Bon Appetite
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Voltamos para casa, tirei minha farda e fui para o sofá.
Romano: Onde vc ta?! A gente perdeu duas medalhas de natação pq vc sumiu
Romano: aquele tal de Samuel ta aqui
Romano: Af, vc não responde -.-
E nem queria responder também, eu dormi mais um pouco, ali mesmo no sofá.
– Por que não estão na escola?
– Acordamos atrasados.
– Aiai...
– Mãe, você já está indo pro trabalho?
– Sim, por que?
– Posso ir com você?
Ela me encarou.
– Vai se vestir.
Corri para o meu quarto e coloquei uma roupa legal.
– Esta está boa?
– Sim.
Ela veio até mim e arrumou meu cabelo.
– Ta bom mãe... Ta bom.
Saímos de casa e fomos para o restaurante.
O Bon Appetite foi o melhor investimento que minha mãe já fez, primeiramente um restaurante, depois se tornaram dois e então três. Dá muito trabalho, mas ela aguenta.
Quando chegamos ainda estava tudo fechado.
– Quando os funcionários chegam?
– Daqui á vinte minutos.
Entramos, ela pediu para que eu arrumasse as mesas, pois ela ia começar a fazer algumas coisas na cozinha e os clientes começavam a chegar ás onze normalmente.
Depois de um tempo os funcionários da cozinha chegaram, depois os outros que não faziam parte da equipe da cozinha.
Era um típico restaurante de comida italiana e francesa, minha mãe gostava das duas misturas e elas ficavam boas mesmo, graças aos cursos.
Quando o primeiro cliente chegou eu estava sentado em uma mesa, escrevendo no celular, uma poesia boba.
Eu gostava de ver quem eram as pessoas, e de imaginar o que elas pensavam, de supor o que elas pediriam, imaginar que essa mesma pessoa poderia ser alguém importante.
O primeiro era um homem de cabelos castanhos claros, com uma barba bem feita, terno e também uma aliança nada discreta, um homem que parecia ser bem sério, assim que pediu sua comida pegou seu computador e começou a escrever algo ali mesmo.
– Resolvendo alguma coisa do trabalho, talvez esperando a esposa, ou só fazendo uma pausa.
E depois de um tempo uma moça chegou e se sentou com ele, devia ter uns quatorze anos. A cara séria dele desapareceu e logo um sorriso bem largo apareceu em seu rosto. Era a filha dele, algo assim, devia ser seu aniversário.
Mais algumas famílias, mais alguns amigos e muitos casais chegaram, estava passando meu tempo olhando para essas pessoas.
– Meu filho, quer comer?
– Quero.
Sorri.
– Ok, lasanha?
– Claro.
– Dez minutinhos.
E dez minutos depois tinha uma lasanha saborosa na minha mesa, acompanhada de um refrigerante bem gelado.
Depois de mais um tempo minha mãe foi se sentar comigo.
– Por que não fez o almoço lá em casa?
– Tinha muita gente aqui hoje meu filho, mas amanhã vou fazer o almoço, prometo.
Ela sorriu e pegou na minha mão.
– Certo.
Puxei minha mão delicadamente de volta.
– Ham...Caio?
Olhamos para o lado, uma voz feminina bastante familiar me chamava.
– A-Amanda? Oi.
– O que foi?
– Nada.
Ela me abraçou.
– A senhora deve ser a mãe dos ruivos né? Rs, prazer...Sou Amanda uma...Amiga? É, amiga do Caio.
Minha mãe riu.
– O prazer é meu querida, tenho que voltar para a cozinha, minha equipe não é a mesma sem a Chef.
Piscou para mim e foi para a cozinha.
– O que faz aqui?
– Esse é o meu restaurante preferido do shopping, venho aqui toda segunda antes de ir para as aulas de inglês.
Ela sorriu.
– Wow...Bom, é o restaurante da minha mãe.
– Eu vi! Tipo...Nossa! Gosto muito daqui, mas nem sonhava que era da sua mãe.
Ela parou por uns cinco segundos, cinco segundos nos encarando.
– Bom...Quer comer alguma coisa?
Perguntei.
– Obviamente.
Sorri e chamei um garçom.
– Oi Gabriel.
– Boa tarde Dona Amanda. Vai ser o de sempre?
– Sim, seria bom.
Gabriel não era um garçom novo, aparentemente ela gostava de vir aqui mesmo.
Depois ele saiu e nos deixou sozinhos.
– Bom eu...Não esperava te ver aqui.
Riu.
– Eu também não.
– Ham, sobre a festa, minha irmã vai me levar e tudo, mas sem querer ser chata...Posso levar a Belly? Ela está tão sozinha esses dias e eu queria estar perto dela...
– Pode, eu...Gosto dela.
Ela sorriu.
– Ou finge muito bem, ou é verdade.
– Ei, é verdade.
Rimos.
– Ok...Então...Como vai ser?
– Bom, a Marcela colocou um tema na festa, festa das cores, então...
– Colorida? Ta, saquei. Tenho a roupa perfeita.
Ela riu.
– Bom, é.
A comida dela chegou, ela começou a comer.
– Sua mãe é engraçada.
– Ham...É? Por que?
– Porque ela está nos olhando há uns dez minutos da janela da cozinha.
Me virei, ela estava mesmo, até acenou para mim.
– Bom, isso é meio vergonhoso.
Ela riu.
– O que ela está esperando?
– Honestamente?
– Sim.
– Que eu te beije.
Rimos.
– Ok, agora sim ficou vergonhoso.
– Desculpa.
Ela riu.
– Mas você quer me beijar?
"Á cada minuto que passamos juntos", pensei.
Mas adivinha só o que eu fiz? Uma cara de lerdo e depois dei um sorriso.
– É...
– Não é muito convincente esse seu "É...".
– Eu não sou muito convincente.
Ela riu.
– Senta aqui do meu lado, essa lasanha está muito grande.
Sentei ao lado dela e comemos juntos. Depois de terminamos ela se encostou na parede e eu continuei sentado.
– Que horas sua aula começa?
– Já começou.
Riu.
– E por que ainda está aqui?
– Porque aqui é muito mais legal que lá.
Ela jogou um tic-tac para o alto e comeu, dava para sentir o cheirinho bom lá de onde eu estava.
– Entendi.
– Quer um?
– Eu...Aceito um.
Ela estreitou o olhar.
– Um?
– Ok, sendo honesto...Aceito alguns.
Ela riu e colocou uns quatro na minha mão, comi todos.
– Por que ela continua olhando?
– Eu...Ainda não te beijei.
– Cara...Você nunca levou uma garota pra sua casa?
– Então...
– Pera aí...Você nunca namorou?
– Não.
Ela riu.
– Não acredito.
– Eu também não, olha pra mim? Eu sou bonito de mais pra ficar sozinho!
Rimos.
– Ai meu Deus!
Ela ria cada vez mais, sua risada era tão bonita e confortável, eu me sentia bem ouvindo aquilo.
– Acha que estou brincando? Elas sentem medo de me namorar por causa da concorrência! — Ela riu mais — Continua rind...
Ela me beijou, de novo, eu não gostava daqueles beijos surpresas, mas era o beijo dela, então eu não tinha muito do que reclamar.
Depois de um tempo ela parou e olhou para mim.
– Por que?
– Porque se não você ia falar mais besteira.
Disse sorrindo ainda achando engraçado.
– Sabe aquela terrível sensação de que já nos conhecemos?
– Sei.
– Estou sentido isso agora.
– Ah...Se não é a minha "amante de outra vida" falando isso agora.
Completei a frase fazendo cócegas nela, e as cócegas terminaram quando a boca dela se encostou na minha.
– Eu gosto de você Caio.
– E eu gosto de você Amanda.
– Então não me ilude.
– Não vou.
– Promete?
Sorri.
– Prometo.
Ela me abraçou.
– Já que estou muito atrasada para o inglês...Tenho que chegar lá antes que a Bruna vá me buscar, pelo menos.
– Onde é?
– Aqui perto, vou andando.
– Eu...Posso te acompanhar.
– Eu gostaria da sua companhia.
Ela sorriu então chamou um garçom, mas dessa vez minha mãe resolveu ir atende-la.
– Posso ajudar?
– Ah, dona Jamile, eu quero pagar.
Abriu a bolsa.
– Hoje é por conta da casa.
Sorriu.
– Oh, bom eu...Mas eu quero pagar...
– Mas você não comeu sozinha, certo?
– Amanda, vai por mim, não dá pra discutir com ela, aceita logo e vamos.
Elas riram.
– É melhor ouvir ele.
Sorriu.
– Ham...Ok então, ham...Obrigada.
– Mãe, vou deixar ela no inglês...De lá eu volto ou...Vou para casa, tá?
– Tá.
Amanda e eu saímos, ela pegou na minha mão.
Fomos andando até o curso dela, conversando mais, dessa vez ela pediu para que eu falasse de meus amigos, e eu falei, de quase todos. Ela riu bastante quando falei sobre Romano, ou quando falei do Romano, riu mais ainda quando falei da paixão indestrutível de Jô pelo meu irmão. "Tadinha" foi o que ela disse sobre isso em meio as risadas.
Deixei ela na frente do cursinho e fui para um ponto de ônibus, peguei um dos que já para o SMU (Setor Militar Urbano).
A primeira coisa que eu quis fazer ao chegar em casa era contar para o meu irmão, mas ele estava no trabalho, então contei para a minha irmã, que ficou um pouco feliz.
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