Borboleta Negra

35 Capítulo Três - Parte II


Notas iniciais
Oieeeeeeeeeeeeee... Quantas saudades de vcs... Novamente sem tempo de respondê-las e morrendo com isso. Sinto falta de verdade, então sempre leio a todos e prometo responder às perguntas diretas. Quero ver se igualo a postagem daqui com a do face que já vai no capítulo 6... Então, não deixem de comentar por minha falta, amo saber o que vcs estão pensando.

Agora, vamos ao capítulo!

BOA LEITURA!

– Senhora...

A jovem meretriz sobressaltou-se ao chamado do fiel guarda-costas. Estavam embrenhados no bosque, próximos a estrada a alguns metros da ponte. Talvez o coche de aluguel chamasse a atenção de algum passante, porém Isabella não se importava. Antes de voltar para casa, queria silenciar o choro que insistia em cair desde que Sam a tirou de Westking. Não era para ter visto Edward; não desmazelado e abatido, tão distante do barão altivo que conheceu. Sabia, sem pretensão, ser ela a causadora de tal abandono. Decididamente deveria haver um sortilégio que os fizessem retornar no tempo para que seus caminhos jamais tivessem se cruzado.

– Senhora. – Sam chamou mais uma vez, às suas costas, um pouco mais perto. – Está me preocupando... Acaso aquele homem a machucou? Quer que eu dê um jeito nele e no intrometido? – indagou profissional.

– Não! – Isabella negou alarmada, voltando-se para encará-lo em meio às lágrimas. Foi preciso altear a voz para que esta se sobressaísse à rouquidão. – Jamais faça nada contra o barão, mesmo se um dia vier a me abordar novamente. Apenas... Mantenha-o longe.

Sam moveu a cabeça, indicando seu entendimento, sem esconder seu pesar por ver sua senhora em tão lamentável estado. Com aquele encontro inesperado não somente soube a gravidade do mal que causou a Edward como agora, eram dois a conhecer seu envolvimento com o barão.

– Sam... Quanto ao que viu... Eu...

– Não tenha cuidados senhora! – Sam assegurou, comprometido. – Vejo e ouço o que me mandar ver e ouvir. Apenas me tranquilize dizendo que aquele cavalheiro não é como o outro.

– Não é – ela disse num novo acesso de lágrimas. – Ele é completamente diferente do outro. Seria incapaz de fazer-me algum mal... Eu é que... É que...

Isabella não conseguiu concluir e antes que percebesse, seu criado se acercava dela e num raro momento de liberdade, abraçou-a e a embalou.

– Shhh... Não diga nada senhora, acho que já entendi.

Aquela era a segunda vez que Sam a abraçava e Isabella simplesmente se deixou ficar entre os braços acolhedores de seu protetor até que o pranto finalmente cessasse. Recuperada, ela se moveu para que ele a soltasse.

– Lamento não ter um lenço – disse envergonhado.

– Não se preocupe – ela lhe sorriu indicando o seu próprio. – Este me basta.

Ao secar o rosto, evitou lembrar a delicadeza de Edward em sempre lhe socorrer com seus lenços, pois não queria irromper em novo choro. Já começava a escurecer; era hora de voltar para casa. Estendendo a mão para o amigo, Isabella se deixou ser guiada até o coche. Tão logo se acomodou, pediu:

– Pare diante da igreja, sim?

Sam apenas inclinou a cabeça antes de fechar a porta e assumir seu lugar. O restante do caminho foi feito livre de novo pranto, contudo, vez ou outra ela soluçava sentida; era uma pessoa horrível. Ao pararem, Isabella verificou o movimento da rua e saltou.

– Espere aqui Sam. Serei breve.

Ao pisar no corredor principal, ainda distante do altar, Isabella respeitosamente se benzeu e escolheu um dos bancos próximos onde rapidamente se sentou. Ato contínuo ajoelhou-se e iniciou uma fervorosa prece, não pedindo perdão pelo mal cometido, pois sabia serem imperdoáveis. Rogou apenas que Deus desse alento ao barão e o ajudasse a confiar na carta deixada, esquecendo-a definitivamente. Esteve tão absorta em sua oração que não atentou ao som dos passos que ecoavam pelo corredor lateral, nem ao homem que sentava ao seu lado. Sentir a mão que se fechou em um de seus pulsos, não a sobressaltou mais do que a voz.

– Finalmente você!

– Laurent – ela exalou; sufocada pelo susto. Seria seu castigo?

– Quanto tempo não é mesmo borboleta? – indagou Laurent, correndo o polegar pela mão delicada. As peles não se tocando, separadas pelas luvas usadas.

– A mim não parece ter se passado tanto. – Isabella murmurou, olhando brevemente para seu captor e então para a entrada; bastaria gritar.

– Seu cão de guarda está lá fora, não está? – Ele ciciou, aborrecido. – Sabe... Ainda estou decidindo o que fazer com ele depois do que me fez.

– Deixe Sam em paz Laurent – ela ordenou bravamente, ainda que tremesse. Aquele homem altivo e odioso era a razão de muitos de seus males. – Lamento que ele tenha se excedido, mas lhe asseguro que não voltará a acontecer. Já o repreendi pelo engano.

– Engano? – indagou entre dentes, olhando também para a porta e então para a entrada da sacristia antes de aproximar-se mais e dizer ao ouvido da moça. – Seu lacaio mal me deu chance de defesa. Ameaçou matar-me caso não dissesse onde você estava.

– Foi o que eu disse... Um lamentável engano. – Isabella insistiu.

– Então considero válido saber detalhes desse engano que me levou a ser espancado covardemente. Onde esteve afinal? Ou devo perguntar com quem?

– Bem sabe que minha vida não é de sua conta – retrucou, encolhendo-se, odiando ser tocada por ele.

– Para sempre será, minha borboleta. E não precisa me dizer, tenho meus meios de descobrir...

Isabella não se importava com os delírios de Laurent Hunt; ele não tinha como saber. Queria era ser solta, ir embora sem ser preciso chamar por Sam, evitando assim um escândalo. E acima de tudo, esquecer que aquele dia malfadado existiu.

– Assim sendo, poderia me soltar, por favor... Estamos numa igreja. Não é conveniente ficar tão perto.

– Então permita que eu volte a frequentar o Jardim – ele pediu sem se afastar, aproveitando a rara proximidade para cheirá-la. – Volte a me receber em seu quarto. Precisamos conversar.

– Não temos nada a conversar Laurent. Tudo já foi dito ou feito. Siga seu caminho que sigo o meu. Tem sido assim por todos esses anos e...

– Não por minha vontade. – Laurent a cortou, aborrecido. Com os olhos postos na sacristia, correu as costas da mão livre pelo pescoço de Isabella até prender-lhe a nuca, causando-lhe um calafrio. – Não sigo meu caminho, apenas me conformo em ser mantido longe...

– Foi você quem quis assim. Poderíamos ser amigos... – retrucou tentando conseguir alguma distância, sentindo-se nauseada. – Já que não o quis, conforme-se.

– Jamais! – ele assegurou, segurando-a com maior força. – Um dia isso irá mudar. Você é minha Amber... Sei esperar por sua volta e não para ser uma reles amiga.

Ao se calar, sem que ela pudesse evitar Laurent tomou-lhe a orelha de assalto e a prendeu entre seus dentes. Para ele poderia ser um carinho afoito, movido pela saudade, mas para ela não passou de uma agressão, adoecendo-a ao arranhar-lhe a pele com as pontas de seu bigode. Fortalecida em sua revolta, Isabella o empurrou fortemente. A surpresa o atordoou Laurent por um instante, permitindo que ela deixasse o banco. Sem a costumeira despedida ao altar mor, a moça correu para fora da igreja sem nunca olhar para trás.

– O que aconteceu senhora? – Sam indagou se pondo de pé.

– Apenas me tire daqui – ela pediu descendo os cinco degraus de pedra rapidamente.

– Amber! – Laurent chamou-a da porta.

Sir Hunt?! – exclamou o moreno, preparando-se para saltar ao chão.

– Deixe-o Sam! – Isabella ordenou já a porta do coche. – Apenas me tire daqui.

O criado praticamente rosnou ao reassumir seu lugar e incitar o cavalo a andar enquanto sua patroa afundava no banco, recusando-se a olhar mais uma vez para o homem que sabia estar assistindo sua partida.

Sem dúvida aquele encontro fora parte de um castigo merecido por tudo o que havia feito ao barão, pois não havia como Laurent saber que estaria na igreja. Apertando sua reticule junto ao peito, Isabella agradeceu ao ódio que lhe deu forças, estremecendo ao se lembrar do hálito morno e contato do pelos em sua pele. Estava claro que apenas um homem a tocaria daquela maneira sem nauseá-la. Como este estava perdido para sempre, restava se dedicar a outro amor. Um mais tranquilo e que somente lhe inspirava saudade. Quando se trancasse em seu quarto leria novamente a carta de Embry e tentaria, de fato, esquecer aquele dia.

– De verdade Amber, eu estou mesmo preocupada com você.

Isabella apenas suspirou, sem desviar os olhos de Jessica que, com um de seus préstimos de boa moça, enchia o salão com notas poderosas e exóticas que tirava do cravo disposto num dos cantos do salão.

– Não deveria – a jovem cafetina retrucou por fim.

– Como não? – a amiga insistiu. – Não queria que saísse, mas depois que se foi tão decidida, achei que o ar fresco e o encontro com Sir Cullen a animasse mais. Sem contar com a carta de Embry. No entanto, chegou pior do que partiu.

Novamente Isabella suspirou. A carta de Embry havia ajudado a esquecer de Laurent, não de Edward. A imagem destruída do barão de Westking não a deixava um segundo sequer. Estar naquele ambiente alegre, ainda que não compartilhasse do sentimento, agravava sua culpa. Era impossível não imaginar o quanto ele estaria solitário naquele palácio imenso e vazio, somente com Nero por companhia. Não foi daquela forma que imaginou. Acreditou que não quisesse falar a respeito até se ouvir murmurar:

– Eu o vi depois do encontro.

– Quem? – Angela perguntou interessada, aproximando-se mais ao notar a necessidade de descrição implícita no tom de voz.

– “Ele” – enfatizou, antes de acenar e sorrir brevemente para um dos clientes que de sua mesa lhe ergueu um brinde mudo.

– Ai meu Deus! – a velha meretriz olhou em frente, disfarçando a seriedade do assunto. – E como foi?

– Horrível! – Isabella admitiu. – Não estava preparada para vê-lo. Por um segundo meu coração se alegrou, mas imediatamente entendi que não era para ter acontecido. E havia Sam... Fiquei apavorada.

– E ele a viu?

– Não somente me viu como me abordou... – relembrar fazia doer, mas simplesmente não conseguia se calar. – Fez uma cena.

– Ai meu Deus! – Angela olhou em volta e então perguntou: – Acha que ele ainda a aceitaria de volta?

– Espero que não – ela disse, sentindo se formar um travo em sua garganta.

– Fazer uma cena parece típico de alguém que se importa.

– Eu feri seu orgulho. Ele apenas me cobrou explicações. Acho que era somente isso... – ela não tinha pensado naquela possibilidade durante a tarde e aventá-la não lhe trazia alívio; fazia doer mais. – Em momento algum ele disse que me queria de volta.

– E você voltaria, caso ele pedisse? – Angela finalmente a olhou, curiosa.

A resposta demorou mais do que Isabella gostaria. Não poderia sequer imaginar tal absurdo, mas a verdade é que uma parte sua sempre estaria muito disposta a correr de volta para o barão.

– Não! – assegurou finalmente, prevalecendo à razão. – Sabe que sempre a resposta será não.

– Se é como diz... – a meretriz deu de ombros. – Você sabe o que é melhor para sua vida.

– Nesse caso, sei o que é melhor para a vida “dele” – replicou. – Exatamente por isso não haverá voltas. Ele encontrará alguém que o mereça e o faça feliz.

Nesse momento um suspiro foi ouvido, levando Isabella a olhar em volta. Encontrou Kate a pouquíssimos passos de si, indecisa quanto a qual direção tomar.

– Pois não? – Isabella indagou unindo as sobrancelhas, questionando-se se ela estaria ali há muito tempo. – Deseja falar comigo ou Angela?

– Na verdade sim... – disse a mulher apressadamente. – É que temos um cliente novo e ele ouviu falar da lista...

– Não há vagas em minha lista – a cafetina disse secamente. – Todas sabem disso.

– Sabemos, mas ele insiste. – Kate falou em tom de escusa antes de acrescentar. – Parece que veio de Westking e está decidido a vê-la. Disse que se conhecem...

– Que me conhece? – A pergunta de Isabella foi feita para Angela que a encarava igualmente impressionada; não era possível! Com o coração aos saltos, ela voltou sua atenção para Kate. – Onde ele está?

– No salão principal.

Fora a incredulidade que a moveu, levando-a para o salão principal ignorando as pernas trêmulas. Conscientemente sabia que o barão não tinha como saber que ela estava ali, nem sobre sua lista, nada. Contudo simplesmente não se ouvia. Angela e Kate a seguiram de perto até que chegasse a sala citada e somente encontrasse Sam a recolher os acessórios de um cliente recém chegado. O senhor lhes sorriu contente.

– Quanta honra ser recepcionado por tão belas borboletas.

As meretrizes mais velhas sorriram enlevadas enquanto Isabella lhe acenou nervosamente antes de se voltar para Kate.

– Onde está o cavalheiro?

– Deve ter entrado – respondeu incerta.

Sem dar atenção ao senhor que vinha até elas, a jovem fez o caminho de volta ao salão principal, dessa vez seguida somente por Kate.

– Onde está? Aponte-o – demandou.

A meretriz escrutinou o salão, mordendo o lábio inferior.

– Eu... Não o vejo.

– Era o que eu imaginava! Venha comigo. – Isabella então marchou decidida para a escada e subiu sem conferir se era seguida; sabia que sim. Foi até um dos quartos, transformado em um pequeno gabinete biblioteca. Entrou e esperou que Kate fizesse o mesmo. Ao fechar a porta ordenou, retirando a sua própria: – Tire a máscara.

– Amber...

– Tire!

Não era sua intenção gritar, mas não pôde evitar. Todo seu corpo oscilava de alívio, e perturbadora decepção. Exatamente o que quis evitar ao não se delatar nem mesmo em carta ao barão. Não queria aquela incerteza, não deveria ter esperanças. Quando a mulher a atendeu, disse segura:

– Não havia cliente algum.

– Não, eu... Sinto muito.

– Posso saber qual a razão da mentira? – Ela tremia ainda mais.

– Eu... Como disse, sinto muito Amber... É que... Ouvi a conversa e fiquei curiosa... Você tem estado tão estranha e saber que é por causa de um homem. Justamente você!... Fui tola. Achei que se acreditasse que ele estava aqui, com o susto você o nomeasse...

E novamente Isabella considerou estar sendo castigada. O susto não a levaria a nomeá-lo, pois jamais exporia o bom nome do barão em salão algum, contudo por alguns instantes o abalo tivera o poder de desestabilizá-la mais do que o encontro à saída do hotel. A jovem talvez custasse a crer em tão ridículo artifício, mas já estava familiarizada com as pequenas armações típicas de onde pouco ou nada de interessante acontecia. E Isabella estar envolvida por um homem, era um evento.

– Deixe-me sozinha Kate. – pediu, estava cansada.

– Amber me desculpe. – ela implorou dando um passo a frente. – Não sabia que era tão importante.

– Apenas – a jovem ergueu a mão para que a meretriz não se aproximasse – me deixe sozinha, sim?

– Estou desculpada? – Kate indagou embargada. – Não queria magoá-la... Não me mande embora, eu...

– Agora sim está sendo tola! – Isabella ralhou. Como poderia julgar alguém que a iludiu durante dois minutos quando enganou e mentiu por duas semanas inteiras? – Apenas não ouça o que não lhe diz respeito, nem tente me enganar outra vez... Agora vá!

Finalmente a sós, Isabella foi se sentar na cadeira disposta atrás da mesa de trabalho. Tendo a máscara ainda em sua mão, olhou-a demoradamente. Antes, esconder-se ajudava a enfrentar sua realidade. Depois de Edward tudo parecia fora de lugar e toda aquela tensão a levava a um limite insuportável. Entendia os temores de Angela, mas não via como poderia suportar muito mais. Talvez fosse o caso de aceitar a ajuda de Carlisle para que seu Embry pudesse ter muito mais em seus estudos do que o dinheiro dela poderia pagar, e sair dali o quanto antes.

Aquele susto valeu para lhe mostrar que não suportaria ser flagrada como estava. Como seria caso a visse com seu corpo tão exposto? O barão mal tolerava a ideia de Jacob encontrá-la na composta camisola de Rosalie! A lembrança a fez sorrir saudosa para no segundo seguinte, comovê-la até que chorasse.

Ao despertar, Edward correu a mão ao lado somente se lembrando de que havia dado fim ao chapéu quando não o encontrou. Então a força da descoberta o despertou de vez. Fora dormir com a verdade martelando-lhe a cabeça, então era natural que fosse seu primeiro pensamento ao acordar; “Ela” e Carlisle, juntos! Deveria esquecê-la, mas como previsto, não seria fácil. Sentia-se traído e enganado, porque assim o fora.

Antes de dormir tentou burlar sua determinação, dizendo a si mesmo que talvez “ela” não tenha desejado uma troca por alguém em melhor situação financeira, contudo não encontrou argumentos que provassem o contrário. Dera à traidora todas as oportunidades para que lhe dissesse a verdade e ela preferiu ludibriá-lo até não ser possível levar as mentiras adiante e deixá-lo; doente, ferido, sozinho. Assim sendo, não mais iria cultuá-la.

Na tarde anterior agira por impulso. Ao se deitar se arrependera de ter pedido a Marie que levasse todas as coisas da embusteira, mas na luz da manhã via ter sido um ato acertado. Restava apagar os últimos traços que a lembrariam para sempre. Estranhando a demora de Jacob, o nobre conferiu as horas e descobriu ter despertado meia hora mais cedo. Nem mesmo Nero havia se movido, erguendo a cabeça somente quando seu dono deixou a cama para se cobrir com o chambre. Espreguiçando-se, o galgo se pôs de pé e marchou para a porta.

– Bom dia para você também! – Edward troçou, deixando-o sair.

O gracejo sem humor veio para calar a pontada fina em seu peito que o acometia todas as manhãs ao se vir sozinho em seu espaçoso quarto. Aquela era uma marca que tão cedo não apagaria, mas o barão contava que um dia a sensação ruim igualmente se fosse, como objetos e seus pelos. Coçando a barba foi até o aparador recolher os utensílios que pela falta de uso seu criado nem havia removido do lugar onde foram dispostos pela última vez. Sabendo que não conseguiria dar sequência ao seu intento naquele cômodo, Edward juntou tudo o que precisava e seguiu até o quarto de banho.

Àquela hora não encontrou ninguém em seu caminho, e logo depositava o que trouxe sobre outro aparador. Depois de atender suas primeiras necessidades, o barão se pôs diante do espelho. Olhou-se demoradamente e irritou-se consigo mesmo por ter chegado àquele ponto por uma mulher que não merecia sua fraqueza. Aborrecido despejou água na bacia. Ato contínuo testou o fio da navalha e, ao descobrir a qualidade do corte, calou um elogio aos cuidados da moça que a deixava sempre pronta para o uso; era o mínimo por toda a perfídia. Alimentando sua raiva, rapidamente fez espuma e a espalhou sobre a barba crescida.

No primeiro contato entre a navalha e sua pele, Edward conseguiu um pequeno corte, mas não se importou. Estava apenas desacostumado a se barbear, porém logo conseguiria a habilidade de volta, pois como pensou antes, não deixaria que outro fizesse o que ela tão carinhosa e ardilosamente fez por ele. E mais uma vez a raiva o moveu. Sem atentar aos pequenos ferimentos que conseguia, raspou o rosto completamente, dando fim à barba e eliminando definitivamente o cavanhaque que ela tanto dizia apreciar. E lá estava ele, outro homem que seguiria com sua vida, como recomendado.

Sir Masen? – Jacob chamou ao bater.

– Entre – pediu ainda mirar sua nova imagem no espelho.

– Hoje vossa senhoria... – Jacob se interrompeu ao ver o patrão. – O que fez?

– Cansei daquele rosto. – Edward deu de ombros. – Agora será sempre assim.

– Pois eu sugiro que me espere ou aprenda como fazer Sir, caso contrário não sobrará muito de vosso rosto.

– Não foram tantos cortes assim. – O barão girou o rosto, analisando os cortes. –O sangue até estancou.

– Pois sim... – Jacob retrucou. – E eu preocupado com seu nariz quando a senhor...

– Não fale dela! – Edward o cortou. – Não quero mais ser lembrado do que se passou entre mim e aquela moça.

Sir Edward... Não sei se dessa forma será melhor. Não gostaria de me dizer o que...

– Não insista Jacob, não agora... – Edward fechou os olhos fortemente; impaciente. – Não quando estou tentando.

– Como queira vossa senhoria. – Jacob anuiu. – O que quer que eu faça?

– Quero que limpe estas coisas, deixando-as prontas para a próxima vez que eu for usá-las.

– Sabe que posso barbeá-lo, não?

– Sei – o barão respondeu, seguindo para a porta – mas prefiro eu mesmo fazê-lo. Deixe tudo onde estava. Depois quero que vá até a fazenda e veja como está tudo por lá, se os corredores estão sendo limpos, você sabe...

– Quer que eu supervisione a manutenção dos canteiros e corredores? – Jacob estranhou. – Sempre faz isso pessoalmente!

– Não hoje. – Edward replicou; não quando sabia que ao cruzar o portão a imagem dela não o deixaria. Em voz alta acrescentou: – Sabe que é capaz, então vá sem choramingo. Precisarei de você novamente apenas a tarde. Tenho que voltar à cidade para ver se finalmente me será apresentado um rótulo aproveitável.

– Como queira Sir.

Infelizmente nem sempre seria tudo como queria, lamentou finalmente deixando o quarto de banho. De volta ao seu, Edward se trocou e prendeu os cabelos. Depois de tantos dias a falha feita por “ela” havia crescido, permitindo que os fios desiguais fossem presos à fita, entretanto não fazia diferença. Naquela tarde, quando voltasse a Westking, mudaria definitivamente sua aparência.

Pronto, o barão guardou as luvas nos bolsos de sua calça e deixou o quarto. Não sentia fome, então considerou dispensar o desjejum. Caso seguisse em frente ao descer as escadas evitaria também o encontro com a baronesa. Na noite anterior a mãe dispensou o jantar, sendo que não se encontraram novamente depois do desentendimento matinal. O barão não se sentia inclinado a novas rusgas, porém, estava disposto a mudar seu comportamento e começaria por melhor o humor junto a Elizabeth e também por se alimentar.

Não deveria ser surpresa encontrar a mesa vazia, sendo que o extraordinário era ter a companhia da mãe pela manhã, ainda assim Edward estranhou a falta.

– Bom dia! – cumprimentou as duas mulheres presentes, ignorando a análise insistente e indisfarçada, indo até seu lugar à cabeceira da mesa para então indagar diretamente à governanta. – Sabe por que a baronesa não desceu?

– Não me atrevi a incomodá-la milord – disse Marie após limpar a garganta com um pigarro contido, arriscando encará-lo como há dias não fazia. – Ontem não a deixei muito contente ao alertá-lo sobre a limpeza.

– Amy? – Ele tentou por outra fonte, quando a criada já se aproximava para servi-lo de chá. – Sabe o motivo da ausência?

– Bem... – a moça começou incerta, deixando o bule para pegar a leiteira. – Vossa mãe pediu que não a importunássemos hoje pela manhã.

– E o que mais? – indagou o barão, acomodando o guardanapo sobre o colo.

– Perdão? – Amy pareceu realmente não entender.

– Sei que foram apenas estas as palavras da baronesa. – Edward então a encarou. – O que mais ela disse?

– Vossa senhoria deve entender que vossa mãe ficou magoada por deixá-la a falar sozinha. – A criada desconversou, enquanto adoçava o chá com leite. O barão apenas ergueu uma sobrancelha, sem deixar de olhá-la. Amy então se ocupou em cortar uma fatia de bolo para finalmente responder. – Ela não quer encontrá-lo milord... Disse que somente sairá do quarto quando vossa senhoria sentir-lhe a falta e for procurá-la. Assim sendo, ao lhe dizer essas coisas, estou descumprindo minha palavra, pois desejar ir até ela deveria ser espontâneo.

– Não se preocupe Amy – o barão a tranquilizou. – Vamos que deixar a baronesa ter o descanso merecido.

– Então não vai vê-la? – Marie questionou admirada, e talvez movida por uma ligação primitiva entre todas as mulheres que haviam experimentado a maternidade, lembrou-o quase que repreensiva. – Ela é vossa mãe!

– Exatamente senhora Newton – concordou partindo um pedaço de bolo, sem olhá-la. – E justamente por esse laço que a conheço muito bem. Sei o que ela espera, assim ela sabe o que esperar de mim. Não irei decepcioná-la.

– Pois bem, Lord Masen.

Outro tema não foi abordado, reduzindo o tempo do barão à mesa. Antes do previsto, Edward limpou os cantos de sua boca e, estranhando o contado do tecido em sua pele completamente nua, anunciou:

– Não me esperem para o almoço. Tenham um bom dia!

Após as despedidas, o barão seguiu até a porta principal. Resolveu caminhar até a sidreria para ocupar a mente e o corpo, aproveitando a brisa fria daquela manhã nublada; outonal. Sua chegada causou certa comoção e alguns gracejos por parte de seus funcionários pela falta do cavanhaque. Entrando no clima bom por instantes, Edward assegurou a todos que dali em diante deveriam se habitar em vê-lo daquela forma. Entre todos, somente Eleazar Denali se absteve de comentários, ficando quieto em sua nova condição. Antes assim, uma vez que a confiança e a naturalidade tinham sido perdidas.

Uma vez no interior do galpão, Edward se ocupou em verificar tonéis e a evolução da fermentação da sidra antes de se fechar em seu escritório para conferir datas de entregas, pedidos, pagamentos; tudo exatamente igual ao que havia feito na manhã anterior. Já havia decorado cada nome, cada valor ou data, mas simplesmente não conseguia deixar de revisar todas as páginas. Se antes precisava conter a ansiedade pelo possível reencontro, agora era urgente esquecer um futuro sem esperança.

E preenchendo todo o seu tempo com assuntos relevantes e muitos sem qualquer urgência ou gravidade, o barão atravessou a manhã até que Jacob fosse encontrá-lo. Edward agradeceu a deferência de seu criado em trazer Draco, poupando-o de uma ida até sua casa.

– Não pretende almoçar? – indagou o criado ao passar as rédeas ao patrão.

– Não tenho fome – foi a resposta usual de Edward, ao montar –, e pressa de ir até Westking.

– Está definhando a olhos vistos. – Jacob comentou secamente. – E ainda acho que não vale a pena.

– Por certo não vale! – Edward concordou incitando Draco a partir, aborrecido. – Hoje tenho a certeza. Assim como tenho certeza de que já pedi que não a citasse.

– Mas eu não falei...

– Por favor, não insista! – demandou o barão, cortando-o. – Não quero ouvir o nome, não quero comentários velados nem insinuações. Quando sentir vontade, comerei, e acredite, não morrerei de inanição por quem não mereça.

– Fico feliz em saber Sir Masen. – Jacob galopava ao seu lado e se mostrou verdadeiramente satisfeito. – Prometo, de verdade, me calar quanto a esse assunto.

– Assim espero... E se acaso não tem medo de cair, aperte o passo – ordenou já iniciando uma corrida.

Ao menos nas horas seguintes Jacob cumpriu sua promessa, não voltando a citar aquela que o barão estava decidido a esquecer. Restou a Edward lidar com as próprias recordações, ao entrar na gráfica depois de deixá-la para encontrar com a moça traidora. Depois de aprovar o novo rótulo e fazer as pazes com o desenhista que arreliou, teve ainda que suportar o caminho até a melhor barbearia da cidade que, por infelicidade, ficava na rua principal há poucos passos da loja de doces; uma quadra distante da entrada do hotel. Deixando Jacob a cuidar dos cavalos, o barão entrou sozinho no sóbrio estabelecimento.

Lord Masen! – exclamou o dono ao vê-lo, levando os dois clientes que já eram atendidos a voltarem seus rostos para a porta.

– Boa tarde, cavalheiros. – cumprimentou todos de uma só vez.

– Há quanto tempo não vem aqui – comentou o senhor, uma cabeça mais baixo que o barão, vindo apertar-lhe a mão. – Não gostou do último corte que lhe fiz?

– Não é isso senhor Caligan – o barão contemporizou enquanto era conduzido até uma cadeira livre. – Como vê, adotei fios mais longos.

– Pois eu poderia mantê-los bem aparados para vossa senhoria – retrucou o senhor, colocando seus óculos antes de retirar a fita que prendia os cabelos castanhos. Ao escová-los com os dedos, comentou indicando a mecha mutilada. – Se tivesse vindo a mim, seu rosto não estaria retalhado nem esse corte grosseiro jamais teria acontecido.

Edward então se viu obrigado a rir manso, mesmo sem qualquer humor. Naquela tarde infeliz, semanas atrás, caso tivesse seguido seu caminho sem olhar ao redor, não somente o corte grosseiro, como quem o fez, não teria “acontecido” em sua vida, pois era sua intenção acertar os fios constantemente aparados por Jacob. Contudo ele olhou para o lado e a viu. Agora estava ali, novamente sendo lembrado da passagem “dela” em sua vida por alguém que nem ao menos poderia ordenar que se calasse.

– Tal temeridade não tornará a acontecer – afirmou, referindo-se não somente ao cabelo. – Não me desviarei mais de meu caminho e sempre virei aqui.

– Assim será melhor meu jovem... – o senhor reacomodou os óculos sobre o nariz e lhe sorriu, dando palmadinhas amistosas no ombro do barão. – E como será? Quer que apare apenas?

– Quero que corte como se deve. Abandonarei de vez certas tendências juvenis.

– Então assim será! – assegurou o Sr. Caligan.

Compenetrado, já de posse de sua tesoura e pente depois de cobrir o barão com uma vasta capa branca, o experiente barbeiro iniciou sua tarefa. Edward tinha consciência dos olhares sobre si, porém, como nenhum dos cavalheiros arriscou qualquer assunto, ele se manteve calado, atento a cada mecha de seu cabelo que era prontamente eliminada. Habituava-se ao silêncio bom, quando o senhor às suas costas, indagou despretensiosamente, sempre manobrando sua tesoura.

– Vossa senhoria se aborreceria caso lhe fizesse uma pergunta?

– Não tenho como saber. – Edward retrucou educadamente, porém tendo uma forte intuição quanto ao tema; principalmente ao ter os olhos de todos sobre si mais uma vez.

– Sendo assim é melhor não arriscar...

Havia a opção de se manter calado, porém Edward achou por bem encarar as consequências de seus atos impensados.

– Por favor, pode perguntar o que desejar senhor Caligan, não me aborrecerei.

– Se tem certeza? – Ele perguntou ao reflexo do barão no espelho. Este assentiu com a cabeça já livre de boa parte de seus cabelos. O senhor então pigarreou, voltou ao trabalho e tentou sanar sua curiosidade indiretamente. – Eu acredito que tenha sido engano, mas... Hoje se comentava que ontem vossa senhoria abordou uma jovem, ali, próximo ao hotel... Eu disse para àqueles que vieram me contar que não haveria de ser o senhor barão, afinal é conhecido pela discrição.

– Pois lamento desapontá-lo caro amigo – disse seguro, tentando uma leveza que não possuía. Ao ter a atenção do barbeiro, novamente pelo reflexo, confirmou: – Ontem a moça citada abalou meu comedimento.

– Então era mesmo vossa senhoria? – O senhor indagou interessado. – Poderíamos saber o que houve?

– Nada de interessante na verdade – o barão deu de ombros, ainda que alisasse nervosamente a pérola do anel que não via meios de tirar. – Apenas um final barulhento de um flerte mal sucedido.

– E quem é a jovem em questão? Ninguém a reconheceu. – comentou animado com a narrativa fácil, contudo Edward chegou ao seu limite.

– Como comentei de início, apenas ontem minha discrição foi abalada. Respondi ao que queria, agora vamos deixar a moça no anonimato.

Não se atrevendo a insistir ao ter o olhar do barão fixo no seu, o barbeiro apenas assentiu e voltou ao corte. Os outros clientes nada comentaram, porém Edward sabia que sua breve confissão correria de boca em boca, assim saciaria a curiosidade de todos; tanto melhor. Caso fosse questionado novamente, a verdade atenuada já teria se consolidado, bastava confirmá-la. Extenuado com a banalização do encontro infrutífero, Edward se calou, sendo imitado pelos demais. Com o silêncio veio à conclusão do trabalho e logo o barbeiro o livrava da capa e espanava restos de cabelo que se prendiam em seu pescoço.

– Quanto lhe devo? – Edward indagou ao se pôr de pé, com os olhos em sua imagem, agora, completamente mudada.

– Por se lembrar de meu estabelecimento, fica como cortesia da casa. – anunciou o barbeiro. – É sempre um prazer atendê-lo senhor barão.

– Sendo assim... Muito obrigado! Até breve.

Despedindo-se dos que ainda estavam na barbearia com um inclinar de cabeça, Edward saiu para a calçada. Ciente de que sua abordagem havia se espalhado, sentiu como se todas as pessoas olhavam em sua direção. Não se importando com a opinião alheia, ele caminhou até seu criado que já lhe estendia as rédeas de Draco, com um riso incontido.

– O que é agora? – Edward indagou com azedume

– Estou aqui pensando Sir, que se não fosse seu rosto picotado, estaria interessante.

– Interessante? – estranhou, desarmando-se, montando o andaluz e já o fazendo andar. – Que tipo de elogio é esse?

– O máximo que consigo fazer a um homem, Sir. Dê-se por satisfeito.

Pela primeira vez em dias Edward riu com real humor, ainda que fosse contido. Não retrucou e com isso ambos retornaram para Apple White ocupando-se em conversar sobre a fazenda; Jacob narrando tudo o que viu e fez; Edward tentando não divagar em imagens de seu breve noivado.

– Preparo-lhe o banho Sir Masen? – Jacob indagou tão logo cruzaram os portões.

– Sim, por favor... – consentiu.

Antes que chegasse diante de sua casa, Marie surgiu a porta, preocupando-o. Ao desmontar, deferiu o costumeiro tapa na anca de Draco e subiu os degraus rapidamente.

– Sra. Newton? Esperava-me? Aconteceu alguma coisa?

– Acalme-se milord... – ela o tranquilizou. – Foi apenas coincidência, mas vinha mesmo conferir se já chegava.

– Por quê? – O barão entrou e foi seguido.

– Fiquei preocupada com vossa mãe. Ela não tomou o café da manhã e dispensou também o almoço. Talvez vossa senhoria devesse...

– Esperarei aqui – cortou-a, retirando suas luvas. – Vá até a cozinha e traga uma xícara de seus chás calmantes e alguns biscoitos. Vá!

Marie saiu apressada para atendê-lo. Edward então olhou para o alto da escada. A dramaticidade de sua mãe era conhecida, contudo ela jamais havia dispensado tantas refeições. Assim como eles nunca se desentenderam tanto, pensou com leve remorso. Já que estava disposto a esquecer, não deveria deixar que “ela” interferisse em suas relações familiares.

Eficiente como esperado, logo Marie estava de volta trazendo o que fora pedido e ainda alguns brioches, queijos e geleia. O barão novamente se viu obrigado a calar recordações, daquela vez, das mais perturbadoras.

– Obrigado! – agradeceu roucamente ao receber a bandeja. – Isso é tudo.

– Devo servir o jantar no horário de sempre?

– Precisamente, Sra. Newton. A partir de hoje tudo voltará a ser como antes.

Já iniciava sua subida, quando a governanta o chamou. Edward então se voltou para olhá-la, conhecia aquele olhar condoído, contudo, antes que a impedisse de dizer qualquer palavra, ela indagou embargada:

– Perdoe-me por desobedecê-lo, mas tenho que saber... Está confortável com a decisão de apagar Isabella de vossa vida milord?

O nobre não precisava daquele lamento, queria ser grosseiro pela insubordinação e citação ao nome, porém a raiva destinada à Marie não mais existia e ele jamais se esqueceria que a criada fora sua primeira aliada quando erroneamente acreditou ter encontrado a mulher de sua vida. Para ela não haveria máscaras. Com um pigarro, assegurou sinceramente:

– Ainda é cedo, mas ficarei bem Marie.

– Nunca quis que sofresse milord – ela falou sem conter o pranto. – Tudo o que fiz, foi com o intuito de ajudá-lo. Lembre-se sempre disso.

– Sempre soube... Agora se me der licença. Preciso fazer as pazes com minha mãe.

– Por certo, milord. Vemo-nos no jantar.

Com as despedida, Edward finalmente seguiu até os aposentos da baronesa, tocado pela devoção da governanta. Restabeleceram a antiga harmonia, agora era o momento de fazer o mesmo com a mãe. Sempre seguindo em frente... Ou com sua vida, como “ela” tão prontamente recomendou.

Notas finais
Então? Gostaram???... Me contem, por favor!

Amores, não deixei spoiler, pois pretendo postar mais amanhã... ;)

Bjus em todas!