubarem minha atenção?
– Não, não estou com ciúmes – o barão garantiu enlaçando-a pela cintura. – Eles podem ter míseros instantes de sua atenção quando eu a tenho toda. Só não quero que criem a falsa sensação de familiaridade com você, pois não sei diferenciar se essa observação é apenas curiosidade amistosa ou maldosa especulação.
– Acho que é o primeiro caso. Parece que aos poucos estão se acostumando com minha presença. Muitos até sorriem para mim ou acenam quando passeio pelo jardim – contou languida pelo discreto carinho que recebia no pedaço de pele exposta em suas costas. – Acho que falavam antes pelo inusitado da situação, então lhes dê um crédito.
O barão gostou do que ouviu. Não sobre a mudança comportamental de seus criados, pois a creditava à competência de sua governanta em mantê-los na linha da educada discrição. O que o agradou foi ver a jovem defender carinhosamente aqueles que um dia deveria também zelar. Como líder daquelas terras e senhor daquelas pessoas era sua função protegê-los e esperava que uma esposa fizesse o mesmo.
– Dar-lhe-eis o crédito então... São apenas curiosos.
Ao lhe sorrir, baixou o rosto e beijou os lábios rosados da jovem brevemente; o relacionamento a muito havia sido exposto afinal.
– Edward! – Isabella exclamou com o rosto afogueado. – Sinceramente não lhe entendo.
Satisfeito por surpreendê-la, Edward apenas sorriu e se afastou para olhar em volta. Avistando Mike, que terminou por assistir as aulas todos os dias a pedido de Isabella, chamou-o para assumir o cuidado com a égua. Assim como ele Jacob igualmente se aproximou, retirando o chapéu em respeito à dama presente.
– Boa tarde! – cumprimentou-a antes de se dirigir ao patrão. – Vim somente saber se ainda precisa de mim para alguma coisa. Caso contrário eu irei para casa.
– Quero apenas que vá até a ponte amanhã pela manhã, ver como tudo está indo. No mais, pode ir sossegado. Tenha um bom descanso.
– Obrigado Sir Masen. Até logo senhorita.
Após cumprimentá-los o criado se foi. Mike chegou e partiu em silêncio, levando Luna consigo. Restou ao casal encerrar a apresentação e seguir para casa. Subiram aos aposentos sem nada dizer um ao outro, absortos na paz que os envolvia. Com o entendimento harmonioso vindo naqueles dias, Edward se sentou numa das poltronas para que Isabella lhe tirasse as botas.
Preferia ele mesmo fazer aquele tipo de serviço, mas não poderia negar que cada vez mais gostava de ser mimado por ela. E uma vez que a moça praticamente lutava para aumentar suas funções, ele apenas cedia. Simplesmente adorava o cuidado com que ela lavava e secava seus pés, da mesma forma que apreciava ser limpo pelo pano úmido que Isabella passava em seu corpo quando não se banhava na tina. Aquele era um desses dias, então tinha a jovem diante de si.
Como sempre, compenetrada em seu serviço, Isabella esfregava o pano em seu peito depois de ter repetido o processo em seus braços e axilas. Em momentos como aquele Edward gostaria de se manter impassível como prometera na tarde de quarta depois de arrastá-la para a cama ao término de seu primeiro banho paliativo. Todavia era exigir demais de um corpo estimulado daquela maneira. Quando ela passou a limpar seu pescoço, o barão fechou os olhos e formulou cálculos mentais para distrair-se da excitação ao resolvê-los.
Apesar de envaidecida por sentir os breves espasmos musculares ao limpá-lo, Isabella seguia distraída no cuidado daquele homem a quem amava.
– Ainda não consigo me conformar com o que me disse sobre esse machucado – ela comentou correndo os dedos pelo cavanhaque até tocar a cicatriz oculta. Agora que sabia de sua existência a enxergava sem esforço. – Foi muito descuidado ao praticar esgrima sem proteção.
– Como lhe disse foi apenas um acidente – sua voz soou muito rouca até para ele mesmo. – Sou um bom esgrimista.
– Pode ser – ela concordou enquanto umedecia o pano e o torcia antes de voltar a passá-lo no corpo do barão. – Mas, um instrutor me disse que eu não deveria ser tão confiante, pois não sei o que pode acontecer. Acho que você o conhece.
– Instrutores são sábios e não precisam seguir seus próprios conselhos. – Edward retrucou, reprimindo um sorriso convencido.
Com o gracejo quis atenuar a quentura que ela lhe causava ao correr o pano por seu abdômen; sem sucesso. O barão desejava que Isabella esquecesse sua cicatriz, a promessa impossível e o tocasse livre das boas intenções, porém não aconteceria. Desde a tarde de segunda ela lhe mostrou não ter restrições ao prová-lo, mas ainda assim a moça evitava tocá-lo intimamente durante o banho que insistia em lhe dar.
– Que tipo de comentário despropositado é esse? – Isabella indagou de fato incrédula, tirando-o de seus luxuriosos devaneios. – Espero que esteja de fato brincando, pois não gostaria de vê-lo ferido por excesso de confiança.
– Já disse que sou um bom esgrimista – ele insistiu; na verdade era considerado o melhor, mas não a abalaria mais. – Não se preocupe tanto Bella...
– Como não quando posso sentir que não me leva a sério? – Isabella retrucou, aborrecida com o descaso. – Anos atrás foi um corte em seu queixo, no futuro o que será? Uma estocada no coração?
Ao se calar Isabella estremeceu completamente, como se um vento agourento cruzasse por suas costas. Com o peito oprimido e um súbito nó a lhe travar a garganta, lamentou não ver os olhos que Edward ainda mantinha fechados. Quis pedir que ele a olhasse e prometesse nunca mais se arriscar, mas se considerou uma tola alarmista. Fechando também seus olhos apenas rogou em silêncio para que o barão estivesse seguro de todo mal.
– Meu coração já foi atingido Bella... – ela o ouviu dizer, então, ao abrir os olhos encontrou os orbes azuis cravados em si. A intensidade contida neles assustou-a antes mesmo que o barão prosseguisse. – Por você.
Ali estava a razão de seu presságio. Algo lhe dizia que aquele era o ponto limitante ao qual não seguiriam sem que a confirmação daquilo que por vezes duvidava fosse declarada. Não deveria ser ela a colocar em palavras, contudo, sem que pensasse se ouviu indagar:
– Ainda haveria tempo de pedir que não me ame?
– Não haveria.
Livre do humor, Edward sentiu o peito leve, como se a declaração impensada o tivesse livrado de um peso excessivo. Trêmulo pelo desejo despertado por Isabella e a estranheza da questão, o barão esperou pelo o que viria. Porém descobriu não estar preparado para o pedido improvável.
– Por favor, perdoe-me...
– Exatamente pelo quê? – Edward se esforçou em não parecer duro, mas falhou por ter a voz completamente enrouquecida. Era chocante saber que ela não nutria qualquer sentimento além da declarada atração. – Devo perdoá-la por não corresponder?
– Não é isso. – Isabella murmurou.
– Não é?! – Edward acalentou certa esperança. – Então devo entender que sente o mesmo?
– Edward, não... Não faça isso.
Havia perdido o controle, ela lamentou. O barão não deveria sentir tais coisas; não deveria lhe dizer. Apavorada com a verdade que se recusou a ver, torcendo o pano nervosamente em suas mãos, ela tentou baixar a cabeça. Antes que pudesse Edward lhe segurou pela garganta, obrigando-a a encará-lo.
– Olhe para mim e então diga o que é – ordenou com voz ridiculamente embargada pela chance perdida. – Já sabemos que você não sente o mesmo, mas ao menos diga o que leva uma mulher a pedir desculpas quando um homem admite que a ama.
Não era como se Edward chorasse, mas ouvir as palavras sentidas e ver os olhos azuis mergulhados num brilhante mar vermelho dilacerou o coração da moça. Tudo o que ela não queria era fazê-lo sofrer, no entanto, parecia que o feria mais com sua estocada simbólica do que cortes reais. E como não havia feitiços nem milagres que a fizessem regressar no tempo para que ao sair do hotel deixasse Westking imediatamente evitando assim poluir a vida do barão, deu-lhe a única resposta que alguém tão digno quanto ele mereceria.
– Eu amo você.
A revelação inimaginável o atordoou, roubando-lhe o ar. Imediatamente Edward a largou e se afastou um passo. Completamente trêmulo, incrédulo, tendo seus olhos a arder numa umidade vergonhosa, pediu num fio de voz:
– Poderia repetir o que disse, por favor...
Declarações vindas de uma meretriz não deveriam ser ditas uma única vez, quanto mais serem repetidas, ainda assim, por ele – sempre por ele – Isabella reafirmou:
– Eu amo você Edward.
Depois de proferir as últimas palavras que deveria, Isabella desejou que o chão abrisse e a dragasse, livrando assim o barão de sua presença nociva. Livrando-a de ver aquele homem formado abrir um luminoso sorriso como se ela fosse seu melhor presente na manhã de Natal. Não era um presente e Edward não merecia o castigo de amá-la, então, visto que desaparecimentos providenciais também não aconteceriam precisava tentar consertar aquele erro.
– Escute... – começou num fio de voz, esboçando um fraco sorriso –, acho que confundimos nosso sentimento. Mal nos conhecemos! Não é possível amar alguém em tão pouco tempo. Se pararmos para pensar...
– Por Deus, fique quieta Isabella! – Edward ordenou, avançando para silenciá-la ele mesmo.
O barão deixaria que a jovem estragasse aquele instante perfeito com sua inferioridade. Havia alcançado seu objetivo afinal; era amado por ela. Estreitando-a num abraço sem se importar que ainda estivesse molhado, beijou-a com devotado ardor antes de erguê-la em seus braços e carregá-la até a cama.
Ao deitá-la se estendeu ao largo e se apoiou num dos cotovelos para admirar o rosto pálido. Nem mesmo reparar no temor contido nos olhos negros arrefeceu o prazer da declaração. Todavia sabia que deveria acalmar seu inquieto coração para não assustar mais seu animalzinho acuado. Sem nada dizer, apenas acariciou-lhe os cabelos ternamente até considerar que a voz soaria estável. Ao se sentir seguro, capturou uma mecha do cabelo escuro e o cheirou antes de indagar:
– Amanhã quero levá-la para conhecer outros pomares, aceita?
O silêncio massacrante ela poderia entender, mas depois de tudo o que disseram o barão não poderia simplesmente estar programando passeios aos seus pomares. Confusa, Isabella escrutinou o rosto sereno.
– E então? – Edward insistiu. – Está pronta para seu primeiro passeio a cavalo fora de Apple White?
– Você tem certeza de que é sobre isso que quer conversar?
– Absoluta! – Edward assegurou correndo as costas de seus dedos sobre a bochecha que gradativamente voltava ao tom normal. – Acho que por agora dissemos tudo. Já sabe o que sinto Isabella e me disse o que eu queria ouvir, duas vezes... Então não precisamos nos prender em infinitas declarações de amor... Sem dúvida voltaremos ao assunto depois, mas agora prefiro planejar nosso passeio. Ou você teria algo a acrescentar?
Sim, tinha duas ou três coisas a acrescentar que fatalmente abalariam aquele amor, mas nada que estivesse preparada para expor, então preferiria a saída oferecida por ele mesmo com a promessa de que voltariam ao tema.
– Não tenho – era uma covarde. – E adoraria conhecer os outros pomares.
Vendo Isabella sorrir abertamente para Mike e para ele enquanto escovava o pelo de Luna com similar carinho àquele dispensado ao penteá-lo, Edward se questionou se aquela seria a mesma mulher contrita e econômica em palavras que com ele compartilhou o jantar, dividiu a cama e naquela manhã o café da manhã. Parecia que após a declaração estavam de volta aos primeiros dias de convivência quando ela somente se sentia a vontade e abandonava sua tristeza ao estar com algum de seus animais. Era como se fosse mais fácil lidar com eles do que com pessoas; do que com ele.
– Estou fazendo direito?
A pergunta foi feita ao cavalariço que sabiamente moveu os olhos ao seu patrão antes de responder. O barão por sua vez o liberou com um leve manear de cabeça.
– Está senhorita. – Mike disse encorajador. Após um novo olhar para seu senhor, desculpou-se. – Lamento ter que deixá-los, mas preciso distribuir a alfafa aos outros cavalos. Com sua licença senhorita, Milord...
– Tem toda Mike. – Edward o dispensou.
Não queria sua presença e apenas a permitiu na esperança de que com ela Isabella se mostrasse mais a vontade. Como isso se deu somente com a chegada da égua, a permanência do tratador era totalmente dispensável. Seria ele a ensiná-la a encilhar, assim como deveria ser ele a tirar-lhe as dúvidas.
– Reparei a troca de olhares – a moça comentou casualmente, dispensando atenção ao escovar do dorso da égua. – Por que o rapaz não pode ficar conosco?
Isabella sabia que não poderiam ter alguém com eles todo o tempo, mas a presença de uma terceira pessoa a deixava menos tensa, pois sabia que assuntos sérios não seriam abordados diante de uma plateia. Não entendia como fora poupada até aquela manhã, mas pressentia que em breve não teria escapatória.
– Também ouviu o que ele disse – Edward retrucou impassível. – Mike tem mais o que fazer. E a proposta era que eu a ensinasse, então quaisquer perguntas podem ser feitas a mim.
– Como vossa senhoria preferir, barão mandão. – Isabella achou por bem apelar para o bom humor, pois não conseguiria lidar com a intensidade de Edward mais uma vez. – Já a escovei o suficiente?
– Já. – Edward foi sucinto, indo até ela para lhe tomar a escova.
Não gostou de ouvir o tratamento formal mesmo sabendo ser um gracejo, pois este era somente embuste para encobrir seu desconforto. O barão queria de volta a cumplicidade leve que os acompanhou naqueles dias. Para tanto tinha que recuperá-la de seus pensamentos, aproximar-se como ela não permitiu na noite anterior ao apenas dividir a cama com ele. Abraçá-lo, mas não amá-lo.
– Lembre-se que é muito importante escovar o pelo antes de encilhar um cavalo – disse didático, levando a escova própria para cavalos de volta ao seu lugar. – Ajuda a acalmá-lo e retira possíveis gravetos que possam machucá-los.
– Vou me lembrar. – Isabella assegurou acompanhando-o com o olhar.
Como se fosse possível Edward estava ainda mais bonito naquela manhã, vestido em sua roupa de montaria, sem casaco, a exibir seu porte altivo sob a camisa branca e o colete azul. E seriedade lhe conferia sobriedade, deixando ainda mais atraente, contudo ela o preferia a sorrir. Lamentava ser ela a causadora da notória contrariedade que ele mal disfarçava com seus contidos ensinamentos.
– Hoje não vou deixar que coloque o bridão – disse ao voltar carregando o cabresto. – Mas quero que observe.
Sem esperar por respostas, Edward acariciou a égua antes de posicionar a peça diante de sua boca. Ainda imbuído na aula prática, narrou o que Isabella via.
– Quando fizer o mesmo, deixe o bridão diante dela sem forçá-la a abrir a boca. Veja como Luna o puxa com a própria língua. Quando ele estiver no lugar incline uma das orelhas e passe a correia, repita com a outra.
Era contagiante o carinho com que ele encilhava Luna, fazendo parecer fácil e incutindo em Isabella o desejo de fazer o mesmo. Não era mais por Embry que queria aprender, mas por ele, para contentá-lo. Com sua covardia estava falhando em sua determinação de tornar aqueles dias os melhores para o barão.
– Posso tentar agora? – Isabella pediu, aproximando-se para tocar as mãos enluvadas que seguravam as correias do cabresto.
Edward a avaliou por um instante, entre satisfeito com o interesse que via ser real e abalado com a proximidade negada desde a tarde anterior. Até mesmo ao penteá-lo esteve distante. Sentir que ela estava de volta o levou a cogitar atender seu pedido, porém, queria terminar logo com a lição para deixar o estábulo e então Apple White; tinha um objetivo naquela manhã. Com isso, tomou-lhe uma das mãos e a beijou delicadamente antes de negar:
– Deixo da próxima vez, prometo – foi amável e ao soltá-la, Edward afivelou o cabresto sem apertá-lo e indicou o pelego. – Pode pegar a manta de lã e colocá-la no dorso de Luna.
Sem demonstrar qualquer decepção, a moça fez como recomendado. Assim o que seria um ensinamento para ela se tornou uma ação conjunta onde cada um cumpria uma etapa do encilhamento. Ao dar todo o processo por encerrado, o barão se sentia um tanto tranquilizado, após o trabalho realizado de forma leve e até divertida. Sabia que não deveria se iludir com a descontração de Isabella, mas esta lhe dava meios de abordar o tema desejado, sem a tensão anterior. Bastaria ser cauteloso.
– Bom, agora basta que monte – ele a provocou com um sorriso. – Acha que consegue?
– Sabe muito bem que sim! – Isabella replicou orgulhosa, tomando as rédeas que o nobre lhe estendia, para então montar com desenvoltura; completamente familiarizada com o movimento e as roupas masculinas.
– Meus parabéns! – Edward elogiou, entregando-lhe o chapéu de palha adornado por uma fita amarela antes de vestir seu próprio chapéu e seguir até Draco; preparado anteriormente por Mike para seu uso. Ao montá-lo depois de um afago reconciliador por ter dado demasiada atenção à Luna, aproximou-se da moça e indagou livre do humor anterior. – Pronta?
– Pronta para o passeio.
Isabella fez questão de complementar para indicar a ele que havia entendido o teor oculto na pergunta simples. Sabia que não seria poupada, mas não custava nada tentar, custava?
– Então vamos.
– Nero não pode mesmo ir conosco? – Isabella tentou uma última vez.
– Não hoje – disse irredutível em sua decisão de deixar o galgo no canil. – Prefiro que ele fique.
Com isso o barão incitou Draco a caminhar para fora do estábulo. Isabella não mais insistiu e fez o mesmo. Ao chegarem ao terreiro diante da construção de madeira, iniciaram uma marcha acelerada em direção aos portões. Para surpresa da moça antes que chegassem até eles, Edward reduziu o passo e entrou no bosque, seguindo a trilha que levava ao cemitério dos criados.
Isabella não sabia o que viria, mas tendo a certeza de que deveria segui-lo, enveredou pelo mesmo caminho. Entre as árvores não havia como imprimir maior velocidade o que os obrigava a apenas trotar. A moça ainda se perguntava o que estariam fazendo ali quando avistou as primeiras lápides. Imediatamente um nó se formou em sua garganta; estavam limpas do musgo, assim como o cemitério livre do mato.
Ao se aproximar Edward já havia desmontado e a esperava observando cada gesto. Represando o choro inexplicável a moça freou a égua e apeou. Somente então o barão se aproximou para tomar-lhe as rédeas.
– E então? – Edward indagou ao seu lado, olhando para as lápides assim como ela. – Considera-o menos abandonado e triste?
– Você se lembrou... – a jovem murmurou embargada; ante o cuidado de Edward não haveria como reter as lágrimas.
– Evidente que sim, nem deveria ter sido negligente em primeiro lugar – ele comentou já a lhe entender um lenço; Isabella o desestabilizava. Desarmando-o em seu intuito de confrontá-la para eliminar seus preconceitos separatistas com aquela demonstração de fragilidade ante o gesto. – Não chore. Achei que se alegraria com a surpresa.
– Estou contente, acredite – disse secando os olhos. Então, considerando sua reação exagerada, acrescentou. – Não os conheço, mas acho que mesmo depois de mortas as pessoas merecem atenção.
– Penso da mesma forma. – Edward a abraçou pelos ombros e a trouxe para perto de si. – Costumo ir até o túmulo de meu pai uma vez por mês. Gostaria de ir comigo, talvez amanhã.
– Não! – Isabella percebeu tarde demais o quanto sua negativa fora veemente. Edward a encarava com o cenho franzido, quando tentou contemporizar. – Esse é um momento seu e não devo participar.
– Não é nada extraordinário – tranquilizou-a. – Vejo como uma visita. Uma forma de atenção como você comentou. Sua presença em nada atrapalharia; poderíamos ir antes ou depois da missa, o que me diz?
O oferecimento para um evento apreciado veio como forma de persuadi-la. Parecia que a cada palavra dita voltava a afastá-la; fugindo de seu objetivo.
– Edward... – ela começou lutando para encobrir seu crescente pavor. – Não acho boa ideia sermos vistos na cidade. O que diríamos às pessoas? Aqui todos sabem de nós, mas em Westking...
– Eu diria a verdade. – Edward a interrompeu seguro, então vendo o horror maximizar os olhos negros, prosseguiu rapidamente. – Não que estamos juntos, acalme-se... Poderíamos levar Marie e apresentá-la como o que de fato é; minha hóspede.
– Não considero uma boa ideia – Isabella se afastou em direção ao cemitério enquanto falava. – Tudo que acontece em sua vida fatalmente gera curiosidade. Ninguém irá se contentar com tão pouco.
– Pois que não se contentem. Ter Marie ao lado será apenas para reduzir o falatório, pois não devo explicações a ninguém em Westking.
– Fala como se já fosse certo – ela comentou apoiando-se na cerca que limitava o campo santo; os olhos perdidos nas as lápides de seus pais. – Não quero ir à cidade Edward.
– Tudo bem! – o barão aquiesceu ao seu lado. – Decidiremos depois. Já lhe mostrei a limpeza feita, agora vamos aos pomares.
Capturando o lenço com as lágrimas de Isabella, Edward determinou que primeiro daria seguimento ao assunto interrompido em seu quarto antes de resolver qualquer outro passo.
– Vamos aos pomares. – Isabella lhe sorriu manso e antes que o barão lhe desse as costas para seguir até Draco, murmurou. – Obrigada pelo cuidado em se lembrar do que eu disse aqui.
– Jamais esqueço o que me diz Isabella. – Edward assegurou já lhe entregando a rédea.
A jovem nada disse. Aquela declaração a comoveu e preocupou na mesma medida. Parecia que a cada palavra dita se afundava mais num buraco sem fundo. Ainda em silêncio se deixou guiar para fora do bosque, de volta à entrada de Apple White. Uma vez fora dos portões, Edward lhe indicou a direção e liberou:
– Pode galopar caso queira, mas não muito rápido. Ainda está aprendendo.
Agradecida pela oportunidade de ocupar sua mente se concentrando em tudo o que aprendeu naqueles dias, Isabella assentiu com um maneio de cabeça e cutucou o ventre de Luna com os calcanhares. Durante a corrida a sensação de liberdade a engolfou levando por alguns instantes a consternação vivida nas últimas horas. Porém a satisfação era fraca e pereceu ao cruzar com as primeiras pessoas em seu caminho.
Mesmo que não parassem, a moça conseguia distinguir o questionamento em cada face ao verem o barão acompanhado por uma jovem desconhecida antes que respeitosamente inclinassem as cabeças a sua passagem. Era aquela reação que queria evitar, então rogou que chegassem logo ao seu destino sem novos encontros.
– Pare diante daquele portão. – Edward pediu.
Estavam emparelhados e frearam juntos ao lado de u muro tão alto similar quanto o do palácio de onde vieram. Pelas grades do portão Isabella podia ver as macieiras. Eram muitas, baixas e todas perfiladas a perder de vista.
– Lindo não é? – Edward indagou ao notar sua admiração.
– Sim... – a jovem murmurou.
Iria lhe sorrir, mas a aparição de um homem baixo, de tez azeitonada, fez morrer o gesto. Apressado, em respeito ele retirou o chapéu e se aproximou para lhes dar passagem, já cumprimentando o barão juntamente com uma reverência.
– Bom dia Lord Masen!
– Bom dia Sr. Jones! – Edward respondeu educadamente ao passar por ele.
– Bom dia senhorita – disse então para Isabella, indiferente.
Atentando para a falta da especulação vista nos senhores que encontraram pelo caminho, Isabella a associou ao de ele vir seu senhor acompanhado de outras damas.
– Bom dia – respondeu automaticamente; sem muita vontade, fazendo Luna seguir em frente como Edward o fez com seu andaluz.
Sem conversas ou um segundo olhar ao criado, o barão manteve Draco em marcha lenta até que Isabella o ladeasse, para então lhe explicar:
– Você deve saber que Apple White, assim como algumas propriedades ao seu redor, foi entregue ao meu pai juntamente com a carta patente enviada pela rainha ao lhe conceder o baronato de Westking. Menos esta – sem esperar pela confirmação, apontou uma construção distante – Aquela era a casa de meu avô paterno. Foi aqui que ele iniciou a fabricação da sidra. Se quiser conhecê-la depois, nós...
Suas palavras morreram no vazio ao notar o olhar vago da moça. A admiração que reparou antes de cruzarem os portões da antiga propriedade havia desaparecido.
– Você está bem?
– Você vem sempre aqui? – Isabella dardejou.
– Sim... – ele respondeu com estranheza. – Não só aqui como aos outros pomares dessa ou de outras propriedades.
– Sei disso – ela remexeu a rédea em suas mãos. – Eu quis dizer se vem sempre aqui acompanhado.
A ênfase não dava margem para erros quanto à dúvida. Edward não sabia o que a levou àquela questão, mas esclareceu sem mentir, aproveitando o atalho para abordar o assunto que os levou até a distante plantação.
– Nunca quis trazer nenhuma outra companhia aqui. Somente você. Quero que comece a conhecer o que um dia poderá considerar seu.
Com a revelação Isabella mordeu o canto da boca, violentamente condenando aquela sua nova faceta impulsiva e apaixonada que não lhe permitia engolir o mínimo ciúme. Com a abordagem impensada colocou luz a conversa que evitava desde o jantar.
– Edward...
– Apenas me siga Isabella.
Após cortá-la o barão instigou Draco a acelerar o passo. Não importava o quanto Isabella tentasse protelar, já haviam chegado ao limite onde ela teve tempo suficiente para se acostumar ao óbvio. Uma vez exposto em palavras o que atos por dias denunciaram, não tinha razão para postergarem o passo mais importante daquela corte.
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SPOILER:
– O que é engraçado?
A pergunta trouxe Isabella de volta ao presente para descobrir que o barão a encarava interrogativamente, mantendo uma das sobrancelhas erguida.
– Nada – respondeu não ocultando o sorriso. – Você dizia que seu avô, dono dessas terras era o seu preferido, achei bonita a sua afeição.
Não era o caso, ele sabia. Edward poderia reconhecer quando Isabella se perdia em suas divagações de olhos fechados. Infelizmente nem mesmo saber que pensou em algo que lhe agrava o acalmou; ela ainda se mantinha defensiva. A reserva, pelo visto não findaria, então, sem procurar por preâmbulos foi direto ao assunto desejado.
– Sim, eu dizia – ele começou, colocando suas mãos às costas para austeramente prosseguir –, mas na verdade não foi para falar de minha família que a trouxe aqui.
– Imagino que não. – Isabella se afastou alguns passos até que se sentasse num dos bancos. Posando as mãos sobre o colo, acrescentou. – Você quer voltar ao que dissemos ontem, não é?
– Sim – admitiu. – Sei o quanto as diferenças entre nós a afeta, então quis lhe dar tempo para que se acostumasse com o que virá.
Edward não poderia saber, mas agira corretamente. Antes, ela fatalmente terminaria por rejeitar “o que viria”. Naquele instante, porém, Isabella retomava a esperança temerária de permanecer na vida do barão. A ideia não era nova, mas ainda frágil. Seria preciso amadurecê-la, pesando o valor de cada declaração feita. Tinha apenas uma certeza, nunca revelaria o verdadeiro caráter do barão pai. Sendo realista, sabia que não poderia contar tudo, mas procurava formas de editar a verdade. No mais, almejava que o amor a tudo perdoasse. Com isso poderia revelar ser a amiguinha dada como morta, declarar seu amor antigo e então, seu ofício.
O choque existiria, mas, com sorte, o barão havia de entendê-la e então, juntos, encontrariam um meio de evitar a maledicência. Com seu Embry precisaria mais do que a benevolência vinda com o sentimento nobre. Teria, sim, que receber um verdadeiro milagre que lhe permitisse colocar os dois homens de sua vida frente a frente sem que com isso gerasse uma catástrofe na vida de ambos. Isabella sabia não ser merecedora de boas graças, já alcançara a segunda ao conseguir o amor de seu eterno príncipe, mas confiaria que Deus lhe concedesse uma terceira. Sim, Ele havia de lhe atender, pensou experimentando uma súbita animação.
– E o que virá my lord? – Isabella indagou ainda sustentando seu sorriso manso.
A mudança súbita confundiu o barão que, franzindo o cenho em estranheza, aproximou-se do banco, passou uma das pernas longas por sobre seu assento e se acomodou tendo a moça diante de si.
– Estou enganado ou você de fato se sente a vontade para conversarmos?
– Não está enganado – Isabella assegurou, sem fugir do olhar perscrutador. – Por incrível que possa parecer, o que foi dito ontem me pegou de surpresa... E bem sabe o que eu pensava ao nosso respeito.
– Pensava?! – Edward não deixou a insinuação passar. Parecia que a jovem havia escolhido os últimos minutos para surpreendê-lo. Houve a reserva, o ciúme, a leveza incomum vinda em sua introspecção e então aquela declaração. Sem que ainda pudesse acreditar, acrescentou. – O que mudou?
– Meus sentimentos por você – disse sincera. – Eu o amo Edward. Tanto e de uma forma que nunca imaginei que pudesse voltar a amar, então...
O barão não a deixou terminar. Afoito, trouxe-a para mais perto e, segurando-a pelo pescoço, possessivamente a beijou. Estava saudoso dela desde que se declarou e pouco lhe interessava saber do amor que ela sentiu por outro. Bastava saber que ele tivesse transposto seu muro defensivo para tomar o lugar do ex-amante e se instalado definitivamente naquele ferido coração.
Edward não colaborava, Isabella pensou rendida ao provar luxuriante de sua língua. Fora estranho dormir sem receber aquele beijo, assim como não tê-lo naquela manhã. Desperdiçou um tempo precioso com sua tola covardia, exasperou-se ao abraçá-lo pela cintura.
– My lady... – Edward murmurou libertando a boca macia para beijar a curva do queixo. – Também a amo tanto Bella... Se não há mais restrições e seu pensamento agora é outro, case-se comigo.
Notas finais
BOM FINDES!... ♥
P.S. "Falei" pouco pq estou morrida de sono... O.o
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