Bola demolidora

13 Episódio 13 - Você me destruiu.


Notas iniciais
"Eu vim como uma bola demolidora, eu nunca amei dessa maneira. Tudo que eu queria era quebrar a parede que tinha entre nós e tudo que você fez foi me destruir." — Miley Cyrus. - (Wrecking Ball).

Ao se passarem três noites, Fátima ficava dando uma volta por uma trilha que conhecia, nesse horário era fechado para visitantes, pois era praticamente de madrugada, mas quem disse que ela se importava com isso? Lá ela conseguia se sentir sozinha e a vontade.

“Essa selva poderia ser meu lar.” Pensava Fátima enquanto acendia um cigarro e se sentava atrás de uma árvore, se encostando nela.

No apartamento de Luiza, Heitor e ela passavam uma linda noite de amor,

— Você fez bem em terminar tudo, nem acredito que estamos vivendo esse lindo romance. — Dizia Luiza pelada enrolada aos lençóis com ele.

— Também estou muito feliz de estar aqui contigo.

— Eu sei que foi apenas um dia mas estou feliz de você ter ficado esse pequeno tempo sem fumar. Isso vai te fazer um enorme bem.

— Sim amor, você me ajuda muito nisso! — Dizia Heitor enquanto os dois se beijavam. Luiza não conseguia disfarçar seus enormes sorrisos entre o beijo e terminava com vários selinhos.

— Vou ao banho. — Dizia a mesma enquanto se levantava rapidamente e entrava em seu banheiro. Heitor ao perceber a ausência dela, conferia em sua mochila ao lado da cama se sua carteira de cigarro ainda estava no mesmo lugar, e ao vê-la dava um sorrisinho e imediatamente fechava o bolço.

Ao Daniela chegar em sua casa, demonstrava muita raiva e gritava com as empregas.

— Cristina, cristina... Cadê você? — Gritava ela pela casa.

— Ai calma, estou aqui! — Dizia Cristina enquanto se levantava do sofá aos grito de Daniela.

— Olha, chega ok! Se você continuar pegando minhas roupas e indo fazer programas, pode esquecer do meu apoio e sair dessa casa para sempre. — Falava Daniela furiosa.

— Olha aqui querida, me perdoe tá! Não sei o que deu em mim, acho que eu queria saber como era a sensação, não planejei aquilo, mas tudo bem! Não vai mais acontecer, pode ficar tranquila. — Explicava Cristina

— Mas é que, você disse isso ontem, e…

— Os caras são legais e oferecem umas drogas legais também, mas da última vez um quase tentou me matar, daí a ficha caiu, foi como se eu precisasse daquele tapa para acordar pra vida real.

— Nossa, eu sinto muito. — Lamentava Daniela enquanto abraçava a nova amiga.

— Foi horrível. — Falava Cristina chorando enquanto relembrava o ato. Mas tudo bem, eu só quero respirar e voltar a minha vida normal. Prosseguia a mesma.

— Sua vida normal, é aqui!

“Já chega!” Pensava Fátima enquanto ouvia as músicas como “Passive aggressive — Placebo”, “Another Love — Tom Odell”, “Pretty when i cry — Lana del rey” “Habits — Tove lo”. Depressa ela tirava o fone, e pensava, — Agora mais do que nunca preciso ser forte, e ninguém precisa necessariamente saber o que vou fazer. — Pensava ela, enquanto entrava no carro e ia em direção a casa de Heitor, rapidamente descia e tocava a campainha, sua aparência estava arrumada, perfumada e pronta pra tudo. Quando Heitor via pelo olho mágico que era Fátima ali, não acreditava, ainda mais porque tinha ido com Luiza para sua casa. Mas mesmo assim ele a atende lá fora.

— Oi, boa noite!

— Oi, você tá bem? — Perguntava Fátima para inciar o assunto.

— Tudo e com você?

— Ótima. — Balançava a cabeça dizendo que sim. — Olha, eu sei que eu não deveria estar aqui, mas é que realmente sinto sua falta.

— Imagina, pode vir sim! — Dizia Heitor sem encompridar conversa.

— Você não está mais usando nada?

— Não não, parei… — Dizia ele com um riso de lado.

— Eu realmente fico feliz por você, eu sabia que encontraria o caminho de volta… — Enquanto ficava um vácuo um pouco constrangedor, quando por fim Fátima resolve ser direta. — Ainda está com aquela menina lá?

— Não, você me entendeu mal, eu só quero ter amigos, acho que eu precisava apenas de uma companhia que estivesse comigo.

— E você acha que não sou? — Ele começava a rir como quem falava uma piada.

— Você tem umas coisas que eu não gostei.

— Olha, não é pra tanto, eu acho que a gente não deveria jogar tudo fora assim, temos uma história tão bonita! E eu sei que você também sentiu algo.

— Senti. — Afirmava Heitor.

— Você sabia da importância que seria pra mim, eu acho que você está confuso. Sei lá, não precisa ser como antes, podemos começar do zero, sem compromisso. — Explicava Fátima.

— Para com isso. Esquece, já é coisa que passou, quero estar sozinho não adianta mais. — Concluía Heitor.

— Só... Pensa bem! — E assim Fátima saía enquanto entrava em seu carro e seguia seu caminho.

— Quem era, amor? — Pergunta Luiza na porta.

— Fátima.

— O que essa garota queria dessa vez? — Perguntava Luiza revirando os olhos.

— Encher. Vem cá. — Falava ele puxando Luiza para seus braços e iniciando um beijo.

— Olha, não gosto disso, comigo você não vai brincar. — Dizia Luiza interrompendo o beijo. — Vamos tirar uma foto nos beijando e colocar no instagram assim ficará tudo esclarecido. — Sugeria Luiza.

— Por mim pode ser. — E assim os dois se beijavam, com a câmara frontal Heitor gravava alguns segundos do beijo para colocar nessa rede social. — Olha como ficou! — E assim os dois viam…

— Poe uma música de fundo amor. — Sugeria Luiza.

— Só se for Lana del rey, claro. — E assim Heitor editava e postava em seu perfil marcando a Luiza na postagem.

Fátima ao chegar em casa deixava sua bolsa no sofá e ia para o quarto penando sobre a conversa conturbada que acabava de ter com seu ex. “Ele vai pensar na minha proposta.” Pensava a jovem. Quando resolve olhar seu celular para ver novidades ou alguma eventual mensagem, ao checar o insta o primeiro post que ela dar de cara é o do beijo.

— Não não não não, não pode ser. Isso não tá acontecendo! — Falava Fátima escondendo o celular de sua vista.

— Ai que gritaria é essa? — Perguntava Miguel estranhando o comportamento da irmã.

— Nada, desculpe. — Dizia Fátima o que fazia ele se tranquilizar e voltar para o quarto. Logo várias cenas tomam conta de sua mente que não acreditava no que vira ainda mais sabendo que fazia pouquíssimo tempo que eles tinham rompido, e ainda que fazia pouquíssimo tempo que ele afirmava não ter ninguém. Nada fazia sentido, ela também sentia uma raiva enorme enquanto não conseguia nem falar com tanta mistura de sentimentos, ela ficava sentada no chão segurando a borda da cama e apertando a cocha com uma certa raiva. Quando recebe uma ligação, sem ao menos ver quem era, o atende.

— Alô? Victor? Quando você volta? — Ao ouvir a voz do rapaz, ela se acalmava consideravelmente, como se ele fosse salvá-la.

— Ainda estou em São Paulo, mas amanhã estarei na cidade, estou ligando pra dizer isso!

— Você não deveria nem ter ido, eu queria que você tivesse me levado com você. — Falava Fátima ficando ainda mais emocionada.

— Algum problema? Você está estranha.

— Não é nada, só estou um pouco pensativa sobre a vida. — Falava ela enquanto disfarçava a voz de choro.

— Eu sei que não deveria ligar, mas queria tanto ouvir sua voz. — Dizia Victor.

— Eu realmente estou com muita saudade, mas e os exames deram certo?

— Sim, falta um último, mas está tudo bem graças a Deus.

— É isso que importa, estarei aqui torcendo por você, e sei que dará tudo certo!

— Eu fico feliz que você tenha pensado em mim.

— Pensei, claro. Eu sinto sua falta.

— Eu também sinto, e em breve eu estarei aí para colocar tudo em dia, prometo.

— Sim, só não demore, poderia ser tudo como antes, poderia… — Falava Fátima pensativa enquanto os dois se despediam e ela ficava ainda mais confusa e perdida e ainda sentia pontadas em sua barriga. — Poderia... — Refletia a jovem.

Quando um novo dia raiava no céu, Theodoro resolve visitar Cristina na casa de Daniela.

— Estou procurando por Cristina. — Dizia ele para uma das empregadas que apontavam para o estúdio, e então ele ia na direção indicada ao vê-la concentrada nas músicas que tocaria. — Olá madame.

— Theodoro? O que faz aqui?

— Trouxe essas flores para você. — Mostrava um arranjo de rosas amarelas e a entregava e ela deixa sobre o piano.

— São lindas, mas realmente não precisava se incomodar.

— Cristina, você não percebeu que eu quero você?

— Eu nunca vou ficar com alguém que mente pra mim, que não é honesto.

— Eu te amo. Isso não é mentira e você sabe! O nosso amor é muito grande, não tem como negar. — Dizia ele a segurando pela cintura, então ela se solta dos braços dele e diz.

— Não Theodoro, isso não está certo.

— É claro que é certo, não seja tão criança!

— Não é esse o ponto, eu posso até voltar com você e esquecer de tudo, mas só se você me prometer que não vai haver mais mentiras, e que não irá me esconder mais nada. Promete?

— Prometo. — Dizia Theodoro já se chegando novamente na moça e assim os dois se beijavam e ficavam abraçados por um tempo. Mas ele sabia que tinha um segredo maior que não podia contar.

— Eu fui prostituta.

— Sério amor? — E assim os dois continuavam abraçados e dando longas risadas.

Miguel em seu quarto continuava com uma profunda depressão, enquanto tomava todos os remédios que Gustavo tinha fornecido. Ele apenas não queria sair da cama.

Heitor mais uma vez resolve almoçar com sua nova namorada a Luiza, e os dois brindam de felicidade enquanto ele põe músicas batidas (que todo poser conhece) da Lana del rey.

— Amor estou muito feliz com você e com essa nova vida. — Falava Heitor brindando.

— Eu também, meu amor. Vou ao toilet. — E então Luiza bem fina se levantava e ia para o banheiro de damas. Heitor aproveitando a ausência dela, resolve ir para o fumódromo do restaurante e descaradamente acende seu marlboro red enquanto ficava pensativo nas batidas na Lana del rey em seu fone. Nesse mesmo momento encontrava uma garota, que se aproximava dizendo:

— Você tem isqueiro?

— Não prefere acender no meu? — Falava Heitor trocando um flerte. E a mesma retribuindo com sorrisos acendia o cigarro no dele e não cansavam de trocar olhares. Quando a moça por fim termina de fumar e deixa em um papel com seus dados de contato, o que deixa Heitor bem animado. Mas não demora muito para voltar a mesa.

— Aonde você estava? — Perguntava Luiza.

— Precisava fazer uma ligação! — Mentia Heitor enquanto com olhar tentava procurar aquela garota.

Como Victor tinha acabado de chegar na cidade ele e Fátima resolvem se encontrar…

— Você foi esperto por me trazer no lugar onde nos conhecemos. — Era um campo verde onde tinha muitas árvores e era bem aberto e agradável.

— Olha só, ela se lembra! Sabia que eu vinha aqui sempre?

— É mesmo? E pra que?

— Pra me lembrar de você. — Falava Victor enquanto olhava para os olhos azuis-esverdeados de Fátima.

— Parece romântico.

— Você sabe Fátima, eu quero muito poder estar contigo. — E com essa declaração ela ficava realmente pensativa.

— Olha, acho que se for pra isso acontecer a gente precisa ser sincero um com o outro e tem umas coisas que acontecerão e acho que precisa saber. Quer dizer, eu não me sentiria a vontade de estar contigo sabendo tudo que fiz. — Explicava a loira.

— E o que seria isso? — E então, Fátima abre o jogo e resolve contar tudo. Victor ficava de boca aberta e não acreditava em tamanho absurdo mesmo separados ele acreditava que Fátima deveria ter esperado.

— Hum, então por isso resolveu dar fácil?

— As coisas não aconteceram assim! Eu só queria que tudo fosse como antes, vamos esquecer.

— Não, não tem nada como antes, você não é quem eu pensava. Vai lá dar pra esse cara. — Falava Victor e ia embora furioso. Fátima ficava chocada com seu comportamento pois ele agiu como se fosse uma enorme traição mas os dois tinham terminado. Então resolve voltar para casa sem reação, de alguma forma ela até gostava de ter causado dor em alguém se é que isso pode ser considerado uma dor.

Ao chegar a noite, Finalmente Cristina levava o namorado para o evento que ela mesmo organizava e iria tocar como DJ, numa casa de show do bairro chique de Daniela, e então ela tocava “Bitch, better have my money” e ainda dedicava a Manuella dona de uma pequena casa de show que tinha prometido mundos e fundos e não cumprira.

— Gente, essa é pra todas as enganadas. — E então Cristina vai e dar seu show levando todos a loucura, ao descer para beijar Theodoro e curtir a festa com ele. Em seguida e já em casa claro que os dois tem uma linda transa de reconciliação. No apartamento de Theodoro, quando ele a via dormir em sua cama, pois estava exausta, então resolve ir no banheiro enquanto ficava um tempo olhando no espelho pensativo. “Não, a Cristina nunca poderá descobrir isso.”

O pai de Cristina ficava em casa e ao ir se deitar para dormir, deixava um porta-retrato cair e ao apanhá-lo do chão vê Cristina e ele na fotografia. “Minha menina, onde será que ela está. Será que está bem?” Pensava o velhinho enquanto acariciava a foto.

Em sua casa finalmente sozinho e longe da grudenta, Heitor entrava em contato com a tal garota misteriosa e trocavam várias mensagens e até nudes.

Já Fátima ficava a madrugada assistindo tv em uns seriados que só passavam de madrugada. Miguel resolve fazer companhia para sua irmã.

— O que você está vendo aí?

— Nem eu sei… — Falava Fátima enquanto continuava olhando pra tv. Como está?

— Ai, você sabe, mais ou menos, é horrível ter tantos problemas de autoestima devido a minha aparência. — Dizia Miguel.

— Ai por favor, me poupe vai! Você faz drama porque quer, já deu tempo suficiente de você dá a volta por cima, não acha? — Criticava Fátima.

— Não, não acho, isso não se cura assim. É porque não é com você. — Continuava Miguel.

— E você pretende ficar nessa pra sempre?

— Ué, eu não estou porque quero. Eu tenho depressão e problema de auto-estima. Isso não é nada fácil.

— Você já foi em um psicólogo?

— Acho um grande avanço eu conseguir me manter vivo ou você acha que é fácil engolir a seco os defeitos que tenho no meu corpo?

— Que defeitos? Pra mim é um corpo como qualquer outro!

— Pra mim não, eu não gosto de muita coisa no meu corpo e você sabe disso. — Falava Miguel já ficando triste.

— Mas você não faz nada a respeito, só sabe reclamar garoto, ninguém merece.

— Ah claro, no final a culpa é sempre minha tudo continua igual. Assim foram as coisas.

— Hum, e de quem seria a culpa afinal, se não sua?

— Dos meus malditos hormônios. Essas pernas cheia de pêlos, eu odeio.

— Olha, existe ceira, depilação a laser, cremes depilatórios, lâminas… Entre outros procedimentos... Você pode não aceitar e me perdoe dizer mas você sofre porque quer, pois existem diversas soluções para problemas de aparências. Quem dera meu problema fosse só isso. — Continuava Fátima “sacolejando” o garoto.

— Sofro porque quero… Ok… Vou relevar isso, só quem sofre sabe! Só eu sei o que passo. Quem não passa prefere julgar. — Dizia Miguel deixando cair uma lagrima.

— Olha aqui queridinho, não estou te julgando, falo pro seu bem. E não diga que não, pois todos passam por problemas. É culpa sua sim, você está nessa porque quer sim. Você me deu o problema e eu te dei a solução, e você ainda não faz nada a respeito, pelo amor de Deus Miguel acorda pra vida, para com essa porra, estou te mostrando que só depende de você e só VOCÊ pode reverter tudo. — Nisso Miguel se sente mal e desmaia. Miguel? Miguel? Acorda!!! Meu Deus… Logo Fátima corre para a sala e ligava para um ambulância pelo telefone fixo apavorada e quase chorando.