Bon Voyage

8 Punição dos Deuses Maias


Sai para comprar um Café da manhã pra nós dois, mas a lembrança daquele beijo não me deixava em paz. Toda aquela vontade, aquela força e o Alívio, ah...

Quando percebi, já estava em uma padaria, pedi dois cafés e dois salgados para viagem, depois paguei e fui para o hotel.. Fui passando direto pelo Anjinho na recepção:

– Opa,opa! Pode dar meia volta e vir aqui me dar um beijo!

– Nem me fale de beijo.

Coloquei o Café em cima do balcão, fiz biquinho e o abracei:

– Beijo...Quem beija mal?

– Quem me dera se aquele beijo tivesse sido ruim.

O apertei:

– Raí te beijou? Quando?

– Sim, hoje.

– Mas, os pais dele disseram que ele foi embora depois da briga de ontem.

– Ele não foi...Veja bem, as coisas e o carro dele estão aqui ainda.

– Onde...Ele está?

Me largou e pegou nos meus ombros:

– Não conte aos pais dele...Prometa que não vai contar.

– Ta. — Prometa!

– Ta, ta...Prometo.

– Escondido...

– Onde?

– No meu quarto.

– Seus pais sabem?

– Óbvio que não.

Me abraçou de novo depois de ver minha expressão confusa:

– Ele me beijou...E eu não sei o que fazer!Quero dizer...Era o que eu queria!

O soltei e olhei para os meus pés:

– Não gostou?

– Sim!Mas...

– Mas?

– Não sei, já disse...Estou confusa.

– O café é pra ele?

– Sim.

Olhei para os olhos dele, eram castanhos...Bem escuros podia sentir a verdade neles:

– Leva pra ele.

Peguei o Café no balcão e fui andando para o Apartamento:

– Ei, Ari...

– Sim?

Olhei para trás:

– Não finja que nada aconteceu.

Continuei seguindo em frente, cheguei ao meu quarto e coloquei o café na mesinha da varanda:

– Oi.

– Hum...Oi.

Eu disse terminando de dar uma mordida em um dos salgados:

– Sobre o beijo...

Puxou uma cadeira:

– Está tudo bem.

Tomei um gole do café:

– Não me deixou te pedir desculpas.

– Porque não faz sentido pedir desculpas por algo que a lua mandou você fazer.

– O que?

– Sabe...Aquele papo de a lua estar aqui pra mostrar que você tem que sorrir ou fazer alguém sorrir?

– Mas, você fugiu.

– Claro, estava com medo, ainda estou.

– Medo de mim?

– Não, eu estava com medo de rolar algo mais.

– O que?Mas, parecia que...

– Parecia sim!Por que era isso mesmo, mas estava com medo.Raí, eu vou fazer dezessete, ainda sou virgem!

– No que depender de mim vai deixar de ser ainda hoje.

Olhou pra mim de cima a baixo:

– No que depender de nós.

A campainha tocou:

– Quem é?

– Eu não sei, mas se forem meus pais...Pode falar que eu voltei, hoje a tarde.

– Se forem os meus?

– Suponho que se fossem os seus pais eles já teriam entrado, eles tem o cartão de acesso, mas se forem eles eu me escondo.

Eu e ele descemos para abrir a porta, olhei pra ele e sussurrei “Se esconde”, liberei a porta e quando olhei de novo ele não estava mais lá, finalmente abri:

– Oi, tudo bom? Foi entrando:

– Oi, o que...Está fazendo aqui?

– Vim convidar vocês pra ver o eclipse, hoje a noite.Vai ser divertido.

– Hoje?

– Sim, problemas?

– Ham...

– Tem algo pra fazer hoje?

– Lucas, é que...

Raí apareceu de repente:

– Eclipse hã?Vamos Ari?

Olhei para minhas mãos:

– Vamos.

– Então se arrumem pombinhos, rs.

Olhei para o Raí e ele sorriu:

– Vou trocar de camisa, e colocar um tênis.

– Hum, sua mala está no armário.

– Lucas, se quiser se sentar...Vou me vestir também.

Peguei roupas e minha maquiagem e minha roupa e fui para o banheiro me vestir.

Depois de prontos, eu e Raí fomos pra sala, onde estava o Lucas.Olhei pra janela, puxa...Eu estava trocando uma noite de amor com o Raí pra ir ver um eclipse...Mas, espera aí:

– Lucas...Está de dia.

Revirei os olhos:

– Sim e daí?

– O Eclipse é Lunar, certo?

– Sim.

– Olha, sem querer ser chato, mas...Por quê estamos indo de manhã?

Raí falou passando as mãos no pescoço:

– Vou levar vocês em um lugar bem legal, mas...Levem roupas de banho.

Raí olhou pra mim:

– Pode pegar uma sunga minha e colocar na sua bolsa?

– Ham...

Olhei para o Lucas, ele piscou pra mim forçadamente:

– Vou pegar...Ham, a sua sunga.

Fui para o quarto e abri a mala dele, era bem organizada...Para um homem, peguei uma sunga verde escura, era grande, estiquei.

Era engraçado, pra falar a verdade. Lucas falou para irmos no carro do Raí, porque o carro dele estava cheio:

– Sigam o meu carro.

Entrei no carro com o Raí:

– Onde acha que ele vai nos levar.

Deu partida no carro:

– Não sei, mas o carro dele só tem uma pessoa dentro.

Tentei olhar, mas sem meus óculos eu não enxergava nada além de borrões, estavam muito longe:

– Hum...

Seguimos o carro do Lucas até chegar perto da reserva. Raí saiu do carro:

– E agora?

– Manda ela pegar as coisas dela e me seguir.

Ele colocou a cabeça pra dentro do carro:

– Vamos, acho que a partir daqui é a pé.

– Ham... Peguei minha bolsa e sai do carro.

A partir daí, nós andamos por vinte minutos. Ninguém falava nada, só se ouviam os pássaros cantando.

Foi aí que ouvimos um grito e algo se chocando contra a água, algo pesado. Raí me olhou e me empurrou pra trás dele:

– Fica aí.

– Você não vai...Lá.Vai?

– Tenho que ver o que houve e se...

Lucas riu:

– Gente, não aconteceu nada.

– Não ouviu o grito?

– Vão entender...

Continuou andando e nós o seguimos.De repente, o barulho de água caindo foi ficando mais e mais alto, Raí olhava pra mim como quem queria dizer “Onde ele está nos levando?”.

Quando me dei conta, nós estávamos de frente para uma grande cachoeira, olhei pra cima e de lá eu vi uma menina de maiô branco pulando e gritando:

– Ela...Está maluca?

Olhei pro Raí:

– Como assim?!Haha, é pura adrenalina! É muito bom!

Tirou a blusa e correu pra ir pular também.Eu sorri, olhei pra aquilo e fiquei pensando em como as pessoas são loucas as vezes:

– Coloca um biquíni Ari, vai também!

– Ah...Não sei.Er...

Olhei pra minha bolsa, tinha acabado de perceber que não havia trago uma roupa de banho pra mim:

– Vou ficar aqui mesmo...

Olhei pro lado, vi Ruan dentro da água...Fui pra perto dele:

– Ham...Oi!

– Oi!O que...Está fazendo aqui?

– Estou com o Raí.

– Uh, ele está bem?

– Sim...Ele está...

E quando eu pensei que não...Mais um choque contra a água:

– Aêeeeeeeeee!

Era ele:

– Ei!Não vai colocar sua roupa de banho?

– Agora já estou todo molhado.

Riu e passou a mão nos cabelos molhados:

– Sim, hahaha.

– Entra na água!

– Eu não...

Saiu da água e veio até mim:

– Vai sim.

Me fez cócegas:

– Hey, para!Hahahaha...

– Eu não vou parar!

Riu, eu fui me afastando:

– Não...Não!

Saí correndo, mas ele era muito mais atlético que eu, me alcançou em questão de segundos:

– Agora você vai ver!

Ria sem parar, me pegou no colo:

– Para!Hahahahahaha.

–Vou parar sim...Agora!

Me jogou na água e logo em seguida pulou também:

– Ah!Eu não acredito nisso!

– Melhor acreditar.

– Agora estou toda molhada...

– Deixa de drama.

Sorriu:

– Droga...Minha blusa ta toda molhada!

– Isso não é problema, está de sutiã?

– Ham...Sim, por quê?

Tirou minha blusa, e colocou ela em cima de uma rocha que estava sendo iluminada pelo sol de meio dia. Eu o olhei assustada:

– Que foi?Foi um ato amigo!Sem malícia!

Eu juro! Riu e jogou água no meu rosto, ficamos brincando assim o dia todo. E quando me dei conta, nós dois estávamos sozinhos, os outros estavam almoçando. Aí eu me lembrei:

– Meus pais!

– Hã?

– Esqueci de ligar pra minha mãe que ia sair!Ela vai ficar uma fera!

Saí da água e me sequei, depois peguei meu celular e liguei pro meu pai:

– Oi filha, ham...Onde você está?

– Ah, oi pai!Eu saí, daqui a pouco vai ter um eclipse e eu quis ver.

– Ham...Não volte muito tarde.

– Sim senhor!Te amo, tchau.

– Tchau filha, também te amo.

Raí olhou pra mim:

– Tudo bem?

– Ham...Sim.

– Okay, vamos comer?

– Vamos.

Nos juntamos as outras pessoas. Depois de algum tempo escureceu, o Eclipse começou.

Raí estava encantado:

– Os Maias acreditavam que isso era uma punição dos deuses, sabia?

– Punição?

– Sim, o sol ou a Lua sumiriam como um aviso, aí eles tinham que fazer um sacrifício humano.

– Nossa...

Cruzei os braços, e fiquei olhando pra ele...Como será possível que alguém goste tanto da Lua?Quer dizer...Ela está lá e tal...Mas eu nunca diria que ela estava sorrindo...Algo assim nunca me serviu de tanta inspiração...Isso, era apenas...Mais uma coisa no céu. Lembrei da Deusa Artemis, acho que se ela realmente existisse...Provavelmente estaria dizendo “Que os corvos te carreguem para o Tártaro!” ou qualquer coisa do tipo...

Tornei meu olhar de volta para a Lua, quando me dei conta o fenômeno já havia acabado e Raí e Lucas estavam falando comigo:

– Você está bem?Quem é Artemis?

– É a Deusa da caça e da Lua bobão...Mas também a chamaria de Diana.

Olhei pros dois conversando, continuava quieta:

– Ariana?Você está me ouvindo?

Raí perguntou:

– Sim...Sabe sobre Mitologia Grega?

– Bom...Eu tinha que pelo menos saber quem é a Deusa da Lua, rs.

– Hum...

– Quer ir embora?Não é legal ficarmos aqui de noite.

Lucas concordou:

– Ta...

– Pega lá suas coisas.

Depois de ter pego as coisas, fui em direção ao carro com ele.

Como ele tinha aquela fama de Cavalheiro...Abriu a porta pra mim e depois entrou:

– Agora vamos, quer passar em algum lugar?

– Ham...Não.

– Está tão desanimada...

– Não!Que isso...É só, que...Estou cansada.

– Hum...

– Não vai ligar o carro?

– Sim...Mas, depois disso...

Me beijou, mas me beijou maliciosamente, sentia suas mãos quentes...Podia sentir até mesmo a vontade dele.

Bom...Dessa vez eu cooperei, queria mais um sonho realizado, e não me importava se fosse num carro.

Suas mãos passaram para dentro da minha blusa, tive a mesma atitude, depois me afastei, ele tirou minha blusa.

Os beijos continuaram, e ele tirou a blusa dele...Depois de blusas e sutiãs tirados...Não tenho necessidade de lhes explicar o que aconteceu.Né?Rs...