Borboleta Negra

22 Capítulo Vinte e Um


Notas iniciais
Boa noite meus amores... Demorei, mas cheguei com capítulo novo. Espero que gostem, assim como amo receber os reviews de vcs... Obrigada meninas!Para fazer uma autora mais feliz, só se rolasse algumas indicações... Assobia e chuta pedrinha*Está bem, parei... rsBom, vamos ao capítulo?... BOA LEITURA!

Por estar profundamente adormecida, Isabella demorou alguns instantes até assimilar que os ecos ouvidos eram discretas batidas sobre a madeira da porta. Ao abrir os olhos estranhou o tecido amarelo pálido decorado com rosas e folhas que cobria a parede; ele não deveria ser diferente? Não, não deveria. Disse a si mesma ao se lembrar que estava no quarto de Rosalie. Como era possível que em apenas duas noites já estivesse acostumada a acordar nos aposentos de Edward?

– Isabella, desculpe vir acordá-la, mas já está tarde. – Marie falou, impedindo-a de se abalar com sua facilidade em absorver tudo referente ao barão.

– Pode entrar Marie – liberou, ainda a auto-analisar-se. Tinha a impressão que sorvia de Edward tudo o que sempre quis desde sua meninice, por essa razão era fácil.

– Bom dia Isabella! – Marie a cumprimentou ao entrar – Veja quem encontrei ao pé da porta.

– Bom dia Marie! – respondeu já a sorrir para o galgo. Enquanto a criada se encaminhava para a janela, Nero correu e saltou sobre a cama para festejar o reencontro.

– Está uma linda manhã. – Marie anunciou após abrir mais as cortinas, olhando através da vidraça com um sorriso satisfeito que emprestava juventude ao seu rosto.

– Eu acredito – a moça deixou suas considerações pessoais para avaliar a sorridente criada; aquilo era inédito. Afagando a cabeça de um cão ainda animado comentou. – Até conseguiu fazê-la sorrir.

– Estou contente – a criada se voltou ainda sorridente, parecendo de fato mais jovem.

– Percebe-se. – Isabella foi contagiada pelo ótimo humor, especulando com o laço de seu chemise, se a alegria teria relação com a roupa que usava; em todos aqueles dias nunca a viu fora de seu usual uniforme e livre do imaculado avental. Sorrindo-lhe de volta, já esquecida das próprias questões, indagou. – Isso tem a ver com sua mudança? Devo dizer que está bonita... Vai a algum lugar?

– Não... – Marie respondeu alisando a saia de seu vestido preto. A moça apreciava a cor que, associada à peça de colarinho alto e branco, na criada acentuava a brancura da pele, o castanho dos cabelos já permeados pelos primeiros fios esbranquiçados. Com um rubor a lhe cobrir as bochechas anunciou. – Lord Masen me promoveu a governanta.

– Meus parabéns! – Isabella exclamou feliz por ela, mas em seu íntimo novamente se perguntava o que teria mudado.

Em tempo algum sentiu a falta de tão serviçal, pois considerou que a opinião da baronesa se mantivesse a mesma de seu tempo; Lady Elizabeth era a responsável por gerir o andamento funcional do palacete nunca admitindo governantas ou mordomos. Havia sim, de tempos em tempos, uma criada especial, muito próxima a ela que a ajudava a receber os convidados e ditava ordens em sua ausência, mas nem mesmo estas mereceram o cargo.

Talvez estivesse enganada e a nomeação já fosse prevista por Edward e sua mãe. De toda forma eram assuntos domésticos que não competiam a ela. No momento Apple White era seu pedaço de paraíso, mas não seu lar.

– Obrigada Isabella... – agradeceu, resgatando-a do entristecer quase certo, antes de avisar que nada havia mudado. – Bom, agora sou a governanta, mas ainda vou atendê-la. Pedi ao Lord Masen e ele permitiu.

– Fico feliz – disse sincera, porém vaga. Tanto que externou sem notar. – Gosto de você.

– E eu de você. Nunca que deixaria outra assumir meu lugar – a criada assegurou. Então prosseguiu voltando ao tom profissional. – Deseja que eu lhe traga algo que a sustente até o almoço? Uma xícara de chá e algumas torradas talvez...

– Somente isso? – após se calar Isabella desejou rir de seu tom lamurioso. Não era uma pessoa mimada, mas descobria-se faminta e em sua mente recém mal-acostumada vinham imagens das bandejas bem fornidas que a criada costumava lhe trazer.

– Posso providenciar mais se assim desejar, contudo Lord Masen pediu que a convidasse para almoçar com ele ao meio dia e já passamos das onze horas. Não queria comprometer-lhe o apetite.

– Já passa das onze?!... – alarmada Isabella afastou as cobertas, levando Nero a saltar da cama antes dela. Não se lembrava do dia que havia dormido até tão tarde. Em seu espanto, o anuncio das horas e o convite de Edward foi tudo o que ouviu. – Se devo me encontrar com o barão esqueça o chá... Melhor me vestir, caso contrário eu me atrasarei.

Algo que consideraria imperdoável.

– Acalme-se. – Marie tentou tranquilizá-la, contudo seguindo-a na agitação. – Temos tempo.

– Tanto melhor... – a moça murmurou vasculhando entre as poucas opções de vestidos esquecidos por Rosalie.

Era fato que a fome apertava seu estômago, contudo a saudade e sua pontualidade sobrepunham-se a ela. E havia também a consciência da atenção concedida pelo atarefado barão. Cada minuto daquele almoço seria precioso. Com isso concluiu decidida.

– Edward não pode esperar.

Como previsto a agitação ao redor da obra ocupou a mente do barão, amenizando sua percepção do tempo. Apenas supervisionou os trabalhos, visto que não possuía habilidades de marceneiro, ferreiro ou engenheiro. Ainda assim, vagar entre os muitos homens que empenhados tratavam de erguer a nova ponte reduziu sua espera pela metade do dia.

Quando consultou seu relógio de ouro pela primeira vez desde que havia chegado, o nobre viu faltarem vinte e cinco minutos para o almoço marcado. Como Harry já havia partido e Jacob não estava presente, passou a supervisão a Mark; seu funcionário.

– Você será o responsável até que eu envie Jake – avisou enquanto procurava Draco com os olhos. – Qualquer imprevisto avise-me imediatamente.

– Assim o farei Lord Masen – o homem suado, assegurou comprometido.

Ao se separarem, Edward ainda não avistava seu cavalo, contudo bastou assobiar contra seu indicador e polegar unidos para que o andaluz deixasse o bosque num ponto distante e corresse até seu dono.

– Bom garoto! – Edward elogiou orgulhoso a afagar o pescoço castanho.

Recolocando seu chapéu, montou e guiou o animal para longe do rio. Não queria se atrasar para seu primeiro almoço com Isabella, então instigou Draco a correr. A raça não era famosa por sua velocidade, contudo o cavalo atendeu bem a vontade de seu cavaleiro percorrendo a distância até Apple White em pouquíssimos minutos.

Edward reduziu o passo ao cruzar o pomar, deixando que Draco apenas trotasse em largas passadas. Contava em deixá-lo no estábulo antes de voltar a casa, porém uma visão inesperada turvou seus planos.

Foi com grata surpresa que encontrou Isabella na varanda frontal, recostada contra a mureta branca imediatamente ao lado da escada principal. Mantinha-se ereta e parecia distraída a olhar para o portão de ferro fundido, as mãos postas uma sobre a outra. Edward freou mais seu animal para se aproximar devagar; enquanto o fazia reparava na beleza fresca da jovem.

Estava já muito perto e não havia sido visto. Começava a cismar com a distração e o olhar vago fixo na saída de sua casa, quando ela se voltou. Naquele instante, quando estava próximo o bastante para ver a surpresa e então a alegria tomarem os olhos de noite enquanto um sorriso iluminava o rosto antes contrito, Edward teve a confirmação do que já sabia. Amava-a em demasia. Tanto que para ele, ela pertencia àquele lugar. Como se nele tivesse nascido e crescido e nele devesse habitar até o dia de sua morte.

– Edward?!... – ele a ouviu indagar com as sobrancelhas unidas. – Está tudo bem?

Somente então o barão percebeu que havia parado exatamente diante dela; Nero saltava sobre as patas de Draco que o ignorava e ele simplesmente não se movia. Nada falara nem sorria preso à atração que tinha por ela. O sorriso que recebia começava a se desfazer cedendo lugar a uma preocupação real quando reagiu, retirando respeitosamente o chapéu.

– Estou – assegurou dando a ela seu sorriso farto de lábios e cavanhaque.

Então, galante lhe estendeu a mão enluvada ao que ela instintivamente segurou. Ao levar os dedos delicados aos lábios, o barão aproveitou não somente para provar-lhe a maciez contra sua boca como sorver-lhe o odor; lamentou somente não ser lavanda. Comprazendo-se por senti-la estremecer, admitiu.

– Apenas emudeci ante sua beleza e pela boa surpresa de encontrá-la aqui.

A recompensa veio com o ruborizar violento que cobriu as bochechas da moça e o baixar de olhos para as mãos ainda unidas. A frase seguinte, rouca e murmurada, foi a premiação máxima para ele que há poucos instantes tentava adivinhar-lhe os pensamentos.

– Senti sua falta e resolvi esperá-lo. Não sei de onde tirei que viria pela entrada principal... Queria tê-lo visto primeiro... – finalizou num fio de voz.

– Pois esta sorte foi minha – vangloriou-se contente. – Fica ainda mais bonita quando está distraída.

– Vejo que tirou a manhã para cobrir-me de elogios. – Isabella comentou desconcertada. Também era novo aquilo de se envaidecer com galanteios e o repetido enaltecer de sua beleza.

– Por mim a cobriria de beijos – o barão garantiu antes de beijar a palma da mão que ainda segurava. Ao novo estremecimento, liberou-a e lamentou. – Uma pena não poder.

– Realmente uma lástima! – ela concordou.

A voz havia reassumido sua firmeza depois do eletrizar que varreu o embaraço ao despertar nela uma acentuada excitação; gostaria muito de ser coberta por todos os beijos espinhentos que Edward pudesse lhe dar. Iria informar-lhe na esperança de igualmente instigá-lo, porém a movimentação vinda do portão que antes vigiava chamou sua atenção. Talvez pelo mover de seus olhos ou pelo ranger distante, Edward tenha sido alertado, pois imediatamente se voltou.

– Jake! – Edward falou com satisfação.

– Sim... E Leah está com ele.

Isabella respondeu como se tivesse se dirigido a ela, porém não fora o caso. Falou com ele mesmo, mas o comentário serviu para lembrá-lo de que desejava surpreender-lhe então não poderia deixá-la ver o que seu criado trazia.

– Sim... – disse apressadamente, a excitação pela eminência de presenteá-la e dar sequência em seus planos substituindo a outra que quase o levou a convidá-la para uma breve “sesta” após o almoço. – Preciso ir até ele, mas prometo não demorar... Desde já me perdoe pela falta.

– Não por isso! – ela o liberou, lamentando a quebra do clima intimista. – Vá cuidar do que precisa.

– Serei mesmo breve – mais uma vez prometeu. Com Draco a se agitar sob si, acrescentou. – Espere-me na sala usual, mas antes, poderia procurar por Marie e avisá-la que me atrasarei alguns minutos para o almoço?

– Certamente.

Com a reposta ela se foi. Nero a seguiu ao notar sua entrada que o deixou livre para ir de encontro à charrete do amigo.

– Bom dia Leah! – cumprimentou ao acercar-se do rústico veículo.

– Bom dia Milord – ela respondeu e acrescentou. – Quero agradecer pela oportunidade do passeio.

– Eu que lhe serei eternamente grato pela ajuda – falou com sinceridade; não lhe pediu discrição, pois sabia bem que Jacob já o havia feito. Foi para o moreno que perguntou, retardando um pouco o passo de Draco para conferir as caixas dispostas no piso da charrete. – Encontrou tudo o que pedi?

– Com Leah foi fácil, mas não trouxemos muitas coisas – o criado respondeu olhando em frente, guiando o cavalo rumo ao estábulo.

– É que os vestidos de acordo com Isabella precisariam ser encomendados Milord. – Leah esclareceu timidamente. – Então tomei a liberdade de procurar algo na loja onde costumo comprar os meus. São simples, mas bonitos e a dona sempre tem um ou outro à disposição.

– Obrigado pela iniciativa – agradeceu sincero, porém um tanto consternado com sua falta de atenção.

Sabia que ela dizia a verdade, afinal conviveu por anos com três mulheres que vez ou outra recebiam a visita de uma modista munida de desenhos, amostras de tecidos, rendas, botões e toda sorte de penduricalhos que pudesse acrescentar nos vestidos que fazia sob medida; muitos deles chegando a custarem quase tanto quanto uma jóia. Um destes seria de acordo com Isabella, contudo seu pedido era mesmo para o uso diário. Algo simples que pertencesse a ela deveria bastar.

– Bom... – falou aos dois. – Preciso me encontrar com Isabella para o almoço, então gostaria de pedir mais um favor. Deixem o que trouxeram no quarto de Rosalie. – e para Jacob recomendou. – Almoce, descanse até a uma hora, depois vá supervisionar a reconstrução da ponte.

– Preciso prestar-lhe contas das compras que fiz. – Jacob o lembrou. – Como sempre, trouxe todas as notas.

– Eu sei... Mas veremos isso depois. Agora preciso ir... Mais uma vez, obrigado aos dois!

Dando meia volta, seguiu para a entrada principal agradecendo o fato de o amigo chegar quando estava presente para distrair a atenção da moça. Seria o que continuaria a fazer, por essa razão apeou diante da casa e liberou Draco para que voltasse sozinho ao estábulo. Entrou no momento exato em que Marie, já vestida de acordo com sua nova posição, vinha da sala onde recomendou a Isabella que o esperasse.

Milord! – exclamou ao vê-lo. – Pensei que fosse demorar mais. Isabella acabou de me dizer que se atrasaria.

– O que tinha a fazer era mesmo breve – disse lhe entregando o chapéu e suas luvas. – Pode servir o almoço daqui a dez minutos. Estaremos esperando.

– Assim o farei Lord Masen! – respondeu ereta e servil como sempre.

– Ah, sim... – chamou-lhe a atenção quando já se retirava. – Jake e Leah estão trazendo algo que encomendei. Ajude-os a levar tudo para o quarto de Rosalie.

Como resposta obteve um inclinar de cabeça. Com a saída da criada estava finalmente livre para ter com Isabella. Em largas passadas seguiu até sua sala onde entrou sem bater e encontrou a moça de costas, próxima a porta que dava para a varanda, com Nero a admirá-la.

– Esperava que eu entrasse por aí? – após fechar a porta, gracejou com a confissão anterior indo até ela.

– Era uma opção... – a moça se voltou já a exibir um lindo sorriso, aproximando-se rapidamente para encurtar a distância; estava mesmo com saudade.

A recíproca era verdadeira e se confirmou ao praticamente colidirem seus corpos para que os braços se fechassem um ao redor do outro e as bocas se procurassem com pressa e fome num beijo voraz. Edward a segurava pela nuca enquanto a mantinha junto a si apertando-a possessivamente pela base de sua coluna. Isabella por sua vez, colava-se ao peito largo, abraçando-o pelos ombros depois de arrancar a tira que lhe prendia os cabelos castanhos, para segurá-los entre seus dedos.

O galgo não se interpôs então quando deram por si já tombavam sobre o sofá; a moça sendo comprimida nas almofadas pelo corpo grande e forte do barão. A consciência não arrefeceu a fúria do beijo, apenas os levou a intensificá-lo mais. Com o desejo crescente que corria suas veias como fogo líquido, Edward passou a se mover sobre ela minimamente, ensaiando o que faria caso pudesse tomá-la como almejava.

– Edward...

Ter o próprio nome sussurrado contra sua boca inflamou completamente o barão, contudo a força que o faria sucumbir, trouxe-o de volta à razão. Domando o impulso instintivo que o atraia para Isabella, interrompeu o beijo. O contentamento por confirmar em ação o que a palavra dela dizia teria que bastar até a noite.

– Sentiu mesmo minha falta, não sentiu my lady? – perguntou ofegante; ainda estendido sobre o corpo pequeno, sentindo a maciez dos cabelos escuros nas pontas de seus dedos.

– Muita – admitiu com voz vacilante, mirando a boca entreaberta enquanto corria um dos dedos pelo contorno do cavanhaque novamente bem aparado. – Queria que já fosse noite para podermos ficar mais tempo juntos.

– Também gostaria disso. – Edward murmurou satisfeito com as palavras, com o carinho despreocupado em seu rosto; Isabella o queria por perto, contudo ainda tinha muito a fazer.

– E temos que almoçar – ela brincou com a verdade. – Caso pudéssemos ficar juntos, mais uma vez eu o trocaria pela comida... Não tive meu desjejum, estou faminta.

– Como não?! – questionou a franzir o cenho.

Imediatamente o barão se pôs de pé e se afastou com espírito revoltado, muito pronto a exigir uma explicação de Marie. Não a chamou aos brados enquanto seguia para a porta, pois Isabella deixou o sofá em seguida e o deteve, segurando-o pelo braço.

– Edward, espere... Aonde vai?

– Quero saber pela Sra. Newton por quais motivos você não foi bem tratada essa manhã – ele esclareceu indignado. – E que eles sejam muito bons.

– Sra. Newton? – a moça indagou confusa, quase que para si.

– Marie – ele novamente tirou-lhe a dúvida. – Bastou nomeá-la para que se tornasse relapsa?

– Não... – Isabella sorriu ao entender a confusão. – Não foi culpa dela. Eu pedi que não se ocupasse, pois levantei praticamente agora... Minutos atrás. Quando me encontrou na varanda havia chegado há uns dez no máximo.

– Tanto melhor – exclamou ainda alterado. Então, olhando para o sorriso ansioso dos lábios marcados por seu beijo, seu gênio arrefeceu. Segurando-a pela lateral do rosto para cariciá-lo com o polegar, assegurou. – Seria capaz de destituí-la caso não tivesse uma excelente explicação. Não quero que nada lhe falte.

– Não falta – garantiu fechando os olhos ao carinho da mão morna. – Ela cuida de mim muito bem...

– Nada além de sua obrigação.

Aquecida também pela atenção dispensada a ela e o cuidado desmedido, Isabella encarou os olhos azuis e sorriu contente; amava-o mais a cada palavra. Como era possível?

– De toda forma a culpa é sua – falou para quebrar o clima intimista que novamente se formava.

– Ah, sim...? – ele arqueou as sobrancelhas e apresentou-lhe um meio sorriso. – E por qual razão seria minha culpa?

– Por atrapalhar meu sono – ela gracejou – Não sei se sabe, mas as noites foram feitas para dormir. Para descansar o corpo, a mente...

– Talvez as noites de algum pobre infeliz que não tenha ao seu lado a mulher que...

Com a abrupta interrupção a moça conteve a respiração. Edward pareceu fazer o mesmo enquanto a olhava intensamente em evidente consternação. Nenhum dos dois se atreveu a falar por alguns instantes, até que ele mesmo sorrisse com disfarçado embaraço e reformulasse a frase incompleta:

– As noites são dormidas em sua completude por aqueles que não têm uma bela companhia.

– E os elogios estão de volta!

Isabella se admirou com seu tom leve a despeito do tremor que sentia. Rogava por todos os santos que a palavra calada não contivesse uma declaração de amor. Ainda tinha o coração aos saltos quando teve sua mão segura e beijada antes que o barão assegurasse de forma galante.

– Eles nunca se foram... Agora vamos ao nosso almoço.

Sem nada argumentar, a jovem se deixou levar até a sala de jantar onde dois lugares postos os aguardavam; assim como Marie e outra criada, prontas para lhes servir.

Com altiva polidez, Edward afastou a cadeira para que Isabella se sentasse antes de assumir seu lugar; o galgo inseparável deitou-se entre os dois.

– Nero nunca esteve tão desregrado – comentou. – Ele sabe que não tem permissão de estar aqui.

– Ah! – ela exclamou compadecida a olhar o cão. – Não o mande embora. Ele está comportado.

– Nunca iria separá-lo de você. – Edward sorriu apaziguador. – Desde que não se volte contra mim.

– Obrigada! – agradeceu contente, enternecendo o barão.

Edward se perdia no sorriso franco; tanto que não percebeu a aproximação da nova governanta até que esta lhe segredasse com discrição.

– Já fiz como o recomendado barão. Tudo está no quarto de Lady Rosalie.

– Obrigado! – ele respondeu ainda mais satisfeito. – Agora pode nos servir.

– Sim Milord.

Com a concordância servil, auxiliou a criada a atendê-los. Mesmo que refém de seus pensamentos, Edward reparou no comportamento contido da ajudante que, sem olhar diretamente para ele ou sua mulher, circulava-os para servir seus pratos. Mérito de Marie, ele teve a certeza. Estava claro que a nova governanta comandaria a criadagem com a mesma rigidez de Elizabeth.

Um auspicioso acerto, o barão congratulou-se. Ainda mais quando para ele os contornos de seu futuro se definiam e a vontade de trazer Isabella definitiva e oficialmente para sua vida cada vez mais forte. Olhando-a de soslaio a viu recusar uma segunda porção de arroz com refinada graça e educação. Pouco a conhecia, era verdade, mas considerava-a adequada para acompanhá-lo onde quer que fosse.

Sua mãe seria atacada por constantes disritmias e seus sais se fariam muito mais necessários, pois sua escolhida não lhe traria dote em dinheiro, terras, nem prestígio, contudo parecia certo que jamais se casaria com outra além dela. Tal certeza o levava a estranheza de seus próprios atos. Ainda não entendia o que lhe travou a língua impedindo-o de declarar seu amor. E quem entendia a reação dos apaixonados afinal?

– Posso perguntar-lhe uma coisa? – Isabella murmurou inclinando-se na direção do barão; salvando-o de procurar por respostas que desconhecia.

– O que desejar – liberou, ansiando que tivesse ele mesmo tal consentimento para questionar o que quisesse.

– É que não pude deixar de ouvir o que Marie lhe disse... – começou incerta, movendo o garfo sobre um canto vazio do prato. – O que mandou levar para o quarto de sua irmã?

– Que no momento serve como seu – ele acrescentou e então tomou um gole d’água.

– No momento nem sei qual me serve... – ela troçou para encobrir a verdade; a curiosidade vinha exatamente por aquele motivo. Era como se lesse seus pensamentos.

– O meu! – Edward assegurou; contudo aquele não era o tema. Voltando à pergunta, saciou-lhe a curiosidade livre de preâmbulos. – No quarto que serviu como seu, estão algumas coisas que encomendei para você.

– Para mim?! – poderia esperar qualquer resposta, menos aquela. – O que poderia ser?

– Ao término do almoço poderemos conferir se tudo está como pedi. – Edward avisou. – Veremos juntos o que pode ser.

Saboreando o brilho contestador que surgia nos orbes negros, o barão voltou a partir elegantemente um naco de carne com a ajuda dos talheres de prata. Esperou pela insistência que não veio. Tanto melhor, pensou, pois queria a surpresa.

– Muito bem... – Isabella anuiu, dedicando-se também ao seu prato. Não iria forçá-lo uma vez que faltava pouco para ver o que ele havia encomendado para ela. Até lá se ocuparia dele. – Como foi sua manhã?

– Tranquila – disse satisfeito. Ela era sua mulher, tanto que lhe dispensava as mesmas atenções. – Estive na obra da ponte.

– E como está? – indagou; com um leve aperto em seu coração.

– Progredindo aos poucos – a secura da resposta independeu de sua vontade; assuntos indigestos eram discutidos por todo casal, não? – Quando menos esperarmos ela estará de pé.

– Que não seja tão breve. – Isabella rogou exibindo um sorriso morno.

– É o que quer? – Edward uniu as sobrancelhas. – Que demore?

– Não que demore – falou rolando uma ervilha com os dentes do garfo, sem coragem de encará-lo. – Afinal temos que seguir com nossas vidas... Qual é o tempo previsto para a conclusão?

– Mais ou menos uns trinta dias – sua voz exprimiu mais calor; Isabella não queria partir.

– É um bom tempo – o sorriso antes fraco ganhou nova força ainda que fosse direcionado para o prato. – Ainda teremos muitos dias para ficarmos juntos.

– Não é um bom tempo! – deixando o talher na borda do prato, o barão segurou a mão disposta sobre a mesa; apertando-a significativamente. – Um mês é quase nada, mas será suportável vê-lo findar agora que sei como se sente.

A forma como ela se sentia em nada mudava o rumo dos fatos, porém não lhe diria; não poderia e no momento havia algo mais a perturbá-la. Sustentando o olhar intenso, a jovem se deixou aquecer pelo aperto forte de sua mão na esperança de acalmar seu coração temeroso com o que lhe esperava no quarto cedido.

– Esqueçamos o final, pois estamos apenas em seu começo – pediu ensaiando um sorriso. – Por ora apenas um final me interessa... O deste almoço. Quero saber o que encomendou para mim.

Isabella mudara de assunto deliberadamente, Edward bem o sabia. Contudo não insistiu afinal o tema não o agradava. Como ela, o nobre preferiu se dedicar à refeição mantendo o silêncio que era quebrado vez ou outra pela aproximação da criada ou por algum comentário irrelevante que não sustentava conversas muito longas.

Ao término da refeição, já livres da companhia de Nero que os deixou para receber a sua própria comida, cada qual movido por sentimentos díspares e ansiosos por deixarem a mesa, dispensaram a oferta de uma sobremesa alternativa. Pêssegos conservados em calda, visto que a doceira não esteve presente toda a manhã. A pressa que os levava para a escadaria e então ao corredor superior rumo ao quarto de Rosalie estava justamente relacionada à falta da criada; ambos ansiavam especular sobre as compras encomendadas.

– Não vai mesmo me dizer o que é? – Isabella indagou quando já estavam se aproximavam da porta.

– Verá com seus próprios olhos. – Edward soou enigmático para provocá-la. Antes que ela se precipitasse, segurou a maçaneta da porta e pediu. – Por favor, não se aborreça com minha intromissão. Talvez eu devesse ter lhe consultado, mas quis lhe fazer uma surpresa. Promete...

– Sabe que está me matando, não sabe? – a moça encarava-o aflita; não era boa com surpresas. – Deixe-me ver do que se trata, então saberá se me aborrecerei ou não.

– Pois muito bem... – o barão então a deixou entrar.

Ao dar um passo à frente, imediatamente o olhar da jovem foi atraído para as caixas de variados tamanhos e cores dispostas sobre a cama. Não precisou desfazer os laços que primorosamente as fechava para adivinhar seu conteúdo. Não era como se fosse se aborrecer, mas não queria que o barão gastasse seus shillings com ela; nem lhe presenteasse.

Aquele estacar praticamente aos pés da porta não pareceu um bom sinal a Edward. Ele não sabia muito bem o que esperava, mas qualquer reação seria preferível ao estupor. Tocando nas costas, o barão fez com que a moça se movesse até ao lado da cama. Parando ao seu lado, notou que ela analisava as caixas com olhar indeciso. Quando o silêncio se tornou insuportável, exclamou:

– Agora é você que está me matando. Diga alguma coisa.

– Por que comprou estas coisas? – ela arriscou indagar temendo que a voz falhasse.

Decididamente não gostava de surpresas. Tinha consciência de que a ação do barão em nada se assemelhava aos dos homens que vez ou outra surgiam com caixas tão enfeitadas quanto aquelas contendo desde caros vestidos a jóias valiosas, ainda assim o eco maligno da similaridade a perturbava. Não queria recompensas por se entregar a ele, não estava lhe prestando qualquer serviço.

– Por que precisa delas – ele disse simplesmente; era a verdade. – Se abrisse as caixas saberia o que tem nelas.

– Sei o que tem nelas. – Isabella retrucou sem se mover; contabilizou oito caixas no total. – Vestidos, sapatos... Muitos por sinal. Não preciso de tantos, tenho os de sua irmã.

– Estes serão seus. – Edward falou sentando sobre a cama para olhá-la de frente. Segurando-lhe uma das mãos notou o quanto estava fria então acreditou que não se tratava de orgulho. Preocupado, indagou carinhosamente. – Qual o problema Bella? Sei que fui intrometido, mas quis apenas que tivesse algo seu.

– Apenas isso? – ela moveu os olhos negros para o rosto contrito; precisava ouvir para aceitar o que seu coração já sabia; o gesto não era uma compensação por favores sexuais.

– Evidente que sim! – ele assegurou confuso. – O que pensou?

– Perdoe-me! – a jovem rogou. O embaraço tornando seu rosto escarlate com a comparação indevida. Edward merecia uma explicação, mesmo que editada. – Não sou boa em receber presentes. Nem com surpresas tampouco. Deveria ter me dito que pretendia comprar-me essas coisas. Tenho meu próprio dinheiro e...

Foi calada por dois dedos decididos comprimidos contra seus lábios. O leve tremor que sentia neles confirmava a contrariedade que surgia no barão.

– Acaso acredita que tomaria seu dinheiro?

– Não há razão para me dar presentes Edward. – tentou argumentar. – Não quero que se ocupe comigo dessa forma. Sinceramente agradeço a iniciativa, mas pare para pensar... Cedo ou tarde irei embora então...

– Então os levará com você. – Edward soou duro. – Ou os deixará para o dia que voltar. Pois vai voltar Isabella... Sabe muito bem que já faz parte de minha vida e não importa se estamos juntos aqui ou na sua casa. Já lhe disse que vou onde estiver. Então... Apenas aceite esse pequeno agrado e acostume-se, pois ele é nada comparado aos muitos outros que pretendo lhe fazer.

– Perdoe minha insensibilidade! – Isabella reforçou o pedido de desculpas, recriminando-se por magoá-lo quando fora nada menos do que gentil; de fato não estava acostumada a agrados desinteressados. Na tentativa de consertar seu estrago, colocou-se entre o vão das pernas largas e pousou as mãos nos ombros tensos, na base do pescoço. – Como lhe disse não sou boa com presentes... Veja, nem o agradeci. Obrigada pela atenção que teve comigo.

– Não por isso! – Edward ainda relutou em desarmar-se mesmo a segurando pela cintura e trazendo para mais perto. Ainda firme nas palavras, avisou. – E espero que se habitue, pois pretendo presentear-lhe muito mais.

– Você pode me ajudar – ela sugeriu amável, brincando com os cabelos castanhos que mais cedo soltou da fita; Edward não tinha que pagar pelo estrago iniciado por seu pai. – Faça isso my lord... Lembrando-me de ao menos ser educada quando me der um presente.

Como não se render? Passado o efeito da rejeição e o orgulho pela insinuação de que ela poderia pagar por aquilo que precisasse, Edward entendeu que a reação poderia ser um reflexo dos relacionamentos fracassados; se todos os outros não foram capazes de beijá-la corretamente ou realizá-la como mulher, como poderiam tê-la mimado? Pelo visto nem o precioso Embry o fez, convertendo para ele todos os louros pelas mudanças que pudesse operar na vida dela.

– Quando presenteio minhas irmãs – falou já esquecido da breve contrariedade – Elas costumam agradecer com um beijo.

Com o coração acalmado e satisfeita por ter dissipado o clima ruim, Isabella sorriu e depositou um terno e demorado beijo em uma das bochechas do barão.

– Obrigada! – repetiu o agradecimento. – Ainda não vi o que ganhei, mas tenho certeza de que vou gostar de tudo.

– Assim espero – falou sério. – Como também espero que agradeça de acordo com sua posição em minha vida. Você não é uma de minhas irmãs my lady.

Com um sorriso sincero para aquele homem de mente despudorada e alma pura, Isabella segurou-lhe o rosto e tomou posse de sua boca. Edward então a apertou mais pela cintura, colando seus corpos, porém não mais se moveu. Deixou-se ser beijado delicadamente tomando o devido e árduo cuidado de não se excitar. Como se acompanhasse sua intenção, logo a jovem quebrou o beijo e se afastou.

– Agora posso ver o que ganhei? – seus olhos brilhavam ao perguntar.

– Já deveria ter aberto todas as caixas. – Edward comentou; contente com a mudança; aquele era o entusiasmo que desejou ver desde o começo.

Ampliando o sorriso a moça dispensou sua atenção para as caixas. Livre de comparações e restabelecido a paz entre ele, descobria um prazer novo e bom por receber presentes sinceros de alguém que amava. Com dedos apressados desfez o laço da caixa que estava mais a mão. Era grande e rosa. Ao retirar a tampa e afastar o papel de seda que ocultava o conteúdo da caixa, Isabella descobriu um vestido em cetim também rosa, claro dois tons.

Retirando-o da embalagem afastou-se mais da cama para entendê-lo diante do corpo. A moça o considerou gracioso por sua simplicidade. Todo enfeite se dava por uma faixa larga fixada logo acima da barra, era em tecido listrado em rosa e branco e contornada por fina renda. A mesma usada no decote em V e nas mangas que cobririam seus braços até os cotovelos.

– É lindo! – exclamou contente.

A jovem saboreava um sentimento novo; uma mescla de contentamento pela descoberta daquele vestido e a ansiedade em verificar o que mais Edward havia reservado para ela. Instintivamente foi até ele e depositou um beijo breve sobre seus lábios curvados antes de colocar o vestido em seu colo e dedicar sua atenção a caixa similar à primeira.

Nela encontrou outro vestido, novamente em cetim, porém todo cortado por listras verticais; basicamente azul como os olhos de Edward. Os lados do corpete traspassados formavam também um decote em V. As mangas eram um pouco mais curtas do que o primeiro.

– Perfeito! – Isabella novamente foi até Edward e o beijou, entregando-lhe o vestido que ele depositou sobre a cama como o anterior.

O contentamento quase infantil que demonstrava enternecia ao apaixonado barão, mais do que os beijos que recebia. Com o coração em festa, ele a viu abrir a caixa seguinte para, assim como ele, descobrir haver um par de botas em pelica branca que para ele valeu outro beijo. Sem nada dizer as recebeu como havia feito com os vestidos, muito atento ao que mais Leah escolheu para sua futura patroa. Sim, certamente Isabella o seria; para Edward estava muito claro.

Jamais havia percebido o quanto sua vida era incompleta até encontrar alguém que preenchesse as lacunas. Fosse com sentimentos contraditórios; desejos ardentes e exacerbados ou a leveza fresca que a fazia flanar de uma caixa a outra como se em cada uma delas existisse um tesouro a ser descoberto. Até mesmo quando encontrou o espartilho e as pantalonas ela se mostrou satisfeita, porém o agraciou com uma pergunta sugestiva da mulher experiente que havia nela.

– Quer que os experimente para que possa tirá-los?

– Mais tarde com certeza – garantiu rouco. – Agora prefiro que abra as últimas.

As botas de canos mais longos estavam sobre a cama, mas ainda não havia visto as roupas de montaria.

– Vou me lembrar. – Isabella prometeu sentindo seu rosto corado, não pela sugestão, mas pela euforia que sentia a cada presente descoberto.

Restavam duas caixas. Logo a moça tratou de abrir a penúltima e o que encontrou trouxe um olhar de estranheza para a peça.

– Edward? – chamou-o como se estivesse muito distante. – Há algo errado. Isso não pode ser para mim.

Dando-lhe um sorriso completo por onde deixou escapar uma curta risada, o barão assegurou:

– Não há engano. A calça é mesmo para você.

– Uma calça?! – ela maximizou os olhos para ele. – Uma calça para mim?

– Sim... – ele repetiu ainda a sorrir do espanto que causava nela. – Não está vendo? É uma calça de montaria.

– Quer que eu use isso em público?! – Isabella quase engasgou. – Se é para montar posso fazê-lo usando um de meus vestidos como da outra vez.

– Não acredito que nunca tenha visto uma dama usando roupas de montaria. – Edward tentava não se divertir com o assombro, mas falhava completamente.

Sim, era algo raro, mas ela já havia visto. Porém nunca se imaginou em uma. De toda forma, as damas que as usavam, montavam como os homens o que não era o caso dela ou...

– Espera que eu monte atravessada na sela?! – completou seu raciocínio em voz alta. – Como você?!

O barão sabia que deveria acalmá-la, mas não pôde conter que seu riso ganhasse força e se tornasse uma sonora gargalhada.

– Não acredito que esteja rindo de mim! – o espanto cedeu lugar à ofensa. – Nem que espere que eu me vista como um homem! Que monte como um!

Muito bem, Edward pensou tentando domar o bom humor que a exasperava. Como daquela vez estava nítido que não receberia um beijo em agradecimento, decidiu tomá-lo. Num movimento rápido e preciso, prendeu a enfurecida moça pelo braço e a derrubou sobre suas coxas.

– Edward! – exclamou surpresa.

– Mesmo que não tenha gostado do presente, quero meu beijo – com isso tomou-lhe os lábios de assalto e a beijou profunda e apaixonadamente, quebrando a resistência inicial. Quando ela se acalmou em seu colo, livrou-lhe a boca e explicou. – Não quero que se vista como um homem. E se fosse o caso ainda seria muito feminina... Nem tampouco quero expô-la em público. Apenas que se vista de forma adequada para que eu possa ensiná-la a montar como se deve.

– Com uma perna de cada lado da sela? – após o beijo, aninhada entre os braços restritivos do barão a admiração ante o inusitado se tornou esmaecida. – Por que isso?

– Por que sei o quanto gosta de cavalos e considero uma temeridade que não saiba como montá-los – ele esclareceu mirando a boca úmida; tentado a um novo beijo. – E também por que não quero sentir o medo de vê-la machucada como da última vez quando Luna ameaçou correr.

– Aquilo foi horrível – ela estremeceu ao se lembrar.

– Então... – disse apaziguador. – Não quer ser íntima de Luna?

Não fora a intenção, mas a pergunta reacendeu nela o ciúme de Tanya. A dama era familiarizada com a doce égua, tanto que percorria o bosque na companhia de Edward. Se a loira exangue conseguia, ela também o faria. Sem contar no prazer que teria ao dizer a Embry que havia aprendido a montar corretamente, ele enlouqueceria.

– Está bem! – Isabella aquiesceu segura. – Gostarei que me ensine a montar.

– Será perfeito! – Edward podia sentir a súbita determinação que emanava dela. Acomodando-a melhor em seu colo para praticamente sentá-la sobre sua virilha, anunciou. – Começaremos as aulas amanhã ao final de minhas obrigações.

– Amanhã? – ela indagou com um muxoxo. Após a decisão tinha pressa. – Por que não hoje?

– Por que ineditamente já estou atrasado para iniciar meu trabalho na sidreria e ainda irei me atrasar mais – disse retirando a calça das mãos dela. – Quero outro beijo antes de ir.

Pela movimentação que sentia abaixo dos tecidos de suas saias, Isabella soube que Edward desejava muito mais, então o provocou observando inocentemente:

– Ainda falta abrir uma caixa.

– Adianto-lhe que deva ser o restante das roupas de montaria, pois as botas já estão sobre a cama – a voz enrouquecida foi soprada sobre o pescoço que o barão acabara de livrar dos cabelos negros, levando a jovem a fechar os olhos em antecipação ao contato torturador. – Terá que confiar e agradecer-me mesmo sem vê-las.

Extra:

– Eu confio – a garantia saiu num murmúrio, com Isabella incrédula pela ideia que lhe espocou à mente, enquanto Edward lhe arranhava a nuca.

Bloqueando imagens antigas, tendo o coração a bater frenético, estudou-se até se sentir segura no que faria com o intuito de agradecê-lo. Considerando que o barão, por sua generosidade despretensiosa bem merecia, moveu-se rapidamente e o beijou. Edward retribuiu de pronto, segurando o rosto delicado enquanto as línguas se provavam. Com as mãos livres Isabella procurou pelos botões do colete e começou a abri-los.

– Não temos tempo, my lady – Edward murmurou contra os lábios úmidos, segurando-lhe os dedos gentilmente.

– Será breve – ela retornou o sussurro, libertando os dedos, mas não para retomar a abertura dos botões e, sim, ousadamente insinuá-la pelo monte enrijecido que elevava a calça e acariciá-lo.

– Bella...? – Edward iniciou e se calou; surpreso com o toque, pois em tempo algum a moça o fez.

– Ele é tão firme! – Isabella comentou sem nem ouvi-lo. Sabia que sim, pois havia sentido toda aquela rigidez, mas confirmá-la em sua palma, passava a ser uma experiência inenarrável que surpreendentemente lhe trazia água à boca. Expectante, recordando a desconcertante demonstração feita por Lilly com a ajuda de um polegar, ela indagou. – Estaria com tanta pressa que nem me deixaria experimentá-lo?

– Isabella? – Edward exalou rouco. Havia entendido direito? Ela estava de fato propondo fazer aquilo que veementemente negou na manhã anterior? Em sua ansiedade, já esquecido da sidreria, perguntou apenas. – Tem certeza?

Certeza ela não tinha nem mesmo a de se conseguiria, mas não lhe diria, então aproveitou o momento de assombro para escorregar até o chão e passar a desabotoar a calça rapidamente, antes de dizer:

– Deixe-me agradecer meus presentes. Prefiro assim e não como forma de reparação...

Em seu pouco conhecimento, Edward imaginou que talvez sua forma como colocou seu pedido exasperado e não sua intenção em si. Considerando-se um estúpido insensível, porém sem tempo algum para recriminações, o barão nada disse, apenas tratou de retirar o colete rapidamente e baixar os suspensórios para que sua calça, completamente aberta, pudesse ser abaixada.

Na ação Isabella levou a ceroula até o meio das coxas roliças, mas pouco deu atenção a elas. Seus olhos estavam vidrados no falo ereto que tinha diante de si. Sentindo-se estável, muito segura, recordou da primeira etapa da lição e, sem prévio aviso, o lambeu como se fosse uma extensa barra de caramelo; bom, só que nada doce.

Para sua alegria o barão exalou um leve gemido, contudo ela considerou ter sido afoita, então, segurando-o novamente o lambeu. Lentamente daquela vez, desde a base até seu cimo que, ainda sem pressa, rolou em sua língua.

– Bella...

O gemido foi rouco e a envaideceu, levando-a para a segunda etapa da lição. Recordou que a cafetina conseguiu fazê-la rir ao mergulhar o próprio polegar na boca de forma lenta e teatral, mas ali, enquanto descia seus lábios pelo membro volumoso, não viu graça alguma, somente sentiu seus mamilos se eriçarem contra o espartilho e seu centro pulsar invejoso de sua boca.

Ao ser literalmente engolido, o barão passou a grunhir ao tentar não liberar gemidos que sairiam altos demais e seriam completamente inconvenientes pela hora vespertina. Apertando a colcha fortemente para conter o ímpeto de segurar os cabelos negros e se mover de encontro aos lábios que o torturava, deixou-a livre para fazer dele o que bem quisesse, pois notava a falta de experiência; não queria assustá-la ou engasgá-la. Nada que a fizesse desistir de presenteá-lo com aquela boca morna em si.

A lentidão era excruciante, assim como assistir sua amada “mamá-lo” de forma tão faminta, porém o envaidecia por saber que dentre todos os outros, ele fora o escolhido para receber tal carinho. Tal consciência o excitou mais, levando-o a avisá-la:

– Não aguentarei muito mais my lady... – após uma breve pausa para a retomada de ar, concluiu. – Caso não queira engolir o que expelir... É melhor parar agora...

Ela queria engolir fluidos masculinos? Isabella não sabia. Sua tutora não lhe disse nada quanto àquilo, então seguiu seus instintos. Estava quase atingindo a satisfação sem nem ser tocada e não queria parar. Temendo que aquele fosse o certo a se fazer e que o barão a detivesse, finalmente segurou-o e chupou-o mais. Alcançou seu orgasmo quando Edward não conteve um gemido agoniado e derramou-se em sua garganta. O sêmen a assustou inicialmente, mas estava envolvida demais para adoecer, então apenas tratou de engoli-lo, saboreando seus tremores e os do barão.

Ao término do ato, sem forças, Isabella caiu sentada sobre os calcanhares e, arfante, calada, correu os olhos para os do barão. Estes estavam escuros acentuando a intensidade vista na face muito vermelha e suada. Igualmente a sorver o ar aos bocados, Edward se recompôs sem desviar o olhar da moça abaixo de si. Com a ceroula e a calça no lugar, devidamente abotoada, ele ergueu os suspensórios e murmurou a única qualificação que encontrava para resumir tudo o que considerava dela:

– Você é perfeita!

– E você delicioso, my lord! – Isabella revelou sentindo seu rosto corar ao completar a ousadia. – Quem iria querer sobremesa afinal?

– Sim, você é perfeita! – Edward reiterou envaidecido; como não amá-la mais?

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Depois me contem!... :)Hoje não vou me estender muito, pois estou aqui envolvida com um certo vampiro... Vejo-as no grupo ou nos reviews... Bjus meninas, tenham um lindo final de semana!