Borboleta Negra
18 Capítulo Dezessete
Notas iniciais
Edward demorou alguns segundos até entender toda ação. Esperava por aquela reação quando a beijou pela primeira vez, não naquele momento, após tantas liberdades consentidas e declaradamente apreciadas.
– Bella! – Edward chamou ainda sem sair do lugar. A moça sequer olhou para trás enquanto se embrenhava mais no bosque. Somente então o barão a perseguiu, chamando mais uma vez, com maior firmeza. – Isabella.
Como ela não o atendesse, nem parasse, Edward correu para alcançá-la antes que suas largas passadas abrissem mais a distância entre eles. Quando apenas a extensão de seu braço os separava, precipitou-se a capturou.
– Isabella o que houve?
Por sorte a breve caminhada curou a ânsia inoportuna, deixando somente o embaraço a lhe tingir a face. Sem atinar como explicaria sua fuga Isabella foi girada e segura pelos ombros para que encarasse o barão. Mortificada, ela via nos olhos azuis questões que jamais responderia. Não haveria lógica plausível que justificasse ter mantido relações sexuais sem que sua boca não tocasse seus parceiros em parte alguma. Nem razão para macular ou abreviar uma das raras e melhores coisas que acontecia em sua vida, então simplesmente pediu embargada antes que Edward se pronunciasse:
– Pode esquecer o que aconteceu agora? Não sei o que me deu...
Edward não queria prometer porcaria nenhuma, mas tendo-a trêmula sob suas mãos e vendo que estava prestes a irromper num pranto, foi contra sua vontade e prometeu:
– Sim, eu esqueço! Porém, por favor, não chore.
Com a delicadeza demonstrada, Isabella se comoveu mais, mas não chorou. Apenas se culpou por consterná-lo então, abraçou-o fortemente, sem nada dizer.
– Isabella, você está me assustando – o barão avisou a embalá-la. – Diga alguma coisa. Eu a escandalizei tanto assim?
Seria possível? Evidente que sim, Edward se repreendeu pela libertinagem que anulava seu tato. Precisava aprender a lidar com as verdades dispares de Isabella; tão distintas entre si como duas faces de uma mesma moeda. Não poderia apenas se pegar à mulher experiente que se despia sem pudores. Deveria também ter cautela com a moça deflorada, provavelmente sem cuidado, que corava ante ao não convencional.
– Bella, eu não deveria ter sugerido tamanha obscenidade.
– Edward, não se desculpe – ela pediu com voz sumida. – Tem liberdade para me pedir o que quiser. Minha reação é que foi exagerada.
– Nisso concordamos – ele gracejou para animá-la mesmo que a fuga o abalasse. – Bastava negar.
– Eu sei – ela se afastou para olhá-lo.
– Seja lá o que lhe deu, já passou? – Edward indagou, segurando-lhe o rosto.
– Já... – assegurou em tom arrastado, sentindo seu rosto novamente esquentar antes de admitir. – Apenas estou mortalmente envergonhada, mas não queria me desculpar, pois como já disse, parece que sempre voltamos às mútuas desculpas.
– Vê? – Edward lhe sorriu. – Estamos nos entendendo bem, pois prefiro que não o faça. Afinal a culpa é totalmente minha, eu ultrapassei os limites de minha corte avançada. Merecia outra bofetada.
– Talvez da próxima vez – ela o acompanhou no humor.
Considerava-o ainda mais digno por não forçá-la a dar explicações, por tentar livrá-la do embaraço. A mulher que não amasse aquele homem seria uma tola. Engolindo seu ciúme, desejou que Tanya Cullen lhe reconhecesse as qualidades.
– Podemos voltar ao nosso passeio então? – Edward sugeriu; refreando a vontade de aninhá-la nos braços, dando a ela algum tempo.
– Podemos. Caso queira podemos ir à biblioteca – sugeriu; ler os ocuparia, distraindo-os de assuntos indigestos e perigosos.
Edward por sua vez não considerou boa ideia ficar num cômodo fechado onde facilmente inventaria formas de burlar sua decisão.
– Podemos fazer isso depois do almoço, talvez possamos jogar xadrez na varanda – ele opinou. – Conhece as regras?
– Sim, as conheço. Seria perfeito! – Isabella apreciou a sugestão, adorando a disponibilidade de seu amante.
Com um sorriso satisfeito, finalmente recuperado da corrida inexplicável, o barão a tomou pela mão e a guiou de volta, tirando-a daquela parte mais densa do bosque. Iria levá-la de volta a sua casa, quando uma súbita ideia espocou em sua mente, mudando seus planos.
– Antes do xadrez quero que conheça alguém. Caso fiquem amigas, talvez ela aprimore seus dotes culinários.
O coração de Isabella diminuiu no peito e o ar lhe faltou mesmo que o espartilho estivesse frouxo. Quando falou a voz parecia grudada às paredes de sua garganta.
– E quem seria?
– Uma cozinheira muito talentosa. – Edward respondeu e lhe sorriu.
Com a resposta o sangue de Isabella gelou. O barão não poderia apresentá-la a Sue Wood. Seria descoberta; provavelmente humilhada pela omissão e então expulsa. E daquela vez quem lhe indicaria a saída seria o senhor da casa. Com a iminência do rechaçar precoce e abrupto suas pernas pesaram como chumbo, redobrando o esforço de Edward ao puxá-la.
– Não quero conhecer ninguém! – Isabella respondeu o questionamento mudo quando ele a encarou.
– Por que não? – Edward uniu as sobrancelhas; considerando custoso relevar seu estranho comportamento daquela vez. – Vai gostar dela.
– Eu já lhe disse – ela se pegou ao que pôde. – Não sou boa com elogios e se for apresentada à cozinheira terei que fazê-los para não parecer indelicada... Por favor, não me force.
Naquele momento o barão quis ter o poder de lhe perscrutar a alma, pois talvez descobrisse a razão de tantos bloqueios. Contudo, como não poderia, comentou muito intrigado.
– Não deve ser tão ruim dizer a Leah que ela cozinha bem.
Antes que dissesse qualquer palavra, Isabella desejou que o alívio sentido não estivesse refletido em sua expressão. Calando um riso de alívio que provavelmente sairia histérico, pigarreou. Como não se lembrava de alguém com aquele nome, considerou-se fora de perigo, respirou fundo e aquiesceu.
– Estou sento infantil novamente. Você tem razão. Não há de ser tão ruim, afinal ela merece todos os elogios.
– Não todos. – Edward esclareceu ainda intrigado com o que a atormentava. – Ela é de fato uma cozinheira talentosa, mas quem nos prepara os melhores pratos é Sue Wood.
– Não imaginei que haveria mais de uma cozinheira – comentou. – Só há você e a baronesa na casa.
– De fato – ele admitiu, tornando a puxá-la pela mão para que o seguisse. Daquela vez, porém, ela voltou a caminhar lado a lado e sem se importar com quem quer que fosse o barão não lhe soltou a mão. – Mas não se iluda se pensa que o serviço de uma delas seria dispensável. Cada uma cuida de preparos diferentes. Os pães, torradas, biscoitos e doces são feitos por Leah e o restante pela Sra. Wood.
– Não quero parecer bisbilhoteira – ela retrucou já livre do temor –, nem interferir em sua gestão doméstica, mas ainda me parece muito para tão poucas pessoas.
– Isso porque pensa em mim e em minha mãe – ele rebateu satisfeito por voltarem a conversar livremente. – Mas, e se eu lhe dissesse que elas também cozinham para alguns trabalhadores? Ainda consideraria extravagante ou ostensivo manter duas cozinheiras?
– Elas preparam a refeição dos trabalhadores de Apple White?! – Isabella verdadeiramente se surpreendeu e reverteu completamente sua opinião.
– Não de todos. – Edward acalmou-a e riu com gosto pelo espanto. – Antes que me considere um explorador, saiba que somente cozinham para os homens que trabalham na produção da sidra e para os criados da casa.
– Ah... – evidente, ela pensou. Então o acompanhou no riso. – Estava mesmo prestes a acusá-lo.
– Mais uma vez provo como combinamos – ele gracejou. – Agora li sua mente.
– Leu sim... – ela concordou.
Agradecia que tal temeridade não fosse possível quando Edward apertou sua mão e comentou subitamente sério, como se de fato tivesse o dom da telepatia.
– Queria que fosse possível Isabella. Queria saber o que a faz mudar significativamente, muitas vezes sem qualquer motivo aparente.
– Edward...
– Tudo bem – ele a interrompeu. – Talvez eu não deva saber.
Isabella tinha certeza que não devia. E como não havia o que replicar, manteve-se calada, sentindo o aperto firme de seus dedos sem reclamar. O barão se perdia em seus próprios pensamentos, considerando que seria melhor continuar ignorante ao que a transformava. Deveria apenas se ocupar de livrá-la de seus fantasmas.
– Vai gostar de Leah – ele comentou, retomando o assunto. – Ela é uma boa mulher.
– Você parece gostar muito dela – observou com uma ponta de ciúme.
– Sim, gosto muito – o barão confirmou alheio ao sentimento despertado. – Eu a considero uma boa esposa para Jacob.
– Esposa de Jacob... – Isabella espirou as palavras num murmúrio inaudível. Recriminando-se pelo alívio sentido disse em voz alta. – Se for como o marido, eu posso dizer que também gostarei. Seu amigo é bem agradável.
– E bisbilhoteiro, não se esqueça. – Edward retrucou; lembrar da rusga o fez rever sua decisão em visitá-lo, mas não a mudou. Precisava daquela distração para ambos.
– Vou me lembrar.
Já haviam deixado o palacete para trás. Tinham ao lado, um pouco distante, o estábulo e o caminho que levava aos fundos da construção principal. A frente se via os casebres dos funcionários, distanciados uns dos outros. Ao vê-los Isabella percebeu o quanto a sucessão de acontecimentos tumultuosos a dispersou, tornando-a negligente. Se passear ao redor do palacete representava um risco aceitável, ali era inadmissível, afinal havia morado numa daquelas casas com seus pais.
Não importava que após a perda dupla tivesse sido entregue aos cuidados de Sue nem levada para que dividisse com ela o quarto que ocupava; anexo à cozinha. Estar naquele trecho de Apple White era o mesmo que desfilar pela ala dos criados; muito arriscado.
– Em qual deles Jacob mora? – Isabella indagou ao se aproximarem; precisava sair da área aberta.
– Aquele que está fechado. – Edward indicou o primeiro. – Ainda não voltaram da cidade.
– Vamos embora, então? – Isabella pediu, ocultando sua aflição ao ver surgir uma senhora na porta da casa vizinha.
– Pensava em esperá-los – ele respondeu conferindo as horas em seu relógio de ouro, aumentando o crescente desespero da moça, pois a senhora desceu os poucos degraus diante de sua casa. Assinando sua sentença, acrescentou. – Já devem estar chegando.
– Podemos voltar à tarde – ela sugeriu.
– Não temos nada a fazer... Está uma bonita manhã – ele tocou suas costas empurrando-a gentilmente até a varanda. – Vamos esperá-los.
Não havia argumentos para negar, então Isabella se deixou levar, seguindo a aproximação da mulher com sua visão periférica. Tão logo sentaram, a senhora, vestida com humildade, parou diante da varanda.
– Milord... – ela murmurou a guisa de cumprimento, com um inclinar da cabeça ornada de grossas tranças grisalhas em respeito ao seu senhor. Isabella reconheceu a lavadeira antes mesmo que ela a questionasse com um sorriso incerto. – Então é você a hóspede? Que bom que voltou menina!
As palavras lhe fugiram apenas por um segundo. Desesperada, movida pela necessidade de preservação, Isabella indagou com as sobrancelhas unidas:
– Voltei?!
Ao se calar olhou para Edward, tão ou mais receosa do que Kate Brown. Seu coração estava aos saltos, porém recorria à frieza que lhe ajudou a sobreviver após deixar aquelas terras. Estava claro que precisaria, pois a senhora não se abateu e insistiu amável:
– Sim, menina! Não está lembrada de mim?
Isabella não queria ser obrigada a mentir, então voltou a encarar o barão desejando que ele entendesse seu pedido mudo e a salvasse de tão embaraçosa situação. Porém a questão do nobre elevou o temor da moça.
– Do que está falando Sra. Brown?
– Da menina de Sue, Milord. – respondeu. Para ela, indagou. – Como é mesmo seu nome?... Desculpe-me por esquecer. Minha memória não é mais a mesma.
– Sou Isabella Swan, senhora – disse com firmeza. – E não sou a menina de alguém que possa conhecer.
Não mentia. Com o tempo se provou que pertenceu apenas aos seus pais e ao deixar aquelas terras, a menina citada havia morrido definitivamente para que outra saísse das cinzas.
– Sem dúvida há alguma diferença, mas ainda se parece com ela... – a mulher comentou amiudando os olhos, indicando que a visão também lhe faltava.
– Está fazendo confusão – o barão finalmente interveio em seu auxílio. – Sei a quem se refere, mas não se trata da mesma pessoa.
Isabella nada acrescentou, longe de sentir alívio.
– Acho que me confundi. – Kate a analisou uma última vez. Então com repentina e evidente consternação no olhar, levou as mãos à cabeça e aflita se dirigiu ao patrão. – Perdão Milord! Enganei-me de fato... Acabo de me lembrar que Sue comentou anos atrás que a neta havia morrido.
– Disso eu não sabia. – Edward comentou, contudo não demonstrou pesar. Apenas severidade ao recomendar. – Seja como for, a senhora deveria ter certeza daquilo que irá dizer antes de interpelar quem nem conhece.
– Mil perdões Milord pelo engano e pelo abuso. Desculpe-me Milady...
– Não deve me tratar assim. – Isabella a corrigiu apressada, ainda digerindo a informação de que, para todos os efeitos, estava de fato morta. – Afinal sou plebéia.
– Muito bem senhorita – ela se retratou embaraçada. – Realmente me desculpe. Vou deixá-los... Se pretendem esperar pelos Black, saibam que já devem estar chegando. Hoje não fui com eles, pois não me sentia bem.
– Estimo suas melhoras Sra. Brown. – Edward imprimiu a despedida ao voto para que a mulher se fosse.
Isabella não notou a rispidez contida no timbre de sua voz por estar em silenciosa oração, agradecendo a preservação de sua identidade apesar do susto que a levou a duvidar que suas preces houvessem sido ouvidas. Aquele reconhecimento fracassado valeria para se manter vigilante. Não baixaria à guarda nem mesmo sabendo da morte a separá-la do que antes fora. Ainda restava Sue.
– Não precisava tê-la corrigido – o barão a livrou das considerações, tão logo Kate os deixou. – Que mal há em ser tratada por Milady?
– Nenhum – retrucou. – Mas não tenho títulos, nem um pai que o detenha.
Edward sabia, no entanto, um marido nobre eliminaria aqueles detalhes. Contudo tocar no assunto, especialmente naquela manhã, seria estupidez.
– De fato não tem – ele disse antes de comentar para afastá-los do tema. – E veja só... Eu comentando a amiguinha de minha irmã sem saber que estava morta. Acredito que Rosalie sentirá quando souber.
– Acredito que sim... – retrucou vaga; não era como se estivesse magoada, mas ainda assim se ouviu acrescentar. – Ou talvez não. Você não sentiu.
– Já comentei que mal a conhecia – ele deu de ombros; indiferente. Olhando em frente como se vislumbrasse seu passado, prosseguiu. – Convivemos pouco menos de dois anos. Nossos caminhos se cruzavam raríssimas vezes e sempre com a menina a correr com minha irmã. Era muito pequena. Está certo que ela viveu aqui até os quinze anos, ainda assim nunca a vi crescida. Quando eu vinha para Apple White durante as férias mal a vislumbrava. Rosalie reclamava que sua companheira ficava chata, sem querer frequentar os mesmos lugares da casa durante a minha presença, ficando praticamente confinada na ala dos empregados. Vergonha talvez. Não saberia dizer, então...
O barão não concluiu nem era preciso. Isabella sabia de todas aquelas coisas, por essa razão não se ressentia. Não deveria ter comentado sua indiferença. Eles eram de mundos diferentes e idades discrepantes. Não importava o quanto fosse apaixonada por seu eterno príncipe, sempre soube seu lugar. Com isso arreliou a amiga que inúmeras vezes a tratou, não somente por chata, como com muitos outros adjetivos negativos. Não, Edward não contara nenhuma novidade.
Isabella poderia rir com a lembrança, caso seu encantamento de criança não somente tivesse ressurgido como se confirmado ser amor. Contudo, não apenas a intensidade de seu sentimento havia mudado; seus mundos estavam ainda mais distantes. Quando se escondesse novamente, não seria numa inocente cozinha. De toda forma não havia o que lamentar e, sim, agradecer pela oportunidade de ter seu príncipe em sua vida. Com isso, como ele, deu de ombros e concordou:
– Não há razão para lamentos. Melhor deixarmos os mortos em paz.
– Sábias palavras. – Edward então a olhou enquanto lhe aprisionava uma das mãos e a levava aos lábios. – Prefiro me ocupar das moças vivas.
– Disso eu sei! – Isabella lhe sorriu, contente com a proximidade atual; trancando o passado em seu coração. Quando o barão virou sua mão e correu a língua pela palma discretamente, encarando-a durante todo o tempo, exalou. – E se ocupa muito bem...
O estremecimento corria seu corpo quando ouviram o tropel dos cavalos e o ranger de uma charrete. Edward soltou-lhe a mão e se levantou para olhar o caminho.
– Jacob está vindo – anunciou; a rouquidão denunciando que também fora afetado pelo carinho ousado.
Sem nada dizer, Isabella se levantou e esperou. Logo a barulhenta charrete parava diante da casa simples. Jacob os olhou com indisfarçada estranheza, assim como a mulher morena que o acompanhava no banco dianteiro e as pessoas que vinham equilibradas na parte traseira do veículo de madeira. Cada um que descia saudava o barão um reverente inclinar de cabeça e ombros e a ela dirigiam um olhar especulativo e um sorriso em cumprimento.
Isabella educadamente lhes acenou e também sorriu para duas crianças que acompanhavam um casal. A moça não se lembrava de nenhum deles. Nem havia o que temer; para eles estava morta.
A mulher morena ao descer veio até eles visivelmente embaraçada enquanto Jacob avisava:
– Volto num instante Sir Edward. Vou desatrelar os cavalos. Fique a vontade.
O barão simplesmente lhe acenou e voltou sua atenção para Leah que muito vermelha acessava a varanda. Seus olhos vagavam de um ao outros, mas foi com seu patrão que falou primeiro, atropelada.
– Lord Masen... Esperou muito tempo? Não sabíamos que vossa senhoria viria, nós... Eu...
– Nem eu mesmo sabia Leah, acalme-se. – Edward recomendou afável. – Estávamos passeando nos arredores e resolvi trazer Isabella para conhecê-la.
– Conhecer-me?! – o espanto se estampou no rosto terroso, quando ela novamente olhou para os dois. Daquela vez os parou na moça, não mais alta do que ela, e indagou incerta. – Por quê?
Com o silêncio do barão as duas o encararam. Para surpresa de Isabella havia indecisão também no olhar azul. Edward permanecia pálido e mudo como uma rocha. Quando a falta de palavras se tornou desconcertante, a moça respondeu:
– Porque eu pedi. – Leah imediatamente olhou para ela que concluiu. – Eu pedi para conhecer a pessoa que prepara os pães que me são servidos pela manhã. Considero-os divinos.
– De verdade Milady? Digo... Senhorita...
Nesse instante a cor voltou ao rosto do barão e a voz à sua boca. Com o cenho franzido falou antes que Isabella pudesse confirmar o que dissera.
– Por que usou esse tratamento Leah? Ainda há pouco a Sra. Brown fez o mesmo.
– Perdoe-me Milord... – ela pediu envergonhada; novamente aos tropeços. – É que todos a têm chamado assim, então... Acabei me acostumando. Jacob já havia me dito não ser o caso... Foi uma falha imperdoável! Estou confusa em tê-los aqui... Não esperava... Senhorita, por favor, desculpe-me...
Edward, já arrependido da visita pela falta de um motivo para a mesma, naquele momento se condenava completamente. Deveria estar naquele instante desafiando Isabella no xadrez ao invés de expondo-os daquela maneira; descobrindo que os maledicentes tratavam-na pejorativamente como a dama de sua casa. Cogitava tomar Isabella pela mão e partir, quando ela riu, distraindo a tensão.
– Apenas um erro de interpretação – determinou jovial. – Afinal estou hospedada na casa de um barão. Todos devem pensar que de alguma forma possuo algum título... Mas como seu marido lhe disse, não é o caso.
A pobre Leah sorriu quase que às lágrimas enquanto Edward trocou o peso do corpo sobre os pés, ainda incomodado.
– Acredito que deva ter sido exatamente isso senhorita – criada exclamou.
– Isabella – a moça corrigiu estendendo a mão. – É um prazer conhecê-la Leah, seus pães são como uma benção todas as manhãs.
– Obrigada! – a morena baixou o olhar, com o rubor a tingir levemente suas bochechas. – Foi muito gentil ter desejado vir até aqui me dizer pessoalmente.
Gentil demais eram as palavras, Edward pensou. Para uma moça embaraçada que morreria mil mortes caso tivesse que externar um elogio, Isabella parecia muito eloquente. O barão não comentaria e caso desejasse não teria a chance, pois Jacob chegou à varanda e indagou incrédulo:
– Por que ainda não entraram?
– Meu bom Deus! Quanta falta de educação! – Leah se apressou em abrir a porta e lhes deu passagem. – Entrem... Milord, Isabella...
– Acho que devemos voltar outra hora. – Edward não se moveu, aborrecido com o desenrolar da conversa.
– Fique a vontade Sir, mas não creio que esperou apenas para levantar e ir embora – Jacob comentou, então, analisando todos os rostos, acrescentou. – Aconteceu alguma coisa aqui? Algo que o desagradou?
– Absolutamente – o barão negou de pronto.
– Sendo assim ficarão para o almoço. – Jacob determinou para desespero de sua mulher. Edward ameaçou negar, porém o amigo o silenciou. – Eu insisto. É o mínimo que lhe devo depois da forma que nos despedimos ontem. Por favor, aceite.
– Se Leah disser que está tudo bem... – disse para a criada.
– Como meu marido disse, é o mínimo Milord – ela falou com voz mais estável. – Ficaria honrada em recebê-lo novamente em nossa humilde mesa. Aos dois.
– Sendo assim – ele indicou a porta para que as mulheres entrassem e seguiu atrás delas; Jacob veio em seguida.
Uma vez na sala o ar se tornou compacto, com os quatro sem saber o que fazer ou dizer. O moreno então indicou o sofá para as visitas e Leah pediu licença para aviar o almoço.
– Posso ir com você? – Isabella pediu esperançosa por um pouco de trabalho doméstico.
Antes de lhe responder Leah olhou para o marido que lhe assentiu silenciosamente.
– Venha – chamou-a então, exibindo um sorriso tímido.
Tão logo patrão e criado foram deixados a sós, Jacob novamente indicou o sofá e indagou diretamente:
– Por que a trouxe aqui?
– Eu não sei. – Edward revelou; para o amigo poderia falar com sinceridade. – Na verdade eu sei. Havíamos nos desentendido; nada grave. Mas eu não quis ficar a sós com ela então achei uma boa ideia vir para cá.
– Entendi, mas vejo que algo mais o incomoda.
– É que... Até que Leah perguntasse o mesmo, não havia me ocorrido o motivo de ter escolhido vir exatamente para cá.
Edward poderia esperar por qualquer reação, menos que o amigo risse audivelmente, levando-o a se irritar.
– Está rindo de quê? – Edward questionou num ciciar, sentindo-se ofendido com o riso despropositado. – Contei-lhe alguma anedota?
– Não contou... É que eu ainda custava a acreditar, mas agora que a trouxe aqui tive a confirmação. – Jacob começou ainda bem-humorado. – Está apaixonado por essa moça de verdade. Como isso é possível?
– Aviso a você que não estou acompanhando seu raciocínio e gostando muito pouco de seu espanto. – Edward falou com queixo erguido. – Eu já havia admitido meus sentimentos por ela. Acaso agora duvida de minha palavra?
– Não tem uma semana que a conheceu, Sir – o criado o lembrou já recuperado. – Não duvidei que sentisse algo, mas imaginei que confundisse os sentimentos. Essa foi uma das razões de insistir que estivesse indo pelo caminho errado. Expulsou-me de seu quarto por isso...
– Expulsei-o porque tem o dom irritante de não se calar quando deve. – Edward rebateu sem acrescentar que invariavelmente o abelhudo estava certo. – E não entendi que sua certeza tenha vindo com minha visita.
– Principalmente pela visita Sir Edward. – Jacob reiterou. – Eu o conheço bem o bastante para saber que jamais desrespeitaria a casa na qual vivo, trazendo uma mera amante para ser apresentada a minha esposa. Pode negar o quanto quiser, mas o que tem com Lady Tanya se parece com um compromisso e jamais a trouxe aqui... Agora vejo o quanto a senhorita Swan é de fato importante.
O barão pensou um instante e terminou por lhe dar razão. Com isso teve também sua resposta; por ter o casal em alta consideração, quis aproximar aquela que amava a eles.
– Sim, ela é muito importante. – Edward admitiu simplesmente; ignorando o comentário sobre Tanya.
– Sendo assim, o que pretende fazer? – Jacob especulou e acrescentou com cuidado. – Eu não diria nada antes, mas agora acho necessário. Preciso alertá-lo sobre os comentários que...
– Já estou a par. – Edward o cortou. – Marie se adiantou a você.
– Bom... – o criado comentou resignado, sem parecer abalado com a nota de acusação. – Como eu disse não lhe contaria então alguém o faria em meu lugar. E já que sabe, insisto... O que pretende fazer?
– Não sei – disse sincero, coçando o cavanhaque distraidamente. – Só sei que não posso deixá-la ir embora. Preciso arranjar uma forma de mantê-la em minha vida.
– Está pensando em lhe propor casamento?!
Apesar do espanto, o criado indagou num sussurro confidente com evidente consternação.
– Eu já lhe disse que não sei – o barão igualmente sussurrou impaciente, pois aquilo que parecia absurdo para seu criado e até para Isabella, para ele era o mais acertado. Com o cenho franzido alfinetou. – Mas não entendo o espanto. Não foi você mesmo quem salientou o mal que faria a moça caso a tornasse minha amante?
– Apenas para que colocasse a mão na consciência e não fizesse. – Jacob parecia preocupado. – Não estava dizendo para desposar uma completa desconhecida.
– Não vai retomar as acusações, não é mesmo? – Edward inquiriu com velada advertência.
– Não, porém considero temerário que cogite a hipótese – falou ainda a sussurrar. – Acaso já sabe alguma coisa sobre ela?
– Não muito... – era a verdade. Não contaria os detalhes indigestos, porém deu algo ao amigo. – Sei que é órfã... E que tem uma avó que a renega.
– Uma avó a renega? – Jacob franziu o cenho, pensativo. – Ela disse o motivo?
– Não.
– E ainda assim pensa em pedi-la em casamento?!
– Eu não disse que... – Edward não concluiu a negativa. Emitindo um esgar impaciente, jogou as mãos para o alto e se deixou cair sobre o encosto do sofá. – Ah, eu desisto!
– Porque não tem argumentos. – Jacob retrucou presunçoso. – Aposto que até já pensou num anel.
Não havia pensado, mas com o comentário veio à mente do barão um anel herdado de sua avó materna. A pequena coleção fora dividida em sua maior parte entre suas irmãs, porém três estojos com conjunto completo lhe foram entregues para que presenteasse uma futura esposa. Pela simplicidade e cor, Edward escolheria para oficializar um possível compromisso, o anel de ouro branco com diamantes e uma única pérola negra; perfeitamente redonda, rara e de lustro belíssimo.
– Eu sabia! – Jacob tirou o patrão do devaneio. Não havia vitória em sua voz, apenas preocupação. – Não posso ditar o que faz de sua vida Sir Edward, mas como seu amigo e confidente posso pedir que se preserve. Tente saber mais sobre a moça antes de dar um passo tão importante. Caso queira eu posso ir até Wisbury tentar colher informações... Talvez o padre a conheça.
O barão estava com a recusa pronta em sua boca, contudo nada disse. De certa forma seu amigo falava a verdade. Por mais que amasse, não sabia praticamente nada sobre Isabella. Para piorar ela não se mostrava inclinada a fazer revelações concretas, sempre a desviar quando parecia se aproximar de assuntos relevantes. Sendo assim, uma investigação sigilosa seria algo a se considerar. Não que seus sentimentos mudassem com o que soubesse, mas ao menos saberia alguma coisa.
– Vamos dar-lhe mais alguns dias – disse por fim. – Caso eu não consiga descobrir nada por ela, dou-lhe permissão para cruzar o rio.
– Basta pedir Sir Edward. – Jacob assegurou fiel. – Basta pedir.
Presenteando seu criado com um sorriso confidente e agradecido, Edward rogou que não fosse preciso recorrer àquele expediente. Esperava que Isabella confiasse nele para contar o que quer que fosse sobre seu passado, assim como queria igualmente depositar nela toda a confiança. Afinal, aquele não um dos sentimentos que solidificavam o amor? Sim... Tanto quanto era um dos primordiais a destruí-lo quando perdido.
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SPOILER
– Chegar aqui desacompanhada gerou muitos comentários que alimentaram certas teorias, mas todos consideram mais escandalosa a mudança do barão.
– Qual mudança? – Isabella estava de fato interessada; não esperava por aquilo.
– Ah... – a cozinheira exclamou. – Ele tem agido estranhamente desde que a trouxe. Tudo bem que quando a baronesa não está no palácio o barão faça algumas refeições na cozinha, mas agora ele aparece lá toda hora atrás de Marie para saber da senhorita.
– Isabella – ela corrigiu. E não considerando a revelação relevante, retrucou. – Natural que ele queira saber de mim, afinal ele assumiu minha responsabilidade.
– Não é só isso Isabella... – ela negou maneando a cabeça. – O barão aparece mais de uma vez num mesmo dia. Tem também a história de deixá-la montar seu cavalo. Isso nunca aconteceu antes. A senhorita Cullen usa sempre a égua.
Com a menção do nome o coração de Isabella reduziu no peito. Não podia alimentar qualquer espécie de ciúme, ainda assim se ouviu indagar enquanto voltava sua atenção às cenouras.
– E ela vem muito aqui? A senhorita Cullen?
– Uma vez a cada quinze dias – informou sem rodeios, analisando o rosto de Isabella abertamente ao prosseguir. – Sempre aos domingos, ela e a mãe vêm passar o dia com a baronesa. Como é o dia de descanso do barão, ele lhes faz companhia... Por vezes os dois passeiam a sós...
– Entendo – comentou, imprimindo mais força à tarefa, fazendo a tábua estalar sob a faca. – É quando ela monta na égua.
Isabella desejou que a montaria se desse somente na égua, então se repreendeu. Não tinha o direito de desejar coisa alguma que fosse além de a moça citada ter por Edward o mesmo amor que descobrira sentir.
– É sim, mas não precisa ter ciúme.
– E quem está com ciúme aqui? – a pergunta saiu ríspida e apressada. – Não tenho razões para...
– Então não estão juntos? – tão logo proferiu as palavras, a criada mordeu os lábios, visivelmente consternada. – Por favor, perdoe-me... Quanta indiscrição!
Sentindo seu corpo tremer, Isabella pousou a faca sobre a mesa, então espalmou as mãos sobre a mesma para recuperar o fôlego. Não deveria se deixar afetar pela proximidade de Tanya e muito menos com a sabatina.
– Não está sendo indiscreta Leah. – Isabella assegurou. – Não há como negar que o mútuo interesse exista e por enquanto isso é tudo o que interessa. Como não há nada além, não tenho o direito de me ressentir com a aproximação do barão com outras jovens.
– Mas é evidente que tem! – Leah retrucou decidida. – Se está interessada nele e ele em você, tem sim que se importar... Principalmente quando pela outra o barão não tem o mesmo apreço.
– Não tem como saber isso – replicou descrente.
Edward já havia deixado escapar sobre as caminhadas pelo pomar – que ela bem conhecia a utilidade – Marie já havia citado os passeios a cavalo anteriormente, então não tinha como negar que ele dispensava muito de sua atenção para Tanya Cullen.
– Não ouviu nada do que eu disse? – a morena perguntou incrédula. – Todos... Eu disse todos notam a diferença. E se restasse alguma dúvida, teve seu desmaio da noite passada.
– O que tem isso? – Isabella uniu as sobrancelhas.
– Bem, se formos comparar... – Leah depositou a tigela com as batatas sobre a mesa. – Certa vez a senhorita Cullen também desmaiou por causa do espartilho muito apertado. Lord Masen a levou para casa e deixou que a mãe e a baronesa, com a ajuda de Marie e Irina a reanimassem.
– Acredito que com exceção às mulheres a ajudar Marie, comigo aconteceu basicamente o mesmo – a moça deu de ombros, não vendo a relação que pudesse diferenciar o afeto do barão; ela também despertou pelas mãos da criada.
– Isso é que não! – a ênfase capturou toda atenção da moça.
– Como assim...
– Bem... Com a senhorita Cullen eu não vi o que houve, pois o barão a levou para a sala onde a mãe tomava o chá com a baronesa. Contudo Irina nos contou que ele entrou apressado, sim, porém muito calmo e a deixou aos cuidados das mulheres. Então avisou que iria ao galpão e que na volta viria saber sobre a recuperação da jovem... Já com você... – calou-se sugestiva.
– O que houve comigo? – Isabella sentiu que poderia gritar com a morena, caso ela não dissesse de uma vez.
– Ninguém nos contou... – ela começou muito séria. – Todas nós vimos a aflição do barão quando ele entrou com você desfalecida nos braços. Passou pela cozinha rápido como um raio quase nos matando de susto. Marie também se apavorou e foi atrás dele mesmo sem ser chamada.
– Isso não prova nada – ela comentou num fio de voz; em sua mente, imaginar o barão aflito dividia espaço com a revelação de que havia passado pela cozinha. Sue com certeza a viu.
– Talvez, não prove... – Leah prosseguiu alheia à súbita aflição da moça – Contudo, muitas pressionaram Marie para que contasse o que aconteceu. Ela se esquivou de todas, mas acabou contando para mim que o barão parecia estar possuído. Ela disse que ele tentou reanimá-la sem deixar que ela se aproximasse. E quando permitiu, não saiu do quarto em tempo algum.
Saiu quando ela não respondeu o esperado, pensou culpada. Uma parte dela se envaidecia ao aceitar haver sim uma diferença no afeto do barão, porém a outra, aquela sempre ciente de sua verdade, se preocupou.
– Lamento ter causado tanto transtorno ao barão – disse num murmúrio.
– Não lamente, alegre-se. – foi a recomendação jovial. – Afinal já admitiu estar interessada. Qualquer jovem solteira estaria exultante após ouvir o que lhe disse, afinal além de bonito o barão é um excelente partido.
– Sim, ele é... – como discordar? Edward era o melhor. Então com a verdade veio a curiosidade e antes que notasse, perguntou. – Como ele pode ainda ser solteiro?
– E quem sabe? – ao responder vagamente, a morena levou a tigela para uma bancada onde começou a lavar as batatas. – O antigo barão e a baronesa tentaram arrumar-lhe alguns casamentos, mas nunca deram certo. Agora a mãe tenta dissuadi-lo sozinha, insistindo numa união com a senhorita Cullen, mas não vejo futuro.
Exatamente a mesma opinião de Marie, Isabella pensou, finalizando o fatiar das cenouras para entregá-las a mulher que acrescentou quando a moça parou ao seu lado.
– Talvez o barão estivesse esperando a pessoa certa.
– Talvez... – a moça murmurou aérea, correndo os olhos para a porta que dava para o quintal; subitamente necessitada de ar, perguntou. – Há mais alguma coisa que possa fazer para ajudá-la?
– Não – disse apressada. – Daqui eu assumo, obrigada!
– Então vou dar uma volta por seu quintal. Importa-se?
– Fique a vontade, mas não vá muito para a direita, pois a Sra. Denali cria porcos é não nada cheiroso para o lado da casa dela.
– Não irei.
Tão logo a moça pisou no terreiro de terra batida caminhou alguns passos para a esquerda. Não para fugir do mau cheiro, apenas pela recomendação, pois sua mente vagava longe. Não sabia o que pensar, somente tinha a certeza de que fizera tudo errado. O primeiro erro e o mais estúpido de todos fora voltar à Apple White. Como se não bastasse reincidira na insanidade de amar o barão que para o bem de seus pecados parecia nutrir o mesmo sentimento, não sendo somente paixão.
Talvez supervalorizasse as informações de Leah que por sua vez, poderiam já ser exageradas pelo repasse boca a boca, contudo não queria ser a causadora de desilusões amorosas para Edward.
E com tudo isso havia Sue. Se o barão passou com ela pela cozinha com a velha estando no cômodo, as chances de tê-la reconhecido eram grandes. Caso tenha acontecido, o que ela poderia esperar? Um escândalo? Uma abordagem sorrateira? Talvez fosse o caso de partir o quanto antes. Quando ainda poderia haver salvação para o coração do barão ou para evitar uma delação embaraçosa.
– Aí está você! – Edward exclamou às suas costas.
Ouvi-lo naquele momento soou como uma zombaria do destino que mostrava a ela ser incapaz de se afastar por aqueles dias. Como a chacota não poderia ser incompleta, sua ideia de deixar Apple White se esvaiu quando foi abraçada pela cintura e recostada contra o corpo sólido do barão.
– Edward – ela começou tentando se soltar – não acho certo me abraçar assim. Não aqui...
– Não podemos ser vistos – ele avisou apertando-a mais. Curvando-se sobre ela, apoiou o queixo espinhento sobre seu ombro nu e falou ao seu ouvido. – Você se afastou da casa. O que veio fazer aqui sozinha?
Mesmo com ele atado às suas costas, Isabella tentou olhar em volta. De fato estava distante das construções em meio às primeiras árvores daquele trecho de mata. Como seguiu uma linha relativamente reta, não fora difícil ser encontrada. Interessante era se descobrir tão distraída ao ponto de não notar seu rumo, nem ouvir a aproximação de seu amado.
– Estava pensando – admitiu.
– Acho que a proibi de pensar, não? – Edward gracejou na tentativa de anular a preocupação. – Pedi que apenas sentisse.
– Você me faz sentir muitas coisas, com isso sou levada a pensar – ela retribuiu o gracejo, brincando com a verdade enquanto estremecia com aquele arranhar sensual de sua pele. Edward embaralhava suas ideias.
– Então sempre serei o grande responsável quando burlar minhas ordens, pois ainda quero fazê-la sentir muitas outras coisas.
Ao se calar beijou-lhe o ombro e a curva do pescoço que ela instintivamente tombou para o lado oposto. Quando ele prendeu-lhe o lóbulo da orelha entre os lábios e o chupou, Isabella expirou um gemido baixo, seu corpo reagindo in continenti.
– Por favor, não faça isso comigo... – ela rogou sentindo seu centro pulsar.
– E o que estou fazendo? – o barão soprou em seu ouvido, correndo uma das mãos para seu ventre e a outra para a curva abaixo de um seio.
– Está me fazendo desejá-lo mais quando já o quero em demasia – ela novamente admitiu; não havia o que esconder. – Não me torture dessa forma.
– Então quer o poder de tortura exclusivamente para si? – Edward indagou, prensando-a mais contra ele, mostrando além do volume das saias, o quanto ela também o afetava. – Não gosto que fique pensando sozinha. Parece que conspira contra mim...
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