Blurred lines.

18 Treinamento.


Notas iniciais
Enfim chegou quinta-feira... Maio acabou, graças a Deus, eu não aguentava mais esse mês eterno! E esse comecinho de junho também não está sendo nada rápido. Estamos há uns 3 anos nessa semana T.T Espero que gostem do capítulo, fiquei muito feliz com os comentários e espero ver muito mais nesse capítulo. Indiquem a fic aos amigos, vamos! Quero ver mais gente dividida entre Sasuke e Punk, aliás, qual o Team de vocês, hein? Me digam nos comentários, porque Punk voltou para ficar, e promete não desaparecer! ;) Agora, mantenham-se fortes, porque esse capítulo promete!

Naruto.

Assim que acordei e não vi Sasuke do meu lado, cheguei a me desesperar pela falta que seu corpo fazia perto do meu. Procurei pela casa toda e nem um sinal de meu namorado.

Cacei meu celular até os confins da Terra, acabando por achá-lo de baixo do sofá, e então liguei para meu namorado. Mas eu não estava pronto para o que viria.

Alô?

– Oi, amor, sou eu. Por que foi embora sem me avisar? — Perguntei.

Ah, olá benzinho.Não.

Não.

Meu peito doeu. Era como enfiar uma faca em meu corpo, de dentro para fora. Por que Punk estava atendendo se Sasuke estava aqui de madrugada... Será que Punk me enganou nesse tempo? Não... Ele não seria tão sujo assim.

Benzinho, deixa eu te falar, tomei o corpo do seu namoradinho porque a Ambu Nation não pode ficar jogada as moscas. Mas relaxa, segunda-feira eu te entrego ele sem faltar pedaço.– Como ele conseguia falar tudo com tanta naturalidade? Como conseguia ser tão frio? Era quase como se ele não tivesse me traído, mas também era do jeito que ele falava com Hinata.

Ele me odeia agora?

– P-punk... — Gaguejei.

Punk suspirou do outro lado da linha.

Por favor, não faça essa voz de quem vai chorar Naruto... Por favor.– Ele pedia. — Está mais difícil para mim do que está para você, já que tem o Sasuke.

– Punk, não é como se eu tivesse te esquecido da noite pro dia e...

Naruto.– Punk interrompeu meu retruque. — Ele tem a mesma cara que eu e você beija na boca dele, é óbvio que você me superou da noite pro dia. Passar bem.

E a chamada foi encerrada.

Encarei o visor do celular ainda incrédulo. Eu tinha mesmo falado com Punk no telefone. Sem chorar, sem gritar, sem fazer escândalos. Dois adultos que já tiveram um relacionamento acabaram por se falar. Acontece. Agora, respira fundo.

Então quer dizer que eu teria que esperar até segunda-feira para poder falar com meu namorado, isso não é nada bom...

Já que eu não tinha o que fazer pelo resto do dia, mandei uma mensagem para Itachi, perguntando se podíamos começar com meu treinamento hoje. A resposta foi positiva, e junto com isso, a mensagem dizia para eu botar roupas pretas, de preferência que me dessem uma boa mobilidade. Itachi estaria na minha casa em questão de minutos para me levar ao tal lugar onde seria o treinamento.

Escolhi por um conjunto de moletom que tinha comprado no último inverno. Vesti as calças, depois uma blusa preta e por fim apoiei o casaco no braço. Calcei tênis de corrida, já que Itachi pediu por mobilidade...

Assim que terminei de me vestir meu amigo, e agora cunhado, estava em frente ao meu prédio, buzinando sem parar e acordando a vizinhança inteira. Peguei somente o indispensável e saí de casa.

– E aí? — Cumprimentei Itachi, que me deu um aceno de cabeça. Sentei no banco do carona e partimos rapidamente.

– Conta da viagem. — Pediu Itachi, depois de termos nos afastado de minha rua. É, pelo visto o negócio era sério mesmo. – Sasuke não apareceu em nenhum lugar, tampouco atendeu minhas ligações enquanto estava com você. E bem, hoje eu não poderia ligar para ele nem se quisesse.

– Na verdade, — comecei. — Ele conseguiu controlar Punk no começo do sábado. Não sei em que parte ele deixou de ser o Sasuke, porque hoje liguei para ele e quem atendeu foi o Punk. — Pelo espelho do carro pude ver as sobrancelhas de Itachi levantarem-se por trás do óculos escuro que usava. — Enfim, sei que meia noite de ontem para hoje eu estava com ele e Sasuke controlou Punk, o segurou, não sei explicar. Fomos dormir por volta de duas e meia da manhã e Sasuke ainda era Sasuke.

– Mesmo...? Uau, isso é incrível. — Itachi parecia animado. — Em mais de dez anos eu nunca vi Sasuke conseguir segurar Punk. Então... Quer dizer que meu otouto dormiu, de novo, na sua casa é? Vocês dois dormem juntos praticamente a semana toda e não querem ultrapassar essa barreira ridícula de amizade, tsc.

Eu sorri, notando que Itachi realmente não sabia de nada.

– É sobre isso que eu quero falar com você, 'tachi. — Mordi o lábio inferior. — No primeiro dia de viagem meus pais sacaram que Sasuke gosta de mim. — Itachi tirou os óculos escuros, aproveitando um sinal fechado para me encarar de olhos arregalados. — E eles aceitam e apoiam Sasuke. Na verdade, ele e minha mãe já estão melhores amigos. — Ri fraco. — Fomos a um encontro, e outro dia acabamos nos beijando... Ah Itachi! Seu irmão é maravilhoso. Estamos namorando agora.

– O QUE? — Itachi deu um solavanco no carro, fazendo o veículo de trás buzinar. — VAI SE FERRAR, Ô VIADO! — Meu cunhado gritou para o carro de trás. — Você só pode estar de sacanagem comigo, Naruto! Porra, seus filhos da mãe, nem para o menos me ligar e dizer que você é meu cunhado novamente. Estou tão feliz! Imagino como Sasuke deve estar. Ah!

Itachi realmente parecia feliz com o que lhe contei, mas notei que estávamos cada vez mais longe das ruas conhecidas, mas perto de um lugar onde só passei uma vez, e foi com Punk. Eu conhecia as ruas onde as árvores tampavam o sol, e reconhecia bem o caminho para notar um desvio.

Não podia ser... Podia?

Itachi e eu continuamos conversando amenidades, mas eu não podia deixar o caminho passar batido. Estava com a suspeita cada vez mais forte em meu peito, e ela foi confirmada assim que ele estacionou o carro num lugar vazio, sem se preocupar em ser roubado. Descemos do carro e ele trancou o veículo.

– Onde estamos? — Perguntei.

– Você já irá saber! — Respondeu. Logo Pain estava conosco, e junto dele estava Konan, ambos inteiramente de preto, assim como Itachi e eu. — Pain conhece uma trilha para o lugar onde devemos ir. Só te aviso que é muito alto. — Eu não podia acreditar! — Mas é até bom para você fortalecer essas pernas, não vou facilitar para você só porque agora é namorado do meu irmão.

– NAMORADO? Naruto Uzumaki seu jegue! — Berrou Konan. — Nem ao menos para avisar a sua melhor amiga? Eu te atendo às oito e pouca da manhã e conto sobre Pain, mas você não pode tirar cinco minutos do seu precioso tempo para me mandar uma mensagem? Seu maricas!

– Uau! — Bati palmas, zombando de Konan. — Nenhuma palavra em francês? — Resolvi parar antes que ela me batesse. — Konan, me desculpe, mesmo, mas eu estava ocupado demais... Sasuke é tão... Intenso!

– Hmpf! Sei! Conversaremos sobre isso depois. — Recebi uma piscadinha maliciosa de minha amiga.

– Podemos ir? O resto do pessoal está nos esperando lá em cima. — Pain anunciou.

(…)

Sim. Fomos para onde eu imaginava. E isso me trouxe uma nostalgia horrenda.

Foi da primeira vez que eu vi Punk e andamos de moto, passamos por um desfiladeiro, e do outro lado tinha uma cordilheira de montanhas, dentre as duas mais altas, uma cachoeira cristalina, que devido a força da água soltava até neblina. E dessa vez, eu estava do outro lado.

A subida fora cansativa sim, mas a vista compensava. Descobri que entre as duas maiores montanhas haviam muitos caminhos, todos eles bem cuidados, quase como uma clareira. Algumas pedras menores serviam de observatório para as outras pessoas que estavam ali, e eu ainda não tinha visto o rosto de nenhuma delas.

– Desçam! — Pain comandou. Era óbvio algum tipo de hierarquia ali.

Minha surpresa foi ver minha prima Karin e o garoto de cabelos brancos que zombou de mim no dia do raxa. Seriam eles o resto da Akatsuki?

– Karin?! — Perguntei. — Você, na Akatsuki? Como assim? E você – apontei o dedo na cara do garoto de cabelos brancos. — O que está fazendo aqui?

– Eu trabalho nisso aqui, Narutinho. — O garoto respondeu, semicerrando os olhos. — Meu nome é Suigetsu. Achei que me conheceria, afinal, temos muito em comum.

– Tipo o que, hein? — Estalei a língua. Esse garoto não me descia nem um pouco.

– Pelo visto você não sabe mesmo... — Ele sorria, balançando a cabeça em negação. — Sou ex namorado de Punk. — Meu coração doeu. — E de Sasuke. — De novo. — Namorei os dois ao mesmo tempo. Mas sabe, acho que você não aguentaria. Pelo que eu soube, você nem ao menos deu para o Punk. — Fechei minhas mãos em punhos. — Realmente, Narutinho, é muito difícil aguentar os dois, ainda mais ao mesmo tempo. Ah, era horrível passar o fim de semana todo deitado no quarto de Punk na mansão da Ambu Nation, e nos dias de semana aguentar Sasuke montado em cima de mim a nooooite toda. Como você deve saber, o Sasu tem um apetite insaciável.

Suigetsu levantou ambas as sobrancelhas para mim, e após o meu silêncio, passou a língua pelos lábios.

– É, pelo visto você não sabe mesmo. — Meu corpo tremia. Eu só queria dar um chute na cara dele e arrancar a força aquele sorrisinho presunçoso. — Você não sabe como ele te toca quando quer algo, não sabe as baixarias que ele tanto adora falar, não sabe como é quando ele te pega de surpresa e...

Eu gritei. E assim que gritei, parti para cima de Suigetsu. Agora tudo fazia sentido.

Lembrei-me do dia do raxa, de como Suigetsu não acreditou que eu não sabia correr quando me candidatei. Lembro da cara de Punk pensando em se oferecer para correr...

Sasuke agitou a cabeça, e eu percebi que ele estava ponderando correr hoje. O que eu não achei uma boa ideia, só não sei o porque. Ele ia se pronunciar, balançava a cabeça com cada vez mais intensidade, então quando levantou a cabeça, eu vi seus olhos. Não tinha conseguido reparar no sábado como seus olhos ficavam selvagens quando ele estava de jaqueta, coturnos, e com toda essa adrenalina que o ambiente selvagem trazia... Era lindo. Ele iria abrir a boca para se pronunciar, mas eu fui mais rápido.

– Eu! Eu vou correr hoje. — E isso fez com que Sasuke arregalasse os olhos.

– Você, magricela? — Um garoto de cabelos brancos perguntou. — Você sabe correr pelo menos?

– Sei. — Não menti, mas eu não era um grande piloto. Mesmo assim, não deixei minha voz vacilar. O garoto de cabelos brancos olhou para Sasuke, como se a intimidade deles o permitisse fazer esse tipo de coisa, e o censurou com o olhar.

– Deixe o garoto correr. — Sasuke também mandou uma mensagem com o olhar para ele, que ao meu ver, foi um claro "não se mete".¹

Agora estava tudo óbvio! Claro que a intimidade deles permitia aquele tipo de censura, até porque eles foram namorados!

Acertei um soco em Suigetsu, bem em seu queixo, o fazendo quase cair, mas de última hora o filho da mãe apoiou a mão no chão, levando a outra até de baixo de seu casaco e tirando de lá uma arma. Reconheci instantaneamente uma 88 apontada diretamente para mim. Não era lá grande coisa, mas ainda assim tinha poder para me matar, ainda mais naquela curta distância.

– É melhor irmos com calma, não é, amigão? — Suigetsu tirava onda, apontando o cano da arma para minha cabeça. — Que culpa eu tenho se você não sabe segurar nem um homem, imagina dois? Agora fica frio, ou tudo vai acabar bem rápido aqui.

– Abaixe essa arma, Suigetsu. Se não as coisas vão ficar bem feias pro seu lado. Você sabe que Sasuke não vai voltar para você e que Punk só quer seu corpo. — Itachi interferiu.

– Como assim... Seu corpo...? — Perguntei, quase desistindo de tentar entender a merda de relação deturpada que eu vivia.

– Você acha mesmo que ele ficaria quanto tempo sem sexo, Naruto? — Suigetsu riu, abaixando a arma e guardando-a. — Ele pode não ter ficado comigo enquanto vocês estavam juntos, mas assim que terminaram ele afogou as mágoas se afundando em mim.

– CALA A BOCA! — Gritei. — Cala a boca seu filho da puta. — Sim, eu sei que perdi a compostura. Olhei para Itachi. Sentia que estava completamente transtornado, quase possuído por uma raiva que eu desconhecia, mas era tão ruim, tão sufocante, que eu jamais queria sentir de novo. — Eu quero ele fora. AGORA.

– Ah, não, não, não, queridinho. — O platinado logo se pronunciou. — Quem você pensa que é?

– Sou Naruto Uzumaki Namikaze. Filho de Kushina Uzumaki, herdeira da Ambu Nation, e Minato Namikaze, herdeiro de Rinavalius. Só o meu dedão do pé manda mais que Itachi e Sasuke juntos. Se você não quiser sair daqui, pode me balear, mas eu vou te enfiar uma ninja-tō² no meio da testa. — Cuspi no chão. — Ou você me obedece e fica caladinho, ou sai daqui direto para o inferno. Escolha.

– Meninos, isso não tem que ser assim e... — Minha prima tentou argumentar, mas Suigetsu a cortou.

– Nem vem! Todos sabemos que você também tentou alguma coisa com Sasuke, e só não conseguiu porque ele não te acha bonita o suficiente. Nem ele, e nem o meu Sasuke. — Ele fez questão de frisar o pronome possessivo.

Respirei fundo algumas vezes. Talvez dez vezes, talvez três mil e cinquenta, eu não sei. Mas precisava me acalmar para não fazer uma besteira. Se fizesse algo, tenho certeza que acabaria mal para mim, que estava desarmado e mal sabia brigar.

– Itachi. — Chamei. — Podemos começar?

– Sim, podemos. Os outros estão nos esperando mais perto da cachoeira. — Respondeu meu cunhado. Outros? Porra, quantas pessoas têm na Akatsuki?

Andamos para perto da cachoeira, e eu me certifiquei de que fosse o último. Não confiava naquele Suigetsu atrás de mim, na verdade, o simples fato de ter que me lembrar que ele estava ali, tirava-me completamente do sério. Garoto presunçoso, vadio, dado... Ridículo.

Na cachoeira, um loiro de cabelos longos nos esperava juntamente com um ruivo de feições perfeitas. Sim, perfeitas. Se possível, o ruivo era o ser mais bonito que eu já tinha visto na vida, em termos estéticos, pois suas feições eram ambíguas, podendo pertencer a qualquer um dos dois sexos, masculino ou feminino. Seus olhos eram de um castanho avermelhado, diria que da cor de uma avelã. A tez pálida contrastava com os cabelos incrivelmente vermelhos e a roupa preta, que o fazia parecer mais branco ainda. Seus lábios traziam um sorriso que eu descreveria como enganador. Parecia simpático, ao mesmo tempo que também parecia cínico, e até diria que ameaçador.

– Até que enfim chegaram, hn. — Saudou o loiro. — Sasori no Danna e eu já estávamos cansados de esperar.

– Sabemos muito bem que vocês devem estar cansados de outra coisa. — Pain soou... Malicioso? Será que aqueles dois tinham algo? — Esse é Naruto Uzumaki, amigo da família Uchiha e herdeiro por direito de Rinavalius.

– E é ex namorado do chefinho. — Suigetsu riu pelo nariz. Eu definitivamente mataria aquele estranho.

– Então é você, não é? — Sasori tinha a voz grossa, mas incrivelmente... Macia? Calma? Não sei. Mas quando Sasori falou, todos os pelos do meu corpo se arrepiaram em resposta, e uma paz me invadiu. Quando falava, Sasori parecia extremamente pacífico. — Eu sou Sasori, artista nato, mas trabalho na Akatsuki por venturas da vida. E é um prazer te conhecer, Uzumaki.

– E eu sou o Deidara, também artista nato, e trabalho na Akatsuki porque ela tem as melhores utilidades para o meu tipo de arte. — Sorriu. — Sou namorado do Danna, hn!

– Ah, sim. — Balancei a cabeça, tentando não parecer constrangido. — É ótimo conhecer vocês. Sinceramente, parecem os integrantes mais normais da Akatsuki.

– Não nos ofenda, priminho! — Karin cantarolou.

Eu realmente não gosto dela. Realmente não gosto de Suigetsu e realmente acho Deidara estranho.

Bufei.

Rezei para podermos começar logo, e começamos.

Primeiro Pain e Itachi disseram que eu tinha que ter base em algumas artes marciais, mas não especificaram. Disseram que o nome não importa, o que importa é que eu saiba.

Teria que ser flexível como uma cobra, ágil, ter o equilíbrio de uma garça, ser forte, e principalmente, racional, como um humano.

– Não se deixe levar pelas emoções, Naruto. — Itachi aconselhou, depois de me ensinar alguns golpes e táticas, claro, antes veio um rigoroso alongamento. — Nas horas de combate, nas missões, emoções só te atrapalham. Não há família, não há amigos, não há amores. Há você, e mais sei lá quantos outros caras, e eles querem te matar, Naruto.

– Discordo, Itachi. — Opinou Karin. — É nessa hora que ele deve deixar as emoções fluírem, mas apenas no racional, entendem? Não pode se deixar abalar, mas sem emoções ele não tem o porque lutar pela sua vida. Ele tem que pensar na família, nos amigos, e nos amores. Ele tem que lutar por sua vida, mas são para essas pessoas que ele tem que voltar.

– Parem de divagar sobre. — Pedi. — Quero meu treinamento, intenso como deve ser. Quero que amanhã eu sinta tanta dor nos músculos que não possa andar. Quero meus pensamentos correndo a nível de fórmula 1, para que eu possa raciocinar e executar tudo que planejo.

– E o que você pretende, Narutinho? — Suigetsu estava sentado limpando as unhas com um canivete suíço.

Sorri de canto de boca.

– Nós, não só a Akatsuki como a Ambu Nation, vamos invadir Rinavalius. — Virei-me para Deidara. — Eu vou precisar de você. Não foi você que acabou de explodir uma pedra em menos de três segundos? — Ergui a sobrancelha. — Vou precisar de alguém que passe sem sobrenome, sem rosto, para dentro de Rinavalius. Eu quero uma bomba na sala principal, onde Hinata senta aquela bunda dela. Quero muito bem escondida. Nós vamos entrar, uma invasão tranquila, mas claro que não estaremos despreparados. Eu quero no mínimo quinhentos homens bem armados, e mais cem carros dando voltas pelos arredores, entenderam? — Olhei para Itachi. — Eu vou tomar Rinavalius e assumir o controle, só para poder destruí-la. E se não for por bem, vai por mal, entendeu Deidara?

Deidara anuiu com a cabeça, e Sasori agora sorria largamente.

– Ah, Uzumaki, se eu soubesse que você era assim tão esperto e brilhante, teria procurado sobre o seu passado antes. — Pain comentou. — Isso definitivamente será divertido.

– Definitivamente. — Confirmei. — Mas não quero conversas sobre isso, e Itachi — chamei meu cunhado. — Final de semana que vem, se possível, nós iremos ao QG da Ambu Nation, vou tomar o lugar que me pertence lá também. Temos que começar a instruir os homens.

Itachi riu. Aquele riso dele antes me daria arrepios, agora não me causou nada. Mudei em questão de segundos, porque vi que mesmo alguém do meu lado — no caso Suigetsu — pode tentar me matar. Ninguém é confiável.

– Você planeja tudo muito bem, cunhadinho. — Itachi pegou seu telefone do bolso, deu alguns toques na tela e botou no ouvido. — Quero um anônimo infiltrado em Rinavalius até o fim da semana. Preciso da planta do QG de lá. E tem que ser de confiança!

– Isso. — Sorri. — E quero Punk do nosso lado quando invadirmos. Será num sábado à noite, hora de trabalho. Posso não me dar bem com ele, mas meu ex namorado tem perícia no assunto. Não estamos mais lado a lado, mas ainda estamos do mesmo lado. Entendeu, Suigetsu?

(...)


Cheguei em casa de madrugada, completamente exausto. Sentia-me tão flexível quanto uma ginasta olímpica, mas também me sentia tão dolorido quanto um senhor de 80 anos com artrose.

Bom, mesmo que rapidamente, meu plano foi arquitetado. Invadiríamos Rinavalius, mais cedo ou mais tarde. No caso, mais tarde, afinal meu treinamento apenas acabara de começar e eu ainda tinha muito caminho a percorrer, mas algo não me saia da cabeça...

Suigetsu.

A vida tinha que ser muito irônica para me por na mesma “equipe” que o ex namorado de AMBAS as personalidades de Sasuke. E aliás, como ele conseguiu conciliar namorar com as duas personalidades? Punk teria sido fiel a ele? Ele teria seduzido Sasuke ou o quê?

Acho que sou meio infantil por ter ciúmes do passado de meu namorado, mas é que Sasuke parece alguém tão... inalcançável. Estou julgando por aparências, mas Suigetsu não parece o tipo de cara que Sasuke namoraria. Suigetsu é obviamente baixo, escroto e insensível, já Sasuke é completamente sensível, profundo, culto, refinado... Tão perfeito. Não teria como dar certo.

E eu jamais poderia perguntar ao meu namorado sobre Suigetsu, afinal, ele iria querer saber como conheci o platinado e eu não estava disposto a contar tudo sobre Akatsuki e sobre precisar da ajuda de meu ex namorado para destruir a sua noiva.

Noiva.

Às vezes me esquecia completamente que Hinata é noiva de Sasuke e que eles se casariam... Em quanto tempo? Sobre isso eu posso perguntar a Sasuke, mas não quero soar possessivo, apesar de ser completamente plausível. Afinal, sou namorado dele, não é de se esperar que eu aceite que ele vá se casar, mesmo que só por negócios e status, e mesmo que a família Uchiha já tenha ambos em abundância.

A vontade de ligar para Sasuke agora estava praticamente fechando minha glote e me deixando sem respirar, mas eu não podia, até porque era domingo à noite e se eu ligasse agora quem atenderia era Punk, e eu realmente não estou com vontade de falar com ele no telefone de novo. O que passou não tem que me afetar agora, então não seria a decisão mais sábia ficar conversando com Punk quando eu tenho um namoro perfeitamente estável agora.

(…)

– Bom dia. — Saudei Sasuke ao telefone, às 7h da manhã. Sim, eu estava meio que desesperado por meu namorado.

– Bom dia. — Respondeu em meio a um bocejo. — O que deu em você para me ligar tão cedo?

– Só queria escutar sua voz, ficar um pouco com você... Temos que conversar, também. — Mordi o lábio inferior demonstrando um claro nervosismo que Sasuke não podia ver. Mexi na barra de minha camisa, apertando o tecido conta meu corpo. A temperatura tinha caído consideravelmente durante a noite e agora eu estava batendo os dentes, arrependido de ter dormido com uma camiseta fina e um short curto.

– Quer que eu vá aí? Posso avisar na empresa que vou chegar atrasado. — Sasuke não cansava de ser prestativo? De dobrar e desdobrar seus horários para poder ficar comigo?

Confirmei a Sasuke que queria que ele viesse e em menos de meia hora ele já estava batendo em minha porta.

– Oi amor. — Cumprimentou-me com um selinho, e eu pude sentir meu peito se encher de uma alegria estranha por ele estar ali, comigo, e não com qualquer outra pessoa de seu escritório. Possessivo, eu sei, mas era quase inevitável.

– Oi. — Respondi e circundei seu pescoço com meus braços, o puxando para mais perto. Abracei Sasuke com força, afundando meu rosto na curva de seu pescoço e aspirando seu cheiro. Logo meu namorado percebeu que algo não estava certo comigo, pois largou sua pasta no chão e retribuiu o abraço com mais força ainda, erguendo-me do chão. Entrelacei minhas pernas em seu quadril e Sasuke fechou a porta.

– Há algo errado com você? — Anuí com a cabeça, sem tirá-la do colo de Sasuke e ele andou comigo até meu quarto. Minha pressão estava consideravelmente baixa, já que eu não tinha comido nada desde que acordei, o máximo que fiz foi tomar banho e escovar os dentes.

Sasuke nos deitou em minha cama, com ele por cima de mim, mas não descansou seu peso por nenhum momento. Sempre tão gentil...

– Você vai continuar com Hinata? — Perguntei de supetão. Não queria falar disso exatamente nesse momento, mas algo em meu peito, um ciúme crescente, me obrigou a isso. — Não quero você com ela. A ideia de outra pessoa te tocando, te exibindo... Ugh.

Sasuke riu.

– Pelo visto eu peguei você de jeito, não foi? — Me soltou para poder olhar em meus olhos. — Estou casando com Hinata por favor ao pai dela, de favor as organizações em paz, não porque gosto dela. Você sabe disso, amor. Ela jamais me tocou e nunca vai me tocar. Eu sou seu, não está vendo? Estou bem em cima de você. Você pode me tocar.

Os olhos de meu namorado brilhavam. Um brilho estranho que eu ainda não tinha visto, e era até engraçado. Parecia... Não sei, para dizer a verdade. Parecia que os olhos de Sasuke estavam derretendo, virando líquido e que logo se despejariam sobre mim. Era lindo, pois refletido ali estava todo o amor e devoção de Sasuke por mim.

É clichê, é incerto, mas eu podia ver sim o amor de Sasuke ali. Talvez estivesse me enganando se fosse de Punk que estivéssemos tratando, mas não é. É Sasuke. Meu amor.

Ele estava de terno, mas nada podia me impedir de passar as mãos por seu tronco. Subi meus dígitos para sua gravata, desfazendo o nó tão bonito que ali estava. Depois de retirar a gravata de Sasuke, me incumbi a missão de abrir os botões de sua camisa, que ainda estava por de baixo do blazer, que Sasuke me fez o favor de tirar assim que notou que eu estava me incomodando com o maldito pedaço de pano.

Tirei sua camisa social, jogando-a no chão.

Existem poucas coisas que eu costumo contemplar na vida, mas o corpo de Sasuke é uma delas, e cada vez que eu pudesse ter a oportunidade de olhar, tocar, beijar... Eu o faria.

Me incomodava que Sasuke não quisesse que consumássemos nosso relacionamento agora. Incomodava em minha mente, em meu coração e dentro das calças. Também sentia isso com Punk, mas o corpo de Sasuke – mesmo sendo o mesmo – me puxava como um imã. Era prazeroso poder ficar assim como ele, apenas tocando sua pele e sentindo o calor que ela emanava.

Era gostoso por as mãos ali, no rosto, tudo que eu pudesse encostar. Eu tinha uma devoção imensa por meu namorado, ainda mais por seu corpo, que está me fazendo sentir muito, muito quente nesse momento.

– E eu? Posso te tocar também? — Revirei os olhos perante a pergunta de Sasuke. Não por impaciência ou coisa do tipo, mas por prazer. Somente a voz rouca de meu namorado já tinha o poder de arrepiar todo meu corpo e me deixar num nível baixo de torpor, mas que era o suficiente para quase perder a consciência de meus atos.

– Não sei o porquê de ainda não ter tocado. — Ditei com ousadia, para logo depois puxar Sasuke para um beijo sedento. A língua de Sasuke se enroscava na minha com perícia, me deixando quase tonto, só pelo tanto que eu amava o gosto de sua saliva se misturando com a minha. Era cru, puro, sem precisar de nada para complementar. Estava ali, exposto a quem quisesse ver. Era amor e era tesão, intimidade, carinho... Era Sasuke e eu. Juntos.

Partimos o beijo para que Sasuke pudesse tirar minha camisa. A janela aberta deixava o vento gelado bater em minha pele, causando pequenos espasmos por meu corpo. A boca de Sasuke que antes estava sobre a minha, agora beijava insistentemente meu pescoço, de leve, para depois passar a língua pela extensão da pele, até chegar perto de minha orelha, mordendo o lóbulo em seguida.

Gemi manhoso, com um pouco de vergonha, mas era inevitável com Sasuke ali, em cima de mim. Enrosquei minhas pernas com a sua, friccionando nosso quadris, o que arrancou um grunhido de Sasuke. Com minhas unhas arranhei de leve seu pescoço, escutando Sasuke sibilar pelo contato. Minha visão já estava embaçada, assim como minha percepção do que estava fazendo.

Sasuke me pegou no colo novamente, saiu da cama comigo só para poder sentar-se de novo sobre o colchão, mas dessa vez com as costas na parede. Eu estava sentado em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo e as mãos de Sasuke insistiam em apertar minhas coxas e minha bunda, fazendo-me rebolar em seu colo.

Obviamente meu namorado tinha experiencia no assunto, o que fez Suigetsu vir a minha cabeça de novo, mas logo tratei de esquecê-lo. Eu não faria nada com Sasuke por raiva, muito menos por ciúmes.

Mordi o lábio inferior de Sasuke e puxei sem usar força, fazendo que ele apertasse mais meu quadril contra o seu. A boca de Sasuke desceu para meu pescoço mais uma vez, mas não deu-se por satisfeito, continuou com seu caminho por meu peito até chegar em meu mamilo direito, puxando o com os dentes para depois chupá-lo.

Gemi alto.

Uma das mãos de Sasuke, que até então estava em minha bunda, foi para meu outro mamilo, brincando com o bico entre os dedos, fazendo minha consciência derreter de uma vez por todas.

– Sas-Sasuke! Ahn... — Chamei. Meu namorado tirou o foco de meu torso por um momento, então pude beijá-lo do jeito que queria. Comigo estando em seu colo ficávamos da mesma altura, então conseguia beijá-lo com facilidade, mais força, mais... empenho.

Senti meu short ser puxado para baixo, então ergui meu corpo um pouco para ajudar. Queria que Sasuke me tocasse mais, mais partes de meu corpo, e assim ele fez. Fui empurrado na cama, mas não entrei em pânico, logo minhas costas batiam contra o colchão novamente, e Sasuke estava de joelhos, fitando-me intensamente. Seus olhos que antes pareciam que iam derreter, agora queimavam minha pele, exibindo tamanho desejo.

Terminei de tirar meu short sozinho. A vergonha e a excitação brigavam dentro de mim. A excitação me fizera tirar o short, mas a vergonha agora me fazia corar por estar tão exposto na frente de Sasuke.

– Ei... — Sasuke acariciou meu rosto depois que comecei a encarar a janela. A vergonha estava dominando, mas minha cueca boxer ainda estava apertada, se é que entendem. — Não tenha vergonha de mim. — Meu rosto foi virado para encarar Sasuke, que agora tinha as feições sérias. — Depois de seus pais, possivelmente eu sou a pessoa que mais te ama no mundo, vai ter vergonha justo de mim? Que sonho com você todas as noites, e continuo sonhando mesmo quando estou com você?

– Só... Faça o que quiser comigo. — Engoli todo meu orgulho, e relaxei o corpo. — Tu me és e eu te sou, certo?

Meu namorado confirmou com um aceno de cabeça e me mostrou mais um de seus lindos sorrisos. Depois disso palavras não foram mais necessárias. Sasuke abaixou-se, raspando o nariz nos poucos pelos que minha barriga tinha, para continuar seu caminho ao rumo de minha cueca. Seu nariz passou por meu umbigo, me causando um pouco de cócegas, mas logo seu rosto estava rente a minha ereção contida pela boxer.

A língua de Sasuke passou por cima do tecido e eu arqueei as costas. Supostamente eu não deveria estar tão sensível. Seus dedos, a única parte de seu corpo que costuma ser gelada, pousaram no elástico de minha cueca, puxando-o para baixo, levando o resto da peça junto. Finalmente, livre.

O rosto de Sasuke continuava perto de minha ereção, mas agora não havia nenhum pano impedindo que sua respiração batesse contra minha carne em me deixasse mais duro ainda. Eu sentia o líquido pré-gozo escorrer por minha extensão, mas isso não durou muito, porque Sasuke o lambeu como faria com uma gota de sorvete. Meus dedos agarraram o lençol com firmeza assim que Sasuke abocanhou meu membro sem pensar duas vezes. Inteiro, de uma vez só. Praticamente gritei seu nome.

O que meus vizinhos estariam pensando? Não são nem oito horas da manhã ainda... Ou são? Não sei, Sasuke me faz perder a noção do tempo.

Sasuke me sugou, enquanto segurava minhas coxas e as arranhava de leve. Eu gemi incontáveis vezes, enquanto ele acelerava seus movimentos e voltava a torná-los lentos. Agarrei seus cabelos sem perceber, forçando-o a receber-me mais fundo em sua boca.

E ele fazia tudo sem reclamar, na verdade, parecia gostar e muito.

Beijou-me a ponta, lambeu a extensão e botou uma de minhas bolas na boca, sugando-a com cuidado para não machucar. Eu só podia fazer gemer e tentar me contorcer, mas em nenhum segundo pensando em fechar minhas pernas. Queria que ele me possuísse ali, com todo seu vigor, mas não foi o que aconteceu.

Sasuke cuidou de mim, me proporcionou prazer até o último segundo, onde engoliu tudo que eu tinha a oferecer, e eu lhe retribuí o favor com todo meu amor. Mas não nos tornamos um, e eu entendi o que Sasuke queria dizer: não era a hora, ainda estávamos conhecendo tudo que o corpo do outro tinha de bom, de ruim, de constrangedor, de desejoso... E por mim eu namoraria Sasuke desse jeito íntimo por quanto tempo ele quisesse.

Notas finais
¹ - Capítulo quatro. ² - Ninja-tō é uma espada de um só fio e de cerca de 65 cm de lâmina. Ela é a espada mais comum e de maior reputação que um ninja pode carregar.