Bola demolidora

16 Episódio 16 - A reconstrução.


Na clínica, todos estavam na dúvida sobre quem iria fazer a doação de sangue para Fátima que estava entre a vida e a morte desacordada naquela cama de hospital. Quando surge Luiza nos corredores do hospital então ela se aproximava para os familiares, perguntando:

— Como ela está?

— Não sabemos se ela vai sobreviver, precisa de uma doação de sangue, B positivo. — Explicava o pai que já estava com uma aparência cansada e preocupada.

— B Positivo? Mas essa é o meu tipo de sanguíneo. — Dizia Luiza chocada com a coincidência. — Eu doarei o sangue para minha prima. — Continuava a loira, já falando com as enfermeiras para que iniciasse o encaminhamento na sala de coleta do hospital.

— Graças à Deus senhor. — Dizia sua mãe, emocionada com a atitude daquela prima.

Já do lado de fora, Cristina ficava aflita ao saber a verdadeira história que Theodoro carregava e escondia por tanto tempo.

— A verdade é que sou transsexual. Eu nasci uma mulher, mas desde muito cedo me identificava com o sexo masculino, foi um sofrimento para mim, principalmente na infância. — Explicava Theodoro de certa forma revivendo aquela dor.

— Mas isso não é verdade, você tem um pinto. — Dizia Cristina confusa.

— Não, não tenho Cristina. Nunca estranhou que a gente sempre transava por debaixo dos lençóis a no escuro, eu nunca tive. E se sou masculino assim, isso acontece devido aos diversos hormônios que eu tomo, desde criança. Meus pais não me aceitam e quando passei para essa universidade não pensei duas vezes.

— Combinamos que não haveria mais mentiras.

— Eu sei, e sinto muito, você é uma mulher incrível, e eu te amo muito, merece alguém melhor do que eu, e é por isso que estou indo embora.

— Por favor não vai. Eu nunca fiquei tanto tempo com alguém. — Falava Cristina fazendo a Doris ao sentirem seus olhos lacrimejarem.

— Eu preciso ir, já causei muito tumulto aqui. Adeus Cristina. — Se despedia Theodoro com um beijo no rosto da garota e rapidamente entrava no carro dando partida e seguindo seu novo caminho.

Depois de realizar a coleta e o sangue ser transfundido para a paciente, fazendo assim com que finalmente Fátima acordasse, e ao abrir seus olhos confusos, o primeiro rosto que vira era o de Luiza.

— Onde eu estou?

— Shh! Você vai ficar bem, recebeu um grande golpe. — Dizia Luiza acariciando sua prima para reconfortá-la.

— Do que está falando, Luiza? O que está fazendo aqui?

— Consertando um erro. Fátima, eu gostaria de te pedir perdão, deixei que nossa amizade se perdesse por algo… Tão bobo. Sempre tivemos altos e baixos, isso eu sei, mas espero que saiba que estou arrependida.

— Tudo que eu me lembro é de está indo encontrar vocês, e acabei sendo surpreendida por uns bandidos que me atacaram.

— Você perdeu muito sangue! Mas vai ficar bem, eu te doei.

— Você? — Logo os olhos de Fátima se arregalavam de surpresa.

— Eu e Heitor terminamos e eu vejo as coisas tão claras, nunca era para ser. Nem pra mim e nem pra você. Sobretudo, eu estava cega e acabei passando por cima de muitas coisas… Me perdoe, e enfim, espero que a gente consiga melhorar a nossa relação.

— Obrigada Luiza, somos família, e isso nunca vai mudar. — E assim uma lágrima escorria do rosto das duas. E assim Luiza por fim se retirava e ia para sua casa, deixando que seus pais falassem com ela.

— Você está melhor, meu amor? — Perguntava sua mãe emocionada em ver a filha acordada.

— Oi pai, oi mãe, estou melhor sim. E desculpe essa dor de cabeça!

— Imagina, depois do que aconteceu com Miguel ficamos muito preocupados.

— Sim, ele… Nunca esquecerei, mas não era hora! — Dizia Fátima segurando na mão de seus pais.

— Agora queremos saber que história é essa que você estava grávida? — Dizia seu pai com um aspecto até bravo.

— Sério? Eu não sabia, e eu perdi?

— Sim, perdeu, você quase morre. — Explicava seu pai.

— Acho que não era pra ser então né? — Dizia Fátima um tanto desconfiada e sem reação.

— Chega, você tem que pensar em melhorar, descanse bem meu amor, eu e seu pai vamos para casa, mas amanhã bem cedo estaremos aqui para saber o que o médico diz do seu quadro. — Explicava a mãe dando um “beijo de boa noite” em sua filha e assim os dois se despediam. Fátima por sua vez, sentia por ter perdido a criança, ficando um pouco triste com a situação… “Poderia ser diferente.”

Nesse momento Cristina entrava para ver sua amiga. Cris, estava com uma aparência abatida afinal, não era pra menos ela tinha terminado com seu namorado.

— Como está, amiga?

— Estou melhor, obrigada por vir. Foi tudo uma loucura. Mas o que você tem, está péssima! — Comentava Fátima sobre suas impressões de sua amiga.

— O Theodoro se foi, e para sempre. — E assim ela contava toda a história, deixando Fátima perplexa.

— Eu nunca imaginária isso dele, mas amiga, talvez essa mudança seja para melhor. Ele é um mentiroso compulsivo e inventou toda essa história para continuar no nosso meio social. Mas a verdade é que quem é assim, não consegue se controlar, você também não confiaria nele, e talvez ele mesmo saiba disso e por isso se foi, sabe sei lá quem ela vai enganar agora.

— É que não custava nada dizer a verdade desde o inicio. — Refletia Cristina.

— Para ele custava e sempre vai custar. Deixe ele ir.

— Ok espertinha, e você já deixou o Heitor ir? Depois desse acidente imagino que ficou mais sensível com a vida, não é?

— De maneira nenhuma Cristina! Eu não me arrependo de nada do que fiz. Só me arrependo de ter dado errado, eu estava indo encontrá-lo, o meu plano era perfeito. Iria ver a mãe dele, e contar toda a história, expor tudo, me faria de pobrezinha confusa, esse bebê iria me ajudar muito… — Falava Fátima segurando em sua barriga. — Iria conquistar a confiança dela, tudo que ele tinha mais medo é que eu me aproximasse de sua família, depois de deixar todos contra ele, iria contratar um boy para seduzir a Luiza para que ela o deixasse e ele fosse traído, e quando ela o deixasse o boy iria deixá-la, e depois o mais importante, o colocaria na justiça para que ele pagasse tudo que fez, e tudo que essa criança merece, até deixá-lo sem nada.

— Amiga, não deveria pensar assim, é um milagre você estar viva.

— Exatamente Cristina, e é por isso que não me arrependo, se estou viva, será para me vingar e não terei problema em bolar um outro plano.

— Você disse que se superaria, seria melhor, mas o que você está pensando já é obsessão. Querida você perdeu seu bebê, isso é horrível mas de qualquer maneira te dá uma chance de recomeçar sem fantasmas do passado.

— É que foi assim que eu me senti, completamente sem chão. Isso não vai ficar barato, Cristina.

— Pois gata, eu só tenho uma coisa a te dizer. O mesmo conselho que você me deu: deixe-o ir. — E assim Cristina se retirava, deixando Fátima pensativa.

Nisso Cristina vai em direção ao elevador ainda sentida com a conversa e seu término e ao entrar não percebia que seu pai estava lá dentro.

— Por que está chorando? — Perguntava ele, fazendo ela vê-lo, e ficar boquiaberta.

— Não importa mais. O que está fazendo aqui?

— Vim ver Fátima, prestar uma solidariedade.

— Desde quando você sabe o que significa essa palavra?

— Filha não quero que chore mais por ninguém e nem pela vida. — E assim ele a abraçava apertado fazendo ela desmoronar enquanto o abraçava.

— Papai, eu preciso tanto de você, eu estava sentindo tanto sua falta.

— Eu estou arrependido de ter te colocado para fora, e isso me fez pensar muitas coisas, jamais deveria ter te tratado de tal maneira, me perdoe! Você é minha filha, e não vou deixar ninguém lhe ferir, muito menos a sociedade me manipular contra você. — E assim os dois se abraçavam e choravam muito em uma cena muito emocionante de perdão e arrependimento sincero. — Quero que volte para casa. — Complementava ele com seu apoio.

— Obrigada, eu realmente fico muito feliz de poder voltar, estava sendo muito difícil o mundo lá fora, sem ninguém. — E assim o elevado descia fazendo com que sua visita nem se cumprisse devido a tanto emoção.

De manhãzinha cedo, quando Heitor chegava da boate, a vox, demonstrava um pouco afoito e com pressa, e já corria direto pro seu quarto colocando sua mala sobre a cama e jogando roupas dentro dela. Logo sua mãe acorda pois escuta tanto barulho no quarto do garoto e resolve ver o que estava acontecendo, ao ver aquela cena, ela fica perplexa e pergunta:

— Para onde você pensa que vai?

— Pois eu digo que eu vou é embora daqui.

— Você não vai a lugar nenhum. — Dizia sua mãe Nika, puxando a mala das mãos dele.

— Vai ser bom que eu vá, mãe! Olhe para você, só lhe causei problemas… Não se preocupe lá em São Paulo recebi um curso onde vou poder trabalhar e me virar por lá. — Dizia o garoto onde se mostrava decidido em sair.

— E por que você quer isso agora?

— Já fiz o que eu tinha que fazer nessa cidade. — E assim ele se virava para o guarda-roupa e continuava colocando as coisas lá dentro. — Adeus Mãe! — Finalizava Heitor fechando o zipper da mala e se retirando dali.

6 anos depois [...]

Cristina estava com seus amigos enquanto tirava as fotos para sua formatura na universidade em uma grande praça toda trajada de beca e capelo juntamente com seus colegas de curso. Quando avista Fátima chegando acenava para a amiga e a cumprimentava enquanto terminava suas fotos.

— Obrigada por vir! — Dizia Cristina sorridente enquanto abraça a amiga, que estava com uma aparência bem mais madura e adulta.

— Não poderia faltar sua formatura. Só eu sei o quanto você lutou para isso!

— Sim, eu pensei que no inicio seria publicidade, mas depois de tanto tempo com Daniela e conhecendo tanto do mundo de festas, agora trabalhar com isso, mas não como DJ e sim como uma grande promotora.

— Você sempre foi muito dedicada no que se propõe, amiga. — Dizia Fátima com um certo sorriso.

— E você agora tenho que anotar numa agenda para falar contigo, quem diria que chegaríamos tão longe, não é mesmo?

— Eu disse que iria conseguir tudo. — Dizia Fátima como um risinho de lado meio atrevido. — Mas enfim, você tem falado com o Theodoro? — Continuava a loira.

— A última vez que soube dele, estava em Santiago no Chile. Deve estar enganado outras pessoas, não me procurou, mas também já não estranho mais essa falta, estou muito bem nesse departamento, você sabe que sou uma mulher apaixonada não consigo ficar sem um romance. — As duas riam, enquanto finalmente Cristina tocava no ponto delicado. — E quanto ao Heitor, você também conseguiu esquecê-lo?

— Amiga, eu passei aqui muito rápido só para te ver mesmo, mas eu estou com uma viagem marcada para São Paulo, e agora ele vai ter o que merece!

— Não me diga que ainda pensa em se vingar?

— A gente se vê, querida! — Dizia Fátima enquanto colocava seu óculo de sol e com seu vestido justo ia embora da praça, em busca de um táxi para levá-la ao aeroporto.

Muitos altos e baixos haviam acontecido na carreira de Daniela, fazendo com que ela morasse em um pequeno apartamento e nesse apartamento ela estava enquanto seu namorado na porta se despedia, pois iria abandoná-la.

— Você não pode me deixar assim, eu estou esperando um filho seu. — Dizia Daniela chorando sem acreditar que aquele homem iria embora.

— Eu nunca deveria ter levado tão a sério, eu pensei que você fosse como eu, mas não tem como eu me casar e assumir um compromisso tão grande como esse. Adeus Daniela. — Dizia o rapaz enquanto ia embora em direção ao elevador a deixando muito triste ali. Nesse mesmo momento Luiza chegava e a via daquele jeito no chão e logo se abaixava para vê-la e entender o que havia.

— Eu estou grávida. — Dizia Daniela enquanto abraçava Luiza.

— Mas isso é uma boa notícia, não fique assim!

— Eu mudei minha atitude com todos, tudo que eu queria era ser uma boa pessoa, e olha como eu terminei, sem minha casa, sem meu namorado e agora esperando um filho, meu Deus….— Lamentava Daniela.

— Daniela, existem coisas que acontecem pro nosso bem, por favor não fica assim. — Luiza se comovia tanto da dor que sua amiga passava que também se emocionava com o caso e abraçando apertado sobre seu peito. — Você não está sozinha, eu estou com você! Haja o que houver, eu estarei com você, e ficaremos juntas.

— Mas a gente nunca daria certo, nem somos lésbicas.

— Você me mostrou que a vida poderia ser cruel, mas se você conseguiu encontrar o bem, talvez eu consiga achar em mim também aquilo que eu fui.

— Luiza, você é perfeita. — E assim Daniela a abraçava bem apertado como se ela a tivesse salvado.

— Nem precisamos necessariamente ser um casal, mas podemos encontrar uma maneira diferente de amar, nossa relação sempre foi difícil de descrever.

— Verdade, já passamos por muitas coisas. Minha preocupação é essa criança, os conceitos de família.

— Estamos no século XXI, ela irá se adaptar. — E assim as duas ficavam juntas e se beijavam.

Victor enquanto trabalhava em uma unidade hospitalar em um certo momento de folga comenta com seu colega.

— A verdade é que nunca mais me interessei pelo amor.

— As vezes ele vem quando você menos espera.

— Sim, talvez eu encontre a garota certa, mas preciso focar na minha noiva que é a medicina.

— Nunca sabemos o que destino nos reserva, não é mesmo? — E assim os dois trocavam olhares que até então Victor nunca tinha percebido do amigo. — Nesse momento seu supervisor chega e fala com Victor.

— Tenho boas notícias, você foi promovido, agora pode ser considerado da equipe.

— Mesmo? — Perguntava Victor encantado.

— Claro garoto, bem-vindo abordo!

— Parabéns amigo. — Dizia o colega acariciando suas costas.

Enquanto isso no presídio da cidade, Gustavo se encontrava em sua cela, nesse momento, enquanto a música de fundo tocava “Kill me — The pretty reckless” quando surgia o guarda e dava a notícia.

— Hoje é seu dia de sorte, e juiz decretou sua liberdade, sobretudo por bom comportamento sua pena foi reduzida. Parabéns. — Dizia o guarda enquanto abria a porta da cela, Gustavo ouvindo a notícia apenas dava um sorriso sarcástico e se levantava em direção a porta cumprimentando o guarda ironicamente e por fim tomando posse da liberdade. Com suas melhores roupas e aparência ficava numa parada de ônibus onde ouvia no fone de ouvido a mesma música citada no início. Dava sinal para um transporte que aparecia e assim seguia seu rumo.

Heitor ao longo desses 6 anos em São Paulo tinha conquistado muita coisa, mas como de costume sua vida era cheia de altos e baixos e problemas principalmente dentro dele mesmo, sem mudar seus péssimos hábitos. Nesse dia em específico ele estava muito mal com tudo e resolve sair para pegar um ar foi quando se encontrava com Fátima na recepção.

— O que você faz aqui? — Perguntava ele estranhando totalmente aquilo.

— É assim que me cumprimenta? Você foi meu primeiro, tem responsabilidades. — Fátima Ironizava em tom de brincadeira.

— Imagino que teve um motivo bem sério.

— Sim Heitor, eu vim porque tenho muitas coisas pra te dizer.

— Olha se for coisa chata, perdeu seu tempo, inclusive eu já to de saída.

— Acredite eu vim pro bem, pra te ajudar. Muito tempo eu te odiei, e te odiei muito, eu estava disposta a me vingar a qualquer custo, mas com tempo eu pensei e... Pra que? Todos erramos… Eu tive outras perspectivas e consegui ver uma vida bem melhor, sabe. Mas enfim, eu não vim pra isso, eu vim…

— Você ainda tem esperanças comigo? — Interrompia Heitor.

— Não. Longe disso, se eu tivesse não estaria aqui, eu vim porque você realmente precisa de ajuda, você sempre gritou que precisava de ajuda.

— Só que ninguém pode me ajudar.

— Tem razão, só você pode, mas eu queria que também pudesse ver as coisas da maneira que eu vi. Uma vez você me disse odiava seu pai por tudo que ele fez com você e sua família no geral, mas você sem perceber repetia os mesmos padrões dele.

— Não é verdade isso.

— Heitor raciocina, nunca é tarde para perdoar e começar uma nova história. Você precisa fechar essa, sobretudo você precisa se sentir aceito e amado pelas pessoas que sempre estiveram aqui por você. Acho que esse é o verdadeiro amor, aquele que sabemos que fazemos parte e que nada vai derrubar é o nosso lugar no mundo, a vida as vezes é uma droga, e acontecem coisas que quebram vínculos importantes mas isso não quer dizer que você não tenha um lugar no mundo, isso não quer dizer que você lutará sozinho e sem propósito, mas sim que você é o que lutará, mas com ajuda de todos que te ajudam, por algo maior e melhor. Muitos acreditam que o narcisismo é muito importante e sobretudo estar bem estar bem consigo mesmo, se valorizar. Mas por trás de toda valorização, você se sente fraco e mal. Muitas das vezes você só precisa deixar que as pessoas te acolham, e tudo ficará bem.

— Acho que tá um pouco tarde pra isso.

— É por isso que eu trouxe seu pai pra cá. — E assim entrava o senhor emocionado em ver o filho e o abraçava pedindo desculpas pela sua ausência e suas falhas como pai, gerando uma cena emocionante para ambos.

— Obrigado Fátima. — Agradecia Heitor até contente com o reencontro.

— Acho que minha missão aqui já está cumprida.

— Espera Fátima, se quiser, podemos tomar um café ou algo assim.

— Melhor não, mas se precisar de ajuda, pode me chamar. — E assim ela se despedia dele com um aperto de mão mesmo e assim ela desce e entra no carro de seu atual namorado o antigo colega de trabalho Jorge.

— Deu tudo certo? — Perguntava ele.

— Pelo que vi, sim. — E assim, ele ligava o carro e saía em direção a uma linda paisagem.


Fim.

Notas finais
Deixe que se vá da sua vida, que se fechem as feridas que essa vez te fizeram mal, muito mal. Deixa que se afaste da sua história, uma mancha em sua memoria de um amor que te fez mal, muito mal. Deixe que outros beijos te apaixonem, que alguém mais te leve flores. Há mais de um milhão de amores que querem te conquistar. — Margarita - (Déjalo ir).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!