Blurred lines.

21 They call me heartbreaker.


Notas iniciais
E aí, gatinhos do meu coração? Como vocês estão? Capítulo curtinho pra dar aquela atualizada e passagem de tempo, e que comece a contagem regressiva, porque as tretas estão chegando. "Brace yourselves, the tretas are coming", hehehehe. Aliás, para quem gosta de SasuNaru e adora um loveydovey, a fanfic Inside tá aí pra isso, é do meu gostoso Killua

Hinata.

Então era isso, não? Integraram Naruto na Ambu Nation.

Claro, eles realmente não pensaram que iriam esconder isso de mim para sempre, não é? Afinal, no meio em que estamos, informações vêm e vão com muita facilidade. Às vezes precisamos de um pequeno incentivo, que varia de intensidade de acordo com a pessoa e para quem ela trabalha, ora um pouco de dinheiro, ora um revólver apontado para a pessoa certa.

– Então quer dizer que Naruto está mesmo na Ambu Nation? Você tem certeza? — Perguntei mais uma vez ao meu informante. Precisava ter certeza absoluta antes de tentar agir. Fui respondida com um aceno de cabeça sinalizando positivo. — O que eles planejam com isso? Naruto é mais inútil que uma porta, não passa de um barman que foi chutado por Punk.

– Não sei o que querem com ele, mas posso te assegurar, tenho fontes mais do que confiáveis que dizem que Naruto está, sim, na Ambu Nation. Não sei se é apenas porque Punk quer mantê-lo seguro de você, ou algo assim.

– Temos um calcanhar de aquiles aqui? É isso mesmo que eu ouvi? — Ri, jogando a cabeça para trás. — Pois então já sei onde atacar. Te quero ao lado de Naruto como sempre, nada mudou, ok? Fique esperto e me conte tudo que puder. Quero pelo menos um relatório a cada três dias, se não, considere-se dispensado... Ou morto.

Meu informante sorriu para mim, antes de inclinar-se sobre minha mesa e dar-me um selinho.

– Como sempre, srta. Hyuuga, está cada vez mais brilhante. — Piscou, antes de sair e me deixar sozinha mais uma vez.

Se Sasuke e Punk pensavam que iam me passar para trás estão muito enganados. Quem quer vencer, sempre tem que estar um passo a frente, e no meu caso, estou uns sete, há muito tempo. Se tem uma coisa que eu não sou é boba.

Sou chefe de Rinavalius desde que minha mãe morreu, e honrarei esse mesmo lugar onde ela sentou. Sei que a gangue não é mais a mesma coisa, que desviamos de nosso caminho e nos deixamos levar pelo ódio, mas se agora é pelo ódio que lutamos, então é pelo ódio que venceremos. E eu odeio alguém.

Odeio, na verdade, algumas pessoas. Não, não são aqueles que tentam se meter nos negócios de minha família, muito menos aqueles que me consideram uma rival no quesito poder. Eu só odeio aqueles que tentam entrar em meu caminho.

Odeio os Uchihas por terem conseguido essa maldita trégua graças ao meu casamento forçado com Sasuke, odeio mais ainda Punk por tentar atrapalhar esse maldito casamento. Odeio Naruto por estar interferindo e amaldiçoo a mim mesma, por ser quem eu sou.

No final, acontece sempre o mesmo, todos passam por cima da garota que ama fácil demais. Amei demais minha mãe para perdê-la e ter de lidar com tudo sozinha. Apenas uma adolescente tendo que lidar com algo grande demais para a capacidade dela, algo que os costumeiros herdeiros passam anos estudando para poderem ser. Amando e protegendo demais a irmã, tratando de não morrer não por gostar da vida, e sim por gostar tanto da irmã que não quer que ela siga o mesmo caminho. Confiando cegamente no pai, que é sua única diretriz para o que fazer em momentos de dúvidas, e por fim, amando profundamente quem não me ama, que nasceu para ser meu inimigo e que está se casando comigo para evitar uma guerra.

É, eu amo Sasuke. Talvez por isso eu odeie tanto Naruto. Por mim, ele pode entrar para a gangue que quiser, mas por que justo a de Punk e Sasuke? Por que querer fazer parte de algo onde o nome Uchiha prevalece? Meu futuro sobrenome. Até hoje não sei porque amo tanto Sasuke, só sei que amo. Todas as vezes que ele saiu em alguma capa de revista como empresário bem sucedido, ou nos tablóides de fofoca... Sempre foi Sasuke. Por isso eu pedi a meu pai, como última esperança, que oferecesse o acordo aos Uchiha, e foi prontamente aceito. Um belo teatro de que eu não queria, de que me casaria apenas por ser o desgosto de meu pai... Tudo deu certo, e agora eu estava de casamento marcado.

Mesmo que seja com Naruto com quem Sasuke se deita, é comigo que ele vai se casar. Ganhei parte da guerra, e ganharei o resto também, nem que eu mesma tenha que dar um tiro entre os olhos de Naruto. Sasuke será meu, pois assim deve ser, é assim que eu quero, e sempre tive tudo que desejei.

Ainda que eu me deite com outros homens, ainda que eu procure outras pessoas, meu coração – ou algo parecido – pertence a Sasuke e somente a ele. É por isso que eu tomo as decisões que tomo, é por isso que vou acabar com qualquer um que entre em meu caminho. Nada pode me parar, se nos dois anos que estou noiva de Sasuke nada me atrapalhou, não será agora que isso começará. Tenho que agir rápido, mas por enquanto, o mais importante é pensar.

Itachi.

– Ele está meio distante, Itachi... Sabe, quando saímos, ou quando estamos no telefone, eu sinto que ele não está realmente comigo, entende? — Sasuke desabafava por video conferência.

É, eu sei, é bastante sujo de minha parte não dizer nada a ele, considerando que ele é meu irmão mais novo e preso por sua felicidade.

Na verdade, Sasuke é meu mundo. É, finalmente, vamos admitir.

Em toda minha vida eu nunca consegui criar um laço emocional com ninguém, na verdade, a pessoa que mais chegou perto de ter um sentimento totalmente puro de minha parte foi minha mãe. Isso mesmo, eu não gostava nem de meu pai.

Minha vida sempre foi... Monótona. Eu fazia o que as pessoas esperavam que eu fizesse. Aprendi a tocar instrumentos, era o melhor da escola, praticava esportes... O prodígio que toda família rica gosta de exibir. Mas era isso, um filme eterno. Eu acordava, fazia o que tinha que fazer, e dormia, apático a tudo, e assim foi durante alguns anos, até ele chegar.

É, ele. Eu quis dizer Sasuke. Literalmente o bebêzinho mais lindo que já vi no mundo, e não é coisa de irmão babão. Mas havia algo diferente naqueles olhinhos cinzas, que mais tarde se tornariam negros como os meus, que me encantava profundamente. Para mim, da janela do meu quarto, todos os dias eram nublados, pretos e brancos, sem graça, mas quando eu mirei aqueles olhinhos semiabertos pela primeira vez, foi como se o sol finalmente nascesse. Ou numa comparação mais clichê ainda, era como um cego que via o sol pela primeira vez.

Pela primeira vez na vida meu coração bateu descompassado, e um sorriso ameaçou sair dos meus lábios por pura e espontânea vontade. Era Sasuke, algo e alguém que eu tinha que cuidar. Era pequeno, embrulhado sempre em uma manta azul e vermelha, as cores da família Uchiha, também tinha uma carinha de joelho, mas toda vez que eu conversava com ele, sabendo que ele não me responderia, aquelas sobrancelhas clarinhas se uniam, fazendo o cenho franzido mais bonito do mundo.

Sasuke sempre foi encantador.

Desde pequeno quando vinha dormir no meu quarto nas noites de tempestade, ou quando pedia-me para lhe ensinar alguma coisa, como por exemplo a dominar o inglês, já que nossa língua mãe era o japonês. Apesar de ser cobrado em excesso por Fugaku, nosso pai, Sasuke sempre fora excepcional em tudo que fazia. Só havia um problema: Sasuke tinha emoções. Sempre fora amoroso, sempre buscou a aprovação de todos, e eu via o quando ele trabalhava duro para isso. Mas para mim, mesmo depois de nossos pais morrerem, mesmo depois da aparição de Punk, Sasuke sempre seria aquele recém nascido de olhos cinzas brilhantes, e precisava de meus cuidados.

Talvez fosse por isso que eu estava tão culpado de mentir para ele.

– Deve ser apenas coisa de sua cabeça, Sasuke. — Tentei acalmá-lo. – Você sabe como Naruto é avoado, e agora ele não é só um barman, também está se tornando um cantor famoso, você não pode esperar que ele continue ligado no 200V como sempre foi.

– Não acho que eu esteja imaginando coisas, Itachi. — Meu irmão suspirou para depois continuar. — E ultimamente não consigo mais entrar na mente de Punk, nem por um mísero segundo. Ele está forte novamente, e isso me preocupa. E se ele procurar Naruto?

– Se ele fosse procurar Naruto, você já saberia, porque seu namorado te contaria. — Merda, mais uma mentira. — Deixe de ser tão paranoico.

Desliguei a chamada de vídeo por conta própria para poder bater com minha cabeça na mesa.

Droga! Não é como se eu fosse a pessoa mais sentimental do mundo, também, a ordem de que Naruto terminasse com Sasuke partiu expressamente de mim, mas eu tinha minhas razões. Não podia deixar que a missão fosse por água a baixo, sei que isso é importante para Naruto, e ele é a pessoa que chega mais próximo de ser querida para mim do mesmo jeito que Sasuke é. E também, morro de ódio de Hinata Hyuuga desde que me entendo por gente, afinal, cresci sendo ensinado a odiar meus inimigos tanto quanto eles me odeiam. Não podia deixar Sasuke interferir na missão, ou melhor, até podia, desde que no momento ele estivesse completamente tomado por Punk.

E é exatamente por não querer sentimentos interferindo nessa missão que estou tentando reaproximar Naruto de Punk. Não daria certo se a mágoa de Naruto e seu amor mal curado atrapalhassem também. Os dois tinham que engatar em pelo menos uma amizade confiável, para que não houvesse chance de falha nessa emboscada.

Sei que não deveria me meter, mas já é tarde demais. Eu vi o jeito que Punk e Naruto se encaravam enquanto treinavam, e aquela visão foi perfeitamente capaz de me deixar sem ar. Há um tempo atrás, no laboratório de Naruto, o olhar de amor que Naruto lançou para Punk não era reconhecido, mas eu vi naquele sorrisinho de lado que Punk deu, sim, eu vi também no brilho de seus olhos... Era o mesmo tipo de olhar que Naruto tinha, porém, ampliado umas cem vezes.

Era mais que oficial, Punk fora laçado.

Ele precisou estragar tudo, perder a única coisa que significava alguma coisa para si, para notar o quanto Naruto era especial e o quanto o amava. Se alguém olhasse para mim do jeito que Punk e Naruto se olham, acho que eu ficaria feliz, não sei, mas é bem provável. Só decidi que já tinha interferido o suficiente, o que tivesse que acontecer com Sasuke e Naruto, Punk e Naruto e Sasuke e Punk, seria problema apenas deles.

A essa altura do campeonato, sabia, sim, que Naruto estava estranho com Sasuke, isso é mais que óbvio. Não sei se Naruto era bom mentiroso, mas sabia que ele não era falso, exatamente por isso não conseguia agir como se estivesse tudo bem entre ele e Sasuke, apesar de estar, o futuro os aguardava e isso era obviamente um término no namoro. Fora que a reação de Sasuke é completamente imprevisível, afinal, nem sei que desculpa Naruto dará para o fim do namoro, visto que ele não poderá contar a verdade.

(…)

Naruto.

Estava deitado na cama de Sasuke, com ele me abraçando, enquanto assistíamos televisão. Minha cabeça descansava em seu peito, eu estava de bruços e a mão de Sasuke fazia um carinho gostoso por minhas costas, quase me fazendo ronronar.

– Então, o que vai fazer nesse final de semana? — Sasuke perguntou-me enquanto largava o controle da TV na cama e preguiçosamente me envolvia num abraço de urso. — É uma tortura não saber o que você faz aos sábados e domingo.

– Está querendo virar um stalker agora? Saber de todos os meus passos? — Brinquei, beijando-lhe o queixo. Estava difícil agir normalmente ao lado de Sasuke, mas são nesses momentos de carinho que eu quase esqueço o que nos aguarda.

É escroto, porém é verdade quando dizem que você tem que abrir mão de muitas coisas para alcançar seus sonhos. Pois é, eu alcancei meu sonho de ser um cantor famoso, porém, abdiquei de minha privacidade, da normalidade em minha vida, de minhas rotinas... Tudo virou de pernas pro ar! A questão é, eu conseguiria segurar as pontas para que nada se estraçalhasse? Tentei uma vez, e meu coração foi partido. E agora? Eu terei que partir o coração de Sasuke?

– Não sou um stalker, só gosto de saber o que você faz quando está sem mim. — Antes que Sasuke conseguisse falar mais besteiras, calei sua boca com um beijo de língua, daqueles que deixam as pernas bambas e as mãos suadas.

As mãos de Sasuke automaticamente foram para minha cintura, e as minhas para seu rosto, segurando-o, impedindo qualquer chance de afastamento. Eu precisava beijá-lo pelo simples fato que em uma pequena questão de tempo eu não poderia mais fazê-lo. Beijava-o do melhor jeito que podia, demonstrando todo o meu carinho por ele nesse gesto. Era uma de minhas últimas chances. Quando o beijo foi partido, um fio de saliva ainda ligava nossas bocas. Sasuke estava um pouco corado, talvez por ter sido pego de surpresa, e minha respiração estava ofegante.

– Pode ter certeza que eu não faço isso quando estou sem você. — Arqueei a sobrancelha, antes de voltar a beijá-lo.

Namoramos por um tempo, até acabarmos dormindo, ou melhor, até ele acabar dormindo, porque minha cabeça continuou maquinando até altas horas da madrugada.

Hinata.

– Não é divertido o que casais apaixonados fazem? — Comentei, segurando o tablet em minhas mãos.

Não, não havia sido nada difícil instalar câmeras de vídeo pela casa de Sasuke. Infelizmente, isso não me ajudava em muito mais que ficar de olho em meu noivo, já que Punk passava o fim de semana dormindo em seu quarto no QG da Ambu Nation.

– Sim, muito divertido. — Meu informante confirmou. — Quando pretende ir atrás de Naruto?

– Na sexta-feira, quando ele estiver trabalhando no Nove Ases. Sasuke não estará no controle quando bater a meia noite, e Punk não irá lá para protegê-lo, já que os dois estão separados. — Sorri, desligando o tablet e levantando-me de minha cadeira. — É uma cilada perfeita.

– Temo ter que concordar, srta. Hyuuga. — Meu informante estendeu-me o braço, o qual eu aceitei. — Agora, vamos para casa?

– Sim, para casa.

Com meu informante ao meu lado, infiltrado na vida de Naruto sem que ele percebesse, tudo seria mais fácil. Em questão de tempo eu acabarei com Naruto, com qualquer chance dele ficar com Sasuke, isso se não acabar com a vida desse loiro maldito.

E tudo, absolutamente tudo, será meu.

Notas finais
E aí? O que acharam? Hinatinha tá de volta!