Bon Voyage
10 Bon Voyage
Notas iniciais
Ele me olhava, sorria e voltava a comer, era um ciclo repetitivo.
– O que foi?!
Perguntei com vergonha.
– Nada, só que...Sei lá, estou com...
– Vergonha?
– É...
– Ora ora ora, se não é o Raí com vergonha da garotinha!
– Escuta...Não estou acostumado com isso, me dá um tempinho.
Riu.
– Isso o que?
– Gostar tanto de uma pessoa assim.
Agora foi o meu rosto que ficou corado.
– Bom eu...Também gosto muito de você.
Ficamos calados durante o resto da refeição, nos olhando e trocando sorrisos bobos.
Quando terminamos eu fui o ajudar com a louça, depois disso.
– Quer dar um mergulho?
– Hã?
– Vem.
Ele pegou minha mãe e foi correndo pra fora da casa, ao chegar bem perto da água do mar, onde já se podia sentir a areia fofa, molhada e quentinha, tirou seus chinelos e sua blusa, então entrou na água, mais longe percebeu que eu ainda estava parada no lugar onde ele me deixou.
– Vem Ari! A água ta tão gostosa!
Pensei por três segundos (Por que não estragar as roupas da Nicole?) e então entrei, eu estava descalça, não gostava de andar de pés calçados, gostava de sentir o chão frio e a areia quente nos meus pés.
Mais perto dele, onde a água chegava no meu pescoço, mais ou menos no ombro dele, ele me beijou, mas como tudo meu pode piorar...Fomos engolidos por uma onda enorme.
Depois de voltar pra superfície ele pegou novamente na minha mão e fomos pra areia molhada, ele sentou lá, ficou olhando para o horizonte, sentei com ele.
– O que foi?
– Nada.
Sorriu e olhou para mim.
– Tem que acontecer alguma coisa para admirar o Mar?
Riu.
– Não é que...Você está tão calmo e...
– Ah, eu achei minha paz né?
– É.
Sorri.
– Bom, temos que ir para o hotel, se não seus pais além de me matar vão cortar os meus membros e dar para um cachorro comer.
– Certo.
Ri, imaginei a cena, provavelmente meu pai ficaria bravo porque não passei a noite com eles e sim com...Sabe, ele.
– Acha que seu pai vai querer me degolar?
Fomos para o carro.
– Não, mas...Vai querer te esfaquear, ou algo assim, rs, não sei.
Eu estava ficando cada vez mais desanimada com a nossa volta para os nossos pais, ia ser assim? Um lance de verão? Ia acabar lá em Ubatuba?
– Vai acabar assim?
Perguntei.
– Acabar o que Ari?
– Nós dois! Vai ser assim? Vamos...Nos separar e ir para lugares opostos?
– Não...
– Então o que vai ser?
– Você não acha que está complicando de mais as coisas?
– Não, é que...Eu te amo.
Ele olhou rápido para mim e depois voltou a olhar para a estrada, colocou sua mão em meu rosto e o acariciou.
– Eu também te amo.
E essas quatro palavras encheram meu coração mais do que qualquer um possa imaginar, sorri, mas mesmo assim um “Eu também te amo” não era o suficiente.
Fiquei calada por dois ou três minutos, pensando em possibilidades.
– E se...Dessa vez eu fosse com você?
– Hã?
– É! Viajar! Conhecer o mundo! Esse é meu sonho, você sabe Raí!
Ele suspirou.
– Não posso te levar comigo Ari, você sabe que é mais complicado que isso.
– Raí, por favor, a gente pode tentar.
Ele coçou os olhos.
– Se seus pais deixarem, vamos pro Uruguai amanhã.
Sorri.
– Está brincando, né?
– Não.
Sorriu, acabamos de chegar no hotel.
– Ariana!
Anjinho estava do lado de fora, parecia estar nos esperando.
– Oi!
Sorri. Mas logo depois ele viu que Raí saiu do carro, abriu um largo sorriso e fez um sinal de beleza com uma das mãos.
– Vou falar com eles.
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– No quarto com meus pais depois de pedir:
– Não! De jeito nenhum Ariana Gomez!
Meu pai gritava.
– Isso não é justo! É meu sonho, vocês dois sabem! E agora que encontrei alguém que eu amo vocês vão me privar de ficar com ele.
– Amor, eu quero falar com você...Ariana, sai do quarto, vai fazer alguma coisa.
Fui pra fora, mas fiquei de ouvidos colados na porta, não consegui escutar nada, depois de longos vinte minutos eles abriram a porta.
Meu pai estava meio choroso e a minha mãe estava com uma cara de orgulho, como aquelas mães que veem a filha no alar da igreja.
– Você vai.
Disse meu pai.
– Seu passaporte e o resto dos seus documentos estão em cima da sua cama.
Minha mãe em seguida.
– Mas eu quero falar com esse jovenzinho antes de qualquer coisa.
Para encurtar tudo, quando o Raí apareceu eles me mandaram sair de novo, a conversa foi mais longa, depois de quarenta minutos eles o liberaram. Ele saiu sorrindo, pronto para me abraçar e me dar um beijo.
Saímos na manhã seguinte, pra todos nós a despedida foi horrível e dolorosa, mas eu voltaria em um ou dois anos, para o Anjinho, pra minha mãe, meu pai, os pais dele, Ruan, Nicole, Davi, Nicholas, mas também de meu irmão;
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– Cinco anos depois, aniversário de vinte e um anos de Ariana, Paris- França:
As malas estavam prontas para voltarmos ao Brasil, foram ótimas viagens, lugares inesquecíveis, momentos gloriosos e também meu casamento, que não podia ter sido em qualquer outro lugar além de Las Vegas.
Eu estava fazendo um teste daqueles de farmácia, sim, eu tinha uma suspeita de gravidez, Raí ainda não sabia, estava pagando o dono da casa que ficamos por uma semana no andar de baixo.
Depois de dois minutos olhei para ele, dois traços, o que eram dois traços? Tentei ler na caixa, mas estava tudo em francês, e a única pessoa que conheço que sabe ler em francês é o Raí.
– Merda...
– Amor – Bateu na porta – Está tudo bem?
– Sim, sim! Já estou indo...Espera ai!
Peguei o teste e a caixa.
– Raí, o que significam dois traços?
O entreguei a caixa, ele leu com atenção.
– Você fez esse teste?
– Sim.
– No seu teste apareceram dois traços?
– Sim, o que é?
Ele sorriu, ficou me olhando com aqueles olhos castanhos e brilhantes.
– Vamos ter um bebê.
Riu e me colocou em seu colo.
– Eu não acredito!
– Ariana, eu te amo! Eu te amo incondicionalmente! Eu te amo!
– Eu também te amo.
Sorri e o beijei.
FIM- BOM VOYAGE GALERA!
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