Borboleta Negra
19 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Capítulo bônus para vcs... Espero que gostem!
Obrigada pelos reviews... Cada um deles é especial para mim.... :)
aAgora, "bora" ler...
BOA LEITURA!
Enquanto picava algumas cenouras, após muita insistência, Isabella fingia não notar os olhares furtivos que vez ou outra recebia da dona da casa que a sua frente descascava batatas sem nada dizer. Antes da atividade toda a conversa girou entre o que ela faria para aumentar o que já havia adiantado para o almoço, as desculpas por não ter nada muito elaborado a servir e a negativa veemente quando a moça se ofereceu para ajudar.
No mais, depois que Isabella conseguiu aprovação, um avental e uma tarefa, ambas mergulharam num silêncio constrangido. Este parecia ser quebrado a cada olhar que recebia, pois os olhos castanhos de Leah indagavam mais do que sua boca seria capaz ou se atreveria a proferir. Com o passar dos minutos a situação se tornou insustentável, levando Isabella a baixar a faca e liberar resignada.
– Tudo bem Leah, pode perguntar o que quiser.
– Perguntar? – Leah maximizou os olhos. – Como assim?
– Não precisa ficar envergonhada – a moça lhe sorriu pequeno. – Sinto que quer saber alguma coisa então... Simplesmente pergunte.
– Não vou negar – ela baixou os olhos para a batata que tinha a mão. – Mas não é nada que seja da minha conta então...
– Sei que comentam sobre mim. – Isabella revelou indiferente. – É natural ficar curiosa, então...
Leah sorriu com a imitação. Pensou por alguns instantes, então depositando a batata e a faca sobre a mesa, indagou cautelosa.
– Posso perguntar qualquer coisa?
– Qualquer coisa – ela assegurou, porém acrescentou. – Prometo não me ofender, mas não garanto que vá responder algo que considere demasiado particular.
– É justo! – Leah pareceu se animar. Com um pigarro, começou. – Jacob me disse como foi que veio parar aqui. Que seguia a pé para Wisbury, mas o temporal a pegou no caminho.
– Exatamente – até ali, tudo bem. – O barão passava pela estrada e prestativamente me ofereceu carona.
– Então se pode considerar que não o conhecia de antes...
Não fora uma pergunta e sim um comentário ambíguo.
– Nunca fui formalmente apresentada – era a verdade –, mas o conhecia. Como a todos. Quem pode dizer que não conhece o barão?
– Acho que ninguém... – ela concordou e retomou seu raciocínio. – Então o conheceu de fato naquele dia. Foi mesmo uma tremenda sorte ser socorrida por ele, não foi?
– Naquele temporal? – a jovem estremeceu ao recordar dos raios, então sorriu e disse sincera. – Consideraria uma tremenda sorte ser socorrida por qualquer um. Parecia que a terra se abriria a cada trovão.
– É... O tempo estava mesmo feio – comentou a morena recuperando a faca e a batata para retomar o serviço, contudo não mais se calou. – De toda forma não foi qualquer um e sim o barão.
– Sim, e ele foi um perfeito cavalheiro. – Isabella ocultou um sorriso por saber que cavalheirismo não seria exatamente a palavra; na ocasião o nobre se comprazia com sua desgraça.
– Por certo... – ela murmurou vaga, então acrescentou. – Posso perguntar por que estava sozinha? Não deveria vir à outra cidade com uma dama de companhia?
Novamente a moça suprimiu um sorriso ao imaginar que se tivesse vindo à Westking com sua usual dama de companhia, causaria estranheza no palácio, pois não era comum que jovens damas andassem acompanhadas por um homem com quase dois metros de altura, tão moreno quanto sua anfitriã, com expressão de poucos amigos. Ao descrever Sam em sua mente a graça se foi. O amigo e protetor deveria estar aflito e muito culpado por não ter ido com ela ao encontro. Novamente rogou que ele estivesse conformado com sua ausência.
– Estou acostumada a andar sozinha – disse por fim. – Sei cuidar de mim.
– Mesmo assim não é comum. – Leah insistiu. – Quando chegou aqui esse foi o comentário geral.
Ao se calar, ela olhou receosa para Isabella.
– Como já disse, sei que comentam sobre mim, então não se acanhe. Imagino que tenham considerado a falta de uma acompanhante algo escandaloso.
– Posso lhe ser sincera? – as mãos ocupadas foram novamente abaixadas para que a moça fosse encarada.
– Por favor... – já que havia permitido, não tinha como voltar atrás.
– Chegar aqui desacompanhada gerou muitos comentários que alimentaram certas teorias, mas todos consideram mais escandalosa a mudança do barão.
– Qual mudança? – Isabella estava de fato interessada; não esperava por aquilo.
– Ah... – a cozinheira exclamou. – Ele tem agido estranhamente desde que a trouxe. Tudo bem que quando a baronesa não está no palácio o barão faça algumas refeições na cozinha, mas agora ele aparece lá toda hora atrás de Marie para saber da senhorita.
– Isabella – ela corrigiu. E não considerando a revelação relevante, retrucou. – Natural que ele queira saber de mim, afinal ele assumiu minha responsabilidade.
– Não é só isso Isabella... – ela negou maneando a cabeça. – O barão aparece mais de uma vez num mesmo dia. Tem também a história de deixá-la montar seu cavalo. Isso nunca aconteceu antes. A senhorita Cullen usa sempre a égua.
Com a menção do nome o coração de Isabella reduziu no peito. Não podia alimentar qualquer espécie de ciúme, ainda assim se ouviu indagar enquanto voltava sua atenção às cenouras.
– E ela vem muito aqui? A senhorita Cullen?
– Uma vez a cada quinze dias – informou sem rodeios, analisando o rosto de Isabella abertamente ao prosseguir. – Sempre aos domingos, ela e a mãe vêm passar o dia com a baronesa. Como é o dia de descanso do barão, ele lhes faz companhia... Por vezes os dois passeiam a sós...
– Entendo – comentou, imprimindo mais força à tarefa, fazendo a tábua estalar sob a faca. – É quando ela monta na égua.
Isabella desejou que a montaria se desse somente na égua, então se repreendeu. Não tinha o direito de desejar coisa alguma que fosse além de a moça citada ter por Edward o mesmo amor que descobrira sentir.
– É sim, mas não precisa ter ciúme.
– E quem está com ciúme aqui? – a pergunta saiu ríspida e apressada. – Não tenho razões para...
– Então não estão juntos? – tão logo proferiu as palavras, a criada mordeu os lábios, visivelmente consternada. – Por favor, perdoe-me... Quanta indiscrição!
Sentindo seu corpo tremer, Isabella pousou a faca sobre a mesa, então espalmou as mãos sobre a mesma para recuperar o fôlego. Não deveria se deixar afetar pela proximidade de Tanya e muito menos com a sabatina.
– Não está sendo indiscreta Leah. – Isabella assegurou. – Não há como negar que o mútuo interesse exista e por enquanto isso é tudo o que interessa. Como não há nada além, não tenho o direito de me ressentir com a aproximação do barão com outras jovens.
– Mas é evidente que tem! – Leah retrucou decidida. – Se está interessada nele e ele em você, tem sim que se importar... Principalmente quando pela outra o barão não tem o mesmo apreço.
– Não tem como saber isso – replicou descrente.
Edward já havia deixado escapar sobre as caminhadas pelo pomar – que ela bem conhecia a utilidade – Marie já havia citado os passeios a cavalo anteriormente, então não tinha como negar que ele dispensava muito de sua atenção para Tanya Cullen.
– Não ouviu nada do que eu disse? – a morena perguntou incrédula. – Todos... Eu disse todos notam a diferença. E se restasse alguma dúvida, teve seu desmaio da noite passada.
– O que tem isso? – Isabella uniu as sobrancelhas.
– Bem, se formos comparar... – Leah depositou a tigela com as batatas sobre a mesa. – Certa vez a senhorita Cullen também desmaiou por causa do espartilho muito apertado. Lord Masen a levou para casa e deixou que a mãe e a baronesa, com a ajuda de Marie e Irina a reanimassem.
– Acredito que com exceção às mulheres a ajudar Marie, comigo aconteceu basicamente o mesmo – a moça deu de ombros, não vendo a relação que pudesse diferenciar o afeto do barão; ela também despertou pelas mãos da criada.
– Isso é que não! – a ênfase capturou toda atenção da moça.
– Como assim...
– Bem... Com a senhorita Cullen eu não vi o que houve, pois o barão a levou para a sala onde a mãe tomava o chá com a baronesa. Contudo Irina nos contou que ele entrou apressado, sim, porém muito calmo e a deixou aos cuidados das mulheres. Então avisou que iria ao galpão e que na volta viria saber sobre a recuperação da jovem... Já com você... – calou-se sugestiva.
– O que houve comigo? – Isabella sentiu que poderia gritar com a morena, caso ela não dissesse de uma vez.
– Ninguém nos contou... – ela começou muito séria. – Todas nós vimos a aflição do barão quando ele entrou com você desfalecida nos braços. Passou pela cozinha rápido como um raio quase nos matando de susto. Marie também se apavorou e foi atrás dele mesmo sem ser chamada.
– Isso não prova nada – ela comentou num fio de voz; em sua mente, imaginar o barão aflito dividia espaço com a revelação de que havia passado pela cozinha. Sue com certeza a viu.
– Talvez, não prove... – Leah prosseguiu alheia à súbita aflição da moça – Contudo, muitas pressionaram Marie para que contasse o que aconteceu. Ela se esquivou de todas, mas acabou contando para mim que o barão parecia estar possuído. Ela disse que ele tentou reanimá-la sem deixar que ela se aproximasse. E quando permitiu, não saiu do quarto em tempo algum.
Saiu quando ela não respondeu o esperado, pensou culpada. Uma parte dela se envaidecia ao aceitar haver sim uma diferença no afeto do barão, porém a outra, aquela sempre ciente de sua verdade, se preocupou.
– Lamento ter causado tanto transtorno ao barão – disse num murmúrio.
– Não lamente, alegre-se. – foi a recomendação jovial. – Afinal já admitiu estar interessada. Qualquer jovem solteira estaria exultante após ouvir o que lhe disse, afinal além de bonito o barão é um excelente partido.
– Sim, ele é... – como discordar? Edward era o melhor. Então com a verdade veio a curiosidade e antes que notasse, perguntou. – Como ele pode ainda ser solteiro?
– E quem sabe? – ao responder vagamente, a morena levou a tigela para uma bancada onde começou a lavar as batatas. – O antigo barão e a baronesa tentaram arrumar-lhe alguns casamentos, mas nunca deram certo. Agora a mãe tenta dissuadi-lo sozinha, insistindo numa união com a senhorita Cullen, mas não vejo futuro.
Exatamente a mesma opinião de Marie, Isabella pensou, finalizando o fatiar das cenouras para entregá-las a mulher que acrescentou quando a moça parou ao seu lado.
– Talvez o barão estivesse esperando a pessoa certa.
– Talvez... – a moça murmurou aérea, correndo os olhos para a porta que dava para o quintal; subitamente necessitada de ar, perguntou. – Há mais alguma coisa que possa fazer para ajudá-la?
– Não – disse apressada. – Daqui eu assumo, obrigada!
– Então vou dar uma volta por seu quintal. Importa-se?
– Fique a vontade, mas não vá muito para a direita, pois a Sra. Denali cria porcos é não nada cheiroso para o lado da casa dela.
– Não irei.
Tão logo a moça pisou no terreiro de terra batida caminhou alguns passos para a esquerda. Não para fugir do mau cheiro, apenas pela recomendação, pois sua mente vagava longe. Não sabia o que pensar, somente tinha a certeza de que fizera tudo errado. O primeiro erro e o mais estúpido de todos fora voltar à Apple White. Como se não bastasse reincidira na insanidade de amar o barão que para o bem de seus pecados parecia nutrir o mesmo sentimento, não sendo somente paixão.
Talvez supervalorizasse as informações de Leah que por sua vez, poderiam já ser exageradas pelo repasse boca a boca, contudo não queria ser a causadora de desilusões amorosas para Edward.
E com tudo isso havia Sue. Se o barão passou com ela pela cozinha com a velha estando no cômodo, as chances de tê-la reconhecido eram grandes. Caso tenha acontecido, o que ela poderia esperar? Um escândalo? Uma abordagem sorrateira? Talvez fosse o caso de partir o quanto antes. Quando ainda poderia haver salvação para o coração do barão ou para evitar uma delação embaraçosa.
– Aí está você! – Edward exclamou às suas costas.
Ouvi-lo naquele momento soou como uma zombaria do destino que mostrava a ela ser incapaz de se afastar por aqueles dias. Como a chacota não poderia ser incompleta, sua ideia de deixar Apple White se esvaiu quando foi abraçada pela cintura e recostada contra o corpo sólido do barão.
– Edward – ela começou tentando se soltar – não acho certo me abraçar assim. Não aqui...
– Não podemos ser vistos – ele avisou apertando-a mais. Curvando-se sobre ela, apoiou o queixo espinhento sobre seu ombro nu e falou ao seu ouvido. – Você se afastou da casa. O que veio fazer aqui sozinha?
Mesmo com ele atado às suas costas, Isabella tentou olhar em volta. De fato estava distante das construções em meio às primeiras árvores daquele trecho de mata. Como seguiu uma linha relativamente reta, não fora difícil ser encontrada. Interessante era se descobrir tão distraída ao ponto de não notar seu rumo, nem ouvir a aproximação de seu amado.
– Estava pensando – admitiu.
– Acho que a proibi de pensar, não? – Edward gracejou na tentativa de anular a preocupação. – Pedi que apenas sentisse.
– Você me faz sentir muitas coisas, com isso sou levada a pensar – ela retribuiu o gracejo, brincando com a verdade enquanto estremecia com aquele arranhar sensual de sua pele. Edward embaralhava suas ideias.
– Então sempre serei o grande responsável quando burlar minhas ordens, pois ainda quero fazê-la sentir muitas outras coisas.
Ao se calar beijou-lhe o ombro e a curva do pescoço que ela instintivamente tombou para o lado oposto. Quando ele prendeu-lhe o lóbulo da orelha entre os lábios e o chupou, Isabella expirou um gemido baixo, seu corpo reagindo in continenti.
– Por favor, não faça isso comigo... – ela rogou sentindo seu centro pulsar.
– E o que estou fazendo? – o barão soprou em seu ouvido, correndo uma das mãos para seu ventre e a outra para a curva abaixo de um seio.
– Está me fazendo desejá-lo mais quando já o quero em demasia – ela novamente admitiu; não havia o que esconder. – Não me torture dessa forma.
– Então quer o poder de tortura exclusivamente para si? – Edward indagou, prensando-a mais contra ele, mostrando além do volume das saias, o quanto ela também o afetava. – Não gosto que fique pensando sozinha. Parece que conspira contra mim...
– Jamais faria nada contra você! – Isabella assegurou firme, apesar do inebriante êxtase no qual a retomada do carinho em sua orelha a lançava.
– Confirme suas palavras não se afastando... – ele pediu aventurando a ponta de da língua na cavidade de seu ouvido, levando-a a exalar um novo gemido. – Não correndo de mim... – então Edward deixou o carinho torturante para novamente beijar-lhe a curva do pescoço ainda derribado. – Quando eu lhe der no que pensar, divida comigo...
Como se ela pudesse, foi o pensamento agoniado antes de ser virada e beijada. Para sua sorte o beijo foi leve como um carinho sobre seus lábios. O barão não a espremeu de encontro ao peito. Apenas a segurou pelos braços, como se a soltasse ela pudesse cair. Isabella também acreditava que cairia, pois sentia suas pernas fracas pelo desejo que se instalou abaixo do ventre. Quando tentou abraçá-lo, Edward quebrou o beijo e a fez encará-lo.
– Conte-me tudo o que eu deva saber Isabella. – Edward demandou, não pediu.
A diferença estava no repentino tom autoritário. Apesar do desejo que via arder no fundo dos olhos azuis, a moça notava a determinação na expressão muito séria; nos lábios agora fechados em duras linhas ainda úmidas pelo beijo.
– Não há nada a dizer – descobriu ser impossível não mentir. – Na verdade, pensava em minha casa e nos assuntos que deixei em suspenso com minha ausência.
Por assuntos suspensos o barão imediatamente entendeu uma referência a Embry e em sua carta piegas; a jovem não havia respondido e talvez alegar ser o culpado por seus pensamentos fosse apenas uma forma de desviá-lo da verdade. Impossível não ser visitado pelo ciúme. Com isso a soltou e deu um passo atrás.
– Se era apenas isso, eu sugiro que voltemos para a casa de Jacob, pois ele nos espera para tomarmos uma taça de vinho antes do almoço. Vim procurá-la justamente por isso.
Sem esperar por repostas, ele a tomou pela mão e como sempre fazia ao indicar aborrecimento a puxou de volta à casa de madeira. Havia fumaça saindo pela chaminé anunciando que a comida ainda era preparada. Quase a correr, Isabella resignou-se; seria uma longa espera.
Confirmando suas suspeitas, o almoço foi servido quase uma hora após seu retorno à sala. Nem mesmo a taça de vinho tinto, suave como a própria fruta, foi capaz de dissipar a leve tensão que pairou entre o casal. Quieta em seu canto a moça deixou que a conversa fluísse entre os dois amigos; basicamente falavam da lida diária de Apple White. Quando a obra da ponte foi citada Edward logo a descartou, deixando claro para a jovem o quanto o afetava. Lamentou por Jacob que tentou outro assunto, sem sucesso em retomar a dinâmica anterior.
Minutos depois, ao ter sua ajuda negada para servir à mesa, restou a Isabella acomodar-se entre o carrancudo barão e seu mudo criado enquanto seus pratos eram servidos. Somente quando Leah finalmente se sentou e serviu o próprio prato, pareceu que o clima desanuviou entre os demais.
Como boa cristã a esposa de Jacob fez com que agradecessem a refeição e educadamente enalteceu a companhia do barão e sua boa amiga em sua casa. A moça não se importou com a definição; estava mais era comovida com a retomada de um antigo hábito. Apesar de pecadora inveterada se manteve na religião, porém há anos não agradecia por aquilo que servia em sua mesa, pois considerava heresia. Logo a mudança ainda que excepcional fora muito agradável.
Ao iniciarem a refeição o silêncio ainda pairou entre os quatro por alguns instantes, porém a dona da casa logo iniciou a conversa. Edward reparou que a cozinheira parecia mais à vontade e creditou a mudança à presença de Isabella; tanto melhor. A moça por sua vez, preocupou-se ao perceber que Leah voltaria ao tema iniciado na cozinha. Pelo visto sua licença ainda valia.
– Então Isabella, está gostando de passar esses dias aqui em Apple White?
Após tomar um gole de água e olhar furtivamente para o barão, disse lacônica.
– Estou sim.
– Acredito que seja verdade, pois aqui é muito bonito – ela comentou levando um pedaço de carne à boca, lhe sorrindo.
A moça retribuiu e igualmente tratou de comer uma batata assada, rezando para que as perguntas não girassem em torno dela; não foi ouvida.
– Não sente saudades de sua casa?
Foi Jacob quem perguntou. Antes de lhe responder, por ainda mastigar, notou o olhar dardejante que o criado recebeu de seu patrão antes que este a encarasse esperando também que se pronunciasse.
– Evidente que sim – foi sincera e então repetiu o mesmo que naquela manhã. – Tenho uma vida a minha espera.
– O que exatamente? – Leah indagou interessada. – Tem família em Wisbury?
– Isabella é órfã. – Edward resmungou antes de enfiar um naco de carne em sua boca; aquilo era uma das duas coisas que sabia sobre a família dela, pensou contrafeito.
– Minha nossa!... – Leah empalideceu. – Isabella eu...
– Não precisa se desculpar – a moça a interrompeu olhando duro para o barão; não havia razão para constranger a mulher. – Perdi meus pais quando ainda era muito nova. Estaria mentindo se dissesse que não sinto a falta deles, mas não é nada comparado a quem perde os pais sendo já adulto.
– Isso é bom para você. – Edward comentou sem temer parecer insensível. – Para mim, ainda é estranho a perda de meu pai. Tento digeri-la todos os dias.
Como sempre Isabella se incomodou quando ele citou o barão pai. E muito mais em comparação ao seu próprio que até onde sabia fora um bom homem. Todavia o barão não fazia ideia do ser vil que havia velado até a morte, então se ajeitou sobre a cadeira e tomou um pouco d’água antes de consolá-lo.
– De fato, para você é muito pior. Mas pense que ao perdê-lo, ele deixou de sofrer... Pelo o que soube, não havia cura.
– É a argumentação que uso para aceitar a perda – ele disse diretamente para ela; os intensos olhos azuis falando além das palavras. – Tento acreditar que coisas ruins muitas vezes acontecessem por um bem maior.
– Eu tenho certeza! – Isabella lhe sustentou o olhar e pareceu haver apenas eles ao redor da mesa. – Aprendi muito cedo que aquilo que a mim parece horrível, é muitas vezes somente a dor da transformação, da mudança. Como a dor de um parto que dilacera uma mulher ao meio, mas logo em seguida a repara com a esperança em forma de uma nova vida.
– Fala como se tivesse tanta experiência de vida!... – foi Leah quem comentou arrancando-a da bolha na qual mergulhou com o barão. – Mas é ainda muito nova, não?
– Tenho 23 anos. – respondeu com um sorriso morno, deixando o primeiro comentário passar. – Não sou tão nova assim.
– É mais nova do que eu – a morena sorriu timidamente. – Como cometi outra indiscrição vou lhe contar minha idade. Tenho 26 anos.
– E vocês são casados há muito tempo? – Isabella se pegou à oportunidade de tirar o foco de si.
– Há sete anos. – Jacob respondeu pela esposa, segurando-lhe a mão disposta sobre a mesa afetuosamente. – Quando a vi brigando com o verdureiro, soube que seria a mulher certa para mim.
– Eu não estava brigando – ela negou com o rosto terroso adquirindo um leve tom avermelhado.
– Ah, não?! – o marido a provocou e piscou cúmplice na direção de Isabella. – Só não vou repetir as palavras amáveis que dirigia ao pobre homem em consideração à nossa visitante.
A moça sorriu enlevada com o evidente carinho entre o casal; sentindo nascer em seu íntimo certa inveja. Nas lembranças desbotadas que tinha dos próprios pais, havia algumas semelhantes. Infelizmente ela própria nunca teria as suas, graças ao pai amantíssimo daquele que havia despertado nela o desejo de colecioná-las; aquela sim era a chacota universal.
– Não por mim... – Isabella o liberou, recusando-se a entrar num círculo de autocomiseração. – Tenho certeza que o pobre homem bem mereceu o que ouviu.
– Sim, ele mereceu! – Leah lhe sorriu agradecida pela ajuda. – Queria cobrar um valor absurdo por verduras claramente velhas.
– Pois eu o defenderei até a morte – o moreno acompanhou-as no riso leve. – Caso não fosse seu oportunismo, jamais conheceria quem deu sentido em minha vida!
– Que coisa mais linda de se dizer! – Isabella exclamou comovida.
Ainda estava presa ao misto de enlevo e inveja, porém completamente rendida ao bonito amor do casal. Ficou curiosa quanto à falta de filhos, contudo nada perguntou temendo ser indiscreta. De toda forma eles pareciam satisfeitos um com o outro. Contente por saber que no mundo haveria de existir muitos como eles, ela ergueu o copo com o novo vinho servido.
– Sendo assim concordo com você Jacob. Um brinde ao verdureiro oportunista!
O casal riu com gosto e acompanhou-a imediatamente no brinde tocando seu copo com os seus. Edward foi o último; repetiu o brinde, porém não se mostrava animado.
Leah estava inocente em seus pensamentos, porém o amigo era acusado de exibicionismo ao esfregar a cumplicidade com sua esposa em seu nariz quando ele mesmo não conseguia miseras informações de sua escolhida. Esta por sua vez, era acusada por possuir um romantismo de gosto duvidoso e se derreter com declarações públicas tão melosas quanto as da missiva recebida.
Deveria ler a maldita carta todas as noites, suspirar e a ela elevar um brinde mental. Quando colocasse as mãos nas folhas gastas pelo manuseio diário, ele as atiraria ao fogo; Edward jurou por todos os santos.
O barão sabia que o clima em torno da mesa subitamente invernou por sua culpa, mas não se abateu. Estava sendo vítima de seu ciúme desde que encontrou a moça nos arredores do bosque, os comentários de Jacob somente o agravou. Por sorte o almoço não foi perdido, pois alheia aos três, Leah tratou de puxar variados assuntos aos quais eles participavam com maior ou menor entusiasmo. Com isso a refeição terminou de forma agradável provando que o carisma da jovem cozinheira não exercia seu poder apenas sobre o marido; ela conquistava a todos.
Após o término do almoço, comeram ainda tortinhas de maçã caramelada como sobremesa e não foram liberados até que tomassem uma xícara de chá de hortelã; para auxiliar na digestão. Despediram-se a porta da casa e seguiram rumo ao palacete deixando o unido casal para trás.
Quando novamente caminhavam lado a lado pelo caminho de terra batida que os levou até os casebres, a moça olhou de esguelha para o sorumbático barão, então ergueu os olhos para o céu. O sol estava numa inclinação que denunciava o adiantado da hora; talvez três e meia ou quatro horas da tarde. Como não se tocassem, nem nada dissessem, Isabella perguntou mais para puxar conversa do que por interesse real.
– Por favor, que horas são?
– Hora da sesta. – Edward respondeu sem olhá-la ou consultar o relógio.
Pela atitude e economia de palavras, a moça considerou melhor não insistir. Não tinha o hábito de dormir após a refeição diurna, nem poderia saber que ele o tivesse, contudo não argumentou. Caso o barão quisesse aquele tempo sozinho, ela iria se refugiar na biblioteca e enquanto tentasse dar sequência à leitura de Sonho de uma Noite de Verão, rogaria para que o humor de Edward voltasse ao normal.
Como a resposta sucinta não inspirou novas tentativas, Isabella apenas seguiu o barão pela propriedade quase deserta até chegarem ao grande hall principal. Ao alcançarem aos pés da escadaria, a moça titubeou quanto ao rumo que tomaria. Subitamente pareceu que ler seria impossível então, quando o barão começou a subir sem olhar para trás, ela fez o mesmo.
Logo os passos dos dois ecoavam pelo longo corredor onde o som se perpetuou até que o barão parasse diante da porta de seu quarto.
– Tenha um bom descanso! – Isabella se despediu. – Quando acordar nós...
– Aonde pensa que vai? – Edward a cortou, segurando-lhe o pulso.
– Para meu quarto – ela se sentiu confusa. – Disse que iria se deitar, não?
– E vou, mas não sozinho – avisou abrindo a porta do quarto para entrar levando-a com ele.
– Não pensei que quisesse minha companhia – contou o que pensava a guisa de desculpas pela confusão, mantendo os olhos na cama impecavelmente arrumada. – Nunca tive o hábito de dormir à tarde.
Não tinha o hábito de dormir à tarde e quais ela teria? Edward pensou ainda a remoer a cumplicidade do casal amigo enquanto começava a se despir. Descalçando-se, olhou na direção da moça. Vendo-a parada aos pés da cama, parecendo tão frágil e pequena com seus cabelos negros quase alcançando a cintura, almejou descobrir tudo que pudesse referente a ela. Além de poucas banalidades e um resumo pobre sobre sua condição familiar, nada mais sabia e ela não se mostrava disposta a contar.
– Não tenho como conhecer esses detalhes, não é mesmo? – ele se ouviu retrucar.
O ressentimento contido na voz a alarmou mais do que se Edward tivesse usado de rispidez. Quando se voltou para olhá-lo, ele já havia retirado o casaco e a gravata, aberto o colarinho e desabotoava o colete rapidamente com dedos precisos.
– Vai me dizer o que está acontecendo? – Isabella perguntou cautelosa, apoiando-se na alta armação dos pés da cama. – Você sabe que não tenho como adivinhar o que aconteceu para que mudasse assim. Foi por algo que eu disse?
Também, Edward pensou. Contudo externou um tanto exasperado, retirando o colete para atirá-lo sobre uma das poltronas.
– Não. Foi por tudo o que você nunca diz! Também não tenho como adivinhar o que acontece com você quando muda de um instante para o outro. Quando digo que não a quero pensando é exatamente porque se transforma sem motivo aparente.
– Sou assim... – ela murmurou vaga. – Inconstante. Acho que todas as mulheres o são.
– Posso não saber muito sobre você Isabella Swan, mas de uma coisa tenho certeza. Você não é como todas as mulheres. Ser inconstante não é seu caso. Há algo mais e eu quero saber o que é. Conte-me!
E lá estava o autoritarismo demonstrado no bosque. Por mais que lhe conferisse poder e certo charme, a moça não se curvaria a ele.
– Não tenho nada de especial a contar – negou segura; ele havia perguntado sobre o que devia saber.
– Dê-me alguma coisa Isabella. – Edward novamente ordenou. – Qualquer coisa!
– Edward... – ela murmurou; simplesmente não podia e se sentir encurralada não ajudava.
– Eu facilito para você. Em qual parte de Wisbury você mora? Com quem mora? – Edward prosseguiu sem ouvi-la até chegar a um dos assuntos que mais o interessava. – Quem é Embry? O que ele representa para você?
Isabella não poderia falar de Embry, não para Edward. Nunca para ele. Naquele instante a jovem percebeu a enormidade de seu erro, pois homem nenhum aceitaria conviver com uma mulher pela metade. Nunca deveria ter almejado mais do que poderia ter.
– Acho melhor eu ir para o outro quarto – ela murmurou afastando-se da cama. – Você deve descansar.
– Se prefere fugir então vá de uma vez! – Edward lhe indicou a porta.
O barão refreava a vontade de chacoalhá-la para obter as respostas que Isabella se recusava em dar de bom grado. Como jamais usaria de violência com mulher alguma, considerou o mais acertado deixá-la sair. O problema foi ver como a jovem seguiu para a porta sem titubear; sem nem olhá-lo. A rapidez com que Isabella o deixava trouxe um sufocamento acentuado que o fez agir sem pensar. Quando deu por si, já fechava bruscamente a porta que sua amante abria e a prensava contra a madeira com o peso de seu corpo.
– Iria mesmo embora, não iria? – Edward indagou num ciciar dito em seu ouvido.
– Não posso lhe dar o que pede – ela sussurrou com a respiração tão entrecortada quanto a do barão que lhe cheirava os cabelos. – Só queria deixá-lo descansar. Não quero que briguemos.
– Também não é o que quero – ele assegurou levando a mão até o pescoço delgado para inclinar-lhe a cabeça e tomar de assalto a orelha da moça, como havia feito no bosque.
– Faz-me perguntas que não tenho como responder... – Isabella disse num lamento ao estremecer com o carinho espinhento em sua nuca; a língua em sua orelha.
– Não mais as farei.
Não era uma promessa, mas no momento era a verdade absoluta. Importava estar com ela. Precisava dela; estar nela. Todavia um novo temor se instalara com a fuga matinal. O mesmo que não lhe permitiu beijá-la como desejava nos fundos da casa de seu amigo e naquele momento o obrigava a conter o ímpeto de carregá-la para sua cama. Com voz rouca expôs seu medo.
– Eu preciso de você Bella... Mas depois de minha ousadia essa manhã, eu não sei mais o que posso fazer.
– Comigo pode fazer o que quiser Edward. – a voz saiu sumida, quase num sopro, pois mesmo sem saber como agir, o barão apertava-lhe os seios sobre a roupa, tornando os bicos sensíveis. Para convencê-lo definitivamente, reiterou. – O que quiser, pois sou sua, my lord.
O barão não precisou de mais. Com pressa demasiada, Edward a rolou para encostá-la novamente contra a porta. Não a beijou, apenas começou a despi-la com ansiosa destreza, desprendendo botões e desfazendo laços até livrá-la do vestido; da anágua. Excitava-se mais somente por livrá-la das roupas. Lutando com os colchetes do espartilho que abria uma a um, resmungou em agonia:
– Para quê tanta roupa?
– Foi você quem quis assim... – Isabella o lembrou, saindo da inércia para descer as alças do suspensório e desabotoar-lhe a camisa.
– Sou um estúpido!... – Edward reclamou e, dando-se por vencido, pediu. – Tire isso, por favor...
Obediente, Isabella terminou o serviço e se livrou do espartilho e então do chemise enquanto Edward retirava a própria camisa. Ao estarem ambos com o dorso nu, Edward a ergueu do chão. Iria levá-la até sua cama, mas a gravidade de sua excitação não o permitiu muitos passos, obrigando-o a sentá-la sobre uma poltrona. Imediatamente ajoelhou-se entre suas pernas e, depois de puxá-la para a beirada, finalmente a beijou.
Quando as línguas se encontraram e juntas se provaram saudosas, ambos gemeram em sintonia; o encontro furioso alimentando o fogo que já os fazia arder. Tão logo o ar lhes faltou, o barão deixou a boca úmida e arfante para prender o cume de um seio em seus lábios; sugou-o faminto enquanto acomodava-se, roçando sua dureza contra a junção entre as pernas de Isabella.
– Edward, por favor... – ela implorou; a espera lhe doía.
Como nele igualmente incomodasse, o barão retirou-lhe a pantalona, deixando com as meias e as botas; não tinha muito tempo. Dele mesmo nada tirou, apenas abriu e desceu suas calças juntamente com as ceroulas para num ato contínuo, enterrar-se no corpo febril da moça.
Isabella exalou um gemido surpreso, então o abraçou para ter a carícia dos pelos daquele peito largo em seus seios enquanto o barão iniciava a dança sensual contra seu quadril. Agarrando-se nos cabelos castanhos a moça o imitou, levando-o a urrar contra a curva de seu pescoço.
– Minha Bella... – exalou muito rouco. – Não queria ter que parar.
– Mas deve... – era necessário e bastaria que ele alcançasse o preservativo em sua gaveta. Era necessário, contudo também não queria que ele parasse ou se afastasse, então, com a mente meio nublada pelo desejo crescente, expôs uma conhecida alternativa de prevenção. – Deve saber que há outro meio...
Sim, ele sabia e se enregelou ante ao choque causado pela liberalidade poucas horas após uma corrida inexplicável por razão semelhante, porém este não foi capaz de mitigar a ânsia que o inflamou com a sugestão de currá-la. Quando falou sua voz não passava de um sopro entrecortado.
– Tem certeza?
– Faça... – foi tudo o que ela conseguiu exalar. Há tempos não era tomada daquela forma. Estava expectante, receosa, mas muito ciente de que com Edward seria apenas outra forma de conhecer o prazer.
O barão não esperou novo convite, com a respiração meio suspensa, fez como sugerido. Não queria machucá-la, então a segurou firmemente enquanto deslizava com lentidão excruciante para dentro dela. Considerando que morreria com o maximizar de seu desejo, deixou que ambos se acostumassem até lentamente se mover e então parar.
– Edward... – ela lamentou; de prazer, de dor corruptora. – Não pare.
– Não paro – prometeu num esgar; a voz enrouquecida ao novamente se mover. Curvado sobre ela, pediu quando fechou os olhos. – Olhe para mim...
Isabella o atendeu, para se perder no olhar azul.
– Você é perfeita... – gemeu movendo-se num crescente contínuo; sua mente girava. – Perfeita!
Logo passou a estimulá-la, levando-a a gemer com ele, a murmurar seu nome como murmurava o dela. Perdidos um nos olhos do outro, estremeceram com a satisfação extrema e o barão pode enfim derramar-se dentro dela.
– Você é perfeita... – repetiu.
Ainda muito trêmula Isabella ergueu uma das mãos e tocou-lhe o rosto suado, contornou a boca entreaberta e acariciou o cavanhaque. Ao mirar os olhos azuis ainda escurecidos pela entrega recente, falou sem pensar.
– Se assim lhe pareço fico grata, mas... Não sou perfeita e temo pelo dia que descobrir... Não quero decepcioná-lo my lord, pois você, sim, é perfeito. E muito importante para mim... Tanto que quanto mais o tempo passa, mas acredito que não saberei viver sem você.
*****************************************************************
SPOILER...
Acaso a jovem não percebia que ele, assim como ela, acreditava não saber como viver sem ela? Estava claro como água que haviam sido feitos um para o outro. Ao pensamento o barão revirou os olhos para si mesmo. Estava se tornando tão piegas quanto seu criado, mas era preciso ser honesto consigo mesmo; no momento em que ela o mediu na loja de doces e recusou o bombom oferecido, soube que ela era a mulher certa para ele. Naquele momento com ela em seus braços, sabia que Isabella dava sentido em sua vida.
Antes que Edward curvasse os lábios num sorriso auto-indulgente, a jovem se agitou.
– Não barão!
A voz era decidida, assim como os punhos cerrados que empurravam seu peito para afastá-lo. Caso ela não estivesse com os olhos fechados e a face contorcida pela agonia, o nobre pensaria que estivesse acordada.
– Isabella – ele chamou baixinho, temendo acordá-la bruscamente.
– Tire as mãos de mim... – ela então tentou afastá-lo também com os pés e o socou. – Não faça isso... Não... Não barão...
Ao ver que sua amante começava a chorar Edward não viu outro jeito senão acordá-la como pudesse. Sentando-se a segurou pelos braços e a chacoalhou levemente.
– Bella, acorde meu amor... Bella...
Ela tinha que afastá-lo, pensou perdida nas brumas densas e escurecidas de seu pesadelo. Não poderia deixar que o barão maculasse o que de bom o baronete trazia à vida abjeta na qual a lançara. Agora era uma mulher crescida, sabia se defender então o porco asqueroso nunca mais manteria relações forçadas com ela. Lutaria, mas não permitiria.
– Solte-me... Desgraçado!
– Isabella!
O tom resoluto da voz amada esmaeceu o rosto do velho barão deixando somente a escuridão. Naquele instante a consciência voltou à mente da moça com a velocidade de um raio e partiu-a ao meio como tal. O desvanecer do pesadelo não deixou nem a costumeira confusão. Sentia os olhos úmidos pelas lágrimas. Isabella sabia onde estava e com quem estava. A pergunta era; o que Edward ouviu?
– Olhe para mim... – ela o ouviu dizer. – Sei que está acordada.
Soube desde que ela deixou de se debater, somente não entendia a demora em abrir os olhos. Ou talvez se recusasse a entender, visto que a luta travada em sonho era com ele. Ali, em sua cama, diante dele, a jovem não poderia alegar desconsiderar o que se passava em seu subconsciente, por ser apenas ilusão.
– Por Deus, Isabella. Olhe para mim!
Como se acovardar não resolveria seu problema, a moça o atendeu. Ergueu as pálpebras lentamente vendo primeiro o peito nu, o pescoço, a boca rígida emoldurada pelo cavanhaque até que finalmente fixasse o olhar nos olhos azuis. A indagação que via neles a comoveu, levando-a a morder o lábio inferior e sufocar suas lágrimas; o que havia dito?
– Ainda vai insistir que seus pesadelos são sem importância?
Notas finais
Semana que vem tem mais... Bjus suas lindas...
Bom final de semana!
Fale com o autor