Borboleta Negra

4 Capítulo Três


Notas iniciais
Oie... Boa tarde a todas!... Queria agradecer aos reviews que têm deixado; obrigada!E tbm às primeiras indicaçãoes; obrigada Elys, Joana, Paty e Soso, pela confiança!... *-*Bom, Agora vamos ver como Isabella se comporta no palacete do barão... ;)BOA LEITURA!

E lá estava ela há oitenta metros do palacete branco, parada diante dos portões de ferro fundido que ostentavam o imponente brasão da nobre família; escudos contendo as letras M e B e os desenhos de dois leões com garras e dentes expostos encarando cada uma delas. Eram bonitos, mas para Isabella nada representavam. Naquele instante a mente da moça estava ocupada tentando entender a cena inusitada vista durante a caminhada até aquele ponto.

Lord Edward Edrick II cedeu seu ombro para o criado ferido durante todo o percurso, deixando-o brevemente apenas para auxiliá-la. E a atenção seguiu além dos portões. Tão logo o barão os fez entrar em seus domínios, negou ajuda de terceiros quando outros criados os avistaram e correram para prestar socorro.

Isabella considerava se talvez não o tivesse julgado precipitadamente acusando-o de uma mesquinharia que demonstrava não possuir. Depois de suas palavras após o salvamento de seus pertences ele estava diferente. Não havia dado importância ao seu tom, mas no momento desejou entendê-lo. Ou deveria apenas esquecê-lo, sua própria voz repercutiu por sua cabeça. Logo se despediriam então qualquer compreensão de suas atitudes se fazia desnecessária.

Como que para lembrá-la de que sua estadia não seria tão breve quanto gostaria, Isabella ouviu o barão demandar a um dos criados.

– Leve esta jovem até Marie e diga-lhe para providenciar um banho quente e roupas limpas. Acho que as de Rosalie devam lhe servir. E que preparem também uma xícara de chá bem quente e o quarto de minha irmã para que ela o ocupe por essa noite.

O criado, vestido num uniforme de tecidos claros, fez uma solene reverência para ele e então para a moça encharcada.

– Por favor, queira me acompanhar senhorita...

A partir de seu próximo passo, Isabella esqueceu-se de todas as coisas ao perceber que sua entrada no palácio seria real. Na verdade esteve bloqueando as sensações que aquela visita inesperada lhe traria até que visse a porta principal crescer em sua direção. Subiu os poucos degraus que levava até ela com passos incertos e ao se vir diante da madeira entalhada, recuou.

– Não devo entrar por aqui...

– Mas aqui é por onde entram os convidados do barão! – o criado explicou levemente enfadado; como se fosse aborrecido ter que explicar o óbvio.

– Tem razão! – ela retrucou de queixo novamente erguido. – Sou convidada!

A determinação caiu por terra ao pisar no grande hall de alto pé-direito. Várias emoções cruzaram seu peito fazendo com que algumas lágrimas traiçoeiras brincassem na borda de seus olhos. Odiando-se por ser sentimental, ela as secou e se recompôs. Possuía problemas maiores do que se emocionar ao entrar pela porta da frente daquele palácio maldito.

– Espere aqui que irei chamar Marie.

Isabella apenas assentiu com a cabeça e ao ficar sozinha imediatamente retirou o casaco de seus ombros. Contendo o impulso de largá-lo ao chão olhou em volta. Maldosamente nutriu o desejo de caminhar um pouco fingindo apreciar o lugar, somente para emporcalhar o chão com a lama de suas botas e vestido, contudo se lembrou que quem a limparia seria alguém que nada havia lhe feito.

– Senhorita? – ela ouviu a voz suave atrás de si. Ao se voltar se deparou com uma mulher uniformizada, com as mãos pousadas sobre o avental branco. – Tenho ordens de cuidar da senhorita, podemos subir?

– Subir?

E as emoções não tinham fim! Pensou olhando para o alto da escadaria. Entrou pela porta principal, dormiria em uma das camas, vestiria as roupas de uma das damas da casa e para tanto era óbvio que precisaria conhecer a ala superior. Se alguém lhe dissesse naquela manhã que passaria por todas aquelas coisas naquele dia teria rido até perder o ar; ou chorado em desespero. Percebendo que era observada pela criada, tratou de explicar.

– Estou tão suja...

– Não se preocupe com isso senhorita! – ela a tranquilizou amável. – Logo alguém virá limpar o chão. Agora deve se banhar e se secar antes que adoeça. Venha!

Então Isabella se deixou levar escada acima da luxuosa construção, tendo os olhos fixos no vitral colorido que enfeitava o patamar. A cada degrau de mármore que calcava os pés seu coração falhava uma batida por já estar arrependida de ter aceitado tal arranjo. Todo seu problema não consistia apenas em entrar naquele palacete, mas também em com quem encontraria; fora precipitada.

– É muito bonito aqui... – começou para puxar conversa; tinha que conhecer o terreno onde estaria pisando.

– É sim! – a criada respondeu. – Gosto muito de trabalhar no palácio e de servir a essa família.

– E ela é numerosa?

– A senhorita não é daqui? – a mulher indagou, medindo-a de alto a baixo como se considerasse absurdo alguém da região não conhecer o número de integrantes da nobre família.

– De Wisbury. – não havia porque esconder uma vez que o barão já sabia. – Mas não me interesso pela nobreza, desculpe-me... A única coisa que sei é que o barão pai morreu tem alguns anos.

Isabella esperava que o apelido que dera ao pai de Edward não tivesse soado com o desprezo habitual. No dia de seu enterro chorou de puro alívio e também felicidade por considerar ter sido um fim mais do que merecido.

– Foi uma perda lamentável! – a criada disse comovida. – Um homem tão bom padecer e definhar até a morte.

– Que Deus o tenha em bom lugar! – ou o diabo o torture no inferno, Isabella pensou nauseada. A conversa perdia seu foco. Estava interessada nos vivos. – Como disse foi uma lástima, mas não me respondeu. Fora o barão e seu substituto, a família é formada por quem mais?

Sabia haver uma mãe e duas irmãs, mas não conhecia seus paradeiros. Poderiam estar ali e tropeçarem com ela a qualquer momento, ou estarem em algum passeio que a livrasse de tal encontro.

Lady Rosalie vive em Ascot com seu marido, o duque. Lady Alice se casou recentemente com o conde de Sheffild e a baronesa está com ela passando alguns dias em sua nova morada em Eastville. No momento somente o barão se encontra.

As notícias não poderiam ser melhores, Isabella exultou. Estava de tal forma satisfeita que nem se importou com a última colocação dita em tom reprovador. Estava naquela casa por necessidade, não a procura de prazer com seu proprietário. Como a primeira impressão entre ambos não era das melhores, a criada poderia ficar tranquila quanto à inconveniência de estar desacompanhada sob o teto de um homem solteiro e igualmente sozinho.

Estava mais interessada em ter abrigo para a chuva uma vez que não lhe restava escolhas. Ficaria onde a colocassem até que fosse hora de partir sem ser preciso se avistar com mais ninguém; morador ou criados. Isso era o mais importante.

Dando a conversa por encerrada, a moça deixou que a criada a conduzisse até o quarto de banho. Em seu interior encontrou mais duas criadas que já enchiam uma banheira de louça com água quente e fria, por vezes uma delas testava a temperatura. Ao se darem por satisfeitas saíram deixando-a a sós com Marie. A criada recolheu o casaco do patrão sem nada dizer e a ajudou com o vestido sujo. Ajudou também com as botas e desamarrou seu espartilho.

Isabella estava habituada a ser servida então não se importou em revelar sua nudez diante da empregada desconhecida que claramente chocada a viu entrar na banheira com água morna. Igualmente habituada a servir, logo Marie recuperou-se do torpor – talvez pela nudez em si, talvez por ver um corpo livre de pelos – e se aproximou para lavar os longos cabelos pretos com sabão perfumado. Não iniciou nova conversa, compenetrada em sua tarefa.

A jovem apreciou tal servidão que a deixou livre com seus pensamentos. Estava sendo bem cuidada e mimada onde muito nova teve seus sonhos desfeitos; onde conheceu a violência e o abandono.

Longe dali alguém a conservava no pensamento, ainda assim Edward somente deixou a cabeceira de Jacob quando a esposa deste lhe garantiu que o amigo se sentia bem. Estava ansioso para partir, mas não deixaria o fiel criado sem os devidos cuidados.

– Tem certeza de que não precisa ser visto por um médico? – o nobre perguntou ao casal pela terceira vez.

– Estou bem Sir Edward! – o mestiço assegurou. – Muito obrigado por me trazer até aqui. Acho que Leah tem razão, foi apenas mau jeito que dei no pé.

– Nada que algumas compressas e repouso não consertem. – a morena sorriu para os dois. – Pode ir sossegado barão!

Edward não esperaria por outra liberação.

– Sendo assim nem volte ao serviço e amanhã fique aqui para tratá-lo. – ordenou.

Ambos lhe agradeceram quando ele já partia rumo à porta. Antes de sair acenou-lhes. Acreditava na palavra do casal e estava tranquilo de que Jacob receberia o melhor tratamento visto que sua esposa era uma mulher atenciosa e devotada. Duas qualidades que haveria de procurar numa mulher caso estivesse à caça de alguma para desposar.

Leah era também uma excelente cozinheira, mas não lamentava por dispensá-la. Havia outra, assim como criados aos montes para servi-lo. Preocupava-se mais com Jacob; não deixaria o mais estimado desatendido.

Com a sensação de dever cumprido o nobre afastou-se do casebre e, mesmo contrafeito por voltar para a chuva, marchou decidido até a casa. Sua convidada o exasperava e confundia tanto quanto o atraia e justamente por essa razão queria saber se também estava sendo bem tratada.

Como suas botas estavam enlameadas, seguiu direto para a cozinha causando agitação nas criadas encarregadas por aquele setor.

– O que sua senhoria faz aqui? – Sue Wood, talvez a mais velha de todos os criados, exclamou ao vê-lo. – Aqui não é lugar para...

– Deixe de fricotes Sra. Wood, minha mãe não está então não há razão para sujar toda a casa somente para se manter as regras cerimoniosas que ela impõe. – ele a cortou já se sentando numa das cadeiras para retirar as botas pesadas de tanta lama. Apenas de meia se pôs de pé e avisou. – Teremos visitas para o jantar, então capriche.

– Eu soube. Posso perguntar quem é a moça?

– Já perguntou, não é mesmo? – Edward retrucou levemente aborrecido com a especulação. Como sabia ser algo comum entre todas ali presentes, falou somente para evitar mexericos que chegariam aos ouvidos de sua mãe e o aborreceriam muito mais. – Eu a socorri durante o temporal. Não tivemos como prosseguir com a viagem então a trouxe para cá.

– Muito nobre de sua parte Lord Masen... – a senhora disse sem emoção. – A moça está acomodada. Marie a banhou e lhe cedeu algumas roupas de Lady Rosalie. Ela agora descansa no quarto de sua irmã. – informou correndo os olhos inexpressivos por suas panelas antes de encará-lo e indagar com a liberdade daqueles que se conhecem de longa data. – Não acha que a menina Rosalie se importará de uma estranha usar suas coisas?

Inevitavelmente lhe ocorreu dizer que qualquer uma das três mulheres de sua vida se importaria mais se deixasse sua convidada vagar nua pelos corredores, porém se calou. Não o fez por respeito à velha cozinheira, mas sim porque a cena projetada em sua mente o abalou. Quando falou foi preciso pigarrear para limpar sua voz.

– A menina em questão já é uma mulher casada e deve dar mais importância aos seus filhos e às coisas que tem na própria casa, não ao que deixou para trás. Eu não poderia deixar a moça na chuva. Sabe que Rosalie sempre apreciou ajudar as pessoas.

– Bem o sei! – a mulher de cabelos grisalhos exclamou num tom estranho. Recuperada acrescentou. – De fato ela não se importaria.

O barão bem o sabia. Providencialmente Isabella parecia ter o tipo físico de sua irmã do meio, caso fosse o contrário não contaria com o mesmo desprendimento de Alice e arrumaria um problema por deixar uma estranha, como a cozinheira bem colocou, não somente usar seus vestidos como se deitar em sua cama. De fato fizera uma boa escolha. Todavia não estava interessado no comportamento de suas irmãs. Queria era notícias de sua arisca convidada.

– Onde está Marie? – perguntou já seguindo para a porta, deixando suas botas para que alguma criada as recolhesse.

– Ela está limpando o hall, Lord Masen.

Após um breve sorriso ele deixou a cozinha. Sentindo o piso frio sob as meias molhadas, ele se aproximou das duas criadas que ajoelhadas limpavam o barro deixado por Isabella.

– Marie! – chamou antes mesmo de chegar até ela. A criada quis se levantar, porém ele a fez permanecer onde estava com um aceno impaciente. Como se não soubesse, perguntou. – Onde está a jovem que deixei sob seus cuidados?

– No quarto de Lady Rosalie como recomendou Milord. – respondeu servil, de olhos baixos.

– Foi-lhe servido algo quente como pedi?

– Ofereci, mas ela nada aceitou.

Não lhe espantava saber da recusa. Pela postura assumida por todo o caminho estava claro que ela nem mesmo queria estar ali. Como se na chuva, sob os raios e trovões estivesse em melhor companhia. Decididamente ela tinha algum problema.

– Jacob não veio com vossa senhoria? – Marie indagou espichando os olhos para o corredor, cortando seus pensamentos.

– Não. Tivemos um contratempo e ele está em casa de repouso. – dito isso iria saciar sua curiosidade que havia sido restaurada quando a criada de pôs de pé visivelmente alarmada.

– Não sabia então não providenciei os cuidados para vossa senhoria.

– Apenas peça para alguém providenciar um banho quente que do resto cuido eu. – replicou impaciente. E antes que ela novamente dissesse qualquer palavra, indagou. – O que fez com as roupas e pertences de minha hóspede?

– Levei o chapéu, as vestes e as botas para as lavandeiras. – ela disse apenas, exasperando-o mais.

– E o restante? – perguntou contido.

– A jovem fez questão de ficar com a bolsa mesmo que estive um pouco molhada.

– Muito bem! – ele disse para si mesmo. Estava claro que a carta era algo importante. Flagrando o olhar inquiridor da criada, ele assumiu sua postura mais nobre antes de falar. – Espero que a tenha colocado a par do horário em que o jantar é servido.

– Eu avisei Milord, mas a dama disse que não desejava comer coisa alguma e pediu para despertá-la amanhã tão logo o dia clareasse.

Edward sequer retrucou. Movido por uma raiva súbita, seguiu escada acima e rumou até a porta do quarto de Rosalie. Com pulso decidido socou-a para anunciar sua presença antes de indagar em tom irônico.

– Está bem acomodada senhorita Swan?

– Estou... Obrigada por tudo Lord Bradley.

Seu tom era de encerramento não de início de conversa, levando Edward a enfurecer-se mais. Acaso ela tinha a intenção de não mais lhe dirigir a palavra naquela noite? Iria dormir e talvez sair sorrateiramente sem um adeus? As atitudes daquela moça eram tão insólitas quanto ofensivas. Ainda tentando modular sua voz, ele prosseguiu.

– Soube que recusou o chá e que mandei lhe servir e que não deseja jantar... Acaso adoeceu?

– Não... Estou mesmo bem obrigada!

Edward contou os entalhes da porta para não gritar com ela.

– Sinceramente senhorita, não é educado conversar através da porta. Se de fato está bem e agradecida, imagino que possa demonstrar um pouco mais de consideração por seu anfitrião.

O silêncio foi sua resposta até que a porta de súbito se abrisse para revelá-la, Isabella usava um dos vestidos florais de sua irmã e tinha os cabelos, levemente úmidos, escovados para um dos lados do corpo, deixando um ombro completamente nu. A visão da pele fresca foi de encontro ao cenário que imaginou na cozinha – o de uma moça pequena de cabelos negros como a noite passeando livre de roupas – e novamente foi afetado pela imagem.

– Pensei que tivesse algo a me dizer Lord Bradley. – ela o resgatou de seus pensamentos impróprios.

– Eu... – as palavras lhe faltaram.

Aquela jovem era possivelmente a criatura mais irritante que conhecia, mas ainda assim a mais atraente levando-o a não desistir de saber mais sobre ela. Ou de esquecer seu intento em conquistá-la.

Quão fácil seria correr a mão pelo pescoço desnudo e lhe roubar um beijo? Muito fácil e Edward com certeza apreciaria, contudo sabia bem que ao final receberia uma sonora bofetada. Não precisava de uma rejeição violenta para cutucar ainda mais seu ego pisoteado.

– Acaso não seria vossa graça quem teria ficado doente? – ela arriscou parecendo verdadeiramente preocupada. – Como se sente?

Ao perguntar a jovem ergueu a mão para colocá-la espalmada sobre a testa meio oculta por cabelos ainda molhados. O toque durou exatos dois segundos antes que os dois se afastassem como que compelidos feito dois imãs de pólos iguais.

– Perdoe minha ousadia! – pediu visivelmente abalada. – Sei que está bem...

– Não há problema... – ele murmurou enquanto sentia sua testa formigar após tal poderoso contato.

O que acontecia com eles? Precisava saber e para tanto deveria acabar de vez com as formalidades e aparentes reservas. Limpando sua voz pediu.

– Poderia parar de me tratar por Lord Bradley? Esse era meu pai. Aqui todos me chamam por Lord Masen. A senhorita pode me chamar como minha mãe e minhas irmãs, por Edward somente.

– Não mereço a deferência de tratá-lo pelo primeiro nome Lord Brad... Lord Masen.

– Pois saiba que me faria muito feliz. – não queria que sua voz soasse tão intensa, mas não pôde evitar.

– Vou pensar a respeito. – Isabella prometeu.

– Pense também sobre rever sua decisão e me faça companhia durante o jantar. Têm sido dias muito solitários e ter alguém a mesa seria uma mudança agradável.

– Vou pensar a respeito. – repetiu a promessa, mordendo o lábio. Ela estava nervosa, Edward observou. Para uma jovem tão altiva, talvez ele pudesse considerar um bom sinal.

Ao fechar a porta, Isabella se recostou contra a madeira procurando alguma estabilidade para suas pernas. Não atinava que porcaria estava acontecendo com ela, afinal sempre detestou a maior parte dos integrantes daquela família. Por anos acreditou que nunca mais fosse preciso cruzar o caminho de nenhum deles, no entanto ali estava ela. Abalada como nunca antes somente por ter tocado na testa do barão. De onde tirou a preocupação por sua saúde?

Estava sugestionada pelas recordações que aquele lugar lhe trazia, era isso! Das poucas vezes que viu Edward, quando ainda era muito pequena, alimentou certa adoração por ele. Contudo o baronete partira para estudar em Londres e não voltou a vê-lo até aquele dia. Sem contar com aquela que inconscientemente lhe cedia o quarto e algumas roupas, não guardava qualquer boa lembrança envolvendo os membros da nobre família. Todos podiam ser muito bem educados e refinados, mas não tinham humanidade para lidar com gente ou qualquer outra espécie.

A única exceção era mesmo Rosalie que até seu último dia naquele lugar se mostrou uma boa amiga para com alguém insignificante como ela. Quiçá, depois da presente noite, ela pudesse considerar que o barão fosse como a irmã e se importasse com quem não ocupasse sua posição social. Estaria certa? Na verdade não teria tempo nem lhe interessava descobrir.

O barão seguiu para seu quarto – exatamente ao lado – ainda a sentir a pele de sua testa a formigar. E parecia que a sensação se espalhava por seu corpo; era perturbadora e vinha somar a tudo que o movia a insistir na conquista. Nem mesmo quando Isabella esteve sobre seu peito na carruagem sentira algo parecido. Talvez tenha sido pela agitação do momento, não saberia.

O que sabia, pensou correndo os dedos pelos cabelos molhados, era que gostaria de ter um pouco mais do contato da mão pequena sobre em si, experimentar a textura dos fios negros em seus dedos; cheirá-los. Lamentava que a chuva tivesse levado o odor de jasmim. Não que o alecrim utilizado durante o banho não deixasse a pequena voluntariosa muito tentadora, mas preferia continuar com sua primeira impressão.

A única boa impressão entre o fiasco que fora sua aproximação, Edward acrescentou contrariado passando a desabotoar seu colete. Nesse momento esbarrou no cordão de seu relógio. Esquecido de tudo o retirou do bolso e o abriu, estava parado, danificado pela chuva. Não era muito apegado a bens materiais, mas gostava do objeto presenteado por seu falecido pai e lamentou a perda.

Com sua determinação arrefecida pelo ocorrido, terminou de se despir e, depois de calçar seus sapatos de casa e vestir o pesado robe, saiu para o quarto de banho. Sem Jacob para cuidar de seus gostos se contentaria em se livrar da friagem fora de seus aposentos. Eficiente como somente Marie sabia ser, já havia providenciado seu banho fazendo com que ele encontrasse tudo pronto.

Uma vez mergulhado em sua tina Edward tratou de ser breve. Não poderia lamentar pelo relógio para sempre e desejava aprontar-se o quanto antes para continuar com suas tentativas de aproximação. Não haveria tempo a perder tendo em vista que a jovem estava disposta a partir tão logo o dia clareasse.



Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Será que deu para conhecer um pouco mais da Isabella???... Contem-me... :)E como ontem acabei postando dois, mais tarde coloco o outro aqui tbm... Bjus lindas!...