Borboleta Negra

13 Capítulo Doze


Notas iniciais
Oie... Boa tarde!Olha eu aqui, trazendo mais um capítulo de nosso Lorward. Antes de postá-lo quero agradecer aos reviews que carinhosamente deixam... Tbm quero agradecer à Fernanda BellaF, Tati oliveira, Siobhan e NINHA pelas indicações. Adorei ver a forma que cada uma sente a fic, obrigada!... :DAgora vamos ao capítulo... Boa sorte e BOA LEITURA!

Edward já havia perdido a conta de vezes que voltou seu rosto para analisar aquela que passeava ao seu lado. Questionava-se silenciosamente o motivo de Isabella desejar ir até a ponte em construção. O pedido viera logo depois de atender ao primeiro que fora o de novamente montar num cavalo, feito assim que iniciaram o passeio pelo estábulo, acompanhados de Nero. Caso soubesse antecipadamente sua vontade, não teria dito que possuía uma égua baia, mansa já acostumada a ser montada pelas damas da casa e visitantes.

Ultimamente o animal servia somente a Tanya quando a jovem insistia em cavalgar por Apple White em sua companhia, com a pronta aprovação da baronesa e Esme Cullen; mãe da moça. Isabella usava também a mesma sela própria para acomodar as damas e suas anáguas, sendo que para Edward, ela dava graça real à peça adaptada e à égua castanha, assim lhe proporcionava um passeio aprazível, mesmo que o destino o abalasse sua confiança.

Alheia aos pensamentos do barão, a jovem seguia ereta sobre a sela, acostumando-se com a dormência em sua perna dobrada sobre o lombo da pacata égua. Não estava acostumada a montar, sendo aquela a segunda vez, mas já sabia que se sentira mais confiante na sela de Draco com Edward a lhe guiar. Comandar as rédeas por sua conta aumentava o receio de cair. Somente não se arrependia de seu pedido por apreciar a companhia do barão que muito garboso sobre o magnífico andaluz vez ou outra a olhava com os olhos escurecidos pela aba do chapéu de feltro preto.

Era desconcertante e ao mesmo tempo envaidecedor, como tudo o que ele lhe dizia ultimamente. Daquela vez, quando deixasse Apple White, teria boas lembranças para acalentar.

– Como estão? – Edward perguntou ao notar a postura muito rígida de sua acompanhante.

– Estamos fazendo amizade... – ela gracejou. – Não nos apresse.

– Tente relaxar. – ele aconselhou. – Luna pode sentir sua tensão. Se quiser podemos voltar.

– Não. – ela recusou o oferecimento esperançoso. – Quero ver a ponte sendo reconstruída.

– Por quê? – o barão indagou diretamente. – Poderíamos ir a tantos outros lugares.

– Parece que a ponte é tabu para você, assim como citar um espartilho é para Marie. – Isabella comentou, olhando-o diretamente. – Não dê tanta importância.

– Seria mais fácil se fossemos passear em outro lugar. – ele retrucou deixando transparecer sua contrariedade. – Um que não a lembre do caminho de casa.

– Lembro-me de minha casa todos os dias, Edward. Contudo isso não significa coisa alguma... Assim como ver a ponte não despertará em mim nenhum sentimento especial, mas se mudarmos o curso do passeio o tranquilizar, podemos esquecê-lo e irmos para onde quiser.

Isabella desistiu de ver a ponte ao perceber a expressão contrafeita de Edward então, ao notar o rosto se iluminar sob a aba do chapéu, lembrou-se das vezes que cedeu aos caprichos de Embry. Naquele momento percebeu haver semelhança entre eles; os dois homens de sua vida. Esse último pensamento a chocou. Embry seria o homem de sua vida, não Edward.

Detalhes, disse a si mesma para acalmar o coração. Apenas detalhes, pois no momento o barão estava na vida dela. E da mesma forma que se alegrava ao contentar Embry, apreciava ver a alegria voltar aos olhos de Edward que animado já a instruía.

– Não mova as rédeas de Luna e se prepare para a volta. Vou tomar a dianteira e quando Draco virar, ela fará o mesmo. Combinado?

– Fale com a égua, não comigo... – ela brincou para encobrir o nervosismo, rogando que o animal não estivesse em sintonia com ela naquele momento.

Com um sorriso a curvar o cavanhaque que a torturava, Edward fez como descreveu passando a sua frente, então elegantemente fez Draco dar a volta. Logo Luna fazia o mesmo demonstrando ser mansa e obediente. Com isso o passeio até ponte estava descartado e era levada não sabia para onde, sempre sendo seguida por Nero.

– Já que agora o passeio é seu, não meu... – Isabella o provocou. – Aonde vossa senhoria pretende me levar?

– Estive pensando em levá-la de volta ao pomar, o que me diz? Poderemos apear, assim poderá relaxar... – opinou e, para também provocá-la, acrescentou. – Acho que Mike terá que dar chá calmante para Luna quando a devolvermos.

– Há-há... Muito engraçado Milord! – replicou olhando-o de esguelha com falso enfado, levando-o a gargalhar.

Contagiada pela alegria dele, Isabella o acompanhou no riso. Talvez a mudança em sua postura tenha confundido a égua levando-a e acelerar o passo. A moça sobressaltou-se, contudo logo o barão estava emparelhado com ela, segurando também as rédeas de Luna com a mão enluvada.

– Calma menina! – pediu com voz mansa à égua. Quando os animais seguiram no mesmo ritmo, Edward olhou para o rosto incolor da jovem. – Você está bem?

– Estou. – disse trêmula pelo susto. – Mas não me deixe.

– Não vou deixar. – ele prometeu atentando ao próprio coração que também se alarmou com a ameaça de uma disparada. Caso Isabella se machucasse não se perdoaria. Para distraí-los comentou. – Gosta de cavalos, mas não está habituada a montar.

– Embry fala tanto deles que não tinha como não gostar.

Tarde demais ela percebeu sua insensibilidade. A mão que cobria a sua a apertou fortemente antes que o barão retrucasse ácido.

– Já que ele a fez gostar de cavalos deveria tê-la ensinado a montá-los.

Como se Embry soubesse, ela pensou dividida entre a saudade de um e o lamento por ter magoado outro.

– Estou aprendendo agora. – ela soou apaziguadora como faria com o outro em seus momentos de ciúme infantil. Pousando a mão livre sobre a dele, falou. – Estou aprendendo com você!

Com Edward a voz mansa não funcionou de imediato, mas ela tinha esperança de que logo a carranca se desfizesse. Com o silêncio a envolvê-los, deixou-se guiar pelo barão que de tão próximo podia sentir a perna fazendo pressão na sua. Mordendo o lábio inferior, lamentou ter estragado o clima entre eles.

O barão por sua vez, remoia o ciúme por saber que uma das qualidades que admirava nela fora implantada por seu rival. Faltava agora dizer que o apego por cães também fora incutido pelo inesquecível Embry, o amante meloso. Seu estômago dava voltas somente por se lembrar da carta açucarada. Era preciso agir, antes que fosse tarde.

Sem nada dizer, o barão os levou mesmo para o pomar. Chegando aos pés da macieira mais velha, freou os cavalos e desmontou. Deixou Draco solto e, depois de pendurar seu chapéu num toco da árvore, foi ajudar Isabella a descer segurando-a pela cintura. Ao colocá-la no chão não a olhou e foi cuidar dos cavalos. Compenetrado, prendeu a rédea frouxamente ao pito da sela de Luna. Fez o mesmo com as rédeas de Draco, então sem nada dizer desferiu uma firme palmada em sua anca.

Como se recebesse um comando verbal o cavalo voltou pelo caminho que vieram. Luna o seguiu sem ser preciso levar uma palmada, com o galgo a saltar em suas patas traseiras. Logo estavam apenas os dois; ele ainda a remoer seu despeito, ela sem saber o que dizer.

– Para onde foram? – Isabella perguntou para puxar assunto.

– Voltaram para o estábulo. – Edward respondeu lacônico.

Como o cavalo que puxava a carruagem no dia do acidente, ela pensou. Isabella se admirou com o bom treinamento, porém não comentou, pois bem sabia que a resposta seria tão breve e concisa quanto àquela primeira. Para ocupar as mãos, ela desprendeu o chapéu de palha e procurou por um toco onde também o pudesse pendurar. Com a tarefa concluída, alisou a saída do vestido então caminhou um pouco pelas folhas úmidas, sentindo o olhar de Edward sobre si.

O silêncio começava a exasperá-la. Havia errado ao comentar Embry, mas não via razão para tanto ressentimento. Inconformada, pousou as mãos na cintura e exalou um profundo suspiro.

– Está pensando nele, não está? – Edward indagou exatamente às suas costas, assustando-a.

– Por que faz perguntas cujas respostas não lhe agradam? – ela rebateu com outra indagação sem se mover; guardar segredos era uma coisa, mentir outra bem diferente. Jamais renegaria o que sentia por Embry.

– O que posso fazer para que pense somente em mim? – o barão novamente perguntou, daquela vez, abraçando-a pelas costas. Pousando uma mão em seu ventre e outra em sua garganta; ambas livres das luvas.

– Ontem lutou por um espaço em meu coração e conseguiu. – Isabella falou ainda a estremecer com aquele abraço. – Desde então penso em você também, não basta?

– Não! – ele sibilou girando-a em seus braços. – Não a quero pela metade; preciso de você inteira Isabella.

Então a beijou; apaixonada e profundamente. Provando-lhe a língua sem cuidados, emitindo gemidos audíveis, semelhantes a urros enfurecidos. Tal sofreguidão de imediato acendeu a moça, estimulada desde a manhã citada.

Com tamanho arrebatamento, o barão alimentava as centelhas de seu âmago, criando labaredas capazes de incendiá-la por inteiro. Novamente queria mais daqueles prazeres que ele lhe oferecia sem nada dizer; prometia-os apenas a rolar a língua inquieta na sua.

Sem que soubesse como se deu a ação, Isabella se viu estendida sobre as folhas muito úmidas pela chuva de horas antes, mas não se importou. Como poderia ao ter todo o peso do barão sobre si, que com o joelho, abria uma vaga entre suas pernas para encaixar-se. Rendida ela cedeu, deixando que ele se acomodasse em suas saias e deitasse completamente sobre ela.

– Ele a beija dessa maneira? – Edward perguntou mordicando-lhe o queixo.

– Sabe que não... – ela sussurrou, movendo-se sob ele. – Eu já lhe disse que é diferente. Não fale dele agora, por favor...

Pensar em Embry justamente naquele momento fazia o envolvimento parecer errado, abalando sua vontade em ceder ao barão e aos seus carinhos ousados. Como aquele no qual a da mão indecente já lhe esmagava um seio.

– Esqueça-se dele para sempre então... – Edward murmurou rouco movendo os lábios em sua orelha; sentindo o coração apertado no peito, pediu. – E fique comigo...

– Estou com você... – ela garantiu amolecida com o carinho em seu peito ainda coberto e o hálito morno em seu ouvido.

Não eram aquelas as palavras que o barão queria ouvir, mas no momento lhe bastaram. De fato ela estava ali com ele. Calando o ciúme que o atormentava Edward prendeu-lhe o lóbulo da orelha entre os dentes, provocando nela um longo gemido. Envaidecido, mordiscou-lhe também o queixo, antes de requerer a boca macia mais uma vez.

Com as mordidas leves, Isabella sentiu seus recantos mais secretos contraírem-se, reclamando por uma parte do barão que a completaria. Aquela que ela sentia empurrar a base de seu ventre sobre as saias; que a fazia acreditar que pela primeira vez apreciaria a união entre dois corpos.

– Edward... – ela murmurou em dolorosa agonia.

– Estou aqui Bella... – o barão respondeu também num murmúrio, segurando-lhe o rosto para beijá-la com redobrado ardor.

A moça sentiu a aspereza do barro contida nas palmas que a continham, mas não se importou. Nada importava, porém, quando ele deixou seu rosto para lhe segurar a base do pescoço enquanto a mão livre finalmente invadia o decote, ela protestou.

– Não Edward.

A recusa o enregelou, pois ainda era visitado pelo ciúme e pela rejeição dirigida a ele em sonho.

– Não?! – indagou afastando-se para olhá-la.

– Não aqui! – Isabella enfatizou ao lhe notar o abatimento. – Ontem fomos flagrados, esqueceu? Acho melhor irmos com calma nesse seu cortejar avançado.

Com a explicação o barão finalmente espirou. A jovem tinha razão; não poderia correr o risco de expô-la aos olhos de seus criados. Tinha pressa, contudo dispunha de tempo. Com aquela certeza, tratou de acalmar seu corpo antes que cogitasse arriscar. Então, exalando um bufar resignado, Edward se apoiou num dos cotovelos para olhá-la.

– Iremos com calma então – disse a lhe sorrir. Ao analisá-la logo o sorriso se tornou um riso brando enquanto ainda lhe perscrutava o rosto.

– O que foi? – ela indagou, seguindo-o no riso com desconfiança, ainda a sentir o coração bater acelerado pelos beijos recentes.

– Sujei-lhe de lama.

– Ah!... Então o cavalheiro ri de minha pessoa? – ela se mostrou ofendida para provocá-lo. – Estou chocada!

– Não de você. – ele esclareceu, novamente tocando-lhe uma bochecha para acariciá-la com o polegar. – É que, assim suja, você me lembra uma amiguinha de Rosalie.

– Eu o lembro de...? – Isabella iniciou sentindo ao ar rarear. – De quem?

Aquela não era a primeira vez que ele citava a tal menina, mas antes não as associou. Isabella se forçava a respirar quando Edward deu de ombros e prosseguiu.

– Não dela na verdade... Mal a via, nem me lembro do nome. Essa situação é que pareceu semelhante. Minha irmã costumava trazer a amiga para cá então juntas brincavam por horas. Sempre ficavam em péssimo estado. Lógico que a menina levava a culpa e recebia a bronca, mas a mentora das brincadeiras era Rosalie. Assim como agora eu faço com você... Deve ser mal de família, afinal essa é a segunda vez que a trago a esse pomar e a deixo completamente suja.

Somente então Isabella se permitiu respirar. Não se lembrava de como o assunto surgiu, nem se ressentia com a falta de atenção que no momento lhe era providencial. Com o comentário inocente que o fazia sorrir, Edward a lembrou de que sempre seria a presença inadequada, não digna, nem à altura de se juntar à nobreza. Aquela lembrança não a abatia; já estava acostumada. Passado o susto e o clima ruim entre eles, Isabella queria era experimentar mais do que o barão lhe oferecia. Com isso novamente sorriu e piscou com exagerada inocência.

– Então vossa senhoria me trouxe até aqui para brincar?

– Tinha algumas reinações em mente, mas fui lembrado de que devo me comportar – ele declarou solene, acompanhou-lhe na brincadeira. – E sabe o que é pior?

– Não... – Isabella tentou não sorrir da expressão consternada. – Diga-me o que é pior.

– Eu a trouxe para cá, voltaremos para casa deploráveis tornando qualquer desculpa envolvendo quedas em algo inacreditável e nem brincamos.

Naquele instante a jovem percebeu que o tom ameno encobria uma contrariedade real. Sendo sincera, era a mesma que sentia afinal desde que Edward a derrubou no chão barrento pela primeira vez queria muito brincar com ele. Titubeou na noite anterior, contudo, decididamente não era uma donzela da qual se esperava recato. Não deveria ter recuado antes, nem temer chocá-lo naquele instante.

Seguindo o decreto do barão para que não pensasse, Isabella decidiu que já era hora de revisitar outros lugares de Apple White onde esperava ainda haver privacidade suficiente para demonstrar o quanto lamentava por não estarem se divertindo da forma que Edward queria.

– Não considero que isso seja o pior... Haverá muito tempo para brincadeiras. – respondeu lhe sorrindo. – O que de fato me incomoda é estar suja. Imagine como Marie ficará quando nos vir assim... O ideal seria se houvesse um local adequado para nos limparmos.

Com sua sugestão o olhar azul se iluminou, assim como o sorriso amplo de dentes perfeitamente perfilados e brancos.

– Na verdade há – Edward anunciou erguendo-se de súbito para então puxá-la pelas mãos. – A uns cem metros daqui há uma lagoa aonde eu e Rosalie costumávamos nos banhar. Estaria disposta a caminhar?

– A caminhar?... – ela se desprendeu e saltitou diante dele de braços abertos. – Até de voar se fosse preciso. Minha vida por um banho!

Edward sorriu por ver Isabella livre de reservas; contente pela oportunidade de estar mais tempo em sua companhia onde eles não seriam encontrados facilmente. Todavia estava também apreensivo, pois já vira com que rapidez a moça se fechava.

Com ela a agitar os braços como se fosse a “bonita borboleta” descrita por Embry, pareceu que a limitação entre eles ia além do estranho compromisso que mantinha com o sonhador meloso e até mesmo da diferença de classes entre eles dois. Algo a oprimia; algum dia saberia o quê? Esperava que sim, mas não naquele momento.

– Não seja dramática! – pediu ainda sorrindo para alimentar a leveza que ela necessitava. – Acabo de encontrá-la. Como pode querer entregar o que tem de mais precioso por um banho quando sabe que o terá?

– Sendo assim, vamos...

Isabella o chamou e correu a frente dele. Estranho foi perceber que mesmo em meio ao pomar, sem trilhas distintas ou indicações de sua parte, ela escolheu a direção correta. Edward a seguiu intrigado até que a moça estacasse e se voltasse para olhá-lo.

– Onde fica a lagoa? – perguntou sorrindo.

– Continue por onde está indo que chegará a ela – respondeu perscrutando-lhe o rosto corado.

Era impossível, mas de fato parecia que Isabella sabia o caminho e que a pergunta fora para encobrir um deslize. Já tivera essa impressão antes, mas sabia ser apenas maluquices de uma mente avaliativa. Todas aquelas certezas não passavam de simples coincidências.

Recuperada do susto ao reparar que partiu sem uma direção apontada, Isabella voltou até ele e o puxou pela mão. Não gostava quando o barão a encarava como se tentasse lhe desvendar a alma. O que ele veria não era bonito então deveria continuar cego à sua realidade. Voltaria sua palavra atrás quanto a estar com um Bradley, daria aos dois aquilo que queriam; ambos teriam boas recordações e só.

– Venha. – novamente chamou o puxando. – Nunca pensei que nobres fossem tão preguiçosos.

– E eu nunca pensei que um banho pudesse animar tanto uma pessoa – retrucou ainda dividido pelos sentimentos que ela lhe despertava. – Devo avisá-la que a água provavelmente estará muito fria.

– Não me importo. – ela deu de ombros. – O sol está quente.

– Sendo assim... – ele a imitou.

Aproveitando a mão pequena na sua, o barão caminhou lado a lado com Isabella. Seguiam em silêncio, sem pressa; cada qual absorto no próprio pensamento. Edward por vezes a olhava de esguelha, analisando-a. A face delicada parecia serena. A constatação o acalmou deixando que saboreasse a companhia e o passeio. Logo a lagoa surgiu diante deles. Antes do que ele gostaria, afinal queria tirar o máximo de proveito de todo o tempo que tivesse com ela. Sem uma palavra, Isabella soltou sua mão e correu até a margem.

O mato em volta havia crescido, mas o cenário era o mesmo do qual se lembrava. Fechando os olhos, Isabella viu a si mesma com Rosalie, nadando ou secando ao sol; cada uma falando de seus sonhos. Estava feliz que ao menos a amiga tivesse conseguido realizar os dela. Com a recordação verteu uma lágrima; não por sua oportunidade perdida, mas de contentamento pela boa amiga. Quando sentiu um dedo colher sua lágrima Isabella se sobressaltou.

– Ontem em meu decreto me esqueci de proibi-la de entristecer. – Edward disse quando ela o encarou.

– Não estou triste, juro... – deu-lhe um sorriso franco. – A beleza deste lugar me comoveu.

Novamente lhe parecia outra coisa, mas o barão não dispensaria tempo tentando decifrar mais aquele mistério; bastavam os que ele já possuía. E no momento estava encantado em tê-la ali, longe de todos. Mais uma vez contrariando tudo ao que acreditava saber sobre ela, como na manhã anterior.

Sem se importar por estar coberta de folhas e lama sua escolhida lhe parecia mais bonita, confirmando a impressão que teve ao conhecê-la; ela não dava muita importância à vaidade. Também descobrira que ela era espontânea quando não estava ensimesmada. Como poderia não ter se apaixonado por alguém tão livre de padrões?

– A sua beleza me comove! – o barão falou sem desviar os olhos dos dela.

– Está sendo gentil! – Isabella baixou as pálpebras. Sentindo o rosto arder, tentou limpar a lama de uma bochecha. – Como bem disse, estou toda suja. Devo estar horrível, essa é a verdade.

Isabella mirava as botas de montaria do barão quando ele lhe segurou o queixo para lhe erguer o rosto. Não lhe restou nada além de encará-lo, então, ao encontrar os olhos azuis, Edward declarou.

– Logo terá seu banho e estará novamente limpa... A beleza a qual me refiro não se enlameia. Você é bela por dentro e notar me comove.

Sem que Isabella pudesse evitar seus olhos transbordaram; não era bonita daquela forma. Seu interior há anos fora emporcalhado e não havia esfregão que o limpasse. Com os olhos fechados sentiu que Edward tentava secar suas lágrimas.

– Isabella...?

– Estou bem! É que nunca me disseram nada tão bonito – para desconversar, sorriu-lhe por entre as lágrimas e pediu de súbito. – Agora se vire para que eu possa me despir.

– Para que possa... – Edward não finalizou a frase; a consternação cedeu lugar para a incredulidade. Imaginava que Isabella quisesse o mesmo que ele, mas não que ela tomasse a iniciativa.

A moça esperou que o nobre se movesse, mas este nem ao menos piscou. Enfim, ao que parecia terminou por chocá-lo mesmo já tendo admitido não ser nenhuma donzela virginal. O que esperou afinal? O mundo pertencia aos homens. Sorrindo entristecida por acreditar que talvez, depois da ação ousada, o barão não considerasse seu interior tão bonito quanto antes, liberou-o:

– Tudo bem, não precisa se voltar... O vestido também está sujo.

Antes que Edward esboçasse qualquer reação, ela retirou os sapatos e ergueu a saia do vestido para retirar a volumosa anágua bem diante de seus olhos. Então, depois de atirá-la à grama, testou a frieza da água com a ponta do pé. Edward admirou-lhe as panturrilhas que brotavam pela borda da pantalona branca. A reação ao ver a peça íntima fora a mesma de quando admirou os seios nus.

Eletrizado, viu a jovem entrar na água abafando um grito surpreso – talvez por encontrá-la mais fria do que o constatado –, caminhar poucos passos até a parte mais funda da lagoa e submergir.

Isabella ficou sob a água por um tempo preocupante antes de voltar à tona, ainda mais distante da margem. Tinha os cabelos soltos que flutuavam em seu redor enquanto girava com os braços tocando o espelho d’água.

– Sabe que as roupas atrapalham, não? – perguntou sorrindo ao barão, como se não estivesse chorando minutos antes.

O nobre intencionava responder, mas não encontrava palavras o que a levou a sentenciar:

– Vou tomar seu silêncio por um sim.

Isabella, então, nadou novamente em direção à margem até que pudesse ficar de pé. Como se estivesse sozinha, desabotoou a frente do vestido rapidamente. Logo a peça voava em direção ao barão, assim como o chemise. Sabia que ela novamente estava sem espartilho então se lhe atirasse a pantalona Edward poderia saber que ela estaria nua. Para o bem de sua sanidade, Isabella conservou a última peça.

A catatonia do barão começava verdadeiramente a assustá-la, pois chegou a um ponto extremo de onde não poderia retornar sem maculas em sua imagem. Seguir em frente era a única solução. Já nadando de volta à parte mais funda, pediu na tentativa de estimular alguma reação:

– Poderia estender essas roupas em algum galho próximo, por favor?

E finalmente Edward se moveu. Estendeu as roupas ouvindo o agitar das águas. Quando se voltou descobriu que a moça nadava de um lado ao outro, muito a vontade. Os cabelos negros cobriam quase que completamente as costas alvas enquanto sua dona era impulsionada para frente pelos pés em movimento. Parecia estar em seu habitat natural; uma ninfa das águas. Então o ser mítico parou a meio caminho e o encarou.

– Está com medo da água fria, Milord? – provocou.

Edward estava com medo se seus próprios sentimentos; e com medo dela. Não entendia o que tamanha liberdade significava. Isabella lhe dissera não ser mais virgem, ainda assim seu desprendimento o assustava. Não que a julgasse, pois com a atitude demonstrada, ela confirmava que o queria. Com isso a admiraria mais por seguir seus instintos; como ele mesmo sempre o fazia. Todavia o temor do barão era de que fosse somente isso. Ele sabia ser o grande responsável, mas tudo estava indo muito rápido; como se Isabella quisesse lhe satisfazer a vontade e nada mais.

– Devo dizer que estou decepcionada. – ela murmurou maneando a cabeça em reprovação. – Não pensei que um pouco de água fria o detivesse.

Sua última provocação pareceu surtir efeito. Sem deixar de olhá-la o nobre se curvou sobre si mesmo por duas vezes para retirar as botas e as meias. Com a respiração falha, ela o assistiu desabotoar e retirar o colete, descer os suspensórios e tirar a camisa rapidamente pela cabeça. Não havia outra peça por baixo então a visão de um peito largo e escurecido fez seu coração que já batia incerto, tamborilar ainda mais forte.

O barão possuía um físico invejável levando-a a, pela primeira vez, desejar ver um homem completamente despido, contudo a exposição findou ali. Vestido em sua calça, Edward entrou na água sem se abater, como que para mostrar que nada temia.

Antes de estar junto a ela Edward afundou por completo. Naquele trecho mais fundo da grande lagoa, Isabella não o podia ver. Preparando-se para um bote, ela girou em seu próprio eixo na esperança de não ser surpreendida. Falhou completamente e logo teve um tornozelo seguro fortemente e foi puxada para o fundo. Não estava preparada então engoliu um pouco de água na ação. Quando emergiu, tossiu e sorveu o ar com dificuldade. Ao se recuperar ouviu o riso ao seu lado.

– Isso foi trapaça – acusou atirando água contra o rosto vitorioso.

– Chamo de vingança por ter me provocado – o barão explicou passando a nadar ao seu redor. – E por usar sua beleza e seus mistérios para me enfeitiçar.

– Não faço isso – defendeu-se sem convicção por estar igualmente encantada pela beleza máscula do barão que naquele momento tinha os cabelos escurecidos soltos sobre os ombros.

– Ah, você faz... – ele murmurou sempre a cercando, obrigando-a a girar para vê-lo. – E conhece tão bem tal poder devastador que anda pela cidade com o rosto coberto, vestida de esperança. Aparentemente frágil, fica a esperar apenas um incauto que se atreva a revelar esse rosto perfeito emoldurado por cabelos de azeviche... Foi o que aconteceu comigo. Acredito que esteja preso por seus encantos e sortilégios para o resto de meus dias.

– Não faço essas coisas – ela sentiu o desejo real de se defender, pois de fato não era o caso; nunca quis atrair ninguém.

– Talvez sim, talvez não... – Edward considerou antes de alertá-la. – Seja como for, não se atreva a jogar comigo Isabella.

– Não estou... – sussurrou. Ele parecia tão maior e mais forte; assustou-a. Parecia que conhecia sua intenção. Como prova, ele prosseguiu:

– Já deixei claro meu interesse por você. Tanto que lhe propus a corte... Não pense, nem por um minuto que se entregar para mim agora será o bastante. Nem deseje fazer amor comigo por curiosidade ou caridade para que depois me troque e volte feliz para os braços de outro homem.

– Tal absurdo jamais me passou pela cabeça! – mentiu.

Esperava que talvez fosse julgada pela ação liberal demais para uma dama, não que fosse alertada quanto a uma intenção real. A sensibilidade de Edward a chocava ao passo que suas palavras decididas a excitavam. Seu corpo vibrava expectante com aquele espreitar quase felino a sua volta. Queria que o barão esquecesse detalhes sobre fatos que nenhum dos dois poderia mudar e a beijasse. Queria mais daquele prazer poderoso que ele lhe apresentou. Para tanto assegurou sem cuidados:

– Já disse que meu amor por Embry é diferente. Ele ocupa meu coração, mas não como um homem para o qual eu volte. Não sei o que futuro nos reserva, mas não haverá trocas Edward – tomou coragem e se aproximou para flutuar diante dele. – Talvez por minhas palavras... Ou por toda a situação em si me julgue leviana, mas muito cedo aprendi duas coisas e uma delas é não esperar para ter amanhã o que quero hoje. E já estou atrasada um dia, pois desde ontem me faz querer você. E então... Parece mesmo que eu esteja jogando?

Isabella ficou sem uma resposta e antes que previsse a reação, Edward a puxou em direção a margem. Somente até que pudesse tocar o fundo da lagoa com os pés, então a segurou pela nuca e a puxou para lhe dar o tão esperado beijo.

Com um gemido abafado Isabella correu as mãos pelas costas molhadas e prendeu seu peito ao dele. Logo seu corpo ganhava vida ao ter a língua provada fortemente e seus seios acariciados por pelos crespos. Para estimulá-la mais, Edward igualmente correu uma das mãos por suas costas até tocar-lhe as nádegas e prensá-la de encontro ao seu quadril.

– Edward... – exalou ao senti-lo rijo. A boca espinhenta torturando-lhe a garganta, descendo mais para cobriu um seio. – Eu preciso de você...

Também precisava dela, antes mesmo de beijá-la no pomar. Aquela atitude dela ainda lhe inspirava cuidados, mas, ao ouvir tudo o que disse, concordou que não deveriam adiar o que tanto queriam. Ainda acreditava que Isabella não tinha a intenção de ficar e, sim, brincasse com os sentimentos que precocemente expôs. Contudo acreditava também que se desse mais do que ela alegou nunca ter tido, ao final da reconstrução da ponte a teria feito mudar de ideia e ela ficaria.

Movido por essa esperança Edward a fez enlaçá-lo pela cintura e a carregou até a margem. Deitou-a sobre pedrinhas e musgo antes de se afastar para admirá-la. Com sua ninfa das águas seminua a respirar com dificuldade fazendo com que seu peito de montes alvos e cumes róseos se movessem rapidamente, o barão novamente considerou-a muito nova.

Estava extremamente excitado, queria vê-la totalmente despida, mas recuaria caso Isabella assim o quisesse. Foi com o coração enregelado e a respiração também falha que perguntou roucamente.

– Tem certeza de que ir além é o que quer?

Em resposta ela lhe realizou o desejo desprendendo o laço que fixava a pantalona molhada para corrê-la por suas pernas até retirá-la completamente. Antes que terminasse a ação, Isabella mais uma vez o chocava. Não pela confirmação da ousadia, mas por ser livre de pelos. Era como se estivesse diante de uma das Três Graças de Rafael Sanzio; a moça não era uma ninfa afinal e sim uma das filhas de Zeus.

Explicada a cerne de sua imediata adoração por aquela divindade, Edward não esperou por ações ou palavras complementares. Enfeitiçado por tamanha perfeição, desfez-se das próprias roupas e, demonstrando o mesmo despudor que ela, deixou que os olhos negros o avaliassem antes que sua dona os ocultasse e num convite final apartasse os joelhos, elevando-lhe a excitação a um limite insustentável.

Guardando a imagem de Edward – viril e forte – Isabella manteve os olhos bem fechados por medo de estar num sonho e que este se esvaísse antes que tivesse aquele homem incrível sobre si. Ainda sem descerrar as pálpebras sentiu lábios e pelos em seu ventre que a fizeram se retesar. Sua reação o fez parar.

– Tem certeza de que é o que quer Isabella? – repetiu muito rouco.

– Absoluta. – murmurou procurando os cabelos molhados para acariciar enquanto rompia o torpor para lembrá-lo. – Confio que não me engravide.

Então a boca delicada mais uma vez a beijou no mesmo ponto.

– Não hoje... – o barão profetizou antes de subir seus beijos espinhentos até novamente provar o cimo rígido de um seio.

A doce tortura se estendeu até que a moça implorasse por ser tomada pelo barão. Como era o desejo comum Edward finalmente se estendeu sobre ela e, procurando a boca rosada para um beijo, colocou-se em Isabella.

Com um gemido estendido, a moça confirmou o que previa. Sempre lhe pareceu impossível, mas Edward a fez apreciar ser possuída. Mais até, a fez sentir um prazer indescritível quando iniciou os movimentos habituais e emitiu os sons estrangulados que invariavelmente a enojavam. Apenas com um homem experimentou indiferença, não repulsa. Nunca fora instigante, um crescendo estimulante, como era com o barão. Com Edward parecia ter tudo e ainda queria mais. Logo se movia sob ele e a ação que lhe deu maior prazer pareceu agradá-lo.

– Você é perfeita! – ele urrou junto ao seu pescoço, abraçando-a fortemente.

Tais palavras, juntamente com o intensificar daquela dança primitiva, fizeram algo que crescia gradativamente dentro de Isabella explodir com violência arrebatadora. Seu corpo ainda era sacudido por tremores breves e intermitentes, quando Edward se retirou antes de igualmente estremecer; ele atendera ao seu pedido. Iria deixá-lo sem recordações.

Comovida, novamente com a sensação de que seria arrastada por tão poderosa força, Isabella o abraçou muito forte. Percebeu que chorava ao sentir o gosto de sal de suas lágrimas. Os sentimentos que enchiam seu coração eram velhos conhecidos e vinham fortes, mas não a assustavam. Como poderiam quando eram nada menos do que sublimes?

Estava com seu baronete, que mesmo desconhecendo ter acalentado seus sonhos de menina, invadiu seu cerco protetor e a resgatou. Com ele, pela primeira vez, Isabella soube o significado de fazer amor.

Deitados sobre a relva que crescia daquele lado da lagoa – Edward coberto pelas ceroulas e Isabella enfiada em sua grande camisa –, o barão tinha a cabeça dela recostada contra seu ombro a apreciar o silêncio que os envolvia. Distraída, Isabella desenhava círculos imaginários sobre o peito largo e aquela ação despretensiosa o tranquilizava; parecia que ela não estava arrependida como foi levado a crer ao notar que chorou enquanto estava em seus braços. Ao menos foi o que lhe pareceu, mas não quis questioná-la.

Depois de provar o quão potente foram as sensações despertadas por Isabella, Edward não se sentia tão corajoso para ouvir o que ela tivesse a dizer. Ainda se sentia bem disposto a lutar, mas não lhe interessava saber que algo magnífico para ele, apenas ocupasse um pedaço no coração feminino. O nobre não seria capaz de imaginar que o calar da moça indicasse justamente o contrário. A força do que experimentou com ele inundou-lhe todo o coração, tornando a separação ao insuportável.

Contudo partiria. Porém até que a hora chegasse, Isabella teria o máximo que pudesse tomar para si. Ao pensamento ela se comprimiu contra o corpo forte. Logo foi envolvida por braços afetuosos que retribuíram aquele meio abraço.

– Está com frio? – Edward perguntou ao senti-la estremecer. Sabia que não, pois o sol estava alto e quente.

– Um pouco. – não mentiu. A iminência do que viria a enregelava.

– Deseja voltar para casa? – sugeriu.

– Ainda não... – caso pudesse, por ela ficariam ali para sempre. – A menos que queira partir.

– Ainda não. – ele a imitou. Então arriscou. – Está contente por estar aqui?

– Estou contente por estar aqui com você! – ela se permitiu gracejar com a verdade. E desejando saber quais impressões causara nele, indagou. – E não me disse... Considera-me leviana pelo o que fiz?

– Para mim é algo novo me deparar com uma mulher tão decidida. Confesso que me assustou a princípio, mas não a classificaria leviana. – disse sincero. – Talvez a palavra seja corajosa... Nessa sociedade na qual vivemos é raro haver mulheres de coragem que demonstram abertamente o que desejam. – acrescentou correndo a mão pela curva acentuada da cintura delicada, apreciando que ela usasse sua camisa para cobrir a nudez de Eufrósina*.

– Então diga o que pensa de minha coragem... – ela insistiu.

– Não tenho o que pensar. – retrucou seriamente. – Somente admirar que não seja uma das tantas pessoas que dissimulam o que sentem somente para serem aceitas por outras tantas pessoas igualmente hipócritas.

O discurso a surpreendeu, contudo não convenceu. Acreditar em palavras bonitas era bem diferente de aplicá-las na própria vida.

– Tem sido assim desde sempre, porém como bem disse, são essas pessoas que formam a sociedade na qual vivemos... E muitas vezes são os hipócritas que apontam nossos piores defeitos. Em um meio assim, alguém como eu não tem a mínima chance de sobreviver... Jamais seria aceita.

– Eu a aceito! – Edward rebateu seguro, correndo uma das mãos pela lateral do pescoço delgado para acariciar-lhe a orelha.

Ao vê-la sorrir e fechar os olhos Edward acreditou que talvez aquela fosse a complicação que a mantinha longe de Embry. O covarde a amava, mas não tivera coragem para aceitá-la de imediato e teriam brigado. Agora arrependido tentava comovê-la comparando-a a uma borboleta que vira num sonho e implorava que voltassem; o safardana. No que dependesse dele tal reconciliação jamais se daria. Para indicar ser diferente, pediu:

– Olhe para mim Isabella. – quando as duas contas escuras o encaram, falou comprometido. – Eu a aceito assim como é. Não me importa o que aconteceu com você antes de conhecê-la... Sou grato por tê-la encontrado e no que depender de mim farei de tudo para que não deseje ir embora.

Ela iria, pois sabia que a gratidão findaria quando soubesse que cortejava e abrigava uma meretriz, porém não queria pensar a respeito naquele momento quando estavam tão próximos. Quando o barão lhe dizia aquelas palavras com voz rouca e acolhedora. Quando um corpo que durante anos acreditou estar morto, ganhava vida com um inocente carinho em sua orelha. Para encerrar o assunto, sorriu maliciosamente e indagou:

– A que tudo se refere nobre senhor? Eu poderia ter uma mostra?

E mais uma vez Edward tinha a nítida impressão de que ela dizia uma coisa quando na verdade tencionava falar outra, mas lhe daria espaço. Já indicara que estava ali para ela, então achou por bem se render à provocação que ia de encontro ao que novamente desejava.

Antes que Isabella pudesse se defender o barão se lançou sobre ela, deitando-a e a prendendo pelos pulsos para encará-la com os olhos azuis a brilhar. Presenteando-a com um sorriso matreiro, falou:

– Se é uma mostra que deseja senhorita, uma mostra terá...

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SPOILER...

Com Isabella quase a correr para segui-lo, Edward a levou até um ponto mais afastado em meio ao jardim, quase no início do bosque. Aquela área era nova, pois ela não se lembrava do caramanchão alto cercado de narcisos e coberto de madressilva, que abrigavam dois bancos de alvenaria, um diante do outro. A moça imaginou como seria bonito quando as flores abrissem na primavera. Infelizmente não veria, mas não teve tempo de sentir pela falta de sorte, pois o barão logo se sentou num dos bancos e a levou diretamente ao colo.

– Melhor agora Bella?

– Muito melhor my lord! – ela assegurou lhe sorrindo e então comentou. – Acho engraçado que me chame de Bella.

– Apenas um tratamento carinhoso, minha pequena Bella – falou depositando um beijo na ponta do nariz bem torneado. – Posso continuar a chamá-la dessa forma?

– Evidente que sim. De qualquer forma contanto que me chame – ela troçou já a correr a mão por seu pescoço para retomar os beijos sufocantes.

Edward se portou como um perfeito cavalheiro durante eles. Por mais que ela estivesse excitada por senti-lo rígido sob suas nádegas, o barão nada tentou além de beijar-lhe o pescoço ou provar-lhe o lóbulo da orelha. Todavia até mesmo aquele contato inocente a abalava.

– Edward... – ela exalou ao ter a ponta de sua orelha rolada pela língua áspera. Involuntariamente se moveu sobre o colo do barão.

– Se fizer isso novamente será difícil manter a compostura – ele avisou rouco. Prendendo-a no lugar para que entendesse sua colocação.

– Então deixe minha orelha em paz... – pediu languida. – E deixe-me sentar ao seu lado no banco.

– Fique quieta que estaremos bem... – ele falou abraçando-a pela cintura, pausando a sucessão de beijos e carinhos. – Quero-a bem perto enquanto conversamos.

– Sobre o quê? – subitamente a mudança não lhe pareceu uma boa ideia.

– Sobre você. – Edward anunciou simplesmente. – Quero conhecer mais de sua vida, especialmente agora que a conheço no sentido bíblico.

A pilhéria não ajudou a acalmá-la; não havia nada que pudesse falar de si, porém colocar a verdade em palavras, apenas atrairia a atenção do barão.

– O que gostaria de saber? – indagou modulando a voz.

– Podemos começar pelo básico – ele disse após um minuto de silenciosa deliberação. – Onde nasceu?

– Nasci em Wilton, mas meus pais se mudaram de lá quando eu tinha três anos – era a verdade.

– Não é tão longe daqui, os tapetes feitos em Wilton são famosos.

– Acho que sim... Não conheço muito sobre minha cidade natal – também era a verdade.

– E de lá seus pais se mudaram para onde? – Edward perguntou interessado.

– Não saberia dizer, pois como lhe falei tinha apenas três anos. O que sei é que eles sempre se mudavam de cidade em cidade.

– Como ciganos? – o barão a encarou com as sobrancelhas erguidas, começando a considerar interessante a possibilidade dos cabelos negros terem sua origem nos nômades indianos.

– Não saberia dizer... – ela repetiu incomodada.

– Como pode não saber? – ele insistiu; precisava conhecê-la. – Seus pais não falavam sobre suas origens. Seus ancestrais? Se eles eram estrangeiros? Naturais da Inglaterra?

– Eu não me lembro dos meus pais está bem? – ela o cortou sem alterar a voz, encolhendo-se em seu colo, fechando os olhos fortemente para não chorar. Tudo o que se lembrava dos pais eram dois rostos esmaecidos pela ação dos anos e as duas lápides abandonadas em meio ao mato.

– Shhh... Não chore Bella. – Edward pediu, abraçando-a. – Como pude não perceber? Ontem já havia me indicado ser sozinha no mundo.

Com o tom carinhoso as lágrimas não puderam ser evitadas, levando-a ao pranto.

– Não chore... – ele repetiu comovido, retirando seu lenço do bolso para secar-lhe as lágrimas. – Perdoe-me por ser assim insensível.

– Não é... – ela disse embargada. Não era culpa dele que fosse uma largada no mundo sem uma história bonita para lhe contar. – Eu que peço desculpa pelo meu descontrole.

Com suas palavras, Edward riu manso, antes de observar, apaziguador:

– E cá estamos nós novamente pedindo desculpas um ao outro. Precisamos acabar com isso, afinal se estamos juntos temos que ter a liberdade para dizer o que pensamos e sentimos sem lamentarmos.

– Tem razão – Isabella concordou em meio às lágrimas, tentando sorrir –, mas poderia deixar para perguntar sobre mim depois?

– Poderíamos falar de outras coisas sem ser sobre seus pais. – Edward sugeriu. – Como onde estudou, por exemplo... Poderia me dizer se sabe tocar algum instrumento... Bordar, cozinhar...

Resumindo, queria obter dela informações irrelevantes que Tanya sempre estava bem disposta a colocá-lo a par, mesmo que não fosse de seu interesse. Vindos de Isabella cada detalhe de sua vida seria bem recebido. Mulheres gostavam de falar sobre tais coisas não?

– Sei tocar piano. – Isabella revelou receosa; não era grande coisa, pois Carlisle deu-lhe poucas aulas. O suficiente para que praticasse por conta própria, contudo pouco se sentou à banqueta do instrumento que havia em sua casa. – Mas, por favor, não peça para que eu toque... Seria um vexame!

– Diz isso agora? – ele se mostrou inconformado enquanto voltava o lenço ao bolso. – Quando já sonhava com uma audição privada!


CONTINUA...

Notas finais
Bom... Espero que tenham gostado... Acredito que hoje vcs tenham conhecido o barão um pouco mais... Ele não é como muitos homens da sua região. Estudou em Londres por muitos anos e com isso tem a mente um pouco mais aberta... Será que isso ajudará na hora que souber a verdade sobre Isabella?... Vamos vendo. Enfim, no de hoje foi a primeira vez deles... Cada um sentiu a sua maneira... Caso queiram comentar algo, estou aqui curiosa para saber... Bjus em todas... Tenham um lindo final de semana!