Borboleta Negra

37 Capítulo Cinco - Parte II


Notas iniciais
Oie... Boa tarde amores... Vou tentar arrumar os capítulos aqui até segunda de forma que fique igual ao facebook...

Obrigada pelos reviews, vcs são umas lindas...

Agora, vamos ao capítulo...

BOA LEITURA!

Por sorte Carlisle não demonstrou interesse em segui-lo quando o barão anunciou sua partida. Enquanto instigada Draco a correr mais, Edward aprimorava os detalhes de seu plano. Se o velho banqueiro o queria no seio de sua família, seu genro ele seria e com isso estreitaria os laços. Estaria mais perto até que um dia lhe tomasse a amante. Estar casado com Tanya seria um mero detalhe que também manteria a baronesa feliz, o que lhe deixaria livre para que vivesse como bem lhe aprouvesse. Se um velho sexagenário mantinha uma vida dupla, por que ele, jovem ainda, não poderia fazê-lo?

Satisfeito em sua nova determinação, o nobre contava o tempo de estar com Tanya, já arrependido de não ter chegado àquela conclusão anteriormente. Para seu aborrecimento não pôde simplesmente liberar o andaluz diante de sua casa, sendo obrigado a levá-lo de volta ao estábulo. Livrando-o do arreio rapidamente, afagou-lhe a cabeça e partiu a passos largos para casa. Entrou pela cozinha e, ignorando Sue Wood, seguiu até a sala de estar onde a baronesa costumava receber suas visitas. Como esperado encontrou as três mulheres ao redor da pequena mesa de chá.

Milord! – Tanya exclamou ao vê-lo, pondo-se de pé; o sorriso iluminando-lhe a face rosada.

O cumprimento, tão parecido ao tratamento empregado por outra nos momentos de intimidade causou certa estranheza ao barão, mas não o aborreceu. Esboçando um fraco sorriso, dirigiu-se a mesa para tomar a mão de cada senhora para galantemente beijar.

– Mamãe...

– Ah, fico tão feliz que tenha voltado a tempo!

A baronesa lhe sorria enlevada. Sem respondê-la, o barão tomou a mão que Esme Cullen lhe estendia. Era mais velha do que Elizabeth, porém igualmente bonita ainda que tenha perdido o viço da juventude. Talvez fosse o frescor não encontrado na esposa que atraísse o banqueiro para os braços da amante. Na verdade pouco lhe importava as razões, o rival que aproveitasse enquanto tivesse tempo!

– Senhora Cullen... – após beijar-lhe os dedos indagou: – Como tem passado?

– Muito bem obrigada! – Ela também lhe sorria contente. – Posso comentar o quanto está bonito em sua nova aparência?

– Já comentou, não é mesmo? – gracejou; forçando os lábios a manterem o sorriso. – Obrigado!

Com isso Edward finalmente se voltou para Tanya. A moça se mostrava inquieta a espera de sua atenção. Depois de segurar-lhe as duas mãos estendidas, o barão as beijou demoradamente antes de erguer os olhos para o rosto ansioso.

– E a senhorita? Como tem passado?

– Bem, obrigada! – garantiu alargando o sorriso. – E tenho certeza de que ficarei melhor agora que chegou para me resgatar daqui.

– E eu poderia saber do que exatamente eu a resgataria? – indagou soltando-lhe as mãos para cruzar as suas às costas.

– Dessas duas senhoras – Tanya indicou com um muxoxo. – Estão aqui a enumerar as muitas mazelas trazidas por um inverno que ainda virá...

– Passei por isso ainda há pouco. – Edward se mostrou solidário. – E se não compartilha desse mesmo sofrimento, o que me diz de darmos um passeio pelo jardim?

– Se mamãe permitir... – Tanya se voltou para a mãe, esperançosa.

– Não irão se afastar, não é mesmo? – Esme parecia indecisa. – Seu pai logo estará de volta.

– Deixe-os ir Esme. – Elizabeth interveio. – É apenas um passeio pelo jardim.

– Está bem... Mas não se afastem, por favor.

A moça aplaudiu feliz, aceitando o braço que o barão lhe oferecia. Ao deixarem a sala, Tanya rapidamente cheirou o braço que a prendia e murmurou:

– Senti tanto a sua falta! Você sentiu a minha?

– Acho prudente nos afastarmos – ele sugeriu, calando o incômodo que era tê-la tão animada quando não mais compartilhava do mesmo entusiasmo. – Quando estivermos no jardim, conversaremos.

– Vossa senhoria tem razão – ela anuiu, apertando mais o braço do barão.

Ao saírem, Edward e Tanya encontraram com Nero a subir os degraus frontais. O dono quis chamá-lo, porém o galgo os mediu, farejou e rapidamente se afastou. Seu comportamento não causava estranheza ao nobre, afinal o cão nunca fora afeito às outras pessoas; e sua única exceção havia partido.

– Esse seu cachorro sempre é tão antipático! – reclamou Tanya.

– Agradeça por não ser agressivo e o esqueça. – Edward retrucou impassível.

Sem mais palavras, ele a guiou até o canto reservado do jardim, para se sentar abaixo do caramanchão. Como o barão bem previa, Tanya segurou-lhe o rosto e o atraiu para um beijo tão logo se acomodou ao seu lado. Num primeiro momento Edward se retesou, porém por fim se rendeu e retribuiu o mover de seus lábios. Como pensou anteriormente, jamais poderia compará-las, mas por sorte ainda era agradável. Correndo a mão pela nuca de Tanya, Edward aprofundou o beijo, levando-a a gemer baixinho.

Foi então que a mente traiçoeira do barão lhe mostrou o pai da moça a fazer o mesmo com sua amante. Despeito, raiva e ciúme misturaram-se no íntimo do barão, varrendo qualquer satisfação, exortando-o a segurar Tanya com mais força para capturar-lhe a língua e prendê-la com sofreguidão. Soltou-a quando se sentiu empurrado pelos ombros e os gemidos se converteram em protestos. Ao encarar os olhos alarmados, decepcionou-se. Por um instante era como se castigasse a traidora.

– O que foi isso? – Tanya indagou, tocando a boca; ofegava.

– Não questionou sobre a falta sentida? – Edward rebateu rapidamente, também ofegante. – Quis muito que esse dia chegasse para tê-la aqui, comigo...

– Então? – Os olhos da moça brilharam – Todo esse arrebatamento é porque sentiu minha falta?

– Por certo que senti – assegurou, sem remorsos pela mentira, tomando uma mecha co cabelo dourado para rolar entre os dedos.

– Ah milord! Fico tão feliz em ouvir isso... Pensei que tivesse me esquecido, afinal... – o sorriso que ela tinha nos lábios arrefeceu, cedendo lugar a um torcer de lábios, sentido. – Hoje não estava aqui e durante a reinauguração da ponte, partiu sem nem ao menos nos cumprimentar.

– Problemas na sidreria – declarou a guisa de desculpas. – Não sabe como lamentei a partida abrupta, porém não havia meios de estender minha estada por mais tempo. E hoje... Abreviei meu compromisso para estar aqui em tempo de encontrá-la.

– De verdade?

– De verdade... – A mesma verdade que tive da amante de seu pai, ele pensou. – E fico muito satisfeito por termos essa oportunidade de estarmos a sós. Perdoe-me se a feri.

– Não machucou – ela sorriu. – Apenas devemos tomar cuidado para que meus lábios não fiquem marcados. Mamãe e papai me matariam... Seria tão mais fácil se vossa senhoria pedisse permissão a eles para me cortejar. É esse o esperado. Até mesmo a baronesa aprova.

– Tudo ao seu tempo! – retrucou tomando-lhe a mão para beijar-lhe os dedos, contemporizador. Não poderia pedir para cortejá-la momentos depois de descoberto seu contato com a amante do banqueiro. – Em breve conversarei com seu pai.

– Será perfeito! – exultou Tanya, novamente abrindo seu melhor sorriso. Erguendo uma das mãos tocou o rosto do barão e sem atentar para a seriedade que não o inspirava a sorrir, comentou: – Mamãe tem razão. Vossa senhoria está melhor sem aquele cavanhaque... E também gosto mais de seu cabelo como está. Envelheceu-lhe um pouco mais, mas lhe deu um ar mais... Austero.

– Obrigado – agradeceu automaticamente, divagando se “ela” o consideraria mais velho quando o visse; como ao flagrá-lo a usar o pincenê.

– Apenas uma coisa me incomoda... – a moça seguiu dizendo, livrando-o da recordação perturbadora.

– O que seria? – indagou pouco interessado.

– Essa cicatriz – ela torceu o canto da boca em desagrado. – Não gosto dela!

– Nada posso fazer quanto a isso.

– De fato está bem como está, mas talvez fosse o caso de esconder essa imperfeição. E se ao invés do cavanhaque, adotasse uma respeitosa barba. Como a que o vi usando no dia da inauguração?

– Lamento senhorita – Edward começou seriamente –, mas este sou eu. Se deseja que eu lhe faça a corte terá que me aceitar com cicatriz e todas as imperfeições que eu possa ter.

– Evidente que aceitarei senhor barão. – disse Tanya, correndo dois dedos pelo antigo corte em seu queixo. – Nem é tão visível assim. Tive apenas uma ideia infeliz, perdoe-me.

– Perdoarei se me der outro beijo antes de voltarmos. Logo sua mãe sairá a nossa caça.

Com um sorriso, ao qual o nobre se forçou a retribuir, a moça fez como pedido, cobrindo os lábios do barão para beijá-lo. O mover de lábios foi breve e contido, demonstrando o temor de Tanya em se mostrar marcada.

E novamente a mente do barão vagou, daquela vez até a última noite em que teve a mentirosa em seu leito, quando ela se deixou marcar para que na manhã seguinte ele confirmasse que ela seria somente sua; sim, ele fora ingênuo!

Erguendo-se de um salto para não se render ao desejo de ir contra o pedido da moça e marcá-la não somente nos lábios, mas ao longo do pescoço e colo para então exibi-la aos pais, Edward estendeu a mão e a fez imitá-lo, e lhe cedeu o braço para que deixassem o jardim.

– Quando iremos nos encontrar novamente milord? – Tanya questionou ao contornarem o palacete.

O barão lhe responderia, porém sua atenção foi chamada ao portão, por onde a carruagem de Sir Cullen entrava. Sem livrar a jovem de seu braço, Edward parou à entrada da sua casa e esperou até que o banqueiro, de cenho franzido, deixasse a boleia e se juntasse a eles.

– Se vossa senhoria me tivesse informado que pretendia vir para Apple White eu o teria acompanhado. – comentou, correndo os olhos para os braços unidos. – Passeavam?

– Sim – foi a filha quem prontamente respondeu. – Lord Masen me concedeu uma volta ao redor da casa, resgatando-me dos assuntos de nossas mães.

– Ah, sim? – Carlisle ergueu as sobrancelhas. – E por certo os dois tiveram assuntos mais agradáveis a discutir visto o rubor de vossas faces. Lord Masen é sempre atencioso e sabe entreter suas convidadas, não?

Provavelmente a estranhar a seriedade nas palavras do pai, Tanya se afastou para olhar de um ao outro.

– Não entendi. – falou. – Quais “convidadas”?

– Não lhe interessa saber – o banqueiro retrucou, dispensando-a. – Vá ter com sua mãe, pois eu e o senhor barão temos um assunto a tratar.

Sim, eles tinham, Edward se resignou enquanto a jovem titubeava em deixá-los.

– Se é sobre mim, insisto em participar. – Tanya se mostrou voluntariosa, como por vezes deixava transparecer sob a aparente passividade.

– Apenas negócios minha querida – o pai a tranquilizou. – Agora vá.

Tanya ainda trocou o peso entre os pés antes de finalmente girar as saias e seus cachos loiros para deixá-los; contrafeita.

– Pois bem Sir Cullen – disse o barão ao ficarem sós. – Onde prefere conversar? Em meu gabinete? Na biblioteca, talvez?

– Aqui mesmo estará bem, caso vossa senhoria não se oponha. – Carlisle se afastou um passo indicando que iniciassem uma caminhada. – Assim não haverá o risco de sermos ouvidos.

O sol já ia baixo, porém a tarde estava clara e agradável; cenário que destoava da razão para aquele passeio pelo gramado frontal.

– O que tem a me dizer Sir Cullen? – Melhor irem ao ponto, Edward determinou, ocultando as mãos nos bolsos de sua calça.

– Em primeiro lugar, entender qual o significado desse passeio a sós com minha filha quando já deixou claro que ainda é cedo para cortejá-la.

– Como bem colocou, foi apenas um passeio. Não lhe faltei ao respeito.

– Quanto a isso não tenho dúvidas, porém ela é jovem e está interessada, então tenho medo que se iluda caso vossa senhoria não lhe corresponda o afeto.

– Acredito que afeto se fortaleça com o tempo. Posso não corresponder agora, mas caso um dia viesse a desposá-la, aconteceria. – Edward retrucou seriamente, e movido pelo despeito que o levou a maltratar Tanya durante o beijo, acrescentou: – Acredito que lhe ser fiel seja o mais importante. Quão triste não deve ser para uma esposa um dia se descobrir a ser traída.

– Bem sabe que as senhoras bem casadas não dão tanta importância aos deslizes dos maridos; basta manter a discrição e será como se nada acontecesse.

Naquele instante Edward se considerava hipócrita uma vez que já havia se envolvido com algumas senhoras bem casadas, contudo era movido por uma força incontrolável que o incitava a provocar o velho banqueiro.

– Fala com conhecimento?

– Perdoe-me, mas não o chamei para falarmos sobre minha pessoa. – Carlisle retrucou. – Vim com o intuito de questioná-lo qual a razão dessa tensão nascida entre nós desde antes de vossa partida da reunião. E depois do que vi, também gostaria de saber o que pretende com Tanya.

– Não há tensão alguma – negou o barão, interrompendo a caminhada. Ainda era cedo, porém Edward não imaginava melhor ocasião para abordar o tema, então acrescentou: – E sobre Tanya, caso permita, acho que já é hora de lhe fazer a corte.

Carlisle o avaliou abertamente por um instante, perscrutando-lhe o rosto com o cenho ainda franzido. Após um suspirar lento e profundo, falou:

– Antes de lhe dar uma resposta, queria lhe perguntar qual o nome de vossa hóspede.

– Qual a relevância em trazê-la para nossa conversa? – Passada a surpresa, Edward se aborreceu. – Ela foi embora há quase um mês, então não vejo razão para novamente citá-la.

– Ainda assim insisto em sabê-lo, pois creio que a conheço. E se estiver certo... – o velho banqueiro acrescentou quando Edward estava pronto a negar – digo sem medo de errar que ela seja a motivo para essa tensão que vossa senhoria insiste em negar.

O barão sustentou o olhar azul, considerando as vantagens e desvantagens em, de fato, insistir com as negativas. Recordando o gosto amargo por se sentir covarde ao ponto de comparar-se a Hunt, Edward se empertigou e disse o nome que por dias tentou esquecer:

– Isabella Swan. Esse é o nome. – E ainda no intuito de ferir o velho rival admitiu, sem se importar com a indiscrição. – E deve saber que insiste em saber mais, digo que em poucos dias de sua estada, ela deixou de ser somente minha hóspede.

Ao se calar Edward esperou por uma reação violenta, na qual o banqueiro lhe exigisse satisfações, mortificado pela traição da jovem amante. Sim, ele esperou, porém a explosão não veio. Sem mover um músculo da face que denunciasse qualquer contrariedade, Carlisle apenas aspirou e expirou profundamente antes de indagar num murmúrio incrédulo:

– Quem um dia saberá entender os caprichos do destino?

– Este não serei eu. – Edward retrucou; confuso.

– Nem eu tampouco – o senhor igualmente colocou as mãos nos bolsos, encarando o barão. – Justamente por isso ele debocha de nós, meu jovem.

– Acredito que essa seja a razão. – Cada vez mais, Edward entendia menos. – Agora que teve todas as confirmações que desejava, por que não diz o que quer abertamente?

– De fato, falar abertamente será melhor... Agora que sei o nome da moça, sei também a razão pela qual foi tão rude quando nos encontramos no saguão do hotel. Você a viu sair, não?

– Sim, eu a vi – admitiu; incomodado com a passividade do banqueiro quando ele próprio tinha dificuldade em se manter sob controle.

– E então me viu... – Carlisle concluiu o óbvio. Edward apenas assentiu com um mover de cabeça. – E o que entendeu apenas por ver duas pessoas deixando o mesmo local?

– O que estava claro a ser entendido – disse roucamente. – Ou vai desmentir que esteve com uma amante depois de afirmar quando o indaguei à saída do hotel?

Novamente Carlisle respirou profundamente antes de reconhecer:

– Não tenho como negar que estive com uma amante, mas...

– Sinceramente Sir Cullen – Edward o cortou bruscamente –, eu não sei aonde essa conversa nos levará!

– Talvez não nos leve a lugar algum, mas ajudará a manter todas as coisas em seus devidos lugares. – Carlisle foi firme ao retrucar, em nada se assemelhando ao homem afetado que todos conheciam. – Diz que deseja cortejar Tanya e logo em seguida admite ter mantido um caso com Isabella... Parece confuso milord. O que de fato pretende com as duas jovens que mais amo?

O barão engoliu em seco, sentindo todo o corpo se estirar e vibrar como a corda de um violino. Por sua culpa era obrigado a ouvir aquela declaração descarada, sem poder rebatê-la para não ver ruir seu plano. Sendo ele a beirar o descontrole que esperou ver no senhor impassível a sua frente.

– Eu já disse... – o barão ruminou as palavras antes de expeli-las. – Quero cortejar Tanya. Da outra não quero nada além de distância. Se nós enveredamos por esse assunto foi porque assim o senhor insistiu.

– Devo acreditar no que diz? – Carlisle escrutinou-lhe o rosto, desconfiado.

– Sim... Quero sua permissão para visitar sua filha e...

– Eu me referia a Isabella – o banqueiro tomou a liberdade de também cortá-lo. – Não duvido de suas boas intenções para com minha filha, o que me preocupa é duvidar que de Isabella não queira nada além de distância. Espero que seja assim, pois ficaria muito aborrecido caso a magoasse.

– Preocupa-se mais com uma amante do que com sua própria filha? – O barão indagou incrédulo.

Era um fato, logo Edward sucumbiria. Sim, a traidora leviana era apaixonante, porém era incômodo saber que despertava naquele senhor um amor equiparável ao seu.

– Preocupo-me com as duas na mesma medida – assegurou Carlisle. – Não quero que brinque com os sentimentos de minha filha, e agora que sei sobre Isabella, se pudesse negaria o que me pede. Contudo Tanya simplesmente não me perdoaria caso o fizesse. No entanto, ela tem a mim e a mãe, assim como boas amigas que a amparariam caso esse relacionamento entre vocês não vingue... Já minha pequena Isabella necessitaria de toda minha atenção, pois não têm parentes e apenas uma boa amiga. Ela não merece ser, “nem quer ser” importunada por jovens galantes que nada lhe ofereceriam além de seus arroubos e um espaço em suas camas.

Edward poderia retrucar, dizendo ser capaz de oferecer o mesmo e até mais do que o banqueiro lhe oferecia, porém optou por se calar. Aquela conversa apenas o feria mais ao passo que seu rival assumira todo o controle, colocando-o em seu devido lugar ao esfregar em sua face o conhecimento muito além do seu no que se referia à mulher que por dois dias teve como noiva.

– Pode confiar – Edward disse por fim, roucamente. – Quando a recebi em minha casa e depois em minha cama, não sabia do envolvimento entre vocês dois. Desde que soube, ela se tornou insignificante para mim.

– Vou acreditar que esteja sendo sincero e também lhe pedir um favor.

– O que conversamos aqui não será repetido, não se preocupe. – Edward se adiantou, querendo encerrar aquele assunto indigesto.

– Começo vossa discrição então não era o que pediria. – Carlisle o corrigiu. – Quero pedir que respeite minha filha. Não faça dela o mesmo que fez com Isabella e ainda... Não a iluda, pedindo-a em casamento precocemente caso esteja indeciso.

– Não estou – assegurou o barão, reparando pela primeira vez no quanto já havia escurecido. – Melhor entrarmos para dar a notícia às senhoras.

O banqueiro anuiu silenciosamente e, juntos, seguiram até o palácio e então à sala de estar. Como esperado a alegria entre damas ao saberem da novidade foi unânime, entendendo-se até a hora da despedida e ainda perdurava ao jantar, quando Elizabeth insistia em salientar providências que ele deveria tomar.

– Acho que seria conveniente enviar um comunicado para Rosalie e Alice, assim elas poderão já se preparar para o casamento.

– Ainda não há casamento previsto senhora – Edward recordou, olhando a comida disposta no prato, procurando por um apetite que não sentia.

– Não seja estraga prazeres – ralhou a baronesa. – A escolha de um vestido perfeito toma muito tempo então quanto antes elas se ocuparem com os preparativos, melhor.

– Acredito que não tome mais tempo do que o vestido da noiva – retrucou o filho. – Que ainda nem existe, por sinal.

– Como não existe! – Elizabeth exclamou com estranheza. – Afinal, você vai ou não cortejar Tanya?

– Sim mamãe, eu irei cortejá-la e, sim, a desposarei... Apenas entenda que não quero conversar sobre isso agora.

– Nossa! Quem o escuta a falar assim é bem capaz de pensar que não está feliz!

– Tentando, esqueceu? Estou tentando...

E naquela noite via ter grandes chances de falhar completamente. Enquanto revirava a comida sobre o prato, repassava a conversa com o banqueiro que cada vez arrependia-se mais. Não pelo o que foi dito, mas o que deixou de dizer. Sua coragem era parcelada, pois deveria ter exposto sua real intenção, dispensando-se de um compromisso com Tanya para entrar abertamente em campo e lutar por Isabella.

Sim, o nome agora vinha fácil, desde que reparou, com o ânimo mais arrefecido, que ela não lhe mentira de todo. Com isso sua mente gritava: Isabella, Isabella, Isabella... A garota que contava apenas com uma amiga, que era, de fato, sozinha no mundo, a quem Carlisle Cullen amava tanto quanto ele; inferno!

Dormir aquela noite foi um privilégio não concedido ao barão. Impaciente e ansioso, o nobre se manteve a mirar o teto escurecido, a esfregar a pérola em seu anel, questionando-se quanto tempo levaria até o dia em que o destino caprichoso fizesse seu caminho novamente cruzar com a amante de seu futuro sogro.

A manhã veio, o teto clareou e Edward não tinha uma resposta. Quando Jacob veio bater à sua porta, Nero já havia partido e o barão já estava barbeado, finalizando o vestir de suas roupas para iniciar o primeiro dia de mais uma longa semana.

– Entre – liberou enquanto abotoava o colete.

– Bom dia Sir Edward! – Jacob o cumprimentou ao abrir a porta. – Como está se sentindo hoje?

– Como estou me sentindo hoje? – Edward estranhou. – Acaso estive doente?

– Sim, esteve, e parece que a recuperação foi milagrosa. Ao chegar eu fui informado da novidade. Então finalmente assumiu um compromisso com a senhorita Cullen. Quero saber como se sente quanto a isso.

– Essa pergunta é minha – o barão retrucou, indo até a cômoda para recolher suas luvas. – A baronesa não cabe em si de contentamento, agora resta saber de você, que lhe fazia coro... Como se sente agora que o desejo de todos se tornou real.

– Estaria não cabendo em mim, como vossa mãe – retorquiu –, caso não recebesse essa resposta. Se não é para nos acompanhar no contentamento, por que comprometer-se?

– Tenho minhas razões – falou secamente, caminhando para a porta. – Vamos?

– Pretende se casar com a senhorita, Sir?

– Futuramente, sim – admitiu ao deixar o quarto, sendo seguido pelo criado.

– Perdoe-me a insubordinação, mas... E a outra senhorita? Desistiu dela definitivamente?

Edward não se sentia inclinado a dividir com o amigo tudo que sabia sobre Isabella; ela não merecia qualquer atenção pela falta de confiança e as muitas mentiras, porém não queria expô-la. Principalmente por estar decidido a trazê-la de volta a sua vida. Poderia escondê-la de todos, não de Jacob.

– Se desisti ou não, não importa. Agora é preciso fazer o certo.

– Se é como diz... – Jacob aquiesceu. – Como já disse, quero que seja feliz Sir Masen.

– Pode não parecer, mas estou satisfeito com minha decisão. Apenas não sinto a necessidade de externar.

– Se é como diz... – o criado repetiu, encerrando o assunto. – Vou esperá-lo lá fora.

– Faça isso e acredite... Ficarei bem!

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O tempo era algo interessante. Os dias pareciam correr quando não havia compromisso algum, assim como se arrastavam ao esperar algo importante. Isabella contou as horas de cada dia até aquela sexta-feira; curiosa quanto ao assunto que Carlisle desejava abordar uma vez que o novo bilhete, enviado na segunda-feira pela manhã, não fora explicativo. Como o anterior, ela o queimou e tentaria não se distrair, pedindo que não voltasse a enviá-los. Tentaria também abordar o tema sobre sua possível desistência do bordel. Caso o amigo reforçasse o compromisso em ajudá-la com as despesas adicionais até a formação de Embry, Isabella estaria disposta a abandonar definitivamente aquela vida.

– Amber! – Angela a chamou da porta, causando-lhe um leve sobressalto.

– Sim!...

– Já está pronta?

Não precisava dizer que estava pronta desde o início da tarde, então falou apenas:

– Estou! Ele está aqui?

– Está. Espera-a num coche de aluguel – informou a velha meretriz.

Isabella olhou-se uma última vez no espelho sobre a penteadeira, ajeitou as luvas brancas e também o véu de seu chapéu que lhe ocultava boa parte do rosto, então foi até a porta para abri-la. Encontrou a amiga com expressão apreensiva, antes de dissesse qualquer palavra, ela indagou:

– Vai aproveitar para falar sobre sua saída do Jardim, não vai?

Aquela não era primeira vez que a mulher lhe questionava. E ao longo da semana, em todas às outras vezes Isabella se mostrou evasiva, porém naquele instante, estando tão próxima em fazê-lo, a jovem cafetina achou por bem dizer a verdade.

– Sim, Angela, eu irei abordar o assunto tão logo descubra o que ele quer conversar. Mas não se preocupe ainda, por favor. Eu...

– Escute... – Angela segurou-lhe as mãos. – Esqueça tudo o que eu disse. Todos os meus temores... Nesses últimos dias percebi o quanto estou sendo egoísta com alguém que sempre nos colocou a frente de si mesma. E também insensível, pois mais do que ninguém sei que apenas tolera essa vida. Então, faça o que seu coração lhe diz, está bem? Todas nós ficaremos bem...

– Angela... – Isabella murmurou, sem palavras.

– Não precisa dizer nada – pediu, dando leves tapas nas mãos que ela segurava. – Apenas prometa que ao menos uma vez na vida irá pensar em si mesma.

Era o que estava decidida a fazer, contudo a comovia ter o apoio da única amiga que possuía.

– Prometo que pensarei em mim, mas de uma forma que seja bom para todas. Agora me deixe ir... Sabe que Carlisle não gosta de atrasos.

– Sim, sim... – Angela a liberou apressada.

Após abrir um sorriso à amiga, Isabella se apressou em descer as escadas. Passou pelo salão vazio, sabendo que todas estariam repousando àquela hora, preparando-se para as atividades que em breve se iniciariam. Encontrou Sam a porta, mirando o cocheiro com cara de poucos amigos.

– Tem certeza de que não quer que eu a acompanhe senhora? – perguntou a Isabella quando ela surgiu ao seu lado.

– Não será preciso Sam. Fique sossegado. É apenas Sir Cullen.

– Eu sei, mas prefiro quando não a perco de vista.

Isabella tinha pressa, porém algo não dito a incomodou. Conhecia seu guarda-costas bem o suficiente para saber que havia algo errado para que ele cismasse com o banqueiro. Precisava entrar no coche, porém não se conteve e indagou:

– Qual o problema Sam? O que o preocupa dessa maneira?

– Melhor deixar para depois – ele desconversou. – Irá se atrasar...

– Se dizer de uma vez eu não me atrasarei – ela rebateu docemente.

O segurança a olhou, rendido. Após um suspiro resignado, falou:

– Ele acredita que não o vi, mas flagrei Sir Hunt a espreitar o Jardim por três vezes essa semana. Por muito pouco não fui até ele para lhe dar o corretivo que merece. Ainda estou com aquela abordagem da igreja atravessada em minha garganta senhora.

A narrativa que começou pacata terminou em tom de luta, deixando o moreno com as faces vermelha de ódio aparente.

– Acalme-se Sam – ela pediu tocando-lhe o braço. – E me prometa que não vai tocar naquele credito novamente. Deixe que espreite o quanto quiser... Ele sabe que não poderá entrar.

– Mas a senhora pode sair – ele retrucou aflito. – Como agora. E não estarei perto para...

– Como sabe, estarei com Sir Cullen e Laurent não tentará nada enquanto estivermos juntos. Vou entrar neste coche e só sairei dele exatamente aqui. Basta me esperar que tudo ficará bem.

– Esperarei senhora! – Sam assegurou comprometido. – Agora vamos que irei acompanhá-la até o coche.

Isabella lhe sorriu agradecida e se deixou levar. Ao assumir o assento diante de Carlisle, após os breves cumprimentos entre os homens e a partida de Sam, o banqueiro se aproximou para tomar-lhe as mãos enluvadas e beijar.

– Como está Isabella? – indagou ao sentar corretamente e indicar ao cocheiro que deixasse a porta do Jardim.

– Curiosa – admitiu, erguendo o véu de seu chapéu para enxergar o banqueiro na penumbra da boleia. – E você? Como está?

– Preocupado – igualmente admitiu, sem rodeios.

– Preocupado? – Ela repetiu com estranheza. Não via qual assunto os ligaria que pudesse consterná-lo, então o elo mais forte a uni-los espocou em sua mente, alarmando-a. – Aconteceu algo com Embry? Carlisle diga de uma vez...

– Acalme-se! – Carlisle pediu estendendo as mãos gesticulando para que se mantivesse sentada. – Nada aconteceu com nosso Embry. Estou preocupado com você.

– Comigo? O que poderia ser?

Com o coração a saltar frenético pelo susto de algo de ruim pudesse ter acontecido ao seu pequeno, Isabella voltou a se acomodar e esperou que o amigo explicasse o que o arreliava.

– Bem... – ele começou, pousando as mãos sobre o punho de sua bengala antes de disparar a um só fôlego. – Domingo passado tive uma conversa interessante com Lord Masen.

– Ah, sim? – exalou surpresa, sentindo o rosto esquentar gradativamente. Temia pelo o que viria, ainda assim indagou como se nada tivesse acontecido. – Por que está me dizendo isso? Sabe que nunca quis informações sobre os membros desta família.

– Isabella...

O nome fora dito com condescendência, levando a moça a confirmar que sua estada no palacete dos Masen Bradley era conhecida.

– Então sabe que estive hospedada com ele. – Isabella falou segura, sem indagar, torcendo os dedos nervosamente. – Desculpe não ter lhe contado antes.

– Quer me dizer o que aconteceu? Como foi parar em Apple White? Você não...

– Não pense que fui deliberadamente bater a porta do barão. – cortou-o apressada. – Bem sabe que por mim, jamais colocaria os pés naquele lugar.

– Sim, eu sei... – concordou. – Exatamente por essa razão que não entendo.

– Foi por acaso – ela explicou. – O que disse antes é verdade. O cocheiro que contratei não voltou para me buscar, então... Lord Masen me viu na rua, depois que deixei o hotel e me seguiu. Como disse eu o detestava então rechacei seus avanços e decidi partir a pé...

– Mesmo com a chuva que viria? – O tom era reprovador. – Por que não voltou para o hotel?

– Eu estava aborrecida, nervosa... Queria apenas sair de Westking, então nem pensei nessa possibilidade. Enfim... O barão me seguiu e quando a chuva veio me ofereceu carona. Eu estava molhada, com medo pelos raios e trovões. O que mais eu poderia fazer a não ser aceitar?

– Não a estou julgando Isabella. – Carlisle a acalmou. – Apenas quero entender.

– Perdoe-me por me exaltar. – pediu, tentando não ser afetada pelas lembranças.

Após um pigarro Isabella retomou a narrativa, contando sobre a roda quebrada, o oferecimento para que ficasse hospedada e a notícia da queda da ponte.

– Tudo isso eu posso entender – o banqueiro falou ao final –, mas... Porque não partiu na manhã seguinte?

– Eu não sei... – ela murmurou para as próprias mãos.

– Permitir-me-ia responder por você? – Carlisle perguntou amável.

A moça apenas ergueu os olhos, ele não tinha como saber. Para provar que ela estava errada, o amigo prosseguiu:

– Você alimentou sua raiva durante anos depois do que passou, mas para mim não é difícil acreditar que desde cedo nutrisse algum afeto por Lord Masen. Então se reencontraram; ele não a reconheceu. O destino os colocou juntos e o barão estava sozinho, muito interessado... Você não conviveu com ele como com os demais, então por um instante acreditou que fosse como o pai, mas logo percebeu seu erro. Edward é um bom homem e se a tratou com a deferência que dispensa a todos, não havia como não se render... Então querida Isabella, você não partiu simplesmente porque queria estar em Apple White. Estou errado?

Isabella apertou os olhos, lutando contra as lágrimas. O banqueiro a conhecia mais do que qualquer pessoa. Havia sido ele a reconhecê-la nas ruas de Wisbury; sozinha, faminta. Também fora ele o único a tentar ampará-la na própria casa sendo que não a manteve sob seu teto após a veemente recusa de sua esposa que alegou não precisar de uma criada “doente”. O senhor ainda procurou por quem a acolhesse entre seus amigos, sempre a receber recusas, encontrando abrigo para ela apenas no bordel de Angela.

Com isso não tinham segredos, contudo em tempo algum Isabella revelou seu amor de menina, o que tornava aquela explanação em algo inexplicável. Por essa razão ela cogitou negar, porém o pranto manso que não continha respondia em seu lugar.

– Lamento tanto minha querida... – ele murmurou entendendo-lhe um lenço.

– Obrigada! – agradeceu embargada. – E não lamente... É passado. Se acaso era essa a razão de sua preocupação, esquece-a.

– Não tenho como esquecer Isabella – ele retrucou seriamente. – Não quando vejo como está... Não quando o barão, mesmo abalado pelo envolvimento que tiveram, solicita-me a permissão para cortejar minha filha.

Por que saber as novas tinha que doer tanto? Era o esperado, foi o que por duas vezes recomendou ao barão, ainda assim Isabella sentiu o ar lhe faltar; Edward e Tanya, juntos! Os tremores a abalavam, no entanto a moça se obrigou a parar o choro e a respirar pausadamente. Quando acreditou que sua voz sairia estável, falou:

– Espero que tenha concedido, pois como salientou... Edward é um bom homem.

– Sim, ele é... Todavia parece estar pela metade e não quero nada incompleto para minha filha.

– Ele é o barão de Westking – ela insistiu, não precisava saber que ele talvez ainda sentisse sua falta; a vida tinha que seguir seu curso. – Este título sempre suprirá todas as faltas.

– Ao falar assim você me ofende Isabella! – Carlisle exclamou duramente. – Tenho meu próprio prestigio e se fosse me interessar por títulos, lutaria por um que me agraciasse e não viveria a sombra de um genro nobre.

– Perdoe-me... Eu nem deveria opinar. Esse é um assunto de família.

– Um assunto que passou a ser extensivo a você graças a um gracejo do destino. – o banqueiro rebateu um tanto mais calmo. – Bem... O que nos trouxe aqui é... Quero saber de você se há alguma possibilidade de reconciliação? Acaso brigaram?

– Não, não brigamos... – ela revelou num murmúrio. – Eu decidi dar um basta a algo que não teria futuro. Como bem disse ele não me reconheceu e com o tempo não tive coragem de me revelar. Quando o deixei escrevi-lhe uma carta contando essa verdade, mas ele ainda não sabe que fui uma prostituta que se tornou dona de um bordel... Consegue imaginar? Um barão e uma cafetina? Que dupla, não?

– Minha querida, eu posso dizer, sem medo de engano, que não seria a primeira dupla fora dos padrões ditados por nossa sociedade. Você parou para pensar que essa seria uma forma de reparar o erro cometido por...

– Não conclua, por favor. – Isabella novamente o cortou, sendo ela a se aborrecer. – Eu jamais, em tempo algum, cobraria qualquer tipo de reparação. Sobretudo de Edward que não foi mais do que um perfeito cavalheiro com uma farsante como eu.

– Perdoe-me, foi uma ideia infeliz. E não repita o que disse – ralhou. – Não é farsante, apenas agiu de acordo com a situação. Quanto à reparação, não foi no sentido de cobrar-lhe um erro cometido pelo pai, mas... Embry é um baronete e...

– Embry é apenas meu Embry, por favor, pare.

Lord Masen tem o direito de conhecê-lo. – insistiu o banqueiro.

– O barão tem o direito de seguir com sua vida, livre de nódoas do passado – ela retrucou decidida. Sim, doía, mas era o certo, então prosseguiu. – Ele em breve será seu genro, formará uma família honrada com sua filha e será feliz.

– Ah, minha pequena Isabella... – Carlisle exalou condoído. – Quando perderá essa mania de ditar a vida alheia? Suas decisões não trazem felicidade nem mesmo para você; como assegura a dos outros? O barão é adulto e tem o direito, sim, de decidir seu destino ciente de todos os detalhes que nele implicam, e não iludido por meias verdades. Você sabe que ele acredita que somos amantes?

A revelação de mais aquele engano a sobressaltou, porém logo Isabella recordou tudo o que viveu até ali e murmurou:

– Melhor assim.

– Não, não é melhor assim! – Carlisle reagiu, deixando o pesar para novamente aborrecer-se. – Diga-me que pretende voltar atrás. Admita que sempre amou o barão, e o aceite em sua vida. Diga as palavras certas que eu encerro essa corte antes de avance.

– Sim, eu já o amei um dia, porém é passado.

– Isabella! – Carlisle disse o nome, exasperado. – Pare com isso!

– É passado – ela insistiu veementemente. – E quero que me prometa não tentar interceder por mim. Eu jamais o perdoaria se revelasse algo sobre mim ao barão, especialmente sobre Embry. Prometa.

Carlisle abriu a boca para retrucar, contudo se calou. Com um expirar demorado, fez como pedido.

– Eu prometo não revelar coisa alguma ao barão referente a você ou ao Embry. Feliz?

– Satisfeita. – Isabella respondeu de pronto. Como ele mesmo salientou; suas decisões não lhe traziam felicidade. – Bem... Se isso era tudo, leve-me de volta ao Jardim, pois logo os primeiros clientes chegarão e preciso estar pronta. Enquanto voltamos gostaria de abordar outro tema.

– O que seria? – Carlisle se mostrava fisicamente derrotado.

– Estou decidida a reaver uma de minhas propriedades e deixar o Jardim, para tanto, conto com sua ajuda.

– Adianto-lhe que não será fácil ou rápido, mas arranja-se. – disse profissional. – Depois de lhe explicar todos os detalhes, quero já deixar acertada nossa ida a Londres.

Enfim boas palavras! Isabella comemorou em meio a sua dor. Logo estaria com Embry e, como sempre, ao vê-lo todas suas esperanças seriam renovadas, assim como suas determinações se fortaleceriam. Quando estivesse com o baronete que ninguém poderia lhe tomar, tudo aquilo que o “gracejo do destino” bagunçou, voltaria ao seu lugar.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Mesmo com vontade de dar uns chacoalhões em Isabella.

Amanhã deixo outro... Me deixem feliz, dizendo o que estão achando... Bjus suas lindas!