Notas iniciais
Me atrasei? Me atrasei. Culpem meu not que n queria ligar de jeito nenhum. Bem, aqui esta o cap novo. Boa leitura!

Três anos depois...

M

Mary Anne sorriu ao ver a carta que permanecia em cima da penteadeira. Fazia mais de uma semana e ainda não tomara coragem para responder. A Rainha havia viajado fazia duas semanas e alguns dias depois enviara uma carta para ela dizendo que precisava que Mary organizasse o Baile de primavera pois ela levaria mais tempo do que o esperado para voltar ao palácio. Esfregou os olhos e jogou as pernas para fora da cama, sentindo o chão frio tocando as solas dos pés. Caminhou rapidamente para o banheiro, pronta para tomar um bom banho quente.

Abriu a torneira e observou conforme a água preenchia a banheira, o vapor beijando o rosto de Mary. Alguns minutos depois a banheira estava cheia, água temperada com sais de lavanda e cheia de espuma. Então se despiu rapidamente, deixando a camisola deslizar pelos ombros e cair no chão. Não perdeu tempo em entrar na banheira e apreciar a água quente.

Não conseguia descrever coisa melhor do que um banho quente. Os músculos relaxavam, e mesmo que por um momento, todas as responsabilidades e preocupações sumiam.

Não era sempre que ela podia apreciar um longo banho quente, afinal a Rainha sempre tinha algo para ela fazer, sendo algo importante ou não. Mas ela não reclamava, nem tinha por que já que era muito bem recompensada pelos seus esforços. A Rainha nunca a tratara como sua Dama de Companhia, sempre a tratara como se fosse da família, e Mary a via como a mãe que nunca tivera.

De repente uma batida soou na porta do quarto, tirando Mary de seus devaneios. Com resmungo de irritação ela finalizou o banho o mais rápido possível e se vestiu rapidamente. Outra batida soou conforme ela colocava o vestido, o que a irritou.

—Só um momento, estou me vestindo! —Gritou para que a pessoa pudesse ouvir.

Não levou muito tempo para que ela estivesse vestida. Então com um suspiro de irritação ela se dirigiu a porta, abrindo-a e revelando Thomas. Levou apenas alguns segundos para Mary perceber as mudanças sutis no visual dele. Os cabelos negros estavam arrumados, coisa bem difícil de acontecer quando o assunto era Thomas, os botões do casaco estavam alinhados, mas a primeira coisa que notou foi a ausência do anel que ele sempre usava no indicador da mão direita. Ela franziu a testa, aquilo só podia significar duas coisas, ou a irmã mais velha de Thomas viera visitá-lo ou...

—Inspeção? —Perguntou com um sorriso travesso nos lábios. Na mesma hora soube que havia adivinhado. Thomas odiava a inspeção mensal. Todos os guardas tinham a obrigação de passar nela, e para isso tinham que estar em perfeita forma física e com a aparência impecável. E no quesito de ‘’aparecia impecável’’ Thomas não estava dentro dos padrões.

Thomas exibiu um sorriso e encarou Mary.

—A única parte boa disso tudo foi que fui dispensado de minhas tarefas por ser ‘’um membro da guarda real exemplar’’. —Disse ele, imitando a voz do Inspetor. —Agora, posso entrar senhorita?

Mary balançou a cabeça e abriu espaço para que ele passasse. Olhou para ele e riu, aproximou-se e bagunçou seus cabelos, deixando-os da maneira habitual.

—Ei! Levei muito tempo arrumando ele! Por que fez isso? —Disse ele, caminhando até o espelho e tentando arrumar o cabelo.

—O que? Agora se preocupa com seu cabelo? — a indagou, cruzando os braços sobre o peito. —Em minha opinião esta melhor assim.

Ele parou e a encarou, os olhos turquesa semicerrados.

—Bom, acho melhor estar. Agora me diga... —Começou ele, se aproximando devagar dela. —O que acha de pegarmos um belo bolo de chocolate na cozinha? Soube que Denise estava preparando uma fornada para essa tarde.

Mary se conteve para não rir. Bastava um dia de folga para Thomas resolver aprontar uma. Mas ela não podia, tinha que começar a organizar os preparativos para o baile de primavera e...

—Eu tenho uma idéia muito melhor! O que acha de me ajudar a selecionar os pratos para o cardápio do Baile de Primavera?

Thomas sorriu os olhos brilhando com divertimento. Ele agarrou a mão de Mary e a puxou para fora do quarto, em direção a cozinha.

—Por que não me disse isso antes? Espero que tenha bolo de chocolate.

Denise encarou os dois jovens a sua frente, não acreditando nas palavras deles. Eles já haviam lhe roubado tantas fatias de bolo que ela ficava em modo alerta só em vê-los. Mas não conseguia evitar sentir um grande afeto pelos dois. Os conhecia desde que eram crianças, com cinco anos de idade. Desde então ambos viviam de olho nos seus bolos e biscoitos.

—Por que eu acreditaria em vocês? Já mentiram antes para conseguirem guloseimas. —Argumentou, cruzando os braços e batendo o pé. —Não, terão que me provar que isso é desejo da Rainha e não desejos de dois jovens esfomeados.

Thomas arregalou os olhos e levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido.

—Quando, me diga quando Denise, eu lhe disse uma mentira para conseguir alguma coisa? —Perguntou ele, lançando um olhar inocente para Denise.

A cozinheira arqueou uma sobrancelha e levou uma mão ao queixo, pensativa.

—Deixa-me ver... Teve a vez em que os dois me vieram com a historia de que a Rainha havia pedido duas fornadas de biscoitos de chocolate, mas na verdade eram vocês dois que queria biscoitos de chocolate. —Contou ela. —E também teve a vez em que Thomas...

—Ok, mas eu juro que desta vez eu não estou...

Mary se colocou a frente de Thomas e tirou de dentro do bolso do casaco uma carta, que estendeu para Denise.

—Comprove por si mesma. Não há por que duvidar.

Denise pegou a carta, receosa. Com uma breve lida ela se viu surpresa por realmente ser verdade a historia dos dois jovens. Com um suspiro ela entregou a carta a Mary e voltou o olhar para Thomas, que lhe lançou um olhar vitorioso.

—Estou de olho em você, Thomas Belmonte. —Disse, se afastando dos dois.

Não acredito que eles finalmente conseguiram. —Pensou ela, rindo consigo mesma.

Sobretudo ela gostava de quando os dois iam visitá-la, mesmo que fosse só para roubar biscoitos.

Depois de selecionar alguns pratos ela voltou para perto dos dois, que agora se encontravam atrás de uma mesa, conversando baixinho. Ela sorriu diante da cena. Quando que iriam perceber? Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Mary desviou o olhar de Thomas e acabou percebendo a presença da cozinheira.

—Oh, já esta tudo pronto? —inquiriu ela, corrigindo a postura rapidamente.

Sem dizer nada ela colocou a bandeja em cima da mesa, os três auxiliares que a acompanhavam seguiram seu exemplo e colocaram suas bandejas em cima da mesa, indo em borá logo em seguida,

—Quando terminarem me avise o que escolheram e caiam fora daqui. —Disse ela, lançando um olhar irritado para Thomas.

Ele sorriu e lançou um beijo para ela, os lábios formando a seguinte frase: ‘’Te adoro!’’

Balançando a cabeça ela se afastou, voltando a cortar as cenouras para a sopa. Ela não pode evitar observar os dois, que comiam e conversavam. Thomas pegou um muffim e o levou a boca, mas antes que ele pudesse dar uma boa mordida no muffim, Mary pegou um pouco de glacê da torta de morango e passou no nariz dele.

Como esses dois bobos não percebem? —Pensou ela, ainda observando a cena.

Mary ria da cara de Thomas, ele tentava ver o glacê na ponta do nariz, sem sucesso. Irritado, ele levou o dedo ao nariz e limpou o glacê. Como vingança ele roubou uma fatia da torta de Mary, colocando-a em seu prato. Boquiaberta, ela tentou recuperar a torta, mas Thomas era maior e mais forte que ela, e não permitiu que ela o fizesse.

—Esses jovens de hoje em dia...

Mary encarou Thomas com raiva.

—Me de a minha torta! —Exigiu ela, irritada.

—Se você conseguir pega-la...

Ela tentou mais uma vez pegar a fatia de torta que Thomas havia roubado dela, mas antes que ela pudesse sequer tocar o prato, ele se colocou a sua frente, evitando que ela pudesse ver a torta. Ela tentou esquivar-se dele, mas ele não permitiu que ela passasse por ele.

—Isso não é justo! Eu não vou conseguir pegar a torta!

Ele sorriu e comeu a torta, observando a expressão de descontentamento de Mary, pegou uma garfada da torta e a encarou.

—Esta vendo isso? —Ela assentiu ligeiramente. —Você pode ganhar essa garfada se... Se aceitar me ajudar em uma coisa.

Ela encarou o pedaço de torta. Fosse o que fosse, valeria à pena.

—Ok. O que você quer?