Borboleta Negra
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
Bjus meninas... Espero que gostem!
BOA LEITURA!
Sim, não interessava a Isabella saber se o barão era como a irmã nem deveria se iludir. Antes de qualquer coisa Edward era homem e mesmo que fosse prestativo com seus subalternos, como todos os outros de sua espécie sempre desejariam apenas uma coisa de uma mulher. No caso dele seria algo que um Bradley, mesmo disfarçado de Masen, não teria dela.
Exasperada por tão facilmente se deixar levar pelo tempo vivido naquele palácio, Isabella voltou à penteadeira e retomou o escovar de seus longos cabelos; a parte de si mesma que mais apreciava. Munida da escova de marfim, dedicou demasiada atenção a cada mecha que segurava entre os dedos tentando ignorar a fome que a levava a realmente avaliar sua promessa furada.
Novamente fora precipitada ao recusar o chá com biscoitos, pois não deveria estender seu ato inconsequente dando outro passo fora daquele quarto que não fosse para deixar as terras de seu anfitrião.
Contava agora com vinte e três anos, seu corpo havia mudado e sua pele era bem cuidada. Dificilmente alguém mais antigo que trabalhasse ali reconheceria em si a adolescente mirrada que deixou o palacete pelos fundos, surrada e aos prantos, levando somente uma muda de roupas dada a ela em segredo pela única pessoa que demonstrou alguma compaixão; Rosalie. Talvez por ser a única de quem gostasse se sentisse a vontade por ocupar seu quarto, vestir suas roupas e utilizar seus caros objetos.
Caso estivesse no palácio e pudesse se apresentar a ela, a filha do barão ficaria feliz em ver que finalmente havia se tornado a dama que tentou criar durante as brincadeiras aos pés das árvores; ela mais nova sendo a filha, a jovem nobre dois anos mais velha, sua mãe fictícia. Sem que Isabella pudesse prever um sorriso curvou seus lábios ao recordar do arranjo inocente, porém este logo findou ao encarar a dura realidade. Rosalie ficaria feliz até que descobrisse como sobreviveu à expulsão e se manteve por todos aqueles anos.
Fatalmente não seria tão compreensiva, nem mesmo aceitando as roupas que usou de volta. Mandaria que as queimasse como se carregassem os malefícios de uma doença pestilenta. Aquela era a verdade. Nada de bom aconteceria em sua vida; sua cota milagrosa de felicidade já existia, era completa e nada mais deveria almejar. Nem reatar laços esgarçados pelo tempo, nem procurar entender o que Edward Masen poderia ter de especial para amolecê-la. Deveria ignorar sua fome, dormir e ao primeiro clarão da manhã, partir.
Infelizmente para ela, o barão não dividia as mesmas expectativas e tão logo passou a desabotoar o vestido emprestado, ouviu as batidas decididas contra a porta. Antes que ele falasse já havia reconhecido sua identidade.
– O jantar será servido em quinze minutos. Não gostaria de descer para me acompanhar numa taça de xerez?
– Eu...
O que diria? Seria tão mais fácil se as lembranças a tivessem endurecido e não burlado o cerco defensivo para emocioná-la.
– Eu não estou com fome... – por fim mentiu. – Acho melhor me recolher, já abusei por demais de vossa generosidade.
– Assim como é capaz de fazer suas próprias escolhas, eu o sou para determinar quando abusam da hospitalidade que ofereço. – ele retrucou livre de ironia, usando suas palavras. Soou mais como um gracejo. Então mais sério acrescentou. – Não confio que esteja com sono e sem fome... Venha senhorita.
Isabella tinha plena consciência de que não deveria. A postura correta a adotar era a mesma de antes do acidente, contudo não conseguia ignorar que após o acontecido, ao ver a atenção dispensada ao criado, era forçada a admitir que havia humanidade no jovem barão. A mesma de sua antiga amiga.
E ainda, há quantos anos não saia de seu mundo? Quando se sentou a mesa com um cavalheiro sem que fosse por mútuo interesse? Jamais ocorreu. Nesse momento seu estômago protestou, fazendo com que decidisse aproveitar sua única chance de ser tratada como uma dama. E como uma dama somente, mesmo que por um morador daquele palácio.
– Descerei em instantes. – garantiu.
Talvez não devesse, mas Edward acreditou. Depois de indicar-lhe a direção da sala onde costumava apreciar a taça de xerez antes das refeições, seguiu o corredor rumo às escadas. Passou por sua própria porta ao lado apreciando como tudo naquela situação era providencial, muito satisfeito consigo mesmo.
O nobre desceu as escadas determinado a quebrar a resistência de Isabella. Já havia conseguido pontos em seu favor. A jovem não se mostrava tão arrisca e lhe faria companhia. Desejando aproveitar ao máximo a oportunidade, seguiu até a cozinha e pediu que atrasassem o jantar em vinte minutos. Somente então foi ao local indicado para esperá-la.
Quando minutos depois sua convidada surgiu à porta, Edward se pôs de pé para recebê-la.
– Enfim chegou!
– Demorei? – Isabella indagou com falso espanto.
– Em absoluto! – exclamou estendendo-lhe a mão alva de dedos longos para levá-la ao sofá. – Fui exagerado.
– Folgo em saber. – disse rápido e, agitando as mãos distraidamente, seguiu em outra direção para não ser preciso tocá-lo.
O barão fora gentil ao negar; ela de fato remanchou em deixar a proteção do quarto. Mesmo com a decisão tomada procurou apoiar-se nas velhas bases para não fazê-lo, porém o ódio antigo não teve a mesma força e ali estava ela. Contudo impôs regras essenciais que a resguardariam naquela noite e entre elas constava não mais tocá-lo. Caminhando pelo espaçoso cômodo, devotou sua atenção às pinturas fixadas nas paredes.
– Que belo trabalho!
– De fato!... Mas há anos que não reparo. – o barão comentou sincero recolhendo a mão estendida; estava habituado a tudo naquele lugar. E no momento não era seu interesse conversar sobre quadros antigos, assim como sabia não ser o desejo dela. O comentário fora uma fuga e o nobre gostaria de saber a razão, contudo não havia como descobrir. Decidido a manter o clima ameno, ofereceu. – Acompanha-me em uma taça de xerez?
– Sim, por favor... – aquela era outra regra; não beber. Todavia um pouco de álcool talvez a livrasse da tensão.
Enquanto ele seguia para servi-la, Isabella se sentou em uma das poltronas onde não haveria espaço para companhia. Era curioso não ter qualquer criado no recinto que providenciasse o que pedissem, contudo não estranhou. A cada novo detalhe parecia claro que Edward era de fato diferente dos outros; não parecia um nobre dependente. Divergia dos outros também em seu porte, reparou. O barão tinha um ar altivo, mas não esnobe. Provavelmente a pompa que atribuiu ao nome na loja de doces tenha sido mesmo somente para impressioná-la.
Com ele a dar-lhe as costas, pôde conferir o tamanho de seus cabelos castanhos como não conseguiu na ocasião lembrada. Presos por uma tira de veludo azul marinho – da mesma cor de seu casaco – formavam um rabo de cavalo que terminava logo abaixo da nuca, chamando a atenção para os ombros largos. Quando Edward se voltou e sorriu, curvando lábios e cavanhaque, ela também notou como ele era bonito.
Talvez o rancor antigo estendido a ele pelo nome que, mesmo sem pedantismo, tão orgulhosamente ostentava não a tenha deixado ver que até mesmo os olhos claros não eram de todo comum. Eram sim como os de Rosalie; apesar de serem filhos que quem eram havia bondade nos irmãos.
– Acaso mudou de ideia?
A voz que continha humor a fez despertar para a presença já diante de si a estender-lhe a taça com o líquido âmbar ainda muito claro indicando ser jovem. Para confirmar seu pensamento sobre a bebida, ele comentou tão logo ela segurou a taça delicada.
– Espero que aprecie. Não é dos mais antigos que possuímos por essa razão agrada a quem aprecia bebidas secas, como eu. Se preferir algo doce, recomendo uma taça de licor de amêndoas e mel...
– Esta está perfeita, obrigada!
Recebeu em resposta um sorriso aprovador que estranhamente a aqueceu mais do que a bebida que sorveu num único gole. A pressa a fez engasgar e tossir. Tinha o rosto em chamas pelo breve sufocamento quando Edward se aproximou rapidamente para recolher a taça e desferir-lhe tapas leves nas costas.
– A senhorita está bem? – estava preocupado. – Não deveria ter bebido tão rápido se não está habituada. Deseja um copo com água?... Marie! – chamou em voz alta antes mesmo que pudesse lhe responder. A vergonha que a massacrava não lhe permitiu emitir qualquer som, então, mesmo sem sua opinião, o nobre demandou a criada quando esta apareceu à porta. – Providencia água para a senhorita Swan, rápido!
Até mesmo ao dar ordens ele era gentil com a criadagem, Isabella observou enquanto mirava o rosto tão próximo ao seu, transfigurado pela consternação. Ainda sem que nada dissesse ele falou.
– Não tem o costume de beber, não é mesmo? Eu deveria ter previsto. – recriminou-se. – Agora que a vejo com clareza noto o quanto é jovem. Talvez nunca tenha bebido, acertei?
Como o ar ainda arranhasse ao entrar em seus pulmões e as palavras não encontrassem o rumo de sua garganta, ela apenas moveu a cabeça negativamente; ele não estava certo. Estava acostumada a ingerir todo o tipo de bebidas alcoólicas; o que a sufocou fora o conjunto de predicados que a cada instante percebia haver nele. Era quase como se Edward fosse o príncipe que cresceu imaginando que fosse.
– Eu sabia! – ele exclamou enraivecido consigo mesmo.
Fora descuidado ao não reparar em algo quase óbvio. A jovem o confundia, mas já havia reparado que sua grosseria inicial era uma forma de defesa para proteger sua inexperiência. Odiava admitir, mas talvez Jacob estivesse certo, ela era nova demais. Quando voltou a falar foi como se desse voz ao pensamento.
– Não deveria ter lhe dado nada que contivesse álcool.
Isabella notou a confusão, porém não tentou desfazê-la. Fora mesmo um erro ter descido, deixando-se levar pela fome e a curiosidade. Ainda com o rosto a arder de vergonha e um leve constrangimento, ela se levantou levando Edward a fazer o mesmo; alarmado com sua reação.
De pé arrependeu-se por não ter previsto que o ato brusco depois de ingerir algo forte estando de estomago vazio a entonteceria. Antes que pudesse encontrar seu eixo tombou pesadamente para frente para ser amparada pelos braços velozes e fortes de seu anfitrião.
O barão a sustentou, porém não a soltou. Tê-la em seus braços o desestabilizou tanto quanto o toque em sua testa. A sensação de formigamento o acompanhou durante o banho e sua troca de roupa. Sendo sincero nem havia passado de todo, pois a presença dela teve o poder de eletrizá-lo tanto quanto atiçar sua curiosidade. E ali estava ela, com as mãos apoiadas em seu peito, os olhos pretos maximizados mirando os seus, a boca rosada entreaberta e o coração – que sentia muito nítido pela falta de um espartilho sob o vestido simples – a bater frenético quase de encontro ao seu.
Novamente lhe pareceu fácil beijá-la, contudo ainda acreditava que receberia uma sonora tapa se o fizesse. Seu ego masculino ainda não estava de todo recuperado. Para piorar ela cada vez mais lhe parecia tão jovem e inocente; seria como corromper uma menor. Ou talvez estivesse exagerando sua impressão. Alguém tão jovem não teria todas aquelas curvas que sentia prensadas a si, ou a cintura tão delgada mesmo que livre de indumentárias para acentuá-las.
Notar tais detalhes elevou uma leve excitação. Há muito já havia se passado o tempo de soltá-la, porém somente o fez quando ouviu um discreto pigarrear vindo da porta.
– A água Milord. – anunciou Marie parada à porta.
– Traga-a. – pediu fazendo com que Isabella, ainda aérea, se sentasse. Retirando o copo da bandeja de prata o estendeu a ela. – Beba, vai fazê-la se sentir melhor.
– Obrigada! – ela finalmente conseguiu exalar antes de tomar o copo com a mão muito trêmula.
No momento odiava-se pela sucessão de atos impensados que a haviam colocado nos braços do barão. Poderia passar muito bem sem saber que quis juntar seus lábios aos dele. Edward poderia ser um homem bom, tratá-la com educação e ser justo com os criados, mas sempre seria um Bradley. Depois de tomar toda a água e devolver o copo ainda com mãos incertas, pediu.
– Vossa senhoria se importaria se eu pedisse para ter um pouco de chá e um pedaço de pão ou uma fruta no quarto que tão bondosamente me ofereceu?
– Não vai jantar comigo? – ele uniu as sobrancelhas, recriminando-se mais por espantá-la. – Não se sente bem?
– Não muito... Mas preferia comer algo leve e me recolher. De toda forma amanhã parto cedo.
Edward se ressentiu com a desistência e a pressa em deixar sua casa. Contava que durante o jantar pudesse saber mais da moça de comportamento contraditório que descobrira ser capaz de despertar nele reações imediatas. Precisava mais dela, todavia não poderia forçá-la a fazer o que não desejava. Bastava tê-la sufocado com uma bebida forte.
– Sim, eu me importaria. – disse sincero. – Contudo não vou insistir que me acompanhe. Marie providenciará uma bandeja com chá de melissa, alguns biscoitos e frutas. – essa parte fora dita diretamente a criada que com um declinar de cabeça se retirou. Somente então ele se voltou para a moça e lhe estendeu a mão. – Deixe-me ao menos levá-la até o quarto. Não me perdoaria se passasse mal e de fato caísse.
– Asseguro que não será necessário. – ela mais uma vez ignorou a mão estendida e se pôs de pé com cautela para não oscilar. – Estou melhor agora e posso ir sozinha, eu...
Isabella foi interrompida pela chegada de um cachorro magro e grande que, latindo, saltou sobre ela derrubando-a de volta à poltrona.
– Nero! – Edward ralhou com o cachorro, segurando-o pela coleira para socorrer a moça visivelmente alarmada pelo ataque. O cão por sua vez imprimia uma forte resistência em ser afastado, latindo e resfolegando em direção a ela. – Perdoe-o, ele nunca fez isso antes.
– Mil perdões Milord! – pediu o criado que entrou no cômodo esbaforido com a guia na mão. – Ele estava impaciente então resolvi trazê-lo para vossa senhoria e no meio do caminho ele se agitou tanto que se soltou. Eu não sabia que recebia alguém... Eu...
– Não se preocupe. – o nobre tentou acalmá-lo. – Apenas o leve de volta ao canil, pois realmente está agitado demais... Ele só faz esse alarde quando Rosalie está na casa.
– Talvez seja isso... – Isabella conseguiu falar mesmo embargada pela emoção. – Estou com as roupas dela.
Era uma boa desculpa mesmo que não fosse verdade. Ela jamais poderia imaginar que o galgo inglês de pelos brancos, maculado apenas por algumas manchas caramelo ao redor dos olhos e orelha, ainda estivesse vivo e o pior, que a reconhecesse. Partia-lhe o coração ver a alegria em revê-la e não poder retribuir.
– É uma explicação. – o barão comentou sem entender a atitude do animal; também reparando em como ela parecia assustada, assegurou. – Não precisa ter medo. Nero não é muito simpático com estranhos, mas nunca os mordeu. Talvez ele esteja mesmo a confundindo com a antiga dona. Ele era de minha irmã Rosalie, mas ela não o levou ao se casar. Desde que voltei após concluir minha formação em Londres temos sido bons amigos então ela o passou para mim.
A explicação fora feita enquanto acariciava a cabeça do animal na tentativa de acalmá-lo. Quando este novamente latiu para a moça e resfolegou, Edward pediu a ela.
– Será que poderia estender sua mão para que ele cheire. Talvez assim se acalme.
Sem nada dizer ela o atendeu. O cachorro a cheirou e ávido por mais tentou novamente saltar sobre ela fazendo com que se rendesse.
– Pode soltá-lo. – pediu.
– Tem certeza? – para ele não parecia uma boa ideia.
– Sim, por favor...
Tão logo se viu livre o cão saltou sobre o colo da velha amiga. Saudoso fez um reboliço sobre a saia do vestido enquanto alternava ganidos e cheiradas. Engolindo suas lágrimas, Isabella sorriu e esfregou sua cabeça manchada como costumava fazer.
– Como está você meu rapaz? – e para manter o segredo, perguntou ainda. – Com saudades de sua dona?
Edward assistia a cena sem saber o que pensar. Apenas atenuara a verdade ao dizer que o galgo não era simpático; ele era pior, pois mesmo que não avançasse, rosnava e latia enfurecido para estranhos. O nobre estava admirado que o cão – tão bom farejador apesar da idade – confundisse alguém que nunca vira com sua antiga dona. Sua mente também não seria capaz de encontrar respostas ao estar muito mais focada no sorriso que surgiu nos lábios que por duas vezes quis beijar.
Era o primeiro que via e talvez fosse o último que esquecesse. Teria que recompensar Nero pelo presente. Aproveitando-se da situação, ajoelhou-se próximo à poltrona e também acariciou o pelo do animal.
– Parece que ele gosta mesmo é de você! Sinta-se lisonjeada, pois Nero é de poucos amigos. – admitiu. Então ela se voltou em sua direção e sorriu ainda mais. Notar seus olhos brilhantes, como se chorasse, abalou o barão.
– Eu me sinto! Ele é lindo!
– Sim ele é... – Edward emendou com a voz levemente alterada. Para quebrar a sensação estranha, contou. – Ele é lindo e sortudo. Contaram-me que quando chegou era bem pequeno. Alice, minha irmã caçula, não gosta muito de dividir atenção com outras pessoas imagine com um cãozinho. Logo no primeiro dia dele aqui no palácio, quando Rosalie e uma amiguinha, filha de uma das criadas, brincavam com ele, a pequena ciumenta o tomou e jogou na lareira.
Ao notar que Isabella prendeu a respiração, possivelmente horrorizada, atenuou.
– Não se assuste. Está vendo que ele ficou bem. Apenas queimou a pata traseira, veja.
Isabella não precisava ver a marca na pata que ele segurava. Lembrava-se bem daquele dia. Rosalie ficou em choque. Não fosse o fogo estar no início e ela própria prontamente empurrar a megerinha para socorrê-lo Nero não existiria. Aquela era a razão do nome; um gracejo mórbido do barão pai que acabou vingando.
– Estou vendo! – comentou seca com a recordação; o cão também quieto como se compartilhasse de seus pensamentos.
– Coisas de crianças... – Edward contemporizou.
– Acredito que sim... – ela murmurou acariciando a cabeça do cachorro que no momento somente a olhava, espalhado em seu colo. Logo sentiu um ferimento entre os pelos. – E isso? O que foi?
– Ah! – seu anfitrião exclamou e sorriu. – Ele corre para o bosque e sempre volta com essas lembranças... Deve brigar com algum guaxinim mais arisco.
– Bem típico! – ela novamente sorriu nostálgica.
– Como disse? – por um instante pareceu que ela conhecia bem os hábitos do velho cão.
– Eu disse que é típico de criaturas estranhas brigarem entre si. – Isabella consertou seu ato falho; esperava que o barão acreditasse. Pareceu que sim, pois ele lhe abriu um sorriso ao comentar.
– É verdade. Mas muitas vezes essas criaturas terminam por se tornarem bons amigos depois que se conhecem. – ele teve que aproveitar a analogia para enviar seu recado. Contudo recebeu de volta o mesmo olhar da loja de doces antes que ela dissesse.
– E muitas vezes tornam-se inimigos para sempre.
Sem aviso ela segurou o cachorro e se levantou para colocá-lo no chão. Com ele a pular a sua volta, anunciou.
– É hora de me retirar. Ficarei esperando o chá no quarto.
– Tem certeza de que não prefere jantar? – novamente ela o confundia, mas não queria que se fosse.
– Sim... Como lhe disse terei que partir cedo. – então olhando o cachorro que a mirava com olhos compridos, pediu. – Posso levá-lo comigo?
– Ele não costuma acompanhar ninguém. – falou em tom de escusa.
Subitamente desejou dar aquela alegria a sua hóspede. Então imaginou se ela também não possuísse um cãozinho em sua casa. Consequentemente pensou em seus pais que deveriam estar preocupados. Considerou-se um tanto egoísta e canalha por desejar levá-la para sua cama e se sentir rejeitado ao perder a chance quando a moça somente pensava naqueles que estariam a sua espera. Baseado em seus pensamentos, falou.
– Eu a entendo. Sua família deve estar ansiosa por sua volta. Descanse que amanhã bem cedo providencio para que a levem aonde desejar.
– Obrigada pela atenção! – respondeu sabendo que ele nem mesmo a veria sair. Seguindo em direção a porta se despediu. – Boa noite Lord Masen, tenha um excelente jantar.
– Terei. – ele retrucou, não acreditando na própria palavra. Sentia uma estranha sensação de vazio ao vê-la parada a porta. – Durma bem!
– Dormirei. – ela também duvidava. Olhando para o cachorro que permaneceu no lugar, chamou. – Você Nero, vem ou fica?
Em resposta o galgo trotou em sua direção abanando a calda, muito satisfeito.
– Veja só! – ela não se furtou a uma leve provocação. – Ele veio.
ATÉ A PRÓXIMA SEMANA!
Notas finais
Bjus e tenham um lindo final de semana!...
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