Borboleta Negra

44 Capítulo Doze - Parte II


Notas iniciais
Oie... Boa noite a todas!Não tive como postar antes, pois estou acumulando, propositadamente, para postar os capítulos seguintes de uma só vez... Ainda não sei se no msm dia ou um a cada dia, assim não as infarto. Escolham como preferem e me digam... ;)Obrigada a todas pelos reviews... Vcs sempre atenciosas comigo... Agora vamos ao baile... BOA LEITURA...

À medida que o coche avançava pelo calçamento da rua principal, Isabella sentia seu coração acelerar no peito. Nem bem se recuperara da aventura que fora deixar o jardim sem que nenhuma das moças visse a ela e a Sam vestidos em trajes de festa, novamente era atacada pela ansiedade ao gradativamente entender a grandiosidade que seria retornar à mansão dos Cullen, após tantos anos. Não, não temia ser reconhecida pela esposa do banqueiro, afinal, ao ser posta diante dela era uma menina maltrapilha, porém ainda assim se impressionava. E havia Laurent, Tanya e “Edward”.

Aquela noite prometia acabar com seus nervos, porém a moça estava resoluta; manteria uma distância segura de todos, e aplacaria a falta sentida enquanto atendesse aos caprichos de seu protetor. E Carlisle que não inventasse nenhuma armação; ela pensou, alisando a vasta saia de seu vestido. Cismava com seus laços quando ouviu o murmúrio da música.

– Estamos chegando senhora. – Sam anunciou desnecessariamente.

Como combinado, o criado parou a alguns metros da entrada principal. Não a ajudou a saltar, seguindo caminho para deixar o coche afastado. Sinalizando com a cabeça e lhe sorrindo encorajadora, Isabella esperou que ele se fosse e correu até a entrada. Para seu alívio Carlisle a esperava, caminhando distraidamente diante da grande porta de carvalho entalhado. Ao vê-la seus olhos azuis se iluminaram, porém ele não fez qualquer movimento que expressasse sua alegria em vê-la.

– Boa noite senhora Simon – ele cumprimentou segurando-lhe a mão para um depositar um beijo em seus dedos.

Sim, ela teria um novo nome naquela noite.

– Boa noite Sir Cullen. Feliz aniversário. – Era estranho ser formal com ele.

– Deixe-me ajudá-la com sua capa. – O amigo se prontificou a entregá-la ao criado. – Siga-me.

Obediente Isabella o acompanhou até o salão onde a música tocava mais alta, onde encontrou todos os convidados a circular, dançar, beber e comer; de fato estava numa festa respeitável. A primeira da qual participaria.

– Fico tão feliz que tenha vindo. – Carlisle segredou sem olhá-la. – Pronta para se divertir?

– Pronta para ficar quieta em meu canto – ela lhe seguiu a discrição, falando sem encará-lo. Gostaria que fosse o contrário, porém era imperioso passar a noite despercebida. – Vim como “pediu”, e só.

– Não, não... Isso não vale. Quero que se divirta, quero que dance...

– Carlisle...

– Veja, estão olhando para nós. – ele a cortou.

Tocando em seu braço, levou-a até um grupo. Apresentou-a como sendo sua correntista, viúva, vinda de Wiltshire especialmente para a comemoração. Apresentou-a então a mais pessoas. Os cavalheiros beijaram seus dedos, as damas lhe sorriam educadamente; era uma deles, igual. Se soubessem a verdade, Isabella pensou sem emoção especial.

– Venha, tenho que apresentá-la à minha esposa.

Nesse ponto o coração de Isabella sofreu um breve abalo, porém voltou à estabilidade tão logo foi apresentada, de fato não seria reconhecida.

– Então é viúva? – indagou a anfitriã, medindo-a de alto a baixo. – Perdoe minha indiscrição, mas... Não considera desrespeitoso usar esta cor?

Antes que respondesse a moça desceu os olhos para o vestido cuidadosamente confeccionado e bordado por Raquel; não pensou naquele detalhe ao escolher o tecido. Agora era seguir com a farsa, lidando com a falha, atribuindo detalhes à falsa viuvez que talvez agradassem a conservadora senhora.

– Mantive-me em luto fechado por dois anos. Apenas hoje me aventurei a deixar o preto, por ser uma data festiva, mas confesso estar desconfortável.

Esme Cullen, piscou e corou.

– Oh! Lamento por deixá-la mais constrangida... Apenas considerei...

Isabella não mais a escutou. Uma movimentação ás costas da senhora chamou sua atenção e então seus olhos pousaram no homem que, cercado por três cavalheiros, sorria e bebia descontraidamente. Notando a distração da moça a senhora se voltou para seguir-lhe o olhar, então a encarou, tratando de perguntar:

– Conhece algum daqueles cavalheiros?

– Não. – Isabella negou apressadamente; preferia que fosse verdade e nunca tivesse sido apresentada a Laurent Hunt.

– Ah, sim... Não é daqui – a senhora murmurou, antes de voltar à especulação. – Veio desacompanhada? Wiltshire é distante.

– Vim com um criado. – Ao responder ergueu os olhos, procurando-o. Avistou Sam parado próximo a uma das portas que levavam aos jardins. Aliviada em vê-lo, encarou Esme através da máscara e disse com sinceridade. – Nunca deixo minha casa sem ele.

– O que faz muito bem... – disse a senhora, tomando sua mão subitamente. – Venha, vou apresentá-la às outras senhoras.

Isabella arregalou os olhos para o amigo, que apenas deu de ombros e murmurou discretamente:

– Lamento tanto...

Sem que o banqueiro nada fizesse para socorrê-la, a moça foi levada pelo salão e apresentada às muitas damas presentes. Reconhecer seus sobrenomes e saber que os respectivos esposos frequentavam seu jardim trouxe um desconforto permanente ao seu estômago, porém este se tornou ínfimo se comparado a perturbação que foi ser colocada diante de Elizabeth Sheldon Bradley; a baronesa. Com sua altivez característica, a senhora de rosto coberto, mediu-a e murmurou.

– Prazer em conhecê-la senhora Simon.

Isabella precisou pigarrear para que sua resposta saísse limpa, enquanto se inclinava respeitosamente; sentindo-se com cinco anos, novamente, tremendo diante da figura imponente.

– O prazer é todo meu, milady. Rogo que a noite lhe seja agradável... Agora, se as senhoras me derem licença...

Não esperou pela dispensa, simplesmente se foi. Sim, era uma fuga, pois não suportaria manter uma conversa coerente e despreocupada com a mulher que constantemente ralhava com ela por conta de Rosalie, esposa do barão pai; mãe daquele que, agora, ela tinha certeza estar naquela casa, mesmo que não o tivesse visto.

Com as pernas bambas, Isabella olhou para o ponto onde Laurent ainda conversava animadamente. Tomando o devido cuidado para nunca se aproximar, afastou-se para seguir pelo lado oposto, até que estivesse perto de Sam, onde pretendia passar o restante da noite.

– Ei! – Uma voz masculina e jovial chegou aos seus ouvidos no instante em que seguraram seu braço. Controlando-se para não se libertar bruscamente, ela encarou o rapaz loiro que a abortara. Ele então indagou; interessado. – Eu a conheço?

– Acho que esta noite não é para que as pessoas se reconheçam. – Isabella comentou seriamente, com o coração aos saltos, mesmo que não se lembrasse de alguém tão novo em seu jardim.

– Tem razão. – Ele lhe sorriu a indicar a própria máscara. – Então nada de dizer seu nome se não quiser... Chamo-me James Cartier. Agora que me conhece, aceitaria me acompanhar na próxima dança?

– Eu não sei dançar – informou a guisa de negativa, preparando-se para seguir seu caminho, porém o rapaz tomou-lhe a mão com força e, sem cerimônia a arrastou, assegurando:

– Sou um bom condutor, apenas me siga.

De onde estava Edward podia ver seu desafeto a beber e conversar no extremo oposto do salão. Por sorte este não lhe dirigiu a palavra, mesmo que antes o tivesse avistado e inclinado a cabeça num gesto tão exagerado e acintoso quanto seus cumprimentos verbais. Em seu deboche, o barão estufou o peito e ergueu a taça, daquela vez com sua sidra, como que engrandecendo a si mesmo; ele “era” o “barão”, por mais que Sir Laurent o desprezasse.

Sim, por sorte estava sozinho; até mesmo Tanya se foi para vagar pelo salão com algumas amigas depois que uma rápida volta pelo jardim. A moça estava animada por ter lhe roubado um beijo casto, porém prontamente o deixou ao saber por uma das moças que o banqueiro estava a apresentar uma correntista vinda de outra cidade. Aquele assunto não lhe interessava, nem qualquer outro que envolvesse mexericos, então Edward tratou de ficar onde estava, apreciando a bebida que orgulhosamente fabricava, vendo os casais a dançar animadamente pelo salão. Foi nesse momento que viu o topo de uma cabeça feminina ornada com um penteado discreto, se comparado aos demais.

De certo aqueles cabelos castanhos não eram naturais, porém lhe chamou a atenção por se diferenciar das muitas perucas brancas usadas naquela noite. De onde estava não via o rosto da mulher destoante, então, talvez pelo tédio sentido, caminhou alguns passos para enxergá-la melhor e distrair-se ao especular qual “das moças mais bonitas da região” ela seria. A dificuldade imposta pelos incessantes passos da dança e a evidente falta de familiaridade da senhorita a eles acirraram a curiosidade do barão que deu alguns passos à frente para vê-la melhor.

– Não se anima a participar milord? – Um dos senhores moradores de Wisbury indagou com um sorriso, quando ele depositou a taça vazia sobre a bandeja do criado que passou ao seu lado.

– Ainda não. Na próxima, talvez... – disse, retribuindo o sorriso; movendo a cabeça na tentativa de ver a face da moça enquanto era guiada pela ponta dos dedos numa volta ao redor de seu parceiro.

E, sim, ficar entre os que assistiam a dança ajudou a finalmente ver o pedaço de rosto da péssima dançarina, contudo Edward não exultou com a vitória de sua fútil empreitada. Antes disso, seu estômago sofreu forte abalo ao cismar que a conhecia; ao cismar ser “ela”.

– Não... – murmurou; incrédulo – Ela não teria essa coragem!

– O que disse Lord Masen? – O mesmo senhor o questionou.

– Nada... – respondeu já olhando em volta. Ao avistar um grupo de moça, foi até ele rapidamente e sorriu para uma delas, estendendo a mão. – Dar-me-ia o prazer desta dança?

As demais riram incrédulas enquanto o barão via a moça escolhida piscar os longos cílios sob a máscara e hesitar, como se não acreditasse em tão súbito pedido. Edward não tinha tempo para ser repetitivo, então, ignorando as demais, tomou sua escolhida pela mão e a conduziu até o grupo que dançava.

A jovem que ele precisava ver de perto estava a dois casais de onde parou. Ela não sorria, visivelmente incomodada por estar ali. Pareceu inacreditável que ao se interessar por uma mulher dentre tantas, esta tinha que ser Isabella. Pois era ela, Edward tinha certeza. Conhecia aquela boca, aquele pescoço; aquele colo que o bojo do vestido vermelho, ornado de renda preta e pedrarias, acentuava. Muita pele exposta, tanta que o par a conduzi-la não desviava o olhar de tão generoso decote, o barão reparou, contrariado.

Não era para ela estar ali! Gritou seu pensamento.

Precisava estar perto dela, então, como que atendendo ao seu desejo os pares mudaram; as moças vinham faceiras, sorridentes, tocando os dedos dos cavalheiros, girando de forma trançada. Logo a mão dela tocou a dele e mesmo com a luva de cetim a separar as peles, todos seus pelos se eriçaram, reconhecendo-a. Isabella mantinha a cabeça baixa, mirando a barra do vestido, porém a ergueu rapidamente quando o barão apertou seus dedos fortemente. Sim, era ela! A confirmação máxima veio ao ver os olhos de noite maximizar por trás da máscara vermelha.

Isabella se moveu apenas por já estar no ritmo da dança compassada, caso contrário teria paralisado diante do barão. Trêmula da cabeça aos pés, rogando que ele não a tivesse reconhecido, ela considerou a possibilidade de abandonar a dança, porém descartou a hipótese. Sair quando a música ainda tocava, deixando seu inconveniente par, somente chamaria a atenção sobre si. Com isso, respirou fundo, resignou-se e fez o caminho contrário. Logo seus dedos novamente encontrariam os do barão, então ela tratou de focar as pontas dos sapatos pretos bem lustrados que ele usava.

– Boa noite Isabella! – Edward a cumprimentou baixo, rápido e brevemente próximo ao seu ouvido.

Não! A moça pensou aflita. Como ele a reconheceu, sob aquela máscara e a peruca? Por sorte, ao seguir o passo não teve chance de responder-lhe e logo estava diante de James novamente. Agora, não somente tinha que se concentrar na dança forçada, como lutar com seu desejo de olhar para o barão atentamente.

– O que há? – James indagou quando a dança o fez dar um passo à frente. – Se é pela dança, está indo bem.

– Eu gostaria de parar... – disse ao se afastarem; tinha que sair dali. Sentia os olhos do barão a queimá-la. – Tudo bem para o senhor?

– Chame-me James. E a próxima volta é a última. – pediu e avisou quando novamente foi preciso trocar de pares.

Com o coração a saltar descompassado, a moça se viu aproximar do barão, de olhos baixos; não atinava o que dizer. Diferentemente do barão, notou ao novamente ter os dedos apertados significativamente e a voz atingir seu ouvido.

– Deve-me explicações melhores do que as escritas.

E ela novamente nada pôde dizer. Trocou de mão e trançou entre as damas e os cavalheiros até dar um giro completo e fazer o caminho de volta. O que lhe diria? Antes que chegasse ao barão, apavorada com aquela situação, Isabella sentiu dedos firmes, porém gentis segurar-lhe o braço para tirá-la da dança.

– Com licença... – disse Sam a todos, levando-a em seguida.

– Obrigada – Isabella murmurou, não evitando olhar por sobre o ombro.

A dança prosseguiu sem ela, porém flagrou o olhar frustrado de James Cartier. Este não a abalou como ao ver o semblante carregado do barão que permaneceu a girar sua acompanhante, contudo sem desviar os olhos endurecidos dos seus.

– Dei-lhe minha palavra senhora. – Sam disse comprometido. Não mais a segurava quando avisou. – Não o vejo agora, mas Sir Hunt também está aqui.

– Sim, eu já o vi... Agora é melhor que se afaste, lembre-se do que conversamos.

– Sim, senhora. – Sam inclinou a cabeça e se afastou até a porta.

– Ai está você! – Carlisle exclamou às suas costas, assustando-a. Trazia uma taça de champanhe que logo estendeu a Isabella. – Beba. Vejo que está pálida sob essa máscara.

– Eu não deveria ter vindo. – disse ofegante, segurando a taça para sorver o líquido a um só gole.

– Isso foi rápido, não vá se embebedar – o amigo a provocou antes de retrucar. – E o que está dizendo? Ninguém a reconheceu, então deixe de bobagens.

– O barão me reconheceu – ela informou num murmúrio.

– Ah sim? – O banqueiro indagou com comedida surpresa, olhando em volta. Ao pousar os olhos no barão que os encarava do outro lado do salão, disse em tom elogioso. – Isso também foi rápido. Ele lhe disse alguma coisa?

– Não é a mim que ele deve dizer alguma coisa e, sim, à sua filha.

O rancor em sua voz fez com que o banqueiro se voltasse uma vez mais. A dança havia terminado e, assim como Isabella, ele viu Tanya que já se debruçava sobre o braço do barão, apertando-o como que para indicar sua posse à moça que acabara de dançar com ele. Como deve ser Isabella disse ao seu ciúme.

– Bom, ele está entretido e não virá até você, relaxe minha cara.

Apesar das palavras leves, a moça notou certo aborrecimento no tom do banqueiro. Talvez devesse especular, porém seu par abandonado se aproximou com muitas perguntas em seu olhar.

– Com vossa licença Sir Cullen, eu gostaria de falar com essa dama.

Isabella moveu a cabeça minimamente, rogando em silêncio para que o amigo não os deixasse, porém não foi atendida.

– Por certo meu rapaz... Cuide dela para mim. Faça com que se divirta.

Após o pedido absurdo, ele se foi. A moça o acompanhou com o olhar até que este encontrasse os olhos do barão. Imediatamente aquele novo contato visual, tão intenso e palpável, desestabilizou-a. Havia uma sombra ameaçadora fechando a expressão de Edward, ainda assim ela não conseguia desprender-se. O que era inaceitável, uma vez que era obrigada a assistir a filha de seu amigo debruçar-se sobre ele, pedindo sua atenção.

Quando o barão finalmente os livrou do olhar perturbador para encarar Tanya, o coração de Isabella afundou no peito. Seu primeiro impulso foi ir até eles para afastá-los, porém não poderia. Não tinha direitos sobre o barão, então, conformou-se em admirá-lo como antes não pôde fazer. E seu coração sofreu novo abalo ao reparar nos detalhes que o deixavam magnífico aquela noite. Como se não bastasse estar acintosamente bonito com o rosto limpo, dos cabelos aparados, Edward ainda ostentava o brasão da família em seu peito, suspenso por uma larga faixa azul que contrastava com sua casaca.

Sim, ele estava magnífico! O que estragava a cena era a moça pendurada em seu braço. Não a moça, corrigiu a si mesma; “a noiva”. Não era isso que queria? Questionou-se ferida. Agora era ver e aceitar. Aceitar...

– Não vai mesmo me responder? – A voz de James soou mais alta.

– Perdoe-me – ela pediu, forçando-se a desviar os olhos e focá-los no rapaz a sua frente. – O que disse?

– Perguntei quem era aquele que a tirou da dança de forma tão abrupta. – O loiro olhou em volta como se o procurasse. – É seu pai, marido...

– Não. Um amigo, apenas isso... – respondeu roucamente. Após um pigarro, tentou dar-lhe real atenção e acusadora acrescentou. – Ele sabe que eu não sei dançar e foi resgatar-me do vexame certo ao qual o senhor me impôs.

James sorriu visivelmente aliviado.

– A senhorita estava se saindo bem. Eu disse que era um bom condutor e também pedi que me chamasse pelo nome.

– De fato. – ela aquiesceu e esboçou um sorriso.

Aquele rapaz não tinha culpa de suas limitações. Nenhuma delas, Isabella pensou procurando Edward com o olhar. Não mais o viu, assim como Tanya.

– Quer tentar novamente?

Não, ela não queria. Por um instante quis ficar sozinha para remoer seu ciúme, porém logo desconsiderou por não ser o certo. Era ela quem sobrava, mesmo que o barão ignorasse sua carta e seu bilhete e ainda lhe cobrasse explicações. E havia Hunt a quem mais uma vez ela avistou. O fazendeiro parecia descontraído ao conversar com outros senhores, porém ela não se iludia com aquela fachada de bom senhor. Ele era um lembrete vivo de que deveria manter distância do barão. Ao que tudo indicava não a vira e ter um par constante, que não fosse Sam, seria providencial. Por essa razão, alargou o sorriso para o rapaz e finalmente respondeu.

– Não agora, mas ficaria agradecida se me fizesse companhia para ir até a mesa dos petiscos.

Não tinha fome, apenas queria deixar aquele ponto do salão.

– Será um prazer. – James assegurou, oferecendo-lhe o braço.

Recolhendo uma taça cheia, o barão entornou o líquido a um só gole, a tempo de devolvê-la à mesma bandeja. Aquela era a segunda vez que bebia da mesma maneira, sem conseguir alívio para o travo em sua garganta. Além da obstrução do ar, estava muito trêmulo, sentindo ardor nas solas dos pés por ter sido obrigado a finalmente ver Isabella ao lado do amante. Nada no mundo o prepararia para cena íntima, falsamente despretensiosa, muito menos para a liberdade que o banqueiro dava a ela para ficar a sós com um moleque.

Se aquele era um teste para sua paciência ambos poderiam saber que esta estava escassa naquela noite. Carlisle que fosse ao inferno, porém, o que Isabella desejava exatamente ao flertar com o filho dos Cartier? Sim, reconheceria aquele cabelo descolorido em qualquer lugar. O rapaz contava com o quê? Dezenove? Vinte anos? Era mesmo um moleque, novo demais... E acima de tudo, galante demais. Vê-la deixar o salão com o braço ao redor do dele, alimentou a fúria dolorida que atacava o peito do barão.

Milord, o que há? – Tanya perguntou ansiosa. – Parece tão sério subitamente.

– Apenas impressão – retrucou, baixando os olhos para encará-la. – E, então... conseguiu descobrir quem era a convidada desconhecida que viram com seu pai?

– Ah, sim... – seu olhar se iluminou. – É uma correntista, vinda de Wiltshire. Parece que é viúva, mas tenho minhas dúvidas. Viu a cor do vestido que ela usa?

Sim, ele havia notado. Vermelho sangue que realçava a pele clara. Com um corpete apertado demais que fazia seus seios saltarem, atraindo muitos olhares; incitando ao toque. Se acaso ela estivesse livre da peruca, seus cabelos negros iriam compor uma visão estonteante, pensou o barão, sentindo um formigamento abaixo do abdômen.

Viúva, pois sim! Vinda de Wiltshire. Ao menos não mentiram quanto à cidade natal da moça. Bem, fosse como fosse, as inverdades contadas naquela noite não eram de seu interesse e, sim, conversar com Isabella; a sós de alguma forma. Pouco lhe importava seu temor por possíveis represálias vindas do amante atual, ela iria ouvi-lo.

– Não me respondeu, mas não importa. – Tanya resmungou ao seu lado. – Vamos dançar?

Dançar seria melhor do que remoer o que Isabella estaria fazendo com James Cartier fora de suas vistas. Sabia que não seria nada grave, pois ela não trairia o amante sob seu teto, porém não lhe agradava imaginar os olhares indecorosos que o garoto lançasse sobre ela; os toques fortuitos.

– Sim, vamos dançar – praticamente rosnou, antes de tomar a moça pela mão e levá-la para o salão.

A música que enchia o ar era uma valsa compassada, que obrigatoriamente levava os casais a manterem distância enquanto giravam uns ao redor dos outros, tornando desnecessárias as constantes tentativas da moça em se aproximar mais.

– Comporte-se senhorita. – O barão a advertiu.

– Poderíamos dar outra volta pelo jardim depois, o que acha?

– Acho que deve atendeu ao meu pedido e comportar-se. – retrucou, tentando não ser rude. – Já basta de aventuras por hoje.

– Sinto vossa falta – a moça choramingou. Então, acusadoramente o lembrou. – E vossa senhoria assegurou que sente a minha.

Falava demais, agora via. Naquele instante suas últimas ações pesaram sobre ele, fazendo com que percebesse o absurdo daquela situação. Edward quis esbofetear-se por suas palavras impensadas. Esteve desobrigado de seus aborrecidos e insossos encontros com Tanya, no entanto, bastou que o ressentimento o corroesse para que a iludisse mais uma vez, animando-a a repeti-los; era um estúpido!

– Senti falta de sua companhia, não resta dúvida – contemporizou; ela não tinha culpa de sua inépcia. – Porém não devemos almejar mais do que amizade. Quando a convidei para passearmos, era tão somente para conversarmos. Vosso pai não aprova uma união entre nós, e devemos respeitá-lo.

– Não milord! – Tanya rogou alarmada. – Ainda podemos tentar... Há muitas formas não convencionais de fazê-lo mudar de ideia.

O barão não pôde crer no que ouvia. Qual plano mirabolante embaralhava a mente da moça? Quando Edward falou seu tom exprimia uma inconformidade real.

– Acaso ouviu a sandice que acaba de dizer? Eu seria incapaz de fazer o que quer que fosse para mudar a opinião de seu pai de forma desleal.

– Pensei que me amasse... – ela murmurou sentida; num muxoxo.

– Perdoe-me se parecer insensível, mas não – era hora de ser sincero; começar a reparar seu erro. – O sentimento viria com o tempo, caso nos casássemos.

– Oh... – Tanya exalou embargada, parando de valsar imediatamente. – Não acredito no que acabou de dizer.

– Não expressei nada além da verdade. Lamento.

Ao se calar Edward esperou pela explosão que atrairia os olhares para ambos, porém esta não veio. A moça apenas permaneceu a fitá-lo, muda em seu choque, antes de dar meia volta e deixar o salão. Melhor assim, o barão pensou com certo alívio. Ignorando as pessoas que assistiram a saída altiva da moça, ele a imitou, seguindo para o lado contrário, deixando o salão.

Cruzou uma das portas com os olhos postos em Sam que, desde sua aparição para resgatar a patroa, se mantinha no mesmo lugar. Como na igreja o segurança não o encarou quando passou ao largo; retribuindo seu cumprimento de boa noite, num resmungo. Ao que parecia a concessão havia sido revogada, pensou o barão, afastando-se a procura de ar. Não teve dois minutos de paz antes de ouvir a voz ao seu lado.

– Linda noite, não?

– Estava até um segundo atrás. – Edward retrucou secamente; não precisava daquela abordagem.

– Acalme-se barão... – Laurent pediu. – Hoje é dia de festa. Vamos manter as boas relações.

– Sim, é noite de festa, então é melhor que vá se divertir. – retorquiu impassível, sem olhá-lo. – Não me lembro de qualquer tema que possa haver para conversamos.

– Sempre haverá – comentou seu desafeto, mansamente. – Porém agora vim expor minha tristeza. Acabo de saber que seu noivado quase certo com a filha do banqueiro não se deu. Uma lástima!

– Para quem? – Edward finalmente o encarou, odiando ver os olhos castanhos brilharem pelos recortes da máscara preta que usava.

– Para vossa senhoria – Laurent disse em sua tranquilidade enervante. – E para a moça que foi vista em vossa companhia e agora é deixada. Como aconteceu no salão ainda há pouco.

– Se não tinha melhor a fazer do que assistir nossos passos, vossa senhoria viu que foi ela quem deixou o salão, não eu. – rebateu friamente, ignorando o primeiro comentário.

– Sim, sim... – ele riu manso antes de acrescentar. – Ao que parece as moças sempre correm de vossa companhia. Primeiro vossa hóspede, agora uma pretendente.

O barão pouco se importou com o gracejo acintoso, muito mais interessado em saber como aquele homem abjeto sabia que Isabella o havia deixado.

– O que poderia vossa senhoria saber sobre minha hóspede? – rosnou sem nem notar.

– Eu?! – Laurent arregalou os olhos em falso assombro. – Nada, nada... Lembrei-me da conversa na casa do senhor Hope, então... Foi apenas uma forma de colocar as palavras. E se me dá vossa licença...

– Sempre terá toda. – Edward ciciou muito trêmulo.

Seu estômago dava voltas completas por imaginar que Isabella pudesse ter algum tipo de relação com aquele homem. Não! Gritou seu pensamento. Ela era amante de Carlisle e este fato por si só já era demais. Não havia como ter qualquer tipo de ligação com o fazendeiro. E era aquela indefinição, a falta de conhecimento que o exasperava. E ela teria um fim aquela noite, determinou seguro. Isabella estava onde podia encontrá-la e não a deixaria partir sem que tudo estivesse resolvido entre eles, não senhor.

Ao deixar o entorno da mesa ricamente decorada com suntuosos arranjos de flores e frutas, Isabella agradeceu seu próprio convite para que fossem até ela, pois se descobriu com fome, apesar das contrariedades. James se mostrou ser um acompanhante agradável, monopolizando a conversa ao contar aventuras sobre si mesmo, sem ser pedante, desobrigando-a de se expor. Com isso deixou-se ser levada de volta ao salão onde a maior parte dos convidados se concentrava para conversar, beber e dançar.

– Agora não tem desculpas – ele falou inclinando-se para mais perto de seu ouvido. – Deve-me uma dança e uma valsa será perfeita.

Tudo que Isabella desejava era poder assumir o canto que escolheu no início da noite e que nunca ocupou, porém não negaria aquela dança de despedida ao adorável rapaz.

– Será um prazer... – aquiesceu, escorregando a mão por seu braço até segurar-lhe os dedos.

Com um sorriso luminoso James a conduziu até o centro do salão e a tomou em seus braços, mantendo uma respeitosa distância entre eles. Logo a girava ao som da música. Aproveitando os movimentos, a moça olhou em volta a procura de algum rosto perturbador. Não viu nenhum; Edward ou Laurent. Tanto melhor. Relaxando minimamente, ela tentou aproveitar a dança, imaginando ser, nem que por aqueles instantes, alguém digna de estar naquela casa.

– Seria avançado de minha parte dizer o quanto estou interessado em conhecê-la melhor? – James perguntou com voz subitamente rouca; alertando-a.

– Sim, seria. – disse sinceramente. – Você me parece ser um bom rapaz James. Não deveria se ocupar somente de mim e, sim, às outras moças. Sou velha demais para você, já deve ter reparado.

– Velha demais?! – ele uniu as sobrancelhas. – Aposto que não passa dos vinte anos, minha idade, aliás. E gostaria de ser eu a decidir, caso permita que me aproxime. Diga-me seu nome.

– James, eu...

– Ceder-me-ia a vez, cavalheiro? – Edward indagou já a tocar no ombro de James, assustando Isabella.

Quando o barão surgiu sem que o visse? Pensou alarmada, já a correr os olhos pelo salão a procura de Laurent. Naquele instante quis que James lutasse por sua atenção, porém, para seu desespero, o aborrecimento do rapaz esvaiu-se ao reconhecer quem o abordara. Imediatamente sua expressão desmanchou e ele cedeu à vez, depositando seu par nos braços do barão.

Subitamente trêmula Isabella agradeceu ao espartilho que a manteve ereta e às luvas que não denunciaram o suor em suas palmas quando Edward pousou a mão esquerda em sua cintura e tomou-lhe a mão livre com a direita. Tão logo ela lhe segurou o ombro, ele a girou, iniciando a dança. Com a proximidade, a jovem pôde sentir o odor de sua loção almiscarada, da bebida e do tabaco. A trinca de cheiros perturbadores colaborava para desestabilizá-la mais.

Sentia-lhe tanto a falta, ainda mais depois do beijo no Natal e tê-lo ali, agora a deslizar a mão em sua cintura minimamente, com detalhes tão particulares que a remetiam ao tempo que passaram juntos, massacrava-a. Todavia precisava ser forte. Rogando para que Laurent não os visse, nem a reconhecesse caso o fizesse, determinou mais uma vez que Edward tinha que seguir seu curso, não marcar passo abordando-a quando jamais poderia fazer parte de sua vida.

Para se manter firme em seu propósito Isabella não o olhou, nem mesmo quando o barão a aproximou mais, quase que inadequadamente para os padrões de um salão de danças. Bravamente manteve a cabeça em elevação normal, mirando os casais que rodopiavam ao lado, rogando que não errasse o passo tendo suas saias comprimidas em suas pernas, pelas coxas do barão. Sentir o olhar fixo em seu rosto ajudava menos ainda. Os nervos abalados da moça faziam seu corpo inteiro pulsar. Tanto que logo Isabella preferiu que ele cobrasse por explicações como fez anteriormente. Qualquer coisa que a livrasse daquele silêncio enlouquecedor.

– É sua intenção nem ao menos cumprimentar-me, Isabella?

Como era agridoce ter seu desejo atendido! Sendo sincera sentia-se envaidecida pelo pronto reconhecimento, contudo não poderia se deixar levar pelo sentimento; ainda era a cafetina e ele o barão. E Laurent sempre seria a pedra máxima a bloquear-lhes o caminho. Com a certeza não se furtou em tentar ludibriar o barão, talvez houvesse alguma esperança.

– Acho que está me confundindo senhor... – murmurou, tentando disfarçar a voz; era infantil, ela sabia, mas precisava arriscar.

– Ora vejam! – Edward exclamou com leve sarcasmo. – Seria possível eu ter me enganado?

Isabella não se atreveu a retrucar. Pelo tom empregado poderia saber que seu embuste não fora bem sucedido. Muito segura sob as mãos fortes que a faziam rodopiar ao som da valsa, ela o ouviu dizer com falso receio.

– Talvez eu devesse remover essa máscara para confirmar meu erro. Se estiver certo terei diante de mim uma insensível fugitiva, se não... Ficarei vergonhosamente constrangido e serei obrigado a implorar pelo pronto perdão de uma jovem inocente. O que devo fazer?

– Revista-se de ódio mortal por essa insensível fugitiva e nunca mais lhe dirija a palavra milord. – Isabella sugeriu com a garganta a fechar. Com a verdade revelada, ela tentou se afastar. – É melhor que eu...

– Não se atreva a me deixar! – Edward sibilou entre dentes, juntando-a mais ao seu corpo, apertando-lhe a mão; fazendo seus dedos doerem. – Por que tudo isso Isabella? Por que o teatro?

– Foi infantil de minha parte – ela admitiu, atrevendo-se a mirar a boca diante de seus olhos, lamentando a falta dos pelos castanhos e do ardor que estes causavam em torno da sua. Foco; demandou a si mesma antes de acrescentar: – É que não vejo razão para conversarmos quando já lhe disse que não temos assuntos a tratar.

– Como pode dizer tal disparate?!... Não temos assuntos a... – de tão exasperado, o barão não conseguiu terminar a repetição. Sentindo o ciúme corroê-lo, indagou. – Acaso tem assuntos a tratar com James Cartier?

– Por certo que não! – Isabella negou, tentando afastar-se. A proximidade do barão a confundia.

– Ah, não? – Edward demonstrou uma surpresa zombeteira, antes de questioná-la duramente. – E pretende ter assuntos a tratar com aquele menino?

– James não é um menino... – a moça contradisse o barão por reflexo, o rapaz fora atencioso, porém teve os dedos novamente apertados significativamente antes que o nobre ciciasse.

– Trata-o pelo nome?! O defende?! Acaso já o conhecia Isabella?

– Não! – negou prontamente, relutando em não se envaidecer pelo notório ciúme do barão. – Ele me pediu que o tratasse assim... Foi gentil comigo, apenas isso.

– Vi o quanto ele estava sendo gentil enquanto mantinha os olhos postos nesse seu decote indecente – ele rebateu secamente, os olhos azuis chispando. – Assim como a vi toda sorrisos para ele. Se não tem assuntos a tratar, nem o conhecia, não deveria encorajá-lo. Ele é novo demais e se iludiria facilmente. Eu preferia que não lhe dirigisse mais a palavra.

Naquele instante qualquer vaidade vinda com a possessividade do barão se esvaiu. Ele deveria repreender e ditar ordens à noiva, não a ela. Sendo novamente visitada por seu próprio ciúme, Isabella retorquiu:

– Não cabe ao “senhor” determinar com quem eu me relaciono.

– Realmente não me cabe, não é mesmo? – perguntou entre dentes, o peito oprimido pela verdade vinda nos lábios dela. Edward olhou em volta para se certificar de que não notaram sua alteração e, novamente encarando-a prosseguiu. – Quem tem o direito de determinar com quem se relaciona? Sir Cullen? Seu amante não se opõe que descaradamente flerte com o menino? A restrição é apenas para mim?

– Edward, eu não...

– A propósito – ele a cortou ao prosseguir –, poderia ter me dito sobre seu envolvimento com o banqueiro. Eu, inúmeras vezes lhe assegurei que minha intenção era sincera e ainda assim me deixou por ele.

– Sim, assim como agora assegurou suas sinceras intenções para Lady Tanya? – Isabella rebateu. – Como está vossa noiva? Ela não se opõe que vossa senhoria tente estabelecer uma amante?

Não havia uma noiva, porém não lhe importava esclarecer a confusão.

– Ela não tem com o que se preocupar, não é mesmo? – indagou azedo, correndo os olhos pelos pares do salão até encontrar Tanya a dançar com um dos convidados; aparentemente recuperada de sua sinceridade.

Vê-la sorrir para outro não o abalou; não a amava. Todo seu afeto era direcionado para aquela que tinha novamente no abrigo de seus braços, afrontando-o. Que por uma máscara vermelha não conseguia ver o rosto, somente a boca que já desejava ardentemente beijar a despeito de todo o ciúme que ela, em tempo algum, tentou dissipar.

Deveria seguir-lhe o conselho e odiá-la, porém a falta sentida, o tempo e a competitividade que ela lhe despertava, fazia com que a desejasse mais; queria-a como antes, exclusivamente para si. Enraivecido, o barão bufou com renovada exasperação e mais uma vez olhou em volta. Ao avistar Sam que os vigiava como um cão de guarda, o barão esqueceu suas questões primordiais e indagou:

– Por qual razão mantém um segurança particular aqui? Seria para precaver-se de mim? Da última vez ele me deixou chegar perto, então por que agora parece muito pronto a vir novamente tirá-la do salão?

– Como lhe disse Lord Masen, não temos assuntos inacabados, logo não há razão para afastá-lo.

– Não foi o que me pareceu em nosso primeiro encontro – ele retrucou girando-a, mantendo os olhos no moreno que os seguia com o olhar. Ao apertá-la novamente junto a si, falou: – Seu lacaio estava muito pronto para me deter.

– A função dele é me defender e vossa senhoria se mostrava deveras hostil na referida ocasião. – Isabella replicou mais segura com as palavras.

– Não pareceria hostil caso não se recusasse a conversar comigo. – Edward ciciou sempre mirando o segurança que pela primeira vez na noite demonstrou indecisão; tão logo o moreno desviou o olhar, Edward agiu.

Isabella ensaiava uma nova resposta quando, valendo-se da mão presa a dele, Edward a levou para a varanda pela porta que a cada rodopio aproximou-se discretamente. Tarde demais ela notou o quanto fora distraída em não perceber a clara intenção do barão em sequestrá-la. Sim, era exatamente o que ele fazia ao arrastá-la para longe da casa, seguindo caminhos pelo jardim que ele aprecia conhecer tão bem. Talvez já os tivesse visitado com Tanya, ela cogitou movida pelo indevido ciúme.

– Para onde está me levando? – perguntou ofegante; quase corriam. – Poderia lagar minha mão, por favor!

– Não tão rápido dessa vez. – Edward negou duramente, seguindo em largas passadas sem olhá-la. – Quero me certificar de que Sam não esteja nos seguindo.

– Sam virá à minha procura, pode ter certeza. Melhor deixar que eu volte.

Não acreditou que acontecesse, porém avisou na esperança de fazê-lo soltá-la. Não estava preocupada com seu criado e, sim, com Laurent que poderia muito bem ter visto o barão deixar a festa com uma moça. E, da mesma forma que o nobre a reconheceu, poderia se acontecer o mesmo com o fazendeiro. Tal pensamento a aterrorizava. Para aumentar seu desespero, Edward apertou seus dedos ainda mais e retorquiu sempre a puxando apressadamente.

– Deixe que Sam venha e até nos encontre. Até lá terá que enfrentar muitas entradas sem saídas. Esse jardim é enorme. Teremos muito tempo para esclarecer tudo que ficou pendente entre nós, pois temos, sim, Isabella, muitos assuntos a tratar.

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Notas finais
Bom, espero que tenham gostado. Barão sequestrou a borboleta... kkk Me contem!... ;)Agora queria conversar algo com todas vcs. Como algumas são leitoras novas, e não estão acostumadas com minha forma de escrever, gostaria de explicar que, nunca me deixo influenciar. Escrevo o que apresento a vcs exatamente da forma que vem na minha cabeça, sendo fofo ou tenso, tendo pegação ou não (se o momento não for de pegação), recebendo elogio ou crítica. Não teria como ser diferente, pois o que agrada uma, irrita outra e vice-versa. Com isso sigo a risca o que manda minha imaginação, não pulando fases, brigas, beijos, encontros, desencontros... Ponho minhas sandices no pc e amo dividir com vcs... Mas é isso, gosto de romances tensos, complicados. Gosto de docinho, fato, amo o casal principal, mas bombons e flores nem sempre é comigo. Se vc tem o coração preparado para fortes emoções, minhas histórias são para vc... Agora, se desejar romance puro e simples... Vou ficar devendo... ;)O máximo que posso fazer é postar os capítulos mais tensos de uma só vez, como expliquei no início e só lembrando... escolham como querem... Todos num dia, ou um a cada dia?Bjus meninas... Até mais!