Borboleta Negra

42 Capítulo Dez


Notas iniciais
Oie... E não é que atrasei novamente, aff... Mil perdões!A autora na pressa em terminar a fic está cada dia mais sequelada, mas eu chego lá... :DAmores, obrigada pelos comentários. Dessa vez consegui responder alguns, infelizmente não todos. Sinto uma falta danada, acreditem... Amo conversar com vcs, msm que assim, sem bate papo. Obrigada tbm pela indicação Luzinete. Quanta saudades de ti menina! Apareça no face, todas sentem saudades. Agora, vamos ler?BOA LEITURA!

Enlevado, o barão ainda saboreava o beijo, sorrindo discretamente, quando se voltou para regressar ao seu lugar. Foi então que a realidade o abateu; não estava sozinho e, sim, com sua mãe, sua futura noiva e sogros a esperá-lo nos primeiros bancos. Caso fosse possível Edward deixaria a todos e partiria para Apple White, já muito ansioso pelo reencontro com Isabella, porém, não somente estava impedido de fazê-lo, como deveria encenar sua farsa até o fim.

Enquanto seguia de volta ao seu lugar, o barão reafirmava para si a relevância em desposar a senhorita Cullen. Naquele momento, mais do que nunca, aquela ligação se fazia necessária. Evidente que sim, pensou resignado. Sua mãe ficaria contente, e ele teria uma esposa para manter as convenções enquanto ilicitamente tivesse nos braços daquela que amava. Com esperança renovada, pouco lhe importava o quão desrespeitoso seria seu caso ilegítimo ou o fato de jamais desejar sua esposa como à sua amante.

Quanto àquela questão o barão compadecia-se de Tanya, pois a moça se esforçava em agradá-lo nas vezes em que ficavam sós, sem jamais inspirá-lo a romper as regras. Diferentemente com o que ocorria ao estar com Isabella. No breve instante em que a teve em seus braços, ansiou estar com ela, nela, como nunca aconteceu durante os beijos trocados com Tanya.

Ainda assim não voltaria sua palavra atrás. Edward entendia que ainda era cedo para se indispor com Carlisle, pois nada estava acertado com sua jovem amante. O barão temia que, ao descobrir-lhe a intenção, o banqueiro tomasse alguma atitude que os afastasse, afinal, o cavalheiro ainda tinha o controle sobre a moça. Além daquele breve encontro e uma promessa, Edward nada tinha. Inferno!

Novamente o barão sentiu o anel a queimar seu bolso, agora ansioso por oficializar sua futura união. Por sorte, ao aproximar-se do banco, todos se levantaram. A cerimônia havia chegado ao fim; hora de seguir adiante. O barão cogitava encerrar o ato ali mesmo, pedindo a mão da moça diante do altar para então poder partir, porém a voz lamuriosa de Carlisle o deteve.

– Sinto-me indisposto. Podemos partir imediatamente?

– Por certo... – Edward anuiu; franzindo o cenho.

O banqueiro não parecia padecer de alguma enfermidade. Tinha as bochechas coradas e o corpo livre de qualquer tremor, ainda assim, apoiou-se nos braços de sua esposa e filha até a saída da igreja, onde, educadamente dispensou as amigas de Tanya e seus familiares.

– Agradeço a presença de todos em nosso jantar e a adorável companhia para a missa, mas receio não estar em condições de estender nossa comemoração – disse em escusa.

Enquanto todos tranquilizavam-no e Tanya, por sua vez, reclamava a nova mudança de planos, Edward novamente bloqueou as vozes ao seu redor, analisando o rosto do banqueiro atentamente. Não poderia ter certeza, mas desconfiou que o senhor tivesse conhecimento de seu encontro, e que, talvez, até mesmo desconfiasse o que nele se passou. Evidente que não perguntaria, então tratou de cumprimentar quem vinha falar-lhe, apertou todas as mãos que lhe eram estendidas até que Carlisle os fizesse seguir até sua casa.

Tanya pisava duro, mantendo o semblante carregado por sua raiva genuína enquanto o pai abafava breves gemidos. Por um instante Edward considerou se estaria sendo injusto e o banqueiro de fato padecesse de alguma dor. Jamais iria desejar combater um rival alquebrado, então se adiantou para oferecer seu braço.

– O que sente Sir Cullen? – indagou tocando-lhe o ombro.

– Dores de velho, meu jovem... Não se preocupe.

Apesar das palavras o banqueiro aceitou o apoio e se deixou ser amparado pelo barão.

– Há algo que eu possa fazer? – Edward se odiava por se preocupar, porém não conseguia ser diferente. – Não seria melhor esperar aqui? Eu poderia ir até vossa casa e voltar com minha carruagem.

– Não é necessário, estamos quase chegando a minha casa, obrigado!

– E então vamos prosseguir com o combinado, não? – Tanya indagou as costas dos dois.

O momento em breve chegaria, Edward pensou, porém o banqueiro o surpreendeu ao negar.

– Lamento minha querida, mas isso terá que esperar.

– O quê?! – A moça quase gritou. – Não papai, por favor...

O novo adiamento não pareceu providencial ao barão, elevando a curiosidade do nobre a níveis insustentáveis que o levaram a dividir a inquietação da moça e demais mulheres.

– Eu poderia saber o que há? – Edward indagou a meia voz ao banqueiro.

– Quando chegarmos a minha casa saberá. – foi tudo o que o Carlisle disse. – Acho que todos nós precisamos conversar para que não haja erros futuros.

Sim, ele sabia, pensou o barão, tentando entender o que sentia. Decididamente não era raiva e muito menos ciúme, pois naquele instante o banqueiro em nada parecia um homem capaz de manter alguém como Isabella em sua cama. Fosse como fosse, sua resposta não inspirou novos comentários, assim todos seguiram em silêncio até chegarem à mansão.

Apesar do adiantado da hora, novamente foram recebidos pelo criado que lhe tomou os casacos, cartolas e afins, liberando-os para seguirem até a sala sem acessórios sobressalentes.

– Bem, já que a noite de meu noivado foi arruinada, peço licença a vossas senhorias para me recolher – Tanya anunciou girando seus cachos com petulância, seguindo para a escada; talvez na tentativa de adiar a conversa sugerida pelo pai.

– Não, não vai – Carlisle a reteve seguro. Aparentemente recuperado de alguma dor que possa ter sentido, demonstrou ser aquele homem decidido que Edward conheceu em seu jardim, meses atrás. – O que tenho a dizer é para ser ouvido por todos.

– Querido – Esme começou delicadamente –, não acha melhor deixarmos isso para depois? Está tarde, não se sente bem... Como disse Tanya, uma vez que não haverá noivado...

– O que tenho a dizer é breve. – O banqueiro a cortou gentilmente. Ao ter a atenção de todos para si, prosseguiu, encarando o barão. – Hoje, durante a missa, tive o pressentimento de que essa vossa união com minha filha não será bem sucedida.

– Papai?! – A moça engasgou, deixando os pés da escada onde havia estacado para vir parar diante do senhor resoluto. – O que está dizendo?

– Carlisle?

Esme Cullen veio se juntar à filha, assim como a baronesa se acercou do barão para pousar uma das mãos em seu ombro. Edward por sua vez não sabia o que pensar. Não lamentava por perder Tanya, mas temia o que aquela recusa poderia significar quanto a sua futura ligação com Isabella. Considerando que aquela atitude talvez representasse um perigo iminente, muito empertigado, Edward indagou:

– Por que diz isso Sir Cullen? Até bem pouco tempo atrás fez questão de salientar o quanto faria gosto em nossa união.

– Perdoe-me discordar senhor barão, mas se não se lembra, recordar-lhe-ei – Carlisle disse impassível. – Em nossa última conversa, em Apple White, eu lhe disse que meu pensamento havia mudado.

– Ainda assim consentiu que eu fizesse a corte a vossa filha. – Edward sustentava-lhe o olhar, toda a compaixão sentida no caminho de volta se esvaiu por completo, cedendo lugar ao ressentimento anterior; velho ardiloso era o que banqueiro era. – E também permitiu que chegássemos até este ponto.

– Exatamente! – Tanya exclamou, indo até Edward para apoiar-se no braço vago. – Permitiu nossos passeios. Que fôssemos às festas como um casal. Como ficará minha reputação?

– Não como um casal. – Carlisle rebateu. – O que corre a boca miúda não passa de especulação. Então sua reputação não sofrerá qualquer abalo aos olhos de todos, e confio que o barão não tenha lhe faltado ao respeito durante os poucos passeios. E em todas as festas Lord Masen nos acompanhou como amigo...

– Que seja! – O barão o cortou; impacientando-se. Para o nobre não se tratava da filha e, sim, da disputa por sua amante. Carlisle sabia de sua intenção e, afastando-o de uma deixava claro que o afastaria de outra; não poderia permitir. – Como amigo ou pretendente permitiu minhas visitas, nossos passeios... Permitiu que hoje eu viesse até vossa casa com a intenção de pedir a mão de Tanya em casamento, então esta recusa não faz sentido algum.

– De fato não faz sentido querido... – Esme tocou no braço do marido.

Após um suspiro profundo o banqueiro olhou para todos a sua volta até fixar o olhar nos olhos inquiridores do barão. Perscrutando-lhe o rosto, pediu:

– Por favor, acompanhe-me até meu escritório. Quero falar-lhe em particular.

– Papai, essa conversa...

– Despeça-se de Lord Masen e vá para o seu quarto, Tanya. – Carlisle a interrompeu firmemente. – Esme, por favor, faça companhia à baronesa. Prometo não me demorar.

Sem esperar por respostas ou argumentos, o banqueiro seguiu decidido pelo corredor, em nada se parecendo ao velho encarquilhado que aceitou o apoio do jovem barão. Ao que parecia, pensou Edward, aborrecido, ele não era o único a arriscar alguma encenação. Tão logo os cavalheiros entraram no escritório, Carlisle fechou a porta e indicou uma das poltronas.

– Sente-se, por favor.

– Estou bem de pé. – Edward ocultou as mãos trêmulas nos bolsos de sua calça. – Disse às senhoras que seria breve, então...

– Desarme-se meu jovem. – pediu o banqueiro, acomodando-se. – Somos amigos, esqueceu?

– Sendo assim... – o barão começou, sem sair do lugar. – Seja sincero e diga qual a razão de negar a mão de vossa filha.

– Esta recusa, meu caro, é a maior prova de minha amizade. – Carlisle retrucou inabalável. – Sinceramente nunca pensei que de fato intencionasse propor casamento a Tanya. Permiti a corte e os passeios por confiar que sempre a respeitaria e que, com o tempo, apenas a amizade prevalecesse. Quando soube que não seria assim, chamei-o até o banco, porém nossa conversa acabou sendo adiada.

Edward apenas trocou o peso de seu corpo sobre os pés, incomodado com a lembrança. Como nada dissesse, o banqueiro prosseguiu:

– Era minha intenção pedir-lhe que não fizesse o pedido esta noite. Aliás, nesta ou em qualquer outra noite sem que tivesse plena certeza de que deseja levar esse compromisso até o fim. O passo que deseja dar é grandioso e amo demais minha filha para entregá-la a um matrimônio sem amor.

– Entendo...

O que mais ele diria? Ali, diante do rival, depois de ter estado com Isabella, pareceu-lhe insólito argumentar. Subitamente Edward sentiu o peso dos anos que ainda viriam caso desposasse Tanya e este o levou a arquear os ombros, arrefecendo seu espírito combativo. Aquele homem dissimulado, que tentou ser nos últimos meses, não era ele, pensou, envergonhando-se fortemente.

– Sei que entende – falou o senhor, encarando-o. – Lembre-se também que minha filha poderia processá-lo caso futuramente desfizesse o noivado. É isso o que deseja?

– Por certo que não! – Edward de fato se ofendeu, pois, com ou sem amor, iria até o fim caso persistisse naquela loucura. – Minha palavra é única.

– Justamente por essa razão, peço que a retire agora. Eu... – naquele ponto a voz do banqueiro fraquejou, antes que prosseguisse. – Pensei que isso se desse ontem. Como não foi assim... Transferi minhas esperanças para hoje... Achei que depois da missa, sua desistência viesse naturalmente.

Estava claro, mesmo que Sir Cullen ocultasse o significado de cada palavra. Novamente não falavam de Tanya, e era estranho imaginar que, mesmo afirmando o contrário, o banqueiro se importasse mais com sua amante que com a própria filha. Aquele senhor, sem dúvida, amava Isabella em demasia e não desistiria facilmente; inferno!

– Há algo mais que gostaria de me dizer? – Edward indagou, encarando o banqueiro duramente; estava farto de evasivas, seu peito rugia enciumado. Se aquele era o momento da disputa, que jogassem abertamente.

– Por certo, meu jovem barão. – Carlisle admitiu recuperando sua segurança, sustentando-lhe o olhar. – Há várias coisas que eu gostaria de lhe dizer. Coisas que provavelmente abalariam sua fé na boa índole das pessoas; que o fariam amar mais, ou odiar ferrenhamente aqueles a quem teve apreço.

– Pois então diga! – Edward demandou; temendo o que viria, porém ansioso por qualquer informação que o senhor pudesse revelar. Não importava o que de terrível lhe disse sobre Isabella, precisava saber. Muito trêmulo, o barão retirou as mãos dos bolsos para corrê-las pelos cabelos. – Por Deus Sir Cullen, diga o que mudará minha opinião sobre... Sobre todas as pessoas.

– Aí é que está! – O banqueiro ergueu as mãos em sinal de derrota. – Meu senso de dever não me permite fazê-lo. Gostaria de poder ajudá-lo, acredite. Porém não posso.

Sir Cullen... – O barão começou, entre dentes, fazendo força sobre-humana para não exasperar-se. Perdendo totalmente o receio e a cautela questionou. – É algo sobre Isabella Swan.

O banqueiro suspendeu a respiração e, imitando seu convidado, correu as mãos pelos cabelos até então impecavelmente organizados num austero penteado. A inquietação do anfitrião alimentou o ciúme do barão. Estava a ponto de insistir, quando Carlisle desconversou:

– Não necessariamente sobre ela, mas... De certa forma coisas que a envolvem.

– O quê? Agora que começou, termine!

– Não comecei coisa alguma, apenas fui sincero ao responder-lhe – Carlisle se pôs de pé, para encarar o barão quase que a mesma altura. – E tudo o que tenho a dizer é, as aparências enganam. Então, não confie em tudo o que vê.

Como a reserva há muito havia sido abandonada, e o tema inicial completamente esquecido, Edward ergueu o peito e se atreveu a indagar:

– Com isso devo entender que fala de si? Que o julguei erroneamente ao acreditar que a mantenha como amante?

– Minha ligação com ela é irrelevante. Assim como o que pensa saber sobre nós. – O banqueiro retrucou, aparentando certo cansaço. – O que de fato importa é ver o quanto se mostra interessado em Isabella quando, minutos atrás, desejava firmar compromisso com minha filha. O que “eu” devo entender milord?

O barão cogitou revelar o que sentia. Dizer que na verdade era “ela” a quem queria por esposa, assegurando estar preparado para assumi-la, porém jamais se exporia daquela maneira. Então, empertigando-se mais, tratou de encerrar a reunião.

– De minha parte não há nada a ser entendido. E se não temos mais assuntos em comum, peço vossa licença para partir. Está demasiadamente tarde para estendermos minha visita.

– Ah, meu caro barão... – Carlisle exalou num suspiro longo e profundo. – Em se tratando de Isabella, sempre teremos assuntos em comum.

– Não, não teremos! – O barão negou seguro, seguindo até a porta para deixar aquela casa o quanto antes. Quando a tivesse para si não a dividiria com mais ninguém, muito menos com o banqueiro. Já com a mão na maçaneta, falou. – Obrigada pelo jantar e, perdoe-me se causei qualquer constrangimento a vossa filha.

– Não causou. – assegurou o banqueiro antes de detê-lo. – E milord...

Edward já deixava o escritório quando se voltou para encarar o rival.

– Sim?

– Não quero que os fatos dessa noite alterem nosso relacionamento. – Como se soubesse o que sentia o barão, acrescentou – Não sou seu oponente, acredite. Quero apenas o que for melhor para todos. Posso contar que me entende e que ainda voltará à minha casa... Conto com vossa presença em meu aniversário.

O barão demorou a assimilar as palavras do banqueiro. De todas as coisas que povoavam sua mente, comemorações eram as últimas a serem consideradas, porém, apesar do que foi dito, não se indisporia então, muito sério afirmou:

– Estarei aqui na data acertada. Até lá, passar bem!

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O coche guiado por Sam, que a levava para longe do barão, sacolejava sobre o cascalho do caminho, porém Isabella sequer notava. Enlevada, ela mantinha uma das mãos a cobrir sua boca, como se daquela forma pudesse guardar a lembrança dos lábios de Edward nos seus.

– Não é possível! – murmurou junto aos dedos ainda trêmulos. – Eu não o vi... Não o beijei... Tudo não passou de ilusão, afinal... Esta noite ele ficaria noivo, não?

Na falta de alguém que lhe saciasse a curiosidade, Isabella fechou os olhos com força, obrigando-se a pensar. Cobrindo o rosto com as duas mãos, ela teve parte de sua resposta; o cheiro de colônia e tabaco impregnava suas palmas, não fora ilusão. Então, de fato devia um encontro ao barão. Cumpriria a promessa?

– Ele sabe quem eu sou e me aceita... – novamente murmurou, considerando as possibilidades. Estremecendo acrescentou ao léu. – Porém não sabe o que eu faço... Neste sentido nada mudou.

Melhor esquecer aquele encontro, aconselhou-se. Contudo, a lembrança muito vívida do abraço urgente, que exprimiu toda saudade do barão, derretia sua determinação. Sentia-lhe tanto a falta que o breve instante de intimidade a acendeu por inteiro, apagando todas as informações passadas por Carlisle. Naquele momento não lhe importava ter a resposta sobre o noivado, Tanya, nada. Apenas queria mais do pouco que teve.

– Edward pediu que eu determinasse hora e lugar... – sussurrou esperançosa. – Assim, talvez possa dar certo.

– Senhora?

A voz incerta de Sam a sobressaltou. Esteve tão entretida com seus pensamentos e sensações que sequer notou quando pararam diante do jardim, fechado para as atividades naquela noite santa. Como não haveria a possibilidade de ser vista, Isabella deixou a boleia livre do véu, para se juntar ao criado. Este fechou a porta do coche com os olhos baixos antes de indagar:

– Está aborrecida comigo senhora?

A moça demorou alguns segundos até que entendesse as palavras.

– Desapontada. – corrigiu segura. Ao notar o curvar de ombros do homenzarrão a sua frente, ela se compadeceu, porém não voltaria sua palavra atrás. Apenas explicou: – Tenho que confiar cegamente em você Sam e hoje deixou que alguém se aproximasse sem qualquer aviso.

– Não “alguém” senhora – Sam argumentou, arriscando olhá-la. – “Ele”... Sei que é diferente e... Confiei.

– Sei que não fez por mal, ainda assim foi arriscado. Eu o deixei, esqueceu? Ele poderia fazer uma cena. Não se lembra do nosso último encontro?

– Lembro-me mais de como ficou após o último encontro senhora. – o moreno rebateu mais seguro. – E de como se inquietou ao imaginar que ele pudesse ter me seguido. Sei o que sente e considerei que, se conversassem, não tivesse que ser dessa forma. Não gosto de vê-la sofrer.

O coração de Isabella, abalado pelos últimos acontecimentos, se quebrou. E não poderia rejeitar a lógica de seu segurança, se acaso se entendesse com Edward e, mantivesse o relacionamento da forma que sempre quis, muitos de seus problemas seriam resolvidos.

– Muito bem Sam... – Isabella falou brandamente. – Agradeço o cuidado, sei que não fez por mal, mas vai me prometer que isso nunca mais se repetirá.

– Senhora... O barão não lhe faria mal.

– Prometa Sam! – ela demandou firmemente. – Preciso de sua palavra para que possa voltar a confiar. Edward é diferente de Laurent, porém nem ele deve se aproximar sem meu consentimento, então prometa.

– Tem minha palavra senhora. – Sam a atendeu, estufando o grande peito.

– Melhor assim. – ela murmurou. – Se quebrar sua palavra ficarei de fato aborrecida.

– Não acontecerá – assegurou. – Agora entre. A noite está demasiadamente fria.

Isabella não sentia o frio noturno. Seu corpo ainda queimava com a força do abraço e a intensidade do beijo, porém atendeu seu criado. Após as despedidas, seguiu para a porta principal do jardim. Ao entrar agradeceu o silêncio que a envolveu. Sabia que a comemoração de Natal que todos os anos faziam entre si havia durado até poucos minutos além da ceia, e que agora as moças dormiam cada uma em seu quarto; aproveitando a noite de folga.

Ao subir os degraus, Isabella sentia crescer a vontade de cumprir sua promessa e marcar um encontro com o barão. Talvez o fizesse já na segunda pela manhã bem cedo. A perspectiva de ter mais dos beijos invasivos, agora macios, causou-lhe um forte estremecimento que perdurou até que ela se fechasse em seu quarto. Ao trancar a porta, deixou que o calor vindo da lareira a envolvesse e, associando o conforto aos braços quentes de Edward, não refreou um riso fácil que lhe veio aos lábios.

Este não se desfez enquanto ela se despia. Primeiro retirou o vestido, depois as anáguas. Sentando-se na beirada da cama, retirou as botas e as meias. Com um suspiro enlevado a moça se pôs de pé para retirar o corpete e o chemise. E antes que o fizesse, aconteceu. Sem que pudesse prever a presença em seu quarto, Isabella foi agarrada por trás; um braço muito forte prendeu-a pela cintura esguia enquanto uma mão poderosa tapava-lhe a boca.

– Gostei desse quarto, borboleta. Sentiu saudades? – Laurent indagou junto ao seu ouvido, agravando o pavor sentido.

Isabella se debateu incapaz de entender como ele poderia estar ali. Em seu desespero, arranhou-lhe a mão, porém seu captor não se abateu. Antes disso, sorriu manso, exalando seu bafo morno de encontro ao pescoço nu.

– Lute minha gatinha, lute até que se canse, pois não há meios de soltá-la agora que a tenho onde sempre quis. – disse apertando-a mais contra seu corpo grande e forte.

Com essas palavras o ânimo revoltado de Isabella arrefeceu. Não seria sábio de sua parte exaurir-se na tentativa inútil de fuga. Laurent Hunt era infinitamente mais forte e de fato não a libertaria.

– Assim está melhor. Boa menina! – Ele a parabenizou, distribuindo breves beijos ao longo do ombro e pescoço de sua presa, fazendo com que a bili ameaçasse subir-lhe pela garganta ao sentir os lábios e as postas do bigode. – Sinto tanto a sua falta, borboleta.

Isabella o mandou ao inferno, porém seu protesto não passou de um resmungo.

– Eu gostaria de ouvir você dizer o mesmo, gostaria de tocá-la, mas receio que ao soltá-la não o faça, nem me permita, então para mim, você também me deseja. – disse estreitando-a mais, moldando-a ao próprio corpo muito trêmulo. – Não deveria ser assim... Nós nos entendíamos, não?

Não! Mil vezes não! Ela gritou em pensamento, odiando ter aquela mão suada a roubar o prazer de seu beijo. Nunca, em tempo algum se entenderam. Ele jamais passou de um cliente; um dos últimos por sinal. Recebeu-o cinco vezes; cinco vezes que em nada diferiram das demais, nas quais se entregou a homens mais velhos. Não fez com ele nada que justificasse tamanha adoração, e ela sabia que aquele era todo o problema; Laurent Hunt sempre queria mais e principalmente aquilo que não poderia ter.

– Minha oferta sempre estará de pé...

Laurent ainda corria os lábios e o bigode por sua pele, enojando-a mais. Agravando seu terror ao comprimir uma evidente excitação contra suas nádegas. Deus, ela pensou aflita, como se livraria dele?

– Você não precisa de um bordel. Eu posso sustentá-la. – o fazendeiro prosseguiu. – A você e àquele moleque. Por falar nisso, onde ele está?

Isabella então voltou a se debater e resmungar junto à mão em sua boca.

– Está bem. Está bem... – ele anuiu. – Acalme-se. Deixemos o menino de lado. Não é ele que me interessa e, sim, você... Não devemos nos distrair de toda forma. Vim com um propósito borboleta. Dizer-lhe que não gostei de saber sobre seus passeios com o barão.

O choque vindo com aquelas palavras a estacou. Sentindo o sangue gelar em suas veias, Isabella moveu a cabeça em negativa, lutando com lágrimas delatoras que lhe vinham aos olhos. Um temor frio e cru a paralisava por completo; Laurent sabia sobre ela e Edward.

– Não tente negar – ele pediu manso, ameaçador. – Soube por uma fonte segura que esteve hospedada em Apple White... Ficou por lá todos aqueles dias? O que deu ao exemplar barão? Estava a serviço? Acaso ele foi generoso como eu?... E o mais importante. Deu a ele o que me negou? Se, sim, ficarei muito, muito aborrecido e não responderei por meus atos.

Muitas perguntas; nenhuma que merecesse resposta, mesmo que ela fosse capaz de verbalizá-las. E, sim, ela deu de bom grado, não uma, mas várias vezes aquilo que negou a todos. Seu captor não sabia, mas poderia soltá-la sem medo, pois a voz a abandonou ao imaginar todas as coisas horríveis que ele poderia fazer a Edward; ao se lembrar do tiro já efetuado mesmo que por outra mão.

– Eu preciso dessa resposta Amber – ele disse junto ao seu ouvido. – Preciso, pois desde que descobri sua ligação com aquele estafermo, não tenho paz. Ele não pode ter tudo. Não pode ter você, pois é minha. Se não souber o que de fato aconteceu, eu...

Laurent se calou no momento exato em que Isabella lhe tocou a mão que a calava. Sua surpresa se deu por ela não agredi-lo, mas, sim, acarinhá-lo. Seus dedos tremiam tanto quanto os do fazendeiro, porém ela se obrigava a tocá-lo carinhosamente para que confiasse; para que a libertasse. Precisava dizer o que ele queria ouvir, pois era seu dever proteger quem amava. Por Edward seria capaz de qualquer coisa. Como Laurent nada falasse, ela aventurou a mão livre sobre o braço em sua cintura.

– O que está fazendo? – Ele indagou com voz baixa e rouca. – É algum tipo de jogo?

Ela de forçou a negar, sempre correndo os dedos pela mão e pelo braço coberto pelo casaco. Laurent se calou por um instante, então advertiu:

– Vou confiar em você e soltá-la... Se gritar...

Isabella novamente negou; por Edward. Sem novas ameaças, Laurent liberou seus lábios, porém não a soltou. Apenas girou em seus braços para segurá-la de frente a si. Imediatamente a moça pousou as mãos sobre o peito largo para manter certa distância. Há anos que ela não se via naquela posição. Laurent havia envelhecido, porém conservava sua máscula beleza. Lamentável para ele, que esta não a impressionasse e que, para ela, não passasse de um cretino.

– Quanto tempo eu esperei para tê-la assim... – ele lhe sorriu. – O que mudou?

Parecia verdadeiramente confuso, e contente, porém não importava. Odiava-o. E naquela noite ainda mais por ameaçar ao barão.

– Você disse que precisava de uma resposta. – intimamente Isabella se parabenizou por sua voz sair estável apesar do bolo que espremia sua garganta. – Acho que já tenho problemas demais com você para ainda criar outros.

– Então quer falar do nobre esnobe espremedor de maçãs?

– Não! – ela negou segura. – Quero apenas evitar qualquer tipo de confusão desnecessária lembrando-lhe que não abro exceções. Não fico com quem não está na lista, nem dou nada além de sexo aos que estão. E para sua informação, o barão de Westking não é um de meus clientes.

– Assim como eu não sou? – ele perguntou duramente; descrente.

– Assim como você não é – confirmou. – Não gaste sua energia fantasiando o que possa ter acontecido. Apenas hospedei-me em Apple White por alguns dias e, assim que pude, voltei para casa. Não me recordo de ter vivido momentos tão maçantes...

E que Deus lhe perdoasse a mentira, ela rogou. A risada inesperada enregelou-a até a alma, porém o gracejo que a seguiu indicou que conseguia alcançar seu objetivo.

– Eu a entendo minha borboleta. Não tinha como ser diferente. Imagino que nosso nobre empoado deva ser aborrecido até mesmo para as conversas mais triviais.

– De fato o é... – Isabella assegurou, odiando-se por desmerecer o barão para aquele ser vil; era necessário. Assim como tentar ganhar tempo para lidar com aquela presença indigesta, justamente naquele quarto. Forçando-se a um sorriso, ela falou: – Vê? Temos as mesmas impressões. Por que não aceita minha proposta? Eu poderia esquecer o que fez assim nós seríamos amigos. Talvez até nos divertíssemos juntos...

Ao se calar, Laurent perscrutou-lhe o rosto, sem nunca afrouxar o abraço. Depois de correr os olhos por cada detalhe da face delicada, fixou o olhar nos lábios rosados, umedecendo os seus próprios. Quando falou sua voz era ainda mais baixa, muito rouca.

– Esse é o problema Amber... Nunca quis ser seu amigo e a diversão que tenho em mente sempre será outra.

Então ele tentou beijá-la. Para aquela ação Isabella estava preparada. Erguendo o joelho, acertou-o a virilha com precisão. O susto e a dor o obrigaram a soltar sua presa que imediatamente se afastou já a gritar.

– Sam! Angela! Alguém... Socorro...

– Sua cadela ardilosa! – Laurent urrou, segurando-a pelo pé para derrubá-la. Logo estava sobre ela, prendendo-a novamente, agora contra a dureza do chão e seu corpo, para novamente tentar beijá-la enquanto, apressado, apertava-lhe um seio.

– Sam! – ela novamente gritou, debatendo-se. Girando o rosto para que os lábios odiosos de Laurent não maculassem de vez a boca que emporcalhou com sua mão. – Sam!

– Amber? – era Angela já a bater freneticamente contra a porta. – Quem está aí? Abra!

Outras vozes se juntaram à dela e muitos punhos bateram contra a porta, porém Laurent somente recuou ao ouvir o pedido poderoso de Sam.

– Afastem-se.

Laurent então rapidamente se pôs de pé, correndo as mãos pelos cabelos e, antes que corresse para abrir a janela, ainda avisou:

– Não acabamos com isso borboleta. Agora não somente me deve esta falseta, como espero que não esteja mentindo sobre o barão.

– Sam! – era somente o que lhe ocorria, gritar.

Nesse momento ouviu-se um beque surdo contra a porta. Esta não abriu, porém levou o invasor a finalmente deixar o quarto. Laurent mal saltou para noite quando outra investida contra a porta a derrubou com estrondo. Imediatamente o criado entrou escrutinando o cômodo, com a arma em punho. Após um breve olhar para a patroa seminua caída ao chão, correu até a janela aberta, fez pontaria e atirou.

– Sam. – Isabella o chamou, ignorando as muitas mãos que a ajudavam a levantar. – Deixe-o. Talvez não este4ja sozinho.

O criado não a atendeu e efetuou outro disparo, antes de subir ao parapeito e, como Laurent, arriscar-se a saltar.

– Não! – ela tentou impedi-lo, sem sucesso.

– Deixe-o Amber. – Era Angela quem pedia mansamente, obrigado-a a ir até sua cama. – Venha sentar-se.

– Amber, você está bem! – perguntou uma das meninas; a cafetina não atinava quem uma vez que todas falavam ao mesmo tempo.

– Aqui, tome! – ordenou outra a lhe estender um copo com água.

– Vai passar, fique calma... – pediu uma terceira, enlouquecendo-a.

– O que houve? Quem entrou aqui?

– Quem poderia ser? – Isabella indagou cansada, depois de tomar toda a água oferecida.

Sir Hunt?! – exclamaram duas ou três moças.

– Ele nunca desiste? – Maureen indagou ao tomar-lhe o copo; os rostos adquiriam forma.

– Canalha? – Kate vociferou. – Ele machucou você?

– Não. – Isabella assegurou. – Não teve tempo. Consegui chamá-las.

– Graças a Deus! – disseram todas.

– Sam não deveria ter pulado... – Isabella olhou em direção à janela, preocupada. – O que fará?

– Seja o que for será muito bem feito ao biltre! – Angela disse enraivecida.

– Ele pode estar ferido...

– Não está – a velha meretriz tranquilizou-a. – Esqueceu que sua janela fica acima da lavadeira? São dois lances até o chão.

Não, ela não havia esquecido, porém considerava arriscado da mesma maneira. Sir Hunt saltou com segurança; teria sido daquela forma que entrou? Não, Isabella determinou. O invasor destrancou a janela para sair e não deveria saber onde encontrá-la, então...

– Como ele veio parar em meu quarto? – indagou repentinamente causando confusão entre todas. Como nenhuma lhe respondesse, Isabella se pôs de pé, vestiu seu penhoar e voltou a perguntar – Como? Como ele pôde entrar aqui?

– Como poderemos saber? – Susan devolveu a pergunta. – Estávamos dormindo e acordamos com seus gritos...

– Ele não invadiu meu quarto agora – a moça esclareceu com um estremecimento. – Estava a minha espera.

– Tem certeza? – foi Kate quem questionou. – Está nervosa e pode ter se confundido.

– Não há confusão – ela retrucou beirando ao aborrecimento, abraçando-se na tentativa de parar os tremores. – Ele estava aqui.

– Muito bem... – disse Angela – Ele estava aqui, mas como espera que uma de nós lhe diga como conseguiu entrar?

Antes de externar o que lhe ia à mente, Isabella olhou para cada rosto ansioso que a encarava. Não poderia acusá-las, nenhuma delas, pois sabia que não seriam capazes de expô-la ao perigo que Laurent lhe representava. Com exceção a Maureen e Susan, todas as outras eram testemunhas de seu estado após a última visita do fazendeiro àquele quarto, contudo mesmo elas sabiam que um novo encontro jamais poderia ocorrer.

– De fato – disse por fim –, vocês não têm como saber. Perdoem-me.

– Está nervosa – Angela veio abraçá-la. – Todas nós entendemos... Agora acho melhor cada uma voltar ao seu quarto. Deixem que eu tome conta de Amber.

– Ficarei bem... – a jovem foi até a janela para olhar o breu em meio às árvores. – Vá também descansar.

– Não a deixarei até que Sam volte – Angela assegurou, indo até ela para tirá-la da janela.

– E nós? – uma das moças questionou com voz incerta. – Devemos ir ou ficar?

– Podem ir – Isabella as liberou se voltando para olhá-las. – E obrigada a todas.

Com breves despedidas e votos para que ficasse bem, uma a uma das meretrizes deixou o quarto, pisando sobre a porta caída. Com a saída de todas Isabella ficou a olhar o corredor; sentindo-se violada com a mesma violência com que Sam arrombou a porta. Não por ter sido tocada e ameaçada, mas por ter a esperança nascida num beijo roubada cruelmente pelo vil fazendeiro.

Fora tola e romântica ao acreditar que poderia voltar aos braços do barão, pois nunca estariam em segurança. Cedo ou tarde Sir Hunt os descobriria e somente Deus poderia saber o que faria a ambos. Não era cristão de sua parte, pensou a moça com um estremecimento, mas intimamente rogou que Sam alcançasse Laurent e resolvesse aquela questão fazendo bom uso de sua arma.

– Amber... – Angela a chamou, tocando-a nos ombros. – Você está tremendo, venha se deitar.

Subitamente a jovem cafetina se descobriu sem forças e se deixou levar. Deitou a cabeça sobre as coxas da amiga que logo acariciava seus cabelos. Cansada física e mentalmente, vendo sua última chance se esvair, ela se encolheu e chorou manso.

– Shhh... Não chore. – pediu a meretriz. – Quer me dizer o que aconteceu?

Isabella apenas negou com a cabeça, tocando os lábios, procurando a sensação do beijo para eliminar a do toque do fazendeiro. Angela não insistiu então as duas mergulharam num silêncio tenso, onde uma chorava sentida e a outra acarinhava, tentando acalmá-la. Minutos depois as duas se sobressaltaram com a chegada de Sam. Imediatamente Isabella se levantou para analisá-lo. Com exceção ao evidente embaraço, ele parecia estar bem.

– E então...? – ela indagou; ainda esperançosa.

– Eu o perdi. – Sam disse ao chão. E novamente a moça se recriminou, pois, depois do que foi dito naquele quarto, preferia que Laurent não mais vivesse. Antes que pudesse dizer qualquer palavra, seu criado a encarou e pediu: – Perdoe-me senhora. Essa noite eu falhei por duas vezes.

– Duas vezes? – Angela estranhou. – O que quer dizer?

– Não falhou vez alguma – Isabella tentou tranquilizá-lo, ignorando a curiosidade da amiga. – Não tinha como prever que ele estaria aqui, e na igreja...

– Agi sem pensar – ele corajosamente a cortou, talvez movido por seu orgulho. – Deixei que ele se aproximasse e isso quase custou sua confiança em mim e depois...

Sam se calou e fechou os olhos fortemente, assim como as mãos que apertou em punhos severos.

– Olhe para mim Sam – Isabella demandou, aproximando-se para tocar-lhe o braço. Sabia o que se passava em seu íntimo e quis tranquilizá-lo. Ao se atendida prosseguiu mansamente, a voz rouca pelo choro recente. – Você não falhou. Estava aqui para me socorrer. Eu estou bem, vê?... Ele não me feriu.

– Eu poderia não ter ouvido gritos – retrucou. – Se não estivesse correndo os cômodos por ter desconfiado ao descobrir a porta da cozinha destrancada, estaria longe, em meu quarto. Se ele novamente...

– Não se martirize. Ele não me machucou então não pense nisso. – ela pediu com maior firmeza, interessada no que ouviu. – Você disse que a porta estava destrancada?

– Sim... – ele confirmou seguro. – Tão logo deixei o coche nos fundos, tentei usar minha chave para entrar e a porta simplesmente abriu.

– Oh!

As palavras lhe faltaram. Isabella não queria desconfiar de suas meninas, nem de Brenda, porém foi inevitável. Seria muita coincidência tal esquecimento justamente na noite em que ela e Sam se ausentaram.

– Amber – Angela a chamou. – Não está pensando...

– Infelizmente estou – ela confirmou segura, secando o rosto com as mãos ao encarar a amiga. – Tenho uma traidora em minha casa.

– Brenda pode ter se descuidado – a mulher opinou. – Já está velha e cansada. E participou de nossa comemoração... Ingeriu algumas taças de vinho. Você sabe que ela não tem esse hábito.

– Não creio. – Sam refutou a explicação. – Não foi um mero descuido. Essa noite foi escolhida para que ele viesse. Sir Hunt persegue minha senhora há quase quatro anos. Ele conhece seus hábitos, sabia que ela iria à missa, e veio. Seria muita boa sorte, por milagre, encontrar a porta destrancada. Não tenho dúvidas, alguém o ajudou.

– Mas quem? – Angela questionou, correndo os olhos de um ao outro.

– Não tenho como saber – Sam respondeu, empertigando-se. – Porém agora não confio em nenhuma das moças e espero que as senhoras façam o mesmo. Fiquem atentas. De minha parte senhora – ele disse diretamente para Isabella. – Reforço minha palavra de que falhas nunca mais ocorrerão. Desde nobres aos mais reles plebeus, não permitirei que se aproximem.

– Obrigada e, por favor, deixem-me sozinha.

– Senhora...

– Amber, nós precisamos...

– Dormir – ela completou num murmúrio, cansada. – Por favor, deixem-me...

Novamente muito trêmula Isabella abraçou o próprio corpo na tentativa inútil de estabilizar-se. Após uma leve hesitação, ambos a atenderam. Sam deixou a porta de pé, bloqueando as saída para que ela tivesse privacidade; a moça não se importava.

Como estava deitou, cobrindo-se até o pescoço e fechando os olhos com força. Queria calar seus pensamentos, mas não podia. Naquele instante não lhe importava saber quem a traíra, mas, sim, reafirmar o que já sabia em tudo o que fora dito por Sam; Laurent sempre a seguiria de perto não deixando a mais remota possibilidade de se encontrar com o barão às escondidas. Surpreendente que não tivesse descoberto onde Embry se encontrava.

Com o pensamento um novo tremor a percorreu. Sim, fora tola e romântica ao acreditar que poderia ser feliz. Com o coração fundo no peito ela determinou não mais permitir que encontros como aquele entre ela e o barão. Na manhã seguinte faria um bilhete chegar até ele e, a partir dali, confiaria em Sam que não o deixaria se aproximar, e trataria de ficar fora de seu caminho; definitivamente.

Notas finais
Bom, o que acharam? todas prontas para socar o Laurent? A Bella não vale, msm ela merecendo às vezes... kkMinhas lindas, indo dormir, "falarei" pouco. Hoje mais tarde, no mais tardar no sábado, eu trago o capítulo 11... Bjus em todas. Linda sexta!