Blurred lines.
27 Vem a tempestade.
Notas iniciais
Sasuke.
"Olá garoto.
Não nos falamos há um bocado de dias, não porque você não quer me escutar, mas sim porque eu não quero falar. Sinto muito por ter sido covarde, mas se quer saber, estou feliz, pela primeira vez na vida.
Você e eu estivemos juntos durante uma vida, e você sabe o quanto significa para mim. É, eu nunca disse, mas você sabe. Para mim você é o irmão gêmeo que eu nunca pude tirar uma foto junto, e eu sinto muito que tenhamos acabado assim, no final das contas.
Você pode não saber, ou até sabe, não me lembro ao certo, mas aqui vai: Naruto te ama. Ele é herdeiro de Rinavalius e Ambu Nation, e foi por isso que ele terminou contigo. Aliás, culpe o Itachi, a ordem veio dele, mas Naruto faria isso de qualquer jeito. Ele quer te proteger, então, por favor, não seja estúpido, não tente inverter os papéis e proteger ele. Naruto é capaz de se defender sozinho, essa guerra é dele, e ele escolhe quem luta a seu lado.
Em questão de tempo a Ambu Nation em peso invadirá Rinavalius e, me desculpe, Naruto é o líder da missão. Eu estarei ao lado dele, e darei minha vida pela dele se necessário, mas isso é algo que você não pode interferir, nem que eu tenha que me matar para que você não chegue nem perto de estragar a missão. Isso significa muito para Naruto, e se você o ama tanto quanto eu, deixará que ele realize esse feito. É uma questão de honra, e creio que isso você entende muito bem.
Hoje, o baile de máscaras das organizações mundiais acontecerá, e será no Hotel Generation. Inclusive, hoje é domingo, então você já deve ter entendido o que eu estou querendo dizer. Deixei você acordar e estou por meio de carta, pelo simples fato que quero que você e Naruto tenham mais uma chance de serem felizes. Converse com ele, o reconquiste. No final ele escolherá com quem quer ficar.
Boa sorte,
Punk".
Então era isso... Mesmo depois de tudo eu não conseguia ter raiva de Naruto, e agora, depois dessa carta, nem de Punk.
No final das contas Naruto não havia sido tirado de mim, muito menos me abandonado. Ele havia escolhido me proteger.
É claro que eu sabia que ele e Punk estavam juntos, afinal, as paredes tem ouvidos, mas não me incomodo com isso... Se Punk me deu mais uma chance de conquistar Naruto, é porque ele sabe que Naruto também gosta de mim.
Parece que somos um triângulo amoroso dos bons.
Ainda era cedo, então resolvi sair para comprar um terno novo, até porque hoje eu queria impressionar. Ainda assim, restava uma dúvida em minha mente: Naruto me aceitaria de volta? E se aceitasse, como ficariam as coisas entre Punk e ele? Naruto desistiria da missão em Rinavalius? Era coisa demais.
Após comprar meu terno, no melhor estilo James Bond, voltei para casa, e tentei ocupar meu dia com todo tipo de coisa inútil que eu podia fazer. Até dispensei as empregadas e cozinhei o almoço eu mesmo! O que o tédio e a ansiedade não fazem... Ah, Naruto, é tudo por você!
Não vou fingir que os dias ruins não aconteceram... Mas também, apesar de não corresponder as expectativas, não emagreci muito, nem meu rendimento na empresa diminuiu... Eu só estava triste, a merda do tempo inteiro. Mas não é como se eu não pudesse conviver com isso, todos ficam tristes, às vezes, e a perspectiva de fazer as pazes com Naruto era simplesmente encantadora.
Meu coração batia mais forte toda vez que eu pensava se ele me perdoaria.
Parecia insanidade, ele estava tão feliz com Punk agora... Mas, se Punk resolveu me dar essa chance, significava que Naruto não havia me esquecido. Certo?
Meu telefone vibrou, ou melhor, o telefone de Punk. Tsc, o babaca havia esquecido de escondê-lo. Normalmente eu não teria atendido, mas quando vi o nome "Itachi" no visor, não pude deixar minha curiosidade de lado.
– Pode falar. — Tentei ao máximo imitar Punk, o que era uma tarefa difícil. Que tipo de coisa Punk fala quando atende o telefone? Nada que pensei pareceu "mau" o suficiente.
– Boa tarde, irmãozinho. — Até então eu não tinha o mínimo achismo sobre Itachi ter acreditado. — Nem pense em faltar o baile hoje, Naruto preparou isso com muito empenho. Nada de fugas sexuais ou coisa do tipo.
Sim! Touchdown! Itachi havia acreditado.
– E eu lá fujo de compromisso, Itachi? — Ri, tentando fingir escárnio. — Não seja bobo.
– Bobo? — Fodeu. — Punk, é você mesmo?
– Então...
– Ah, não! Tentou se explicar! — Abortar missão! Itachi descobriu. — Sasuke! É você! E é domingo! O que está fazendo aí?
É, pelo visto não sou tão bom em fingir quanto realmente penso. Ah, quer saber? Para falar a verdade, nem tentei muito. Eu não sou Punk, e nem que fosse pela segurança do Papa, eu não conseguiria agir como ele. Somos distintos demais para isso.
– É, me pegou, aniki. Punk, por algum motivo, me deixou ficar hoje. Deve estar muito cansado para olhar para cara de Hinata, ou coisa do tipo. — Inventei uma desculpa esfarrapada. Nisso, pelo menos, eu sabia que Itachi acreditaria. — Não importa o que isso significa, mas estou curtindo um domingo pela primeira vez em anos! Isso é magnífico.
– É mesmo... Mas, hoje, você precisa ir a um baile...
– É, recebi algumas informações sobre isso, e não tem problema, estarei lá.
– Sei. — Não, não dava para enganar Itachi por muito tempo. Sobre nada. E isso eu sabia bem. — Isso me cheira a armação, mas vou deixar passar. Não estrague tudo, e finja melhor se quiser enganar Naruto sobre ser o Punk.
Mal sabia ele que eu não queria fingir nada... Muito menos enganar.
Naruto.
Estranho acordar no domingo e não ver Punk, não falar com ele... Esse fim de semana ele estava muito silencioso. Não dormiu comigo de ontem para hoje, disse que tinha coisas para resolver... E cá estou eu, sozinho nesse QG enorme.
Bom, "sozinho" era eufemismo.
Dezenas de funcionários corriam para lá e para cá, e normalmente isso seria preocupante, mas admito que era engraçado ver o motivo de todo desespero: preparar o baile.
A maioria dos funcionários do sexo masculino corria com ternos em mãos, procurando telefone de lavanderias que fizessem todo tipo de serviço, outros procuravam uma loja de qualidade para comprar sapatos as pressas... Eu realmente não entendia como conseguiam ser tão afobados. E olhem que avisei do baile com muita antecedência.
Quanto às mulheres, vocês se perguntam... Nunca vi tanta calmaria em um lugar só. A maioria saiu para pegarem os vestidos encomendados, mas as duas mais importantes para mim haviam ficado: Konan e Karin.
Nas semanas que se passaram me tornei muito próximo de minha prima, em níveis catastróficos. E apesar de não parecer, ela é muito legal e companheira, até mesmo apoia meu relacionamento, tanto com Punk quanto com Sasuke. E sim, eu tomaria o conselho de Punk, conversaria com Sasuke e tentaríamos fazer as pazes. Sem grandes dramas, espero eu.
– Tem certeza que você quer usar esse vestido, Karin? — Perguntava Konan. Estávamos no quarto privado de minha melhor amiga, aqui no QG, e Karin se olhava no espelho, segurando o modelito de roupa em frente a seu corpo. — As costas são muito decotadas e...
E os cortes apareceriam. Era isso que Konan queria dizer.
– Eu sei que são. E eu quero mostrar minhas costas.
– Você não se importa, Karin? — Não queria regular minha prima, de jeito nenhum, mas as pessoas olhariam isso é fato.
– Não, eu já disse. Eu quero mostrar, Naruto. — Karin deu uma voltinha, ainda com o vestido em frente ao corpo, sem vestí-lo. — Nada é melhor do que mostrar suas cicatrizes de batalha à mostra. É como dar um tapa de luva no inimigo e dizer "eu sobrevivi".
Pensando por esse lado, chegava a quase ser inspirador. Karin é realmente guerreira, e tenho muito orgulho dela.
– E então, vocês vão no carro comigo, não é? — Konan, mais uma vez, começou um assunto. — Não quero ir só com Pain.
– Claro que vamos, boba! — Karin garantiu. — Mas e o chefe, irá conosco? Hmmm, não sei não, hein. Naruto e o chefe no banco de trás, trocando beijinhos. Espero que o carro de Konan não vire motel! Afinal, ele é novíssimo em folha.
Não pude evitar de rir da brincadeira da ruiva. Eu, beijar Punk, no carro de Konan? Se fosse só por minha vontade, nós não faríamos. Apesar de sermos um casal assumido, seria tenso para Karin segurar uma vela dupla dentro do carro, mas... Do jeito que Punk é...
– Não, Sasu e eu não vamos nos beijar.
– OOOOH! Temos alguém apaixonado aqui, hein? Sasu! Quem diria... — Ria Konan. — Apaixonadinho... Sabe, eu me sinto tão orgulhosa de você, Naruto. Em menos de um ano você amadureceu tanto, tanto. Meu bebêzinho está crescendo!
– Mas nem se atreva a começar! — Adverti, divertido, o discurso de Konan sobre eu estar crescendo rápido demais e ela não registrar esses momentos como deveria. Quem vê nem pensa que é melhor amiga, e sim, mãe!
Foi inevitável que as horas passassem, e eu tinha que estar mais cedo no baile para recepcionar a todos. Foi quando meu celular tocou. Uma mensagem.
"Não vou poder ir com você para o baile. Te vejo lá, benzinho".
E é claro, era de Punk. Aquele furão!
Mesmo que estivesse meio decepcionado, sorri, e respondi a mensagem de boa vontade. Sabia que ele não me largaria de mão por um motivo que não fosse importante, talvez até quisesse fazer alguma surpresa.
Suspirei. É, hoje era a grande noite, e eu não estava preparado para isso. Encarar todos os meus inimigos e aliados, de baixo do mesmo teto, era algo surreal. Uma palavra errada e a terceira guerra mundial começaria ali mesmo. A única coisa que me dava confiança para ir adiante com isso era Punk, porque ele estava ao meu lado. Agora eu entendia o casamento de Itachi e Sakura, um símbolo de poder absoluto. Os dois exalavam elite, luxo, poder, dominância.
Algo me deixava muito apreensivo, e eu não sabia o que. Aquela sensação de que tudo ia dar merda, sabe? Que te faz pensar duas vezes antes de sair de casa. Mas, agora, já é tarde demais para desistir.
E é claro, eu queria ter uma chance de admirar o belo corte de cabelo que fiz em Hinata.
Calmamente abri meu armário, dentro do QG. Agora eu passava mais tempo aqui do que na minha própria casa, mas podia pagar todas as minhas contas tranquilamente. É, ser barman, músico e mafioso pode render um bom dinheiro. De dentro do armário, tirei a caixa onde meu terno estava guardado, perfeitamente passado em engomado, especialmente para essa noite.
Vesti o terno com calma, apreciando minha imagem no espelho. Realmente, eu estou bem!
– Vejo que alguém está gatinhoooo! — Zoava Konan, que acabara de entrar no quarto. Seu vestido roxo, assim como seus cabelos que estavam presos em um coque. Logo atrás dela vinha Karin, com o vestido prata de costas decotadas, assim como ela tinha dito que usaria. O cabelo também estava preso, seus cortes eram mostrados intencionalmente, e eu não podia evitar ter um calafrio ao olhar as cicatrizes do aviso. Ainda dava para ler perfeitamente.
– Gatinho é pouco, eu tô sensacional! — Entrei na brincadeira. Apesar de todo clima tenso da noite, não deixava de ser uma festa, um baile. Tínhamos que curtir, não é mesmo? — Alguma de vocês teve notícia de Sasuke?
Konan mais do que rapidamente tirou seu celular/rádio de dentro do decote e olhou, me respondendo com um aceno negativo, e Karin repetiu o resto.
– É, algo ele está tramando... — Bati palma. — Mas é isso, não podemos desanimar. Vamos logo para esse baile da morte!
– Vamos! — Comemoraram as duas.
Saímos de meu quarto e eu vi, realmente vi, como a Ambu Nation tinha membros. Eram cerca de mais de quinhentas pessoas pairando ao nosso redor, indo para seus carros, limusines, ou qualquer outro veículo. Isso porque haviam agentes nossos em outros países e que não viriam, agentes que estavam em missões de campo no dia de hoje, aqueles que não iriam por simplesmente não querer, aqueles que ficariam no QG para tomar conta.
Em horas como essa, noto o quão poderoso me tornei. Uma quantidade absurda de pessoas obedecendo a Itachi, Punk e eu. Parece ser loucura e realmente é, mas você não sabe, nada causa um vício maior do que sentir a adrenalina passando pelas veias, e essa vida que eu vivo é só isso.
No carro o caminho foi calmo, ameno e recheado de comentários de espectativas sobre o baile. Karin dizia que queria derrubar vinho no vestido de Hinata, e eu só ria, concordando. Ela não faria nada com Karin, pois sabia tanto quanto eu que aquele baile era um campo minado só esperando o movimento errado.
O Hotel Generation é lindo demais, e esse foi um dos motivos de eu ter escolhido esse lugar. O salão onde o baile seria cediado era enorme, todas as paredes eram feitas de espelho, absolutamente todas, e o resto do ambiente era dourado, incluindo os lustres. O chão de mármore branco refletia as bonitas luzes claras do ambiente, fazendo tudo parecer mais brilhante do que já era. Parecia sonho, mas era realidade.
– Eu não acredito nesse lugar... — Pain comentou, já pegando Konan pela cintura e girando-a algumas vezes. Um DJ, no canto do salão, tocava agora música lenta, mas que não chegava a ser clássica. Estávamos anos a frente do último baile, não tocaríamos somente música clássica. Mais para a madrugada, a noite seria da eletrônica!
Dei a mão para Karin, não deixaria minha prima ficar sozinha na festa, mas não desacredito da habilidade dela de arranjar um par, ou até mesmo de curtir só, mas na real, eu também queria uma companhia.
Aos poucos os convidados foram chegando, e admito, fiquei espantado com todo o luxo. Era fácil identificar o chefe de alguma organização menor que a Ambu Nation, pois eles eram os que mais gostavam de ostentar riquezas e belas mulheres, mas minha surpresa não pode ser maior ao ver um casal em específico entrar.
Não, eu não pude acreditar no que meus olhos viam.
Era suicídio.
Minha mãe e meu pai entravam de braços dados no salão. Minha mãe estava linda, em um vestido longo negro e seus cabelos ruivos soltos. Meu pai tinha um terno parecido com o meu, e um sorriso no rosto. Dois kamikazes.
– Eu não acredito... — Balbuciei. Rapidamente puxei Karin pelo braço e andei até os dois, furioso. Minato seria morto se continuasse aqui! — Vocês estão loucos?! Vão ser mortos se continuarem aqui! Os tempos mudaram, mas o ódio continua o mesmo.
– Viemos prestigiar você, filho. — Começou minha mãe. — E se a morte vier, estamos preparados. Eu não ia deixar esse evento passar em branco, e Sasuke tomou a liberdade de nos mandar o convite. — Sim, eu fiz um lembrete mental. Definitivamente iria matar Punk!
– Estamos aqui por você e por nós. Isso tudo aqui também é nosso, ainda, filho. Passamos a você de coração, mas não queremos mais nos esconder. Temos direito de viver. — Agora meu pai expunha seu ponto de vista.
– Naruto, não seja infantil. — Karin se meteu, empinando o nariz e pegando uma taça de champanhe que o garçom oferecia. — Não é como se meus tios não soubessem se defender, eles estão nessa há muito mais tempo que nós. Deixe-os aproveitar o baile, que com ou sem eles, ainda é perigoso.
E assim, ela deu as costas e saiu, indo falar com quem quer que fosse.
Continuei encarando meus pais, não, eu não conseguia compreender o motivo deles se arriscarem tanto. Sou muito novo para perder meus pais!
– Aproveitem o baile, eu já volto. — Segui meu caminho para qualquer lugar onde meus pais não estivessem. Isso era definitivamente demais para mim, não podia lidar com isso.
Mas, se você acha que as coisas não podiam ficar piores, sim, elas sempre podem.
Estiquei um pouco para ver quem estava entrando, e pude confirmar o que meus olhos diziam. Era a família Hyuuga. Hinata vinha acompanhada de seu pai, os dois estavam de braços dados. O vestido lilás de seda da cabritinha estava bonito, eu tinha que admitir, mas é claro, ela não podia deixar de lado aquela fenda que gostava de usar para exibir as pernas. Mas, claro, eu não pude reparar no corte de cabelo. Estava mais curto do que eu havia deixado, afinal, o corte com faca havia sido irregular e ela teve que arrumar. Atrás vinha a irmã de Hinata, sozinha. Neji e sua esposa Tenten vinham por último, e agora Tenten usava um mini vestido estilo chinês. Não, eu nunca entenderia essa mulher.
Não pude controlar minha cara de desprezo ao ver essa família maldita, assim como também não pude evitar meu sentimento de satisfação ao ver Karin passando na frente da família Hyuuga, mostrando as costas nuas e rebolando suavemente seu corpo sinuoso. A cara de descrença de Hinata era magnífica, e aumentou o orgulho que eu sentia de minha prima em meu peito.
– Você está lindo essa noite. — Congelei ao escutar aquela voz. Não, não poderia ser...
– Kakashi?! — Virei-me, espantado, para meu amigo. Não poderia ser! Kakashi em perigo também não! — O que você está fazendo aqui seu irresponsável, cínico, irritante... Seu! Seu!
– Calma! Estou aqui com meu marido. — Sorridente, o grisalho mostrava-me a aliança. Ah, então quer dizer que... — Obito está ali, conversando com Itachi e Sakura. Te vi aqui no canto sozinho, não pude evitar de vir falar com você.
– O-obrigado. — Corei. — Nossa, você e Obito nem para avisarem que iam casar, danados! Mal acredito que perdi essa coisa linda.
Meu amigo riu, mostrando descrença. É, talvez nem ele acreditasse que as coisas deram certo depois de todo esse tempo. A história deles é uma das coisas que me fazem ter esperança de que toda essa aventura maluca que me meti vai dar certo, que tudo vai ficar bem e que a vida continuará.
– Concordo que ele está lindo, mas hoje ele é somente meu.
Virei-me, sorridente. Era meu Punk!
Não pude deixar de abraçá-lo forte. Era tão bom ficar perto dele... Mesmo que tenhamos passado pouco tempo distantes. Hoje, a presença dele era essencial.
– Achei que você não viria. — Sussurrei em seu ouvido, e pude sentir o aperto em minha cintura se intensificar mais.
– Eu nunca faltaria a algo com você, Naru.
Congelei.
Naru... A única pessoa que me chama assim é...
Lentamente, me afastei de Sasuke. Andei alguns passos para trás e o encarei incrédulo. Será...?
– Sasu... — Murmurei. Automaticamente eu pude ver os olhos de Sasuke se encherem de lágrimas. Não, eu não o deixaria chorar na frente de todas essas pessoas. Ele é melhor que isso. — Venha!
Puxei Sasuke pelo braço até o segundo salão, que ficava ao lado do salão do baile, mas estava vazio, exceto por algumas mesas e cadeiras extras.
– Por favor, não chore... — Pedi, inutilmente. A essa altura, Sasuke chorava copiosamente em frente a mim. — Me diga porque está aqui, hoje não é um dia seu. Você não poderia estar aqui, não era para estar acontecendo, eu... Eu te procuraria, procuraria depois de...
– Depois da missão suicida? — Perguntou-me Sasuke, erguendo uma sobrancelha. — Você acha que eu não sei, Naruto? Estou aqui porque Punk pediu, ele me deu uma chance... Mais uma chance para tentar te conquistar.
Sorri, bobo, olhando para o chão.
Punk havia sido bonzinho a esse ponto? Não acredito...
– Você não precisa me conquistar. — Olhei para seus olhos. Era perseptível a mudança de personalidade. Os olhos de Sasuke tinham um brilho gentil, tão amoroso e quente que quase me fazia derreter. E nossa, eu havia esquecido o quanto amava esse olhar. — Meu coração é seu, mas infelizmente estou dividido, e você sabe... Estou com Punk porque é o melhor para mim agora, mas não quero tomar uma decisão agora... Eu precisava mesmo era de um tempo sozinho, para pensar na minha vida. Mas, com tudo isso que está acontecendo, meus laços com Punk estreitaram e...
– Ei. — Tocou meu queixo com a ponta dos dedos. Deveria ser pecado um rosto tão bonito ser manchado por lágrimas que não fossem de alegria. — Não precisa se explicar para mim. Mesmo que você dormisse com mil homens, que beijasse dois mil e que seu coração fosse dividido em cem, eu não me importaria, desde que um desses homens fosse eu.
Não pude evitar, o sentimento era mais forte que tudo. Passei os braços ao redor do pescoço de Sasuke, o fazendo abaixar. Nossas testas agora se encostavam, e meus olhos já estavam fechados há muito tempo.
– Sempre tão romântico, bobo... Não pode me perdoar tão facilmente por ter terminado daquele jeito com você. — Ri pelo nariz. — Nem você pode ser tão bom assim.
– Só sou bom porque é você, Naruto. Só você. Desde o primeiro momento. — As mãos de Sasuke foram para minha cintura, apertando-me forte, mas com carinho. — Senti tanto sua falta, tanto, tanto, meu pequeno... Saudade demais.
Bebi saudade a semana inteira...
– E eu a sua. — Não, não dava para negar. Eu sentia como se fosse o dia em que terminei com Sasuke e tivesse olhado para trás.- Mas não podemos, Sasuke. É perigoso, você vai querer se meter, pode atrapalhar Punk, você e eu... Não podemos.
– Podemos. — Beijou-me a ponta do nariz. — Podemos, mesmo que não agora. Eu vou te esperar, meu amor, todos os dias, e vou cuidar de você assim que puder. Pode demorar o quanto quiser, eu não vou casar, eu não vou sair daqui, nada vai acontecer. Você estará sempre no meu coração e eu sempre vou estar aqui, pronto para morar no seu.
[Same mistake — James Blunt]
Eu não queria chorar, não mesmo, mas era inevitável. Lágrimas de alegria rolavam por meu rosto. Meu Sasuke, mesmo depois de tudo, ainda me ama.
E acho que isso é tudo que importa no momento.
Lentamente, encostei nossos lábios em um longo selo. De olhos fechados, eu podia ver os fogos de artifício explodindo. Era mágica, de novo. O que eu não esperava era ter meu lábio inferior sugado, o que me fez abrir a boca, que prontamente foi invadida pela língua de Sasuke. Meus braços desfizeram o abraço no pescoço de Sasuke, e agora apenas minhas mãos tocavam sua nuca. Beijei Sasuke como não fazia há muito tempo, com paixão, com vontade... Tão gostoso beijar meu amor.
– Faça amor comigo. — Sasuke pediu, baixinho.- Bem aqui, nesse chão. Agora.
Eu não pude fazer nada além de suspirar, assentir e me deixar levar.
Certamente eu estava enlouquecendo... Isso é loucura, não é? A vida passando, ou melhor, correndo, e eu aqui, me deixando levar por meus sentimentos. Mas, parece tão inevitável, sabe? Sentir os lábios de Sasuke contra os meus fazia meu coração disparar de uma forma inexplicável, fazia meu corpo tremer, e eu podia claramente ver o céu estrelado dessa noite, mesmo estando de olhos fechados. Meu teto de vidro foi quebrado há muito tempo, tanto por Sasuke quanto por Punk.
Dançávamos uma música que só nós conhecíamos, e o ritmo era o batimento de nossos corações. Meus braços enlaçavam e desenlaçavam o pescoço de Sasuke, suas mãos acarinhavam meu corpo de forma carinhosa e possessiva, e eu entendia o sentimento: saudade.
– Eu não acredito que isso está acontecendo. — Foi sussurrado em meu ouvido. — Eu esperei tanto, tanto, tanto...
– Você não esperou. — Fiquei na ponta dos pés para lhe roubar mais um beijo caloroso e gostoso. — Você me fez esperar.
– Mas agora nada pode nos impedir. — Sasuke me botou em seu colo, e com toda delicadeza que havia nele, me colocou deitado no chão com ele por cima. Suas pernas mantinham as minhas bem abertas, e ali pude sentir a ereção de Sasuke. Eu quis brincar, perguntar "mas já?", e pelo visto, ele sacou meu pensamento, pois disse: — Até seu cheiro já é o suficiente para me deixar assim, Naruto. Você me tem em todos os sentidos imagináveis e inimagináveis. Sou seu até o último suspiro.
Eu também.
Depois dali, palavras não foram mais necessárias.
Parecíamos dois adolescentes, afoitos pela sua primeira vez. Nos apertávamos, amassávamos, enquanto nos beijávamos. Mas isso não durou tanto, é claro que precisávamos de mais.
Arrepiei-me quando a boca de Sasuke tomou meu pescoço, faminta. Minha pele era sugada, mordida, e minhas unhas arranhavam o terno caro de Sasuke, quase ao ponto de rasgar, tamanho era o prazer que eu sentia só com isso.
Em um momento de quase insanidade, rebolei contra o quadril de Sasuke, pedindo, por favor, por mais contato. Recebi um pouco de distancia, o suficiente para tirar o blazer de Sasuke, que realmente já estava me incomodando. Aproveitei para tirar o meu também, quanto menos trabalho, melhor.
Sem me preocupar com o depois, puxei a blusa de Sasuke, arrebentando todos os botões de uma vez. Não ouvi Sasuke reclamar, o único barulho existente era os dos botões batendo no chão e o de nossas bocas se encontrando.
Segurei Sasuke pela nuca e mordi seu maxilar de leve, puxando a pele. Eu precisava senti-lo. Era completamente diferente.
Ao contrário de mim, Sasuke foi paciente na hora de tirar minha camisa social, abrindo botão por botão, beijando cada pedaço de pele exposta que aparecia. Quando a blusa já estava completamente aberta, ele deu-se ao trabalho de sugar e morder meus mamilos, sempre alternando entre dedos e bocas, e isso estava me levando a beira da sanidade.
Era extremamente prazeroso ser tocado por Sasuke, não importa a forma. E quando ele me toca assim... É como encontrar o horizonte que eu sei que não posso alcançar, a menos que Punk estivesse aqui também. Até estaquei por um nanosegundo, quando lembrei que Punk deveria estar vendo aquilo tudo, e que isso doía em seu coração... Mas, não podia pensar nisso agora, ele autorizou, ele cedeu... Eu estou livre.
Permiti-me gemer alto quando recebi uma mordida em minha barriga, enquanto podia sentir Sasuke desafivelar meu sinto e abrir minha calça, puxando-a.
– Você é o ser humano mais perfeito do mundo, Naruto, e eu quero que mantenha isso em mente enquanto transamos. — Senti minha ereção latejar com essa frase de Sasuke. Ao mesmo tempo em que amaciava meu ego, me fazia pegar fogo.
Tirei meus sapatos com meus pés, e fiz o mesmo com os de Sasuke, porém com um pouco mais de dificuldade.
Abri a calça de Sasuke com pressa, tirando-a junto com sua cueca e me deleitando com a visão de uma das coisas que mais amo no mundo.
Iniciamos uma masturbação dupla, e Sasuke gemia rouco em meu ouvido, e eu suspirava com um sorriso no rosto. Minha felicidade em estar fazendo isso com Sasuke era maravilhosa.
– Sasuke, está difícil aguentar assim, eu... Quero você. — Mordi seu pescoço, passando a língua pela marca que meus dentes haviam deixado. — Oh, eu preciso... Por favor, Sasuke. Me faz seu.
Antes que eu pudesse implorar mais, Sasuke havia me largado e aberto minhas pernas. Por um segundo, pensei que ele fosse capaz de me penetrar sem nenhum tipo de preparação, mas enganei-me, pois assim que apoiei-me em meus cotovelos para poder olhar o que Sasuke faria, ele começou a me chupar.
Gemi alto e sofrido, não... Não podia ser tão bom a esse ponto. Minhas pernas abriram mais, mesmo que involuntariamente. As mãos de Sasuke acariciavam a parte interna de minhas coxas, me fazendo impulsionar o quadril em direção a sua boca, cada vez mais. Eu precisava me aliviar, necessitava.
– Sasuke! Por favor! Por favor, Sasu... Agora! Eu preciso. — Pedi, na última tentativa de fazer Sasuke parar antes que fosse tarde demais e eu gozasse em sua boca.
E ele ouviu minhas preces, virou-me de costas no chão, puxando meu quadril para ficar empinado e mandou-me chupar-lhe os dedos.
Fui preparado com carinho e paciência, típico e digno de Sasuke.
– Vou entrar em você agora, ok? — Assenti, ansioso.
Quase gozei quando Sasuke começou a me penetrar. Sem proteção, sem lubrificante, nada do que eu esperava de Sasuke, mas era maravilhoso. Melhor do que eu poderia esperar.
Era extremamente gostoso sentir Sasuke entrando aos poucos, devagar, indo e voltando várias vezes. Gemer era inevitável. Cada vez eu me sentia mais preenchido, e o prazer escorria por meus olhos em formas de lágrimas, de tão bom que estava.
– Estou te machucando, Naruto? Seja honesto comigo? — Sasuke podia tentar disfarçar, mas eu escutei que sua voz engrossou um ou dois tons pelo prazer. Ele estava gostando tanto quanto eu.
Para responder sua pergunta, impulsionei meu quadril para trás, o fazendo me penetrar por completo. Sasuke não pode conter o gemido longo e rouco que saiu por sua garganta. E daí, eu vi a coisa mais preciosa do mundo: Sasuke perder o controle.
Sasuke passou a me penetrar com força e rapidez, me fazendo ver estrelas. Cada vez mais rápido, cada vez mais forte, segurando meu quadril com possessividade, deixando bem claro, pela força empregada no ato, que no dia seguinte as marcas de sua mão estariam estampadas em minha bunda.
– Ah! Sasuke... Hum! Isso, assim! — Eu gemia, rebolando contra Sasuke, aprofundando o contato entre nossos corpos.
– Vão nos escutar desse jeito, Naruto, uma hora a música irá parar. — Sasuke respondia, com um sorriso malicioso inevitável. Estava ali o que Suigetsu havia dito. Sasuke era, sem dúvidas, bem mais sádico que Punk.
Penetrava-me sem pena, chegando a virar-me de lado sem nem ao menos sair de mim. Minha perna agora estava em seu ombro e eu podia sentir o quão mais fundo ia assim.
– Não grite, Naruto... Fique caladinho enquanto eu fodo você... — As unhas de Sasuke me arranhavam e eu botava a mão em frente a boca para abafar os sons que saiam de mim. — Você fica tão lindo assim, Naruto, com esses olhinhos azuis lacrimejando. Assim... Se controlando para não gemer alto, para não nos acharem... Pense Naruto, e se nossos amigos nos encontrassem aqui, nesse chão? Você não gostaria, certo?
Isso me fez morder os lábios. Ao mesmo tempo em que eu não podia gemer, queria gritar. Queria puxar os cabelos de Sasuke, queria... Queria acabar logo com isso! Era loucura sentir tanto prazer e não poder extravasar.
Sasuke saiu de mim sem que eu esperasse. Olhei para trás, confuso.
– Levante-se e apoie na parede, aquela ali, de vidro. — Fiz o que ele mandou-me, e quando cheguei perto o suficiente da parede de vidro, notei que ela dava para o salão onde o baile acontecia, e eu podia ver todos ali. Assim que notei isso, tentei afastar-me, mas Sasuke segurou-me contra a parede e tornou a me penetrar.
Engasguei um gemido.
– V-você é louco, eles irão nos ver, e não irá demorar muito. — Sim, eu tinha forças para sair dali, mas não queria.
– Eles não podem nos ver, esse vidro tem a função espelho do outro lado. Nós os vemos, mas eles não nos veem, a menos que ascendamos as luzes daqui de dentro. — Explicou-me. — Isso não torna tudo mais interessante?
Então Sasuke conhecia bem o hotel Generation...
Continuamos o que estávamos fazendo, até que eu pude ver Hinata vindo em nossa direção, para se olhar no espelho. Um riso doentio saiu de mim sem que eu quisesse, mas era realmente excelente estar fazendo sexo com o homem da vida de Hinata bem na frente dela, e ela não poder ver.
– Sasuke... Vou gozar. — Avisei.
– Eu também vou, e vai ser dentro de você. Quero ver seu rosto quando voltarmos para a festa e você começar a sentir meu sêmen escorrendo por entre as suas pernas. — Tremi dos pés a cabeça, todos os pelos do meu corpo se arrepiando. Ele realmente sabia jogar com palavras.
E assim aconteceu.
Ao mesmo tempo em que gozei, pude sentir Sasuke dentro de mim, vindo dentro de mim. Contraí-me, sem querer, ao redor de Sasuke, e a sensação... Indescritível.
– Eu te amo. — Ele sussurrou em meu ouvido. — Eu te amo, Naruto. Te amo. E isso nunca vai mudar, não importa com quem você fique, quais decisões você tome... Vá na sua missão suicida, acabe com Rinavalius... Eu vou estar te esperando. É bom você voltar.
– Eu também te amo.
Foi o tempo de nos vestirmos, tentarmos nos arrumar ao máximo e sairmos dali, pois logo Konan nos achou, fula da vida.
– Onde vocês dois estavam?! SEUS IRRESPONSÁVEIS! Corram! — Avisou, e por um momento eu não soube o que responder. — Não me escutaram? CORRAM! Sakura está tendo o bebê... Agora!
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