Borboleta Negra

62 Capítulo Trinta - Parte II


Notas iniciais
Oie... Amores, desculpem a demora, perdoem a falta de respostas. Ando perdidinha com os projetos. Agora, para terem uma ideia, Amor Imortal - Obsessão (antiga Obsession - Beaten by Love / primeira temporada) vai virar livro físico. O povo comprou no Amazon, curtiu e agora será livro de verdade. Então tive que caprichar, rever a capa, enfim... Agora peguei BN para terminar e espero is até o fim, mas ainda continuo corrida. Sempre venho ver os comments de vcs. Amo como sempre, mas nada de responder. Para aquelas que estão com o core na mão, digo, não9 sofram demais. A fic está na reta final, então tudo o que venha a acontecer é para que a trama tenha seu devido desfecho. Agora vamos ao capítulo... BOA LEITURA!

Ao fechar a porta atrás de si, depois de percorrer o corredor deserto e silencioso, ansiosa como se a baronesa estivesse atrás de cada vaso ou tapeçaria, pronta para bordá-la, Isabella mais uma vez respirou aliviada. Logo a tranquilidade cedeu espaço para o pesar ao descer os olhos sobre a cama e confirmar suas suspeitas; o barão cansou de esperá-la e dormia a sono solto entre as cobertas.

Com um suspiro resignado, a moça se desfez do vestido e dos sapatos, livrou-se da crinolina, do espartilho e das meias. Nem ao menos poderia lamentar, pois estava feliz depois de conversar por quase três horas com Embry, até que ele finalmente se rendesse ao cansaço e dormisse. Sentia apenas pelo fato de o barão ter esperado em vão. Paciência. Com o tempo tudo se encaixaria, profetizou enquanto lavava o rosto e a boca.

Antes de se deitar, Isabella parou ao lado da cama e admirou aquele homem grande, com barba por fazer, mal coberto, e imaginou se ele sentiu o mesmo que ela ao observá-la dormir sempre que passava pela porta na parede. Não tinha como saber, mas, nela, ele despertava uma ternura infinita que aumentava seu amor e respeito. E, evidente, despertava também seu desejo, pois jamais conseguiria ser indiferente àquele peito amplo, de músculos firmes, escurecido por pelos mínimos.

Ao observá-lo ela se considerou uma tola perdulária, pois perdia um tempo precioso de estar entre os braços potentes ficando assim distante quando tinha a vantagem da intimidade. Ela podia se juntar a ele, de uma forma que antes, o barão apenas podia almejar. Com um sorriso indulgente e divertido, comparar-se a uma criança que alardeava a mínima vantagem sobre a outra, Isabella finalmente ergueu a coberta e se esgueirou até estar perto do corpo amado. Imediatamente Edward resmungou qualquer coisa e a puxou, prendendo-a em um abraço de braços e pernas.

Com a felicidade redobrada por estar agora com o outro homem mais importante de sua vida, sentindo seu calor e o cheiro aliciante de tabaco, Isabella fechou os olhos e dormiu quase que instantaneamente. Acordou no meio da noite, atordoada, sentindo um aperto no seio e uma porção enrijecida que empurrava suas nádegas. Demorou um segundo para reconhecer e se excitar. Ainda sonolenta Isabella moveu seu quadril de encontro à dureza, sufocando um gemido para não acordá-lo.

– Espero que esteja acordada ou sonhando comigo para reagir assim. – Edward pilheriou com voz engrolada, assustando-a.

– Posso dizer o mesmo – ela rebateu já lúcida, sorrindo contente por ter de volta os gracejos do barão. – Espero que tenha chegado a esse estado tão somente por minha companhia my lord, não por sonhar com qualquer outra.

Para surpresa de Isabella o aperto em seu seio perdeu a força e não houve réplica imediata. Atacada por um prévio ciúme, ela girou entre os braços do barão para encará-lo mesmo na penumbra.

– Estava sonhando com outra?! – indagou incrédula ao acreditar ter flagrado um olhar constrangido. – Eu não acredito!

Isabella quis se soltar, porém sendo infinitamente mais forte, Edward não permitiu.

– Fique quieta, Bella... – pediu prendendo-a com suas longas pernas. – Não é nada disso que possa estar pensando.

– Então o que é? – inquiriu; agora sentida com o volume endurecido em sua virilha, rendendo-se à superioridade física masculina.

– Não quero que se sinta ofendida – ele começou adulador, desenhando círculos nas costas da moça aborrecida. – Nem que pense que lhe falto ao respeito.

– Pois é exatamente o que faz ao sonhar com outra e acordar em tal estado senhor barão – retrucou enciumada. – Quem era ela? Tanya? Já sente saudades do tempo em que saltitava com ela pelos salões de Wisbury?

– Não seja infantil, Bella. – Edward pediu com seu embaraço arrefecido, envaidecido pelo evidente ciúme. – E eu não saltito. Sei me comportar muito bem em todos os salões, independente da companhia.

– E ainda diz que não quer me faltar ao respeito! – Isabella exclamou aviltada. – Pois se sente a falta daquela...

– Sonhei com Amber – confessou o barão, cortando-a.

Preferia não ter enveredado por aquele assunto, mas uma vez que a moça perspicaz notou sua reação ao comentário, tinha que fazê-lo. Agora esperava que ela não se aborrecesse mais por se excitar com a lembrança dela em tal posição. Foi involuntário. Saboreava seu charuto, pensando em como faria para levá-la até o Jardim quando a imagem dela borboleta negra veio em sua mente.

– Com... Amber? – Isabella repetiu aturdida.

– Por favor, não se ofenda – ele rogou, procurando uma das mãos delicadas para então beijá-la, pacificador.

Não estava ofendida, apenas considerava diferente ouvi-lo tratar seu codinome de meretriz como se de fato fosse outra pessoa. Antes que externasse sua estranheza, Edward prosseguiu:

– Confesso que não gostei dela quando a conheci e sei que quer esquecê-la, mas devo dizer que hoje, enquanto repassava algumas situações vividas no Jardim, a visão de Amber no topo da escada me fez admitir definitivamente que todas as suas versões me interessam.

– Amber, não é mesmo? – Isabella repetiu agora se divertindo ao simular seriedade ante ao motivo real do embaraço. – Acho que posso entender.

– Prometo esquecê-la. – Edward a deitou e se estendeu sobre o corpo pequeno.

– Até por que sua noiva se chama Isabella – a moça continuou a arreliá-lo. – E ouvi dizer que é uma senhorita possessiva, do tipo que desfere vassouradas.

– Esta seria uma briga interessante.

O barão se rendeu ao bom humor, ainda desconcertado por se excitar com a rameira altiva, um tanto prepotente, ao exibir a máscara negra e o corpo quase desnudo. Edward não sabia o que se passava, mas imediatamente enrijeceu ante a nova visão.

– Não quero saber de brigas – Isabella suspirou abaixo dele, movendo-se para que seus corpos se encaixassem. – Nem comigo. Vou tentar não ter ciúmes de Amber.

– Ah, obrigado... – gemeu o barão ao se apertar no vão das pernas macias. Decidido a esquecer a meretriz, procurou pela barra da camisola para erguê-la enquanto externava seu dissabor de horas atrás. – Você demorou.

– Nosso filho demorou a dormir – disse para agradá-lo, arrepiando-se com a pressão abaixo do ventre e com as mãos que subiam seu dorso, apalpando sob o pretexto de retirar sua camisola. – Ele estava ainda muito animado.

– Então teremos que cansá-lo mais ao longo do dia – Edward determinou. Ao finalmente deixá-la com o dorso nu fez nova reclamação. – Além de demorar a vir ainda se deita com tanta roupa!

– Roupas de dormir, my lord – explicou inocentemente. – Se não fosse um barão velhinho que usa óculos engraçados e dorme à toa, eu teria sabido suas intenções.

– Velhinho, não é mesmo?

Como represália, Edward a ergueu e recostou contra os travesseiros. Isabella arfou de surto e não pôde se recuperar, pois logo o barão plainou sobre ela para beijá-la. Seus corpos não mais se tocavam apenas as bocas que se provavam famintas, com renovada saudade. Imediatamente a moça afundou as mãos nos cabelos macios do barão antes de descê-las para as costas largas, tentando trazê-lo para junto de si, porém encontrou resistência. Desfazendo o beijo Edward anunciou:

– Quero ter mais do que me privei antes do jantar.

Ato contínuo desceu seus beijos pelo pescoço de Isabella, flutuou os lábios e pelos do queixo ao longo do colo até encontrar o bico desperto de um seio. Sem pressa, rolou-o em sua língua e o mordiscou, agravando a excitação da moça antes de escondê-lo em sua boca e sugar com força.

– Edward... – ela soprou num murmúrio, movendo o quadril para cima sem alcançar o barão que se mantinha ajoelhado sobre ela, alto e distante. – Por favor...

Edward não tinha pressa. Sua urgência se esgotou durante a tarde. Naquele instante queria saboreá-la como uma sobremesa muito aguardada depois de meses de proibição. Imbuído em sua lentidão, mordiscou o mamilo provado e partiu ao outro.

– Edward... – ela novamente lamuriou e tentou prendê-lo.

O barão sorriu e a prendeu pelos pulsos ao lado do corpo sem nunca deixar de provar o seio preso à sua boca. Somente quando desejou ter mais que a deixou livre, mas ainda não a atendeu. Exibindo um meio sorriso, admirou-a arfar enquanto desfazia o laço da calça branca que ela vestida. Sem deixar de olhá-la, desceu a peça até deixá-la completamente nua.

– Você é linda, my lady – agradou-a rouco. – E eu nunca terei palavras para descrever o quanto estou feliz por estar de volta.

– Edward, eu...

O que intencionou dizer morreu em sua garganta ao sentir a barba crescida roçar o entorno de seu umbigo, enquanto dedos certeiros a acariciavam intimamente. Por instinto Isabella separou mais as pernas e esperou aquela torturante descida de beijos espinhentos até que a língua exploradora do barão encontrasse seu ponto mais sensível.

– Nossa!

Estimulada, Isabella arfou ao mínimo toque e estremeceu, movendo o quadril para facilitar o passeio da língua inquieta. Arqueando seu corpo após um espasmo do prévio prazer, a moça apertou os lençóis em seus punhos, especulando se seria sua impressão ou se o barão estava mesmo mais ousado. Ao sentir em seu centro, invasivas arremetidas, ela teve sua resposta; a ousadia era redobrada.

– Edward eu não aguento, por favor... – avisou debilmente ao ter seu botão provado como uma uva diminuta. – Por favor...

– Estou perdoado por bisbilhotá-la enquanto dormia? – o barão indagou roucamente; até mesmo seu hálito morno excitava a moça.

– Perdoado, sim... – ela exalou num gemido após novo toque da boca exigente. – Perdoado... Por favor, Edward... Eu não...

Ter seu cabelo apertado nos dedos de sua noiva, ouvir seu clamor e incoerência envaidecia o barão. Sentia falta de prová-la intimamente, precisou durante meses do gosto dela então agora o tomaria toda para si. Sem atendê-la provou-a mais e forte até que Isabella estremecesse violentamente. Maldoso, numa forma pervertida de castigo por tê-lo privado dela, Edward não parou de estimulá-la, fazendo-a convulsionar aflita até que chorasse baixinho; calando um grito em sua garganta.

E ainda não havia terminado. Sem dar-lhe chances de recuperação, o barão livrou o membro túmido da ceroula e o afundou onde antes provou, levando a moça a gemer, mordendo o lábio inferior. Reclinados nos travesseiros como estavam, Edward fazia todo seu dorso deslizar sobre o dela todas às vezes que arremetia, aproveitando o carinho dos bicos rígidos em seu peito.

Isabella ainda chorava de prazerosa e concupiscente agonia. Não acreditava que ser capaz de sentir nada mais forte do que o orgasmo recente, mas este nem bem se esvaiu outro o sucedeu; ainda mais forte. Sem uma tábua de salvação, a moça agarrou-se ao dorso do barão e o apertou junto a si, segurando-o pelos cabelos da nuca. Queria gritar para que talvez o ar voltasse aos seus pulmões, mas não podia. Respirava aos atropelos, sentindo uma potência que não lhe fora apresentada antes, entrando e saindo dela enquanto era atravessada por tremores repetidos e violentos.

Edward retribuiu o abraço e abafou seu próprio lamento ao despejar-se nela, trêmulo e exaurido; não saciado. Este era um fato, nunca estaria satisfeito dela. Estava condenado a viver todos os seus dias e noites desejando-a mais e mais.

– Eu amo você, Bella – declarou rouco, erguendo o dorso minimamente para encará-la. – Não chore – pediu manso, preocupado, segurando-lhe o rosto para secar com as mãos as lágrimas que ainda vertiam. – Eu machuquei você?

Isabella apenas maneou a cabeça em negativa; ainda não se sentia capaz de falar, tentando regular a respiração.

– Tem certeza de que não a machuquei? – insistiu descrente da negativa, recriminando-se. – Acho que fui afoito.

Parte da culpa era destinada a Amber por despertar nele um desejo possessivo que se somou ao já existente e permanente nutrido por sua noiva. Ao notar a consternação nos olhos azuis, escurecidos pela penumbra do quarto, Isabella procurou por sua voz para tranquilizá-lo com mais gracejos.

– Não foi afoito, apenas me mostrou que de velhinho não tem um único traço.

– Apenas meus óculos engraçados – ele lhe sorriu.

– E apenas eles – ela salientou, voltando a abraçá-lo, enlaçando-o com suas pernas. – No mais... É forte e viril meu barão. Mostrou-me que sempre pode haver mais.

– Eu amo você, Bella – repetiu, inflado pelo orgulho masculino.

– Eu amo você, my lord – a moça declarou antes de erguer a cabeça e prender os lábios do barão nos seus para um beijo manso.

Edward sentiu todo seu corpo reagir a ela ao ter as costas acariciadas e as pernas macias roçarem os pelos das suas, mas ainda era cedo para voltar a despertar. Então, aproveitando o ensejo até que corpo se recuperasse, resolveu que era hora de colocar em prática algo que também o arreliou durante a degustação do charuto, antes que Amber fosse excitá-lo. Quebrando o beijo, soprou contra os lábios de Isabella.

– Aceita se casar comigo?

– Como?! – Isabella indagou aturdida, considerando não ter entendido direito.

Antes de responder Edward se afastou para recompor sua ceroula, então sentou sobre suas panturrilhas. Depois de correr os dedos pelo cabelo respirou profundamente.

– Eu perguntei se aceita casar comigo.

– Mas... – ela se ergueu mais nos travesseiros até estar sentada e se cobriu com o lençol, procurando o significado da pergunta. Não encontrou por si só então expôs a dúvida. – Não estamos noivos? Eu já aceitei, não?

– Não – o nobre negou seguro. O tempo sozinho com seus pensamentos, analisando tudo o que aconteceu até ali, não o deixou orgulhoso do que fez. – Apenas se sujeitou às minha imposição. Tomei para mim o pátrio poder sobre Embry e com isso não lhe dei escolha.

Isabella não poderia desdizê-lo, mas por imposição ou não, estava onde queria estar. E haviam resolvido todas as pendências, então não entendia a razão de trazer aquele assunto para a cama. Com a insegurança soprando bobagens em ouvido, perguntou:

– Se eu negar seu novo pedido, o que mudará?

Incrédulo com a questão, sentindo o temor remoer suas entranhas, rouco e sincero, disse a única alternativa correta uma vez que seu pai a corrompeu.

– Eu morreria de ansiedade, mas deixaria que escolhesse se fica ou vai embora, e não usaria seu filho para prendê-la a mim. Então preciso saber... Você aceita se casar comigo de sua livre e espontânea vontade?

Espantando a súbita e inoportuna incerteza depois de confirmar não ter ocorrido o mínimo arrependimento por parte do barão, Isabella se permitiu voltar ao clima de antes.

– Acho que precisaria de alguns dias para pensar – falou torcendo os lábios em simulada dúvida.

– Pensar?! – A expressão do barão desmoronou. – Como pensar? Realmente aceitou porque não havia alternativa?

– Não! – Isabella assegurou profundamente arrependida da troça. Ao ajoelhar para ficar próxima ao barão, segurou-lhe o rosto e rogou. – Perdoe-me... Foi um gracejo. Há dois minutos eu disse que o amo, e amo muito. Você sabe! Como pode imaginar que eu negaria?

Sorrindo a exalar o ar, Edward igualmente segurou o rosto amado e fez as testas se tocarem. O ato arbitrário que nas últimas horas pesou em sua consciência o tornou num tolo apavorado, ridicularizou-se. Ainda sorrindo, de contentamento e alívio, o barão beijou a moça brevemente antes de deixar a cama.

– Aonde você vai?!

Sem responder à noiva, expectante como se tudo já não estivesse resolvido entre eles, Edward escovou os cabelos com os dedos e então, sem aviso, abaixou-se ao lado da cama, apoiando um dos joelhos no chão. Isabella o olhava, sem se mover, incrédula, linda com os cabelos em desalinho na trança que se desfazia. Sem se importar com a catatonia, o barão segurou-lhe a mão esquerda e retirou o anel.

– Mas... – Isabella balbuciou afetada em ver o barão seminu, de joelhos, encarando-a compenetrado enquanto tomava o anel que lhe deu. – Edward...?

– Isabella Swan... Dar-me-ia a honra inenarrável de me aceitar por seu marido, para amá-la, respeitá-la e protegê-la pelo resto de nossas vidas?

E, sim, cada um dos outros pedidos foram especiais, mas aquele era perfeito; com frase pomposa depois da completa aceitação e reconhecimento da verdade. Quantas vezes ela imaginou o nobre de joelhos a pedi-la em casamento? Inúmeras. E lá estava ele. Diante do quadro foi inevitável não se comover.

– Acho que prefiro quando desmaia – Edward tentou animá-la. – Quando chora fico com a impressão de que não estou fazendo direito.

– Está – garantiu embargada, rindo e chorando. – Você é perfeito! E sim, eu aceito! Eu aceito!

Enternecido pela comoção de sua noiva, o barão voltou o anel ao dedo e o beijou. Antes que pudesse levantar, Isabella se atirou sobre ele, desequilibrando-o, derrubando os dois ao chão.

– Eu aceito, eu aceito – a moça repetia animada, distribuindo beijos pelo peito largo e pescoço do barão até alcançar-lhe a boca. – Eu aceito!

– Bem... Agora precisamos apressar essa união – ele gracejou sorrindo satisfeito, antes de apertá-la junto a si para agravar o assanhamento abaixo da cintura –, antes que se esgotem as formas de pedi-la em casamento.

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Ao despertar Isabella olhou para o anel em seu dedo e sorriu feliz enquanto se esticava sob as cobertas. Estava sozinha, mas não se importava. O barão deixou sua cama pouco antes do horário habitual de acordar para voltar ao próprio quarto. Não sem antes também acordá-la para se despedir com um beijo terno e a recomendar que voltasse a dormir e lhe desejar um bom dia.

A felicidade não estava completa por se preocupar com o Jardim, com Sam que deveria estar aflito. Espreguiçando-se mais uma vez, Isabella rogou que o barão atendesse seu pedido e ao menos enviasse uma nota para Angela, avisando que logo iria vê-los. Quando esta pendência fosse resolvida, tudo seria perfeito. Ainda contente, ela voltou a sorrir ao se lembrar que após o novo pedido de casamento, amaram-se mesmo no chão antes de voltarem à cama para então dormirem abraçados.

Breves batidas contra a porta a livraram da bolha encantada.

– Isabella? Já despertou?

– Sim, Marie. Pode entrar... – liberou ainda sorrindo.

Para surpresa de Isabella a governanta não estava sozinha. Antes que Marie entrasse, uma criança apressada, seguida de um cachorro magricelo, invadiu o quarto e logo saltava sobre a cama para abraçá-la.

– Senhora! – Embry a chamou como se não estivesse em seus braços. – Bom dia!

– Ele estava impaciente – Marie explicou ao entrar trazendo a bandeja com o café da manhã.

– Percebo – disse a moça antes de voltar à atenção ao filho, sentado ao seu lado a escrutinar o cômodo com clara curiosidade. – Dormiu bem?

– Sim, senhora. Obrigado... E a senhora? Dormiu bem aqui nesse quarto grande?

– Sim, dormi – respondeu enquanto afagava a cabeça de Nero.

– Não tem medo de que venham apagar a luz?

– Não tenho medo porque já sou grande – Isabella disse segura, sinalizando para que Marie trouxesse a bandeja até ela.

– Eu já sou quase grande, mas ainda tenho medo – o menino disse sincero. Então uniu as sobrancelhas pequenas e inquiriu: – Por que não estava lá quando acordei?

– Eu me lembro de ter dito que aqui seguiríamos as regras e que cada um dormiria em seu próprio quarto.

– Como às vezes enganávamos a irmã Nelly, pensei que faríamos o mesmo aqui – Embry explicou, arriando os ombros.

– Irmã Nelly é uma senhora muito rígida – comentou a mãe, dirigindo um olhar de agradecimento para Marie que depositou a bandeja no espaço que reservou ao seu lado. Olhando novamente para o filho, Isabella prosseguiu: – Mas aqui, quem você acha que é como ela? A quem deveríamos enganar? Sua avó? Seu pai?

Embry encolheu os ombros ainda mais; culpado.

– Não quero enganar nenhum deles – reconheceu.

– Então vamos fazer o que for determinado, combinado?

– Sim, senhora – anuiu com evidente desanimo.

– Posso dizer o quanto ele é bonito? – Marie perguntou, juntando as mãos sobre suas saias, olhando para Embry avaliativamente.

– Pode. Ele é minha vida! – Isabella sorriu orgulhosa. Para o filho indagou: – Acompanha-me no café da manhã?

– Já tive o meu. Vovó e Amy levaram hoje cedo – ele explicou trazendo Nero para junto de si antes de acusá-la: – A senhora é dorminhoca.

– Que horas são? – Isabella perguntou diretamente a Marie.

– Quase dez – disse a governanta. – Lord Edward, ao sair, ordenou que não viéssemos perturbá-la.

Bem, ela agradeceria o cuidado se na casa não estivessem Embry e a baronesa. Não gostaria nem de imaginar o que Lady Elizabeth estaria pensando.

– Onde está a baronesa? – indagou reflexiva, servindo-se para que pudesse deixar a cama.

– Agora na biblioteca. – Marie informou.

– Eu estava com ela, mas pedi que me deixasse vir acordá-la quando a Sra. Newton viesse trazer seu café da manhã – Embry acrescentou feliz. – Vovó estava me ensinando a fazer contas. Disse que seria um intervalo e permitiu que eu viesse, mas pediu para não demorar.

– Não está aborrecido por ter que fazer contas? – A mãe se compadeceu, um tanto arrependida por ter deixado a baronesa se ocupar do menino.

– Não. Eu que pedi para aprender – Embry assegurou, antes de beijá-la no rosto. – Agora vou deixá-la senhora, para que coma e se vista. Depois a senhora vai lá à biblioteca ficar comigo?

– Sim, irei...

Com a confirmação Embry sorriu e, tão animado quanto entrou, deixou o quarto, sendo seguido por Nero.

– Ele parece ser uma força da natureza – comentou Marie.

– Sim... – Isabella murmurou intimista; nunca o viu tão esfuziante. Nunca viu muitas coisas.

Sem mais palavras, tratou de comer o que lhe foi levado, sufocando o leve ciúme por ter sido facilmente deixada. Tudo era novo e consequentemente distrairia o menino. Ainda em silêncio Isabella deixou a cama, se lavou e se deixou vestir por Marie para enfrentar o novo dia. Estava diante da penteadeira, esperando que Marie terminasse de fechar o vestido, quando a porta do quarto foi aberta abruptamente. Incrédula Isabella viu a baronesa entrar sem convite e parar aos pés da cama.

– Que cena insólita! Uma criada servindo à outra.

– Bom dia, Lady Elizabeth! – Isabella cumprimentou instável, trêmula pelo susto; deveria ter previsto que a futura sogra escolheria momento mais propício para sanar sua curiosidade que não durante o jantar. – Marie trouxe o desjejum e agora ajuda a me vestir. Logo voltará para suas funções.

– Pensei que fosse a governanta desta casa, Sra. Newton – alfinetou a baronesa, ignorando a explanação –, não aia particular.

– Cuido do bem estar da senhorita Swan desde sua outra estada, milady. O barão determinou assim...

– O barão tem determinado muitas coisas estranhas ultimamente. – Lady Elizabeth retrucou enfada, movendo a mão no ar para dispensá-la. – Saia! Vá cuidar da junção que sempre almejou e me deixe a sós com a “senhorita Swan”.

– Mas eu ainda...

– Vá! – ordenou a nobre senhora, aborrecida.

Marie trocou olhares com Isabella pelo espelho, e depois do assentimento mudo da moça, pegou a bandeja sobre a cama, fez uma mesura à baronesa e se foi.

– Então... Cora – começou Lady Elizabeth, assumindo a tarefa de Marie em fechar o vestido. – Não... É “Isabella”. Finalmente está onde sempre quis. Não se envergonha por conseguir seu intento usando o bom coração de meu filho?

– Não sei do que está falando, milady. – A voz saiu vergonhosamente trêmula; toda a segurança do jantar se esvaiu a luz do dia.

– Ah, sim, você sabe... – A senhora fechava os colchetes com força, empurrando-a, obrigando a moça a se apoiar no espaldar da cadeira disposta em frente à penteadeira. – Sempre quis ser Rosalie, ocupar-lhe o lugar, ter o que ela possuía.

– Não! – Isabella tentou se voltar, porém a baronesa ainda abotoava os botões e a manteve no lugar. – Eu nunca pensei essas coisas... Nunca quis...

– Sempre para cima e para baixo com minha filha – prosseguiu a nobre, sem ouvi-la –, abusando de seu afeto, recolhendo seus restos... Eu sempre soube que um dia se tornaria ambiciosa, mas nunca me passou pela cabeça que fosse usar meu filho. Eu deveria ter deixado que Sue a enviasse para um asilo de órfãos como ela me pediu. Mas não... Cedi aos apelos de Rosalie para que não afastasse a boa amiga e agora temos a paga da criaturinha ardilosa e invejosa que acolhemos.

– Não! – A moça se desvencilhou das mãos da baronesa e se afastou para encará-la. Não lhe espantava que sua avó tivesse tentado se livrar dela um dia, mas todas as outras palavras eram absurdas. – Sempre gostei de Rosalie e jamais nutriria maus sentimentos por ela, que me ensinou o que é ter amor de irmã. E nunca recebi os sapatos ou vestidos usados que me dava como sendo resto. Eram presentes.

– Reserve este olhar inocente e o discurso açucarado para meu filho. Este está perdido, cego por suas artimanhas, mas a mim você não engana “Cora Hupert”.

– Por favor, milady, acredite em mim... Não sou dissimulada, nem invejosa, muito menos ardilosa. Sempre gostei de Rosalie e... Sempre amei Edward.

– Evidente que sim, criança – Lady Elizabeth sorriu escarninho. – Como não “amar” o rapaz que atraiu para sua teia? E hoje, como simplesmente não “adorar” o homem no qual se tornou e que a colocou exatamente aqui? – A baronesa indicou o quarto com um gesto amplo. – Admira-me que se contente em usar estes vestidos usados em vez de exigir outros novos, talvez vindos de Londres ou Paris.

– Já disse que não é nada disso o que quero – Isabella retrucou, sentindo mais segura em responder às acusações infundadas. – Nunca estive interessada no dinheiro de Edward... Sempre me mantive e hoje tenho meus próprios vestidos. Tão bonitos quanto estes. Somente não pude trazê-los, pois viemos diretamente para cá depois de nossa viagem.

– Ah... – Lady Elizabeth exclamou em cênica admiração, aproximando-se sem pressa para circulá-la, analisando-a abertamente. – Hoje tem seus próprios vestidos. Todos de boa qualidade? Isto me lembra a forma como se portou à mesa... Tão educada e comedida. Elegante até!... Reparei também que em seu rosto não há marcas, em sua pele não há maculas... Seus cabelos são bem tratados e alinhados...

Sem que Isabella pudesse prever, ao parar à sua frente, Lady Elizabeth segurou seus pulsos e rolou mãos para cima. Por puro reflexo a moça lutou por liberdade, porém, valendo-se de sua determinação a baronesa a manteve cativa enquanto examinava cada palma delicada.

– Como pensei! – A senhora soltou a moça tão bruscamente quanto a prendeu, como se o contato a incomodasse. – Nem uma única calosidade. Explique-me “Isabella”... Onde aprendeu bons modos? Como faz para ter vestidos bonitos se não se esforça para conseguir dinheiro? Como se “mantém”?

– Não tenho que responder a isso? – Isabella tentou se valer das palavras do barão; a futura sogra não poderia obrigá-la. – Não tenho que prestar contas de minha vida a alguém que se mostra tão hostil.

– Hostil? – repetiu a baronesa. – Nunca provou de minha hostilidade, mocinha. Quero apenas confirmar o que meu espírito pressente, mas meu coração se recusa a acreditar. Então, sim, serei hostil Cora, pois não assistirei impassível meu filho querido arruinar a própria vida.

– Não sei o que pressente milady, mas seja o que for digo que está errada. – Isabella recorria à dignidade dos inocentes para retrucar, pois cada vez mais se sentia apavorada.

– Estou errada? – A senhora reduziu os olhos, perscrutando-lhe o rosto. – Prove! Diga que tem servido de acompanhante a alguma nobre dama das redondezas. Somente isto explicaria o fino trato para alguém sem berço. Antes, porém, lembre-se de que conheço praticamente todas as famílias ao nosso redor. Tenho meios de confirmar o que disser.

– Já disse que não direi coisa alguma. Edward sabe de minha vida e é somente isto que interessa.

– Insolente! – vociferou Lady Elizabeth. – Saiba que posso tornar sua nova “estada” num inferno se não me disser em detalhes o que fez desde que deixou esta casa com meu neto em seu ventre. Pensando bem, eu mesma descarto a possibilidade de ter sido uma acompanhante e fortaleço minha desconfiança, pois, quem em sã consciência empregaria uma adolescente grávida? Tremo só por imaginar onde foi aceita e o que fez até que fosse hora de colocar seu plano em prática e dar o golpe final usando uma criança inocente.

– Não sabe o que está falando... – Isabella se atreveu a alterar a voz por estar vergonhosamente embargada. – Jamais usaria meu filho para coisa alguma. Por mim, nenhum de vocês saberia da existência de Embry!

– Viva! – exultou a baronesa. – Finalmente a máscara vai ao chão! Interessante batizar com nome tão significativo uma criança que ficaria escondida para sempre. Sem contar que não é atitude de quem ama esconder a existência de um filho. Se amasse Edward como diz, não teria aceitado ser expulsa.

– Poderia também ter ficado e assumido o lugar nesta casa que me acusa ter almejado desde sempre caso fosse alguma interesseira – rebateu, mesmo com voz sumida, odiando-se por fraquejar. – Eu simplesmente não tive escolha.

– Evidente que não teve. Provavelmente cogitou a possibilidade de tomarmos a criança para criá-la sem você, dessa forma não seria vantajoso, não é mesmo? Ser expulsa antes que meu filho voltasse ou qualquer um de nós descobrisse sua gravidez lhe foi providencial. Bastou esperar pelo tempo certo para jogar a isca da boa moça, que para defender o bom nome do “amado” ocultou um filho ilegítimo... E meu filho, bom e crédulo como é, mordeu sem pestanejar. Mas não me engana Cora.

– Não, milady... – murmurou cansada. Não tinha argumentos; sua única opção seria a verdade.

– Sim, Cora... – A baronesa insistiu erguendo o queixo. – Eu vi o que parte desse seu plano fez ao meu filho. Quando voltei de viagem logo depois de sua “primeira estada” encontrei Edward destruído... A sombra do homem vigoroso que deixei. Eu tentei com todas as minhas forças fazê-lo esquecer o que se passou aqui, mas não pude. Seus ardis já o tinham afetado e bastou novamente esperar. Não muito desta vez, apenas poucos meses... O suficiente para enlouquecê-lo quando então voltasse amorosa e com um belo filho, acenando-lhe com a promessa de uma família feliz.

– Não, milady... Isabella repetiu incapaz de reter o pranto.

Colocado daquela forma tudo se encaixava a perfeição, porém nada daquilo era verdade. Bem, somente a parte em que deixou o barão destruído; para ela, a pior parte, pois era mãe. Embry era somente uma criança e, sim, quis afastá-lo, mas em momento algum considerou que ficaria livre de desejar que fosse somente feliz. Se um dia soubesse de alguém que o feriu, evidente que odiaria essa pessoa. Ao que parecia, seria desprezada para sempre.

– Guarde suas lágrimas para meu filho – pediu a senhora; inabalável. – E trate de contar tudo o que...

Os latidos de Nero a calou antes mesmo que este entrasse no quarto, seguido de Embry que estacou no lugar ao encontrá-las. Seu sorriso ainda brilhou durante o tempo em que erguia o papel que trazia, porém minguou no rosto afogueado enquanto olhava de uma a outra, detendo-se a sua mãe.

– A senhora está chorando? – indagou preocupado, aproximando-se com as sobrancelhas unidas.

– Não – ela negou veemente, secando o rosto apressadamente.

– Está sim! – o menino a desdisse, olhando acusadoramente para a avó enquanto se punha diante da mãe. – A senhora brigou com ela?

– Embry... – o horror de Lady Elizabeth era notável enquanto balbuciava. – Não... Eu...

Lady Elizabeth! – Amy exclamou ao entrar no quarto. Sem reparar na cena, baixou os olhos e se desculpou: – Eu não consegui detê-lo milady, mil perdões...

A nobre senhora sequer a olhou, não desviando os olhos alarmados da expressão consternada de Embry. Depois de dirigir um breve olhar para as duas mulheres, Isabella voltou sua atenção ao filho e o girou em sua direção, segurando-o pelos ombros para que a encarasse. O pequeno rosto estava endurecido, indicando seu espírito de defesa, mas a mãe jamais o envolveria em quaisquer de seus problemas.

– Sua avó não brigou comigo meu querido – tranquilizou-o. – Estávamos apenas conversando.

– Então por que está chorando? – inquiriu o menino, desarmando-se.

– Não estou chorando, apenas parece que sim... – Isabella revirou os olhos e sorriu antes de improvisar. – Sou desastrada! Ao lavar meu rosto deixei que entrasse sabão em meus olhos e agora estão irritados.

– Nossa, minha senhora! – Embry maximizou os olhos, enfim convencido por sua inocência. – Já deixei sabão entrar em meus olhos. Eles arderam até a hora de ir dormir, mas no dia seguinte não doíam mais.

– Então tenho salvação! – Isabella sorriu ainda mais para convencê-lo por completo.

– Tem sim, senhora – assegurou. – Mas tome mais cuidado. Pensei que estivesse chorando. Não quero que chore.

– Não vai acontecer...

Ao se calar foi inevitável erguer os olhos para a senhora que assistia a cena, paralisada, tendo a criada ao seu lado, dirigindo ao menino um olhar ambíguo de temor e pesar. Tão logo os olhos das duas mulheres se encontraram a expressão da baronesa mudou completamente, deixando claro o desprezo que dirigia à futura nora.

– Veja! – Acreditando no bom clima entre as duas, Embry voltou ao entusiasmo anterior, agitando o papel que trazia. – Fiz todas as contas. Amy disse que estão certas. Ela não queria me deixar subir, mas eu tinha que mostrar para a senhora. – Então se voltou para a avó e pulou feliz até ela. – Para a senhora também. Veja!

Já a sorrir para o menino, a baronesa tomou o papel e conferiu o que nele continha. Logo o devolveu, satisfeita.

– Muito bem! – elogiou. – Você é inteligente como seu pai. Precisa apenas aprender a obedecer aos mais velhos – repreendeu-o com gentileza. – Eu pedi que me esperasse na biblioteca, não?

– Sim... – Embry recuou um passo, subitamente temeroso. – Serei colocado de castigo?

Isabella sentiu seu coração afundar no peito, novamente revendo sua decisão em deixar a baronesa instruí-lo. Em seu tempo, a nobre senhora não usava de castigos físicos com seus filhos, mas poderia usar Embry para atingi-la. Por ela jamais argumentaria, mas por seu filho estava pronta para o confronto; bastava vir uma resposta. Para surpresa da moça, Lady Elizabeth sorriu e tocou os cabelos do menino com afeto.

– Não vou castigá-lo, mas gostaria que no futuro me atendesse. Não custava ser obediente e esperar.

– Desculpe-me – ele pediu, torcendo os lábios. – Eu deveria ter esperado vovó, mas a senhora demorou e eu queria mostrar que fiz tudo direitinho para minha senhora...

– Sua senhora. – Os olhos da baronesa chisparam para Isabella.

– Minha senhora – ele repetiu, indicando a mãe com orgulho.

– Eu sei que se refere a sua mãe querido, somente não entendo o porquê de tratá-la dessa forma – o tom de Lady Elizabeth era contido, porém firme.

– É uma brincadeira que temos – Isabella se apressou em dizer.

A moça decidiu evitar novos temas polêmicos. Embry imediatamente a encarou. A incerteza em seu olhar era evidente, tanto que Isabella rogou silenciosamente para que o menino nada comentasse.

– Brincadeira estranha e completamente inadequada – comentou a nobre com desagrado. – Não podem encerrá-la?

– Sim, podemos... – Isabella preparou o coração ao receber novo olhar incerto de seu filho, mas não voltaria atrás, especialmente quando Edward já havia iniciado aquela mudança. – Basta Embry desejar me chamar de mãe.

Os pequenos olhos azuis abriram-se inteiros em espanto, por sorte a baronesa não podia vê-lo.

– Sendo assim espero mesmo que acabem com essa brincadeira. Já que é a mãe deve ser tratada como tal – insistiu Lady Elizabeth antes de dar por encerrada a visita àquele quarto. – Bem, agora vamos deixá-la para que termine seu toalete e possa descer. Em breve será hora do almoço.

– Antes – Isabella a deteve – gostaria que Embry se desculpasse com Amy por não atendê-la.

– O baronete não precisa se desculpar com os criados – a senhora refutou, altiva. – Venha Embry.

– Espere, Embry – a moça o deteve, segurando-o pelos ombros. Para a baronesa Isabella explicou: – Antes de ser criada, Amy é uma pessoa e merece todo o respeito e consideração. Se Embry a desobedeceu e a fez correr até aqui atrás dele, merece um pedido de desculpas.

– Está tudo bem senhorita. Não precisa... – Amy murmurou, depois de encará-la brevemente com um brilho novo em seu olhar.

– Evidente que não precisa! – Lady Elizabeth não mais disfarçava seu desagrado.

– Amy, me desculpe. – Embry atendeu a mãe, amável como Isabella bem o sabia ser.

Criada e patroa retiveram a respiração, uma com leve comoção, a outra unindo os lábios, exasperada. Isabella as ignorou para sorrir com orgulho para o menino.

– Agora vá com sua avó – liberou-o. Embry ainda a encarou por alguns instantes, escrutinando-lhe o rosto, antes de novamente atendê-la. Quando o menino estava ao lado da baronesa e todos se preparavam para deixar o quarto, Isabella falou à futura sogra. – Lady Elizabeth... Agradeço por tomar para si a responsabilidade de instruir meu filho.

– Não faria diferente pelo filho de Edward – a baronesa retrucou impassível.

– Sei disso – murmurou a moça, derrotada; não haveria tréguas. Então não havia razão para perdoar as faltas. Sabendo que acirraria mais um ânimo revoltado, pediu: – Aproveite que agora lhe ensina boas maneiras e diga o quanto é deselegante entrar nos quartos alheios sem antes se anunciar ou ser convidado.

O rosto da senhora se tingiu de vermelho, porém ela se calou. Tomando a mão do pequeno, deixou o quarto apressadamente, sendo seguida por Nero e Amy, esta a ocultar um sorriso. Uma vez sozinha Isabella caiu sentada na cadeira diante da penteadeira e se olhou no espelho. Seu rosto estava marcado pelas lágrimas e pálido pela contenda. Longe de se sentir tranquila, demandou a si mesma que estivesse preparada para o novo confronto, pois este aconteceria, tinha certeza.

Então o que diria à baronesa? Talvez fosse melhor expor a verdade, mas Isabella não se imaginava diante de Lady Elizabeth admitindo ter sido uma meretriz. Somente por imaginar suas pernas tremiam mais do que ter ouvido o quanto sua vida seria tornada um inferno naquela casa. A isto ela já estava acostumada e determinou ser melhor se impor, ainda que respeitosamente.

Sem deixar de se olhar no espelho, Isabella recordou também a reação de Embry ao liberá-lo para que a chamasse de mãe. Com o coração fundo no peito reconhecia certo ressentimento por não ter sido prontamente nomeada como aconteceu com Edward. Paciência, a moça se aconselhou. Redimir-se de seus erros não seria assim tão fácil. De repente, o mundo cor-de-rosa que viu ao acordar, adquiriu as cores reais. Ainda havia muito a ser resolvido antes que estivesse completamente feliz.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Estou em falta, mas me contem... :) Bjus! Bom final de semana!