Borboleta Negra

50 Capítulo Capítulo Dezoito - Parte II


Notas iniciais
Oie... Boa noite a todas!Obrigada pelos reviews e pelo carinho. Vcs são lindas!... :DSe der certo, amanhã trago mais um... Agora "simbora" ler...BOA LEITURA!

Verdade. Não era ela que Edward e Carlisle sempre lhe cobraram? Tentar ocultá-la não surtiu bons resultados, então expô-la sempre seria sua palavra de ordem, por mais dolorosa que fosse.

– Não Edward, eu não voltaria... – admitiu num fio de voz. – Não voltaria arrependida, nem se estivesse grávida.

A verdade estarreceu o barão, varrendo para longe os resquícios do prazer recente, levando-o a liberá-la para também se sentar, recostado contra o travesseiro. Encarando-a seriamente indagou:

– E como seria isso? – Edward não quis parecer tão duro, porém não dosou seu tom. – Como pode alegar me amar e partir sem remorsos? E se tivesse um filho meu? Eu não o veria?

Parecia-lhe insólito crer em tal absurdo.

– Não parti sem remorsos – ela corrigiu. – Deixá-lo também foi uma das piores coisas que fiz em toda minha vida, mas era necessário.

– Muito bem... Aceitando a “sua” concepção do que é necessário, vou acreditar em você, mas não me respondeu. – Edward insistiu. – E nosso filho? Se o tivesse, eu saberia de sua existência ao menos?

– Não... – ela murmurou, baixando os olhos. – Ele seria somente meu.

– O que você...? – O barão não soube o que perguntar, então apenas ordenou. – Olhe para mim!

– Por Deus Edward! – Isabella rogou ao atendê-lo. Ver o terror nos olhos que amava a massacrou, mas estava decidida a nada mais omitir; nem que quisesse poderia. – O que ainda não entendeu? Veja onde está. Quando foi imperioso partir eu não pensei, apenas quis ter um pedaço de você para sempre e foi o que tentei ter...

– E eu? O que teria?! – Edward alteou a voz, sentindo sua garganta travar, exaltando-se para que fosse ouvido. – Que amor é esse que você diz sentir e mesmo assim, deliberadamente me deixaria no escuro?... Além de me privar de um filho deixaria também que eu me casasse com outra? Tivesse outros filhos sem saber que no mundo existia um que nasceu de você? – Num impulso, Edward deixou a cama e caminhou até suas roupas. – Perdoe-me, mas isso eu jamais entenderei!

– Aonde vai? – Isabella indagou alarmada vendo-o vestir a ceroula.

– Eu não sei – respondeu sem olhá-la; precisava digerir o que ouviu.

– Não! – Ela negou aflita, deixando a cama para correr até ele e abraçá-lo pelas costas, impedindo-o de vestir também a calça. – Não vá embora assim, por favor. Ainda há tanto para conversarmos... Por favor, não me odeie! Eu sei que fiz tudo errado, posso acabar estragando tudo novamente, mas esperei tanto para ter você... Sei que não mereço, mas não me deixe! Por favor, por favor...

Paralisado pelo abraço restritivo em sua cintura que o lembrava das dores causadas pelos socos que trocou com Laurent Hunt, Edward se deixou envolver por aquela nova declaração para acalmar-se. Estava ali outra das faces daquela moça estranha e absurdamente obstinada; Cora. Talvez estivesse supervalorizando um filho que nem ao menos vingou, sendo como ela, cismando e agindo movido por um futuro hipotético.

Fora até aquele bordel a procura de respostas e extraordinariamente tinha quem tanto quis praticamente de volta. Seria intempestivo e um tanto infundado partir aviltado, contrariando o que sempre disse; ninguém previa o futuro. Isabella disse que não voltaria, mas quem era ela para saber?

Queria conhecer todos os segredos que envolviam aquela mulher... Até ali poderia dizer que conhecia Isabella e Amber, mas, e quanto a Cora? Queria conhecê-la, saber o que a levou para longe de sua casa. Como a amiga de Rosalie, que corria pelo pomar como uma criança aparentemente feliz, viera parar num prostíbulo. Queria saber como e quando... Subitamente o pensamento de Edward travou. Recusava-se a continuar naquela linha de raciocínio, no entanto, seus lábios foram mais rápidos do que sua reserva.

– Isabella... – chamou-a, deixando a calça sobre o sofá para afastar os braços de sua cintura e colocar a moça diante de si. Escrutinando o rosto ansioso, perguntou: – Por que deixou minha casa?

Isabella piscou confusa, já respondera àquela pergunta. Iria dizer exatamente isso quando o entendimento iluminou sua mente. Aquela não era uma questão simples. Não importava o nome que usou, o barão esperava uma resposta vinda de Cora Hupert.

A fatídica hora, de fato, se aproximava! Isabella reconheceu, tentando recuar um passo. Edward não a deixou se afastar, prendendo-a pelos ombros.

– Quero a resposta. Preciso saber por que deixou Apple White e o que aconteceu até que viesse para um lugar como este.

– Edward... – ela murmurou incerta.

– Você me deve isso Isabella! – Sim, ela lhe devia muitas coisas. – Ajude-me a decidir o que fazer.

– Não tem que fazer nada. Apenas... Fique.

– Sinto que não será tão simples assim... – Edward disse a verdade, ainda se recusando a ouvir o que uma voz insistente lhe soprava ao ouvido.

– Muito bem... – ela soou resoluta. – Deixe que eu me cubra para conversarmos.

O barão atendeu ao pedido, pegou o penhoar branco disposto ao lado de suas roupas e o estendeu a ela.

– Vista isso – ordenou. – E saiba que “eu” decido se devo ou não fazer alguma coisa. – Correndo as mãos pelos cabelos, tentou facilitar para ambos. – Comece pela parte mais fácil. Antes que fosse embora... Como pode ter se apaixonado por mim se eu nem estava lá quando começou a crescer?

Apegando-se àquele breve instante de leveza, Isabella sorriu saudosa. Escrutinando o rosto acima do seu, ergueu a mão para acariciá-lo, sentindo a aspereza da barba por fazer.

– Pode me considerar uma menina precoce – seu sorriso se abriu, mesmo que Edward não lhe acompanhasse, mantendo-se muito sério, encarando-a. Intimidava-a, sim, mas ela não se calou. – Precoce, com certeza, pois eu me apaixonei por você quando tinha cinco anos.

Foi impossível ao barão manter a seriedade, franzindo o cenho, sorriu descrente.

– Aos cinco?!... Foi mesmo precoce.

– Por certo era um afeto infantil – ela defendeu sua inocência. – Eu costumava considerar que você era um príncipe – nesse ponto Isabella sentiu o rosto arder ante o olhar cerúleo, contudo ainda não se abateu. – Parecia tão bonito para mim!

– Bonito?! – O nobre igualmente se deixou levar pela parte lúdica da recordação, sufocando a nova opressão que se instalava em seu peito. – Eu tinha quantos anos? Dezesseis? Era estranho, magro e desajeitado. Minha mãe vivia corrigindo minha postura.

– A baronesa corrigia até a minha postura. – Isabella comentou, sorrindo daquela lembrança, por ele; no seu caso a insistência para que aprendesse a carregar uma bandeja, sem tremer ou curvar as costas, não lhe agradava.

Ainda se apegando ao que era mais fácil Edward retribuiu o carinho, tocando-a no rosto muito corado.

– Quando tinha cinco, não é? – Ela assentiu num mover de cabeça, sustentando-lhe o olhar. – Isso é mesmo muito tempo.

O barão teve que admitir estar envaidecido, afinal, quantas vezes quis que o amor dela fosse única e exclusivamente seu?

– Muito tempo... – Isabella repetiu, aproveitando o carinho em sua bochecha; feliz por ele ter ficado, temerosa quanto a permanecer com ela depois de tudo. – Então, agora que, contrariando todos os meus temores, está aqui, eu simplesmente não suporto a ideia de perdê-lo. E se ainda vale responder seu comentário anterior, sim, eu o deixaria se casar com outra, mas morreria no dia que seu casamento se confirmasse. Não sabe como eu odiei vê-los juntos. Minha vontade era a de arrancar os olhos de Tanya.

– Ah, sim? – Edward a provocou. – Sorte não ter uma vassoura então!

Edward de fato se lembrava de tudo o que ela dizia, Isabella teve a prova, porém não se animou com a lembrança do gracejo antigo.

– Mesmo que tivesse uma, não poderia usá-la. – retrucou, afastando-se para voltar à cama, onde sentou, junto à cabeceira. – Como se não bastasse eu ser uma meretriz sem quaisquer direitos sobre você, como poderia hostilizá-la na casa dela, na casa de Carlisle?

Aquele nome, vindo dos lábios dela o irritou tanto quanto o de Laurent Hunt, porém o do fazendeiro era carregado de repudio; o que não se dava com o banqueiro. Tal incômodo também teve o poder de calar a voz insistente em sua mente que lhe dizia para não perder o foco. Que sua cisma esperasse! Tinha que resolver aquela questão.

– Tem razão, não poderia destratá-la, mas não é sobre a senhorita Tanya que desejo tratar, afinal, ela nunca seria uma ameaça ao que sinto por você – declarou indo se juntar a ela na cama, sentando-se na borda do colchão para prosseguir. – Agora... Eu também os vi juntos, você e “Carlisle”. Alega que ele é seu amigo, mas sei que esteve no hotel de Westking com ele, vi as jóias que recebeu no Natal... Fala dele com intimidade e ele... Ele admitiu que a ama, então...

Edward se calou para mediar o tom, se recuperar da crescente rouquidão. Sabendo que falharia, falou mesmo exaltado.

– Ao pedir que eu ficasse, deu-me direitos sobre você então... Eu exijo saber... Que tipo de relação mantém com o banqueiro? Diga a verdade, ele é um de seus clientes? Um dos desgraçados que mantém numa lista?

– Não, ele não é! – Isabella negou prontamente. – Não tenho clientes Edward. Desde que me tornei dona desse bordel.

– Então, se não tem clientes, por que diz ter uma lista? – Não queria duvidar, porém ela o confundia.

– Homens gostam de ser iludidos – ela deu de ombros. – E também são vaidosos. Muitos se vangloriam de fazer parte do que nem existe e alimentam a esperança de um dia ser um escolhido. Saiba que ontem alimentou a inveja de alguns.

– Pouco me importa o que pensam ou sintam por mim – replicou secamente; aquele detalhe da vida dela parecia que sempre o afetaria, acirrando seu ciúme. – Quero saber de você. Já que é a dona e não recebe a ninguém em seu quarto, por que toda aquela... – gesticulando para ela, completou. – Falta de roupa.

– Pelo mesmo motivo que os faço crer numa lista de clientes especiais... Teatro. Pode não ser digno, mas este bordel é minha fonte de renda e preciso mantê-lo. Acredita mesmo que, depois de todas as coisas que precisei aturar desde que comecei nessa vida, eu iria me importar em expor um pedaço de pele?

– Mas é a minha pele! – ele murmurou segurando-lhe o tornozelo entre as mãos. Mudando completamente o foco da conversa. – Minha. Cada mínimo pedaço... Quase morri ao vê-la praticamente nua diante daqueles senhores. Tem que me prometer que nunca mais vai expor seu corpo daquela maneira.

– Edward... – Isabella exalou quando ele se curvou e lhe beijou o peito do pé.

– Juro por Deus que estou tentando Isabella – disse lhe acariciando o tornozelo. – Tentando me acostumar a essa situação, tentando entender suas idiossincrasias para que possamos ficar juntos de alguma forma, então me dê isso... Eu não posso simplesmente arrancá-la daqui, então me dê sua palavra que vai abolir aquele pedaço de pano indecente.

– Tem minha palavra – prometeu, comovida, ainda temerosa. Agradecida que de alguma forma, Edward ainda não tivesse feito a associação lógica entre ela e seu pai. Precisava saber o que a esperava. – Esteve tão pronto a me deixar... Depois de tudo, quer mesmo ficar comigo?

– Não há alternativa para nós dois, Bella... – Edward respondeu seriamente; aquecendo o coração da moça. – Contudo preciso saber de sua vida. Todos os detalhes e segredos que possa ainda ocultar. Dê-me tudo o que quero... Graças a Deus não existe uma lista, então, onde exatamente Sir Cullen se encaixa?

– Já lhe disse, Carlisle é o melhor amigo que alguém como eu poderia desejar ter.

– E de onde surgiu essa amizade? – perguntou temendo a resposta; como o próprio banqueiro o fez recordar, era assíduo em sua casa há dezoito anos. Esteve presente quando ele se encontrava em Londres, estudando.

Não havia como florear a verdade, ainda mais quando Edward afirmava que ficariam juntos, sem alternativas. Encolhendo os ombros, ela revelou.

– Ele me recolheu da rua.

– Da rua? – Edward sabia que poderia haver muitas interpretações. Arriscou a mais provável. – Você vendia seu corpo dessa forma e ele tirou da rua, foi isso que se deu?

– Não... – negou com um sabor amargo na boca, pois preferia que tivesse sido assim; por Edward. – Apesar de já ter sido... “usada”, eu nem sonhava que existiam mulheres que vendiam sexo. Eu apenas vagava perdida, sem saber para onde ir... Não saberia dizer por quantos dias até que Carlisle se aproximou de mim. Tentei fugir, mas ele me segurou e se apresentou. Na verdade eu já o conhecia... De Apple White.

O estômago de Edward se contraiu, contudo ele nada disse, recusando-se a dar asas às possibilidades. Apenas ouvia... Sim, a abordagem poderia ter acontecido anos depois de deixar sua casa. Ela já havia sido “usada”, longe dali. Existiam outros barões em cidades não distantes de Westking e Wisbury, sim, existiam. E seu pai seria incapaz de...

– Prossiga – pediu roucamente.

– Bem... – Isabella o atendeu, impressionada com a rouquidão permanente de Edward, mais temerosa, contudo não havia como parar. – Bem... Carlisle também havia me reconhecido. Contei-lhe a razão de estar naquela situação e ele prometeu me ajudar... Disse que tentaria me colocar entre seus criados, mas sua esposa odiou a ideia. Tomou-me por uma mendiga pestilenta e o fez se livrar de mim. Foi então que me trouxe para cá.

– Por que não para outra casa? – Edward não via como deixar de odiar o banqueiro. – Alguém haveria de aceitá-la! Por que ele não a levou de volta a Apple White?

– Não havia outras casas e... Minha avó não me aceitaria... – ela retrucou alheia.

Relembrar lhe fazia mal; contar para Edward a adoecia, entretanto não recuaria e que Deus deixasse acontecer aquilo que considerasse ser o melhor. Ela tentou manipular o futuro e errou em todas às vezes. Sua soberba se esvaíra, agora era hora da remissão de todos os erros; os dela, os do barão pai.

Edward apenas ouvia, recusando-se a liberar suas ideias, repetindo apenas: havia outros barões. Sem desviar o olhar do rosto resoluto da moça, ouviu-a prosseguir.

– Na ocasião não me importava saber, estava mesmo doente e fraca. Angela me acolheu e disse que quando eu me recuperasse trabalharia para ela.

– E o que contraiu nas ruas? – ele se obrigou a perguntar. – Pneumonia?

– Não – Isabella negou; era hora de expor seu pequeno! Após um soluço, levou uma das mãos à boca e sussurrou. – Com o tempo... descobriu-se que eu estava grávida.

– Grávida?!

Ao exclamar Edward saltou para fora da cama como se nela houvesse algo ruim. Isabella acompanhou a ação retendo as lágrimas que insistiam em lhe vir aos olhos. Não deveria se abater, pois sempre soube que seria assim caso um dia fosse obrigada a revelar a verdade, contudo, esperava que a reação do barão não fosse tão violenta.

– Grávida?! – Edward repetiu, passando a andar de um lado ao outro, sem olhá-la.

Isabella não podia ser mãe! Gritou seu pensamento. Engravidara do barão que a estuprou? Outro barão, um que vivia longe dali. Engravidara de outro homem? Provavelmente, ainda assim não podia. Ela nunca mencionou uma criança e por certo havia de ser pequena, afinal, a moça era muito jovem ainda, tinha apenas vinte e três anos. Outro barão, outro barão, outro homem, ele repetia para si mesmo, enquanto dava voltas pelo quarto. E não havia uma criança, não, não havia.

Isabella esperou que Edward absorvesse a novidade, lutando com seus tremores e lágrimas. Após um tempo que pareceu infinito, o barão a encarou.

– Muito bem, descobriu que estava grávida, mas... Alguém lhe conseguiu uma parteira? Uma curandeira? Tecedora de anjos? Qualquer uma que a livrasse do fardo, não foi assim?

– Meu filho jamais foi um fardo! – Isabella retrucou sem exaltar-se, entendia o que Edward deveria estar sentindo, mas não o deixaria enveredar por caminhos indevidos. – Saiba que o considero tão vítima do próprio pai quanto eu e jamais senti por ele nada menos do que amor.

Edward estacou no meio de uma volta, encarando-a estarrecido ao confirmar a existência da criança; um menino. Então matou a charada.

– Amor?... Do tipo que toma todo o coração? – Quando ela assentiu silenciosamente num manear de cabeça, ele murmurou o óbvio. – Embry?

– Embry – repetiu, sentindo correr uma lágrima; o pequeno deixou de ser somente seu.

– Então tem um filho? – repetia-se no intuito de acreditar. Era informação demais. – Onde ele está? Você o cria “aqui”?

– Ele ficou comigo até completar quatro anos. – disse embargada. – As meninas sempre foram boas para ele; Angela é praticamente uma avó... Mas aqui não é ambiente para uma criança. Hoje ele vive num internato em Londres. Eu o vejo duas vezes ao ano. Embry sempre me pede para passar alguns dias aqui, principalmente nas férias, mas como já disse, não é o lugar adequado.

– Não é lugar adequado nem mesmo para você! – exclamou exasperado, voltando a se sentar na cama. Depois tentaria digerir a existência de um filho; no momento se preocupava com ela. – Não vê que tudo poderia ter sido diferente. Este homem que a tirou da rua, a quem considera seu melhor amigo é um maldito que a desgraçou!

– Carlisle salvou a minha vida a de meu filho! Ele fez por mim mais do que qualquer outro sem nenhuma obrigação faria.

Ela defendeu o banqueiro, sem entender qual o motivo do barão se voltar contra Cullen ao invés de especular sobre Embry quando finalmente tinha a chance. Negação?

– Perdoe-me! – pediu sincero; não sabia o que pensar. – Continue a me contar... Como se tornou dona.

– Depois que Embry nasceu tive que pagar minha estada trabalhando. A princípio fazia os serviços domésticos, mas estes não me rendiam dinheiro algum. Então decidi ser como as outras a quem os cavalheiros além de pagar o preço, davam jóias. Não preciso dizer o quanto odiei... Logo na primeira vez decidi que juntaria tanto dinheiro quanto pudesse para sair daqui. Mas quis o destino que eu ficasse. Angela não sabia administrar. Estava quase a falir quando tive a ideia de comprar-lhe o negócio.

– O montante que juntou dava para tanto? – indagou de fato admirado com tamanha determinação.

– Não, mas Carlisle me presenteou com o que faltava.

– Presenteou? – indagou incrédulo. – Sem desejar nada em troca? Nenhum... “favor”?

– Sim, presenteou. – ela confirmou, secando outra lágrima, não as conseguia evitar. – Com o tempo ele se tornou um bom amigo, e sempre soube que não suportava o que fazia.

– Muito bem, ele a presenteou.

Para Edward ainda era estranho imaginar Carlisle como um despretensioso bom samaritano, no entanto, não insistiria. Chegaram ao limite máximo, onde não havia assuntos complementares para desviá-los da pergunta mais importante de todas, ainda não respondida.

– Por que deixou minha casa?

– Fui expulsa por minha avó, Sue – era hora.

– Por que foi expulsa Isabella?

Edward simplesmente não pensava; mantinha sua mente vazia para que ela preenchesse as lacunas. Lutando bravamente para não tirar conclusões das lágrimas fortuitas que, desde revelada a existência de um filho, ela disfarçadamente vertia. Isabella por sua vez, não soube o que responder; como responder.

Olhar diretamente para Edward e apontar seu pai como o real maldito que a desgraçou era impossível, mas teria que fazê-lo de alguma forma, pois não havia retorno.

– Você sabe a resposta... – disse num fio de voz; sua garganta obstruída pelo pranto que não vinha completo.

– Não Isabella... – negou também a manear a cabeça, sentindo seus olhos arderem. – Eu não sei.

Sim, ele sabia. Isabella tinha a confirmação ao ver os olhos azuis se perderem num mar cada vez mais vermelho. Edward apenas se recusava a aceitar. E não havia a mínima possibilidade de voltar atrás, então ela se aproximou e correu a mão pelo colchão, até segurar os dedos do barão que a encarava com o cenho franzido sobre o olhar incrédulo e rubro. Apertando a mão abaixo da sua, ela se obrigou a dizer:

– Eu lhe contei... Sobre os pesadelos.

– NÃO! – Edward gritou, desprendendo sua mão num gesto brusco para em seguida deixar a cama. – Está mentindo!

– Juro por Deus que não estou! – Isabella disse aflita; sabia que seria daquela forma; não fizera bem em evitar aquela dor o quanto pôde?

– Está! – O barão novamente gritou pouco se importando onde estava; com quem pudesse lhe ouvir. – Da forma mais baixa que alguém pode mentir. Meu pai seria incapaz!

Assim como ele não era capaz de permanecer naquele quarto. Não se deixaria ludibriar daquela vez, pensou ao caminhar decidido até suas roupas. Isabella deixou que Edward começasse a se vestir, esperando que ele em algum momento caísse em si e voltasse a olhá-la; acreditasse em sua palavra. Contudo algo na atitude hostil com que prendia os botões, exasperando-se com o tremor das próprias mãos sem que nunca a olhasse, indicou a ela que o barão simplesmente iria embora, desacreditado de sua palavra.

Não poderia novamente implorar que ficasse, uma vez que para ele, ela lhe mentia, denegrindo a boa imagem que tinha do pai. Contra uma filiação e anos de convivência ela nada podia, contudo não deixaria que o barão pai afastasse seu filho, deixando-a mais uma vez sozinha naquela vida desgraçada. Forçando-se a agir, Isabella deixou a cama e, orgulhosa de si mesma por se manter estável apesar do nervosismo que sentia, foi até sua cômoda e vasculhou a ultima gaveta. De posse do que queria, fechou a gaveta e foi até o barão que, sentado sobre sua cama, tentava recolocar as botas.

– Antes de partir, veja isto, por favor...

Com a respiração entrecortada, o barão parou sua ação e olhou para o que ela lhe estendia; uma foto. Com dedos trêmulos, Edward a pegou e analisou. Então a verdade que se recusava a acreditar estava ali, impressa no rosto inocente do menino que lhe sorria. Evidente que não se lembrava de si mesmo, mas reconhecia os traços de Rosalie e Alice. Não restavam dúvidas que aquele menino era seu irmão, e que agora, mais do que nunca, tinha que deixar aquele quarto.

Ao ver Edward depositar a foto de Embry sobre cama sem proferir uma única palavra, Isabella entendeu que o havia perdido. O barão conhecia a verdade e prontamente a rejeitava, como, no fundo, ela sempre soube que aconteceria. Não poderia prendê-lo. Implorar a um homem que aceitasse uma rameira, desprezando a todos os outros que passaram por sua vida sempre seria mais fácil do que pedir a um filho que repudiasse o próprio pai. Também sem nada dizer, Isabella recolheu a foto e voltou ao seu posto, aninhando-se sobre a cama, junto à cabeceira, abraçada a Embry, agora, verdadeiramente, o único homem de sua vida.

O barão finalmente conseguiu calçar suas botas, então, incapaz de olhar para a mulher que tinha às suas costas, pegou seu casaco e saiu. Sabia que deveria lhe dizer alguma palavra, porém não conseguiria encará-la. Não sabia o que sentia por ela, por aquela criança, nem por seu pai. Uma vez no corredor, agradeceu que ela não o tivesse impedido de sair, pois temia por sua reação.

Tentando recordar como chegou até ali, Edward dobrou o casaco sobre um braço e seguiu pelo corredor. Chegando a primeira curva soube por onde sair. Agradeceu cedo demais não encontrar alguém em seu caminho ao chegar à escadaria e encontrar o salão, vazio de clientes, livre de música, porém ocupado por muitas moças em trajes menores a limpar aqui e ali. Antes que começasse a descer já tinha todos os olhares sobre si, porém ignorou a todas, decidido a deixar aquele lugar.

Milord... – uma delas o abordou, tocando-o no braço. Arisco, o barão se afastou para então encará-la seriamente. Reconheceu ser a mulher que o levou até o quarto de Isabella, porém nada falou, esperando que ela dissesse a razão de interpelá-lo. – O que aconteceu?

– Preciso ir embora – disse apenas. – Sabe onde está meu cavalo?

– Está nos fundos da casa – Angela respondeu, escrutinando-lhe o rosto. – Milord...

Edward não lhe deu sequer mais um minuto de sua atenção, precisava urgentemente ir embora. Com largas passadas ele caminhou até a porta pela qual entrou. Ao sair se deparou com Sam.

Lord Masen...

Fora um mero cumprimento, Edward reconheceu no tom. Tanto melhor.

– Como faço para chegar até meu cavalo.

– Um magnífico animal – o moreno elogiou indiferente ao estado do barão. – Eu poderia buscá-lo, mas receio não ser bem recebido. Ele apenas aceitou a abordagem de minha senhora, mas posso lhe acompanhar. Venha...

Sem mais palavras Edward o seguiu. Logo estava diante de Draco que se agitou ao vê-lo, como sempre, sentindo o espírito revoltado.

– Calma, rapaz! – pediu algo que ele mesmo não tinha.

– Sente-se bem Lord Masen? – Sam indagou pela primeira vez perscrutando-lhe o rosto. – Como está minha senhora?

– Está bem! – Edward respondeu rápido demais, pela primeira vez desde que deixou o quarto, arrependendo-se de não ter reparado.

Antes de soltar o andaluz, o barão acariciou-lhe a crina caída sobre o pescoço largo, procurando a pulsação do animal na tentativa de acalmar-se.

– Tem certeza Lord Masen? – Sam insistiu incrédulo. – Ela não merece que a maltratem.

– E por que eu a maltrataria? – Edward indagou aborrecido, perguntando-se também, por que não montava e ia embora.

– Parece nervoso... E ontem chegou aos gritos, procurando por ela. Então reforço... Se lhe fez alguma coisa, saiba que ela não mereceu.

– Eu não lhe fiz nada, já disse! – assegurou encarando-o duramente. – Eu apenas... Precisava ir embora.

– Precisava... Não vai?

– Não sei... – Edward se ouvir murmurar; precisava pensar. Que seu pai e Isabella se relacionaram era um fato, comprovado pela existência de um menino. Tinha um irmão! Filha da mulher que amava e de seu pai. Que a estuprou? Absurdo!

– Lord Masen, perdoe-me, mas não me parece estar nada bem... Eu posso ajudá-lo de alguma forma. Acaso indispôs-se com minha senhora? Brigaram?... Ela sempre me assegurou que jamais lhe faria mal, mas juro por Deus que se...

– Acalme-se! – Edward pediu, estendendo-lhe a mão, como se o moreno fosse avançar. – Sua senhora está bem...

– Então o que há senhor barão? – Sam indagou incrédulo. – Vejo que está exaltado.

– Sam...? – Edward se absteve de responder, partindo para o assunto que importava. – Você conheceu o Embry?

– Ela falou do pequeno Ela nunca fala dele para ninguém! – Sam maximizou os olhos em real espanto.

– Bem, para mim ela falou... – o barão exalou, irritando-se por não ter sua resposta. – Então, conheceu-o ou não?

– Conheci, mas convivi pouco com ele. Quando cheguei ao jardim Embry tinha três anos. – Sam revelou por fim, saudoso. – Um primor de menino. Uma lástima que ele tenha sido obrigado a partir, não?

O primeiro pensamento do barão foi lamentar que Embry tivesse nascido, porém não deixou que este ganhasse força. Por certo o menino realmente era uma vítima daquela história suja; mal contada. Ainda se recusava a aceitar que seu pai fosse capaz de violar uma moça; uma menina, afinal era aquela condição de Isabella, “Cora”, quando deixou sua casa. Uma menina! A palavra espocou na mente do barão.

– Não é possível... – ele murmurou, sentindo seu coração afundar mais no peito.

– O que disse Lord Masen? – Sam perguntou, aproximando-se.

– Teria como...? – começou a especular se haveria uma porta ali nos fundos da casa, quando a avistou. – Esqueça!

Antes que Sam o interpelasse, Edward marchou duramente até a porta e voltou a casa. Uma vez na cozinha, perguntou à cozinheira, Brenda, como faria para chegar ao quarto de Isabella.

– Pela escadaria do salão senhor... – disse a senhora; medindo-o.

– Perfeito! – ironizou, odiando ser obrigado a seguir pelo longo corredor até estar novamente sendo encarado por todas aquelas moças tão sumariamente vestidas.

Tratando-as como se não estivessem ali, correu escada acima, refazendo seus passos recentes, de volta ao quarto de Isabella. Entrou sem bater e estacou ao se deparar com Angela sentada sobre a cama.

– Saia! – demandou sem olhá-la; sua atenção era toda para a moça chorosa, ainda amuada contra a cabeceira da cama.

– Deu-me vossa palavra que não a destrataria – acusou-o a mulher ao se colocar de pé.

– Saia! – Edward repetiu o comando.

– Não creio que... – ela começou, porém Edward a segurou pelo braço para guiá-la até a porta. – O que está fazendo? Amber?!

– Por favor, Angela, apenas saia... – Isabella pediu assustada com aquela volta, mais uma vez inesperada. Apesar da intempestividade, da grosseria, queria crer que fosse um bom sinal. – Saia e não chame o Sam... Como lhe dizia, não estamos brigando...

A moça teve dúvidas se a amiga ouviu a última parte de seu pedido, pois já havia sido posta para fora, sendo a porta fechada em seguida, no momento exato no qual se calou. Incrédula quanto a ter Edward de volta ao seu quarto quando acreditou que jamais o veria, ela esperou. O barão atirou o casaco de volta ao sofá com violência e, como antes, passou a vagar de um lado ao outro, cismando em silêncio até que disparasse:

– Meu pai a amava.

– O que disse? – Isabella duvidou do bom funcionamento de seus ouvidos.

– Meu pai... – Edward começou, encarando-a daquela vez, sem deixar de caminhar pelo quarto – a amava.

– De todas as horas improváveis, esta é a mais indevida para fazer brincadeiras – ela retrucou secamente, unindo as sobrancelhas. – Inclusive as de péssimo gosto.

– Ah, mas não estou brincando... – ele negou também com a cabeça, ainda andando. – Ele deixou escapar em um de seus delírios antes da morte. Disse que a amava.

O estômago da moça agitou-se e seu queixo desabou ante a revelação absurda. Naquele instante toda sua cautela cedeu espaço a mais violenta forma de rancor.

– Aquele desgraçado me amava tanto quanto a um capacho, isso é que sim!

– Preste atenção ao que diz! – Edward vociferou repreensivo. – Está falando do meu pai.

– Não Edward. Estou falando do porco velho que acabou com minha vida! – ela retorquiu achando sua força para se colocar de pé, igualmente enraivecida.

– Retire o que disse! – demandou o barão, avançando em sua direção, parando a um passo da moça trêmula. – Não admitirei que ofenda a memória de meu pai.

– E eu não admitirei que ofenda a mim! – Isabella replicou corajosamente. Erguendo o rosto, indagou altiva. – O que fará para me impedir de dizer a verdade? Pretende agredir-me? Saiba que já conheci o peso da mão de um homem e sobrevivi. Também sobreviverei a você sem que mude minha opinião. Foi a mim que o barão corrompeu... Foram meus sonhos que ele destruiu. E você nem estava lá!... Como agora quer que eu acredite que seu impoluto pai fez o que fez por amor?

Edward, que já havia recuado um passo ao ouvi-la dizer já ter sido espancada, retrocedeu ainda mais, voltando a vagar pelo quarto, diante dos pés da cama.

– Exatamente! – O barão rebateu. – Eu não estava lá... Não sei o que aconteceu e agora tomo conhecimento do que se passou, tendo apenas a palavra de alguém que mal conheço contra a de meu pai, que considero, sim, impoluto. Incapaz de cometer tal crime contra alguém que ele alegou amar. Acredito que você esteja distorcendo os fatos.

– Edward, por Deus, o que está sugerindo? – Isabella perguntou, lançando as mãos ao alto, derrotada. – O que eu poderia distorcer?

– Não restam dúvidas que se relacionaram... – ele comentou, apontando para a foto que ainda jazia sobre a cama – Contudo pode não ter acontecido como me contou. Pode ter sido... consensual.

– Eu não acredito no que acabo de ouvir! – exclamou incrédula.

– Consensual, sim... – Edward insistiu, reconhecendo pela primeira vez, que a maior parte de sua fúria era alimentada pelo ciúme. – Você era muito nova, inocente. Não estava acostumada a um homem e confundiu o que lhe aconteceu.

– Não é possível que acredite no que diz... – ela murmurou, encarando-o; para seu desespero via nos olhos injetados que, sim, ele acreditava.

– Então sua avó descobriu e a expulsou – na mente distorcida do barão passavam todas as cenas, trespassando seu peito como uma lâmina muito afiada. – E, talvez, você tivesse desejado ter dele também uma recordação ao partir...

– Não! – Isabella negou com um grito ao antever o caminho que ele tomaria. – Por Deus, não Edward...

– Como não? Está claro que se deu da mesma forma que acabou de me confessar... Você teve um filho dele que nunca expôs. Guardou-o somente para você, como disse que faria com o meu.

– Não, Edward, mil vezes não... – ela negou aflita. – Evidente que eu o guardaria somente para mim. Como eu poderia apresentá-lo a alguém? E, mesmo que, por um milagre, eu resolvesse contar ao seu pai a gravidade dos danos que ele me causou, quem me garantiria que o barão não me tomaria o menino? Eu não suportaria perdê-lo.

– E esta é a prova de que manipula os fatos... – Edward confrontou-a de queixo erguido. – Mulher alguma amaria “com todo o coração” o fruto de uma violência tão vil. E mais, não daria a ele o nome de alguém relacionado ao seu algoz.

Naquele ponto Isabella se calou. Não tinha mais argumentos, visto que cada um era rebatido e prontamente justificado por um filho tão ferrenhamente imbuído na tarefa de defender a moral ilibada do falecido pai.

– E então? – Edward a provocou ao vê-la novamente se sentar. – Não vai me contradizer?

O ciúme do barão queria fizesse; rogava desesperadamente que Isabella persistisse nas negativas para que, talvez, ele começasse a acreditar. Ao se calar a moça admitiria a verdade contida em suas palavras.

– Não, não vou Edward... – ela exalou, cansada, reduzindo o peito dilacerado do barão a quase nada. – Está claro que não mudará seu pensamento e eu, alguém que você mal conhece, não tem provas que abonem o que diz. E, uma vez que a outra parte está morta, ficaríamos o dia inteiro a trocar argumentos que, para cada um de nós, são incontestáveis.

Edward teve que lhe reconhecer a razão. Exausto, sentou-se aos pés da cama, sem olhá-la.

– Seria exatamente assim... – falou com que para si mesmo, exausto.

Com os ânimos arrefecidos, após a desistência da moça, ambos se deixaram envolver pelo silêncio. O clima bom, vindo depois de se amarem e admitirem seus sentimentos, estava novamente perdido, deixando em seu lugar o ar estagnado.

Ainda sem olhar na direção de Isabella, o barão alcançou a foto de seu irmão e a analisou. Era um menino bonito. Seu pai teria apreciado conhecê-lo, no entanto, fora privado da companhia daquela criança. Assim como ele seria afastado de um filho seu caso a moça tivesse engravidado, pensou ressentido. Como poderia acreditar nela quando suas ações provavam o contrário?

– Quero conhecê-lo. – Edward quebrou o silêncio desconcertante.

Evidente, ela pensou.

– Muito bem... Posso pedir a Carlisle que providencie uma visita para o próximo mês e...

– Iremos amanhã – Edward a cortou; tinha pressa.

– Amanhã?! – ela se agitou sobre a cama. – Não pode ser assim. Temos que saber se Carlisle estará disponível. Eu teria que ir antes para prepará-lo...

– Não precisa fazer coisa alguma. E por que este senhor tem que estar envolvido? – indagou contrariado, mesmo que finalmente entendesse o equivoco com a letra nas cartas; Carlisle era um elo de ligação. – Se não sabe como chegar ao internato consiga o endereço. Amanhã é domingo, iremos nós dois. Quero conhecê-lo o quanto antes.

– Não estaríamos de volta antes de quarta-feira. – Isabella comentou inutilmente; o barão se mostrava irredutível.

– Somos donos de nossos próprios negócios – ele retrucou sarcasticamente, encarando-a. – Perdermos alguns dias de trabalho não será problema... Ou será?

– Não de minha parte – ela assegurou, sustentando-lhe o olhar.

– Então, apronte-se que amanhã partimos. Sabe como chegar até o internato?

– Sim, porém Carlisle sempre providencia as passagens com antecedência. Nunca fomos assim, de um dia para outro.

– Então viajam com frequência a Londres? – indagou movido pelo ciúme. – Somente os dois.

– Apenas duas vezes ao ano – Isabella respondeu. – Já lhe disse isso.

– Sim, você já disse... – Edward murmurou, voltando a analisar a foto. – Quantos anos ele tinha aqui?

– Quatro. Foi tirada antes que ele tivesse que deixar essa casa.

Edward se enterneceu por aquela criança. Escrutinando o rosto risonho, tentou imaginar como seria aquele menino que vivia num internato distante, impessoal e provavelmente rígido, onde era visitado pela mãe somente duas vezes ao ano; sem direito a nem mesmo estar com ela nos feriados. Fora realmente uma lástima que seu pai não o tivesse conhecido e requerido sua guarda, pois Embry estaria muito melhor correndo livre pelos pomares de Apple White. Com o pensamento, Edward finalmente começou a formular um plano.

– Providenciarei as passagens ainda hoje e a farei saber o horário de nossa partida. – Edward falou ao se colocar de pé, estendendo-lhe a foto. Quando ela a tomou de seus dedos, rapidamente, como se não desejasse tocá-lo, finalizou suas instruções. – Virei buscá-la, então esteja pronta. Não admitirei atrasos.

Com seus nervos mais estáveis, diferentemente a sua partida anterior, Edward caminhou até seu casaco e o vestiu. Pegou também sua gravata que antes havia esquecido e a meteu no bolso; precisava mesmo ir embora. Ao se preparar para partir, correu os olhos brevemente para a moça ainda imóvel sobre a cama, novamente abraçada à foto. A verdade que o massacrava estava ali, na postura defensiva tão tipicamente maternal; ela de fato amava aquele filho com todo o coração. Um que não era seu, de um homem que ele não poderia odiar. Sufocado, o barão caminhou a largas passadas até a porta. Ao tocar a maçaneta Isabella o chamou:

– Edward...

O nobre interrompeu sua ação e, sem olhá-la, esperou que ela falasse.

– Depois de tudo o que foi dito aqui... – ela começou incerta. – Como nós ficamos?

Edward então a encarou e, sem sequer pensar, reafirmou duramente aquilo que para ela já deveria ser óbvio.

– Como lhe disse antes... Não há alternativas para nós dois. – então se foi.

Notas finais
Bommmmmmmmmm... todas bem? Espero que sim... Querendo matar o barão? Espero que não. Como já vi a reação das meninas do Face e seus comentários, deixo aqui a msm pergunta que fiz lá... Cada uma de vcs acreditaria de imediato em alguém que acusasse o pai, que conhecem desde sempre, de ter feito algo abominável?Me contem... ;)Bjus suas lindas... Qlq coisa, até amanhã... o/