Bon Voyage

9 A Cabana


Notas iniciais
Faz um tempo que eu não posto um capítulo né?Rs, eu tinha perdido o acesso ao site T.T Mas estou aqui de novo e vamo que vamo com esse capítulo Hot!

Sinto muito queridos, mas enganei vocês, não, nós não transamos, não naquela hora, nem naquele carro.

Ele pegou sua camisa que estava jogada no painel do carro e a colocou em mim:

– O que é isso?

Perguntei nervosamente:

– Ham...Uma camisa.

Riu e ligou o som do carro:

– Não, é que...

Riu mais alto:

– Eu entendi meu amor.

Chegou mais perto de mim e me deu um selinho:

– Estamos neste fogo todo para você me dar um selinho?

Ele pegou a estrada:

– Entenda...Vai ser especial, não vai perder sua virgindade no meu carro bagunçado.

Abri minha boca sem deixar escapar um largo sorriso depois:

– Eu gosto de você, estou...Apaixonado por você.

Sorri e olhei para a janela, olhei para o céu, procurando algum motivo para as estrelas estarem brilhando mais naquela noite, acho que isto me distraiu por uns quinze ou vinte minutos:

– Chegamos, sai do carro.

Olhei para os dois lados, a direita o mar, que se não estivesse sendo iluminado pela lua não teria se diferenciado do céu, a esquerda, o fim da reserva natural:

– Aonde chegamos?

– Olha para frente Ariana.

Pegou as Chaves do carro e saiu, o segui com os olhos e acabei dando de cara com uma cabana, estilo pescador um pouco antiga, mas com um certo estilo.

Abri a porta do carro e pude sentir o frio da noite em minhas pernas:

– Ah! Está tão frio! Como você pode estar sem camisa?!

– Não sinto muito frio, não percebeu?

Riu:

– Vem cá.

Conforme eu me aproximava ele se abaixava e pegava a chave da porta embaixo do tapete escrito Olá! Trouxe uma prancha?:

– De quem é a cabana?

– Te explico lá dentro, comendo um espaguete...Que tal?

– Vamos então.

Entramos e ele ligou as luzes revelando um interior mais moderno do que eu imaginava.

Tinha uma cozinha equipada logo a esquerda, digo, uma cozinha bem arrumada, com utensílios e tudo mais, a direita a sala, uma Tv, aparelho de som antigo, uma mesa de centro com revistas velhas jogadas em cima, um sofá surrado e um berço branco encostado na parede, logo embaixo da janela. Olhando em frente tinha o corredor, nele haviam duas portas, uma um quarto e a outra um banheiro.

Voltei a atenção para Raí:

– Senta aqui na mesa, vamos papear.

– Uh, gosto de papear.

Me sentei e fiquei o olhando se mexer para procurar ingredientes e panelas:

– A cabana é do meu pai.

Hã? Porque eles alugam um quarto de hotel de tem uma casa aqui?!:

– A casa trás lembranças ao meu pai.

– Como assim?

– Bem-Vinda a casa onde eu nasci.

Sorriu:

– Meu pai e a minha mãe se casaram e vieram pra cá, acho...Que procurando uma vida menos agitada...Mas a minha mãe engravidou, hehe, acho que atrapalhei os planos de vida calma deles por alguns meses.

– Você...Não é brasiliense?

– Não.

– Eu...Jurava que você era de lá...

– É, enfim, saímos daqui com um pouco de pressa quando o Ruan nasceu, ele tinha problemas no coração.

– Espera...Os dois nasceram aqui?

– Sim, é muita vergonha nascer em algum lugar que não seja Brasília?

– Ham...Desculpa, eu só não sabia.

– Rs, passamos as férias aqui por isso, pra nunca deixar a saudade matar, ver parentes, amigos...

– Legal...

Sua mão foi aos temperos:

– Come pimenta?

– Não costumo comer muita pimenta, mas...

– Ah, então hoje vai comer.

– Ham...Legal.

Apoiei meus cotovelos na mesa para descansar minha cabeça sobre eles, mas continuei olhando Raí cozinhar:

– Já tomou vinho?

– Ham...Roubei alguns goles da taça do meu pai, serve?

– Não. Você é muito certinha, nunca foi em festas não? Qual é! Terminou a escola antes do tempo e não sai para se divertir!

– Fui a algumas festas de quinze anos.

– Que bobagem, hoje vai tomar um vinho nacional comigo, certo?

O canto de seus lábios de curvou fazendo deles um sorriso cheio de malicia:

– É, certo.

Abriu o armário e puxou de lá duas taças:

– Vai provar minha comida favorita.

Sorri, tinha resolvido fazer o mesmo jogo que ele:

– Confesso que estou animada então.

– Uhum, tem que estar.

Olhou por cima de meu ombro:

– O que foi?

– Nada, só...Estava olhando uma foto antiga.

Me levantei para olhar também...Só por curiosidade:

– É a foto do casamento deles.

Procurei o quadro na parede e cheguei mais perto, era uma moça linda, de cabelos castanhos, olhos verdes, ela estava no colo de Fábio na frente da igreja, estavam vestidos como Noivos, ah...Deve ter sido um dia lindo! Dava para sentir o amor deles pulando do quadro:

– Já vi que seu sorriso lindo você tirou dela, ela era uma mulher linda.

– Não era?

Chegou por trás de mim abraçando minha cintura, seu queixo descançou em meu pescoço:

– Ahn...!

Senti um calafrio:

– O que foi? Não gostou?

Beijou meu pescoço, me fazendo ficar animada pelo que viria:

– Sim...Eu gostei.

Minha voz estava enfraquecida, pude sentir minha respiração ficar acelerada também:

– Rs, vai fazer alguma coisa?

Ele estava calmo e firme, uma atitude que estava irritando de leve:

– Eu...Eu vou...

Riu:

– Eu vou ligar para a minha mãe!

– Hã?!

– É, avisar a ela que não vou dormir em casa.

– É...Claro.

Se jogou no sofá:

– Usa meu celular, deixou o seu no carro com a sua bolsa, está no balcão.

– Rs, obrigada.

Comecei a ligação e fui para fora da cabana:

– Mãe?

– Alô?Oi...

– Mãe, é a Ari...

– Espera...Ariana!Você está bem?! Aonde está?!De quem é esse celular?!

– Mãe, calma, estou com o Raí, tô bem.

– Está com um garoto essa hora?

– Sim, o celular é dele e...Até onde eu saiba...Sim ele é um garoto e estou com ele.

– Volta pra o hotel.

– Vou passar a noite fora mãe.

– Ah...Filha.

– Mãe...Deixa logo.

– Filha...Vai se deitar com ele né?

– Depende um pouco do que quer dizer com deitar mãe.

– Oh Deus me ajude...Me promete que vai usar proteção.

– Eu...Prometo.

Ela...Deixou? Fiquei meio confusa:

– Filha...Divirta-se, eu te amo.

– Também te amo mãe.

Desliguei e voltei para a cabana:

– Vamos comer?

Raí me serviu um prato e uma taça de vinho, depois se sentou comigo:

– Que cheiro bom.

Sorri:

– Obrigado, mas acho que o gosto está melhor.

Levou o garfo a boca, fiz o mesmo:

– Está uma delícia!

Lambi a boca:

– Rs, obrigado novamente.

– Você cozinha bem!

– Toma o vinho.

Tomei:

– Hum...O que te fez sair? Digo...Virar mochileiro.

– Foi...Um passo sem pensar, sempre um sonho, tipo...Outro dia, outro lugar.

– De onde tirou dinheiro para isso?

– Ótima pergunta! Rs, acredita que quando eu saí só tinha 50 reais no bolso?

– Está de gozação com a minha cara, né?

Rimos:

– Fui trabalhar como tradutor para turistas brasileiros, graças a Deus eu sabia falar inglês e o básico de Italiano! É, ajudava bastante a grana que eu ganhava, eles não entendiam nada sem mim. Mas é claro que haviam outras pessoas comigo, pessoas de vários países, iam se juntando e se separando, fiquei muito tempo sozinho nas montanhas, mas voltando para as cidades eu os reencontrava, eles se apaixonavam, voltavam para suas famílias, paravam em um país, mas eu não...Sempre queria me encontrar em outro país.

– Isso...É incrível!

Levou o vinho a boca com um sorriso leve no canto:

– Como eu disse...Eu só queria achar o meu lugar.

– É! Isso!

– Eu meio que me sentia perdido, até notar que..

– Até notar que...?

– Que o meu lugar pode ser até embaixo de uma ponte, desde que seja com a pessoa certa.

Me engasguei:

– Você...Está bem?

Peguei rápido o vinho:

– Ham...Cof, cof...Bem, sim, estou ótima...Mas diga, achou a pessoa certa?

– Depende...

– Do quê?

– Você é ela?

– Sua mãe nunca lhe ensinou a não responder uma pergunta com outra?

Ri:

– Ensinou.

Abriu um sorriso seguido por uma piscadinha:

– Eu tenho certeza de que é.

Olhei para o meu prato já vazio:

– Terminamos, quer mais?

– Não, estou bem.

– Quer assistir um filme.

Ele tinha que criar um clima de novo:

– Aventura?

– Terror.

Riu e veio até mim fazer cócegas, fomos parar no chão morrendo de rir:

– Sou o monstro das cócegas.

Disse ainda rindo:

– Estou vendo.

Ri mais alto, sorri e beijei a ponta de seu nariz, ele se levantou e me ajudou a ficar de pé:

– Vou virar o monstro do beijo.

– Uh, e como isso funciona?

Abracei seu pescoço:

– É bem simples, começamos assim...

Me beijou a testa:

– Ham...Achei que tivesse algo diferente em mente...

– Shhhhhih...Silêncio moça.

Agora calmamente beijou o canto de minha boca, mas teve o cuidado de ser rápido em voltar, sabia que se eu virasse o rosto teria ganhado seu beijo, fez isso de novo com o outro canto:

– Raí, eu realmente não estou entenden...

Me calou, com um beijo doce, que foi ficando selvagem, cheio de vontade:

– Esquece o filme.

Falei entre beijos:

– Esquece.

Beijou meu pescoço, fomos assim, nesse clima todo para o quarto, sua mão foi para trás abrir a maçaneta, daí foi simples, ele me jogou na cama e foi tirando a própria roupa. Agora sim, ele não estava mais calmo.

Eu mesma estava apenas com duas peças de roupa, a blusa dele e a minha calcinha, eu deixei tudo para ele tirar.

Subiu na cama e como o previsto...Tirou minha blusa e...Bom... Acho que agora deu para entender todo o resto.

No outro dia senti o sol esquentando o quarto, a janela não tinha sido fechada ontem a noite, me vi deitada em seu peito, ouvia as ondas chegando na praia, alguns pássaros cantando, mas acima de tudo, a respiração de Raí:

– Bom dia...

Olhou para mim se espreguiçando:

– Bom... — Sorri Que horas são?

– Não faço a mínima ideia, deixa eu ver Pegou um relógio de pulso, que deve ter sido jogado no chão na noite de ontem São dez horas e trinta e dois minutos.

– Hum...

– Dois, está com fome?

– Rs, você é bobo! Estou...Morrendo de fome!

– Hahaha, vou fazer uma omelete.

– Hey, onde aprendeu a cozinhar tão bem?

– Bom...Dos 10 aos 13 anos minha mãe me ensinou, depois eu passei um tempinho fazendo comida para mim e para o Ruan enquanto papai estava no trabalho, daí virei cozinheiro da galera que viajava comigo.

– Tudo explicado...Hum, qual era o nome dela?

– Dela...Quem?

– Sua mãe Raí.

Ri um pouco:

– Oh...Júlia.

– Santa Júlia!

Brinquei o fazendo rir:

– Vamos para a cozinha menina boba.

Se levantou e colocou seu calção:

– Minhas roupas estão no carro.

– Tem umas roupas da Nicole na segunda gaveta deste armário azul.

Apontou:

– A filha do Nicolas vem aqui?

Como assim? A menina vem para cá, tipo...Oi? Ele disse que a cabana trás lembranças ao pai dele, por isto não passavam as férias aqui, mas...Ela vem aqui? Fiquei um pouco nervosa e confusa com isso:

– Sim, é tipo um esconderijo, mas shih! Não conte nada ao Nicolas, ele não sabe da cabana.

– Mas ela sabe...

– Sim! É que...Para não rolar briga, quando só quisermos paz...Um ou dois de nós vem para cá passar a noite, por isto a casa ainda é arrumada, tem comida e as roupas dela.

Ta, ou ele mentia muito bem, ou estava mesmo falando a verdade, mas algo não se encaixava:

– Então porque me pediu para dormir no meu quarto?

– Eu...Eu...

Seu rosto ficou vermelho:

– Fala logo Raí...

– Eu não queria ficar sozinho.

Sua mão foi ao pescoço:

– Que...Fofo! Clichê, mas fofo.

– Ora ora ora, nem ao certo sabe o que é clichê Ariana.

Rimos:

– Podia ter rolado encrenca.

– Me desculpe...

– Mas não deu.

Olhou para a porta:

– Bom, vista-se...Vou fazer comida.

Saiu do quarto:

– Ahhhh...

Suspirei dando um sorriso:

– Foi ótimo!- Me levantei para pegar as roupas, peguei novamente sua blusa jogada no chão e a coloquei- Vamos ver suas roupas Nicole- Abri o armário e peguei algumas mudas de roupa É claro que são roupas pretas Me vesti com aquilo e fui para a cozinha.

Raí olhou para mim e começou a rir:

– O que? Vamos para um enterro?

Fiz uma careta:

– Hahaha...Muito engraçado. Ela só tem roupas pretas.

– Eu disse que ela é estranha- Colocou nossos pratos na mesa Não me culpe.

– Não culpo Sorri e me sentei para comer O cheiro está ótimo.

– O gosto está melhor, vai por mim.

Se sentou do meu lado e começou a comer.