Bola demolidora

1 Episódio 1 - Piloto


No aeroporto uma mãe aguardava seu filho chegar de viagem, ela estava muito ansiosa pois já fazia 2 anos que não o via pessoalmente. Não demorou muito para que na porta de desembarque aparecesse o garoto, que estava com um óculos espelhado, e com aparecia de quem pegou muito sol, não era para menos, para Heitor, tudo era festa.

— Meu filho, que saudade. — Dizia sua mãe enquanto o recepcionava com um abraço apertado.

— É, eu também estava com saudade de tudo isso aqui. — Dizia Heitor, não tão contente com a ideia de voltar para o Brasil.

Logo foram os dois para casa, que ficava no bairros mais ricos da cidade. O quarto dele estava intacto como se ninguém tivesse mexido, o garoto entrou e sentiu uma certa nostalgia de quando morava nessa casa, e das brigas intermináveis.

— Fiz questão de não mexer em nada. — Dizia sua mãe ao observar seu filho no quarto. — As aulas irão começar na próxima semana, e a parte da matricula já está praticamente tudo acertado. — Continuava a mesma.

— Mamãe, eu aceitei voltar aqui porque você ameaçou cortar a minha mesada. Mas isso não quer dizer que eu vá estudar. Eu não quero, acabei de chegar aqui e não irei. — O rapaz responde enquanto olha uma mensagem que acabara de chegar em seu whatsapp, era de Gustavo e estava combinando um café para matar a saudade. — Eu preciso ir agora. — E assim ele finaliza a conversa, pegando um casaco e saindo pela porta.

— Mas meu filho… — A mãe ficava pensativa, mas realmente ficou chateada e não poderia fazer nada a respeito.

Enquanto isso, no condomínio fechado, Fátima acorda super cedo e vai correndo até a caixa de entrada para ver se chegou a carta de aprovação que tanto esperava, e pela sua surpresa lá estava. Eufórica Fátima rasga o envelope e com um sorriso lê rapidamente o que dizia na carta, que ela havia sido aprovada na Universidade mais conceituada de Arquitetura com uma bolsa de estudos pela sua dedicação e excelente nota no vestibular. Ela não conseguia controlar a alegria e espalhava por toda a vizinhança que havia conseguido o que tanto almejava.

Ouvindo esses gritos, Cristina vai para fora e pergunta se sua carta também havia chegado, mas a verdade é que só Fátima tinha sido aprovada. E isso acabou estragando o clima de comemoração da garota.

— Como assim eu não fui aprovada? Fátima, combinamos de entrarmos juntas na universidade. — Fala Cristina ainda sem acreditar no acontecido

— Eu sei, mas talvez sua carta ainda irá chegar… Eu não sei, seja otimista, se você não entrar agora, no próximo semestre tenho certeza de que conseguirá. — Fala Fátima tentando reconfortar a amiga.

— O que eu vou dizer pro meus pais? — Cristina ficava pensativa e sabia que eles não atrasavam, aquilo representava justamente que ela não foi aprovada.

Ao chegar na cafeteria, Heitor e Gustavo se encontram…

— E aí mano, há quanto tempo.

— E aí… Eu não sabia que você ainda estava usando os meus remédios de ervas. — Falava Gustavo em tom de ironia.

— Estou sim, você tá com eles aí?

— Claro. — Então, Gustavo passa a grande quantidade de drogas em um pacote discreto e Heitor passa o dinheiro que foi acertado.

— Minha mãe quer que eu estude, mas não quero, você sabe eu vou curtir a vida ao máximo e morrer jovem.

— Excelente ideia, amigo!

Nisso, chega Luiza que estava com duas amigas e avista Heitor na cafeteria… Muito surpresa com seu amor platônico na cidade, ela resolve ir lá falar com ele.

— Heitor… Poxa, quanto tempo, não é mesmo? — Luiza puxava assunto enquanto fixava seu olhar castanho nos dele.

— Luiza? — Então, ele se levantava e se cumprimentavam educadamente. — Senta aqui com a gente… Esse é meu amigo, Gustavo. — Finalizou sentando novamente na cadeira.

— Agora não posso, eu e minhas amigas estávamos indo para o shopping para comprar coisas da faculdade. Mas com certeza iremos nos ver. — Dava uma piscada e assim se despedia do menino. Heitor do jeito que era convencido ficou se sentindo mais confiante a respeito de Luiza…

— Essa já está no papo. — Falava para seu amigo enquanto via as meninas saírem.

Enquanto isso, no aeroporto, outra recém chegada era Daniela, como não tinha ninguém para ir buscá-la a mesma pegou um táxi, finalmente recebeu uma proposta que tanto esperava e que faria se instalar nessa cidade por algum tempo.

— Sempre admirei esse lugar e estou feliz de tudo que conquistei, gostaria que você me levasse para esse endereço. — Então Daniela mostra o papel que continha o endereço de sua nova casa para o motorista do táxi. Logo, recebe uma ligação e ao ver o número, olha que é de Luiza. — Olá amiga. —Atendendo-a.

— Olá querida. Já chegou na cidade?

— Já sim. Nem dá pra acreditar, depois de tantos anos, finalmente estou de volta e dessa vez para ficar. — Dizia Daniela enquanto olhava na janela do táxi a cidade que tanto se modificou com o passar do tempo.

— Escuta, você não sabe quem encontrei na cafeteria. Sim, ele mesmo o Heitor, você lembra tudo que passamos, foi uma loucura aquele tempo! — Falava Luiza, mostrando que não tinha mudado nada o que sentia.

— Isso é bom. Com certeza vou querer vê-lo… — Daniela dava um certo sorriso safado ao se lembrar do rapaz e formatava um plano para atraí-lo, não se importando se a amiga gostava ou gosta dele. — Querida, darei uma festa de boas vindas, convide ele! — E assim as duas se despedem da ligação e Daniela fica pensativa e cheia de ideias.

Era hora do almoço e os pais de Fátima já estavam em casa, e assim a menina deu a boa notícia sem excitar para toda a sua família aproveitando o horário onde todos se reuniam.

— Que bom que pelo menos você consegue o que quer. — Fala Miguel de um modo meu deprimido.

— Você também, Miguel! Você é um ótimo professor de Inglês, deveria dar mais valor a si mesmo. — Dizia Fátima para levantar o irmão.

— Até parece, nunca serei bom o bastante. Preciso voltar pro meu quarto, estou sem fome. — E assim Miguel tentava se retirar da mesa mas era obrigado a ficar até terminar a refeição conforme seu pai ordenou.

— Pare com tanta frescura! Deveria está feliz pela sua irmã. Parabéns minha filha, você vai longe, e vai ter um futuro melhor do que o nosso, mas ainda assim na mesma área, demolir coisas é legal, mas construir é melhor ainda! Mas cuidado com essa faculdade, não vá se misturar com quem não quer nada e preste atenção nas amizades e a nas roupas que irá usar. — Falava seu pai de modo que colocasse ordem, ele era muito preocupado com a aparência tanto da filha como de sua família. E sempre dava a última palavra.

— Eu estou muito feliz, pensei que nunca iria me sentir assim, depois do que aconteceu. — Ela se refere ao relacionamento conturbado que teve com Victor. — Mas graças a Deus, tenho tudo que preciso. Com um sorriso ela segurava a mão dos pais.

Logo, Luiza e Cristina tocam a campainha de Fátima a fim de chamá-la para sair, afinal, tinham muito o que conversar, iriam para boas universidades, e suas vidas estavam melhorando, se tornando cada vez mais adultas, Luiza já dirigia, levou as meninas até a livraria para terminar de ver os livros que ainda eram precisos.

— Na verdade isso aqui é só um pretexto, quero que vocês conheçam um amigo meu. — Falava Luiza ao terminar de passar todos os livros na caixa registradora.

— Heitor? Aquele menino louco que você saía? Não obrigada… — Falava Fátima com rejeição. Na verdade ela não gostava da amiga sair com gente mais velha e Heitor e Daniela trouxeram muitos problemas para Luiza.

— Vocês serão educadas! Ele me mandou uma mensagem de que já está nos esperando. — E então, todas vão de encontro ao rapaz que esperava em uma das mesas da livraria.

— Nossa, esse é o Heitor? — Sussurrava Fátima para sua vizinha Cristina, o achando muito diferente do que era acostumada…

— Parece que os Estados Unidos, realmente fez bem pra ele né amiga? — Comentava Cristina em sussurros com Fátima e as três o cumprimentam e se sentavam na mesa com ele.

Depois de conversas e apresentações, finalmente o convite é feito para a festa de boas-vindas de Daniela que seria em uma mansão. Ela tinha muitos contatos e depois da Fazenda seus contatos aumentaram muito.

— Você vai, Fátima? Heitor pergunta com um certo interesse explícito.

— Não, meus pais não gostam que eu chegue tarde em casa.

— Isso é uma pena. Iria se divertir muito… As palavras de Heitor fizeram com Fátima pensasse de um modo diferente ela nunca se arriscou tanto para ter algo e só se divertir, e o seu jeito tão encantador fazia com que ela ficasse no mínimo curiosa… Luiza também percebia o certo flerte que rolava entre os dois, mas não dava tanta importância, pois na festa ela saberia que iria conquistá-lo.

Ao saírem de lá, Heitor dava um jeito de ficar sozinho com Fátima, de conversarem rapidamente enquanto as acompanhava até o carro.

— Você realmente deveria ir…

— Eu não posso, é sério, esses lugares não são pra mim. — Falava Fátima um pouco tímida.

— Não vai me dar nem seu numero de celular? — Perguntava Heitor, usando seu charme.

— Tudo bem! — Então, passava para ele o número que também servia como whatsapp.

— Obrigado. E a gente vai manter contato. — Os dois estavam praticamente pegando fogo, Fátima e Heitor eram muito diferentes, praticamente opostos, mas ele era bonito e chamava muito atenção dela, e ela também queria ter novas experiências, parecia que estava tudo se encaixando.

— A gente se encontra na festa ok? — Perguntava Luiza se despedindo enquanto levava suas amigas de volta ao condomínio. E lá ela se arrumava na casa de Cristina.

— Eu espero que a Fátima fique na dela, e não queira nada com o Heitor. Porque já fiquei tempo demais na friendzone e quero mudar isso! — Desabafava Luiza para Cristina, enquanto se arrumava frente ao espelho.

— Eu não sei, mas eles não tem nada a ver, realmente Heitor não faz o estilo de Fátima, eu acho que depois de Victor, ela não vai mais se apaixonar. — Retruca Cristina, fazendo com que Luiza acene a cabeça concordando, mas um pouco preocupada.

A mansão já estava preparada para receber os convidados, já era noite e toda boa festa só começa de madrugada, mas os convidados já estavam chegando. Daniela estava feliz por tudo sair conforme seu plano, e assim Heitor chega junto de seu amigo Gustavo.

— Sejam bem-vindos! Ainda lembra de mim né Heitor?

— Daniela, como iria esquecer você? — Os dois se abraçavam como duas crianças e as bebidas já começavam a rolar ali.

“Querido diário, hoje foi um dia diferente, acho que essa é uma nova etapa na minha vida, mas que eu to realmente curtindo muito e amando cada minuto dela. Hoje vi com outros olhos um garoto que pra mim não passava de um perdido, drogado e mulherengo… Vi humanidade em seus olhos e queria poder conhecê-lo mais.” Fátima escrevia em seu diário secreto. E ficava pensativa sobre Heitor, mas era mais como admiração, um garoto como ele jamais ficaria com ela? Não que ela não fosse bonita, pelo contrário! Suas únicas semelhanças eram o cigarro e o café. Mas os mundos eram muito opostos… Ela sentiu algo diferente quando o viu, mas ignorou escrevendo somente aquilo em seu diário, antes de dormir recebeu uma mensagem de Heitor e isso a deixou balançada.

Já na festa, Heitor e Daniela se pegavam escondidos, o calor entre os dois era tão forte que sua vontade era tirar a roupa ali mesmo a mansão, era enorme e as bebidas já estavam fazendo o efeito…

— Saudade desse seu corpo. — Falava Heitor se deliciando de um sexo rápido com Dani.

— Não podemos contar pra ninguém, vamos manter em segredo como na primeira vez que ficamos há 2 anos.

— Com certeza! — E assim eles transavam loucamente sem ao menos serem pegos por ninguém.