Blurred lines.
22 O fim do novo, a volta do antigo.
Notas iniciais
Naruto.
Então era isso. Eu estava aqui, no restaurante em que Sasuke e eu almoçamos juntos pela primeira vez, mas ao invés de estarmos começando uma amizade, estamos terminando um namoro. Ou melhor, eu estou.
Ainda não disse nada, mas é claro que Sasuke percebeu que eu estou nervoso. Meus ombros estão tensos, minhas mãos estão suadas, assim como meu pescoço. Meu coração está batendo tão rápido que posso escutar o sangue sendo bombeado.
A macarronada que nós pedimos não desce por minha garganta, então apenas me dou o trabalho de cutucar o prato de comida com meu garfo, fingindo interesse no macarrão que está de aparência e cheiro muito bom.
O problema não é a comida, em si, sou eu. Eu nunca terminei um namoro assim, sem mais nem menos, então é algo completamente inusitado para mim. O frio que estava em minha barriga parecia paralisar o resto de meu corpo, impedindo-me também de falar. Quando tomei ar e coragem o suficiente para tentar soltar algo monossílabo, Sasuke me atropelou.
– Me diga logo o que tem para dizer, Naruto. Está me deixando nervoso.
– Sasuke. — Respirei fundo mais uma vez. Meu coração estava apertado no peito, sentia que a qualquer momento ia desabar no choro, debruçando-me no colo de Sasuke e pedindo para ele nunca me deixar. Mas eu não podia. Tinha que fazer isso por nós dois. — Eu quero que terminar.
Um silêncio estranho pairou no ar por alguns segundos, antes de Sasuke assimilar minhas palavras e arregalar os olhos.
– Terminar? — Ele riu. — Certo, Naruto, foi uma boa brincadeira, mas realmente não teve graça. Eu realmente fiquei assustado por uns segundos e...
– Sasuke. — O chamei de novo. — Isso não é uma brincadeira. Eu quero terminar nosso namoro.
– Por quê?– Seu tom de voz alterou. Ok, talvez trazê-lo a um lugar público não tenha sido a melhor ideia que eu já tive. — Por que, Naruto?
– Porque... — Respira fundo, Naruto.– Porque eu preciso de um tempo para decidir o que sinto por você. Acho que eu confundi as coisas. Quando Punk e eu terminamos eu estava muito abalado, e você estava ali comigo, me apoiando e... E eu acho que posso ter me enganado em relação ao que sinto por você. Talvez eu tenha confundido amizade com amor.
Definitivamente frieza nunca fora o meu forte, e olhar Sasuke assim, de olhos úmidos, quase chorando, é pedir para abalar até meu último fio de cabelo. Por favor, Deus, me dá força para proteger o meu Sasuke. Eu não posso continuar assim.
– Não! Você não confundiu! — Sasuke gritou. — Eu sei que quando você me beija suas pernas ficam moles, seu coração acelera, e sua respiração fica descompassada, e eu sei porque acontece o mesmo comigo, porque eu te amo!
É, ele disse as três palavras mágicas. Mas eu não as responderia, até porque uma parte era verdade, eu estava indeciso, confuso.
– Sim! Eu posso ter confundido! Não faça isso ser mais difícil do que já é, Sasuke! — Gritei também. Eu tinha que levar esse término a sério. Infelizmente eu teria que partir o coração de Sasuke. — No sábado, depois que Punk te apagou, eu te liguei, pois não sabia de nada. Quando escutei a voz dele do outro lado da linha, eu me questionei se eu ainda não o amava, se eu não o queira mais, ou se estava apenas magoado demais.
Sasuke chorou. Eu chorei.
Terminar era mais difícil do que realmente parece. Descartar uma das pessoas mais importantes da sua vida é uma coisa ridícula a se fazer quando não se tem verdadeiros motivos. Eu não podia, eu não deixaria Sasuke sequer pensar em se arriscar por mim... Eu poderia continuar a namorar com ele sem contar nada, mas e se eu morresse em missão? Quem esclareceria tudo para Sasuke? Ele aceitaria? Ele iria querer viver em um mundo onde eu não existo? Ele culparia a mim em sua memória por nunca ter contado nada? Nada disso poderia acontecer. Eu tinha que fazer o certo, mas com certeza me desculparia depois, se ele quisesse me escutar.
– A questão é que eu não posso ficar com você sabendo que ainda sinto alguma coisa por ele. — Eu soluçava, meu corpo todo tremia. Todas as pessoas do restaurante encaravam nossa cena. Nada podíamos fazer para evitar isso. Era doloroso, e não se deve esconder a dor. — Eu não quero te ver até ter plena certeza do que eu sinto. — Mais do que depressa tirei uma boa quantia de dinheiro do bolso e a depositei sobre a mesa. Levantei-me, passando as mãos pela calça, limpando algum tipo de sujeira imaginária. — Eu realmente tenho que ir.
Saí dali sem olhar para trás, pois sabia que se me desse o luxo de virar a cabeça meio centímetro que fosse, eu voltaria para os braços de Sasuke, diria que tudo era uma grande mentira, que eu o queria, que eu gostava dele, apenas não sabia se o amava.
Eu precisava de um refúgio, e procuraria a única pessoa capaz de falar comigo e me mantar estável: Konan.
(…)
Eu chorava no colo de minha melhor amiga, que passava a mão por meus cabelos.
– Vai ficar tudo bem. — Konan tentava tranquilizar-me. — Você sabe que foi necessário. Sasuke irá chorar, possivelmente espernear, mas vai superar. — Solucei mais uma vez, encolhendo-me. — Você sabe que ele irá superar, e depois que tudo estiver acabado, vocês podem ser felizes, se assim quiserem. Depois de feito, ele poderá saber a verdade.
Sentei-me, limpando as lágrimas que banhavam meu rosto. Se eu estava aqui porque precisava falar com Konan, então falaria a verdade.
– O que me assusta, o que me faz chorar mais, é o motivo que usei para terminar com Sasuke... — Respirei fundo algumas vezes antes de continuar. Merda, isso é mais difícil do que parece. Eu sabia que assim que dissesse, se tornaria real, pois não havia tido coragem de admitir nem para mim mesmo. — Eu disse para ele que estava confuso em relação aos meus sentimentos por ele e por Punk.
– Foi uma boa desculpa.
– Você não está entendendo. — Balancei a cabeça, indiciando negatividade. — Não foi uma desculpa. Bom, poderia ter sido, mas... É real, entende? Eu disse para ele que talvez tivesse me confundido, que tivesse me aproveitado de seu amor por estar frágil. Eu gosto de Sasuke, gosto muito mesmo, mas... Não sei se chego a amar. Achei que estivesse imune a Punk... — Não pude evitar de deixar um sorriso bobo escapar por meus lábios, em meio as lágrimas que escorriam por minhas bochechas. — Mas foi algo de outro mundo aquele treino no campo. Quando o vi de roupa trocada, com seu Obi de luta e tudo mais, nossa... Acho que por um momento esqueci de como fazia para respirar. — Konan riu, pegando minhas mãos entre as suas. — E quando lutamos... Ah, Konan! Eu conheço aquele sorriso. E ele é todo meu. Todo, todinho, por inteiro! Eu não pude lidar com aquilo. Ficar perto de Punk faz meu coração acelerar de um modo que... Eu não sei!
– Mas eu sei. — Minha amiga era muito compreensiva. Qualquer outra pessoa já teria me julgado, mas ela sabia que eu não estava exagerando. Desde a primeira vez que vi Punk fora assim, gasolina e faísca, que se transformava em um fogaréu absurdo... Punk aquecia meu peito, do mesmo jeito que tinha quebrado meu coração.
Gostar de Punk como eu gosto é especialmente confuso. Ainda não o perdoei totalmente por ter me traído, possivelmente nunca esquecerei aquilo e continuarei remoendo o fato até o último de meus dias, mas não podia dizer que eu não tinha superado em partes. Punk é intenso e eu sou de fases, o que é a receita perfeita para o pior casal do mundo. Certamente lembrei de seus ciúmes descabidos, mas também lembrei da maneira ardente como me beijava, possessiva, dura... Ah, como me fazia falta poder beijar Punk.
O pior era pensar que a boca de Punk e de Sasuke era a mesma, apenas os jeitos de beijar, e quem comandava ali, era diferente.
– Vou ser realista com você. — Konan ditou. Afirmei com a cabeça para que ela prosseguisse. — Apesar da Ambu Nation e principalmente a Akatsuki serem ótimas, ainda é uma missão suicida. Se algo dar errado, se faltar homens, se eles já souberem da emboscada, se qualquer coisinha, por mais insignificante que pareça, dar errado, seremos liquidados, escutou bem? — Afirmei mais uma vez. — Pois bem. Se quer Punk de volta, nem que seja só para testar teus sentimentos, aja como um kamikaze¹. Conquiste-o de novo, como se fosse a última coisa que fosse fazer antes de morrer.
– Eu não vou conseguir isso, Konan. Eu não sou tão frio quanto pareço por terminar com Sasuke. — Sorri, ainda triste, sentando-me em flor de lótus. — Mas posso tentar.
Eu não tinha esquecido que estava triste por causa de Sasuke. Não mesmo. Terminar com meu namorado me fez sentir-me um monstro, mas não podia negar essa parte nova de minha vida que invadia meu cotidiano sem pedir permissão. Em partes, agora eu também era um monstro, e agir como um monstro egoísta não me parece má ideia agora, visto que eu posso, e provavelmente vou, morrer nessa maldita missão. E por incrível que pareça, a ideia de morrer não me aterrorizava nem um pouco. Eu morreria, e morreria feliz, desde que estivesse com a cabeça de Hinata em mãos.
– Está dizendo que vai seduzir Punk para ficar com ele, ou vai esfregar na cara de Suigetsu que Punk e você são como um cadeado trancado e sem chave? Cuidado, Naruto, não jogue se não conhecer o jogo. — Minha amiga parecia bastante ansiosa com minhas intenções. Acho que é mal de toda mulher, adora uma complicação amorosa. Creio que Konan seja mais ardilosa que a própria Afrodite nesses quesitos. — Este fim de semana, como Itachi deve ter te informado, se é que lembrou-se de informar, nós iremos ao QG da Ambu Nation. Você precisa aprender as suas funções se quer lidar com ser a cabeça da organização, juntamente de Punk. Todos os integrantes da Akatsuki trabalham na Ambu Nation, em determinadas funções, logo, também é bom para você ficar de olho em Suigetsu.
– Qual é a função desse esquisito dentro da Ambu Nation? — Perguntei. Só me faltava essa!
– Bom... Ele é assistente pessoal de Punk. — Konan sorriu amarelo, logo pondo-se a me tranquilizar. — Suigetsu cuida das coisas que chegam até Sasuke. Averígua fatos, investiga pessoas, planeja dossiês, e tudo mais que Punk precisar.
– E tudo mais que Punk precisar!– Remendei, usando uma voz enjoada. Konan revirou os olhos. — Pois bem. Saberei lidar com Suigetsu. — Prometi a minha amiga. — Ele não me afetará, não me fará errar e perder Punk de novo.
Hinata.
– Está confirmado, com cem por cento de ceteza, de que Naruto trabalhará no Bar esse fim de semana? — Perguntei ao meu informante.
– Sim, sei de cabeça a escala de horários dele. — Respondeu-me, abaixando-se para beijar minhas coxas cobertas por um lençol vermelho. Meu pai não sabia, minha irmã não sabia, ninguém sabia. Era ali, com aquele homem, era aquela boca. Só ali, só com ele, eu podia obter o calor que me era negado por Sasuke.
Ele preferia Naruto, com seus cabelos loiros e olhos azuis, do que a mim de cabelos pretos azulados e olhos perolados. Não tinha como entender. Claro que eu sabia das preferências estranhas de Punk, que logo davam reflexo em Sasuke, mas jamais compreenderia como ele preferia um peito liso e duro ao conforto de meus seios. Jamais saberia como ele preferia engolir o viscoso de Naruto ao meu mel.
– Me ama? — Perguntei a ele, enquanto ele beijava minhas pernas, raspando o nariz por minha pele.
– Amo. — Não satisfeito, subiu o rosto para beijar minha barriga. — Amo tanto que dói. Mataria e morreria por você, afastaria todos só para te ter comigo. Eu te amo, tanto...
– Só acreditarei nesse seu amor quando Naruto Uzumaki estiver morto e longe de meu caminho. — Puxei seus cabelos, sempre tão bonitos. — Terei tudo que quero, serei senhora das duas organizações mais poderosas do continente, terei meu marido, terei você... E você me terá. — Era divertido mentir para manipulá-lo. Seu amor era tão cego.
Foi no Nove Ases que lhe encontrei. Estava sentada na área VIP de minha família, nos luxuosos sofás de couro, Neji, meu primo obcecado, estava comigo, e sentada em seu colo estava sua esposa Tenten. Bastou uma troca de olhares, muito significativa, um pouco de iniciativa de minha parte, e eu sabia que aquele rapaz de olhos e cabelos tão únicos era absurdamente meu. Cego, surdo e mudo por mim.
Era como ter uma marionete e brincar durante incontáveis horas com os fios entre meus dedos. Eu dizia direita, e lá estava ele. Eu dizia esquerda, e de novo. Aquele rapaz de olhos enganadores era extremamente importante para mim naquele plano. Queria ver a face de Naruto quando percebesse que foi traído.
Meu menino já não mais me respondia. Beijava meu íntimo com toda sua dedicação, e eu o correspondia com sons e toques em suas costas. Sabia que não era a mesma coisa que ser tocada por Sasuke, afinal, jamais tinha provado tal coisa, mas era plenamente satisfatório. Era bom para esquecer de tudo, pelo menos por um tempo, e definitivamente aquilo me fazia bem. Um bem estranho, como tudo que está ao meu redor, mas ainda era bem. E se era bem, era bom.
Quando tudo acabasse e eu atingisse meus objetivos, ninguém mais ousaria falar de mim de modo ruim. Não iriam mais me comprar a minha mãe, e citar nossas diferenças emocionais e mentais, já que por fora éramos imagem e reflexo. Estava cansada, muito cansada, de não ser boa o suficiente. Era uma raiva acumulada e crescente que habitava em mim, chegava a ser sombrio o quanto aquilo me controlava. Mas não era algo em que eu pudesse interferir. Tinha que ser assim, era meu destino como uma Rinavalius, e como eu acreditava, a maior de todas. Eu faria o que ninguém mais fez. Uniria Rinavalius com Ambu Nation, e me instalaria dentro da outra organização como uma parasita, transformando-a em algo novo, de dentro para fora, bem lentamente.
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