Bonequinha de Luxo
8 Inferno Pessoal
Notas iniciais
Ao chegar em casa, fui recebida por beijinhos babados e braços gordinhos. Theo veio ao meu encontro, andando praticamente sem apoio e meus olhos marejaram. Meu pequeno está crescendo tão rápido! Eu o abraço e beijo com doçura. Ele volta para seus brinquedos e eu cumprimento Heidi. Ela tem um sorriso radiante nos lábios.
— Ah menina Bella, estou feliz por você ter se divertido! Olha só para você, você precisava disso! — Ela diz sorridente e eu reviro os olhos. Mas sou obrigada a concordar, eu me sentia outra pessoa depois da noite maravilhosa que eu tive.
— Menos Heidi, mas realmente a noite foi muito boa! — Eu disse simplesmente. – Vou tomar um banho e desço para brincar com o Theo e te liberar.
Tomei uma ducha rápida, lamentando ter que tirar os resquícios do cheiro de Edward do meu corpo. Dobrei o moletom e fiquei pensando em como faria para devolvê-lo. Decidi colocar numa caixa e mandar entregar em seu prédio, afinal eu tinha a localização salva no GPS. Avisei às minhas amigas que eu já estava em casa e em 15 minutos as duas adentraram minha porta cheias de perguntas.
Eu estava amamentando Theo e quando ele cochilou e eu o coloquei no cercadinho, fomos para a cozinha conversar enquanto fazíamos o almoço.
— Conta tudo, Bella! Como, quem, quantas vezes...? Onde, a gente já sabe. — Ang começou me surpreendendo com uma chuva de perguntas. Eu reviro os olhos.
— Eu só quero saber o nome e quantos orgasmos foram, porque você está com uma cara de plenitude de fazer inveja! — Leah diz e eu coro violentamente.
— Ah meninas, vocês não têm noção da noite maravilhosa que eu tive! — Eu comecei, afinal eu precisava desabafar com alguém. E não havia ninguém melhor do que elas. — Quando eu fiquei sozinha na pista, senti alguém me observando. Ele estava num camarote e me chamou para subir. Apesar dele estar de máscara também, eu pude ver que ele era lindo e muito atraente. — Eu suspiro e ambas sorriem – Ele me levou a uma cabine do andar superior e me beijou. Um senhor beijo! — Eu digo e coro mais ao lembrar.
— Uau! Nunca fui nessa parte da boate. – Leah meio que choraminga.
— É um lugar bem misterioso e bonito. Mas ele não quis ficar lá e me propôs para irmos a um lugar mais íntimo e eu fui. – Eu digo e baixo o meu olhar. — Sério meninas, eu não sei o que me deu, só sei que eu fiquei inebriada por aquele homem e quando eu vi já estava na garagem daquele prédio luxuoso.
— Bella, aquele é um dos prédios mais caros de Chicago. — Ang comenta.
— E ele mora na cobertura! — Eu digo e ambas arregalam os olhos. — Eu mandei a localização para vocês, depois de um breve surto de consciência, e subimos. Lá, eu nem tive tempo de olhar muita coisa. — Eu respiro fundo. – Ele me prensou na parede e me carregou para o quarto dele. Arrancou meu vestido, me jogou na cama e me chupou inteira. Foi o melhor oral da minha vida!
— Uau! — Ambas dizem e eu sorrio.
— Aquela língua é tudo de bom... Eu nem me recuperei direito e ele me virou de quatro e me fodeu inteira. Foi... avassalador!
— Nossa! — Leah comenta. – Isso é que é um homem! — Pude sentir um leve tom de inveja ali.
— Sim! — Eu concordo. – Ele é gostoso, viril, charmoso... e até meio gentil. Depois de me foder, ele me levou para um banho de banheira.
— Ah que tudo, Bella! — Ang diz alegre.
— É, mas aí o bicho pegou. — Eu digo e respiro fundo novamente — É melhor vocês sentarem! – Eu digo e elas sentam nos bancos do balcão da cozinha. — Na hora do banho, tiramos as máscaras e eu levei o maior susto da minha vida.
— Oh, ele é feio? — Ang exclama.
— Ele é velho? — Leah arrisca. Eu nego para ambas.
— Ele é Edward Cullen! — Eu solto e ambas ficam mudas.
Ficamos nos entreolhando por um instante.
— OMG! — Ang grita.
— Puta que pariu! — Leah grita mais. — Você passou a noite com o solteiro mais gostoso da cidade inteira? — Ela pergunta devagar e eu assinto – Porra! O feitiço de sexta feira 13 é forte mesmo! Tu tem uma sorte do caralho!
Todas rimos de sua observação.
— Mas e aí? O que você fez? — Ang perguntou e eu dei de ombros.
— Ele me reconheceu, afinal sou secretaria do amigo dele. Mas ele disse que não se importava e eu resolvi não me importar também. Então eu chupei ele com gosto e ele me fodeu na pia enquanto nos encarávamos pelo espelho — Eu digo e as duas me olham assustadas.
— Criamos um monstro! Onde você enterrou a velha Bella?! — Leah exclama e eu reviro os olhos.
— Ah meninas, eu só me deixei levar por uma noite, vai. Afinal, eu quis aproveitar também o momento, já que eu sei que ele nunca mais vai se repetir. — Dei de ombros. — foi só uma noite para guardar na memória, então aproveitei o máximo possível.
— É assim que se fala, Bella! — Ang diz e eu sorrio.
— Agora vamos focar no almoço? — Eu digo e retomamos a preparação.
A semana fluiu normalmente, apesar de que, todas as noites antes de dormir, eu agora sou assaltada pelas lembranças de Edward me fodendo. E eu admito que tenho aproveitado para me satisfazer em meus dedos com estes pensamentos.
Minha rotina seguiu tranquilamente até a quinta feira, quando o próprio demônio apareceu na minha frente no escritório e eu quase desmaio.
— Boa tarde, Senhorita Swan! — Ele diz com uma voz rouca e sedutora que me deixa mole. Ainda bem que eu estou sentada! — O Senhor McCarty está disponível? — como ele consegue ser tão natural, enquanto eu estou me desmanchando? É simples, ele não sente o mesmo efeito.
— Ele está em uma ligação. — Eu digo meio fraca e pigarreio para melhorar a voz – Vou verificar se ele já terminou. — Eu me levanto devagar. Sinto seu olhar dourado varrer o meu corpo e me sinto tão exposta que coro violentamente. — Aguarde um momento. — Eu digo e me direciono para a sala de Emmett. Dou uma batida e abro a porta levemente.
— Sr McCarty, o Senhor Edward Cullen deseja vê-lo. — Eu digo, vendo que ele não está mais ao telefone.
— Ah sim, Bella, pode deixá-lo entrar sempre, exceto se eu estiver em reunião com alguém. — Eu assinto e sorrio.
— Vou chamá-lo então. — Eu saio pela porta e o chamo, percebendo que seu olhar não desviou do meu corpo. Eu fico excitada e nervosa com isso. Será que ele irá contar o que houve para meu chefe?
Ele passa pela porta que mantenho aberta, cumprimenta seu amigo e se senta no lugar indicado. Emmett oferece algo e ele aceita um café.
— Dois cafés, Isabella, obrigado! — Emmett diz e eu fecho a porta. Enfim, solto o ar.
Vou atrás dos cafés pensando se Edward teria a indelicadeza de contar para Emmett sobre o que houve. Sacudo a cabeça, claro que não. Afinal, casos de uma noite são tão corriqueiros para ele que acho que ele não se detém a ficar falando de um por um. E foi isso que tivemos. Uma transa casual.
Levo o café para eles, esboçando um sorriso falso de descontração. A quem eu quero enganar? Edward Cullen me afeta. Eu estou excitada com sua presença tão próxima, já que ainda não esqueci as sensações maravilhosas que tive em seus braços. Saio da sala pedindo licença, louca para acalmar meus nervos.
Fico ali me concentrando ao máximo em minhas tarefas até o final do expediente. Quando meu horário finda, percebo que os dois ainda estão na sala. Arrumo minhas coisas e resolvo interfonar para Emmett para avisar que já estou indo. Ele pede para que eu passe na sala para pegar a bandeja do café. E eu obedeço nervosa.
Entro na sala e ambos estão rindo de algo. Eu pego a bandeja e dou boa noite ao meu chefe. Nesta hora, Edward se levanta.
— Vou dar uma passada na sala de meu pai e volto para irmos juntos, Emmett. — Ele diz e me olha de relance. Peço licença e sigo meu caminho para levar a bandeja para a copa.
Sinto Edward me acompanhar de perto e isso me arrepia inteira.
— Sabe, Bella. Estou em dúvida se prefiro o vestido de sexta ou este aqui. — Ele diz e eu paro de andar, mas não tenho coragem de encará-lo. Eu estou vestindo um dos meus vestidos ‘farda’, que é um tubinho azul royal, com a barra acima dos joelhos e de mangas ¾. Ele anda e para em minha frente. — Sabe, você não precisava devolver o moletom, mas já que o fez, poderia ter ido pessoalmente entregar. Eu ia gostar da visita. — Ele diz com seus olhos me penetrando e pisca. Eu não consigo pensar e nem falar. Então desvio o meu olhar para baixo, envergonhada de minhas reações. — Sei que você também não esqueceu aquela noite e estive pensando que poderíamos repeti-la... — Ele fala enigmático. Nessa hora alguém aparece no corredor. Meu chefe!
— Edward... Isabella? — ele pergunta confuso e eu saio do meu transe.
— Estava conversando com sua secretária sobre a palestra que dei na semana passada em Columbia. — Edward diz naturalmente, como se aquilo fosse uma verdade absoluta. Fico espantada com sua capacidade de mentir rápido e fácil, mas logo me recupero. Dou um meio sorriso pra ambos e sigo meu caminho para a copa e depois para a saída. Respiro aliviada quando sento na condução de volta para casa. Edward Cullen é um perigo para mim.
Na sexta feira, eu acordo com um pressentimento estranho. Minhas amigas percebem e comentam durante as nossas aulas, mas eu digo que está tudo bem. Distraída com isso, acabo sem contar o encontro que tive com Edward e as coisas que ele me disse. Mas foi até melhor. Elas iam surtar com isso. Antes de sair, encontro a professora Esme na biblioteca com uma expressão preocupada.
— Professora Esme? — Eu digo baixo e ela desvia seu olhar ao meu encontro. — Desculpe se te assustei.
— Nada disso, querida, sente-se! — ela diz amável. — Eu estava um pouco distraída.
— Hum, me pareceu mais com cara de preocupada, se me permite dizer. Precisa de alguma ajuda? — eu ofereci. Eu tinha uma dívida muito grande com esta mulher, ela sempre seria mais que uma professora e mentora para mim. Ela sorriu com carinho.
— Sim, você está certa, eu estou preocupada. Mas quem precisa de ajuda não sou eu, é o meu filho mais velho. — Ela diz desanimada.
— O Edward? Está tudo bem? — Ah Deus, que ela não perceba a minha reação exagerada!
— Ele acredita que sim, mas sei que não está. Ele tem vivido uma vida tão vazia e sem sentido. Tenho medo dele não conseguir ser feliz, Bella. Ele não se permite viver relações verdadeiras. — Ela suspira. – Sei que ele tem suas dores, mas ele precisa encontrar um modo ou alguém que o ajude a superar isso para que ele possa ser verdadeiramente feliz. Você é mãe sabe o quanto a felicidade de um filho importa.
— Sim. – eu digo sincera. – Importa mais do que a nossa própria felicidade! — Eu seguro em sua mão, reconfortando-a. — Mas fique tranquila. Ele é um homem inteligente e parece ser sensato. Acredito que quando chegar a hora ou alguém especial em sua vida, ele vai se permitir. Talvez ele só não esteja pronto ainda. — Falei pensando também em mim, em todas as minhas dores e em como também não me sinto pronta para viver novas coisas.
— Você é uma mulher incrível, Bella! — Ela me diz sorrindo. – Espero que meu filho encontre alguém como você para compartilhar a vida. — Ela diz simplesmente e eu coro como nunca. Afinal, mal sabe ela que eu já passei uma noite inteira na cama de seu filho. Me limito a um sorriso tímido e me despeço.
Vou para meu expediente ainda me sentindo estranha, não só pela conversa com Esme, mas pelo pressentimento que não passa. Isso me fez ligar para casa mais vezes do que o de costume para saber de meu filho. Heidi percebe e me pergunta se está tudo bem. Eu digo que sim e que era só saudade.
Acompanho Emmett numa reunião com outros advogados da firma e depois me concentro em uns contratos que precisam ser revisados. Até que um mensageiro chega com um documento para mim e eu fico confusa. Nunca havia recebido algo no escritório. Eu recebo e fico encarando o envelope por um tempo até decidir abri-lo. Enquanto abro, sinto minha pele se arrepiar.
É uma intimação do Juizado da Infância. Mike estava me denunciando por má conduta e prostituição e reabrindo o processo de guarda total do Theo. Não, isso era loucura! Um pesadelo!
Solto um grito de desespero e Emmett vem correndo assustado até mim.
— O que houve, Isabella? — Ele diz e me fita mais atentamente. – Bella? Você está pálida! — Ele diz pegando em minhas mãos. — E tremendo. Meu Deus, o que houve? — Ele pergunta angustiado e eu começo a chorar.
Nesta hora, como se não bastasse tudo isso, Edward surge no ambiente e nos encara confuso. Ele repousa seu olhar sobre mim e sua expressão fica indecifrável. Ele, então, se aproxima, mas não diz nada.
— Bella, me diz o que aconteceu? — Emmett volta a perguntar e eu desvio o meu olhar para encarar meu chefe, que também é um amigo.
— Meu filho! Ele vai tirar o meu filho de mim! — eu exclamo exasperada e então uma dor me atinge forte na cabeça me fazendo mergulhar na escuridão.
Não, eu não posso perder o Theo! Eu estava num inferno!
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