Bola demolidora

12 Episódio 12 - Não planejamos isso.


Notas iniciais
"Ele diz que para toda sua vida, vai te amar incondicionalmente, e te encherá de beijos e te entregará seu corpo, jurando muito amor. Mas tudo isso é mentira. Apenas uma parte do seu engano, e quando tudo tiver terminado uma outra que receberá as mesmas demonstrações de amor." — Gloria Trevi. (Hembra es mala).

Quando Theodoro via Cristina em sua porta, ficava muito surpreso e na verdade não entendia nada, mas a convidou para adentrar em seu apartamento. Perguntando:

— O que houve, Cristina?

— Meu pai já descobriu tudo, não teve jeito… Eu estou tão mal de ter mentido todo esse tempo. — Falava Cristina se lamentando enquanto sentava no sofá e deixava sua mala ao lado.

— E a Fátima?

— Não, eu não contei nada para ela, e também não poderia ficar na mesma casa que aquele Miguel, ele me odeia e seria capaz de tudo.

— Não exagera não é para tanto! — Falava Theodoro se aproximando e a consolando.

— Não Theodoro. Isso não é uma reconciliação! Será só uma noite. É que não tenho mesmo pra onde ir, só pensei em você, mas por favor não se aproveite disso. Tomarei o mínimo possível do seu tempo e sua disposição.

— Eu entendo Cristina, mas você pode contar comigo e pode ficar aqui o tempo que quiser, mesmo que não queira sequer olhar para mim. — E assim ele mostrou um quarto que estava disponível e a instalou de forma harmoniosa naquele recinto.

Após o festival, Luiza e Heitor iam voltando enquanto conversavam, ele a acompanhava até em casa.

— Bom, é aqui que estou hospedada! Dizia Luiza enquanto apontava para o chalé.

— É lindo…

— Eu adorei a noite, de verdade! Você não quer entrar?

— Eu não sei, Luiza. Eu estou um pouco cansado, na verdade. — Dizia Heitor enquanto olhava aqueles lindos olhos azuis de Luiza.

— Eu achei muito bonito o seu gesto com os mendigos hoje, realmente… Deve ser horrível não ter nada, e sei lá, a felicidade é algo que depende muito de como você vê as coisas. — Comentava Luiza.

— Você acha mesmo? Olha pra mim, eu tenho de tudo e não sou feliz.

— Por favor Heitor! Essa é a vida que você leva, porque ninguém nunca se importou realmente com você, eu acho que precisa se desligar de tudo e viver uma outra vida, existe um lindo horizonte para quem busca isso, eu tenho certeza. — Explicava Luiza enquanto levava suas mãos para as mãos de Heitor acariciando levemente.

— Eu queria muito tentar. Talvez algo mais simples e por fim encontrar toda essa luz. — Complementava Heitor retribuindo as carícias nas mãos dela.

— Se você quiser eu te ajudo, você quer entrar?

— Quero! E assim os dois entravam no chalé.

Fátima ao descobrir de tudo que acontecera com sua amiga, resolve ligar para ela:

— Amiga, já soube de tudo, onde você estar?

— Querida, estou aqui na casa do Theodoro, mas não fala nada, é temporário, e darei um jeito de me livrar dessa. Não sei, talvez eu volte para minha cidade natal e viva com a minha mãe.

— Não amiga, você não pode ir embora, aqui é sua casa, sua família e amigos, essa mulher nunca deu um telefonema, sequer uma carta.

— Mas é que não tenho muitas opções, não vou tentar uma reaproximação com meu pai agora, ele foi muito grosso comigo. Mas eu estou bem, obrigada por se preocupar.

— Querida, você pode ficar aqui em casa, meus pais estão em uma obra e passaram um tempinho fora, venha para cá. — Falava Fátima com uma certa preocupação.

— Não… Dizia Cristina procurando uma desculpa. É que não quero incomodar, fora que ai seria mais fácil do meu pai me encontrar e me insultar, quero evitar problemas. — Prosseguia Cristina.

— Ai tudo bem, mas qualquer coisa que você precisar pode me chamar que vou correndo. E assim as duas se despediam e desligavam. — Nisso Miguel chegava e perguntava.

— Irmã, o que houve com a Cristina?

— O pai a expulsou de casa, parece que ele acabou descobrindo tudo.

— Descobrindo o que? Nossa, mas que horror né? — Fazia cara de chocado e quando Fátima não olhava ele dava um sorrisinho de satisfação. — Bom, eu preciso sair agora, te vejo depois. — Dizia Miguel dando um beijo no rosto de sua irmã.

Logo de manhã cedo, Daniela vai ver Theodoro em seu apartamento e ao atender ele dizia…

— Oi Dani, desculpa estou atrasado para universidade.

— Eu só vim aqui porque já soube o que o Gustavo te fez na festa passada, isso foi horrível, ele passou dos limites, teve muitos amigos meus que simplesmente se perderam na mão dele, pelas coisas que ele vende. Já estou farta, teve um grande amigo meu que até morreu. Inclusive cortei relações com ele. — Dizia Daniela lamentando muito.

— Poxa, meus pêsames! E sim, estou com muitos problemas depois daquilo, outra novidade é a Cristina. Ela tá aqui em casa. Dizia Theodoro. O pai a expulsou de casa... — Quando era interrompido por Cristina que se aproximava e perguntava:

— Quem é, Theo? — E assim via Daniela na porta.

— Uma amiga! Pode ir para a universidade, eu vou ficar o dia com ela. — Dizia Daniela.

— Olha, não preciso da sua ajuda. — Falava Cristina achando estranha a atitude da garota.

— Querida, também já fui expulsa de casa. Sei o que está passando. — Dizia Daniela, enquanto Theodoro se retirava apressado como quem estivesse um pouco atrasado.

— Então, você sabe a sensação, de ser sozinha no mundo.

— Acredite pra mim também foi muito difícil lidar com isso. — Respondia Daniela enquanto abraçava a garota que caía no choro.

Quando Theodoro chegava na universidade dava de cara com Miguel o esperando no estacionamento.

— Oi amor, que saudade. — Cumprimentava Miguel dando um beijo no rosto do rapaz.

— O que você quer? — Perguntava Theodoro sem retribuir ao carinho do garoto.

— Eu vim dizer que agora podemos ser felizes, Cristina já foi pra muito longe.

— Do que está falando?

— Você não soube? O pai a expulsou de casa, só sei que ela se foi. —Dizia Miguel o abraçando.

— Ela está na minha casa.

— Como essa estupida foi para lá? Não era isso que planejei.

— Então foi você quem contou a verdade para o pai dela? — Perguntava Theodoro furioso.

— Claro que fui eu. Mas nunca imaginei que essa tonta voltaria com você. — Gritava Miguel. Nisso, Theodoro o segurava pelo braço e o apertava enquanto dizia

— Olha, não vou admitir que você faça isso e continue querendo prejudicar a Cristina. Quem você pensa que é? Eu já disse que eu não te quero e eu nunca vou te amar, é a Cristina o amor da minha vida, então se você quiser me fazer um favor, suma das nossas vidas para sempre. — Concluía Theodoro enquanto o jogava no chão e ia para sua aula. — Miguel ficava um tempo no chão chorando muito enquanto seu rímel ficava escorrido em seu rosto pálido.

No chalé de Luiza, tanto ela como Heitor passaram uma noite diferente de todas, mas como toda noite, mesmo os dois evitando, não teve jeito e acabou em sexo.

— Oi, não quis te acordar, você parecia dormir tão bem. — Dizia Luiza ao percebê-lo abrindo os olhos enquanto chegava com uma bandeja de café da manhã.

— Bom dia. A noite realmente foi incrível, eu não quis acordar, pois pra mim tudo era um sonho.

— Não. É uma realidade, a nossa realidade. Dizia Luiza enquanto os dois se beijavam. E ele ficava encantado com a afetividade de Luiza.

— Como nunca pensei em você? Onde estava todo esse tempo?

— O que importa é que estamos juntos agora. — Dizia ela, enquanto segurava no mão dele.

— Isso mesmo, meu amor. Agora vejo tantas coisas boas na minha vida. Sei que posso levar uma vida diferente, e ser alguém melhor. — Dizia Heitor.

— Também acredito nisso, mas precisamos voltar pra casa, e enfrentar as coisas em nome da nossa felicidade. — E depois disso Heitor pensava e se sentia até um pouco culpado mas concordava com ela.

Na mansão de Daniela, Cristina ia aprendendo a mexer nos equipamentos de DJ, e vendo como a mesma trabalhava.

— Então… É assim que tudo funciona. — Dizia Daniela ensinando tudo que sabia.

— É tudo muito incrível, de verdade… — Obrigada por esse apoio, acho que ninguém nunca faria algo assim por mim.

— E tem mais, se quiser ficar aqui em casa, não tem problema nenhum, sei o que está passando!

— Obrigada Dan. Estou amando. Mesmo que eu não entre para universidade, ganhar dinheiro fazendo isso, seria perfeito.

— Hoje te apresentarei para uns amigos que te encaminharão bem nisso. — Dizia Daniela enquanto olhava seu celular e compromissos do dia.

— Obrigada de verdade!

— Hoje terei show, mas você pode se sentir a vontade como sua casa, se tiver alguma dúvida pode perguntar aos empregados. — Falava Daniela enquanto mostrava o ensaio de como seria a noite.

Ao chegar no intervalo na universidade, Fátima recolhe seus livros e vai até a saída, quando dar de cara com seus colegas de sala, e eles a abordaram dizendo:

— Oi Fátima, vai ficar para a calourada hoje?

— Não, acho que não…Calourada, hoje?

— Sei que estamos no meio da semana, mas é meio que uma reuniãozinha mesmo, não vai nem até muito tarde não! — Explicava o amigo da divulgação.

— Hum… Interessante! Vamos então, vou sim.

— Te vejo no final da tarde. — Dizia o menino enquanto ia entregar os panfletos com outros colegas. “Acho que isso pode ajudar, e atiçar o Heitor.” Pensava Fátima enquanto postava em seu twitter que iria para calourada.

Miguel vai de encontro com Gustavo na litorânea e ao encontrá-lo mais uma vez pede seus remédios.

— Combinamos que você iria me dar hoje! — Dizia Miguel.

— Claro! Aqui estão… Mas você sabe o preço, esses são bem difíceis de conseguir e são bem mais caros do que as drogas comuns.

— Sei sim. Está aqui. — Falava Miguel entregando o dinheiro disfarçadamente para ele. E assim, Gustavo vai embora. — Eu sei que prometi não usar, mas foda-se, estou muito triste e preciso disso. — Pensava em voz alto Miguel enquanto uma lagrima escorria em seu rosto.

Ao chegar a tardinha, Fátima ia para a calourada privada de seus colegas, já sendo recepcionada com um copo de cerveja. “Isso é bom!” Pensava a garota enquanto começava a se distrair com a música. Em pequenos goles da cerveja percebe que fica enjoada e resolve parar. “Nossa que estranho.”

— Você tá legal? — Perguntava uma colega que estava próxima.

— Estou sim, só tô um pouco enjoada. Acho melhor eu ir para casa. — E assim Fátima resolve voltar por não se sentir bem ficando nem 30 minutos naquele pequeno evento. No caminho ela pensava… “Nossa, nunca me senti assim tão enjoada, o que será que está havendo? Será que… Não, seria impossível.”

Na casa de Daniela, a dj se despedia de Cristina explicando como era funcionamento da casa, e assim vai embora para seu trabalho na noite, quando ela se retirava, Cristina ia até o quarto dela e pegava as roupas mais curtas e assim ia lá para fora sem que nenhum empregado percebesse. Não aguentava e começava a chorar na esquina encostada em uma dessas placas de trânsito, enquanto fumava um marlboro red. E com isso um carro parava e perguntava.

— Está fazendo programa, bonitinha?

— Estou numa área nobre, então é 5x mais caro. — Dizia Cristina ao rapaz que estava no carro.

— Não importa, entra aí.

— Ok. — E assim ela apagava o cigarro e soltava a fumaça para entrar no carro do estranho. “Sim papai, agora sou uma prostituta.” Pensava Cristina enquanto era levada a um motel ali perto.

Como estava sozinha em casa e seu irmão sempre demorava para voltar, Fátima preparava seu jantar, e enquanto assava o hamburger na cozinha e ao terminar de fazer seu sanduíche a campainha tocava e ao atender ficava surpresa quando vê que é Heitor.

— Oi amor, já chegou de viagem, você nem me mandou mais mensagens.

— Lá o sinal é bem ruim. — E assim Fátima o convidava para entrar e os dois se sentavam no sofá da sala.

— Tudo bom com você? Como foi a viagem?

— Foi ótima, bem esclarecedora. Fátima, se estou aqui é para conversar sério com você, porque as coisas não podem continuar assim, preciso ser honesto contigo.

— Então, fala. — E assim ele abaixa a cabeça como quem não sabe por onde começar e por fim diz:

— Eu quero que você me perdoe, eu acabei levando a um grau que eu não deveria. É que as coisas mudaram, a minha vida mudou, eu estou levando um novo rumo e…

— O que aconteceu, Heitor? — Interrompia Fátima.

— Essa pessoa mudou a minha vida, eu nunca pensei que alguém mudaria dessa forma, mas aconteceu e eu sinto tanto. Eu espero que um dia você me perdoe.

— Quem é? É Daniela, não é? — Perguntava Fátima ao sentir seus olhos lacrimejarem com a declaração de Heitor.

— Não é ela. Fátima, tente entender! Você também é muito especial, mas não é o que eu procuro. Eu quero ser feliz e levar uma nova vida.

— Então, você não era feliz comigo?

— Fátima…

— Vai embora! Já falou o que queria, não temos mais nada para conversar. — Dizia Fátima firmemente.

— É que eu quero que você entenda que agora eu vejo um novo caminho pra mim, o caminho melhor, essa pessoa me ajudou a…

— Eu acho que eu não preciso dos detalhes. Já disse que entendia, mas pode ir.

— Tem razão! — E assim ele se levanta e se retira. Quando ele vai embora ela não se aguenta e desabava no choro.