Boina Verde

8 Capítulo 7: Aposta


Notas iniciais
Oi galera... nos vemos no final... espero que gostem!!!!
bjo

No caminho, encontrei com um Jasper furioso. Eu apenas respirei fundo e fui em sua direção. Eu já sabia o que estava me esperando.

- Será que agora podemos conversar Isabella? – Jasper me perguntou.

E eu sabia que eu estava encrencada. Desde pequena, sempre que ele me chamava de Isabella era porque estava com raiva de mim.

- Tenho opção? – eu perguntei com má vontade já sabendo a resposta dele.

- Não. – ele me respondeu.

Eu respirei fundo e cruzei os braços esperando ele começar a falar.

- O que esta acontecendo com você? – ele me perguntou.

- Nada. – eu falei dando os ombros.

- Não me diga que não é nada. – ele disse com raiva – Você está diferente. Você está distante. Pensativa. Em todo esse tempo, você nunca negou atendimento médico a nenhum novato. Ou sequer bateu tanto em um novato gratuitamente. O que está acontecendo?

- Não está acontecendo nada Jazz. – eu menti.

- É o Cullen, não é? – ele perguntou – Por que você está o favorecendo? Merda Bella. Ele poderia ter matado o Royce. – ele disse passando a mão pelo cabelo – E você nem deixou o pobre coitado ir para a enfermaria.

- O Cullen errou e já foi castigado por isso. – eu falei firme.

Mas mesmo assim eu sabia que eu estava me comportando de maneira estranha. Jasper me olhava como se não acreditasse em mim.

- Será que ele foi mesmo castigado? – ele perguntou.

- Você acha que eu estou mentindo? – eu perguntei revoltada – Por acaso você está duvidando de mim?

Ele fechou os olhos com força.

- Merda Bella. Eu já nem sei o que pensar. – ele disse – Mas alguma coisa está errada. Eu sinto. Você está estranha demais.

- Eu estou cansada Jazz. – eu falei a verdade para Jasper pela primeira vez – Só cansada.

Eu fechei os olhos por alguns segundos. Era a primeira verdade que eu falava para Jasper. Eu realmente estava cansada de toda essa merda.

- Vá dormir Bella. – ele disse carinhosamente – Mas a nossa conversa ainda não acabou.

Eu assenti e fui para a minha cabana. Só me restava dormir, ou tentar dormir.

...

- Oi Bella. – Rose me cumprimentou com um sorriso malicioso no caminho para o refeitório.

- Oi Rose. – eu a cumprimentei sem nenhum humor.

- Que mau humor... – ela comentou – Pensei que você estaria de ótimo humor hoje de manhã... sabe, ontem a noite estava tão bonita que eu resolvi dar uma volta perto do lago. – ela disse com um sorriso malicioso, como quem não quisesse nada.

Na mesma hora eu congelei. Merda. Ela tinha me visto com o novato no lago.

– Bom para você. – eu resmunguei.

Ela riu.

- Depois eu quero saber de tudo. – ela disse.

- Eu não sei do que você está falando Rose. – eu falei séria.

Eu já tinha coisa demais na minha cabeça para me preocupar com o Cullen. E com certeza esse era um assunto que eu não queria falar com ninguém.

- Quando você quiser conversar, eu estou aqui. – ela afirmou e foi para a enfermaria enquanto eu me dirigia para o refeitório.

Eu fui para o refeitório e me sentei na mesa dos boinas verdes.

Os novatos ficaram sem café da manhã por causa da briga. Eles estavam autorizados somente a tomar uma xícara de café. Felizmente, nenhum idiota reclamou. Eles apenas acataram minha ordem e não me encheram o saco.

Eu tomei meu café da manhã em silêncio, principalmente para evitar mais uma briga com Jasper.

Por várias vezes, me peguei olhando para o Cullen, que parecia fixado na xícara de café que tinha na mão. Ele olhava para a xícara como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

Tinha alguma coisa em relação a ele que me intrigava. Eu sabia que ele escondia alguma coisa, mas eu não conseguia sequer imaginar o que podia ser.

Depois do café da manhã, eu ordenei aos novatos para que fossem para o campo de treinamento.

A responsável pela atividade seria a Weber. Ela informou aos novatos que seriam feito exames físicos para testar a capacidade física deles.

E assim foi. Durante toda a manhã os novatos fizeram múltiplos testes físicos. Duzentas flexões. Uma hora de corrida. Trezentos polichinelos. Quarenta minutos pulando corda. Mil abdominais. Uma hora e meia nadando rápido.

Alice auxiliava Angela, anotando todos os resultados nas fichas de cada novato.

Os testes acabaram no meio da tarde e só então Angela os liberou para almoçar. Como castigo, eles tiveram apenas cinco minutos para almoçar.

Todos os boinas verdes tinham almoçado antes, exceto Angela e Alice, mas elas comeriam depois.

O máximo que eu consegui foi brincar com minha comida enquanto pensava em como me vingar de Royce.

Jasper continuou me olhando desconfiado, mas eu simplesmente o ignorei. Eu não estava com saco para essa porra toda.

Eu estava no campo de treinamento esperando pelos novatos. Em poucos minutos, eles chegaram.

– Em posição, novatos. – eu ordenei.

Os novatos entraram em posição e Alice os entregou suas armas de paintball.

- As armas são de paintball. – eu expliquei – Nessa atividade, terão dois grupos: os novatos contra os ‘boinas verdes’. As regras são: dois tiros nas pernas ou braços ou um tiro no tronco e você está eliminado. A atividade será feita na floresta. Alguma dúvida?

- Não senhora. – eles responderam juntos.

- Então vão ao banheiro e coloquem as suas roupas. E voltem imediatamente. – eu mandei.

Eu fui para o banheiro feminino e coloquei minha roupa para a atividade. Eu quase nunca participava desta atividade, mas estava curiosa como o Cullen ia se comportar. Eu sabia que ele era bom com armas, mas eu queria saber quão bom ele era mesmo.

Eu estava saindo do banheiro feminino quando viu os novatos saindo apressados em direção ao campo de treinamento. Mas o Cullen não estava com eles.

Então, fui em direção ao banheiro e assim que eu entrei, eu o vi, vestindo a roupa especial.

Percebendo minha aproximação, ele olhou em minha direção e me viu.

– O senhor foi o melhor de Fort Hamilton em tiro ao alvo. – eu disse.

O novato parou de vestir a roupa especial e me olhou. Eu encostei na pia e cruzei os braços.

– Sim senhora. – ele me respondeu.

– Vamos ver então se o senhor é melhor que eu. – eu o desafiei.

Então, ele me olhou nos olhos. Eu retribuí o olhar com a mesma intensidade com que ele me olhava.

Eu detestava não desvendar os olhos verdes misteriosos. Ele tinha um segredo e, não sei o porquê, eu queria muito saber o que era.

– Sim senhora. – ele respondeu como um bom cachorrinho.

Mas ele não conseguia disfarçar como detestava ser submisso.

– Deixe essa encenação de lado, novato. – eu disse – Esse tipinho de soldado obediente e humilde pode enganar os outros, mas não engana a mim.

Então, ele riu.

– Sim senhora. – ele respondeu com um sorriso irônico.

Agora sim ele estava sendo ele mesmo.

– Quer fazer uma aposta comigo, novato? – eu perguntei dando um passo em sua direção.

– Uma aposta? – ele repetiu confuso.

Eu bufei irritada e sem paciência.

– O senhor, além de arrogante e incompetente, também é surdo? – eu perguntei.

– Não, senhora. – ele respondeu de má vontade. Se fosse outro, eu teria o castigado pela forma que ele me respondeu, mas resolvi esperar ele acabar de falar – Tudo bem. Uma aposta. O que vamos apostar?

– O que você quiser, novato. – eu falei dando os ombros. Afinal, o que um novato podia querer de tão importante assim?

– Uma cama mais confortável e um edredom. – ele respondeu imediatamente.

Eu arqueei as sobrancelhas, surpresa. Jamais pensaria que ele pediria por uma cama. Quando que era novata, eu jamais pediria por uma cama.

Eu dei um passo para trás e perguntei.

– Só isso?

Ele assentiu, mas por um momento seu olhar vacilou. Ele tinha percebido a merda que tinha feito. Ele poderia pedir por regalias no treinamento, mas quis apenas uma cama.

– Feito. Mas e seu eu ganhar, novato? – eu perguntei só para provocá-lo – Minha cama já é confortável o bastante.

Ele deu os ombros.

– O que você quiser. – ele disse rapidamente.

– Combinado então. – eu assenti e estendi a mão, para selarmos a aposta.

Ele pegou a minha mão e a corrente elétrica mais uma vez passou pelo meu corpo. Eu ainda não entendia que merda era essa.

– Você ainda não falou o que quer, se você ganhar. – ele disse.

Eu apenas dei um sorriso para ele. Eu ainda não tinha decidido o que eu queria dele, mas era bom ter uma carta na manga contra ele.

– Você vai saber na hora certa. – eu o respondi e me virei, saindo do banheiro e indo para o campo de treinamento.

Segundos depois, Cullen chegou ao campo de treinamento e Angela começou a explicar a atividade.

– Os grupos terão dois minutos para se esconderem e decidirem a sua estratégia. – ela falou – Eu serei a juíza. O jogo começará quando escutarem um tiro. Podem ir.

Os novatos seguiram para um lado da floresta e eu e os boinas verdes fomos para outro. Nós não precisávamos de um plano, pois estávamos cansados de fazer essa atividade.

O tiro soou pela floresta, indicando que o jogo tinha começado. Emmett, Jacob e Alice foram para um lado da floresta enquanto eu e Jasper fomos para o outro.

Eu olhei para Jasper que apenas assentiu com a cabeça. Nós andamos devagar entre as árvores até escutarmos um barulho.

Jasper fez o sinal e saiu correndo enquanto eu mirava. Nesse momento, o idiota do Royce saiu correndo atrás de Jasper.

Atirei apenas uma vez. Um tiro certeiro de tinta verde no peito.

– Royce está morto. – Angela disse através de um alto falante – Novato, pode se dirigir ao campo de treinamento.

O filho da puta chutou a árvore puto e saiu em direção à floresta. Enquanto isso, eu e Jasper nos afastávamos do lugar, pois os novatos saberiam onde estaríamos e podiam nos atacar.

Algum tempo depois, escutamos Angela dizendo que Jacob estava morto. Jasper apenas sorriu para mim. Jacob era um bom militar, mas tinha a cabela quente demais e, por essa razão, sempre cometia pequenos erros.

Eu e Jasper continuamos andando até encontrarmos com os novatos Eric Yorkie e Ben Cheney. Os dois estavam mais perdidos que cego em tiroteio.

Eu atirei no Yorkie enquanto Jasper atirava no Cheney. E pronto. Mais dois novatos mortos.

Ao mesmo tempo, Angela anunciou que Alice estava morta. Alguns minutos depois, Emm estava fora do jogo.

Pelos meus cálculos éramos apenas eu e Jasper contra o Cullen e Newton. Agora era um jogo de gato e rato.

Pelo barulho, os novatos estavam próximos de nós. Pelas árvores, vi Cullen andando em nossa direção protegido por Newton.

Cullen então ficou frente a frente com Jasper, mas ele foi apenas uma distração, porque antes que Jasper atirasse no Cullen, Newton atirou nele.

Ao mesmo tempo, eu atirava no Newton. Eu o acertei duas vezes no peito. Jasper e Mike estavam fora do jogo, mas eu e o Cullen continuávamos.

Nós dois nos escondemos rapidamente. Agora era apenas eu e ele.

Rapidamente, eu saí da árvore onde eu havia me escondido inicialmente e fiquei esperando Cullen me procurar na árvore ao lado.

Não tive que esperar nem um segundo e o Cullen já estava atirando na arvore onde eu estava.

Vi ele praguejar e olhar para os lados, me procurando. Eu andei até ficar atrás dele e lhe dei um chute nas costas, fazendo sua arma cair. Eu chutei a arma para longe enquanto ele se virava para ficar deitado de barriga para cima.

Eu já mirava nele.

– Se levante novato. – eu mandei – Eu não gosto de atirar em ninguém no chão, a não ser que eu precise.

Ele estava se levantando lentamente, mas perto demais de mim.

– Com as mãos para cima, novato. – eu o adverti.

Cullen era metido a esperto e eu não confiava nem um pouco nele. Além do mais, uma das grandes regras do amado General Swan era jamais menosprezar um inimigo.

Ele levantou as mãos e acabou de se levantar.

– Parece que eu ganhei novato. – eu falei.

– Ainda não. – ele me respondeu me desafiando.

Eu apenas arqueei a sobrancelha e atirei em seu peito. Pronto.

- Agora eu ganhei. – eu disse.

– Tudo bem. O que você quer? – ele me perguntou se referindo a nossa aposta, enquanto abaixava as mãos.

– Agora não. Mais tarde eu te falo o que eu ganhei. – eu falei, porque eu ainda não sabia o que eu queria dele.

– Vamos, General? – Jasper falou se aproximando de mim.

– Vamos sim Coronel. – eu assenti.

Eu e Jasper saímos da floresta. Antes que eu chegasse a minha cabana, Jasper parou.

- Agora você vai me dizer o que está acontecendo. – ele exigiu.

- Nada Jasper. Eu já te falei que não está acontecendo nada. Mas que merda! Me deixa em paz! Porque você não se preocupa com Alice?

- Eu quero te proteger. – ele disse.

- Eu não preciso que você me defenda. Não preciso de uma babá. Eu preciso que você fique ao meu lado. – eu falei aos gritos – Mesmo eu não te contando o que está acontecendo comigo, eu preciso que você me apóie ao invés de me pressionar como você está fazendo.

Jasper ficou estático por alguns segundos.

- Eu vou tomar um banho agora. Nos vemos depois. – eu falei e entrei rapidamente na minha cabana.

Tomei meu banho e quando saí da cabana, vi Jasper esperando por mim. Nós não falamos nada, apenas fomos para o refeitório em silêncio.

No refeitório, Black conversava qualquer coisa com o Cullen, mas ninguém estava jantando ainda.

– O que os senhores estavam fazendo que ainda não começaram a jantar? – eu perguntei puta da vida – Comam agora, seus incompetentes ou ficaram sem jantar. E mais. Eu não quero escutar nem o pio dos senhores. Comam em silêncio e me deixem livre das suas vozes irritantes pelo menos uma noite.

Um silêncio mortal se fez no refeitório.

Eu tentava engolir a comida, sem nem perceber o gosto dela. Em um determinado momento, eu levantei os olhos e vi que o Cullen me encarava. Eu o encarei de volta por alguns segundos, mas logo desviei o olhar e olhei para Jasper.

Ele sorriu para mim e me ofereceu uma barra de chocolate. Era a nossa maneira de pedir desculpas um para o outro.

Eu olhei para a ele e depois para a barra e a peguei. Jasper sorriu e passou o braço pelos meus ombros.

- Me desculpe. – ele disse em meu ouvido – Você sabe que pode contar comigo para tudo.

Eu apenas assenti e guardei o chocolate no bolso.

Passado tempo suficiente para os novatos acabarem de comer, eu me levantei.

- Os senhores agora vão acompanhar a Major Brandon até o nosso auditório. – eu ordenei.

Os novatos se levantaram, fizeram uma fila, preparando para seguir Alice.

Antes que eles saíssem do refeitório, eu fui para o auditório e me sentei na cadeira, colocando os pés em cima da mesa que havia e as mãos em cima da minha cabeça.

Alice entrou e se colocou ao meu lado. Só então os novatos entraram.

– Sentem-se novatos. – eu ordenei.

Eles se sentaram e eu me endireitei na cadeira. Dei um sinal para Alice diminuir a intensidade da luz até ficar o auditório ficar numa espécie de penumbra.

– O corpo de vocês, novatos de merda, já não tem salvação. Agora, vamos tentar salvar as almas os senhores. – eu disse e peguei uma bíblia grossa e antiga – Vamos estudar o livro das Gênesis. E eu não quero escutar nem um pio. – eu os adverti.

Eu abri a bíblia e começou a ler em latim. Sabe, as aulas de catecismo que minha mãe me obrigou a ir até que me eram úteis nesses momentos.

1. In principio creavit Deus caelum et terram;

2. terra autem erat inanis et vacua et tenebrae super faciem abyssi et spiritus Dei ferebatur super aquas;

Eu lia em um tom de voz baixa, quase num sussurro. Eu queria testar a capacidade de concentração dos novatos. Como Boinas Verdes muitas vezes,precisávamos ficar escondidos em certos lugares por hora, apenas aguardando nosso alvo. E nesses momentos, dormir não era uma opção.

3. dixitque Deus fiat lux et facta est lux

4. et vidit Deus lucem quod esset bona et divisit lucem ac tenebras

5. appellavitque lucem diem et tenebras noctem factumque est vespere et mane dies unus

6. dixit quoque Deus fiat firmamentum in medio aquarum et dividat aquas ab aquis

7. et fecit Deus firmamentum divisitque aquas quae erant sub firmamento ab his quae erant super firmamentum et factum est ita

8. vocavitque Deus firmamentum caelum et factum est vespere et mane dies secundus

Hora ou outra, eu olhava para os novatos. Era hilário vê-los brigando contra o sono.

9. dixit vero Deus congregentur aquae quae sub caelo sunt in locum unum et appareat arida factumque est ita

10. et vocavit Deus aridam terram congregationesque aquarum appellavit maria et vidit Deus quod esset bonum

11. et ait germinet terra herbam virentem et facientem semen et lignum pomiferum faciens fructum iuxta genus suum cuius semen in semet ipso sit super terram et factum est ita

12. et protulit terra herbam virentem et adferentem semen iuxta genus suum lignumque faciens fructum et habens unumquodque sementem secundum speciem suam et vidit Deus quod esset bonum

13. factumque est vespere et mane dies tertius

– General, tem novato dormindo. – Alice me avisou.

Imediatamente eu parei de ler e olhei para os novatos. Yorkie estava dormindo de boca aberta e estava quase babando. Eu dei um sorriso. Ele realmente estava fudido.

Então, eu deixei a bíblia na mesa com cuidado e silenciosamente fui para o lado de Eric, que continuava dormindo tranquilamente.

– Senhores, se levantem e fiquem ao lado da Major Brandon. – eu ordenei em tom de voz baixo – E sem barulho ou eu capo os senhores com um facão enferrujado.

Como sempre, eles me obedeceram rapidamente, sem fazer nenhum barulho sequer.

Eu peguei minha arma, apontei para o chão, ao lado do novato dorminhoco e simplesmente atirei.

O dorminhoco acordou assustado, dei um grito e caiu no chão. Ele se contorcia com as mãos nas orelhas. Eu sabia muito bem o que aconteceria. Ele ficaria temporariamente surdo, mas nada muito grave.

Eu me virei e voltei para o meu lugar.

– Voltem aos seus lugares, novatos. – eu mandei e depois olhei para o Yorkie que continuava no chão – E o senhor, é bom aprender a não dormir quando não é hora. Aqui não é uma merda de berçário.

Os novatos se sentaram em seus respectivos lugares e eu continuei a ler a bíblia.

14. dixit autem Deus fiant luminaria in firmamento caeli ut dividant diem ac noctem et sint in signa et tempora et dies et annos

15. ut luceant in firmamento caeli et inluminent terram et factum est ita

16. fecitque Deus duo magna luminaria luminare maius ut praeesset diei et luminare minus ut praeesset nocti et stellas

17. et posuit eas in firmamento caeli ut lucerent super terram

18. et praeessent diei ac nocti et dividerent lucem ac tenebras et vidit Deus quod esset bonum

19. et factum est vespere et mane dies quartus

20. dixit etiam Deus producant aquae reptile animae viventis et volatile super terram sub firmamento caeli

21. creavitque Deus cete grandia et omnem animam viventem atque motabilem quam produxerant aquae in species suas et omne volatile secundum genus suum et vidit Deus quod esset bonum

22. benedixitque eis dicens crescite et multiplicamini et replete aquas maris avesque multiplicentur super terram

23. et factum est vespere et mane dies quintus

– General, o novato continua caído. – Alice disse.

Eu olhei para o novato que continuava no chão e bufei. Que merda! Eu sempre detestei esses novatos frouxos.

– Cullen, o leve para a enfermaria. – eu ordenei e voltei a ler a bíblia.

– Sim senhora. – ele disse e se levantou, ajudando o novato dorminhoco a se levantar também.

Eu continuei a ler a bíblia por alguns minutos. Eu percebia que os novatos lutavam contra o sono. Obviamente, eles não queriam ter o mesmo fim do Yorkie.

Quando acabei a passagem, percebi que o Cullen ainda não tinha voltado.

- Major Brandon, leia para os novatos o apocalipse. – eu falei e ela assentiu.

Eu me levantei e fui até a enfermaria. Assim que me aproximei, escutei Rose conversando com o Cullen.

– Essa fase é uma das partes mais importantes do treinamento, Edward. É nele que se distinguem os que são capazes de ser um ‘boina verde’. – Rose falou tranquilamente.

– Pode ser. – Cullen respondeu meio incerto – Enfim... acho que você entende melhor desse assunto que eu.

Nisso, eu já estava encostada na porta, de braços cruzados, esperando as comadres acabarem com a fofoca.

– Com certeza, novato. – Rose respondeu – Agora, é melhor você voltar ao auditório antes que Isabella venha te buscar, Edward.

– Tarde demais, Tenente. – eu falei.

O novato congelou ao me ver, já Rose apenas deu um sorriso.

– General, eu pedi para que ele ficasse para me ajudar com o novato machucado. O novato estava muito desorientado e eu não tinha força o suficiente para cuidar dele sozinha. – Rose disse tentando justificar o atraso do novato.

Eu apenas bufei. Não valia a pena discutir sobre isso.

– E agora, Tenente? O Cullen já está liberado? – eu perguntei sarcasticamente – Ou ele vai continuar brincando de enfermeiro?

– Ele já está liberado, sim senhora. – Rose respondeu.

– A Major Brandon ainda está no auditório. Agora estamos na parte mais divertida da bíblia: o apocalipse. Vá logo novato. – eu falei para o Cullen.

– Sim senhora. – ele disse e saiu da enfermaria

Assim que ele saiu, eu entrei na enfermaria e me sentei em uma maca..

– Rose, não dá mais! – eu disse – Eu tenho que contar para ele!

Rose sabia que se tratava de Jasper. Eu não conseguia mais omitir para ele sobre Royce.

– Não! Você não pode fazer isso! – Rose respondeu quase desesperada – Ele não vai aceitar e vocês vão acabar brigando.

– Ele está desconfiado. Não dá mais para esconder. – eu falei.

– Só por mais alguns dias. Pelo menos até o treinamento terminar. – Rose sugeriu.

– Não dá. Não dá mais. – eu insisti – Rose, eu realmente preciso contar para ele!

Ela ficou em silencio, mas as lagrimas caiam incessantemente.

- Rose, eu não posso mais mentir para o Jasper. – eu falei calmamente – Você sabe o quanto ele também sofreu com tudo. A vingança também é dele.

- Eu sei. – Rose falou – Só me dê um dia. Eu mesma quero contar para ele... mas preciso me preparar antes.

- Tudo bem. – eu respondi – Você está fazendo o certo Rose. Não podemos esconder de Jasper que encontramos o desgraçado.

Rose me abraçou.

- Eu sei... só é difícil. – ela disse enquanto me abraçava.

Agora era isso. Com Jasper sabendo de tudo, com certeza, a nossa vingança ia começar para valer.

Notas finais
Bom galera... foi super mal pela demora... eu sei que todos estao ansiosos, principalmente por Cosa Nostra, mas eu estou no final da minha gravidez e estou treinando meu substituto no serviço, então, nao estou tendo tempo nem de respirar....
Espero que vcs entendam!!!!
Bjosssssss