Blurred lines.
28 Noite de gala.
Notas iniciais
Itachi.
Esse baile parecia loucura. E loucura das boas, eu quero dizer.
Era surreal o ambiente que o Hotel Generation havia projetado para nós, era como respirar riqueza. Parecíamos voltar no tempo, eu podia ter claramente a imagem de um baile que teria acontecido há anos atrás, porque, afinal, além de um lugar bonito, o Generation agora hospedava os maiores traficantes, mafiosos, criminosos e as pessoas mais ricas do mundo.
De onde eu estava podia ter uma perfeita visão da maioria das pessoas que estavam presentes, apesar de não reconhecer o rosto de muitas. Minha esposa estava ao meu lado com um lindo vestido azul, uma das cores da família Uchiha, e volta e meia algum dos convidados lhe entregava um presente para o bebê que estava a caminho. Não pude evitar sorrir ao pensar nisso. Minha pequena Rei estava perto de vir ao mundo, e nada me fazia mais feliz do que pensar em tê-la em meus braços.
Alongando o pescoço um pouco pude ver Karin passando sozinha, apenas com uma taça de champanhe em suas mãos. O vestido vermelho atenuava a palidez da pele de Karin, e o cabelo vermelho fogo era difícil de não ser notado ali. Mas, é claro, eu não pude deixar de reparar nas grotescas cicatrizes em suas costas.
Nada me faria ficar conformado com isso, que nem pode ser chamado de situação... Karin é uma moça nova, a conheço praticamente desde que era um pirralho de treze anos, e vê-la assim, com essas marcas nas costas, me fazem ter a impressão de que eu não cuidei direito dos meus "filhos".
– Karin sempre foi muito bonita, não é? — Comentou minha esposa. — Várias vezes já pensei em pintar os cabelos da cor dos dela, mas não sei se ficaria tão bom em mim. Não tenho tanta personalidade.
– Sim, Karin é linda, — Olhei para Sakura. — Mas não se desmereça, você é maravilhosa, esposa, mãe de minha filhinha... — Sakura sorriu, tão boba quanto eu, e acariciou seu ventre.
– Parece coisa de louco, não é? Nós nunca trocamos nada além de um beijo, mas agora teremos uma filha.
– N-nós... — Merda, Itachi Uchiha gaguejando. Só poderiam ser os sentimentos da paternidade vindo à tona! — Poderíamos tentar do modo convencional, mais para o futuro. Se você quiser.
E eu nunca, em toda minha vida, estaria preparado para o que aquela mulher me responderia:
– Não seja bobo. — Riu. — Eu te amo, Itachi, você é meu melhor amigo... Mas eu jamais pensaria em você de um jeito que não fosse assim. Porém, é uma possibilidade, quem sabe no futuro, quando tudo se acalmar...
– É, quem sabe...
Ao longe pude ver outra cabeça vermelha, mas era diferente de Karin, era mais velha... E ao lado eu pude ver a imagem e semelhança de Naruto. Não podia... Será?
E quanto mais perto eles chegavam, mais certeza eu tinha de quem eram. Sim, Minato Namikaze e Kushina Uzumaki, os pais de Naruto. Não acredito! Isso só poderia ser obra de Punk.
– O que eles... — Sakura começou.
– Eu não sei. Realmente não sei o que fazem aqui. — Respondi. — Eles são simplesmente suicidas.
Um arrepio correu minha espinha. Caso algo acontecesse, esse hotel seria mandado pelos ares em uma explosão. Muitas pessoas poderosas em um local relativamente "pequeno", não tinha grandes chances de dar certo, mas acho que isso foi abusar da sorte.
Olhei temeroso para minha esposa conforme os Namikaze-Uzumaki se aproximavam de nós, já estava claro que eles iam falar conosco. O que não parava de rondar em minha cabeça era: será que alguém os reconheceu além de mim? E Naruto já havia visto que seus pais estavam presentes?
– Você deve ser Itachi Uchiha. — Pronunciou-se Kushina, numa distância rasuável. Abri um sorrisinho, o suficiente para agradá-los. — Sou Kushina Uzumaki e esse é meu marido Minato Namikaze. Fiquei sabendo que treinou meu filho, gostaria de agradecer.
– É um prazer, senhora Uzumaki, senhor Namikaze. — Cumprimentei com um aceno de cabeça. — Não creio que seja necessário um agradecimento, pois sei que queriam manter seu filho o mais longe possível dessa vida que vocês conhecem tão bem. Essa aqui é minha esposa, Sakura Uchiha.
Minato permanecia calado ao lado de sua esposa, limitando-se a um risinho ou outro, mas eu sabia muito bem o que ele estava fazendo: observando os convidados da festa, provavelmente analisando se o lugar estava muito perigoso. Ele estava mais que certo em fazer isso.
– Já encontraram Naruto por aí? — Sakura puxou assunto. — Ele cresceu tanto, vocês nem imaginam como está maduro. Apesar de não ter seguido o caminho que vocês preferiam, Naruto é um homem de negócios nato. Um líder!
– Sempre soube que meu garotinho tinha isso dentro dele! — Kushina se gabava. — Já o encontramos sim, ele não ficou muito feliz em nos ver, se preocupa demais, esse menino... Como se nós não fizéssemos tudo que ele faz há muito mais tempo!
Tive que rir. Kushina estava certa, ela com certeza sabia como matar alguém, afinal, há alguns anos era a princesinha da Ambu Nation.
– Sinto saudades de Mikoto e Fugaku, Itachi Uchiha.- Comentou Minato, ajeitando o cabelo com as mãos, não que isso adiantasse muito, pois seus cabelos eram rebeldes como os de Naruto. — Seu pai era um grande homem, assim como sua mãe era uma honrada mulher.
Sinal que os Namikaze-Uzumaki conheciam meus pais... Eu poderia obter mais pistas sobre o acidente deles se conversássemos em particular, era realmente uma boa ideia.
Minha esposa pareceu captar meus pensamentos, pois logo deu um passo a frente e tornou a falar.
– Gostaria de convidá-los para almoçar em nossa casa qualquer dia desses, seria muito divertido! Acho que temos muitos assuntos para conversar.
– Acho uma ótima ideia, querida. — Kushina concordou.
Hinata.
Eu não estava desconfortável nesse baile desgraçado. Ah, não estava mesmo.
Assisti com satisfação a maioria dos olhares se virando para minha família quando entramos. Podíamos ser um clã pequeno, quase uma família de tamanho "normal", mas ainda assim demonstrávamos grandeza, éramos imponentes e isso jamais passaria em branco.
Sentindo meu próprio corpo, caminhei para longe de meus familiares, queria andar um pouco, explorar o local, ver os rostos que estavam presentes na noite de hoje.
Pude ver alguns conhecidos, outros conhecidos até demais. Sorri com esse pensamento, quem eu mais precisava estava aqui. Assistindo-me a distância, trocando um intenso jogo de olhares e risadas discretas. Apesar de meu coração ter dono, minhas mãos coçavam de desejo para tocá-lo, precisava matar a saudade que me assolava como louca. Fazia tempo que não nos víamos, queríamos evitar qualquer tipo de suspeita e isso estava me matando. Se para mim estava sendo loucura, imagino do outro lado... Deve estar sufocando lentamente, precisando de mim, e isso me fazia sorrir em polvorosa.
– Se continuar com os olhos tão arregalados assim alguém pode furá-los. — A ruiva de Ambu Nation pairou ao meu redor, estacionando na minha frente. Admito que tinha um pouco de raiva de Karin, pois sua beleza chamava atenção fácil, principalmente os cabelos cor de fogo. — Quem sabe até tatuá-los, deixar uma marquinha... Assim como fizeram comigo. — Cruzou os braços e eu tive que rir em desdém. Sabia muito bem que ela era perigosa, mas jamais perderia a pose para uma qualquer.
– Cicatrizes fazem bem para você, realçam seu tom de pele. — Debochei.
– Não tão bem quanto esse corte de cabelo lhe cai, querida. Está sentindo muito frio na nuca ou quer que eu termine o que Naruto começou? Acho que não dá para se olhar no espelho depois que sua cabeça for arrancada de seu corpo. — Sorriu, doce que só. Sabia que a ameaça era séria, mas não me deixei abalar. Ali dentro todos estavam cientes que se alguém fosse ferido, as diferenças começariam a ser resolvidas. Por enquanto eu era tão intocável qanto ela. — Mas não se preocupe sobre a cicatriz, Sasuke ainda me acha linda mesmo com elas.
Tive vontade de avançar no pescoço dessa cabeça de fósforo e matá-la, apenas por falar de Sasuke, mas o fato daquilo possivelmente ser verdade me impediu. Karin tinha tanto potencial para conquistar Sasuke quando qualquer um, mesmo com o Uchiha achando que gostava de Naruto.
– Pena que não posso dizer o mesmo daquele Naruto, não é? Logo Sasuke o largará e vocês enfraquecerão de novo, pois ele se casará comigo, ou já tinha esquecido disso? — Acariciei o rosto da mulher a minha frente, num gesto de pura falsidade que eu achei que passaria em branco, até a ruiva desferir um tapa em meu rosto, fazendo-me virar a cabeça. — Ficou louca? — Passei a mão no local atingido, sentindo arder.
– Isso é só o começo, Rinavalius. E melhor deixar os olhos bem abertos, pois eu vou atrás de você.
Fui deixada sozinha novamente, mas por dentro do decote de meu vestido, pude sentir meu celular vibrar. Tirei o aparelho do esconderijo e li a mensagem que havia chegado.
[Ela nunca mais tocará em seu lindo rosto de novo, minha linda]
Não escondi o sorriso que brotou em minha face. Mesmo que fosse superficial, alguém queria meu bem; mesmo que um pouco, isso aquecia meu gélido coração.
– Está tudo bem, irmã? — Hanabi perguntou, surgindo ao meu lado. O rostinho de porcelana de minha irmãzinha era uma das coisas mais bonitas que eu já havia visto. Meu amor por Hanabi era imenso, ia até a lua e voltava. Eu jamais deixaria algo acontecer com minha pequena, tudo que fiz até hoje foi para protegê-la. — Eu vi o que aquela moça fez, quem era?
– Uma pessoa ruim, irmã, assim como todos que estão aqui. — Abracei seus ombros, trazendo seu corpo magro para perto de mim. — Aprenda a odiar todos, mas não carregue sempre o ódio no coração, pois ele pesa o suficiente para te atrasar. Agora, ao invés de ficar aqui se preocupando comigo, por que não vai curtir a festa? Quem sabe ache seu primeiro namoradinho aqui.
– Não me interesso em namoros, irmã, sabe disso. — Para uma garota de sua idade, Hanabi era bem esperta. Sabia o que queria, queria o futuro, mas eu tentava fazer ela retardar seu avanço, curtir os momentos da vida, curtir a adolescência e as descobertas dessa fase. Ela não precisava ser como eu. — Meu destino é somente meu.
– O que as duas estão fazendo aqui, abraçadas? Vão dançar. — Meu primo Neji chegou por trás de nós, como sempre agarrado a sua esposa TenTen. Não, eu não entendia o relacionamento desses dois.
Neji usava TenTen como bem entendia, como boneca sexual, como meio de ganhar dinheiro, como prêmio para exibição... E TenTen estava quase sempre calada, de olhar apático, apesar de eu saber que era uma mulher de fibra. Já havia visto TenTen botar Neji na linha em cinco segundos. O amor ali era puro, apesar de tortuoso, assim como o meu por Sasuke.
– Não lhe diz respeito, primo Neji. — Mas naquele momento eu notei. Não tinha como notar. O olhar de minha irmãzinha queimou, mas de um modo diferente que o de Tenten. Hanabi cobiçava Neji, e agora, com o olhar fuzilador de minha concunhada, eu pude perceber. Havia uma rivalidade ali, mas eu jamais deixaria que nada acontecesse. — A menos que queira ir dançar comigo.
– Ele não vai a lugar nenhum. — A voz de Tenten era sempre macia e melodiosa, pelo menos para mim, que mal presenciava os raros momentos de suas falas. — Se dançar, será comigo.
– Acho que não tem mal eu dançar com Hanabi, querida. — Meu primo amaciava a esposa. — Ela é minha priminha, não vou deixá-la nas garras de qualquer gavião aqui. — E foi assim que assisti o olhar indignado que TenTen lançou ao seu marido, o vendo sair de braços dados com minha irmã.
TenTen podia não gostar, mas Neji jamais olharia para Hanabi com outros olhos que não fosse os de um irmão mais velho e superprotetor. Neji conseguia ser pior que eu quando se tratava de Hanabi. Estava sempre a espreita, esperando algum gavião tentar chegar perto de sua pobre e inocente priminha. A esposa de meu primo não tinha com o que se preocupar, e logo tratei de tranquiliza-la.
– Hanabi é ardilosa, mas é apenas uma garota, TenTen. Não te representa nenhuma ameaça. — Não era segredo para mim, pelo menos, que Neji não encostaria um dedo em minha irmã. Até porque se o fizesse, eu cortaria sua mão. — Fique calma. Ela está confusa, não quer saber de garotinhos de sua idade, acha que sabe o que quer. Está crescendo, se tornando independente e eu realmente gostaria de ter nossa mãe aqui para ajudá-la com isso.
– Não gosto que cobicem o que é meu, Hinata. — Respondeu-me. — Você acha que sua irmã não representa nenhuma ameaça, mas te digo que justamente por ser irmã de quem é, Hanabi é muito mais que esperta e ardilosa. Ousaria dizer que é quase diabólica. — Virou-se de costas, reta como uma gueixa. — Mas não pense que eu a pouparia somente por ser da família. Que ela afaste-se de Neji.
Fui deixada sozinha, à mercê de meus próprios pensamentos. Agora, além de tramar contra Naruto e Ambu Nation, eu teria que me preocupar em manter as mãos de minha irmãzinha longe de meu primo, pois sabia o quanto TenTen era letal com duas espadas na mão. E não haveria ateu nem cristão que a impedisse caso ela quisesse matar Hanabi.
Andei até os dois, que dançavam música lenta numa distância razoável um do outro.
– Estou falando abertamente aqui, para os dois, até porque Neji parece ter fechado os olhos para o mundo. — Alertei, começando a ficar brava com a situação. — Hanabi está apaixonadinha por você, primo, e é sua missão como parte da família, conversar com essa cabeça dura e dizer que nada jamais poderá acontecer entre vocês dois. Está estritamente proibido.
Saí dali o quanto antes, indo olhar-me no espelho para ver se a bofetada que Karin me deu havia deixado marcas. Essa noite está sendo longa, mais longa do que eu esperava.
Algo naquele espelho me parecia estranho, me dava uma sensação ruim, que por hora eu resolvi ignorar. Tomaria mais um champanhe, ou mais cinco, quantos fossem necessários para me entorpecer o suficiente para aguentar esse baile.
Hanabi.
Após minha irmã ir embora, não tive muita coragem de olhar para o rosto de meu primo, mas eu já havia aprendido muito ao longo dos meus poucos anos, e sabia que tinha que olhá-lo, mostrar que era forte, que não me abalava.
Não sabia exatamente bem quando e como começou, e não acho nem um pouco doentio, na verdade, achava bem normal meu... Hum, amor, por meu Neji. Ele sempre esteve lá para mim, me vendo crescer, acompanhando meus passos... E não me olhava como Hinata. Para Hinata eu era frágil, mesmo que fosse forte, sempre me tratou como o mais delicado dos bibêlos.
Já Neji era diferente... Costumava brincar comigo quando eu era mais nova, brincar sem medo de me machucar, não me proibia de falar palavrões, nem nada do tipo. Ao seu lado, aulas de etiquetas eram lixo, bons modos também, assim como ter que fingir ser alguém que não sou, mesmo que eu não mostrasse todo meu verdadeiro eu para ninguém.
Mal todos eles sabiam, que de todos os Rinavalius eu era a pior e a melhor. Eu vejo além das barreiras, não tenho escrúpulos. Mataria meu melhor amigo se fosse necessário, destruiria tudo pelo que acho certo.
– Isso é verdade, Hanabi? — Meu primo questionou. — Gosta de mim?
– Se eu dissesse que não, estaria mentindo. — Meu coração pulsava rápido e minhas pernas pareciam de gelatina nesse momento. Posso ser uma cobra venenosa, mas também sou uma adolescente comum, e Neji não deixa de ser minha primeira paixonite.
– Desde quando?
– Desde sempre. Não consigo me lembrar quando aconteceu, quando vi, já era...
– Você sabe que isso é errado, não é? — Tentava me iluminar. Pois que continuasse, seria inútil. Sei o que quero. — Somos parentes, eu praticamente te criei como irmã mais nova, e além de tudo sou casado. Eu não te vejo como nada além de uma criança.
Aproveitei o fluxo de pessoas, já que novos convidados chegaram, e arrastei meu primo para longe da multidão, num canto mais reservado.
– Eu não sou uma criança. Vejo isso pelos olhares que recebo. Sou mulher, Neji, deixei de ser criança há algum tempo. — Justifiquei. — Tenho mente de mulher, corpo de mulher.
– Mesmo que seja, Hanabi. "Nós", é algo que nunca acontecerá. — Ele podia dizer isso, mas eu pude perceber seus olhos passando por meu corpo quando eu disse que havia evoluído. Ele não podia negar que sou bonita! Até mais bonita que sua tão amada esposa.
– Tem certeza? — Puxei sua mão, que estava parada ao lado de seu corpo, e depositei em meu peito. Eu não gostava de usar sutiã e o tecido do vestido era fino, Neji podia sentir tudo, e seu rosto demonstrava isso. Em estado de choque, pegou em meu seio como faria com outra mulher, e com o polegar acariciou meu mamilo, que endureceu de instantâneo. — Eu posso tem mostrar.
Mais que rapidamente tirou a mão dali, quando notou o que estava acontecendo. Massageou as têmporas, murmurando "isso não pode estar acontecendo comigo".
– Um beijo, Hanabi. É tudo que posso te oferecer. — Tentou negociar. — Você tem que por em sua cabeça que isso é loucura, que se quiser namorar tem que ser alguém da sua idade. Eu não sirvo para você, assim como tampouco podemos ficar juntos.
– Então esse é o problema? Que não podemos? Quem liga para o que pode ou não, nós...
– Não existe "nós". — Meu primo interrompeu minha fala, seu rosto expressava que ele estava estressado. — Entenda que não existe. Sou casado, somos primos de primeiro grau, e você está apenas confusa.
– Então me dê pelo menos o meu beijo. — Pedi. Ele não sabia que depois que o fizesse, eu daria um jeito de prendê-lo em minha teia, paralisá-lo e então devorá-lo. Eu não gostava de ser subestimada, e se TenTen quisesse, ela que viesse acertar suas contas comigo.
– Está bem. Feche os olhos.
(...)
Naruto.
Os gritos de Sakura eram mais que audíveis. Acho que ela havia deixado para trás toda sua compostura Uchiha, pois todos estavam olhando para minha amiga, que era carregada por Itachi no colo até as portas do hotel, onde uma ambulância já a esperava para levar para um hospital particular, onde o parto normal seria feito.
Sasuke e eu fomos de mãos dadas até o carro do moreno, pois não perderíamos o nascimento da pequena Rei, a mais nova Uchiha.
Sasuke, tio de primeira viagem, tremia feito vara verde, e exatamente por esse motivo que não o deixei dirigir, pois até poderia acabar batendo, de tão nervoso que estava. Desse jeito parecia até que era ele quem estava parindo!
– Se acalme Sasuke, ficar se tremendo não vai fazer sua sobrinha vir ao mundo mais rápido. — Aconselhei enquanto dava partida no carro, abandonando o baile de qual eu era anfitrião. Bom, nesse caso de emergência "familiar", fodam-se os bons modos!
– Não consigo, Naru, é como se fosse meu próprio filho nascendo nesse momento! — Explicava-se, ainda mais nervoso. — Será que Sakura está indo bem? E minha sobrinha? Dirija mais rápido, quero chegar logo ao hospital!
– Calma, calma! Sasuke, eu estou aqui com você, nós chegaremos ao hospital e logo logo sua sobrinha virá ao mundo exatamente como deve ser. — Bufei, olhando para os céus e rezando para que assim fosse, pois caso contrário era capaz de Sasuke ter um AVC.
Se o tio está assim, imagine o pai?!
(...)
– ITACHI, SEU FILHO DA MÃE! EU VOU ACABAR COM VOCÊ ASSIM QUE EU SAIR DAQUI! — Sakura gritava. Eu assistia o parto de longe, pois minha amiga fez questão que eu estivesse na sala de parto filmando, já que sabia que Itachi amarelaria. E ela estava certa, pois o mesmo estava mais branco que papel, segurando a mão de sua esposa, imóvel enquanto ela se esgoelava. — É TUDO CULPA SUA!
– Empurre! — O médico dizia, e Sakura fazia força. — Isso. Respire... E agora, empurre!
– NÃO TEM MAIS O QUE EMPURRAR, ESSE BEBÊ NÃO QUER SAIR. — Mais uma vez, virou-se para o marido. — DEVERIA SER VOCÊ AQUI! EU QUERO TE ESTRANGULAR! URGH!
Eu não sei a intensidade da força com que Sakura apertava a mão de Itachi, mas pela dor que parecia estar sentindo, logo conseguiria quebrar os dedos de meu amigo.
A câmera tremia em minhas mãos, eu já não sabia ao certo que ângulo filmar, e quando estava chegando perto do médico para ver melhor o andamento do parto, escutei a melhor frase do dia:
– A cabeça já está saindo, senhora Uchiha! — Parabenizou. — Agora eu preciso que a senhora faça mais força. Respire fundo, e faça o máximo de força que puder.
Sakura obedeceu, e depois de mais alguns poucos minutos, o som mais doce do mundo foi ouvido.
Rei chorava nas mãos do doutor, viva, aparentemente saudável, e agora sendo recebida por nós que a esperávamos com tanto amor.
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