Borboleta Negra

21 Capítulo Vinte


Notas iniciais
Bom dia meus amores... ÓTIMA SEXTA A TODAS!... Para àquelas que acompanham Obsession, hoje no orkut terá postagem ao vivo, amanhã deixo aqui no Nyah... :)Bom, como sempre quero agradecer os reviews. Desculpem a demora em responder alguns, mas estou fazendo em todos na medida do possível... ;)Agora vamos ao capítulo novo... nos vemos "na saída"... rsBOA LEITURA!

O despertar violento de seus sentidos a atordoou; a claridade inesperada ao abrir os olhos a cegou momentaneamente e nada preparou seus ouvidos para os brados exacerbados de Edward que quebravam o silêncio absoluto e se sobrepunham às desculpas atabalhoadas de Jacob e aos latidos de Nero.

– Jacob! – Isabella se ouviu exclamar ao entender que o criado não deveria fazer parte da cena. Apenas se agitou, não era como se fosse se levantar nua como estava, contudo um braço de ferro se voltou para trás e mesmo na estranha posição a manteve atada as costas largas do barão.

– Fique onde está Isabella! – Edward ordenou.

Sir Edward... Perdão... – o criado novamente rogou. – Eu não tinha como saber... Isabella, eu...

– Não fale com ela! Está maluco? – Edward vociferou enraivecido. – Saia Jacob!

Encolhida contra o dorso do barão, ela mantinha uma das mãos espalmadas em suas costas e podia sentir como ele se encontrava trêmulo; os músculos tensos estavam rígidos contra seus dedos. Isabella não via sua expressão, mas pela face assombrada de Jacob – que via com mais nitidez por sobre o ombro do barão – poderia ter uma ideia do quando ele estava enfurecido pela intromissão de seu criado. Compadecida a moça lhe lançou um olhar pesaroso ao que foi correspondida com um torcer sentido de lábios. A troca de gestos não passou despercebida ao barão que bradou uma última vez:

– Não se atreva a olhá-la! SAIA!

– Acalme-se Edward... – Isabella lhe pediu ao ouvido.

– Perdoem-me, eu... – o moreno, mortalmente encabulado gaguejou. – Eu... eu vou esperar lá fora...

Dando-lhes as costas, o criado finalmente adquiriu força em suas pernas e se foi. Nero o seguiu ainda a latir, mas não o atacou; parecia mais que o repreendia como seu dono. Tanto que ao chegar à porta, calou-se e saiu antes mesmo do que Jacob.

Com o silêncio restabelecido, restou a tensão no ar. Edward ainda tremia raivoso, retesado também pelo susto ao ser acordado com o som do arrastar inesperado das pesadas cortinas e o jovial cumprimento matinal de seu criado. Nada além do que ele fazia todos os dias, contudo a compreensão de que Isabella poderia estar exposta nublou qualquer outro entendimento.

– Acalme-se... – ela pediu mais uma vez em seu ouvido, movendo os dedos instintivamente sobre os músculos do ombro teso. – Jacob já se foi.

– Acalmar-me? – o nobre indagou com rouquidão. – Pode imaginar o susto que tomei quando este estafermo abriu as cortinas? Se acaso você estivesse descoberta e ele a tivesse visto eu seria capaz de cegá-lo.

– Não seja tão drástico – ela pediu apaziguadora, obrigando-o a rolar de bruços. Sentando-se sobre seu quadril, passou a massagear-lhe os nós de tensão. – Acredito que se Jacob entrou dessa forma já deva ser um hábito para ele.

Edward não respondeu de pronto. Ainda se sentia vibrar de fúria extrema pelas razões que expôs, contudo aquele massagear inesperado em seus ombros e pescoço o distraia; acalmava, esquentava. Logo restou apenas a sensação ruim por ter sido acordado de forma brusca.

– Sim... – admitiu por fim, pacificado. – Ele faz isso todas as manhãs.

– Está vendo só? – ela ainda trabalhava nas costas largas. – Não tem que brigar com ele por fazer seu serviço. Jacob não tinha como adivinhar que eu estaria aqui.

– De fato não tinha... – Edward abafou um gemido contra o travesseiro, pois os benefícios trazidos pelos dedos precisos, para ele se convergiam em carícias que começavam a agravar uma conhecida disposição matinal. – Bella... Preciso que pare com o que está fazendo... Já estou bem, obrigado!

– De verdade? – perguntou sem se mover. – Não vai brigar com Jacob, não é mesmo? Não por minha causa...

– Não por sua causa – prometeu. – Agora poderia sair de cima de mim? Você está me despertando certas coisas que não terá como resolver agora... Tenho muito a fazer ainda pela manhã.

– Oh!... Perdoe-me! – pediu rolando para o lado; também estava afetada.

Já deixava a cama quando Edward se moveu e sentou para ocultar o início de uma ereção agravada por ela. Gostaria de ter tempo para resolver aquele problema, principalmente ao vê-la circular despida pelo quarto a caçar suas roupas, contudo não teria tempo, nem seria conveniente com seu intrometido criado do outro lado da porta.

– Não precisa se desculpar, pois não há muito que possa fazer para evitar que aconteça – ele gracejou completamente livre da ira anterior.

– Como eu respondo a esse tipo de comentário? – ela igualmente troçou já vestida em sua pantalona, passando o chemise pela cabeça; ocultando de vez sua nudez. – Devo agradecer por animá-lo?

– Deveria era ser castigada por tentar um homem de bem – disse a lhe sorrir, vendo-a dispensar o espartilho e colocar o vestido apressadamente.

– Pobre homem! – ela exclamou em simulado pesar, aproximando-se da cama para recolher suas meias, deixadas aos pés do criado-mudo desde a tarde anterior. – Condenado a ser atacado pela luxúria todas as vezes que vir uma jovem qualquer.

Antes que ela pudesse prever, foi capturada por mãos fortes e derrubada sobre as coxas cobertas do barão que, com ela arriada em seu colo, retrucou muito seguro.

– Não uma jovem qualquer... Acho que serei atacado pela luxúria somente por você my lady. Pelo resto de meus dias...

Havia uma rigidez acentuada a lhe cutucar a cintura que provava o que o barão lhe dizia. Envaideceu-se e se comoveu por deixá-lo daquela maneira. E intimamente rogou que não fosse o caso, pois desejá-la para o resto dos dias era tempo demais. Como se negava a abandonar o bom clima restaurado, ela brincou:

– Pois então determino que seja pelo resto de suas noites, pois ao dia está claro que será condenado a sofrer sem minha devida reparação.

– Que sejam as noites então! – ele determinou, mantendo-a cativa de seus braços, sorvendo o calor que vinha dela para saboreá-lo durante o tempo que estivesse longe. – Contanto que seja para sempre.

– Até lá, vamos vivendo uma noite de cada vez, está bem? – Isabella lhe sorriu brandamente; condescendente.

– Será perfeito! – o barão exultou; estimulado demais pela proximidade dela para notar-lhe a tênue mudança.

– Então, já que estamos combinados, acho que deveria me deixar ir para o outro quarto. Jacob aguarda para ajudá-lo – tocando-lhe o rosto sobre os pelos crescidos que comprometiam a simetria do cavanhaque, acrescentou. – Acredito que vá barbeá-lo... E como bem salientou, tem muito a fazer esta manhã.

– Tenho – ele reafirmou já lamentando ter que deixá-la. – Mas você não tem nenhum compromisso... Volte a dormir quando estiver em seu quarto. Posso pedir para Marie acordá-la mais tarde.

Isabella não havia pensado na opção ociosa, contudo ela lhe pareceu auspiciosa, visto que o despertar fora bruto e precoce, após uma noite não completamente dormida.

– Pois será exatamente o que farei my lord – desta vez lhe sorriu com genuíno contentamento.

Contagiado por ela, Edward a beijou, porém nada além de um carinho de lábios. Não precisava de mais fatores para torturar-se.

– Sentirei sua falta – disse ao finalmente soltá-la.

– Eu já sinto a sua! – ela disse sem pensar. Afetada por suas próprias palavras, Isabella recolheu o restante de suas coisas e descalça correu em direção a porta. Antes de sair dirigiu ao barão um último olhar. – Tenha um bom dia!

– Já estou tendo o melhor.

Com a imagem de um Edward muito satisfeito com suas palavras a abalá-la mais, a moça praticamente correu para fora do quarto. Com o ímpeto não pôde evitar esbarrar em Jacob que esperava em sua rota de fuga.

– Oh, desculpe-me Jacob – pediu atabalhoada, recolhendo uma das botas que deixou cair.

– Eu que peço desculpas por ter invadido o quarto dessa maneira – pediu envergonhado. – Eu deveria ter imaginado...

– Não se preocupe tanto – ela pediu com um sorriso encorajador. – Estava apenas cumprindo com sua obrigação.

– O que está esperando Jacob?– ouviram a voz impaciente vinda do quarto; ele sabia que conversavam. – Pareceu-me bem apressado minutos atrás...

– Melhor ir de uma vez – ela o contornou para chegar à porta do quarto emprestado. – Tenha um bom dia Jacob!

– A senhorita também... – ele desejou claramente a lhe perscrutar o rosto, livre do embaraço.

– Jacob! – Edward bradou. – Agora terei que ir buscá-lo?

Aquela breve reunião em seu corredor não lhe agradava. Uma vez que o criado o tirou violentamente dos braços de Isabella, deveria ao menos voltar prontamente para cumprir suas obrigações. O aborrecimento serviu para aliviar o desejo matinal, restando somente a necessidade de alívio. Com isso Edward deixou a cama e calçou seus chinelos muito disposto a encerrar o pequeno encontro. Todavia não foi preciso, pois Jacob voltou ao quarto quando o patrão atava o nó que fechava o chambre.

– Vivas! – ele zombou, seguindo para a porta. – Vá preparando os utensílios para barbear-me... Volto num instante.

No quarto ao lado, Isabella se despia com os olhos postos na cama intocada desde sábado; duas noites seguidas passou sob os lençóis do barão, pensou entre enlevada e incrédula. Seu vestido verde estava disposto no mesmo lugar onde Marie o havia deixado na manhã anterior. Vê-lo aumentava sua incredulidade quanto a tudo que lhe ocorreu a partir do dia que o escolheu entre os tantos modelos de seu armário para o encontro com Carlisle.

Havia se passado apenas sete dias? Pareciam muitos mais. A rapidez com que se rendeu aos prazeres apresentados pelo barão distendia o tempo, assim como todas as vezes que os provava sentia sua realidade distante; um universo extraordinário e maligno ao qual não queria voltar.

Recolhendo o vestido para guardá-lo no armário de Rosalie, Isabella se repreendeu por se sentir oscilar. Deveria sim viver cada dia, aproveitando-o ao máximo e sonhar enquanto pudesse, mas sempre ciente de que havia prazo para o término de seu conto de fadas. O seu feliz para sempre seria até que liberassem o uso da nova ponte.

– E se dê por muito satisfeita, pois isso é mais do que uma rameira poderia sequer imaginar! – aconselhou-se ao afastar as cobertas.

Deitou-se vestida na pantalona e no chemise, satisfeita pelos muitos dias que ainda teria pela frente para se aquecer e sonhar nos braços do barão. Ainda assim não queria dormir e sim repassar mentalmente o que viveu nas últimas horas, nos últimos dias. Revisitar cada cena e novamente saborear cada beijo; talvez recriar os tremores que Edward lhe causava. Contudo, o turbilhão emocional e físico ao qual ele a lançava, atuou sobre seu corpo ainda cansado e logo nada mais restou além de silêncio e reparadora escuridão.

Ao entrar em seu quarto, Edward se deparou com Marie a recolher a bandeja que preparou com um lanche reforçado na noite anterior. Como uma boa aliada à sua conduta irregular, novamente trouxe a xícara extra em seu bolso. O cuidado era exagerado, mas valia pela pronta iniciativa em atendê-los quando deveria estar de folga. Mantendo-se no palacete e os servindo ao reparar o adiantado da hora sem que ele ou Isabella descessem para o jantar, a mulher havia conseguido elevar a consideração do barão. Isso, somado ao fato de já defender sua mulher, o levou a tomar uma importante decisão.

– Bom dia Milord! – cumprimentou ao vê-lo, os olhos baixos. Servidão; ou talvez embaraço pelo traje matinal mal fechado que lhe expunha uma parte do peito. – Perdoe-me por entrar assim. Vim, pois Jacob me garantiu que não estava aqui.

– Pode fazer seu serviço em paz Marie – disse se dirigindo ao guarda-roupa para escolher aquela que usaria naquele dia. Já a olhar entre suas camisas, recomendou. – Isabella foi para o outro quarto e voltou a dormir há pouco, então não vá acordá-la.

– Como queira Milord – ela disse às suas costas.

Foram suas únicas palavras, contudo o barão sentiu que havia mais. Com isso a liberou mesmo sem olhá-la, separando uma das calças e um colete.

– Pergunte o que quer saber Marie.

– Eu não... – ela gaguejou. – Eu...

– Ora vamos – voltou-se e a encarou condescendente, ainda que com leve impaciência. – Sabemos que quer perguntar alguma coisa, ou comentar, ou contar... Enfim, fale de uma vez, pois desejo me vestir.

– É que não sei se é da minha conta Milord... – começou receosa.

– Provavelmente não o é, mas já que lhe autorizei, pergunte.

– Bem... – iniciou com cautela. – Visto que ontem... Ficaram aqui toda a tarde... E pelo o que disse há pouco eu soube que ela passou a noite aqui... Gostaria de saber se isso se repetirá, digo... Ela dormirá aqui todas as noites?

Quando a benevolência abandou os olhos azuis do barão a criada novamente gaguejou, tropeçando em desculpas atabalhoadas.

– Lord Masen, perdoe-me... Eu... Como disse não é da minha conta... Mas gostaria de saber como me portar com essa mudança... Eu, eu sempre ia acordá-la, levar-lhe o café da manhã... Agora não sei como agir... Essa situação é tão inusitada...

Com a explicação o ânimo que se exacerbava se aquietou. Na noite anterior, mesmo com o desprendimento e a eficiência ao antever suas necessidades, Edward reparou no embaraço de criada. Era evidente que ela, assim como todos os outros ficariam desnorteados com aquela ligação ilegítima então não poderia culpá-la pela confusão; ou curiosidade.

De toda forma, com a pergunta Marie lhe ofereceu a oportunidade de abordar o assunto que de fato o interessava e que iria de encontro às dúvidas apresentadas por ela.

– Saciando sua curiosidade, sim... Ela dormirá aqui. Logo todos saberão, então não há a necessidade de esconder a xícara extra em seu bolso.

– Muito bem Milord... – ela disse servil, disfarçando seu desconcerto. – Então, a partir de hoje devo esperar que se retire para vir atendê-la?

– Acredito que seja o melhor a ser feito, contudo essa função não caberá mais a você.

– Não?! – Marie maximizou os olhos, alarmada. – Por que não Milord? Fiz algo que o desagradou?... Se for pelas coisas que disse para ela eu posso reafirmar...

– Acalme-se Marie – ele a cortou, tranquilizador. – Quanto a isso já havíamos resolvido, não?

– Foi o que pensei Lord Masen. Eu garanti que não mais interferiria, então não entendo...

– Não há o que entender... – o barão retrucou tranquilo; seguro quanto ao que faria. – Não agora. Como lhe disse quero me vestir. Logo Jacob retornará e gostaria de já estar pronto antes de ser barbeado.

– Como queira Milord...

O tom lamurioso e os olhos rasos d’água o compadeceram, contudo não ao ponto de voltar sua palavra atrás; nada lhe diria; não ainda. Quando a criada já seguia para a porta, de cabeça baixa, a levar a bandeja, chamou-a:

– Marie! – a mulher cabisbaixa não o encarou, apenas parou e se voltou em sua direção. Sem se importar, Edward ordenou. – Reúna os criados da casa no hall de entrada. Se não conseguir que venham todos, tente ao menos a maioria... Faça isso tão logo chegue à cozinha. Antes de sair quero fazer um comunicado. Isso é tudo!

– Assim o farei senhor barão... – a voz veio num sussurro antes que a criada deixasse o quarto.

Com sua saída Edward encostou a porta e retirou o roupão. Vestiu-se apressadamente, contudo a conversa com Marie tomou-lhe o tempo. Ainda abotoava a camisa quando o criado entrou com a água quente para seu barbear.

– Vejo que Marie foi vítima de seu mau humor matinal – o moreno comentou sério, indo depositar a chaleira e as toalhas que usaria sobre o aparador que lhe servia de bancada para o serviço bíduo.

– Escute Jake... – o barão começou, porém o criado o interrompeu.

– Perdoe-me Sir Edward – ele pediu com a mão estendida, como quem pede paz. – Mas gostaria de falar primeiro.

– Pois fale – o barão liberou, finalizando o abotoar de sua camisa de listas finas brancas e azuis.

– Não vou me desculpar por algo que faço há anos, porém quero dizer que entendo sua reação. Confesso que no momento considerei exagerada, mas enquanto estava na cozinha me coloquei em vosso lugar e soube que agiria da mesma forma caso um homem entrasse num quarto onde eu estivesse com minha Leah. Lamento pela contrariedade que lhe causei e é por ela que me peço... Perdoe-me Sir.

Edward não esperava por aquele discurso. Havia se preparado para impor sua autoridade e cobrar uma nova postura – calando até os costumeiros gracejos – então a mudança o confundiu. Porém não o suficiente para desconcertá-lo. Com a ponderação de Jacob veio a sua própria, por essa razão, enquanto acomodava a barra da camisa dentro de sua calça, falou seriamente sem deixar de encará-lo:

– Esqueça... Já fico satisfeito que tenha me entendido. De toda forma também lhe devo um pedido de desculpas. Minha reação foi de fato exagerada. Não deveria ter gritado com você. Perdoe-me.

– Esqueça... – Jacob o imitou, sem jeito. Estavam mais habituados a provocarem-se. – Se fosse o contrário eu teria gritado...

– Certo! – Edward revirou os olhos, como o amigo comumente fazia, desejando encerrar aquele assunto de vez. – Então vamos mesmo esquecer, caso contrário as desculpas não terão fim.

– Esquecido – exclamou o criado indo segurar o colete para que seu patrão apenas passasse os braços quando terminasse de subir o suspensório. Como não se calaria por muito tempo, logo voltou ao que sempre fora. – Então... Não posso flagrá-los na cama, mas ao menos posso comentar algo relacionado?

– Não. – Edward negou veemente enquanto passava um braço, depois outro pelas aberturas do colete oferecido. Ao se afastar para abotoá-lo, olhou para Jacob e acrescentou zombador. – Contudo permito que fique calado e faça o que tem a fazer.

Com isso foi se sentar ao lado do aparador e esperou que o amigo viesse livrar seu rosto dos pelos crescidos. Jacob permaneceu no lugar por alguns instantes, como se decidisse entre tecer seu comentário ou se calar. Venceu a segunda opção, pois saindo da inércia, caminhou até o patrão e iniciou sua tarefa mudo como uma rocha.

Todavia Edward sabia que a mudez era momentânea. Tão logo tivesse nova chance, o amigo o faria ouvir o que tinha a dizer. Que fosse depois então. No momento tinha coisas mais importantes a pensar e a fazer.

Quieto como Jacob sempre recomendava, deixou que ele cobrisse seu rosto de espuma e a retirasse juntamente com os pelos excedentes movendo habilmente a navalha afiada. Logo limpava seu rosto com uma toalha embebida em água quente para então aplicar a loção que levava o rosto recém barbeado a arder.

– Obrigado! – agradeceu já a saltar da cadeira.

Jacob, ainda mudo, passou a recolher o que usou enquanto seu patrão penteava os cabelos e os prendia. Quando se sentou para calçar as meias e as botas, comunicou:

– Quero que vá a Westking e compre umas coisas para mim.

– O que seria? – Jacob perguntou; o amigo emburrado cedendo espaço ao criado eficiente.

– Prefiro anotar. – Edward respondeu, levando o moreno a olhá-lo com o cenho franzido.

– O que seria preferível anotar ao invés de dizer? Sabe que tenho boa memória, basta pedir.

– Dessa vez não quero que esqueça nada... Já vai saber.

Terminando de calçar as botas, levantou e foi até a escrivaninha. Separou uma folha em branco, destampou o tinteiro, carregou sua caneta e passou a anotar o pedido. Ao terminar releu duas vezes à procura de algum item faltoso. Acreditando ter colocado todos, estendeu a lista ao criado que esperava afastado, com os braços cruzados sobre o largo peito. Ainda sentado, impassível, Edward esperou que Jacob a lesse. Logo ele lhe estendia o papel de volta.

– Acho que se enganou Sir. Essa lista pertence à Marie ou qualquer outra criada.

– Não há engano. – Edward afirmou sem receber o papel. Então se levantou e prosseguiu. – A lista é mesmo sua. Vou entregar-lhe o quanto acho que vá precisar.

– Perdão Sir Edward... Mas não está mesmo me pedindo para comprar essas coisas, não é? – o moreno o seguiu visivelmente consternado. – Vestidos, botas, anáguas, espartilhos, pantalonas... Pantalonas! – ele repetiu incrédulo. – Quer que eu entre em uma loja feminina e peça roupas de baixo?!

– Não se esqueça da roupa de montaria, são as mais importantes.

– Se é assim deixe-me comprar apenas estas e peça a uma mulher que providencie o restante.

– Não – o barão disse já a destrancar a gaveta da cômoda na qual mantinha algum dinheiro para gastos extras; aquele era o caso. – E não precisa ficar tão alterado. Quero que leve Leah com você. Ela e Isabella têm praticamente a mesma compleição física, ela o ajudará. Está bem assim?

– Muito melhor! – Jacob exclamou em visível alívio ao receber o dinheiro que o patrão lhe entregava.

Edward acreditava que a soma excedia ao suficiente, mas preferia que fosse dessa forma. Não queria que nada ficasse de fora; a surpresa tinha que ser completa. No mais era esperar que Isabella não fosse orgulhosa ao ponto de recusar o que de bom grado lhe presentearia, pensou ao recolher suas luvas do tampo da cômoda. Se fosse o caso, estava esperançoso de que as roupas de montaria amolecessem seu coração, por essa razão eram tão importantes.

– Já que resolvemos essa questão, vamos. – Edward se adiantou para a porta, metendo as luvas nos bolsos da calça.

– Quer que eu vá agora para a cidade? Ou precisa de mim para algo mais? – Jacob o seguia para fora do quarto, acompanhando as largas passadas do barão.

– Pode ir assim que Leah disser que está livre, mas antes preciso liberá-la para voltar à cozinha. Com certeza ela está agora no salão principal. – Edward explicou. – Tenho algo a dizer para todos os criados da casa.

– O que seria? – Jacob acelerou o passo para ladeá-lo. – Vai falar sobre a moça?!

Talvez eu deva esse tipo de satisfação a minha mãe – o barão replicou levemente enfadado com a pergunta absurda. – Meu comunicado à criadagem é quanto a uma mudança entre eles.

Tão logo se calou, Edward chegou ao topo da escadaria. Eficiente como sempre, Marie havia reunido todos os criados no salão principal. O burburinho já era ouvido desde antes de sua aparição, contudo cessou ao ser visto. Aproveitando o silêncio geral, o barão desceu alguns degraus, aproximando-se. Jacob se manteve um degrau acima, parado às suas costas.

– Bom dia a todos! – cumprimentou. Ao ser respondido quase que em uníssono, chamou. – Marie, venha até aqui, por favor.

A preocupação estava estampada no rosto muito pálido da criada que sem demora o atendeu. Parou um degrau abaixo e logo indagou num cochicho:

– O que significa tudo isso Milord?

– Saberá com os outros – respondeu-lhe e em voz alta, para que todos o ouvissem, falou. – Sei que têm muito a fazer então serei breve. Pedi que Marie os chamasse até aqui para comunicar-lhes que a partir de hoje ela será a governanta desta casa. Não devem se dirigir a ela por seu primeiro nome. Se ela os liberar será por conta própria, mas não quero presenciar a liberdade, pois a hierarquia deve ser mantida. Todos os problemas domésticos passarão primeiramente por ela antes de chegar até mim.

Lord Masen... Lady Elizabeth não irá gostar disso – a criada lembrou-o.

– Até onde me lembro sempre almejou ser a governanta – ele igualmente refrescou-lhe a memória. – Vai desistir do posto agora que o concedo?

– Absolutamente Milord! – Marie assegurou. – Farei o que determinar.

– Pois bem... – ele prosseguiu. – Todos estejam cientes. A palavra final de qualquer decisão será minha, mas a Sra. Newton poderá reportar-me a necessidade de contratar e até de demitir alguém caso seja preciso. Todos entenderam?

Houve novo assentimento conjunto.

– Pois isto era tudo. – Edward encerrou a reunião no salão. – Podem voltar aos seus afazeres.

Enquanto os criados deixavam o palacete o burburinho se restabeleceu, contudo logo dispersou e findou ao restarem somente o barão, seu criado e a nova governanta. Estes últimos a seguirem o primeiro que terminava de descer os degraus. Ao alcançar o último disse a Jacob.

– Agora pode cuidar do que lhe pedi.

– Então com vossa licença... – disse e se foi apressadamente para a cozinha.

Edward o seguiu, porém em passos normais, sendo acompanhado por Marie. Quando o amigo ganhou distância, anunciou:

– Vou tratá-la formalmente para dar o exemplo. Também vou reajustar seu salário para que se adeque à nova posição. Quero que deixe de usar esse uniforme. Providencie algo sóbrio, não colorido; escolha entre preto ou cinza. Apresente-me a nota do que for preciso comprar que lhe reembolsarei.

– Assim o farei Milord – ela disse às costas de Edward. – Serei para sempre grata pela confiança.

– Não seja apenas grata, Sra. Newton. – ele parou e se voltou para encará-la. – Sabe que além de confiar em sua competência espero algo mais ao elevar seu cargo.

– Bem o sei Lord Masen – a mulher retrucou seriamente. – E é sobre isso que gostaria de lhe falar.

– O que é?

– Sei que não devo pedir nada depois do que fez por mim, mas gostaria de continuar a cuidar de Isabella. Prometo que não afetará minhas novas atribuições. Ela não me dá trabalho algum.

O barão considerou o pedido. De fato não conseguia imaginar outra criada para atender às necessidades da jovem. E Isabella gostava daquela mulher.

– Faça como considerar melhor – aquiesceu, voltando a caminhar. – Já que ainda vai servi-la, avise-a que almoçaremos juntos. Marque para o meio dia na sala de jantar.

– Sim Milord... E muito obrigada! Não irá se arrepender.

– Assim espero – encerrando o assunto, rogou. – Tenha um bom dia Sra. Newton.

– Tenha vossa senhoria um excelente dia! – ela lhe sorriu.

Ao entrarem na cozinha, separam-se. Edward assumiu seu lugar à mesa. Antes de devotar sua atenção ao desjejum reparou que Leah já havia deixado seu posto; tanto melhor. Com sorte o que pediu estaria disponível já a hora do almoço. Satisfeito iniciou seu café, ignorando os olhares que disfarçadamente recebia. A única exceção ao cuidado respeitoso vinha de Sue Wood. A velha cozinheira, vez ou outra o encarava fixamente. Indicava o desejo de lhe falar e então se calava.

– Deseja algo Sra. Wood? – ele perguntou por fim, ao começar a se sentir incomodado com a observação.

– Queria lhe dizer algo, mas não sei se devo – falou aproximando-se da mesa a rolar um pano na mão; parecia subitamente nervosa. – É algo sobre sua hóspede.

– Se é esse o tema, adianto-lhe que não deve – assegurou seco, encarando-a impassível. – Não estou disposto a ouvir nada do que qualquer uma de vocês tenha a dizer. Aliás... – alteou a voz e disse para que todas as criadas presentes o ouvissem. – Gostaria que nem falassem sobre ela entre si, pois já perceberam que a tenho em alta conta. Considerarei qualquer maledicência como uma afronta pessoal passível de demissão e expulsão de Apple White para àqueles que aqui residem. Fui claro?

– Sim Milord. – Sue respondeu como todas as outras; sua voz sendo a mais audível. Quando todas se calaram ela prosseguiu. – Mas vou correr o risco e recomendar que tenha cuidado. Cultiva maçãs então bem sabe que muitas vezes as de bela casca podem esconder alguma podridão.

Ao se calar a velha criada inclinou a cabeça numa reverência e voltou ao seu fogão. Edward sabia que o que a movia era o mesmo conservadorismo puritano que atacaria sua mãe caso estivesse presente. Apesar de aceita, a libertinagem masculina ainda deveria ser mantida sob a capa da discrição. Algo que ele falhara completamente ao que se referia à Isabella. Por saber ser essa a razão, e por acreditar que a mulher estivesse também um tanto preocupada por conhecê-lo desde muito novo, não a repreendeu. Apenas retrucou ainda sério:

– Alguém que age fora dos padrões pode parecer uma maçã apodrecida para a senhora, mas como bem disse eu as cultivo... Sei reconhecer as que ainda têm salvação e a sidra que faço delas é tão saborosa quanto às belas em sua completude. Agradeço o alerta, mas o dispenso e aconselho que não se preocupe com aquilo que não lhe compete. Hoje a senhora me encontrou em ótimo humor, mas lhe garanto que amanhã ou depois não serei tolerante. Caso aprecie estar nessa casa, guarde suas impressões e conselhos para si.

– Assim o farei Milord – ela assegurou somente, porém parecia que gostaria de acrescentar algo mais.

Talvez pela expressão de seu patrão, ainda a encará-la com o cenho franzido, tenha se calado. Tanto melhor, Edward pensou aborrecido. Já havia cedido a ela muito de sua atenção para um assunto particular. Sabia que Isabella era uma mulher que vivia a margem dos padrões morais e não se importava. Era justamente sua imperfeição, ambiguidade que a tornavam única para ele.

Despedindo-se de todas, saiu. Depois de recolher seu chapéu de uso diário pendurado ao lado da porta juntamente com a capa para os dias chuvosos, vestiu-o. Então calçou suas luvas e seguiu rumo ao estábulo. A breve caminhada fora do abafamento sentido na cozinha ajudou a recuperar-lhe o ânimo. Avistar seu cavalo já selado a esperá-lo terminou por restaurar-lhe o humor.

– Bom dia Mike – cumprimentou ao receber as rédeas de Draco. Afagando o pescoço do animal murmurou. – Como está garoto?

– Bom dia Milord! – o rapaz lhe respondeu e antes que o patrão montasse, falou a exibir um sorriso tímido. – Acredito que tenho uma boa notícia para dar-lhe.

– Boa notícia? – Edward interrompeu a ação de pisar no estribo. – Conte.

– Ainda não posso afirmar, mas acredito que a égua Palomino esteja prenha.

– Essa é uma ótima notícia! – exclamou satisfeito. – Comprá-la foi um excelente negócio afinal.

– Espero que minhas suspeitas se confirmem, Lord Masen – o tratador rogou sem jeito.

– Pois eu já tenho essa prenhez como certa! – Edward finalmente montou; ágil e seguro. Girando Draco, acrescentou. – Nunca soube que você errasse um palpite. Mantenha-me informado.

– Assim o farei.

O barão ouviu a resposta quando já atiçava Draco a correr. Com a saída de Jacob iria supervisionar a obra na ponte. Ao tomar o caminho que o levaria até o rio, lembrou-se de sua última passagem por ele. Repassando todo o ocorrido desde então, regozijou-se por converter as contrariedades sentidas e seu surto enciumado num ataque apaixonado que trouxe Isabella definitivamente para sua vida.

Sua maçã imperfeita! Que com a simples admissão de que já lhe sentia a falta antes mesmo de se separarem tornou todo aquele dia perfeito, pensou com um sorriso contente, quando já chegava à ponte em reconstrução.

– Bom dia! – Edward cumprimentou a todos, desmontando.

Deixou Draco livre para que pastasse e se aproximou recebendo as saudações animadas dos trabalhadores. Acenou ainda em resposta aos cumprimentos gestuais que vinham da margem oposta. Reconhecia alguns; trabalhadores e patrões. Assim como aqueles que trabalhavam ao lado de seus homens. Naquela manhã Harry Clearwater também estava presente.

– Bom dia Lord Masen – cumprimentou-lhe quando parou ao seu lado.

– Bom dia. – Edward repetiu, apoiando as mãos no quadril, olhando o movimento incessante. – Ainda teremos muito trabalho por aqui, não?

– Teremos, mas não tivemos nenhum contratempo e isso já nos ajuda – comentou o fazendeiro.

– Sim, nos ajuda – o barão murmurou intimista, contendo um pensamento lamurioso; apesar do que representava, precisa da ponte erguida. Para se distrair, perguntou. – Seu hóspede já se foi?

– Sim. Sir Cullen partiu no sábado pela manhã. Talvez já esteja em casa a essa hora.

– Espero que tenha feito boa viagem – disse aéreo, agradecido por não haver mais visitas inesperadas.

– Também espero. – Harry o imitou. Após um instante indagou. – Soube o que aconteceu com Laurent Hunt?

– Não. – Edward não sabia nem desejava saber, mas tinha certeza que seria informado mesmo a sua revelia.

– Alguém o surrou semana passada. Não tem aparecido para acompanhar seus homens por estar se recuperando em casa.

– A quem devo parabenizar? – Edward o questionou em tom de mofa.

– Acredito que se alguém soubesse, o agressor já teria sido cumprimentado.

Edward não estranhava o comentário; sabia ser verdadeiro.

– Bom, seja lá quem tenha sido nós bem sabemos que deve ter boas razões.

– Especulasse que seja por dívidas de jogo. – Harry segredou.

– Seria um bom motivo, afinal alguém que não honra suas dívidas merece ser cobrado de alguma maneira – comentou enfadado do assunto. – De toda forma, como disse é apenas especulação. No mais o que acontece com aquele cavalheiro pouco ou nada me interessa.

– Perdoe-me se o aborreci Lord Masen. – Harry rogou preocupado. – Não era minha intenção.

– Não aborreceu. Contudo saber do acontecido já basta – assegurou para acalmá-lo. E para dissipar o mal estar que se criou, piscou ao fazendeiro e troçou. – Vamos agradecer ao bem feitor que nos livrou de Hunt por alguns dias.

– Bendito seja!

O barão apenas sorriu e, depois de pedir licença, afastou-se para circular entre os homens divididos em diferentes áreas de trabalho. Uma grande lona havia sido erguida e servia de marcenaria onde a madeira serrada ao lado, era desbastada e lixada. Edward apreciava aquela ação conjunta que prometia ocupação para toda a manhã; tornando-a breve.

Já ansiava pelo meio dia.

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SPOILER...

Decididamente não gostava de surpresas. Tinha consciência de que a ação do barão em nada se assemelhava aos dos homens que vez ou outra surgiam com caixas tão enfeitadas quanto aquelas contendo desde caros vestidos a jóias valiosas, ainda assim o eco maligno da similaridade a perturbava. Não queria recompensas por se entregar a ele, não estava lhe prestando qualquer serviço.

– Por que precisa delas – ele disse simplesmente; era a verdade. – Se abrisse as caixas saberia o que tem nelas.

– Sei o que tem nelas. – Isabella retrucou sem se mover; contabilizou oito caixas no total. – Vestidos, sapatos... Muitos por sinal. Não preciso de tantos, tenho os de sua irmã.

– Estes serão seus. – Edward falou sentando sobre a cama para olhá-la de frente. Segurando-lhe uma das mãos notou o quanto estava fria então acreditou que não se tratava de orgulho. Preocupado, indagou carinhosamente. – Qual o problema Bella? Sei que fui intrometido, mas quis apenas que tivesse algo seu.

– Apenas isso? – ela moveu os olhos negros para o rosto contrito; precisava ouvir para aceitar o que seu coração já sabia; o gesto não era uma compensação por favores sexuais.

– Evidente que sim! – ele assegurou confuso. – O que pensou?

– Perdoe-me! – a jovem rogou. O embaraço tornando seu rosto escarlate com a comparação indevida. Edward merecia uma explicação, mesmo que editada. – Não sou boa em receber presentes. Nem com surpresas tampouco. Deveria ter me dito que pretendia comprar-me essas coisas. Tenho meu próprio dinheiro e...

Foi calada por dois dedos decididos comprimidos contra seus lábios. O leve tremor que sentia neles confirmava a contrariedade que surgia no barão.

– Acaso acredita que tomaria seu dinheiro?

– Não há razão para me dar presentes Edward – tentou argumentar. – Não quero que se ocupe comigo dessa forma. Sinceramente agradeço a iniciativa, mas pare para pensar... Cedo ou tarde irei embora então...

– Então os levará com você. – Edward soou duro. – Ou os deixará para o dia que voltar. Pois vai voltar Isabella... Sabe muito bem que já faz parte de minha vida e não importa se estamos juntos aqui ou na sua casa. Já lhe disse que vou onde estiver. Então... Apenas aceite esse pequeno agrado e acostume-se, pois ele é nada comparado aos muitos outros que pretendo lhe fazer.

– Perdoe minha insensibilidade! – Isabella reforçou o pedido de desculpas, recriminando-se por magoá-lo quando fora nada menos do que gentil; de fato não estava acostumada a agrados desinteressados. Na tentativa de consertar seu estrago, colocou-se entre o vão das pernas largas e pousou as mãos nos ombros tensos, na base do pescoço. – Como lhe disse não sou boa com presentes... Veja, nem o agradeci. Obrigada pela atenção que teve comigo.

– Não por isso! – Edward ainda relutou em desarmar-se mesmo a segurando pela cintura e trazendo para mais perto. Ainda firme nas palavras, avisou. – E espero que se habitue, pois pretendo presentear-lhe muito mais.

– Você pode me ajudar – ela sugeriu amável, brincando com os cabelos castanhos que mais cedo soltou da fita; Edward não tinha que pagar pelo estrago iniciado por seu pai. – Faça isso my lord... Lembrando-me de ao menos ser educada quando me der um presente.

Como não se render? Passado o efeito da rejeição e o orgulho pela insinuação de que ela poderia pagar por aquilo que precisasse, Edward entendeu que a reação poderia ser um reflexo dos relacionamentos fracassados; se todos os outros não foram capazes de beijá-la corretamente ou realizá-la como mulher, como poderiam tê-la mimado? Pelo visto nem o precioso Embry o fez, convertendo para ele todos os louros pelas mudanças que pudesse operar na vida dela.

– Quando presenteio minhas irmãs – falou já esquecido da breve contrariedade –, elas costumam agradecer com um beijo.

Com o coração acalmado e, satisfeita por ter dissipado o clima ruim, Isabella sorriu e depositou um terno e demorado beijo em uma das bochechas do barão.

– Obrigada! – repetiu o agradecimento. – Ainda não vi o que ganhei, mas tenho certeza de que vou gostar de tudo.

– Assim espero – falou sério. – Como também espero que agradeça de acordo com sua posição em minha vida. Você não é uma de minhas irmãs my lady.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Tenho que dividir que ri ao imaginar a cara do Jacob lendo a lista de presentes para Bella, enquanto eu escrevia, pobrezinho... rsrsE fiquei curiosa, vcs acham que a promoção vai deixar a Marie mais intrometida?... A intenção do barão é ter alguém com peso de mando que zele por Isabella quando não estiver presente, mas algumas leitoras no orkut acham que ele não fez bem... rsA parte tensa agora fica por conta de Sue. Já está claro que a velha reconheceu a neta. Barão não quis ouvir, mas será que fica por isso msm?... O.OVamos vendo... semana que vem tem mais suas lindas... Beijos em todas, tenham um lindo final de semana!