Bon Appetite

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Galeraaaaa, desculpa a demora para o capítulo 14, é que eu tava viajando e pá...Descuuuuuulpem, não abandonem a leitura porque a Titia Miles gosta muito de vocês

Mais ao fim da tarde minha mãe chegou e foi para o meu quarto.

– Caio?

– Oi mãe.

Eu estava sentado na minha cama lendo algum livro.

Ela sentou-se aos pés da cama de meu irmão.

– A gente precisa conversar.

–Ah, claro.

Me ajeitei na cama e coloquei o livro de lado.

– Você tem orientação sexual e...

– Mãe eu... Não quero falar sobre isso...

– O que eu quero dizer é que...

– Mãe... Por favor...

– Eu tive essa mesma conversa com o seu irmão há uns anos e ele também não gostou, mas tem coisas que precisam ser ditas...

Passei a mão pelo rosto.

– Podemos passar para o final?

Minha mãe me encarou séria, depois suspirou.

– Não vou criar seus filhos, use proteção.

Se levantou e foi para fora do quarto, fiquei um tempo sozinho, pensando naquilo, minha família estava desesperada para que eu perdesse minha virgindade.

Depois de um tempo meu irmão entrou no quarto.

– Como foi se primeiro dia?

Ele se jogou na cama.

– Legal...Nada para fazer.

Rimos.

– A Amanda vai no restaurante da mamãe.

– Eu sei, rs...A Marcela me contou.

– Ah...Quando?

– Assim que contou para ela, no WhatsApp.

– Ah...Ok.

Me levantei e fui tomar um banho, depois do banho, jantamos e depois arrumei minhas coisas e fui dormir.

No dia seguinte acordei quando meu irmão me chamou, coloquei o agasalho e fui tomar meu café da manhã, depois escovei meus dentes e cuidei de minha higiene pessoal, então fui para a escola.

A primeira coisa que fiz foi procurar Romano,ele estava com Samuel na quadra três.

– Opa! Hoje eu resolvi aparecer!

– E aí?

Romano disse me cumprimentando.

– E aí Samuel? O que você está achando?

Samuel riu.

– Po, nada de mais, me amarrei nas amigas de vocês.

Sorri.

– E agora? No que você vai entrar?

Romano me perguntou.

– Vou perder os dois pontos mesmo, minha média vai ficar em oito.

Deu de ombros.

– Bora pro cantinho, o pessoal está lá.

Nós fomos. Lá cumprimentei Juba, Jô e Rafael.

– Caiooooo! Tô sabendo das suas festinhaaaas!

Juba disse rindo e fazendo cosegas em mim.

– Pois é, é a vida!

Ri.

– Como ela é? Não que eu já não tenha olhado o Facebook, o Instagram e o Twitter dela...Mas quero te ouvir falando.

Fiquei meio sem graça, dei um sorriso amarelo.

– Po Juba, ela tem uma pele clara...Macia, gostosa de sentir...Um sorriso enlouquecedor, é...Uma coisa para deixar qualquer um louco, mas o legal é que...Ela não sorri só com a boca, ela sorri com os olhos...Com as bochechas, ela sorri com tudo. Ela é uma garota interessante, delicada, um pouco fofa, mas diferente de qualquer outra menina, um jeito de pensar diferente, um jeito de agir diferente, eu diria que um pouco carente, mas uma menina...Especial.

Ela, Jô, Rafa e Romano ficaram me olhando por alguns segundos, esperando alguma outra reação minha, mas realmente...Eu nunca havia falado assim de uma garota, devia ser algo estranho, tipo, o seu amigo, que quase nunca pega ninguém, estar falando com aquela segurança toda sobre uma menina que ele esta ficando.

– É...É a vida.

Jô disse e olhou para Juba quebrando um pouco o gelo.

– Bom, mas e o aniversário de namoro de vocês?

Perguntei para Juba e Rafael. Ela deu um suspiro longo e começou a contar detalhe por detalhe do jantar que Rafael organizou.

Depois de um tempo eu parabenizei os dois e saí com Jô, só para andar mesmo.

– Bebeu muito na festa?

– Nem me fale de beber, nunca mais faço isso.

Rimos.

– Vomitou?

– Do lado dela.

Jô riu.

– Eca! Eu não encostaria mais em você depois disso!

Continuou rindo.

– Ela foi no restaurante ontem.

– Se pegaram?

Dei de ombros e sorri.

– Elas não resistem.

Joanna riu e deu um leve empurrão no meu ombro.

– A vida amorosa de vocês é muito descomplicada...Cadê aquelas preocupações bobas de antes?! Alô? Cadê as noites sem sono?!

Rimos.

– Mas eu gosto dela.

Sentamos sob uma árvore que fazia uma sombra fresquinha.

– Eu entendendo...

Me olhou, parecendo chateada.

– O que foi?

– Nada.

Desviou o olhar, eu conhecia aquele “nada”, não era nada, algo tinha chateado ela.

– Fala.

– Estou meio carente...E vocês ficam falando das suas namoradas e dos seus romances, o único cara que eu gosto nunca vai me dar bola! Eu tenho que partir para outra...Mas sei lá...

Eu não falei nada, dei um abraço nela e deitei sua cabeça em meu ombro.

– Obrigada.

Ela cochichou. A verdade é que as vezes as pessoas só precisam de um gesto de gentileza, um toque de amor, de felicidade, para que suas vidas fiquem mais suportáveis.

– Eu tô sempre contigo Joanna, cê sabe.

Depois de um tempo, vimos que o terceiro estava indo para a quadra três, jogo de futsal, terceiro contra segundo ano.

– Vamos ir assistir?

Perguntei.

– Vamos ficar mais um tempinho aqui, por favor.

Esperei mais um tempo, um longo tempo, mas era até bom, ela me abraçava forte, como se sentisse mais segura assim.

– Caio...

– Fala.

– Te amo.

Abracei ela de volta.

– Também.

Dizer aquilo saiu como um desabafo, senti meu peito ficar mais leve, fiquei mais aliviado.

– Ta, agora vamos.

Ela se levantou e riu, segui ela até a bagunça da torcida, encontramos o pessoal do cantinho, menos Rafael, ele estava jogando.

Depois de um tempo, e uma vitória incrivelmente inesperada, fomos beber água. Os bebedouros daquela escola ficavam longe de tudo, era um saco, andar metade da escola para beber dois goles de água.

E depois de muito tempo olhando Rafael e Juba se pegando forte na nossa frente, o sinal final tocou, então eu, Samuel e Romano fomos procurar minha irmã, para depois ir pegar um ônibus para nossas casas.

Quando a achamos com aquele carinha...O Guillermo, fiz eles se despedirem rápido e fomos pegar um ônibus.

Quando conseguimos chegar em casa, nossa mãe já estava voltando para o restaurante, só deu tempo de dizer “oi” e “tchau”.

Entramos, trocamos de roupa, comemos e fomos para os nossos quartos.

Pelo resto da tarde, fiquei pensando em falar com Amanda, ela sempre puxava um assunto, mas eu também queria puxar, ela estava online, era minha deixa.

Eu: Eaí? :p

Amanda: Oi!

Ela respondeu na hora, sem demorar nem ao certo três segundos.

Eu:De boa?

Amanda: Sim sim

Amanda: E você?

Eu: Tranquilo

Eu: E a tarde, como foi?

Amanda: Foi...Normal, kk

Eu: Tentando puxar assunto....KKkk, desculpa

Amanda: Tem Skype? Me adiciona lá

Amanda: principa_14

Na mesma hora adicionei ela “Olá garota” e recebi de volta um “Olá Garoto”. Fiz uma chamada, por vídeo mesmo.

– Oi!

Escutei sua voz, mas não recebia o vídeo dela.

– Cadê você?

Ela riu.

– Eu estou feia.

– Para com isso, liga logo o vídeo.

Ela ligou, exatamente a mesma carinha de ontem.

– Oi...

Ela sorria sem graça.

– Oi! E aí?

– Nada – Riu – E aí?

– Tô de boa...

– Fazendo o que?

– Eu estou olhando para você, e você?

– Vejo você.

Rimos, os dois sem jeito.

– Como foi a escola? Po, me ajuda aí...Não sei como arrumar um assunto...

Ela riu de novo.

– Calma, a gente arranja um...Minha escola foi normal, tive aula e tudo mais...

– Vem cá...A...Isa estuda com você?

– Sim sim...Desde o oitavo ano.

– Nossa...Amigas de longa data!

Sorri e coloquei a língua entre os dentes.

– Cara...Não faz isso...

Sorriu e abaixou a cabeça.

– Por quê?

Continuei fazendo.

– Porque eu gosto.

Voltou a me olhar ainda com a cabeça abaixada.

– Então serei obrigado a continuar.

Rimos.

– Claro...E a sua escola?

– Estou na semana de olimpíadas.

– Mesmo? Não sei o que é isso...Mas...Mesmo?

Ri.

– É tipo...A semana que eles deixam a gente fazer tudo que queremos na escola e nos obrigam a praticar esportes.

– Hã? Como assim?

Riu.

– É só isso...Se não entrarmos em um time perdemos dois pontos, mas é só isso...

– Entendi. E foi legal hoje?

– Pf, nem tanto, fiquei com os meus amigos, depois saí com a Jô para andar, ela estava meio bolada hoje...

– Quem é essa?

Ela olhava para a tela com um sorriso estranho.

– Uma amiga minha, aquela que é apaixonada pelo meu irmão...

– Ah sim...Lembrei, perdão...Minha memória é fraca.

Riu.

– Normal.

Ri.

– Mas o que ela tinha?

– Não sei direito, mas eu abracei ela e ficou tudo bem...

Ela sorriu normalmente.

– Certo.

Ouvi a porta do quarto dela se abrindo.

– Com quem você está falando?

– Meu amigo.

Era a Bruna, abaixou para olhar a tela do celular e me viu.

– Ah, oi Caio!

Sorriu.

– Oi...Bruna.

Olhei para baixo sem querer falar muito.

– Como está seu irmão?

– No trabalho, ele está bem.

– Que bom.

Sorriu e olhou para Amanda.

– Abre o olho garota.

Então saiu do quarto.

– Então...

Amanda disse olhando para mim e ajeitando o celular.

– Então.

– Desculpa, ela é intrometida.

– Relaxa.

Ri.

– Pois é...

– Então eu sou...O seu amigo?

Sorri de um jeitinho debochado, do jeito que eu sabia que irritava e provocava ao mesmo tempo.

– É...De longa data!

Riu.

– Garota, quando vamos nos ver de novo?

– A gente se viu ontem!

Deu um sorriso e depois vi suas bochechas ficarem rosadas.

– Mas a gente tem que se ver de novo.

– Tem mesmo...

– Que foi?

Sorri.

– Nada, eu estou com vergonha...

Ri.

– Vergonha do que?

– Nada não...

– Fala Manda...

Ri um pouco mais.

– Não é nada mesmo!

Riu.

– Aham...Ok.

Estreitei o olhar.

– Certo...

Comecei a olhar bem para ela.

– Onde você está?

– No meu quarto.

– Ah, entendi.

– E você?

– No meu quarto.

Ela sorriu, ficamos nos olhando um tempinho.

– Deixa eu te explicar como uma conversa funciona...Um puxa um assunto, depois o outro puxa e assim a conversa flui.

Falei rindo porém sugerindo a ela que puxasse um assunto de verdade.

– Ah certo, sem problemas...Vamos ver...Olha, sei que é muito boba a pergunta, mas quando você era pequeno, o que queria ser quando crescesse?

– Um ninja.

Rimos, eu de vergonha e ela porque era engraçado mesmo.

– Ai meu Deus...Desculpa rir disso.

– Para de pedir desculpa cara, irrita muito isso...Você não fez nada, super normal você rir disso, relaxa um pouco!

Continuamos rindo.

– Ok...Mas você “Treinava” para ser ninja?

– Bom, eu fazia karatê com o meu irmão, daí a gente ficava fingindo que estava lutando e pá, daí eu me achava o mestre Caio...Era louco – Ela sorriu como quem dissesse “ai que fofura ” – E você?

– Eu queria ser policial, eu prendia os meus ursinhos no armário, era tipo a prisão...

Eu ri.

– Boto fé...Cabo Amanda.

Rimos.

– Po, mas era muito legal, eu era muito fofa, minha irmã gravava escondido as vezes, eu achava legal.

– Se meu irmão fizesse isso eu estava ferrado, a gente passou por muitos momentos constrangedores juntos.

– Claro...Mas e agora? O que quer fazer da sua vida?

– Eu na verdade não sei, acho que vou tentar o vestibular para engenharia, eu já estou estudando e pá.

– Claro, é bem a sua cara sabia?

– Engenharia Mecatrônica.

– Nossa...Esse é um curso difícil.

– Eu sei.

Ri.

– E eu aqui pensando em administração...

– Sério?

– Eu não tenho certeza, tenho bastante coisas em mente, na verdade penso em Administração, pedagogia e letras.

– Nada a ver uma com a outra, né?

Sorri.

– Pois é...Mas parecem ser bons cursos os três.

– Bom, boa sorte para nós dois, certo?

Minha porta abriu.

– Falando com quem esquisito?

Meu irmão entrou.

– Amanda, no Skype.

– Oi Amanda!

Gritou mais ao fundo.

– Oi!

– Caio, só vou pegar outra roupa e já libero o quarto.

Fiquei olhando com vergonha para ela enquanto ela sorria com nem tanta vergonha assim.

– Bom...Eu já volto.

Ela disse e me deixou olhando para a estante dela, tinha uns livros abertos, provavelmente a lição de casa.

– Mais tarde te chamo pro jantar.

– Ok.

Ela voltou.

– OI!

– Estava fazendo o dever?

– Hã?

– Sua estante...

– Ela olhou.

– Ah, é...Eu estava estudando.

– Estou atrapalhando?

– Não...Agora não.

– Eu estava?

Ri.

– Não, não é isso – riu – É que tenho que sair daqui a pouco.

– Ok, tudo bem.

– É que hoje é aniversário de casamento dos meus pais, eles querem sair, aí daqui a pouco tenho que começar a me arrumar

Riu.

– Ah, tudo bem, manda um parabéns para eles.

Sorrimos.

– Não, provavelmente meu pai ira atrás de você para saber quem você é e tudo mais.

Rimos.

– Certo, então vou ficar na minha.

– Certo.

– Ok, agora eu tenho que ir.

– Já?

– Depois nos falamos, relaxa.

Riu.

– Beijo.

– Tchau.

E a chamada foi cancelada.

Notas finais
Obrigada pela leitura, e pelos últimos comentários