Borboleta Negra

66 Capítulo Trinta e Quatro - Parte II


Notas iniciais
Oie... boa tarde. Meninas, me desculpem... Como sabem, agora meu sobrenome é correria e o apelido, atrapalhada. Foi péssimo deixá-las tanto tempo sem atualização, mas vou me redimir agora. Só não vou comentar a cada início, nem final senão me enrolo mais... ´Nos próximos capítulos, sintam-se cumprimentadas e agradecidas pelos comentários, pelas indicações.... Vcs são 10 com essa autora aqui... Amo vcs! Agora, bora ler... o/ BOA LEITURA

Angela não tardou a chegar. Veio na companhia de Ben Richardson, o velho médico que as socorria sempre que preciso; antigo cliente da meretriz. As moças o receberam com ansiedade, cada uma rogando que salvasse a vida do bom amigo.

– Tenham calma, meninas – pediu plácido, como de costume. – Ang adiantou o ocorrido. Como tem passado Amber?

– Aflita por meu amigo – disse ao aceitar a mão estendida, sentindo nascer uma nova consternação, antes mesmo que o senhor levasse o pincenê aos olhos para analisar o moreno às suas costas.

Era evidente que o criado pessoal do barão, seu pajem desde sempre, seria reconhecido facilmente.

E este não era todo o problema e, sim, recordar que o médico a conhecia. Viam-se com tanta regularidade e naturalidade, que para ela o senhor era como as moças da casa, ou Sam. Nunca o considerou perigoso.

Ben Richardson nunca a tratou com nada menos do que distinção, mas tudo poderia mudar quando soubesse que uma meretriz ascenderia ao posto de baronesa.

– Eu conheço este homem, não? – perguntou o Dr. Richardson e na sequência, respondeu a si mesmo. – Ele é um dos criados de Lord Edward.

– Jacob Black, doutor – apresentou-se. – Ao seu dispor. Antes que viesse cuidei de Sam como pude. Se agora fosse o senhor a atendê-lo, creio que as damas ficariam mais tranquilas.

O burburinho e risos contidos que se seguiram à colocação de Jacob não ajudou a aplacar o crescente nervosismo de Isabella. Mesmo que não fosse Sam o ferido, ela não poderia deixar que a curiosidade do médico se sobrepusesse ao real motivo de estar naquela casa.

– Isso! – ela exclamou, ocultando sua inquietação. – Vá vê-lo, por favor.

– Sim, sim... – anuiu o médico. – Onde está Sam.

– No meu quarto – Angela lhe indicou o alto da escada.

Isabella deixou que se fossem, então voltou ao quarto para finalizar a arrumação de sua bagagem. Levou Jacob para ajudá-la, livrando-o do constrangimento quase certo pelo qual passaria ao ficar só com as “damas”.

– Mamãe – Embry correu até ela –, como está Sam?

– Apenas dormindo, meu querido.

– Mas ele vai acordar? – insistiu. – Susan e Jessica me deixaram aqui porque estavam muito preocupadas.

– Sem razão – assegurou Jacob, conduzindo o menino pelo ombro até sentá-lo no pequeno sofá. – Eu mesmo cuidei de Sam e digo ao senhor que ele ficará completamente recuperado.

– Você tratou dele?! – Embry indagou admirado.

– Claro que sim! – Jacob confirmou. – Mas não se impressione. Não fiz nada demais. Afinal, o que é um arranhão no peito e um tremendo galo da cabeça?

Após a pergunta, Isabella sorriu agradecida. Não saberia acalmar a criança como ele fazia. Logo, enquanto ela acomodava os últimos vestidos no baú, os dois riam do som que Jacob fazia, reproduzindo um gritinho choroso e afeminado ao imitar caricatamente a reação do homem cuja mão foi atingida por seu disparo.

Para a mente fantasiosa de Embry, as cenas que assistiu revistas daquela maneira minimizada, ridicularizada até, perderiam o impacto chocante da realidade. Nas palavras de Jacob o tiro na mão não passou de um leve machucado e o homem morto, estava apenas fingindo para não levar um coça do patrão.

– Então não vá ficar pensando sobre o que aconteceu – Jacob pediu por fim, ainda sorrindo.

– Não vou – Embry garantiu, porém voltou à seriedade, torceu os lábios e olhou para a mãe brevemente, antes de acrescentar: – Não gostei de tocar a pistola daquele senhor. E tive medo quando todos atiraram, mas já que foi tudo como disse...

– Foi como Jacob disse meu querido, então, esqueça! – Isabella se abaixou diante do menino. – Lembrasse que não devemos entristecer a vovó?

– Sim! Vovó ficaria assombrada como suas amigas. Somente meu pai saberá.

Quanto a isso, Isabella não tinha dúvidas. Sem mais acréscimos, retirou-se da conversa e voltou à arrumação do baú. Ao recolher seus pertences dispostos sobre a penteadeira, uma nova inquietação a distraiu do ocorrido.

Por alguns instantes Isabella rolou a máscara negra entre os dedos, indecisa quanto a levá-la ou não. Sob ela se escondeu enquanto servia aos senhores e depois, quando apenas lhes proporcionava distante diversão.

Já havia reconhecido ter tido bons momentos sendo a dona daquele lugar, então não deveria guardar mágoas e repassá-las para um simples objeto. Assim sendo, acomodou-o na maleta, decidida também a resgatar do armário outro item que havia deixado para trás.

Isabella fechava o último baú quando Angela bateu à porta e entrou em seguida.

– Ben já se foi – referiu-se ao médico com intimidade. – Ele deixou algumas recomendações e elogiou seu trabalho, Jacob. Elogiou também sua presença de espírito, pois poucos teriam a mesma iniciativa.

– Sam precisava de ajuda – não demonstrou qualquer orgulho. – E sei o quanto ele é importante para a senhorita Swan. Era meu dever ajudá-lo.

– Sim, sim... – Angela anuiu quase às lágrimas. – Se não estivesse aqui, nem sei o que teria acontecido.

– Não pense nisso – ele demandou, colocando-se de pé. – Senhorita, se já terminou, eu rogo para que partamos o quanto antes. Nossa visita já se estendeu além do esperado.

– Sim – Isabella apontou os baús. – Isso é tudo.

– Então, se me dão licença, começarei a levar sua bagagem para o coche.

Sem esperar que Isabella o respondesse, Jacob pegou um dos baús, como pouco pesasse e deixou o quarto.

– Posso ir com Jacob, mamãe? – Embry pediu depois de deixar o sofá e pegar a maleta. – Quero ajudar.

Isabella cogitou negar, porém Angela reiterou o pedido, chorosa.

– Deixe que ele ajude... Quero mesmo falar com você em particular.

– Está bem... – ela aquiesceu, mas não livre de preocupação, mesmo sabendo que Laurent dificilmente voltasse.

Embry não esperou nova liberação. Sorrindo contente, como se nada tivesse acontecido, deixou o quarto já a chamar por Jacob.

– Amber... – Angela começou tão logo ficaram sós. Desconcertada, se calou e se corrigiu antes de prosseguir. – Isabella. Eu lhe devo um pedido de desculpas. E entenderei caso queria voltar atrás em sua decisão.

– Pedir desculpas? – Isabella não entendia. – Pelo quê?

– Por Kate...

– Por Kate?!

– Sim. – Angela torcia os dedos e mantinha os olhos baixos. – Eu deveria ter alertado você sobre ela. Para ser sincera, eu sempre soube que Kate era quem vinha aprontando.

– Angela?! – Isabella custava a acreditar. – Como pôde?

– Não tenha raiva de mim – pediu a meretriz, encarando-a suplicante. – Eu não podia delatá-la. Kate e eu começamos esse negócio. Quando meu pai morreu, deixando-me na miséria, ela, que era uma das criadas da casa me deu a ideia de vendermos nossos corpos. A princípio eu odiei, mas depois que os primeiros clientes vieram, amigos de meu pai na maioria, eu passei a não ligar.

– Já conheço essa história – Isabella comentou secamente, magoada. – Sei que passou a gostar até. Já me contou essa história. Sempre esperou que o mesmo acontecesse comigo, mas isso não vem ao caso. Volte a explicar porque me traiu.

– Eu não traí – defendeu-se. – Somente omiti pela lealdade que tinha a Kate. Ela foi a única que não me deixou. Quando desconfiei que fosse ela quem repassava seus passos para Laurent, chamei-a e a adverti para que parasse. Ela me prometeu que nunca mais o faria.

– Isso antes ou depois de deixar que Laurent entrasse neste quarto?

– Antes... – Angela revelou, encolhendo os ombros. – Eu briguei com ela, ameacei expulsá-la.

– Deixe-me adivinhar... – a moça pediu em zombaria. – Ela prometeu que não faria e você acreditou.

– Acreditei! – Angela se exaltou. – Acreditei, porque a entendo.

– Como a entende? – Isabella se afastou até estar junto à janela. Precisava de ar. – O que eu posso ter feito para merecer tanto ódio? E não venha defendê-la dizendo que não é nada disso.

– Não existe defesa, e mesmo eu houvesse uma, eu não a faria. Quero somente dizer a verdade. Espere! – Angela pediu, erguendo a mão para que Isabella nada dissesse. – Deixe-me contar antes que Jacob volte com Embry. Talvez haja ódio, eu não sei... Tenho certeza apenas do ciúme. Um que Kate tem sufocado por todos esses anos.

– Ciúme?! – Isabella se aproximou estupefata. – Ciúme de quem, por Deus? De nossa amizade?

– Também. Um pouco... Mas o maior ressentimento é da atenção que sir Carlisle lhe dispensa.

– Carlisle?!

– Exatamente. Nosso bom amigo era cliente de Kate – revelou. – Ela o ama. Nega, mas eu sei que sempre amou. Ele não correspondia, é evidente.

Isabella jamais poderia imaginar, nem mesmo sabia o que pensar.

– Nunca soubemos por que, mas depois que a trouxe para cá, ele encerrou suas visitas a Kate. Sir Carlisle vinha mesmo somente para saber de você. Como se não bastasse, apaixonou-se.

Aquele detalhe era conhecido, ainda assim Isabella se sentia atordoada.

Sir Carlisle foi insensível, descuidado... Não sei. Só sei que ele não deveria ter revelado seus sentimentos justamente para Kate. Para alguém que já se ressentia por ter sido deixada, imagine quão partido ficou seu coração após a confirmação vinda dos lábios do homem amado?

– Acho que posso imaginar... – Isabella murmurou. Para ela seria insuportável ouvir de Edward que amava outra.

– Para piorar, Kate descobriu que sir Carlisle mantém uma amante que se equipara a você em idade e aparência.

– O quê?! – Com o espanto a moça recuou alguns passos até cair sentada. – O que isso significa?

– Sinceramente, eu penso que não significa nada. Que tudo não passe de coincidência, mas para Kate, esta é a maneira de sir Carlisle estar com “você”.

– Não!

A negativa veio num grito enquanto a mente de Isabella trabalhava em aflitiva velocidade, repassando momentos entre ela e o banqueiro: com cumplicidade, carinho, liberdade. No quarto do hotel em Westking, nas viagens até Londres. Até mesmo a última tentativa desesperada dela ao beijá-lo e sendo prontamente repreendida.

– Isso é um absurdo! – acrescentou veemente. – Entendo o que moveu Kate, talvez um dia eu seja capaz de perdoá-la, mas insinuar que...

– Que sir Carlisle a ama é um fato – Angela observou, recuperada da comoção inicial –, mas é como eu disse. Acredito que seja mesmo coincidência.

As vozes de Jacob e Embry calaram-nas. Ao entrar Jacob olhou de uma a outra, porém nada comentou. Apenas pegou outro baú, depois de entregar duas pequenas caixas com chapéus ao menino.

– Veja mamãe! – Embry a chamou, feliz. – Estou ajudando!

– Estou vendo, meu querido.

Isabella esboçou um sorriso e o manteve até que os dois novamente deixassem o quarto.

– Carlisle tem por mim nada mais do que amizade – assegurou aborrecida.

– Não cabe a mim a tarefa de julgar os sentimentos de sir Carlisle, querida. Interessa-me apenas que você entenda porque Kate fez o que fez. Tenho certeza de que ela nunca quis fazer mal ao menino.

– Certo! Certo! – Isabella exclamou impaciente. – O que deseja? Que eu a perdoe? Talvez um dia, não hoje quando Sam está ferido em seu quarto.

– Seja melhor do que ela – Angela pediu. – Está deixando essa vida. Começará uma nova e nós seremos apenas parte de seu passado. Um cuja necessidade de esquecimento se fará necessária. Tanto sabe que não poderá nos convidar para seu casamento. Não era o que me dizia antes de sermos interrompidas?

Isabella assentiu silenciosamente.

– Então, caso me desculpe e mantenha sua decisão quanto à doação, permita que eu receba Kate de volta, se ela retornar – Angela não desistiria.

Isabella cogitou negar, contudo, ainda reconhecia a verdade nas palavras da meretriz. Parte daquele passado seria deixada para trás. Até mesmo os problemas.

– Não diga bobagens! – pediu seriamente. – Em breve tratarei dos assuntos jurídicos com Carlisle e tudo será acertado. Assim sendo, não mais serei a responsável por quaisquer decisões acerca de quem entra, fica ou vai embora do Jardim.

– Obrigada! – Angela se adiantou e a abraçou. – Não esperava menos de você!

– Muito bem! – Isabella se desprendeu do abraço. Não guardaria mágoas, mas ainda era cedo para se sentir completamente confortável como antes. – Logo Jacob terminará de acomodar toda minha bagagem. É melhor descermos para que eu me despeça das meninas e de Brenda.

Angela travou os lábios, demonstrando estar novamente embargada. Isabella entendeu ser pela despedida definitiva, contudo não a acompanhou na comoção. Tudo o que se deu no Jardim nas últimas horas apenas incutiu nela o desejo de partir o quanto antes.

O verdadeiro abalo viria depois que Jacob contasse ao barão de Westking o que se passou.

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– Creio não ter entendido! – Edward estacou a saída da estação, obrigando seu criado a fazer o mesmo. Depois de retirar o chapéu e correr a mão enluvada pelos cabelos, indagou: – Disse que levou Isabella e “Embry” àquele lugar?

– Foi exatamente o que eu disse sir – Jacob confirmou inabalável, antes de retomar o caminho até a carruagem.

O barão bufou exasperado e, depois de acenar nervosamente para um casal que o cumprimentou, acelerou o passo até estar junto ao criado.

– Como pode ser? Eu disse a Isabella que fosse sozinha – observou.

– Bem, esse detalhe Vossa Senhoria resolva depois com vossa noiva. De minha parte nada pude fazer para demovê-la. Bem sabe que não tenho autoridade para tanto. Aconselhei-a, vossa mãe igualmente o fez, mas a senhorita estava decidida.

O barão custava a crer, mas sabia que seu criado não era dado a invencionices. Tampouco conseguia entender o que teria se passado com sua noiva para desobedecê-lo daquela forma arbitrária.

– E há mais...

– O que mais pode haver? – impacientou-se.

– Hunt apareceu no casarão e a situação fugiu ao nosso controle – contou ao abrir a porta da carruagem.

– O quê?! – rosnou o barão, fechando a porta do veículo com violência. – Não aborde o tema como se comentasse o tempo. O que fugiu ao controle?

– Bem... – Jacob retirou o próprio chapéu e passou a rolá-lo em suas mãos. – Hunt chegou pelos fundos da casa, acompanhado por dois homens. Evidente que não os vi, mas fui chamado por uma das... moças. Ela contou aos atropelos que sir Laurent ameaçava o menino, recusando-se a entregá-lo para Sam.

– Eu o mato! – Edward vociferou, cerrando os punhos, amassando a aba do chapéu inconscientemente.

– Acalme-se... Depois pude constatar que não era exatamente como ela contou.

– O cretino não o ameaçou? Então o que fugiu ao controle?

– Bem... Todos estavam exaltados, armados, mas não ameaçavam ninguém.

Sustentando o olhar aborrecido do patrão, Jacob contou tudo o que se passou desde o primeiro disparo desferido, o confisco das armas, até a retirada abrupta do fazendeiro.

– Isabella recebeu aquele estafermo? – Edward ciciou intimista, raivoso. – Acreditou em suas mentiras?

– Sobre recebê-lo, sou testemunha de que ela hesitou, mas terminou sem escolha... Quanto a acreditar no que disse aquele senhor, não saberia dizer.

– E Embry? – O barão se sentia incapaz de pensar, atordoado ante a imagem de Laurent e Isabella num mesmo aposento.

– Ele é um menino inocente. Fiz parecer que tudo não passou de aventura. Até mesmo ressuscitei o morto.

– Obrigado por isso... E Isabella?

– Sei que teme vossa reação. Certamente a senhorita Swan jamais poderia prever que tal situação ocorresse. Não creio que deva culpá-la.

– O que devo ou não fazer é comigo – Edward retrucou secamente, antes de ele mesmo abrir a porta da carruagem. – Vamos para Apple White.

Sir Edward, a senhorita...

– Leve-me para casa, Jacob!

– Como queira... – Jacob anuiu ao recolocar o chapéu. – Caso Vossa Senhoria queira cancelar o jantar. Leah...

– Deixe tudo como está. Na hora marcada chegaremos à sua casa – determinou. A decepção não permitia que pensasse com clareza, contudo era agradecido. – E Jacob... Obrigado. Sua eficiência nunca me decepciona.

Jacob maneou a cabeça e se apressou para que pudessem partir.

Edward não reparou o caminho, absorto em sua contrariedade. Jamais poderia supor que o mau pressentimento, presente desde a noite anterior, fosse provocado pela iminente desobediência de sua noiva. Quanto faltou para acontecer o pior?

Muito pouco visto que durante um pedido de paz, um homem terminou morto. Prova irrefutável das péssimas intenções de Laurent Hunt. No entanto, dele tudo é esperado, pensou, mas de Isabella? O que mais poderia esperar?

Ao cruzar as portas de sua casa e ser recebido pela mãe, o barão ainda não tinha as respostas.

– Edward! Graças ao bom Deus está em casa! Precisamos conversar.

– Mamãe! – cumprimentou-a com um inclinar de cabeça, e não se deteve. – Se me der licença, estou exausto. Desejo descansar até o jantar. Creio que a Sra. Newton lhe avisou que...

– Que vai jantar na casa de seu criado juntamente com sua “noiva”? Sim, estou ciente – interrompeu-o, seguindo-o. – Enfim uma mesa digna de recebê-la.

– Se isto era tudo – comentou impaciente, sem parar.

– Não, não era tudo – Lady Elizabeth segurou-o pelo braço. – Jacob já lhe contou o que se deu em sua ausência, não? A mocinha simplesmente não me ouviu. Implorei que deixasse o menino, em vão. E eu sei que algo aconteceu. Todos voltaram estranhos, silenciosos. Meu neto se recusa a me dizer o que há. Tenho certeza de que ela o envenenou contra mim... Você precisa tomar uma providência!

– Falarei com Isabella – Edward tentou tranquilizá-la.

– Falar talvez não baste. Nunca lhe ocorreu que alguém tão diferente de nós pode nunca vir a se adaptar à hierarquia? Hoje ela toma decisões que não o envolvem, amanhã só Deus sabe o que virá!

– Mamãe... – quis interrompê-la; seus pensamentos, verbalizados por outrem, atordoavam-no mais.

– E se um dia sua noiva sair, levando Embry, e simplesmente não voltar como já fez um dia? Eu não suportarei!

– Não acontecerá...

– Ela não é uma de nós, querido. Custa-lhe entender? É demasiadamente jovem, impetuosa... Provavelmente vivia livre, sem regras... Ela...

– Lady Elizabeth! – calou-a num baixo sibilar. – Deixe de exageros. Isabella é a mãe. Hoje ela estava incumbida de buscar seus pertences na antiga casa, então não havia razão para que não levasse o menino. Se algo aconteceu, cedo ou tarde saberemos. Quanto a “envenená-la”, duvido que o faça. Caso perca o afeto de Embry, será por mérito exclusivamente vosso.

– Edward?! – exclamou chocada. – Agora este tom será constante?

– Perdoe-me – pediu sincero. Num gesto rápido, tomou as mãos da mãe e as beijou ternamente, confundindo-a. – Estou cansado da viagem insatisfatória, e ainda há esses novos problemas domésticos... Sei que me alerta por desejar o melhor, mas, deve ter reparado que não sou mais um menino.

– Oh, meu querido! – Lady Elizabeth murmurou comovida. – Perdoe meu zelo excessivo, mas, caso pudesse, eu o livraria de todas as consternações eternamente.

– Está bem! – sorriu-lhe condescendente e voltou a beijar os dedos da mãe, antes de soltar-lhe as mãos. Entendia a defesa, mas era adulto e senhor de suas decisões. – Se me der licença, devo subir – pediu, indicando ter encerrado o assunto.

– Irá ver seu filho? Embry não fez nada além de perguntar quando voltaria.

– É o que pretendo – disse já a deixá-la. – Em particular – acrescentou ao notar que seria seguido.

Lady Elizabeth imediatamente estacou, deixando que o filho seguisse sozinho.

Edward acessou o segundo andar e marchou decidido até o quarto do menino. Antes de entrar, deteve-se a olhar a porta fechada do quarto de sua noiva. A decepção sentida e as dúvidas que se instalaram em sua mente não o animavam a vê-la.

Com um bufar resignado, o barão finalmente entrou no cômodo da criança imediatamente após uma única batida. Amy se pôs de pé e o cumprimentou reverente.

– Deixe-nos – ele ordenou, fitando o menino que igualmente se levantou do sofá, deixando de lado um dos tantos livros que apreciava, mesmo que não os lesse.

– Finalmente chegou, senhor! – exclamou contente.

O sorriso genuíno corroborou com as palavras de Jacob; Embry não parecia abalado com o momento vivenciado.

– Nem bem cheguei, fiz questão de vir vê-lo – comentou o barão, retribuindo o sorriso. – Soube que perguntou por mim.

– Perguntei, sim, senhor. Queria contar-lhe do passeio que fiz esta manhã com minha mãe – confirmou. – Posso me sentar?

– Devemos – o barão indicou o sofá. Depois de afastar o livro, sentou-se ao lado no menino. – Então, hoje se divertiu num passeio?

– Sim, mas não todo o tempo. O senhor sabe o que aconteceu na casa da tia Angela? – o menino se antecipou. – Mamãe disse que Jacob lhe contaria.

– Ele contou e devo lhe dizer que elogiou sua coragem.

– Jacob me elogiou?! – Embry arregalou os olhos. – O que ele disse?

– Que você não se assustou em tempo algum e que não chorou quando Sam foi ferido.

– Sabe que não posso chorar senhor – disse a empinar o peito –, sou homem!

– Eu sei! E eu estou muito orgulhoso. E já que não teve medo, nem chorou... E estou aqui, gostaria de saber o que aconteceu.

– Vou contar, mas tem que prometer que não vai falar nada para a vovó. Ela ficaria assustada, porque mulheres se assustam por qualquer coisa.

– Tem minha palavra – Edward prometeu.

– Bem... – Embry começou. – Eu estava no salão da tia Angela, conversando com as amigas da mamãe e com Sam...

– Sua mãe não estava com vocês? – Edward indagou de cenho franzido.

– Ela tinha ido com a tia Angela até o andar de cima. As amigas da mamãe faziam muitas perguntas, mas Sam não me deixou responder a todas. Ficava dizendo que não era da conta delas.

– Provavelmente Sam tinha razão – comentou Edward, intimista. No que Isabella estaria pensando ao deixar um inocente junto a meretrizes estridentes e curiosas?

– Eve disse que eu era parecido com o senhor, então eu contei que sou seu filho.

– E o que ela achou disto? – desnecessário perguntar, pois poderia imaginar.

– Eu não entendi, porque todas começaram a falar ao mesmo tempo e então Sam brigou com elas. Foi engraçado!

Edward lamentou não poder rir com o menino.

– O que mais aconteceu? Conte-me quando você viu o homem que feriu Sam?

– Uma das amigas da tia Angela, não me lembro do nome dela, chamou-me para ver um coelho. Eu disse que tinha visto coelhos enquanto estava indo para lá e ela disse que no quintal tinha um que sempre ia pedir comida.

Embry se calou um instante e desviou os olhos, receoso, antes de voltar a falar.

– Mas não tinha coelho. Quem estava no quintal era o homem mau que machucou mamãe da outra vez... Ele sorriu para mim, mas mesmo assim não gosto dele.

Não era o único, Edward pensou, controlando-se para não deixar transparecer sua raiva.

– O que esse homem lhe disse? Ele em algum momento o ameaçou?

– Não, senhor! Ele bagunçou meus cabelos e disse que queria ser meu amigo. Para provar, mostrou-me sua arma e mandou que eu a pegasse.

Edward suspendeu a respiração. Descobriu haver novos níveis para o desprezo que nutria por Laurent Hunt, assim como sentia crescer a mágoa provocada por Isabella. Como poderia perdoá-la ao saber em detalhes o perigo ao qual os expôs?

– E você o obedeceu? – perguntou roucamente.

Embry assentiu antes de revelar:

– Mas não gostei... E então Sam chegou, mas o senhor não se importou. E depois mamãe apareceu e...

– E daí em diante eu sei como foi – Edward o cortou; não faria o filho repetir tudo o que Jacob já havia revelado. Logo, forçou-se a sorrir. – Que aventura, não? Pena que Sam tenha se machucado, mas tenho certeza de que logo estará recuperado.

– Também tenho, afinal, Jacob cuidou dele.

– Então é certo! – Edward se pôs de pé abruptamente, simulando animação. – E fez bem em me pedir para não contar nada à sua avó. Lady Elizabeth ficaria assombrada sem razão.

– Tenha cuidado para não se esquecer – recomendou Embry, preocupado.

– Terei – comprometeu-se. – Agora preciso ir até meu quarto, pois Jacob me espera. Receio que não nos veremos novamente por hoje, então, tenha uma boa noite.

– O mesmo para o senhor, papai.

Edward desferiu dois tapinhas amistosos na cabeça do menino, odiando agora saber que Laurent o tocou da mesma forma.

Ao deixar o quarto, o segundo barão de Westking já havia decidido o que fazer: a primeira providência seria dar uma tarefa a Marie, a segunda, encarregar Jacob de promover um encontro. E que Deus abrandasse a raiva instalada em seu espírito, rogou.

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Isabella perdeu a conta das vezes que circulou por seu quarto. Já havia ajudado Marie a acomodar os vestidos que trouxe do Jardim, banhou-se e estava pronta para o jantar na casa dos Blacks sem que tivesse sido procurada por Edward.

Todo o contato se deu por meio de recado verbal, repassado pela condoída governanta, avisando que o barão esperaria por ela na saleta às 18h00.

A objetividade despertou em Isabella o desejo de conferir se Embry fora visitado e sabatinado, mas simplesmente não teve coragem. Era covarde, sabia, mas tinha receio em encontrar seu noivo e aborrecê-lo mais do que certamente estaria.

Somado ao relato de Jacob havia o de Lady Elizabeth que provavelmente não poupou reclamações, como não economizou protestos aos vê-la de volta, horas depois de ter levado Embry.

Duas batidas contra a porta sobressaltaram-na, fazendo com que estacasse.

– Isabella... – era Marie – Vim avisá-la que o horário de seu encontro se aproxima. Se você deseja descer antes de Lord Edward, este é o momento.

– Vou descer tão logo me despeça de Embry.

Isabella se apressou em vestir a capa e seguiu até a porta. Marie esperou que a moça deixasse o quarto para segui-la. Encontraram o menino a brincar com Nero. Isabella agradecia intimamente por ele não ter se impressionado com o episódio.

Como imaginou, Edward esteve com o filho para saber “dele” como tudo se passou. Controlando os tremores de seu corpo, esboçou um sorriso, novamente explicou a Embry o porquê de não levá-lo até a casa de Jacob e renovou a promessa de fazê-lo à primeira oportunidade. Depois de beijar-lhe a testa e afagar a cabeça do galgo, Isabella se juntou à governanta.

O silêncio lhes fez companhia até que estivessem aos pés da escada.

– Tenha uma boa noite, Isabella.

– Obrigada! Até amanhã, Marie.

Ao separarem-se, Isabella marchou resignada até a saleta, decidida a esquentar seus dedos enregelados no calor da lareira até que Edward viesse encontrá-la. E que Deus a ajudasse então! Sobressaltou-se ao depara-se com o barão já a esperá-la.

O choque a fez calar seu assombro e a enregelou completamente.

– Boa... Boa noite!

Não obteve resposta para seu cumprimento temeroso, somente foi medida de alto a baixo. O rosto impassível do noivo não expunha o que se passava em sua mente ou em seu coração. Com as roupas cobertas pelo longo casaco preto, ele parecia ainda maior; ameaçador.

– Edward – melhor seria imediatamente rogar por perdão –, eu sei que não há desculpa para...

– Somos esperados – calou-a –, então não devemos nos atrasar. – Edward se adiantou até ela e lhe ofereceu o braço. – Vamos!

Isabella não se iludiu. A rigidez com que Edward mantinha o dorso erguido e os olhos fitos à frente indicavam que a deferência era somente o exercício do conhecido cavalheirismo, nada mais.

Quisera poder voltar no tempo para se revestir da senhora determinada para negar o passeio ao filho. Entretanto, não desfaria seu mal feito, restando suportar a caminhada tensa até a casa dos Blacks.

Isabella falhou completamente em resignar-se. Para quebrar o silêncio, valeu-se de um assunto adverso.

– Como Lady Elizabeth recebeu a notícia de que jantaríamos na casa de Jacob?

– Ótimo tema para animar o almoço – respondeu secamente. – Não a privarei de perguntar diretamente a ela amanhã.

O que esperava? Isabella considerou insistir, provocando-o até que explodisse de vez, porém achou por bem se calar, conformando-se com os ecos de seus passos para sonorizar a caminhada.

– Recomendei a Jacob que não comente o que se passou – Edward disse a poucos metros de chegarem à casa do amigo. – Espero que tome o mesmo cuidado. Não há razão para assustar Leah.

– Edward, eu...

– Apenas não comente – reiterou duramente, conduzindo-a até a porta.

Após dois toques, Jacob os recebeu, afastando-se para lhes dar passagem.

Sir. Senhorita. Boa noite! Deem-me seus casacos – pediu prestativo, dirigindo o conhecido olhar de pesar para Isabella.

Milord! – exclamou Leah, vinda da cozinha. – É um honra recebê-lo em nossa casa juntamente com vossa noiva. – Depois de inclinar-se respeitosamente para o barão, sorriu e cumprimentou a moça: – Senhorita, boa noite. Seja novamente bem-vinda!

– Boa noite, Leah! – Isabella lhe sorriu de volta, sinceramente contente em rever a cozinheira.

– Espero não estar lhe dando trabalho extra – comentou o barão. – Disse a Jacob que seria apenas um jantar entre amigos.

– Meu marido repassou o recado, milord... – a morena respondeu de olhos baixos. – Já conheço vossos gostos, então nada me seria trabalhoso preparar.

– Fiquem a vontade enquanto minha esposa termina o jantar – Jacob lhes indicou o sofá.

– Eu gostaria de acompanhar Leah – Isabella disse ao barão. – Se me der licença.

– Fique à vontade!

Após a liberação, Isabella se forçou a sorrir para a cozinheira e a seguiu. Uma vez na cozinha, Leah a olhou sem reservas e sorriu abertamente.

– Estou realmente contente com seu regresso – declarou.

– Também estou em reencontrá-la – assegurou Isabella, correndo os olhos em volta; levemente embaraçada. – Peço que me perdoe por ter partido sem despedidas.

– Não se desculpe... Entendo que a vida às vezes nos obriga a fazer o que nem sempre desejamos. O importante é que tudo tenha voltado a ser como antes.

– Como antes – Isabella murmurou intimista.

– Bem – Leah começou em tom sigiloso –, não inteiramente como antes, afinal, agora, Lady Elizabeth está de volta. E já nos fez saber que não está nada satisfeita com esse noivado.

– Posso imaginar.

Provavelmente até as pedras do calçamento em Westking soubesse de tamanho dissabor, Isabella pensou.

– Escute – a cozinheira se aproximou, baixando mais o tom. – Perdoe minha indiscrição, mas... Por que nunca me disse que tinha um filho de Lord Edward?

Isabella escrutinou os olhos castanhos, antes de suspirar e contar a versão ensaiada.

Leah ouvia em silêncio, atenta. Ao final da narrativa disse apenas.

– Fico contente que tudo esteja esclarecido. E que agora haja uma criança, linda e educada, que trará muita alegria para todos nós. Ainda não o conheço, mas todas as criadas que já estiveram com ele rasgam-se em elogios.

– Irei apresentá-los – prometeu.

A conversa amena que se seguiu quase a fez esquecer o descontentamento que causou ao barão. Sim, quase, pois ao se acomodarem à mesa, Edward deixou claro que tão cedo não a perdoaria.

Não foi grosseiro, porém a frieza distante com que a tratava, não passou despercebida nem mesmo a Leah que, assim como o marido, vez ou outra lançou à moça olhares de consternado pesar.

A conversa girou em torno do clima invernal, da nova safra de maçãs e do término da temporada de caça à raposa vermelha; antigo evento anual que ainda não agradava o barão; Isabella descobriu pelo repúdio contido nos comentários.

Ela própria abominava a prática e, mesmo não tendo contato direto com as caçadas, agora distante definitivamente dos orgulhosos caçadores que se vangloriavam no Jardim, igualmente bendizia o término das mesmas.

– Soube que há em Londres aqueles que se mostram descontentes com tais práticas – comentou após bebericar o vinho servido por Jacob. – Acredito que antes do que possamos imaginar, chegará o dia em que surgirá uma lei que a proíba.

– Por mim, será uma lei muito bem recebida – disse Leah, solidária, ao ficar claro que Edward nada diria. – As pobres raposas não merecem ser abatidas e devoradas pelos cães. Parece-me injusto.

– Há injustiças maiores, acredite! – retrucou Edward, intimista. Olhando sua própria taça antes de beber um gole de vinho.

Jacob relanceou o olhar ao patrão e então para a moça, antes de mover a cabeça negativamente para a esposa, indicando que nada dissesse.

Isabella tomou o mudo conselho para si. Com isso, o jantar chegou ao seu final sem que outros assuntos fossem abordados. Foi com alívio que recebeu o chamado para que partissem, poucos minutos depois.

– Perdoe-me se algo não ficou de seu agrado, milord – pediu Leah durante as despedidas, inclinando-se.

– Tudo estava de meu agrado – Edward a tranquilizou antes de se voltar para Jacob. – Vemo-nos amanhã pela manhã, como combinado.

– Amanhã, sir Edward. Tenha um bom descanso! Senhorita... Lembre-se que até os velhos reumáticos um dia se calam – disse para Isabella, piscando-lhe discretamente.

Não fosse a tensão, Isabella teria rido. Contudo, nem mesmo teve a chance, pois Edward encerrou as despedidas e praticamente a arrastou pelo caminho depois de oferecer-lhe o braço.

A perturbadora pressa transformou temor em exasperação.

– Tudo bem! – Isabella liberou seu braço abruptamente e parou quando não havia risco de serem ouvidos. – Vamos resolver esta situação? Grite comigo! Acuse-me! Diga que sou irresponsável! Péssima mãe! Que nunca mais confiará em mim! Mande-me embora!... Qualquer coisa será melhor do que esse silêncio.

Edward afastou-se um passo para encará-la. A noite estava fria, porém iluminada pela lua cheia. Considerou sua noiva ainda mais bonita, contudo, reparar também a juventude e vivenciar a insubordinação apenas serviu para aumentar seu aborrecimento; e o temor de que apenas o amor não fosse o bastante para ajustá-los.

E havia o pior dos detalhes, Edward pensou, sentindo seu peito arder.

– É o que quer? – indagou duramente, empertigado. – Ir embora? Está será sempre sua melhor opção?

– Sabe que não! – exclamou arrependida.

– Sinceramente não sei – retrucou o barão. – Com o que fez pela manhã e o que acabada de dizer, percebo que nunca saberei.

– Falei sem pensar, perdoe-me!

– Pois pense! – demandou num ciciar. – Era o que deveria ter feito antes de ignorar as súplicas de minha mãe, ou os pedidos de Jacob para que não tirasse Embry de Apple White. Ao fazê-lo, mostrou-me que não a conheço.

Era certo que nenhum dos dois poupasse detalhes, então, Isabella não se ressentiu. O que a chocou foi perceber que as cismas do barão excediam às esperadas.

– O que quer dizer com isso? – indagou estupefata.

– Não é aconselhável que fiquemos conversando ao relento numa noite demasiadamente fria – tomando-a pelo braço, Edward a fez caminhar. – Depois conversaremos.

– Prefiro que seja agora – teimou, acompanhando-o por não ter alternativa.

– E eu que você reconheça minha autoridade – ele replicou incisivo. Não diria que a ação impensada o obrigava a tomar uma atitude imediata que colocaria em xeque o sigilo que tencionavam manter.

– Edward...

– Depois!

Mesmo reconhecendo seu erro, Isabella se ressentiu com o comando aborrecido. Não ignorava a autoridade do noivo, somente acreditava que conversar seria a melhor solução, porém não lhe era dada a chance.

Resignada, Isabella esperou até que chegassem ao palacete. Acreditou que iriam até o quarto, onde finalmente poderia desculpar-se, porém o barão a liberou aos pés da escadaria.

– Transmita meus votos de boa noite a Embry por mim.

– Não vai subir? – ela perguntou, unindo as sobrancelhas.

– Em seguida – disse impassível.

– Edward, sabe que precisamos conversar... Eu posso explicar o que houve.

– Não duvido que possa, afinal, sempre haverá uma boa explicação para tudo. Mas, sinceramente, hoje não desejo tratar desse assunto. Por ora basta saber que o pior não aconteceu e que estão a salvo, então suba. E tenha uma boa noite.

– Vai estar no meu quarto... quando eu deixar nosso filho?

– Pouco provável.

Antes mesmo de questioná-lo Isabella conhecia a resposta. Não tinha menos do que esperava. Assumiu o risco de se colocar em tal situação no instante em que disse sim para Embry; agora tinha que aceitá-la.

– Está bem! Estarei pronta para conversarmos quando chegar o momento. Tenha um bom descanso!

– Desejo o mesmo a você.

Notas finais
Bom... Espero que tenham gostado... Bora ao próximo!... ;)