Bola demolidora
15 Episódio 15 - Resgate-me.
Notas iniciais
Ainda na casa de Daniela… Fátima e Cristina continuavam sua conversa na sala.
— Mas amiga, você nunca foi de vingança! O que está havendo com você? Você sempre foi uma pessoa muita boa, inclusive nas situações extremas. — Dizia Cristina a fim de fazer a amiga repensar.
— Parece que o jogo virou, não é mesmo?
— Você só faz isso pelo Heitor.
— Principalmente por ele. Eu o odeio com todas as minhas forças, Cristina. Eu o odeio de um jeito que eu nunca imaginei odiar alguém. As coisas não terão esse fim.
— Mas o que pensa em fazer? — Perguntava Cristina, quando Fátima dava um sorrisinho e respondia.
— Você verá!
— Se você age dessa forma, é porque aconteceu o que você temia, você se apaixonou por ele. — Dizia Cristina.
— Quando o conheci pela primeira vez, para mim era apenas mais um perdido drogado, era assim que eu o via, com o tempo eu mudei essa primeira impressão, mas não teria nenhum problema em vê-lo dessa forma de novo, como um ninguém que ele é.
— Assim você me dá até medo.
— Desculpa, é melhor mudarmos de assunto, é que o odeio demais.
— Amiga releve, ele foi apenas um drogado que passou pela sua vida. — E nisso Fátima abaixava a cabeça como quem pensava aquelas palavras e acenava dizendo que sim:
— É… Tem razão.
Na sala de Daniela, Luiza se sentava na cadeira reclamando com sua amiga:
— Agora você tá servindo de empregada para Cristina?
— Pensei que fossem amigas.
— Não depois do que ela me disse.
— Querida, você não é nenhuma santa! — Rebatia Daniela.
— Eu sei, mas se falo é pro seu bem, não pode ser balela para qualquer pessoa amiga, o que tá havendo?
— Já fiz muitas coisas ruins na vida. Acho que só quero compensar com uma bondade, e ela precisa.
— Nossa, como você mudou! O que seria o motivo de tamanha mudança? — Perguntava Luiza.
— Acho que a própria vida, vi tudo que você foi capaz de fazer, vi amigos morrerem e serem presos, apenas estou recomeçando de uma forma diferente, e me perdoe dizer, até digna!
— Bom, eu vou embora, hoje você está impossível. — Dizia Luiza se levantando e indo em direção a sala quando dava de cara com Fátima e quando a mesma a via, se levantava do sofá e dizia:
— E aí, priminha? Aproveitando bem minhas sobras?
— Fátima, aqui não é lugar. — Dizia Cristina tentando conter a amiga.
— Querida, por que não aceita que eu ganhei? E mais, você jamais vai poder comigo, só espero que saiba disso. — Dizia Luiza em tom de deboche, Fátima ria enquanto por fim dizia.
— Não faço questão dele querida, pode ficar, e mais se tivesse me pedido te daria até de presente, vocês se merecem!
— Então, saia da minha frente, que tenho o que fazer. — Dizia Luiza colocando seu óculos de sol.
— Cuidado! Você sempre vai ficar na dúvida com ele, porque vocês simplesmente começaram errado, e por mais que não me importe com isso, devo admitir até que doeu sim. E quando você menos esperar, eu vou me vingar, e será no que você mais ama. — Dizia Fátima pegando sua bolsa no sofá e se retirando da casa, deixando Luiza com uma cara de preocupada.
Na penitenciaria da cidade, Gustavo ficava atrás das grades enquanto via o tempo passar, e com uma aparência bem derrubada.
— Você tem visita! Dizia um dos funcionários do presídio. Quando ele se dava conta, era Heitor que havia ido vê-lo.
— O que faz aqui? Veio rir de mim? — Perguntava Gustavo.
— Vim ver se era mesmo verdade o que a Daniela tinha me dito. Mas que bom que colocaram você em seu devido lugar.
— Já riu, agora pode ir embora.
— Olha seu estado… Como você está acabado, bem diferente daquele cara que eu conheci me convidando a experimentar um “outro mundo”.
— Eu não te forcei a nada! Você comprou porque quis, usou porque quis. Se não fosse por mim, seria por outro, sabe por que? Porque você é fraco. — Falava Gustavo firmemente.
— Cadê seus muitos amigos, Gustavo? Você não tem ninguém, e vai passar o resto da sua vida atrás das grades. — E com um sorrisinho Gustavo respondia.
— Não tenha tanta certeza disso, estamos no Brasil. Quem sabe eu consigo a liberdade mais cedo do que imagina.
— Não acho! Pra isso você pelo menos teria que ter um bom advogado e dinheiro e agora você não tem mais nada. Adeus “amigo”. — E assim Heitor se retirava.
Theodoro em sua varanda não parava de pensar em sua amada Cristina e resolve ligar para ela.
— Oi amor. Vamos jantar hoje?
— Tudo bem, que horas você passa aqui?
— Pelas 19h. — Dizia Theodoro deixando combinado. Como era sexta-feira ele queria fazer algo diferente com ela, na verdade ele queria poder contar tudo. Chegando no restaurante ele pede um prato sofisticado.
— Está tudo muito lindo. Escute, eu estou muito feliz com a nossa relação, mesmo com as dificuldades, sei que não mente para mim, nosso amor é muito forte, e agora que Miguel se foi, um novo capítulo nasce para nós dois. — Dizia Cristina segurando na mão dele. O deixando emocionado e sem jeito impossibilitando que ele contasse seu segredo. — Mas o que você queria me dizer? — Continuava a mesma.
— Nada… Queria te dizer que você é a pessoa mais importante pra mim, e que eu sempre, escute bem, sempre estarei ao seu lado. — E assim os dois brindavam enquanto tinham uma agradável noite.
No dia seguinte, Fátima ia muito cedo para a favela na qual combinou com seu colega de trabalho, mesmo sendo sábado, a averiguação era coisa rápida, e assim eles poderiam checar o terreno e como aproveitá-lo da melhor forma.
— Enorme lugar, realmente o projeto será bem aproveitado nessa região. — Confirmava Fátima enquanto apontava para os lugares onde eles poderiam começar a iniciar alguma obra. Enquanto seu colega Jorge vai para o carro pegar alguns papeis para assinar, Fátima continuava explorando o lugar, quando uma mãe com um filho pequeno a aborda e diz.
— A madame não pode fazer isso!
— O que está dizendo, senhora?
— Vocês entram se achando os donos, mas não podem demolir esse lugar, é nossa casa.
— Ai, mas vocês irão para outro lugar. — Dizia Fátima sem paciência.
— Aqui está a nossa vida, tudo que temos! — Dizia a velha muito triste.
— Mas essas terras não pertencem a vocês. Olha senhora, não quero ser grossa ok, deixem o lugar numa boa, pois já tomamos nossa decisão e o carro da demolição já está chegando.
— Algum problema aqui? — Perguntava Jorge que chegava com os papeis.
— Não, nenhum! Já ligou pro meu pai demolir?— E assim Fátima assinava todos os papeis que seu colega trazia.
— Sim, ele já está a caminho. Sinto muito senhora, mas avisamos com antecedência!
— Eu ainda tinha esperança. — Dizia a mulher com a criança. E dentro de 20 minutos o carro chegava com a bola demolidora e começava a demolir a região, os olhos da senhora se enchiam de lágrimas enquanto acompanhava o destroço.
Na academia que Luiza se encontrava, ela e Heitor faziam seus exercícios, obviamente que separados, mas ao terminar o tempo de ambos, eles resolvem comer algo em uma lanchonete perto.
— Luiza, preciso conversar com você. — Dizia Heitor onde se mostrava sério para com o novo assunto.
— Ai, o que foi?
— Bom, eu tentei, mas a verdade é que não posso continuar do seu lado, sinto muito.
— Do que está falando agora?
— To falando que eu me equivoquei, não te amo, estou muito confuso. Só queria uma distração, sinto muito.
— Isso não é verdade, lembra daquele dia na serra, são novos tempos!
— Não, não são! Eu acabei voltando a usar tudo, não consigo parar, e seria injusto te arrastar pra isso que foi tão boa comigo.
— Você é um idiota. Vai pro inferno. — E assim Luiza saía da lanchonete enquanto Heitor ficava com o sentimento de que por fim estava livre, e como era sábado ele não poderia faltar a boate com quem quisesse. Luiza ia para sua casa e começava a chorar como se seu mundo tivesse desabado, não foi só pelo término mas pelos planejamentos dela não funcionarem e pela humilhação que acontecera com sua prima.
Enquanto isso, na mansão de Daniela, ela e Cristina conversavam…
— Mas eu achei realmente o Theodoro muito estranho no jantar como se tivesse escondendo alguma coisa sabe…— Dizia Cristina ao relatar que seu namorado estava com um comportamento esquisito.
— Por que acha isso?
— Eu não sei, mas vou descobrir o que é, investigarei isso… — Nisso Daniela se levanta e dizia.
— Boa sorte com isso, preciso me arrumar, tocarei hoje, você vem?
— Não, obrigada! Estou muito cansada ainda de ontem.
Depois de todo o serviço quando Fátima já estava perto de casa... “Hoje vocês terão o que merecem.” Pensava ela enquanto de carro ia para a boate surpreender os dois. Então estacionava o carro, o travava e ia andando pela calçada em direção a boate, quando dois homens a para e um deles diz
— Você é a Fátima Linard?
— Sou eu mesma, quem é você? — Fátima ficava com um certo medo pois eram muito mal encarados.
— Como você ousa, a denunciar Gustavo um dos meus melhores vendedores e a desapropriar simplesmente toda minha favela? Quem você pensa que é?
— Olha, as coisas não foram como você pensa, eu…
— Você precisa de uma lição de vida. — E assim ele a interrompia sacando um revolver e assim os dois a cercavam começando a bater nela com a arma a deixando no chão sangrando. Nisso uma pessoa que passava na rua prestava socorro e chamava uma ambulância que imediatamente a levava para o hospital desacordada mesmo.
Os pais de Fátima foram logo para o hospital assim que souberam do acontecimento, e quando Cristina soube também foi correndo para o hospital…
— Como está a minha amiga? — Perguntava ela pros pais que também aguardavam notícias médicas.
— Já está sendo atendida, parece que teve um assalto e ela perdeu muito sangue. — Explicava a mãe da garota.
— Meu Deus que horror, ela precisa se recuperar.
— Precisa mesmo, não aguentaria perder mais um filho. — Falava a mãe chorando nos braços de seu marido.
— Calma amor, ela vai ficar bem. — Dizia seu marido. Então o médico chegava e avisava
— Bom, não sei como dizer isso, ela está ainda em estado grave, mas perdeu o bebê.
— Como ela estava grávida? — Perguntava sua mãe horrorizada.
— Sim, vocês não sabiam? Ela perdeu o bebê, e precisa de um doador de sangue B+ que é seu tipo sanguíneo.
— Pera doutor, primeiro, como assim minha filha estava grávida e eu não sabia?
— Senhora, tinha um bebê lá, sabemos o que vimos.
— Meu Deus.
— Com licença. E assim o médico se retirava.
“Com certeza esse bebê era do Heitor. Ela nem me disse nada, talvez nem ela sabia. Pobre Fátima” Pensava Cristina.
— Mas como vamos encontrar esse doador. — Falava a mãe já ficando um pouco desesperada.
Ao som da boate Heitor como de costume aproveitava a sua maneira, não sendo impedido por nada e nem ninguém, mesmo sendo acompanhado de Natalie e Sutan. Saboreava de tudo que possuía ali, até tirava casquinha das drags que estavam como convidadas para animar a festa. Com o passar da festa ele via Natalie e Sutan ficando com outros caras que também estavam lá, e isso o fez refletir um pouco sobre esse tipo de vida, mas não o desanimava de curtir.
Nesse momento Theodoro ligava para Cristina que estava no hospital:
— Eu estou aqui em frente ao hospital, você pode descer rapidinho?
— Tem que ser agora? Minha amiga está entre a vida e a morte.
— Sim, tem. — Estranhando a situação Cristina desce e vai de encontro a Theodoro na frente do hospital. — Qual é a emergência tão grave? — Perguntava Cristina ao vê-lo com uma aparência assustada e triste.
— É que eu vou embora da cidade. Pedi transferência.
— Do que está falando agora? Por que esse carro está repleto de malas?
— Estou indo pra longe, e me perdoe, mas não vou dizer onde.
— Eu não acredito nisso! — Dizia Cristina com uma certa raiva enquanto olhava para cara de pau de Theodoro. — Se você quer terminar, não precisa ir, basta dizer!
— Só me deixe ir, já fiz o máximo vindo até aqui.
— Não, você não vai! — Dizia Cristina o segurando para que não entrasse no carro.— Você vai me dizer porque, eu mereço um “porquê”. — Concluía a mesma um pouco chorosa.
— Tem algo que precisa saber.
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