Borboleta Negra

63 Capítulo Trinta e Um - Parte II


Notas iniciais
Oie... Amores, desculpem a demora. E desculpem a falta de resposta. Vcs bem sabem o pq da ausência. Perdida e corrida, ainda. E justamente pos saberem e me deixarem reviews que agradeço de todo coração. OBRIGADA! Agora, bora ler... BOA LEITURA!

Cuidar dos assuntos da sidreria, sabendo que Isabella e Elizabeth poderiam se encontrar sem sua presença era praticamente impossível, ainda assim Edward tentou. Ouviu com atenção os relatos feitos por Eleazar Denali, atualizando-o de todo o serviço realizado no galpão durante sua ausência. Jacob os acompanhava em silêncio uma vez que já havia prestado contas de suas atribuições.

– E a entrega das rolhas está atrasada, milord. – Denali avisou ao final. – Não poderemos engarrafar a sidra na data prevista se o fornecedor não...

– Sei disso – o barão o cortou impaciente. – Jacob me alertou sobre o problema enquanto vínhamos para cá.

– O que faremos milord? – Eleazar indagou preocupado.

– Ainda temos tempo. Caso não chegue até amanhã pela manhã irei pessoalmente atrás de uma solução.

Com um gesto Edward liberou o senhor e levou as mãos ao bolso enquanto caminhava até um de seus tonéis.

– Está pensando em ir até Castleville? – Jacob perguntou de onde estava.

– Eu não queria me ausentar agora, mas se não entregarem o bendito carregamento de rolhas o que me resta?

– É uma viagem de um dia – o amigo tentou animá-lo. – Nem sentirá falta de sua noiva.

– Quisera que este fosse todo o problema – murmurou o barão, sinalizando para que fossem até seu escritório; sua vida não era de domínio público para comentá-la perto de seus empregados.

Jacob o seguiu em silêncio até que estivessem sozinhos. Quanto o barão assumiu sua cadeira atrás da mesa, o criado comentou:

– Está calado desde que nos encontramos. O que aconteceu agora?

– Nada novo. – Edward disse ao se recostar para encarar o amigo. – Aliás, há algo novo. Hoje sei que não conhecia meu pai. Para minha vergonha ele é culpado das acusações feitas por Isabella.

– Como sabe?

– As circunstâncias e novos fatos me provaram a verdade – respondeu, correndo as mãos pelos cabelos –, mas não quero mais falar sobre isso. Tenho algo mais importe a fazer.

– Tudo bem! Mas saiba que se precisar, pode me contar o que desejar – Jacob o lembrou; solícito.

Edward lhe lançou um sorriso morno, porém agradecido. Em silêncio indicou a cadeira à diante da mesa antes de separar uma folha em branco e tomar a caneta. Depois de escrever dois recados breves, estendeu o papel ao criado.

– Quero que vá à vila e faça chegar esses telegramas até minhas irmãs. Quero-as aqui o quanto antes.

Jacob recebeu a folha em silêncio e como estava habituado a fazer, leu o que nele havia escrito. Sem deixar de olhar o recado, indagou:

– Isto é um convite de casamento? É o que entendi?

– Sim e não. Por enquanto é um pedido de ajuda para os preparativos, mas não será mais do que isso. Agora a realidade é outra. Já seria polêmico desposar uma criada, imagine o escândalo caso descubram a verdade sobre Isabella. Uma cerimônia simples, com minha família, é mais do que eu poderia ter.

– Mas aqui pede que venham imediatamente. Já pensou em alguma data?

– Jacob, faça sua parte que farei a minha. Preciso que vá agora despachar esses recados, pois tenho pressa. À tarde irei pessoalmente acertar o detalhes com o padre.

– Sabe que não é assim tão simples – o moreno o lembrou, dobrando o papel para colocá-lo no bolso do casaco. – Há o tempo necessário para os trâmites. Como nobre deveria...

– Não tente ensinar a missa ao frei, Jacob – cortou o barão, um tanto aborrecido. – Sei de minhas obrigações, conheço a importância de certos cuidados para manter as boas relações, mas, você, mais do que ninguém deve entender que não posso agir de outra forma. Ainda não conversei sobre isso com Isabella, mas sei que ela compreenderá a necessidade de discrição, e somente a opinião dela me interessa.

– Perdoe-me sir Edward. Irei atendê-lo agora mesmo.

Ao ficar sozinho, o barão deixou sua cadeira e seguiu até a janela. Estavam no final do inverno, o que deixava a paisagem um tanto monótona, contudo Edward não a notava. Gostaria de dar à noiva um casamento pomposo como os de suas irmãs, mas não poderia fazê-lo. Como determinou durante a noite, seria uma cerimônia simples, em Apple White, com sua família e amigos mais íntimos. E que Isabella não entristecesse, pois para ambos, seria o melhor.

E que ela não inventasse de convidar suas amigas meretrizes, pois no que dependesse dele, depois que ela resolvesse as malditas pendências, todo o contato deveria ser cortado. Até lá, reconheceu resignado, teria cumprir sua palavra e enviar um recado. Aproveitaria para pedir que Angela adiantasse a arrumação da bagagem de sua noiva. Quanto menos tempo lá estivessem, melhor.

Milord – Denali o chamou da porta. Ao olhá-lo, o funcionário prosseguiu: – Perdoe-me se atrapalho, mas precisamos de Vossa Senhoria no galpão.

– Por certo! Vamos...

O barão não poderia se perder em divagações. Quando Jacob retornasse de Westking o enviaria ao Jardim. Por ora, havia maçãs a serem colhidas, novas mudas de macieiras principais e suas polinizadoras a inspecionar, muito a fazer. Acompanhado de Eleazar Denali, o barão se ocupou com os trabalhos da sidreria e das estufas. Deixou-as por poucos minutos, para dar a nova tarefa a Jacob, um recado verbal a ser repassado diretamente a Angela.

De volta às estufas, dedicou sua atenção às mudas até que fosse hora do almoço, quando novamente dispersou, já ansioso em retornar à sua casa. Montado em Draco, Edward reduziu a distância que o separava de sua noiva, rogando que esta não tivesse sido importunada por sua mãe. Sabia que o convívio não seria dos melhores, mas não queria que fosse incômodo para a moça.

Depois de liberar o andaluz para que voltasse sozinho ao estábulo, o barão seguiu até a porta principal com passos acelerados, já a se livrar do casaco, das luvas e do chapéu. Entregou-os ao primeiro criado da casa que avistou antes de olhar em volta, indeciso.

– A baronesa e a Srta. Swan, onde estão? – indagou avançando no hall.

– Na saleta, milord – disse o criado.

– Avise para a Sra. Newton que já me encontro aqui e que o almoço deve ser servido no horário habitual.

– A Sra. Newton se encontra com vossa mãe e vossa hóspede, milord.

Edward apenas moveu a cabeça em entendimento e o deixou, rumo à saleta, curioso quanto à reunião de mulheres. Ao entrar no cômodo, que encontrou com as portas abertas, avistou primeiro sua noiva, linda num vestido diurno de Rosalie. A governanta estava ao lado, a baronesa diante da mesa na qual Embry terminava seu almoço. Todas elas apenas o admiravam, enquanto Nero dormia junto à lareira.

Isabella também foi ela a primeira a vê-lo. Seus olhos se encontraram, os negros brilharam, porém a moça não retribuiu o sorriso que recebeu de seu noivo.

– Não nos cumprimenta? – a baronesa o questionou, rompendo o encantamento do casal.

– Acabo de chegar – Edward comentou a guisa de desculpas, precipitando-se para o meio do cômodo. – Bom dia a todas!

– Bom dia, senhor – disse Embry depois que todas o cumprimentaram. – Hoje fiz contas – anunciou orgulhoso.

– Ah, sim? Que maravilha! – o barão lhe sorriu, para acentuar seu entusiasmo.

– O senhor quer ver? – perguntou o menino.

– Termine sua refeição – demandou a baronesa. – Depois poderá mostrar ao barão que lhe herdou a inteligência.

Instintivamente Edward procurou pelo olhar de Isabella, nem sabia por qual razão. Apenas tinha certeza de que o comentário veio para atingi-la. O fraco sorriso da moça não arrefeceu a consternação do barão, porém ele não poderia ir contra a mãe para defendê-la; ao menos não nas pequenas picuinhas.

– Com vossa licença, milord, eu irei cuidar dos últimos preparativos para o almoço – Marie anunciou, já seguindo para a porta, distraindo o barão.

– Tem toda – liberou-a. Avançando mais pela sala, Edward foi se servir de licor. – Alguma das senhoras me acompanha?

– Bem sabe que não bebo em dias comuns – retrucou a baronesa, sem deixar de olhar o neto, que a obedecia, comendo agora a sobremesa. – Muito menos “ao dia”.

– Eu aceito!

Edward encarou a noiva e lhe sorriu. Por um instante acreditou que ela sempre se calaria diante de Lady Elizabeth, para agradá-la. O nobre preferia que a moça lutasse por seu espaço naquela casa que em poucos dias seria muito mais dela do que da atual baronesa; que chispou os olhos castanhos para a futura nora; repreensiva.

– Damas não devem beber ao dia – salientou com desagrado.

– Segundo vossas regras, senhora – Edward respondeu à mãe, docemente, sem deixar de sorrir para noiva. Dividiu seu sorriso com a carrancuda baronesa para lembrá-la: – E Isabella está em casa.

Caso tenha tencionado argumentar, Elizabeth não demonstrou. Apenas desceu os olhos para o menino e lhe acariciou os cabelos, antes de se afastar e se sentar em uma das poltronas. Edward creditou o silêncio à presença do neto. Agradecido com o cuidado, o barão tratou de completar duas taças com licor.

– Aqui está – disse ao se aproximar e entregar uma delas à moça. Notou que ela tremia, porém não comentou.

– Obrigada! – Isabella novamente esboçou um sorriso ao receber a pequena taça.

– Iria perguntar como foi sua manhã. É lamentável que agora não haja como – Edward falou em tom confidente.

– Não há muito a dizer. Acordei tarde e estive na biblioteca até que Embry viesse almoçar – ela relatou brevemente, também confidente, antes de bebericar em sua taça.

– Apenas isso?! – ele duvidou, escrutinando-lhe o rosto.

– Já terminei! – Embry anunciou, chamando a atenção para si. – Mamãe, vovó, eu posso mostrar...

O menino se calou e olhou alarmado para Isabella, assim como o barão e a baronesa, depois que ela soltou a delicada taça de cristal, que estilhaçou ao atingir piso. Desperto e curioso Nero deixou seu posto para farejar o líquido derramado, indiferente a todos.

– Que desastrada! – exclamou a baronesa, repreensiva, pondo-se de pé.

– Isabella! – Edward a chamou ao ampará-la, tão aturdido quanto ela após o chamamento inesperado. Notando a gravidade da comoção, tentou movê-la até o sofá. – Venha se sentar.

– Mamãe, a senhora está bem? – Embry parecia ainda mais alarmado ao se aproximar. – Está doente?

Isabella apenas moveu a cabeça, negando em silêncio, sem sair do lugar, pois se falasse irromperia em choro compulsivo. Que hora o menino escolheu para nomeá-la, ela pensou. Logo reconheceu que não haveria hora adequada que não a comovesse ou surpreendesse. A palavra lhe pareceu a mais bela, o som foi algo mágico. Ele ainda brincava em seus ouvidos quando o filho o repetiu.

– Diga de verdade, mamãe. Não está doente? Ainda são seus olhos?

– Os olhos?! – Edward não acompanhava as novidades. Erguendo o rosto da moça, indagou: – O que houve com seus olhos?

– Não foi nada – Isabella respondeu, tendo o coro improvável da baronesa, que com isto desabonou completamente cada palavra.

– O que aconteceu? – inquiriu o barão, não para as mulheres, mas para Embry.

O menino se encolheu minimamente, porém não se calou. Ignorando a avó que minimizava o comentário infantil, Embry explicou:

– É que hoje mais cedo, minha mãe deixou cair sabão nos olhos e machucou, e quando eu entrei no quarto dela e vi que conversava com a vovó, eu pensei que ela estivesse chorando.

– Ah! – Foi tudo o que Edward externou ao entender, antes de tranquilizar a criança. – Acho que sua mãe está bem. Acredito que depois de almoçar ela fique ainda melhor. Essa tonteira foi apenas fraqueza própria às damas delicadas.

– Minha mãe é uma dama delicada – repetiu o menino, alheio aos tensos olhares trocados entre os adultos, tomando a mão da moça para afastá-la do barão. – E ficará melhor se eu cuidar dela. Venha senhora.

Isabella se deixou levar. Precisava não somente se sentar por um instante, como fugir do olhar avaliador do barão, assim como do aborrecido vindo da baronesa. Não era fraca, mas o ataque de emoções a desestabilizava. Uma vez sentada, ignorando agora a muda questão que o barão dirigia à mãe, ela pediu ao filho que fosse mostrar ao pai as contas feitas mais cedo.

– Sim, mamãe – anuiu sorrindo.

Embry claramente saboreava a palavra tanto quanto ela. Animado com a lembrança, ou talvez apenas desejando mantê-la longe do barão, Embry foi até a mesa, pegar os papéis que orgulhosamente levava de um lado ao outro.

Para o barão, ver os resultados corretos das equações simples, ditadas pela avó não foi novidade, pois não tinha dúvidas da inteligência infantil. Herdada dele, sim, ainda que indiretamente, afinal vieram da mesma cepa.

Por essa razão, as mães presentes deveriam verdadeiramente reconhecer a inteligência congênita e não subestimar a dele, Edward pensou a analisá-las.

Minutos depois, já à mesa, o barão acomodou o guardanapo sobre as pernas, ainda alternando o olhar entre sua noiva e sua mãe. As duas estavam monossilábicas desde que Embry explicou o acidente com o sabão. O clima glacial entre as duas gelava o cômodo mais do que o clima fora da casa.

Edward lamentou por Isabella, pois sabia o quanto Lady Elizabeth poderia se tornar desagradável. Para amenizar os ânimos, depois de novamente correr os olhos de uma à outra que o ladeavam na longa mesa da sala de jantar, o barão resolveu quebrar o silêncio, iniciando um assunto banal.

– O tempo hoje amanheceu horrível, não?

– Este inverno tem dias mais rigorosos – a baronesa comentou, enquanto ainda acomodava o próprio guardanapo sobre sua saia.

– Realmente uma lástima, pois eu gostaria de levar Embry para conhecer o pomar – Isabella lamentou, dirigindo ao barão um olhar tristonho.

– Espero que não incite meu neto a agir como um menino sem classe como fazia com Rosalie.

Longe de Embry, Lady Elizabeth não se preocupou em ser comedida.

– Pode não acreditar milady, mas era Rosalie quem me convidava para brincar no pomar – Isabella salientou com educação, olhando diretamente para a futura sogra.

– Disso eu me lembro – Edward reiterou, enquanto era servido pela criada, contente em confirmar que a moça aos poucos se impunha. – Rosalie sempre se comportou como a mentora das traquinagens.

– Imagine! – refutou a baronesa. – Rosalie sempre foi um doce de menina. Antes que Cora...

– Isabella! – o barão corrigiu, chamando a atenção a mãe para si com sua veemência. – Espero que este lapso não volte a acontecer. Seria extremamente desagradável se estivéssemos entre estranhos, então, quanto antes se habituar a tratá-la da forma correta, melhor será.

Incisivo, Edward procurou os olhos da criada que os servia.

– Isso vale para todos desta casa – prosseguiu, espalmando as mãos sobre a mesa. – A essa altura não deve ser novidade que os pais de minha noiva nos serviram no passado, como também já devam saber que eu ficarei profundamente descontente se não a tratarem com o devido respeito ou pelo nome que lhes foi dito meses atrás.

– Nunca me passou pela cabeça... – começou a criada.

Lord Edward, eu nunca... – Marie falou simultaneamente.

– Não pedi confirmações verbais – o barão as cortou, porém a sustentar o olhar da mãe. – Quero apenas que não haja falhas com a futura baronesa, e rogo que novos acidentes com sabão não aconteçam.

– Edward – Isabella o chamou, segurando-lhe uma das mãos. – Sobre isso, foi como eu disse a Embry. Uma tolice minha. Esqueça.

A moça sentia o olhar da baronesa, mas fingiu não notar. Não ser aceita era o esperado, o tom da convivência foi apresentado desde o jantar e se confirmou pela manhã. Como determinou ao deixar o quarto, deveria se impor, de preferência sozinha, pois o noivo não era um nobre ocioso que estaria presente todo o tempo.

– Então tenha maior cuidado – Edward aconselhou, aceitando a mentira. – Não quero saber de novas tolices que irritam seus olhos.

– Terei – ela assegurou, soltando-lhe a mão para se dedicar à refeição.

Lady Elizabeth a imitou, olhando exclusivamente para o próprio. Ao barão não restou mais do que segui-las. Desmentir a noiva e questionar a mãe à mesa seria desagradável e pouco eficaz. Entender-se-ia com cada uma ao seu tempo. Mas a aquiescência não o impedia de tocar em outro assunto delicado.

– Hoje mandei Jacob à Westking com a incumbência de enviar telegramas para Rosalie e Alice.

– Por quê? – Lady Elizabeth indagou; Isabella apenas encarou o noivo, atenta.

– Para que elas ajudem a organizar o casamento – respondeu, olhando a noiva brevemente antes de encarar a mãe.

– E ainda isso! – a baronesa murmurou, deixando os talheres na borda do prato. Sustentando o olhar do filho, falou: – Já que não há jeito, o que pretende fazer com tanta urgência? Não havia a necessidade de incomodar suas irmãs.

– Não as incomodo. Quero-as aqui não somente para ajudá-las, como para que saibam da situação antes de todos.

Isabella baixou o olhar para a comida, perdendo o apetite completamente. Ansiava e temia um encontro com Rosalie. A amiga haveria de saber que mentiam quanto a Embry, visto que jamais conseguiria lhe esconder um romance com o então baronete.

– Com isso comunica minha participação na organização desse evento bizarro que provavelmente o lançará ao ostracismo social. É o que entendi?

A questão de Lady Elizabeth livrou Isabella dos pensamentos inquietantes somente para acrescentar outro que a assombrava.

– Edward, talvez devêssemos apenas... – ela tentaria dissuadi-lo. Não precisavam de um casamento convencional, afinal.

– Está decidido – o barão se dirigia às duas mulheres. – Esta tarde eu irei à Westking acertar os detalhes com o vigário.

– Vai escandalizar o pobre senhor, isso sim! – exclamou a mãe, voltando a comer um pedaço do pernil de carneiro primorosamente temperado com ervas finas. – E nem há meios de atenuar o problema, afinal já tem um filho crescido. Se insistir que a noiva use um vestido branco é bem capaz de todos os santos despencarem de seus altares.

– Quanto ao horror do padre nada posso fazer, senhora, já quanto aos santos, não correremos o risco de tal desastre, pois pretendo me casar aqui mesmo. Poderemos retirar do altar os poucos santos que possuímos.

– Aqui?! – Elizabeth novamente se livrou dos talheres, surpresa. – Será ainda pior! Nossa capela não comporta mais do que vinte pessoas. Espera que os convidados fiquem de pé? Na varanda?

– Espero não ter mais do que dez convidados durante nossa união perante o padre e não chamarei mais do que isso para uma pequena comemoração após o almoço.

– Não espera mais do que dez...

A voz de Elizabeth minguou antes que ela findasse a frase. Isabella não se atreveu a comentar. Por sua vontade ficariam mesmo como estavam ainda mais depois da colocação feita pela baronesa. Ela jamais teria coragem de caminhar pela nave da igreja a usar um vestido da cor que fosse. Até mesmo a providencial ideia do barão passou a assustá-la, pois ficava cada vez mais próximo o dia em que ela seria exposta à sociedade.

– E eu poderia saber quem faz parte dessa diminuta lista? – a baronesa perguntou, recuperada.

– Minhas irmãs e seus maridos, evidentemente – Edward respondeu inabalável, partindo a carne em seu prato. – Sir Carlisle, a esposa e a filha, caso esta queira vir...

– Esses são todos?! – Elizabeth se mostrava estupefata.

Eram até demais, pensou o barão. Acrescentou o banqueiro à lista em consideração à noiva e ao filho que adotou, mesmo que não o agradasse um encontro entre todos eles.

– Há Jacob e Leah... – Edward acrescentou antes de tomar um gole de água.

– Os criados?! Meu Deus! Será mesmo um circo! Um despautério! – exclamou a senhora, muito vermelha. – Considera mais um criado do que nosso bom amigo Cameron Hope?

– Vou considerar retórica vossa pergunta – anunciou o barão, servindo-se de um gole de vinho branco.

– E Isaac Peterson, e Senior Zimmer? – prosseguiu a baronesa, sem ouvi-lo. – E Nossos ilustres vizinhos, Lord Eleazar e esposa, Lord Tyler e tantos outros que você deveria convidar?

Isabella se sentiu pequena na cadeira. Os nobres não eram presenças assíduas, mas estiveram no Jardim, duas ou três vezes. Numa delas, Amber fez companhia ao Conde de Thompson, o adorável Lord Tyler.

As borboletas praticamente disputaram entre si para saber qual delas o atenderia. Coube a ela, a borboleta mor, como o nobre a nomeou na ocasião, fazer a escolha. Como seria revê-lo de rosto limpo?

Decididamente o apetite se fora.

– Não vejo a mínima necessidade de convidá-los. – Edward disse seguro; suas palavras não serviram para acalmar a moça sentada ao lado. – Como salientou, minha união vem quando descubro um filho já crescido. Fazer alarde de meu casamento seria o verdadeiro circo. Será uma cerimônia simples, com os mais próximos a nós e só.

Edward procurou pelos olhos de Isabella para ver neles a confirmação de que havia tomado a melhor decisão, porém a encontrou com as pálpebras baixas, a remexer a comida praticamente intocada.

– Não está bem assim? – indagou, ignorando os novos resmungos da mãe. Ao sequer ser olhado, chamou a moça: – Isabella?

– Sim? – ela respondeu depois de deixar cair o garfo, encarando o barão com os olhos maximizados.

– O que há? – ele indagou docemente, cobrindo a mão trêmula sobre a mesa. – Não concorda?

– Concordo – disse, movendo o olhar para a futura sogra. – Com tudo. Algo simples será ideal.

– Evidente! – pronunciou-se a baronesa. – O simples para alguém como você já será extraordinário!

– Por certo, milady – Isabella lhe respondeu sem ser grosseira. – Apenas por estar com Edward já é extraordinário. Caso não fossem as convenções...

– Vejam quem pretende falar sobre convenções! – Lady Elizabeth indicou a moça às criadas, em maldosa troça antes de voltar a encará-la. – O que sabe sobre convenções?

– Mamãe! – Edward tentou calá-la, repreensivo.

– Deixe-a – pediu a moça. – Sob muitos aspectos a baronesa tem razão. Não sou o exemplo de boa conduta, e sempre soubemos o que nossa união pode acarretar. Não a impeça de dizer a verdade.

– Não preciso que me defenda mocinha! Ainda mais quando até as pedras dessa casa sabem que digo a verdade. Mas não é porque esse casamento será uma vergonha para nossa família que deva ser feito à surdina. Se vamos arruinar nossa imagem que seja em grande estilo. Alice e Rosalie tiveram casamentos espetaculares, então não vejo razão para...

– Já basta, mamãe! – Edward a calou; com educação, porém incisivo. – Simplesmente não a entendo. Antes questionava como minha noiva entraria na igreja se não é virtuosa para usar vestidos brancos, agora se ressente por eu tentar manter a discrição?

Lady Elizabeth sustentou o olhar do barão por alguns instantes, então, de súbito, engasgou e irrompeu em pranto. Edward apenas estendeu a ela seu lenço de bolso, impassível, acreditando ser uma das tantas cenas da mãe.

– Nem sei o que pensar... – ela disse em meio às lágrimas, apertando o lenço contra os olhos. – Você é meu primogênito. Meu filho querido. Eu tinha tantos planos... Por dias sonhei com um casamento digno de um rei para você e Tanya, e agora... E agora...

– E agora terá que se contentar com o que determinei. Um casamento simples, com a mãe de meu filho. Ou preferia que ele não existisse?

– Não faça isso! – Foi à vez de a baronesa o repreender. – Sabe que já dedico ao Embry o mesmo afeto que tenho por você, mas gostaria que as circunstâncias que o trouxeram à vida fossem outras. Normais.

– Mas os fatos são como se apresentam – redarguiu o barão. – Entendo que tivesse tempo livre para sonhar com minha união, mas o que almejou não se realizará. Então eu agradeceria se dispensasse comentários contrários sobre o que não tem solução. Os telegramas já foram enviados. Se for atendido, em poucos dias Rosalie e Alice estarão aqui e espero que todas cuidem do que for necessário. Sem argumentações e acima de tudo, sem humilhações. Não quero saber que minha noiva sofreu acidentes com sabão quando estou ausente.

Nenhuma das mulheres falou, nem mesmo a respiração das criadas era ouvida. Pareciam nem estar presentes. Isabella desistiu da refeição que não faria e se recostou contra o espaldar da cadeira, tentando se acostumar com a ideia de que em poucos dias estaria diante da amiga de infância. A baronesa por sua vez, voltou a comer, depois de secar os olhos.

Edward analisou uma e outra, então, igualmente dispensou sua atenção ao carneiro. Não de uma forma que ele aprovasse, pois casarem-se era determinante, a noiva o deixou saber que, sim, havia tomado a melhor decisão. E era somente isso que lhe interessava. Para que tudo estivesse perfeito, gostaria que a moça se alimentasse corretamente, mas não a forçaria. À noite procuraria descobrir o que a arreliava. Por ora se ocuparia de dar seguimento às suas determinações.

– Sra. Newton – chamou o barão após dispensar a sobremesa, como a baronesa e a noiva.

Milord – Marie adiantou-se até a mesa, servil.

– Ouviu o que foi dito, então sabe que os quartos da ala oeste devem ser preparados para receber minhas irmãs. Pedi que viessem tão logo pudessem então as espero para daqui a dois ou três dias no máximo.

– Providenciarei o que for necessário, milord.

– Assim espero. No mais, deixo tudo aos seus cuidados. Agora... – disse às mulheres que o ladeavam. – Se já terminaram, eu gostaria que me dessem licença para voltar à sidreria. Preciso resolver alguns assuntos pendentes antes de ir até a vila.

Após a aquiescência de ambas, o barão deixou a cadeira para abotoar os últimos botões do casaco que abriu ao sentar. Depois de recomposto, olhou para a noiva que se mantinha a olhar a mesa e saiu. Gostaria de saber imediatamente aquilo que a afligia, mas não tinha tempo. Também seria aconselhável evitar demonstrações públicas de carinho. Agora que formavam um casal, deveriam se portar como tal.

– Vejo-as à noite. Até breve!

– Até breve – novamente responderam em uníssono.

Ao ficarem sós, a baronesa deixou a mesa sem mais palavras. Intimamente Isabella agradeceu por ficar sozinha com seus pensamentos.

– Isabella.

A moça se sobressaltou ao ouvir seu nome. Somente então se deu conta de que as criadas ainda estavam à sua volta, retirando da mesa o que foi usado.

– Diga Marie... – respondeu, pondo-se de pé.

– Mal tocou na comida... – observou a governanta. – Deve se alimentar. Quer que lhe prepare uma xícara de chá? Posso trazer alguns biscoitos de milho.

– Não, obrigada! Estou sem fome agora – assegurou, sorrindo-lhe. – Mas obrigada pela preocupação.

Sem esperar por novos oferecimentos ou comentários, Isabella deixou a sala. Ficar remoendo o que ainda nem acontecia era uma desgastante perda de tempo. Na casa havia alguém que poderia animá-la até que fosse hora de estar com o barão.

Decidida, a moça seguiu rumo ao quarto do filho, sabendo ser lá que o encontraria. Por determinação da baronesa, o menino deveria descansar após o almoço. Percorreu o corredor imaginando o que Embry e ela fariam durante a tarde que a ajudasse a se distrair do que ainda viria.

Evitaria pensar em demasia no reencontro com Rosalie e também, na real possibilidade de estar diante de Lord Tyler e outros nobres distantes que, mesmo esporadicamente, frequentaram seu bordel. No momento a proteção obtida com a máscara lhe parecia muito frágil.

Isabella cismava com os acontecimentos próximos quando ouviu a voz da baronesa, vinda do quarto desta, e estacou. Não era sua intenção ouvir por detrás das portas, mas foi algo inevitável ao reconhecer seu antigo nome.

– Escreva o que lhe digo Amy, Cora Hupert veio para fomentar a discórdia nessa casa. Vê como meu filho me trata? Se estivesse a servir o almoço teria novamente presenciado a forma grosseira com que agora ele se reporta a mim. Sempre tão ríspido!

A moça quis seguir seu caminho, porém suas pernas não obedeciam.

– E eu o adoro tanto! Todas as vezes que ele alteia a voz para mim, meu peito sangra – lamuriou-se a baronesa.

– Talvez se a senhora evitasse demonstrar seu dissabor... – Amy sugeriu receosa.

– E deixar a pequena impostora ganhar terreno? – sibilou Lady Elizabeth. – Isso é que não! A única coisa boa que aquela criatura fez foi trazer meu neto ao mundo, mas graças a Deus ele não lhe pertence. A esperta o usou para se aproximar de meu filho e nem se deu conta de que agora ele é nosso. Deixe que ela iluda meu Edward enquanto pode. Tenho fé que um dia meu filho há de ver a cobra que a embusteira é, e há de botá-la para fora dessa casa a pontapés. Então tudo voltará a ser como antes. Ainda tenho esperança que Tanya o aceite de volta, assim como meu neto, depois que esse encantamento absurdo tiver um fim.

Milady, eu acho que não acontecerá... – a criada se aventurou a um novo palpite. – Lord Edward é...

– De que lado está? – a baronesa a cortou, aborrecida. – Acaso ficou agradecida após aquela desaforada ter feito o baronete se desculpar? Se este é o caso, saiba que não se repetirá. Somos justos, mas ainda seus patrões. São vocês quem se desculpam pelas falhas, não nós.

Isabella compreendia a senhora na maioria das vezes, mas sentiu o sangue ferver com tamanha soberba, porém se conteve. A ela concernia não deixar que Embry se tornasse arrogante e sim, afável e justo, mesmo que firme; como Edward.

– Não, milady... – Amy sussurrou. – Estou de vosso lado. Apenas acho que deveria não se aborrecer tanto. Lembre-se de seu coração.

– Ah, meu coração nunca esteve melhor! Agora apenas sofre com tantas novidades... Como se não bastasse a infelicidade de ver meu filho se casar com a filha dos criados, a união será aqui em nossa capela... – o tom voltou ao lamento. – Com convidados contados... Uma vez que não há jeito, contava com uma grande recepção, com amigos e parentes. Contava também em estar com Senior Zimmer.

– O Sr. Zimmer?! – espantou-se a criada. – Mas o cavalheiro esteve aqui e milady não o quis receber...

– Evidente que não! – Lady Elizabeth exclamou aviltada. – Por quem me toma?! Sou uma viúva respeitável e meu filho não estava em casa. O que diriam se soubessem que o recebi? Ainda mais com ele a me trazer flores?

– Lindas flores, por sinal – salientou Amy com um risinho contido.

– Sim! – Lady Elizabeth riu brevemente. Isabella levou as mãos à boca para calar uma exclamação ao reconhecer o interesse disfarçado. Ainda paralisada ouviu a futura sogra prosseguir: – Senior Zimmer sempre foi um cavalheiro de bom gosto. Sua falecida esposa sempre lhe enaltecia as qualidades quando nos encontrávamos para o chá.

– O que pretende fazer? – a criada indagou em tom confidente. – Depois dessa visita está claro o interesse dele por Vossa Senhoria... E uma vez que ambos são viúvos...

– Sinceramente não sei Amy... – respondeu a baronesa com evidente pesar. – O Sr. Zimmer é bem apessoado, agradável, nossas conversas fluem fáceis, mas acredito não ter idade para aceitar uma corte. Edward não permitiria, e mesmo que o fizesse, agora, ele precisa de mim. Não posso deixá-lo à própria sorte com a aproveitadora. E há meu neto.

– Uma lástima, pois os dois formariam um bonito casal, milady.

De súbito a moça se sentiu péssima por participar indiretamente de conversa tão inesperada e íntima. Livrando-se da paralisia, tratou de seguir apressadamente ao quarto do filho. Ao entrar ainda sorria incrédula por descobrir que a baronesa tinha um coração afinal. E parecia enamorada! Quem diria?

– O que é engraçado, mamãe?

O riso morreu imediatamente ao ouvir a palavra. Embry parecia decidido em recuperar o tempo que perdeu ao não usá-la, e, com certeza, comoveria a mãe sempre que o fizesse.

– Não é nada – disse ela ao se aproximar do menino que brincava com Nero. Depois de sentar no chão para se juntar a eles, ocultando a súbita comoção, afagou a barriga do galgo. – Seu traidor. Agora não mais me segue.

– Quando ele a seguia? – Embry indagou interessado. – Quando esteve aqui e andou a cavalo?

– Sim, meu querido – Isabella dedicou toda sua atenção ao filho, passando a acariciar seus cabelos; por tempo indeterminado sempre lhe pareceria insólito estarem juntos, em Apple White.

– Quando vou vê-los?

– Não sei meu amor – disse amável, sempre lhe tocando os cabelos. – Quando o tempo firmar... Peça ao seu pai para levá-lo.

– Gosto dele, mas preferia ir com a senhora – Embry falou num muxoxo, afagando a barriga de Nero. Então encarou a mãe para acrescentar: – E com sir Carlisle. E ele, quando irei vê-lo? E tia Angela?

– Em breve meu querido...

Ela não saberia dizer com certeza. Nem mesmo teve a chance de saber se seu recado foi enviado à Angela. O que parecia certo era um encontro na ocasião de seu casamento. Com isso quis preparar o menino para o evento.

– Acredito que você veja sir Carlisle durante minha união com seu pai.

– Quando será? Amanhã? – Embry torceu os lábios, deixando claro que a ideia ainda o arreliava.

– Não amanhã, mas em breve seremos uma família. E quero que entenda que isso não mudará o que sinto por você, entendeu?

– Acho que sim... – respondeu incerto. – Mas será bom, porque ao menos sir Carlisle virá! Não pode mesmo ser amanhã?

– Não, não pode ser amanhã – Isabella sorriu brevemente antes de voltar à seriedade. – E antes que ele venha, nós dois precisamos ter uma séria conversa. Lembra-se do jogo proposto por seu pai?

– Sim, senhora – assegurou animando-se. – Estou ganhando!

– Está, e para continuar assim, deve também fazer de conta que não conhece sir Carlisle quando o vir aqui pela primeira vez.

– É uma nova regra do jogo? – Embry se mostrou interessado, porém logo torceu os pequenos lábios mais uma vez. – E se ele ficar triste?

– Não vai ficar porque ele sabe que você deve ganhar o jogo e vai ajudá-lo. – Isabella o tranquilizou. Não se orgulhava do que fazia, contudo era necessário. – E depois que forem “apresentados”, vocês poderão ser amigos novamente.

– Assim eu gostei mais! – Embry exclamou feliz.

– Sabia que gostaria. Agora, o que me diz de darmos uma volta pela varanda?

– Posso levar o Nero? – o menino indagou ao se por de pé, já animado.

– Querido, ele o seguiria mesmo que qualquer um de nós o proibisse – ela garantiu, voltando a sorrir.

Deixavam o quarto quando se depararam com a baronesa, aproximando-se pelo corredor. Depois de olhar mãe e filho, indagou aborrecida à moça:

– Aonde pensa levar meu neto?

– Levarei meu filho para uma volta na varanda – Isabella respondeu, sustentando-lhe o olhar. Como se sentisse a tensão no ar, o menino segurou-lhe a mão e a apertou.

A senhora os mediu por um instante, detendo o olhar às mãos unidas antes de voltar a encarar a moça.

– Está bem! Apenas rogo que não saiam para os jardins, nem se demorem, pois o dia está instável e muito frio.

– Não vamos nos demorar – assegurou educadamente.

– Na volta, eu gostaria de retomar a conversa que não se encerrou – disse a baronesa, altiva.

– Na volta iremos à biblioteca onde lerei um conto para Embry – Isabella revelou seus planos sorrindo para o filho, então procurou o olhar de Lady Elizabeth e prosseguiu sincera: – Será bem-vinda a se juntar a nós, milady. Poderia também contar uma história para ele. Sei que as narra divinamente. E isso será tudo, pois a conversa que tivemos foi encerrada. E não me animo a iniciar outra semelhante. Agora, com vossa licença...

Depois de fechar os olhos e se curvar em deferência à nobre senhora, Isabella apertou mais a mão de Embry e seguiu seu caminho, sendo acompanhada de perto por Nero. Aquele seria o tom. Não a confrontaria, mas também não cederia.

Ouvir a conversa entre a nobre e a criada, serviu não somente para indicar que a baronesa tinha um coração, igualmente a lembrou se tratar apenas de uma mulher. Retirando-lhe o título. Elizabeth era como ela, Isabella. Como Angela e tantas outras. Seu temor infantil, simplesmente desapareceu.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Me contem!... :) Essa semana pretendo deixar mais 2 capítulos para igualar as postagens do face. ;) bjus amores... Espero que todas tenham tido um feliz dia das mães!