Borboleta Negra
9 Capítulo Oito
Notas iniciais
Capítulo Bônus como prometido... Espero que goste...
Como agradecimento pelos reviews, vou deixar spoiler!... :D
Obrigada...
BOA LEITURA!
Para surpresa de Isabella o passeio por entre as baias não foi tão agradável quanto imaginou. De fato o estábulo possuía muitos cavalos, cada um mais bonito do que o outro, contudo a lembrança de Embry trouxe uma saudade doída, agravando também a falta de seu anfitrião para retribuir seus sorrisos ou lhe responder as perguntas que um Mike constantemente apavorado mal conseguia pronunciar. Era como se ao dirigir-lhe a palavra fosse ter a língua também cortada como aconteceria com suas mãos caso não lhe conduzisse corretamente.
Nem mesmo lembrar ao rapaz mirrado e loiro de que seu patrão apenas brincara, ajudou a melhorar o clima entre eles fazendo com que a moça encerrasse um passeio que há muito não lhe agradava.
Despedindo-se do cavalariço, Isabella tomou o devido cuidado para não se aproximar da parte posterior do palácio onde sabia existir a porta que levava à cozinha e seguiu para a porta principal, acompanhada pelo galgo.
Ao avistá-la viu que Marie estava a postos no topo da escada.
– Isabella. Onde esteve? Eu estava preocupada. – a criada logo exclamou aflita ao vê-la. A moça lhe sorriu e entrou para retirar o chapéu e entregá-lo à criada, passando a contar sobre seu passeio matinal, ocultando a ida ao cemitério. Ao que Marie exalou aliviada. – Folgo em saber que era verdade.
– Qual verdade? – ela indagou com as sobrancelhas unidas.
– A de que esteve com Lord Masen. – a criada também lhe sorriu. – Chegou aos nossos ouvidos na cozinha que o barão havia deixado alguém montar seu cavalo preferido.
– O que tem isso demais? – estranhou. Então se lembrando do comentário de Edward, acrescentou. – Ah... Entendo. É porque Draco não aceita estranhos sobre ele...
– Quem não aceita alguém sobre ele é o próprio barão que tem verdadeira adoração por aquele cavalo. Nem mesmo as irmãs tinham permissão de se aproximarem.
– Não vejo nada demais. – Isabella retrucou descrente quanto a qualquer novidade. – Ainda acho que ele impedia a aproximação por medo de que o pior acontecesse. Hoje Edward viu que o cavalo não me estranhou e propôs um teste; apenas isso.
– Pode ser... – Marie murmurou encarando-a.
Percebendo que novamente se referiu ao barão pelo primeiro nome, decidiu que não se dividiria entre formalidade e informalidade. Se o próprio lhe pediu que o chamasse por seu nome de batismo, assim o faria todo o tempo. Resoluta, a moça ignorou a avaliação e pediu para encerrar o assunto.
– Agora gostaria de ir à biblioteca, poderia me levar?
– Claro que sim... – disse prestativa. Porém não se calou e demonstrando que não desistiria facilmente, comentou. – Nunca vi Draco estranhar ninguém, no entanto, nem Lady Rosalie, Alice ou a Srta. Tanya jamais puderam montá-lo.
– Senhorita Tanya? – indagou interessada, seguindo a serviçal pelo corredor que tão bem conhecia.
– Tanya Cullen é filha de um banqueiro de Wisbury. Eles sempre vêm aqui no palácio. – baixando a voz segredou. – Sinceramente não sei se tem futuro, mas a baronesa nutre o desejo de unir as famílias, entende?
Sim, ela entendia. Marie nada discretamente lhe informava que o barão era comprometido colocando-a a par das intenções da baronesa de casar seu filho nobre com a filha de alguém abastado; que coincidentemente era seu protetor.
Que piada maldosa do destino, pensou sentindo o estômago revirar. Não soube como não ligou o nome à pessoa empoada, nem como não imaginou sem que fosse preciso ouvir que os Cullen sempre estiveram presentes no palácio. Não fora justamente por isso que Carlisle a recolheu da rua após reconhecê-la? Também não entendia a razão de seu espanto em saber que o barão não era de todo livre; era da natureza dos homens manterem relacionamentos paralelos com outras mulheres; só que naquele caso não seria com ela.
– Entendo... – murmurou quando já chegavam ao seu destino. – Formarão um lindo casal!
– Acho que não. Sei que há algo entre eles, mas não creio que evolua para um compromisso mais sério. Nunca vi Milord animado por uma jovem como com...
– Como com...? – Isabella a encorajou a seguir com a fofoca.
– Ah! Perdoe-me Isabella... – ela encolheu os ombros. – Não devo me meter nos assuntos dos patrões. Só digo que ele se mostra muito animado, mas é por outra jovem. Agora devo deixá-la. Ainda preciso preparar seu almoço.
– Está bem! Vá em paz. Caso precise a chamarei.
Com uma leve reverência a criada se foi, deixando-a sozinha entre os muitos livros da biblioteca. Mais uma vez a nostalgia a fez esquecer assuntos recentes. Aquele era um dos poucos lugares onde pôde entrar caso estivesse acompanhada de Rosalie. Também fora com os livros por testemunha que salvou Nero da sanha assassina de Alice, a qual seu irmão chamara de “coisas de criança”. Para ela era pura maldade de uma pequena víbora.
Espantando a recordação, Isabella vagou diante das estantes que tomavam três paredes, correndo os dedos pelas capas impecáveis. Deparou-se com um livro que lhe trazia boas recordações então o recolheu. Sabendo estar sozinha no palácio, foi até um pequeno sofá de dois lugares, retirou os sapatos e se acomodou para dar início à leitura. No entanto, focar sua atenção se mostrou um problema, pois nos primeiros minutos os rostos de Edward e Tanya surgiam diante de seus olhos.
Contudo logo os expulsou. Não era de sua conta com que o barão mantinha compromisso nem se demonstrava animação por essa ou aquela jovem. Que casasse com qualquer uma delas, fosse feliz e povoasse o palácio de pequenos herdeiros para a alegria da baronesa alcoviteira. Obrigando-se a ler, Isabella bloqueou a todos em seu pensamento até que Marie viesse perguntar se estava pronta para ter seu almoço.
Ao se descobrir com fome, pediu-o ali mesmo na biblioteca. Após comer o guisado servido e provar um doce de maçã como sobremesa, ela voltou ao sofá e à leitura, contudo não mais conseguiu a atenção para entender duas frases com coerência. Pensava somente em Edward e no que ele estaria fazendo. Se havia almoçado, ou ainda estaria resolvendo os problemas do galpão. Não tinha como saber e assim o dia passou.
À noite, depois de asseada e trocada, ela desceu e seguiu para a sala onde se encontrou com o barão para o xerez em sua primeira noite no palácio. Esperou por ele como recomendado por Marie, subitamente muito discreta quanto aos patrões. Quando esta resolveu dividir informações fora para avisar que o barão não viria, pois ainda estava às voltas com as trincas dos tonéis.
Isabella então dispensou sua ida até a sala de jantar e pediu que Marie lhe servisse algo ali mesmo. Novamente comeu sozinha tendo em sua mente a ideia do quanto o barão era dedicado ao seu trabalho; não era dependente de seus criados, nem ocioso. De fato um nobre admirável!
Já recolhida em sua cama, Isabella nutriu certa inveja daquela que ele escolhesse para desposar. Com exceção a falta de fidelidade, a sortuda viveria com um dos poucos homens decentes que havia no mundo. Com esse pensamento a moça adormeceu. Naquela noite não sonhou, nem despertou agitada.
Ao entrar em seu quarto, tarde naquela noite, o barão simplesmente deixou-se cair sobre a cama e como estava dormiu. Seu último pensamento fora especular como teria sido o passeio de sua hóspede e como ela havia passado o dia. Na manhã seguinte despertou com o corpo dolorido, na mesma posição na qual deitou. Estava de fato exausto, mas satisfeito por ter recuperado todas as pequenas fissuras dos tonéis. No momento lhe restava crer que a qualidade do seu produto não fosse comprometida.
Edward ainda se sentia cansado, mas não poderia ficar na cama muito mais. Em poucas horas receberia um carregamento de garrafas e como sempre iria inspecioná-las. Resignado se levantou e se despiu somente para lavar-se e vestir roupas limpas. Como durante todas as ações manteve Isabella em sua cabeça, parou diante de sua porta ao deixar o quarto. Ainda lamentava ter sido separado dela de forma tão abrupta. Não fosse a emergência, talvez aquela inesperada aproximação tivesse se mostrado proveitosa; afinal, fora a formalidade ela não se mostrava arredia.
Jamais saberia como teria terminado o encontro e no momento não tinha tempo para especular, então seguiu seu caminho rumo à cozinha para tomar seu café da manhã. Como sempre seu lugar a mesa já estava posto e ao se sentar Sue veio servi-lo. Também como sempre a velha cozinheira, falou.
– A baronesa ficaria assombrada caso soubesse desse seu hábito quando ela não está.
– Minha mãe se assusta com qualquer coisa Sra. Wood, então é melhor que continue a não saber, não concorda?
– Como queira Lord Masen. – ela retrucou antes de voltar à carga, daquela vez com um assunto novo. – Acha que ela também se assombraria caso soubesse que tem uma moça solteira e desacompanhada hospedada nessa casa?
– Isso nós descobriremos tão logo ela chegue, Sra. Wood. Pois é minha intenção colocá-la a par do que houve. – o barão replicou seco antes de altear a voz e dizer para que todas o ouvissem. – E espero ser eu a fazê-lo... Ficaria muito aborrecido caso a baronesa soubesse por outra pessoa. Espero que todos se lembrem que mesmo tendo muito respeito pela opinião de minha mãe, sou eu quem manda nessa casa e determino quem fica ou vai.
– Evidente que todos sabem Milord... – a senhora respondeu baixando os olhos. – Tempero seu chá com leite como sempre?
Com isso tudo voltou à velha rotina. Edward comeu seu desjejum rapidamente e saiu para cumprir suas tarefas já esquecido dos comentários da cozinheira abelhuda. Sabendo que Jacob já estava completamente recuperado e sentindo falta de seu auxílio, foi até sua casa para liberá-lo do repouso, montado em Draco.
– Até que enfim! – o criado exclamou ao ser avisado da liberação. – Não aguentava mais ficar aqui parado.
– Pois então se mexa e me encontre no rio. Vou ver como está o andamento a obra.
– Louco para se vir livre de sua hóspede? – Jacob o provocou.
– Louco para rever minha decisão. – retorquiu sério. – Vai começar logo cedo?
– Perdoe-me. – o moreno pediu erguendo as mãos. – Prometo ficar calado o resto do dia se me deixar trabalhar.
– Vou me lembrar da promessa, agora se mexa... Tenho muito a fazer.
Antes que o amigo entrasse, Edward já partia para a margem do rio. Jacob se juntou a ele minutos depois montado em seu cavalo baio.
– Minha nossa! – exclamou ao ver o pouco que haviam feito. – Aqui tem trabalho para mais de mês.
– Acho que estão fazendo corpo mole. – Edward deu voz ao pensamento que tinha antes da chegada do amigo. Não queria que Isabella fosse embora, mas deveria se ater às reais necessidades. Precisava da ponte tanto quanto todos os outros; todos perdiam ao ficarem ilhados. – Aceitaria ficar aqui sendo meus olhos?
– Evidente que sim. Pode ir sossegado Sir... Eu cuido de tudo.
– Obrigado!
Tão logo agradeceu deu meia volta com Draco e correu até o galpão para receber as garrafas. Sua presença consistia apenas em acompanhar o descarregar das charretes e assistir o trabalhador encarregado pela supervisão, fazer a contagem enquanto todos os outros as guardavam. Comumente acompanharia também todo o armazenamento da nova entrega, mas no meio da manhã sentia-se disfuncional.
Precisava estar com Isabella nem que fosse por breves e tensos instantes. Montando no andaluz partiu para sua casa. Ao se aproximar correu os olhos ao redor contando em vê-la a passear como na manhã anterior. Não a viu então deixou Draco com Mike e seguiu a pé para os fundos do palácio, onde entrou pela cozinha.
Encontrou Marie a preparar uma xícara de chá, pela simplicidade da porcelana julgou que fosse para ela mesma. Como sempre a criada largou o que fazia para se mostrar a disposição.
– Vossa senhoria deseja algo?
– Apenas saber se a senhorita Swan despertou. – respondeu movendo a mão para indicar que ela podia se sentir a vontade.
– Sim Lord Masen. – antes que perguntasse, ela acrescentou ocultando um sorriso. – Servi-lhe o desjejum na biblioteca tem quase uma hora.
Era o que queria ouvir. Sem agradecer-lhe o barão partiu alheio aos olhares que recebia de todas que assistiam a cena. Não deveria se mostrar tão ansioso em encontrá-la, porém não conseguia evitar. Havia algo nela que o atraia. Para seu alívio encontrou-a onde Marie disse que estaria.
Sentada sobre a namoradeira com os pés nus cruzados graciosamente sobre o braço forrado do móvel Isabella lia muito absorta, sem notar sua chegada. Aproveitando-se da distração, ele escorregou para o lado onde ela não o veria facilmente e se aproximou mais.
Em nenhuma das outras vezes que a viu considerou-a tão bonita. A trança volumosa e negra descansava sobre seu ombro descoberto pelo corte arredondado do vestido azul. A saia deste, levantada ligeiramente pela displicência da pose, deixava à mostra a renda final das saias de baixo, assim como os tornozelos delicados. Aquele pedaço de corpo exposto teve o poder de esquentar seu rosto e pescoço, mais do que os braços igualmente nus. Acaso um dia a visse como em sua visão, não lhe resistiria.
Ambos foram despertos de seus mundos com os latidos de Nero que entrava na biblioteca anunciando sua chegada. Correu diretamente para a nova amiga que antes de recebê-lo, apagou seu sorriso sincero ao descobrir o barão parado num dos cantos as suas costas. Alarmada, ela se recompôs rapidamente baixando os pés para calçá-los.
– Há quanto tempo está aí? – indagou nervosa.
– Asseguro-lhe que acabo de entrar. – mentiu. – Pensei em chamá-la, mas a considerei tão compenetrada que iria deixá-la com sua leitura.
– Poderia ter chamado... – ela falou alisando o pelo do pescoço de Nero. – Perdoe-me por estar tão a vontade, é que imaginei estar sozinha.
– Não se desculpe. – pediu levemente incomodado sem nem saber o motivo. – Vou deixá-la para que volte a ler...
O barão estava ali para conversar com ela, não estava? Mal eles haviam trocado meia dúzia de palavras, como já partiria veloz como um raio com o humor mudado? Antes que ele saísse, Isabella o chamou.
– Edward, não queria falar comigo?
Ouvir seu primeiro nome o fez estacar. Acreditou que a formalidade estivesse de volta por conta dos pesadelos, mas parecia que estava errado. Dirigir-se a ele com a mesma leveza da tarde anterior fora uma grata surpresa.
– Sim, mas... Não queria incomodá-la.
– Não incomoda! – assegurou com um sorriso. – Fique e diga o que deseja.
O nobre ficou e desejava muitas coisas depois de receber outro sorriso diretamente para si. Talvez ele nunca a tivesse, pensou ao aproximar-se. Contudo, mirando aquele rosto corado, iluminado pelo maior e mais belo sorriso que já vira, questionou-se a se teria coragem de desistir dela. Talvez fosse o caso de aproveitar o que ela oferecesse, sem grandes expectativas. Afinal, Seu Embry estava longe e ela ali, com ele. E por dias não iria à parte alguma.
– Não era nada em especial. – falou indo se sentar numa das poltronas, próxima de onde ela estava. – Queria saber como passou a noite. Nesta estive tão cansado que não a ouvi, mas nas anteriores teve sonhos ruins...
– De fato os tive. – admitiu.
Contudo se negou a recordar de algo desagradável para reparar no quanto seu anfitrião estava bonito naquela manhã. Tinha os cabelos presos e vestia a infalível camisa branca de tecido leve, com os punhos dobrados sobre antebraço. Sua calça era preta assim como as botas de montaria. Como sempre estava despojado para um nobre, mas as vestes combinavam mais com o caráter que ostentava. Encontrando os olhos azuis nos seus depois de sua analise, assegurou para que ele esquecesse o assunto.
– Foi algo bobo. Tolices que só acontecem em pesadelos. Tão insignificante que já esqueci.
As palavras dela lhe trouxeram sentimentos ambíguos. Isabela bem poderia não se importar caso de fato a tocasse além dos breves contatos, como acreditar que seus carinhos seriam tão inexpressivos que nada inspirariam indicando que o seu relacionamento com Embry estaria sempre seguro; maldição.
– Algo o aborrece? – ela perguntou ao vê-lo franzir o cenho sem nada dizer. – Escute, se foi porque eu o chamei de Lord novamente, entenda que ontem estava apenas brincando e na primeira vez ainda estava me acostumando com a mudança. Quando bateu em minha porta estava abalada pelo pesadelo...
– Quer conversar sobre ele? – inquiriu taciturno, desejando saber o que ela lhe diria.
– Já disse que foi tolice. – Isabella repetiu afável. – Sonhos são belos e bons de compartilhar, pesadelos algo a ser esquecido, mas em ambos os casos são apenas ilusões... Não expressam a realidade, então porque nos ocuparmos demais com eles?
– É nisso que acredita de fato? – haveria esperança.
– Certamente! – então novamente lhe sorriu.
– Sendo assim esqueçamos seu sonho ruim! – exclamou muito satisfeito. – Como foi seu passeio ao estábulo sem mim? Mike se comportou?
Isabella reprimiu o desejo tolo de dizer que não, mas algo lhe avisou que o barão era bem capaz de nem ouvi-la ao desmentir, o que deixaria o pobre cavalariço em maus lençóis.
– Foi bom. – ela disse de pronto, deixando-o miserável; nem sentira sua falta. Porém antes que cismasse, ela prosseguiu. – Teria sido melhor se estivesse lá.
– Da próxima vez estarei. – Edward prometeu contente. Para que a conversa não findasse, perguntou. – O que lia tão compenetrada?
– Shakespeare; Sonho de uma Noite de Verão... Eu o adoro!
– É o preferido também de Rosalie. Não sei como não o levou ao se casar...
– Sua irmã deve ser uma pessoa maravilhosa... – Isabella comentou despretensiosamente.
– Sim, ela é. – o barão confirmou saudoso. – Sempre fomos muito próximos. Sinto falta de tê-la zanzando pela casa.
– E ela é basicamente feliz? – não deveria cometer tal indiscrição, mas deseja muito saber.
– Basicamente... Creio que sim. – Edward estranhou a pergunta e a forma como foi feita, mas não questionou o interesse. – Ela se casou por amor, não por imposição, acho que isso deve valer alguma coisa.
– Acredito que sim... – ela exalou sonhadora, emocionada até por saber que a amiga havia se livrado de seu maior temor; o de ser vítima de um casamento arranjado e sem amor. Rosalie merecia uma vida repleta de momentos felizes.
Edward se aborreceu com o olhar brilhante e a voz murmurada. Era como se a jovem se encaixasse no mesmo perfil romântico de sua irmã e esperasse ter a mesma sorte.
– Você ama alguém? – perguntou sem pensar.
Se pudesse engoliria suas palavras, mas como não seria possível, esperava impaciente pela resposta. Esta veio rápida; quase que também não pensada.
– Amo. E é um amor tão bonito e puro como eu jamais poderia imaginar merecer...
– Entendo! – o barão comentou seco se pondo de pé. Se desejasse reverter àquela situação em seu favor, teria que agir. – Gostaria de conhecer a propriedade antes que chegue à hora do almoço?
Isabella titubeou. Já se arriscava tanto por circular pelo palácio. Todavia já sentia falta de vento e do sol. O dia que via pela janela parecia tão bonito. Como se soubesse de sua vontade dividida, ele ofereceu.
– Eu poderia levá-la novamente ao estábulo... Ou ao pomar das macieiras.
Aquelas foram palavras mágicas. Isabella adoraria rever o cenário de suas brincadeiras com Rosalie. Levantando-se, ela passou ao lado do barão para recolocar o livro na estante.
– Como se não bastassem os gostos, até nisso se parece com minha irmã. – ele observou. – Rosalie nunca deixava um livro fora de seu devido lugar.
– Sou convidada. – ela o lembrou. Para evitar maiores comparações acrescentou educadamente. – Não faço mais do que minha obrigação.
– Não se policie sempre por ser convidada. Fique mesmo a vontade... – tranquilizou-a. E para o cachorro traidor que se levantava para segui-los, falou. – Você fica.
– Pobrezinho! – Isabella se compadeceu. – Deixe que ele vá conosco. Nero promete se comportar, não mesmo rapaz?
E quem poderia contrariar alguém que pedia tão carinhosamente e conversava amável com um cão queimado que olhava para seu dono tirano com olhos implorativos? Não ele; estava perdido com aqueles dois.
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SPOILER — Capítulo Nove
Já haviam circulado todo o palácio sempre com Nero ao lado deles. Isabella sentia-se mais a vontade. Naquele novo passeio fora do palácio havia cruzado com alguns criados de sua época, mas estes nem ao menos ergueram os olhos em sua direção. Os poucos que o fizeram confirmaram suas suspeitas de que não a encaixariam no perfil da adolescente esquálida que havia sido expulsa daquele lugar.
Agora ela era uma mulher formada e bem tratada. Os cabelos opacos e quebrados pelas lavagens com sabão para roupas estavam crescidos e lustrosos. A pele antes marcada pelo sol, clareada e macia. E onde antes havia apenas uma capa de pele sobre ossos, havia carne bem nutrida que enaltecia suas formas. Decididamente temia a toa. Apenas uma talvez fosse capaz de reconhecê-la; mas dessa trataria de manter distância nunca chegando perto da cozinha.
Novamente se esquecendo de quem não merecia um segundo de seu pensamento, Isabella sorriu para Nero que corria a frente deles e então voltava em disparada; parecia muito feliz em vê-la novamente naqueles jardins. Como se lesse seus pensamentos, Edward comentou.
– Nunca vi Nero tão contente com um passeio... Aliás, ele nunca vem às caminhadas quando estou acompanhado.
– Nos tornamos bons amigos. – ela comentou. Novamente não era de sua conta, mas perguntou em seguida. – Acontece com frequência? Esses passeios estando acompanhado.
– Não muito! – Edward então quis morder sua língua. Estava em missão importantíssima e insinuava a existência de outras mulheres. Na tentativa de consertar o malfeito, emendou. – Poucas pessoas vêm até aqui. Geralmente venho com Jacob conferir o pomar.
– Entendo... – e Tanya Cullen ela supunha, mas de fato não era de sua conta.
– Veja! – o barão apontou aliviado por mudar de assunto. – Ali está o pomar.
Isabella bem o sabia. Havia crescido nos anos em que ficou longe. As árvores conhecidas estavam mais altas. Os galhos da velha macieira, antes de tão fácil acesso, agora estavam muito distantes de sua mão estendida. Como um bom cavalheiro Edward alcançou uma das maçãs mais baixas e estendeu para ela.
– Obrigada! – sorriu e circulou a fruta entre os dedos.
A casca vermelha era ainda perfeita como as do seu tempo. A moça acreditava que teria o mesmo sabor, mas não a mordeu. Estava emocionada por pisar onde havia sido feliz vivendo no mundo de faz de conta que Rosalie lhe apresentou. Entre aquelas árvores foi filha, fada encantada, borboleta e caçadora. Foi também princesa justamente no dia em que Edward resolveu aparecer para ver por que tanto a irmã e a “amiguinha” gritavam.
Rosalie correu para encontrá-lo e explicou ser a bruxa má que tentava envenenar a princesa. Isabella por sua vez não saiu do lugar; em sua mente infantil o rapaz de dezesseis anos era a personificação do seu príncipe salvador. Em comparação aos seus cinco anos ele lhe pareceu muito grande e imponente. E também amoroso ao erguer a irmã de sete anos para beijá-la na bochecha antes de depositá-la ao chão para que continuasse a brincadeira.
Dias depois Edward fora mandado para Londres, mas sua imagem idealizada permaneceu na cabeça de Isabella por anos a fio. Contudo seu príncipe não estava lá quando o barão a corrompeu, nem a salvou das ruas quando foi lançada a própria sorte. Não lhe atribuía qualquer culpa, afinal de fato o jovem barão não a tinha. Mesmo que estivesse na cidade nada poderia fazer, afinal nunca soube qual espécie de porco era seu pai. Todavia logo na primeira vez que fora violada, soube que príncipes salvadores não existiam; os nobres eram maus e todos os homens interesseiros.
Estava satisfeita por ver que havia mais exceções entre suas crenças. Sir Cullen era um homem bom para ela; assim como Edward que não carregava a maldade do pai em seu sangue nobre. O mundo não era um lugar tão feio afinal. Tinha que acreditar, ainda mais estando naquele pequeno pedaço de paraíso. Antes que percebesse murmurou.
– Tudo é tão lindo aqui!
– Concordo. – Edward não se referia ao pomar, mas a ela que novamente oscilava entre a alegria e a tristeza. Daquela vez não se furtou em perguntar.
– O que a entristece?
– Não estou triste. – assegurou apresentando um pálido sorriso. – Nem tenho esse direito entre árvores tão bonitas.
– A tristeza nos acomete em qualquer lugar. Em você ela aparece com frequência. Gostaria de saber o motivo... – como ela nada dissesse, arriscou. – Está com saudades de casa? Se for o caso essa tarde nós poderemos enviar uma mensagem aos seus pais... Em que parte de Wisbury eles moram?
– Não se preocupe com isso. – ela falou sem corrigi-lo. – Aqueles que eu tenho do outro lado já devem ter deduzido que estou presa em Westking.
– Se não é isso então o que há? – insistiu, não desistiria facilmente. – Está com saudades daquele que disse amar?
Para consternação de Edward, ela sorriu fácil antes de admitir.
– Sinto saudades dele todos os dias de minha vida.
– Se é assim por que não estão juntos? – perguntou irritado; sabia que ela não era casada ou noiva, pois não carregava nenhum anel. Para alguém que amava tanto deveria haver algum compromisso. Lembrando-se da carta, acrescentou. – Estão brigados?
– É complicado ficarmos juntos. – ela explicou vagamente; preocupada com o rumo da conversa. Parecia que Edward tinha vocação para interpretar de forma errônea tudo o que dizia; até mesmo seu silêncio parecia sofrer alguma análise. – Podemos mudar de assunto?
– Não! – o barão negou veemente. – Preciso conhecê-la... Já percebi que é basicamente uma jovem triste e defensiva. Seu rosto se ilumina e se desarma em raros momentos como ao conhecer Nero e ontem com Draco... E aqui, agora, ao falar desse a quem ama, mas é só. Se essa pessoa a faz feliz porque ficar longe?
– Já disse que é complicado.
– Por que é complicado? Quando duas pessoas se amam não devem ficar juntas?
Notas finais
Alegrem mais meu final de semana... rs
Bjus lindas... na quinta tem mais um... Vejo-as então... Bjus
BOM DOMINGO!
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