Blurry

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem! :)

O Mundo Mágico por si só já era cheio de peculiaridades, mas havia uma em especial que fazia com que os olhos dos nascidos trouxas brilhassem ainda mais ao descobrirem: quando um bruxo olhava para a sua alma gêmea pela primeira vez, todo o resto do mundo ficava fora de foco.

Porém havia um nascido trouxa que não teve tempo de permitir que seus olhos brilhassem ao obter essa informação, pois estava mais impressionado do que qualquer outra coisa.

Harry Potter não sabia dessa peculiaridade do Mundo Mágico, e, quando descobriu, a única coisa na qual conseguia pensar era no mundo inteiro desaparecendo enquanto ele olhava para um garoto loiro que experimentava as vestes de Hogwarts.

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Draco Malfoy tinha passado anos de sua vida acreditando que nunca veria o mundo todo fora de foco, com exceção de uma pessoa, como diziam aqueles que já tinham passado por isso, pelo que acontecia no quando uma pessoa via sua alma gêmea pela primeira vez.

E, muito menos, Draco poderia imaginar que, naquele dia, ele veria tecidos, fitas e estantes fora de foco enquanto experimentava suas vestes de Hogwarts. Ele muito menos poderia imaginar que a única coisa que via claramente era um garoto magricela com cabelos escuros espetados.

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Draco estava cursando seu sexto ano em Hogwarts. Ele não via mais graça em implicar com o Potter. Para ser sincero, ele nunca tinha visto tanta graça assim nessa atividade.

Mas, toda vez que pensava em parar, no passado, Draco conseguia ver o mundo todo fora de foco, com exceção daqueles fios de cabelo despenteados, roupas velhas e lentes arredondadas. E Draco simplesmente não podia. Existia uma guerra lá fora, e seu pai era um dos protagonistas dela. Não um simples peão, como vários outros comensais.

E isso talvez não fosse atrapalhar tanto. Se... sim, sempre havia um "se".

Se o Lorde das Trevas, aquele de quem seu pai recebia ordens, não tivesse uma obsessão em matar o tal garoto de cabelos despenteados que literalmente tinha apagado o resto do mundo para o Malfoy.

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Harry cursava seu sexto ano em Hogwarts. Todo aquele tempo, tinha visto Draco Malfoy ofendê-lo, por andar com os Weasley, por estar distraído nas aulas de Poções, e Harry sempre respondia à altura, ou ao menos tentava. Mas sempre confuso.

Teria Draco Malfoy visto apenas Harry em foco naquele primeiro dia, enquanto experimentavam as vestes de Hogwarts ou... ou tinha sido apenas ele? Talvez fosse besteira, e talvez Harry nunca ousasse contar a nenhuma alma viva sobre esse acontecido, mas... era algo curioso.

Harry andava pelos corredores da escola, sem saber a razão de estar pensando tanto no Malfoy. Talvez fossem os enormes olhos azuis do garoto fixos nele durante a aula de História da Magia, ou talvez fosse o jeito que este tinha começado a andar pelas sombras com frequência naquele ano, e Harry ao menos sabia a razão disso.

Onde estavam as palavras provocativas, o grupo de sonserinos fazendo piadas, e o ódio? E quando essas coisas tinham sido substituídas por olhares melancólicos e curiosos, ausência no Salão Principal e troca de olhares que faziam com que Harry sentisse que havia apenas eles dois no local?

Harry fecha os olhos. Ele não podia pensar tanto assim em ninguém, muito menos em alguém como Draco Malfoy. Não. No que ele poderia pensar? Talvez no dever de Defesa Contra as Artes das Trevas para a semana seguinte. Harry logo desistiu daquela ideia. Pensar sobre trabalhos apenas o deixaria procurando por distrações. Talvez na guerra que estava por vir? Não. Pensar na guerra era praticamente pedir para pensar sobre a família Malfoy e sobre planos para matá-lo e sobre... sobre cabelos loiros platinados e olhos azuis... Não, Harry interrompeu o próprio pensamento.

Aquilo precisava parar.

Quadribol, talvez? Quadribol era um bom assunto. Era algo que ele se interessava. Quais seriam o goleiro da Corvinal, Harry se perguntou, refletindo sobre quem tinha mais chances de jogar contra a Grifinória na próxima partida, Corvinal ou Lufa-Lufa?

Porém... Harry não poderia estar menos interessado em Quadribol naquele momento, por mais descontente que ele ficasse com isso.

O moreno estava completamente obcecado por Draco Malfoy.

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Draco se sentou no Salão Principal, de frente ao seu prato de comida. Dumbledore falava sobre qualquer coisa para os alunos. Aquilo normalmente o irritava, mas, como naquele momento não estava com fome e precisava de um momento para pensar sem ser atrapalhado pelos colegas de casa, Draco ao menos pensou em reclamar.

Do outro lado do Salão, Potter o encarava. Draco tentava não olhar para o outro garoto de volta, mas essa era uma tarefa árdua, na qual o loiro falhava lindamente. Ele suspira, tentando focar seu olhar em outro ponto do lugar, como no teto, que refletia o estado do céu lá fora. Draco passara um bom tempo encarando o reflexo do céu, tentando identificar as constelações presentes ali. As Três Marias, Andrômeda, Aquarius e a constelação que tinha dado origem ao seu nome tinham sido as que ele conseguiu identificar. Depois de tanto tempo observando os astros, Draco se sobressaltou ao sentir o toque de Pansy em seu braço.

— Parece que o Potter está te chamando. — Draco ergue uma de suas sobrancelhas. Ele não sabia como não tinha deduzido que o motivo do grifinório estar encarando-o o jantar inteiro fosse que precisava falar algo, mas não tinha coragem para chamar o loiro na mesa da Sonserina. Era realmente irônico que um grifinório passasse pelo mal da falta de coragem, mas acontecia, tal como qualquer ser humano.

Draco assente e se levanta da mesa, se deparando com Potter atrás de si.

— Malfoy.

— Potter

— Hum... Você teria um minuto? — Draco assente, concordando, logo antes de seguir Potter. Por Salazar, o que o garoto estava querendo dizer? Era realmente um recorde que eles tivessem passado seis segundos se falando sem brigar, mesmo que eles não tenham dito mais de dez palavras um para o outro naquele momento.

— O que é, Potter? — Draco pergunta, enquanto parava ao lado do primeiro degrau da escada que levava ao segundo andar do castelo.

— Hum... — Potter parecia estar indeciso quanto às palavras que usaria para dizer o que queria, e isso estava fazendo Draco ficar nervoso. O grifinório era provavelmente a pessoa mais impulsiva que já conhecera, e vê-lo medir as palavras que diria em seguida... Isso era algo que assustaria a qualquer um.

— Diga logo, Potter. Precisamos voltar ao Salão Principal antes que o tempo da janta acabe.

— Tudo bem, tudo bem! — diz Potter. — Prometa que não vai... Rir da minha cara por isso. — Malfoy revira os olhos. — Prometa!

Draco assente e responde que promete. Ele provavelmente não deveria ter feito isso, mas uma coisa o loiro sabia sobre si mesmo: ele tinha uma curiosidade tão grande que chegava a ser insana.

— Ok. — Potter pisca algumas vezes. — Você também viu tudo fora de foco naquele dia? — Potter disse aquilo tudo bem rápido, como se tivesse esperanças de que o loiro não o escutasse. Mas Draco tinha escutado. E estava confuso. — Enquanto experimentávamos os uniformes de Hogwarts. Antes do primeiro ano começar.

Draco prende a respiração, mesmo sem perceber o feito. Tudo parecia combinar perfeitamente, e ele se sentia um idiota por achar que o moreno queria dizer aquilo que estava pensando. Mas... Tudo se encaixava tão perfeitamente... Potter evitando dizer "a primeira vez que nos vimos", mesmo que tivesse explicado de forma mais longa para fazê-lo, o fato de que, no Mundo Bruxo, uma pessoa vê tudo fora de foco quando se encontra com a sua alma gêmea...

E o fato de que Potter havia dito "Você também viu tudo fora de foco naquele dia?". Também. Mal sabia o moreno que aquele "porém" tinha feito o cérebro do Malfoy parar de funcionar por alguns centésimos de segundo.

— Sim, Potter. — responde Draco, mordendo os lábios logo depois. — Preciso voltar para o Salão Principal.

Draco vira as costas para Potter. Ele não acreditava que tinha dito isso. E também não acreditava que tudo que tinha dito era verdade. O Malfoy fecha os olhos logo antes de entrar no Salão Principal de novo. Ele tinha dito, e era verdade. E o loiro torcia que não tivesse deixado tão óbvio que Potter tinha conseguido fazer com que seu cérebro parecesse estar derretendo.

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Draco estava andando por um dos corredores de Hogwarts. Estava quase na hora do toque de recolher, e o Malfoy não queria ser chamado atenção por alguma coisa. E é quando Draco sente algo puxá-lo. Uma mão... quente. E um pouco áspera.

Confuso, Draco analisa a mão que segura a sua, e vê uma pele morena e dedos longos, mesmo que mais curtos que os seus. Potter.

— Potter?! — pergunta Draco, não em tom de repreensão exatamente, era mais de... surpresa. — O que você está fazendo aqui? A essa hora?

O moreno não responde. Draco bufa, sabendo que, do jeito que o outro era teimoso, não responderia, se não quisesse. Ou até quando quisesse.

— Será que você pode me responder para onde estamos indo, ao menos? — Draco pergunta, já se dando por vencido.

Mesmo não vendo o rosto do Potter, Draco sabia que ele estava sorrindo. Não sabia como tinha consciência disso. Draco apenas... sabia.

— Sala Precisa.

O coração de Draco palpita por alguns instantes, até que este tentasse controlar esse descuido na medida do possível. Ele repreende a si mesmo. Mesmo depois dos anos de "treinamento" do pai para controlar suas emoções, e não deixar que ninguém as perceba, Draco não conseguia disfarçar o que sentia perto do Potter. Pelo menos, não naquele ano. Sempre tinha sido difícil, mas, naquele ano especificamente, Draco estava se sentindo sem forças até mesmo para respirar. Lutar contra o que sentia por Potter (já que obviamente ele sentia alguma coisa) não era algo... prazeroso.

Draco solta um suspiro silencioso, para que Potter não perceba, e depois sente Potter parar de puxá-lo rapidamente. Num sobressalto, Draco olha para frente.

A Sala Precisa.

E os lábios de Potter tremiam um pouco.

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Harry encarava o Malfoy dentro da Sala Precisa. Ele não conseguia mais sentir a falta do loiro, não aguentava. Além de não saber se era de fato uma falta, já que o Malfoy nunca esteve lá do jeito que ele... sentia falta? Harry amaldiçoa a si mesmo mentalmente. Ele ao menos conseguia nomear o que sentia, então como diabos conseguiria saber como lidar com aquilo?!

— Potter. — Malfoy diz, vagarosamente. — Para que você me trouxe aqui?

A respiração de Harry fica mais pesada, e o seu coração começa a bater mais rápido. Pensamentos e palavras soltas e entaladas flutuavam... Não, flutuar era um verbo sutil demais. As palavras giravam ao redor de sua cabeça. Harry sabia que era possível romantizar aquilo que pensara de diversas formas, mas ele estava confuso, e não conseguia pensar em nada claramente, estava tudo embaralhado, exceto...

Exceto Malfoy. Exceto os olhos deste, os fios loiros platinados e as mãos ossudas e pálidas.

— Eu não consigo parar de pensar em você! — Harry exclama. Ele achava que, depois disso, todo o peso em seus ombros simplesmente "iria embora", mas a maior parte deste tinha permanecido. Apenas parte do peso tinha ido embora.

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— Eu não consigo parar de pensar em você! — Potter exclama, e essas palavras atingem Draco como um baque. — Não importa o assunto que eu procure: quadribol, aula de Defesa Cobtra as Artes das Trevas, ou até mesmo a guerra, tudo sempre volta para você. — Dessa vez a voz de Potter está mais baixa, como se sussurrasse um grande segredo. Bem... Aquilo não deixava de ser um grande segredo, na verdade.

O coração de Draco começa a acelerar sem a sua permissão, e ele não consegue pensar em nada. Exceto... Os lábios entreabertos de Potter, os olhos verdes brilhantes e os fios de cabelo mais bagunçados do que o usual.

E, quando se deu por si, já estava parado perto de Potter, com as mãos no rosto deste. A proximidade era tamanha que Draco conseguia sentir a respiração de Potter em seus lábios, e essa sensação fazia com que ele sentisse um desejo louco de acabar com toda e qualquer distância entre eles.

Draco não conseguia parar de encarar os lábios morenos de Potter, e nem se pensar no contraste esteticamente maravilhoso que seria seus lábios pálidos juntos aos de Potter, que eram bem mais escuros que os seus próprios.

E, por mais surpreso que Draco tivesse ficado com o fato a seguir... Potter o beijou. Não tinha sido ele aquele a se submeter à toda aquela tensão primeiro.

Tinha sido Potter.

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Harry sentia os lábios frios de Malfoy nos seus, e era diferente de tudo que ele já tinha experimentado. Não era como os de Ginny, que, por mais forte fosse o beijo, por mais atitude que esta tivesse em sua personalidade, seus lábios continuavam macios e quentes. Também não era como os de Cho, que, mesmo que também fossem frios, eram trêmulos e indecisos, como a própria personalidade da bruxa.

Já os lábios de Malfoy... Eram gelados, mas sem qualquer indecisão contida neles. Era algo poético e objetivo, ao mesmo tempo. A pressão dos lábios era forte, passava necessidade, mas o sentimento era sutil. Aquele momento parecia ser a personificação da palavra dicotomia: havia frio e calor, gelo e fogo, calma e pressa.

De repente, Harry percebeu que algo ali lhe era familiar. A primeira vez que tinha visto Draco Malfoy, era disso que estava lembrando. Tal como naquela ocasião, tudo que Harry conseguia ver e pensar era Draco Malfoy. Todos os outros pensamentos estavam simplesmente...

Desfocados.

Notas finais
Mereço reviews? ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!