Borboleta Negra
36 Capítulo Quatro - Parte II
Notas iniciais
Mais de de B&B (barão e borboleta) para vcs... Espero que gostem, e por favor, não sofram... Essa fase era inevitável para eles...
Obrigada pelos reviews... :D
BOA LEITURA!
Equilibrando a bandeja, Edward bateu à porta ornamentada com entalhes na madeira. Sem esperar liberação para sua entrada, girou a maçaneta sem receio e deu um passo a frente.
– Espero que esteja composta.
O barão encontrou o quarto escuro, as cortinas cerradas. Apesar da penumbra ele distinguiu a mãe entre os lençóis, em trajes de dormir, chorosa. Não sabia bem o que encontraria, mas o cenário lúgubre o impressionou. Elizabeth costumava usar tais expedientes para conseguir atenção, porém nunca a havia visto naquele estado.
– O que quer aqui? – Ela indagou com voz embargada. – Deixe-me só.
O filho não respondeu, apenas depositou a bandeja sobre o aparador e se dirigiu à janela para correr as cortinas. A tarde já escurecia, porém ainda havia luz suficiente para iluminar o quarto. Ao caminhar até a cama, Edward não pôde deixar de comparar a entrega da mãe com a sua própria, tendo assim uma visão semelhante à de Jacob e Marie ao entrar em seu quarto nos primeiros dias da separação forçada. Com isso o ressentimento cresceu mais. Seu criado tinha razão, pois “ela” simplesmente não valia tanto.
– Vá embora Edward. – Elizabeth ordenou, virando o rosto para escapar da claridade.
– Sabe que não vou, então não insista. – disse ao se sentar na beirada do colchão. – O que sente para permanecer na cama durante todo o dia? Está doente?
– Sei que não se importa, mas... sim, meu coração está ferido – falou sem olhá-lo. – Um estranho se apossou de meu adorado filho. Desde que voltei convivo com sua rispidez, agora ele me ameaça e abandona a falar sozinha... Não sobrou nada do cavalheiro que criei e com isso sofro.
– Não – ele começou contemporizador –, não pode ser uma mudança assim tão drástica. Até onde me lembro a senhora já teve algumas rusgas com esse mesmo filho e nunca se mostrou tão derrotada. Sou eu quem não a reconheço.
– Antes havia esperança – a baronesa retrucou após um fungar sentido. – Agora meu filho se mostra irredutível. Entrega-se a uma espera infundada por quem sei que não voltará. Não suporto vê-lo sofrer e rejeitar veementemente as únicas formas que disponho para ajudá-lo.
Às últimas palavras Edward se comoveu. Sempre se envolvia em argumentações onde rechaçava as constantes tentativas de Elizabeth em ditar os rumos de sua vida sem nunca lhe ocorrer como sua postura, de fato, machucaria um coração materno.
– Pois lhe asseguro que seu espírito sofre sem razão – tranquilizou-a, tomando-lhe a mão pousada sobre o quadril coberto. – Se houve um estranho ele já se foi e seu filho nada sofre senhora. Não mais.
A baronesa fungou uma segunda vez e finalmente se moveu para olhá-lo. Inicialmente uniu as sobrancelhas e perscruto o rosto do barão para então maximizar os olhos castanhos e se sentar apressadamente, apoiando-se contra o travesseiro.
– Edward! Você...
As palavras morreram num soluço, enquanto a baronesa se aproximava para tocar o rosto do filho, sorrindo e chorando; contente. Edward se comoveu mais, porém não choraria. Apesar do ardor dos olhos e do travo em sua garganta, em toda aquela situação não verteu uma lágrima sequer e não seria fraco quando estava disposto a se reerguer.
– Não posso estar assim tão horrível para levá-la o pranto senhora – troçou quando a mãe passou a escovar-lhe o cabelo recém cortado com os dedos.
– Horrível? – Ela sorria em meio às lágrimas. – Não! Está muito bonito, isso sim!
– Se estou mesmo bonito, seque essas lágrimas. – pediu; poderia ceder seu lenço, porém a mãe já tinha o seu próprio.
– Deixe uma mãe chorar de alegria. – Elizabeth rogou, aproximando-se mais. – Eu havia me esquecido como era belo, meu filho...
– Vai me desconcertar com tantos elogios quando nem os mereço.
– Não merecia, é fato! Porém agora os terá em dobro! – exclamou já recuperada do choro. – O que devo entender? Que com essa mudança se encerra o luto por aquela... moça?
– Luto este que nem ao menos deveria ter acontecido – emendou.
– Por certo que não! – Elizabeth fechou a expressão, subitamente aborrecida. – Você é perfeito. E não digo isso porque é meu filho ou um nobre e, sim, por ser a mais pura verdade... Mulher alguma merece seu sofrimento. Principalmente uma desqualificada que o rejeite.
As palavras, em vez de animá-lo, feriram-no. Por inúmeras vezes “ela” afirmou considerá-lo perfeito, mentindo como todo o resto. Deveria fazer coro com sua mãe e somar alguns insultos à tão pérfida moça, porém, além de não se sentir inclinado a fazê-lo, incomodava-o que a baronesa a desmerecesse.
– Estou disposto a esquecê-la, então peço que faça o mesmo não a citando outra vez.
– Tem razão – ela se retratou, tomando as mãos do filho nas suas. – Perdoe-me! Mas poderia ao menos saber sobre aquelas coisas em seu quarto?
– Pedi que a Sra. Newton as levasse embora.
– Que maravilha! – exultou Elizabeth, apertando-lhe os dedos.
Edward olhava para as mãos unidas e se sentiu um tanto culpado e até mentiroso por ainda conservar o que mais precioso restou do breve compromisso, mas nem assim sentiu o desejo de remover o anel. Naquele instante decidiu que ele serviria para lembrá-lo de nunca mais fraquejar perante mulher alguma; seria um amuleto. Resignado em sua decisão e, considerando que tanto seu banho como o chá de sua mãe esfriassem esperando o término daquela conversa, Edward sorriu para a mãe e indagou já deixando a cama para recuperar a bandeja.
– Estamos bem? Posso contar que se alimentará agora e depois deixará esta cama? Quero sua companhia para o jantar. – Ao se calar depositou a bandeja sobre as pernas da mãe.
– Se comer agora, não terei apetite para o jantar – ela gracejou, correndo os olhos interessados no que havia na bandeja.
Naquele instante Edward comparou a mãe a uma criança animada e indecisa, tão frágil naquela cama, em seus trajes de dormir com a trança castanha escapando da toca enfeitada de laços e rendas. Estava contente por deixá-la feliz, mesmo que tal transformação se desse a partir da sua própria, não tão imediata; muito menos indolor. Tentando ser contagiado pelo ânimo da baronesa, sorriu-lhe e opinou:
– Coma o necessário para se fortalecer, mas não o bastante para que fique sem apetite. Este jantar será como se fosse o primeiro depois de sua volta. Quero saber como estão Lord Jasper e Alice, e como foi sua estada.
– Será como antes – ela sorriu satisfeita.
– Sim, tudo será como antes. Até breve.
Retribuindo-lhe o sorriso, Edward rumou para a porta, disposto a finalmente se banhar e, se possível, retomar seu hábito de degustar um charuto antes do jantar.
– Edward – a mãe o chamou quando girava a maçaneta. O filho apenas se voltou e esperou que ela falasse despretensiosamente, com os olhos postos nos dedos que beliscavam um brioche. – Se tudo será como antes, devo também entender que está disposto a retomar a corte de Tanya Cullen?
Sorrir da própria ingenuidade foi inevitável. Realmente acreditou que a baronesa, por um instante, tivesse deixado suas articulações? Não duvidava que ela de fato sofresse em vê-lo diminuído, porém parte daquela “cena” não passou de encenação. Todavia não a julgaria. Não era segredo que para ela, a jovem citada sempre seria o ideal de boa esposa. Para ele jamais seria, contudo, não poderia confiar em seu próprio julgamento, poderia? Por certo que não, então alargou o sorriso e retrucou num gracejo:
– Ainda não me recordo de corte alguma, mas considero interessante pensar a respeito. Agora coma e deixe essa cama.
Ao fechar a porta atrás de si, Edward já desculpava as idiossincrasias da mãe e procurava pela imagem de Tanya em seu pensamento. Suas primeiras tentativas foram fracassadas, com sua mente traiçoeira a dar vastos cabelos negros e olhos da mesma cor à moça citada, porém ao entrar em seu quarto, já podia ver os cachos loiros e os olhos castanhos.
– Demorou a chegar Sir... – Jacob exclamou ao vê-lo entrar. – Seu banho já teve estar perdido. Quer que providencie mais água quente?
– Não será necessário – negou, impedindo-o também de vasculhar por suas roupas. – Deixe que eu mesmo decida o que vestir. Obrigado por tudo até aqui, Jacob. Pode ir para sua casa agora.
– Como queira Sir Masen... – o criado seguiu para a porta, antes de sair indagou seriamente: – Tem certeza que não prefere ser barbeado em vez de fazê-lo por vossa própria conta?
– Tenho. Pode vir me acordar se quiser, mas é apenas isso.
– Então, tenha uma boa noite Sir Edward e até amanhã.
– Até amanhã – ele respondeu já a escolher o que usaria para o jantar com sua mãe.
Enquanto separava calça, camisa e colete, o barão retomou o pensamento em Tanya. Não nutria por ela qualquer sentimento que fosse digno de nota, e sendo sincero, acreditava que jamais nutrisse; por ela ou outra. Todavia não poderia seguir com sua vida anterior de breves flertes ou casos esporádicos. Por alguns dias almejou ter uma família e se não poderia tê-la com quem o inspirou, valer-se-ia de qualquer moça e a filha de seu “rival” lhe parecia ser interessante.
Não, ela não era a mais apropriada por fazê-lo genro do homem que, cedo ou tarde, poderia colocá-lo diante da jovem amante que mantinha; não senhor! Estar com a filha do banqueiro seria apenas prático uma vez que ela sempre se mostrou disponível. E se fosse novamente sincero, reconheceria que, mesmo não sendo comparável em ardor, tê-la em seus braços costumava ser agradável. Ela jamais lhe inspirou amor ou paixão, mas lhe acendia o desejo e esse fato por si só lhe seria satisfatório. Tanya Cullen seria uma esposa aceitável, bastava ele se acostumar à ideia.
Habituar-se a ter outra mulher em sua vida pareceu simples durante os dias que precederam o domingo. Em pouquíssimos dias completaria um mês de sua separação, o barão estava convicto em esquecer quem prontamente o deixou, no entanto, não se sentia inclinado a substituí-la. Não após a missa assistida ao lado da mãe, depois de visitar o túmulo do pai, na qual por vezes viu a traidora ajoelhada, rezando e chorando de forma comedida como fizera em Apple White. Não quando, ao ter recebido os muitos cumprimentos à saída da igreja, correu os olhos ao longo da rua esperando “encontrá-la” mesmo sabendo que não a veria em Westking.
Como obedeceria sua mente e seguiria adiante se o coração insistia em alimentar uma esperança vã e a falta que nunca findava? Não tinha uma resposta e estar com alguém irrelevante que engrenaria assuntos fúteis, completamente enfadonhos, não lhe despertava qualquer interesse. Tanto que, cada vez mais lhe parecia atraente a ideia de aceitar o convide feito à porta da igreja para participar da costumeira tarde de jogatina, brandy e charutos na casa de Harry Clearwater após aquele almoço com uma baronesa especialmente animada pela iminente visita de suas amigas.
– Ah, Edward! – ela exclamou ao baixar o garfo. – Diga alguma coisa! Estará em casa? Tenho certeza que hoje receberei a visita de Esme Cullen e sua adorável filha.
– Não posso prometer... – o barão disse vagamente, afastando o pedaço de coelho, desistindo de vez da intenção de comê-lo, como “ela” também o faria.
– Tente meu filho. – Elizabeth pediu. – Há quanto tempo não se vêem? Você e Tanya?
– Sinceramente não saberia dizer. – Nem lhe importava, pensou. Contava os dias de apenas uma separação; a mesma que deveria esquecer. Ainda assim não conseguia e naquele início de tarde considerava cedo para estar com outra. Foi então que decidiu. – Para falar a verdade, tenho um compromisso...
– Compromisso? – estranhou a baronesa, unindo as sobrancelhas. – Não me disse nada sobre compromissos para hoje, além de nossa ida até Westking.
– Não me recordava. Por tudo o que houve, por meu estado lastimável – acrescentou sugestivo, sabia usar as armas da mãe –, mas o Sr. Clearwater perguntou por minha presença, lembrando-me.
– Por que não comentou nada durante nossa volta? – A mãe insistiu, desconfiada.
– São tantos assuntos que o tema me fugiu, perdoe-me.
A baronesa permaneceu a olhá-lo, analisando-o enquanto voltava a comer o que separou do pobre coelho. Após um instante, ela própria voltou sua atenção ao prato, comendo em silêncio, bebericando água e limpando o canto da boca com o guardanapo ricamente bordado. Sua quietude se deu por no máximo três minutos.
– Sabe que parecerá desfeita, não? – voltou a indagar mostrando-se aborrecida. – Novamente! Como se não bastasse nossa “fuga” no dia da inauguração da ponte!
– São suas amigas, mamãe, não minhas – retrucou mansamente, tentando manter as boas relações daqueles últimos dias. – E de toda forma, Tanya sabe desses meus compromissos e antes, nossos desencontros nunca foram um problema. Ela é sempre muito atenciosa e divertida quando nossos caminhos se cruzam.
– Pois que se cruzem hoje! – exortou. – Ou não está disposto a esquecer aquela...
– Não conclua! – Edward ordenou alteando a voz, depositando os talheres sobre o prato, perdera completamente o pouco apetite; mandaria a trégua ao inferno caso a mãe fosse adiante. – Já pedi que o passado fosse esquecido, então entenda que minhas ações futuras não têm relação com nada, nem com “ninguém”. Estive tempo demais recluso entre essas paredes, dedicado ao trabalho e se desejo ter uma tarde livre, entre amigos, é o que terei. Por favor, senhora! Pare de agir como se eu tivesse a obrigatoriedade em ser atencioso com essa jovem, nos entendemos bem, e nada mais.
– Não precisa se aborrecer – a mãe anuiu, sentida. – Paro com o que quer que seja se igualmente perder esse péssimo novo hábito em ser grosseiro à mesa, perante a criadagem.
Edward correu os olhos até a governanta e à criada que de cabeça baixa esperavam serem requisitadas para servi-los, questionando-se de qual situação desagradável elas não teriam participado. Não havia nenhuma, mas fazia parte das alienações de sua mãe acreditar que havia qualquer discrição, então apenas aquiesceu:
– Tentarei não fazê-lo se cumprir com vossa parte. Esqueça o passado e não force uma aproximação futura. O que tiver que ser, será. Ao seu tempo, não hoje.
– Está bem! – Elizabeth ergueu as mãos, derrotada. – Vou me comportar. É que fico ansiosa. Está tão bonito meu filho... Falta agora voltar a sorrir e pensei que talvez um de seus passeios com Tanya pudesse ajudá-lo.
Se acaso o comentário tivesse partido de Jacob, Edward explicaria que a última coisa que a moça citada teria dele seria um sorriso. Quando estivesse com ela não procuraria por divertimento. Como não era o caso, falou:
– Como disse... Tudo ao seu tempo. Agora, se já terminou seu almoço e me dispensar da sobremesa, gostaria de vossa licença. Quero descansar um pouco antes de sair.
– Sim, já terminei. Tem toda.
– Obrigado! – agradeceu ao se por de pé. Depois de beijar rapidamente a mão da mãe como forma de restabelecer a paz, Edward lhe fez um afago no rosto ainda jovem. – Não fique ansiosa. Receba-as bem, como é sua especialidade. Explique que lamento não estar presente, que tive um compromisso com cavalheiros amigos. Prometo estar aqui na próxima visita.
– Muito bem... – ela murmurou rendida; os olhos castanhos brilhando para o filho. – Perdoe-me por forçá-lo quando está ainda... tentando.
Ele não voltaria a lhe chamar a atenção, pois ela estava certa. Ele tentava e ainda não era bem sucedido.
– O que me leva a agradecer, sem nada a perdoar.
Com um inclinar de cabeça, ele se foi. Em seu quarto, estendido sobre sua cama, novamente “tentou” não dar espaço para lembranças antigas como acontecia aos domingos, falhando como nas vezes passadas. Era incrível, e também revoltante, que duas exceções em sua rotina pudessem comprometer todo o resto. Apenas por um par de domingos “ela” esteve em sua casa, entretanto o barão não conseguia recordar como foram os anteriores. Não sabia, por exemplo, como era ter forças ou ânimo para seguir ao evento que num impulso se propôs a participar.
Sim, era aviltante permanecer sob a influência de alguém que nada valia, então, após uma hora de pensamentos torturantes, Edward deixou sua cama e preparou-se para sair. Iria com Draco, então dispensou a bengala, levando somente seu casaco, o chapéu e o par de luvas de couro preto. Na sala de estar despediu-se da mãe, que lamentou o atraso das amigas em chegar antes que ele partisse, porém sem insistir que ficasse. No estábulo, o barão encilhou seu cavalo depois de verificar rapidamente como estava sua égua brenha. Depois de alguns sustos que obrigaram Mike a dormir na mesma baia, tudo parecia bem; a vida em Apple White seguia. Com o tempo, ele faria o mesmo.
Logo seguia decidido a se distrair com o jogo de cartas e variados assuntos. Como as tardes começavam a ficar cada vez mais frias, o galope até a fazenda próxima aumentou também a ansiedade do barão em se aquecer com algumas doses de brandy. Já ao portão o nobre pôde ver alguns cavalos de cavalheiros conhecidos, assim como duas carruagens. Depois de ter desmontado, Edward deixou Draco aos cuidados do criado responsável em prender as rédeas junto aos outros animais.
– Cuidarei bem dele milord – assegurou o rapaz, inclinando a cabeça respeitosamente.
– Obrigado! – disse já a deixá-lo para seguir até a entrada da casa.
– Boa tarde Lord Masen! – cumprimentou a criada que recebia a todos na entrada. – Posso ficar com seus pertences?
– Por favor... – ele também se adiantava em entregar o chapéu para retirar as luvas e o grosso casaco de lã. Ao entregar indagou: – Seu patrão está no salão usual?
– Sim, milord... No salão de sempre.
– Obrigado!
Sem mais palavras, Edward caminhou para a conhecida sala com a segurança daqueles que frequentam os mesmo lugares por anos a fio. Participava daqueles eventos com o pai e fez perdurar o hábito quando este se foi. Sim, estava acostumado, mas estranhamente tudo parecia muito novo. Talvez tenha perdido duas ou três reuniões, porém ao chegar à porta do salão e avistar as quatro mesas ocupadas, assim como os sofás em redor sendo usados por quem não era apto a jogar, pareceu que anos haviam se passado.
Ironicamente ficou claro que a impressão não era particular, visto que todos interromperam suas atividades para olhá-lo. O silêncio talvez tenha durado dois segundos, mas foi o suficiente para agravar o desconforto do barão.
– Lord Masen! – Harry exclamou por fim, indo encontrá-lo na porta com a mão estendida, quebrando assim a breve tensão. – Que bom vê-lo de volta! Venha.
Edward apertou a mão rechonchuda e depois se deixou ser conduzido pelo braço rumo a um dos sofás, correndo os olhos em volta. Conhecia a todos, mas os estranhava.
– As partidas já estão iniciadas – explicou o anfitrião –, mas poderemos disputar nas próximas rodadas.
– Por certo – o barão anuiu, cumprimentando com acenos e fracos sorrisos àqueles que o cumprimentavam.
Analisando todas as mesas, Edward notou haver um espaço vago em uma delas, ao lado do inspetor Cooper que lhe erguia a mão num cumprimento mudo. O barão assentiu igualmente em silêncio, preparando-se para indagar quem falta à mesa.
– Ora se não é nosso estimado barão!
A voz odiosa veio da porta pela qual o nobre acabara de entrar, e seu dono caminhou diretamente ao local vago, dispensando Edward de especulações. Novamente o silêncio envolveu a todos, indicando ao barão que talvez aquele tenha sido o motivo da primeira comoção. A inimizade era conhecida entre todos, tornando a iminência daquele encontro com Laurent tão perturbadora quanto o estarem de fato face a face.
– Não tão estimado quanto o digníssimo cavalheiro. – Edward retrucou inabalável, apesar da inimizade aumentada depois da sabotagem em sua sidreria.
– Venha se sentar entre nós milord – Harry o empurrou gentilmente rumo ao sofá disposto diante da mesa onde Laurent se sentara.
Os dois homens permaneceram a se encarar até que alguém servisse uma taça de xerez ao barão e um parceiro do fazendeiro vindo de Wisbury requeresse sua atenção na retomada do jogo.
– Desculpe-me por tê-lo aqui milord – o dono da casa pediu ao se sentar, indicando Laurent disfarçadamente. – O cavalheiro praticamente se convidou quando fui à cidade esta semana. Criou-se uma situação constrangedora onde não vi o que poderia dizer para negar que viesse até minha casa.
– Não se desculpe pelo erro dos pais dessa criatura. – Edward comentou azedo, bebericando em sua taça para aquecer seu corpo enregelado. – Não há constrangimento maior que tê-lo no mundo. Recebê-lo em nossos lares ou cruzarmos com ele pela rua é apenas consequência de tão dispensável nascimento.
Harry Clearwater, juntamente com dois outros fazendeiros, Isaac Peterson e Senior Zimmer, riu com gosto chamando a atenção de todos para o canto no qual estavam. Edward continuou impassível, sempre bebendo a encarar seu desafeto. Este fingia não notá-lo, recolhendo e dispondo cartas, num jogo onde ninguém conversava entre si, confirmando suas palavras; eram poucos os que simpatizavam com tão desagradável figura. Para consternação do barão Otto Cooper parecia ser um desses poucos homens. Ainda que não conversassem, vez ou outra dirigia um sorriso amistoso ao fazendeiro. Não deveria ser inesperado e sem dúvida era revelador. Lamentável não configurar em cumplicidade.
– Ah, vossa senhoria como sempre um troçador! – comentou Isaac, secando uma lágrima furtiva. – Lamento que seja verdade.
– Por certo. Vamos deixá-lo... – atalhou Senior; para o barão indagou: – Como tem passado milord? E vossa mãe, como está?
– Estamos bem, obrigado! – respondeu, ainda mirando Laurent.
– Folgo em saber – prosseguiu Senior, após saborear a fumaça de seu charuto e liberá-la. – Realmente uma lástima que a doença tenha levado Lord Bradley cedo demais, deixando uma saudosa viúva ainda tão jovem.
Então o fazendeiro teve a atenção do barão. Perscrutando o rosto de bochechas rosadas, os olhos castanhos e o vasto bigode grisalho, comentou:
– O mesmo se deu com o senhor, não? Sua esposa igualmente partiu cedo demais. Ainda antes de meu pai.
– Sim, é verdade. Não há um só dia no qual não sinta a falta de minha amada Berenice, mas enquanto meus filhos estavam comigo os dias não pareciam tão solitários. Graças que a baronesa tem vossa senhoria para lhe fazer companhia.
Edward talvez tenha se confundido ao notar um teor oculto no comentário inocente, porém, certo ou errado no julgamento, não gostou do que ouviu. A baronesa não estava à disposição para ser cortejada ou o lugar de seu pai livre para ser preenchido.
– Por certo, e como não pretendo ir a parte alguma, nem mesmo ao me casar, ela não conhecerá dias de solidão.
– Evidente que não – Isaac se interpôs para acalmar um ânimo que ameaçava se exaltar. – A baronesa sempre estará bem amparada. Agora... Como acham que será esse inverno? As tardes estão cada vez mais frias, mas eu gostaria que ele não fosse tão rigoroso. Minhas ovelhas sofrem com a chegada da neve.
– As minhas também – Senior fez coro, aceitando a mudança de assunto.
Edward ainda o media de alto a baixo quando o riso baixo vindo da mesa a sua frente lhe chamou a atenção. Laurent, assim como os demais, ria contidamente de algo dito por um deles. Imediatamente a insinuação velada de Senior foi esquecida para ceder lugar ao ódio que dispensava ao fazendeiro de Wisbury.
– Infelizmente não temos como prever – lamentou Harry, ao lado do barão. – Espero que não tenha problemas com as macieiras milord.
– Não terei. – Edward afirmou novamente cismado com a proximidade entre Otto e Laurent; com isso alteou a voz para acrescentar. – Não temo o frio ou a neve. Há perigo pior para meus pomares ou minha sidreria que independem das variações climáticas.
– Bem citado! – Senior Zimmer exalou condoído. – Eu soube do atentado que sofreu. Lastimável!
– O biltre responsável mereceu o fim que teve! – Harry exclamou enraivecido.
Edward os ouvia muito atento ao homem dissimulado que parecia ter conseguido uma mão de cartas promissoras, pois não desviava os olhar de nenhuma delas. Apenas Otto Cooper se animou em entrar na conversa.
– Eu preferia que estivesse preso. Matei-o em legítima defesa, porém ele teria sido útil caso revelasse quem o armou para escapar de minha cadeia.
– Da mesma forma que eu gostaria de saber quem o instruiu a prejudicar meu estoque. – Edward acrescentou, sempre encarando Laurent Hunt.
O burburinho já reduzido, quase findou, deixando o clima tenso entre todos os senhores. Laurent então olhou em volta e ao notar todos os olhos vagarem entre ele e o barão, comentou:
– Eu soube dessa ação covarde e participo da consternação dos senhores, barão e Cooper. – diretamente para Edward indagou: – Então suspeita haver um mandante?
– Asseguro-lhe, Sir Hunt, ser mais do que uma suspeita. Infelizmente como não há provas, não posso apontar alguém tão covarde quanto às ações que demanda a outro.
– Eu entendo... – Laurent exalou, voltando a olhar as cartas. – Uma pena! Soube que foi atingido por um tiro. Não deveria permanecer em repouso?
– Já se passou muito tempo e quem o informou deve ter dito ter sido de raspão. – Edward replicou, dispensando o charuto oferecido por um dos cavalheiros, talvez na tentativa de encerrar o assunto. – Tive sorte que Alec Gruen fosse tão incompetente quando quem se escondia às suas costas.
– Realmente, muita sorte! – Laurent exclamou vago. Para seus companheiros de mesa sugeriu: – Vamos retomar nosso jogo? Nunca se sabe quando a sorte nos abandonará.
Edward sorriu escarninho, sem humor, odiando não poder se voltar abertamente contra aquele homem abjeto, e com ganas de extravasar parte de suas últimas frustrações, ignorou a tentativa de Harry em voltar ao tema anterior.
– Sir Hunt? Também soube que passou por um mau momento. No seu caso acredito que não teve a mesma sorte que me agraciou, afinal, disseram-me que o “atentado” o deixou bem debilitado. Acaso foi atacado por mais de um homem?
Laurent, que recolhia uma carta, interrompeu a ação e chispou os olhos escurecidos na direção do barão. Os dois se mediram por um segundo até que Laurent forçasse um sorriso e dissesse:
– Era apenas um, mas fui pego a traição. Não tive chance de defesa.
– E foi descoberto quem foi o responsável? – Edward fingiu interesse, correndo também os olhos para o inspetor ao lado que parecia muito atento em ordenar o jogo que tinha à mão.
– Foi apenas um engano. Já desfeito...
– Antes assim... Espero que não haja mais razão para um novo mal entendido e também que esses senhores covardes que nos atacam a traição, tenham coragem de expor a verdadeira face e decidir as diferenças como se deve; honrosamente.
– Boa tarde, Lord Masen... Cavalheiros...
Carlisle exclamou da porta, levando Laurent a fechar a boca, meio oculta por seu bigode, sem dar a resposta ao barão. Edward o ignorou prontamente, abalado pela chegada do banqueiro. Sabia que cedo ou tarde se encontrariam, no entanto percebia que jamais estaria preparado.
– Boa tarde... – exalou, sua voz sendo facilmente encoberta pela demais.
– Sir Carlisle! – Harry exclamou feliz em ver o amigo, indo buscá-lo para que se juntasse ao grupo.
Tão logo o banqueiro assumiu o lugar antes ocupado pelo anfitrião, e os cumprimentos iniciais findaram, este se voltou ao barão.
– Acabo de vir de vossa casa milord. Deixei Esme e Tanya com a baronesa.
– Ah sim! – Edward começou, agradecendo pela voz vir mais estável. – E como estão elas?
– Bem, obrigado... Minha filha que ficou um tanto decepcionada por não encontrá-lo.
– Depois dê a ela minhas recomendações. – pediu, analisando o senhor ao seu lado.
Carlisle, apesar da afetação, era um senhor de bom porte, educado, culto. Edward poderia entender que uma mulher se interessasse, porém não conseguia conceber como “ela” pudera dispensar a ele, um homem ainda jovem, para dar continuidade a um romance com alguém tão mais velho. Mesmo que fosse por interesse, ele próprio sempre estaria em melhor situação.
– Vossa senhoria falava sobre casamento – Senior o lembrou. – Acredito que formaria um bonito casal, caso escolhesse a senhoria Cullen como companheira.
– Já lhe disse que faço gosto – o banqueiro tomou a liberdade de dar breves palmadas sobre a mão que Edward mantinha pousada na própria coxa. – Afinal somos também amigos pessoais. Seria perfeito tê-lo como genro.
O barão se retesou com o contato, vendo crescer seu incômodo por estar próximo a um homem que tinha como rival.
– Qual pai não faria gosto em tê-lo por genro? – Isaac indagou amável. – Lord Masen é um nobre empreendedor, com grandes possibilidades de crescimento. Pena não se interessar pela política.
– Não me interesso pela política tanto quanto ainda não penso em casamento.
– Ah... – exclamou Cullen, recebendo uma taça de xerez e um charuto. – Conversamos também sobre isso. Concordo que queira aproveitar sua juventude, mas o tempo passa e as boas moças não esperam para sempre.
– Assumo o risco – a voz saiu mais firme do que o barão pretendia, porém não se importou; a amante de seu pretenso sogro lhe mostrara que às vezes as moças não eram tão boas como faziam crer.
– Assume o risco em esperar, não o de ficar longe delas... – Isaac Peterson comentou com um sorriso sugestivo, e talvez animado pela bebida que deixava suas bochechas coradas, indagou: – Algum dia nós saberemos quem era aquela adorável senhorita que vimos a cavalgar em vossa companhia a cerca de um mês?
O barão sentiu todos os seus pelos se eriçarem. Sem saber o que dizer ouviu Carlisle especular junto ao amigo:
– Então você viu a hóspede de Lord Masen? Não tive a mesma sorte.
– Vocês não a conhecem – Edward tentou encerrar o assunto com aquele fraco argumento; tolo.
– Conte-nos sobre ela para que passemos a conhecê-la. – Carlisle insistiu. – Comece pelo nome.
– A senhorita em questão não está mais em minha casa, então vamos esquecê-la. – pediu.
– Como esquecer tão interessante assunto? – Laurent perguntou de seu lugar. – Então hospedou uma jovem em sua casa... Era alguma moça aqui da região?
Edward encarou-o duramente, uma das sobrancelhas erguidas, lamentando o fato de não poder responder da forma que desejava. Indiferente a sua seriedade, Laurent insistiu:
– Ora vamos... Diga ao menos o nome.
A calma aparente parecia esconder certa urgência e um rubor irrefreável cobria-lhe a face bronzeada pelo sol. Havia uma nova animosidade pairando entre eles; incompreensível, porém quase palpável. Por um breve instante algo aterrador lhe ocorreu, contudo Edward rechaçou o pensamento. Era irrefutável a certeza de que “ela” estava envolvida com Cullen, então não poderia ser cúmplice de Hunt. Tal ligação, para Edward, seria pior que o caso ilícito com o banqueiro; odiá-la-ia até a morte. Tendo calafrios a correr sua coluna, por fim retrucou seriamente:
– Prefiro que seja sugerido outro tema.
– Não fique tão sério! – pediu Harry, apaziguador. – Se quer guardá-la para si, entenderemos e esqueceremos, não é mesmo cavalheiros?
Edward agradeceu pelo cuidado e discrição de Harry Clearwater, afinal o fazendeiro não somente conhecia o nome, como o vira desesperado a procura de informações obre a referida moça. Em silêncio, trocaram entre si um olhar significativo enquanto ouviam os muitos assentimentos e concordâncias, ainda assim Isaac acrescentou:
– Apenas nos conformaremos em respeito ao senhor barão, pois esquecer tão bela jovem será impossível! Caso fosse uma escolhida, também formaria com ela um lindo par milord. Ainda me recordo da feição delicada e dos cabelos negros de tão formosa...
– Com a licença de todos – Laurent pediu abruptamente, interrompendo o devaneio de Isaac. Sem esperar por respostas, o fazendeiro se pôs de pé. – Agradeço a acolhida, mas preciso partir.
– Mas nem terminamos a rodada... – seu parceiro de jogo estranhou. – Fique mais um pouco.
– Lamento. – Laurent deixou seu lugar e caminhou até a porta tento o rosto completamente tomado pela vermelhidão, externando as palavras com cuidado. – Até breve a todos... Senhores... “Barão”.
A partida de Laurent deixou o ar estagnado por um momento, então seus companheiros de mesa passaram a recolher as cartas, visivelmente consternados. Os outros jogadores em suas mesas voltaram à partida, enquanto Carlisle, agora muito mais interessado, questionou diretamente a Isaac, o prestativo delator.
– Então a moça em questão tinha lindos cabelos negros? Conte-nos mais Peterson.
Edward se moveu incomodado, para então, subitamente relaxar. “Ele” não devia a nenhum daqueles senhores qualquer tipo de satisfação, muito menos ao banqueiro. Não teve culpa se por duas semanas sua amante resolveu traí-lo com alguém mais jovem. Com a percepção Edward experimentou um prazer daninho ao imagina que o rival já tivesse entendido o que se passou em Apple White, e como ele, também sofresse pela pérfida senhorita.
– Não há muito a dizer – Isaac reconheceu. – Lord Masen e a moça que citei passaram por mim na estrada que leva a Westking. Achei a cena inusitada, pois nunca tinha visto o barão em companhia de uma jovem e os dois parecessem tão... “ligados”. E ela era tão bonita! Como disse, nunca a esquecerei...
– Entendo! – Carlisle exclamou livre de qualquer afetação; encarando o barão seriamente.
– Aqui na região tem muitas moças com os cabelos escuros – Isaac continuou a divagar –, mas não tão negros. Tem a senhorita Anderson aqui em Westking e duas no Jard...
– Tenho certeza de que deve haver mais moças com os cabelos negros do que nossas mentes envelhecidas são capazes de recordar – o banqueiro exclamou de súbito, antes que o fazendeiro concluísse. Voltando a sustentar o olhar do barão, comentou: – Não há como não reparar que está mudado desde a última vez que nos vimos à saída do hotel. Parecia contrariado milord. Acaso viu algo ou alguém que o tenha aborrecido?
Sim, Carlisle havia entendido, Edward constatou, sentindo aumentar a doentia satisfação. Erguendo o queixo minimamente, numa clara altivez, confirmou:
– De fato vi, e naquele momento fiquei aborrecido, porém caso volte a acontecer, não será da mesma maneira. Há pessoas ou... situações desagradáveis que nunca mais me afetarão. Fui apenas tomado pela surpresa ao descobrir como somos facilmente enganados por aqueles que no cercam.
Para sua surpresa o banqueiro não compartilhou de sua raiva contida, nem aceitou a provocação. Antes disso, Carlisle atenuou a expressão e lhe sorriu condescendente.
– Ah, meu caro barão! Lamento discordar... Agora acredito que cedo ou tarde se surpreenderá ainda mais. Principalmente se insistir em julgar o caráter alheio apenas por aquilo que vê. As aparências enganam meu bom rapaz; as boas e as más. Não deveria ser tão ingênuo.
– Não mais serei – assegurou contrariado.
O nobre não gostou do tom paternal, do conselho moral vindo daquele homem avançado em idade, casado, que tinha por amante uma jovem com idade para ser sua filha; sua neta. Com o pensamento o espírito do barão se agitou. Poderia ser ingênuo – como até mesmo sua mãe salientava –, mas não havia engano, pois o que viu era comparável a ter flagrado Carlisle e “ela” sobre uma cama. Tanto que desde então sabia que deveria esquecê-la e não se importar, contudo lhe doía na alma imaginar sua... “ela” entregando-se àquele senhor.
Foi então, naquele instante, quando novamente o silêncio parecia envolver a todos, que Edward se considerou tão covarde quanto Laurent Hunt por simplesmente desistir. Enquanto esteve em sua casa “ela” por inúmeras vezes insistiu para que “eles dois” fossem amantes. Talvez, se não tivesse considerado tão ridiculamente correto desposar quem nem conhecia, naquele instante estivesse com ela em algum lugar afastado de todos, amando-se como nos dois domingos em que a teve como hóspede.
Era de fato um tolo, agora via! Todavia nunca seria tarde para consertar seus erros e, uma vez que “ela” sempre se mostrou disposta e assegurou ficar confortável num relacionamento sigiloso, futuramente poderia ser ele ocupando o lugar do banqueiro. Se acaso ela não mentira sobre seus sentimentos, bastaria encontrá-la e reconquistá-la. Ainda não sabia onde ela morava, nem quanto tempo demoraria a estar diante dela novamente, porém ao seu lado estava o elo que os uniria. Tudo o que tinha a fazer, era começar por estreitar os laços com o dileto e sapiente banqueiro.
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SPOILER...
Por sorte Carlisle não demonstrou interesse em segui-lo quando o barão anunciou sua partida. Enquanto instigada Draco a correr mais, Edward aprimorava os detalhes de seu plano. Se o velho banqueiro o queria no seio de sua família, seu genro ele seria e com isso estreitaria os laços. Estaria mais perto até que um dia lhe tomasse a amante. Estar casado com Tanya seria um mero detalhe que também manteria a baronesa feliz, o que lhe deixaria livre para que vivesse como bem lhe aprouvesse. Se um velho sexagenário mantinha uma vida dupla, por que ele, jovem ainda, não poderia fazê-lo?
Satisfeito em sua nova determinação, o nobre contava o tempo de estar com Tanya, já arrependido de não ter chegado àquela conclusão anteriormente. Para seu aborrecimento não pôde simplesmente liberar o andaluz diante de sua casa, sendo obrigado a levá-lo de volta ao estábulo. Livrando-o do arreio rapidamente, afagou-lhe a cabeça e partiu a passos largos para casa. Entrou pela cozinha e, ignorando Sue Wood, seguiu até a sala de estar onde a baronesa costumava receber suas visitas. Como esperado encontrou as três mulheres ao redor da pequena mesa de chá.
– Milord! – Tanya exclamou ao vê-lo, pondo-se de pé; o sorriso iluminando-lhe a face rosada.
O cumprimento, tão parecido ao tratamento empregado por outra nos momentos de intimidade causou certa estranheza ao barão, mas não o aborreceu. Esboçando um fraco sorriso, dirigiu-se a mesa para tomar a mão de cada senhora para galantemente beijar.
– Mamãe...
– Ah, fico tão feliz que tenha voltado a tempo!
A baronesa lhe sorria enlevada. Sem respondê-la, o barão tomou a mão que Esme Cullen lhe estendia. Era mais velha do que Elizabeth, porém igualmente bonita ainda que tenha perdido o viço da juventude. Talvez fosse o frescor não encontrado na esposa que atraísse o banqueiro para os braços da amante. Na verdade pouco lhe importava as razões, o rival que aproveitasse enquanto tivesse tempo!
– Senhora Cullen... – após beijar-lhe os dedos indagou: – Como tem passado?
– Muito bem obrigada! – Ela também lhe sorria contente. – Posso comentar o quanto está bonito em sua nova aparência?
– Já comentou, não é mesmo? – gracejou; forçando os lábios a manterem o sorriso. – Obrigado!
Com isso Edward finalmente se voltou para Tanya. A moça se mostrava inquieta a espera de sua atenção. Depois de segurar-lhe as duas mãos estendidas, o barão as beijou demoradamente antes de erguer os olhos para o rosto ansioso.
– E a senhorita? Como tem passado?
– Bem, obrigada! – garantiu alargando o sorriso. – E tenho certeza de que ficarei melhor agora que chegou para me resgatar daqui.
– E eu poderia saber do que exatamente eu a resgataria? – indagou soltando-lhe as mãos para cruzar as suas às costas.
– Dessas duas senhoras – Tanya indicou com um muxoxo. – Estão aqui a enumerar as muitas mazelas trazidas por um inverno que ainda virá...
– Passei por isso ainda há pouco. – Edward se mostrou solidário. – E se não compartilha desse mesmo sofrimento, o que me diz de darmos um passeio pelo jardim?
– Se mamãe permitir... – Tanya se voltou para a mãe, esperançosa.
– Não irão se afastar, não é mesmo? – Esme parecia indecisa. – Seu pai logo estará de volta.
– Deixe-os ir Esme. – Elizabeth interveio. – É apenas um passeio pelo jardim.
– Está bem... Mas não se afastem, por favor.
Notas finais
Bjus
BOM FIM DE SEMANA!... :D
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