Blurred lines.

17 Rendezvous.


Notas iniciais
E aí, gente?! Bom, vamos lá, ao que todos queriam: PUNK APARECE NO CAPÍTULO, BITCHES. Mesmo que só um pouquinho, hehe. No último capítulo só recebi 11 comentários... Por que será, já que o Nyah! está funcionando perfeitamente? Parece bobeira, toda vez que eu reclamo, mas é realmente desanimador de 114 leitores, eu só receber 11 comentários, não acham? Apareçam! É quinta-feira e como o combinado estou aqui, trazendo mais um capítulo fresquinho para vocês. É com muito amor que me comprometo a postar toda semana, não importando meu estado de espírito e nem o quanto eu esteja cansada pela minha rotina, mas enfim, depende de vocês comentar ou não. Lembrem-se: no POV do Sasuke, quando ele conversa com Punk, os trechos em itálico são o Punk falando, e em negrito são o Sasuke. Aproveitem o capítulo!

Naruto.

– O que vamos fazer hoje? — Era o último dos dias de viagem, sexta-feira, para ser mais específico. Sasuke e eu estávamos esparramados no sofá da casa de meus pais enquanto assistíamos a algo que passava na TV. Sinceramente, eu não estava prestando atenção, não quando Sasuke estava ao meu lado, me fazendo cafuné.

– Não sei. Você quer voltar para casa hoje ou...?

– Não é como se pudéssemos escolher. E eu não quero encontrar com Punk. — Mordi o lábio e olhei para Sasuke. Suas feições estavam preocupadas, e garanto que se ele fosse um gato, suas orelhas estariam em alerta máximo agora. Assim como eu não queria estar na presença de Punk, Sasuke também não me queria perto dele.

Nesses poucos dias em que Sasuke e eu estamos juntos, descobri nele uma pessoa que eu jamais imaginava. Ele era extremamente carinhoso, romântico e até meio piegas às vezes, mas acho que era isso tudo, somado ao seu lindo sorriso e sua delicadeza, todo esse conjunto, que me fazia suspirar como uma adolescente apaixonada.

Recentemente descobri que se pode chegar perto da felicidade plena, mas não se pode alcançá-la. Eu tinha tudo que sempre quis. Tinha uma carreira prestes a começar, um namorado maravilhoso, o apoio e amor de minha família e não era mais só um garoto que cresceu numa cidade pequena. Eu tinha um passado mesmo antes de nascer, e esse passado parece até coisa de filme. E é aí que fica a falha. A cada dia que passa dessa viagem, sei que estou mais perto de ter que voltar para cidade, mais perto de começar meu treinamento e mais perto de começar a passar bem menos tempo com Sasuke.

E isso me deixa nervoso.

Sei que passei a vida inteira reclamando sobre como minha rotina era chata, como morar em uma cidade onde nada acontece era maçante, mas confesso que irei sentir falta de como tudo era antes. De manhã estarei no estúdio até de tarde, durante a noite trabalharei no Nove Ases e, nos dias que Itachi me chamasse, largaria o estúdio para treinar. Aí eu te pergunto: onde fica minha vida privada nisso tudo? Não tenho ideia.

Jamais desistiria de trabalhar no Nove Ases, amo aquele lugar assim como amo minha casa, e não tenho nada contra a continuar ser barman. Na verdade, até me faz feliz. Acho que trabalhar no Bar é a coisa mais simples que tenho em minha vida agora, e realmente gostaria de manter enquanto posso.

– Amor. — Sasuke chamou-me. — Está com fome? Posso cozinhar algo para você.

– Sasuke, eu comi não tem nem duas horas! — Ergui as sobrancelhas. — Você quer me deixar gordo, não é? Pode falar!

– Eu... Ah! Naruto! — Sasuke não conseguia falar porque avancei sobre ele e o ataquei com cócegas. Quem diria que alguém que era tão estoico se rendia após ser cutucado algumas vezes em lugares estratégicos. — Pára! Pára! Prometo parar de tentar te entupir com comida!

Parei de fazer cócegas e me afastei.

– Promete mesmo?

– Não. — Sasuke me mostrou a língua e pulou para cima de mim, me fazendo ficar deitado no sofá. — Agora é hora da vingança! — Oh não.

Sasuke apertou minha barriga, logo perto das costelas, e meu primeiro reflexo foi me encolher, mas ele estava entre minhas pernas, era impossível me proteger das cócegas. Quando eu já não aguentava mais e sentia minha barriga queimar, Sasuke se aproximou mais ainda e me beijou. Um beijo que desarmou nós dois.

Instintivamente meu corpo amoleceu, desistindo de lutar contra a força de Sasuke, que estava por cima de mim e pareceu relaxar também, deixando seu corpo pesar um pouco contra o meu. Minhas mãos subiram por suas costas, apertando o tecido de sua camisa entre meus dedos, minhas pernas se fecharam em seu quadril, o trazendo para mais perto – se possível -. As mãos de Sasuke deslizaram de meus joelhos para minhas coxas que estavam cobertas pela calça jeans.

Minha língua roçava na de Sasuke com experiência, era como se ele e eu tivéssemos feito isso durante anos, de tão familiar que era a sensação. Suspirei, continuando a beijá-lo do melhor jeito que eu podia fazer, com força, mas lentamente. A saliva de meu namorado se misturava com a minha, e isso me inebriava de um jeito que eu não sabia explicar, e com certeza ainda estava aprendendo a lidar. Sasuke era tão bom, mas tão bom na arte de beijar, que em poucos segundos eu estava tão grogue que não conseguia mais “dominar o beijo”, e foi aí que as coisas degringolaram...

Suspirei quando Sasuke percebeu que eu estava mais que entregue, e começou a ditar o ritmo do beijo. Forte, necessitado, intenso, tão gostoso... Suspirei de novo, apertando as costas de meu namorado com força, mas de um jeito que tinha certeza que era gostoso. Minha certeza foi comprovada quando Sasuke empurrou seu quadril contra o meu, fazendo-me apartar o beijo para poder ofegar. Meus lábios foram chupados mais uma vez antes de meu pescoço ser atacado pela boca de Sasuke, que parecia estar agindo no piloto automático, de tão centrado que estava.

A pele de meu pescoço foi beijada, chupada, e arranhada. A ardência, a sensação do sangue bombeando ali com força, era tudo tão bom.... E ficou melhor ainda quando a mão de Sasuke apertou minha cintura tão possessivamente. Joguei a cabeça para trás e soltei um gemido baixo, mas audível o suficiente para chegar aos ouvidos de Sasuke, que gemeu também, em seguida.

– Ah, Naruto... — Sua voz estava rouca, o modo que pronunciou meu nome fez todos os pelos de meu corpo ficarem arrepiados. Sasuke era incrivelmente sensual sem perceber e isso me fazia querê-lo mais ainda. Impulsionei meu quadril para encostar no de Sasuke. De novo, aquela fricção gostosa.

– Sasuke! — Chamei por ele, o fazendo parar de lamber minha clavícula tão devotadamente tirar a cabeça da curva de meu pescoço. Seu olhar queimava, parecia pingar luxúria palpável, ao mesmo tempo líquida e talvez gasosa, pois era algo que realmente estava no ar, em torno de nós, quase como uma névoa erótica, e logo eu não aguentei olhar para aquilo nem mais um segundo. Senti meu rosto esquentar e fechei os olhos. — Vem.

Nos beijamos de novo. Meu corpo todo estava em brasa, e somente Sasuke seria capaz de acabar com esse tormento que corria por mim feito louco, criando uma angústia gigante em meu peito. Mais uma vez o beijo acabou, mas dessa vez escutei o sussurro que mais me decepcionou essa semana.

– Vamos parar por aqui. — Disse meu namorado, antes de sair de cima de mim e rumar para algum canto da casa.

Sentei no sofá, encarando meu problema no meio das pernas, para depois procurar Sasuke pela casa. Não acredito que ele me deixou assim! Não duvido que ele esteja em estado diferente do meu, afinal, parecia bem envolvido com o que estávamos fazendo.

Consegui achá-lo em meu quarto, deitado na cama de olhos fechados.

– Por que parou e me deixou sozinho? — Fui direto, sempre odiei rodeios.

– Porque eu não acho que seja a hora, Naruto... Namoramos há pouquíssimo tempo, temos que criar intimidade, ir aos poucos, descobrindo um ao outro. — Ai que papo furado. — Você não concorda?

Bufei e andei até a cama, sentando nos pés da mesma. Botei as pernas de Sasuke em cima das minhas e comecei a massagear seus pés descalços.

– Acho que esse é o tipo de decisão que deveríamos tomar juntos, não é? — Resmunguei. — Você não deveria ter me deixado daquele jeito no sofá, foi injusto, idiota.

Continuei a massagear os pés de Sasuke do jeito que tantas vezes já fiz com os meus para aliviar a tensão de horas em pé no Bar. Meu namorado suspirou e levou seu braço até a frente dos olhos. Pelo visto, Sasuke queria tirar um cochilo.

Após alguns minutos parei de massagear seus pés, porque achei que ele já estava dormindo.

– Amor? — Sasuke chamou. — Desculpe-me.

Ele podia ser mais fofo?


(…)

Estávamos no carro, Sasuke e eu, e já era tarde da noite, mas não me preocupei. Tinha certeza que daria tempo de chegar em casa.

– E agora, quando vamos nos ver já que você terá trabalho em dobro? Estranho essa ideia de Itachi querer acompanhar os ensaios. — Sasuke comentou.

– Não são todos os ensaios, eu te disse. São só alguns. Ele é meu empresário, não há nada mais normal do que ele querer ver como anda meu progresso. — Disfarcei bem, eu acho. — Está com ciúmes do seu irmão?

– Hn.

– Ai que saudades que eu estava daquele Sasuke estoico que conquistou meu coração! — Ironizei. — Sasuke?

Ele não respondeu.

– Sasuke, vai me ignorar mesmo?

Nada.

– Amor?

E, para minha felicidade, consegui arrancar um sorrisinho de Sasuke.

– Então é isso que você quer? Que eu te chame de amor? Que dedique meu tempo só a você, homem da minha vida? — Era ótimo irritar Sasuke.

– Pare de falar bobeira, o homem da sua vida é o seu pai. — Ele revirou os olhos. — E... Eu não quero que você me chame de amor, se não quiser, na verdade só fiquei surpreso com a sua atitude repentina. Só isso!

Sasuke ficava tão bonito quando sorria, mesmo que tentasse disfarçar o sorriso com uma falsa carranca.

Infelizmente acabamos por pegar um trânsito gigante, assim que chegamos a cidade. Apesar de todos os anos que passei evitando a cidade pequena onde cresci, não pude evitar de pensar que se eu ainda morasse na minha cidadezinha, isso não aconteceria jamais.

O problema é que não pegamos um simples trânsito, pegamos um trânsito do caralho, isso sim!

Sasuke parecia aflito, estava começando a suar, tanto que em alguns pontos sua camisa grudava em seu corpo. Batia os dedos no volante com nervosismo, e até arriscava cantarolar algumas melodias. E eu me mantive quieto, ué. Sei o motivo de seu nervosismo, afinal, eram onze horas e cinquenta minutos de uma sexta à noite. Isso me trás lembranças... Mas enfim, não posso me dar ao luxo de ficar nervoso, afinal, se eu tivesse que encontrar com Punk, teria que estar em meu maior estado de calma para não matá-lo, o que significaria matar meu namorado.

Se eu encontrasse Punk, o que faria era simplesmente responder a tudo que ele perguntasse, de forma rápida e direta, afinal, não tenho assuntos a tratar com ele. Não duvido nada que ele tentaria ofender Sasuke, ou coisa pior, vai saber... Vindo daquele cara tudo é possível.

Para vocês verem como as coisas são engraçadas, há um mês atrás eu jamais me iria me referir a Punk como “aquele cara”. Impressionante como tudo muda em pouco tempo...

– Naruto?

– Oi, amor. — Respondi, após despertar de meus devaneios sobre Punk. Assim que terminei de respondê-lo, Sasuke sorriu fracamente, talvez eu tê-lo chamado de amor tenha o acalmado um pouco.

– É que faltam apenas alguns minutos para o fim de semana, e eu não quero... Você sabe. Mas, não é algo que eu possa controlar. Peço desculpas adiantadas por qualquer coisa que ele fale, ou faça... — Sasuke estava angustiado, e isso fazia meu peito se contrair em desespero. — Argh! Eu me odeio tanto por ser assim! Olhe a que tipo de coisa eu vou ter que te expor... Ficar trancado no carro com o ex namorado insuportável.

Abracei Sasuke, mesmo com os cintos de segurança atrapalhando.

– Não peça desculpas, teme. – Usei o termo em japonês que tinha aprendido na internet. O que? Vocês acham que eu ia deixar ele me chamar de usuratonkachi sem procurar o significado depois? — Essa condição não é sua culpa, bobo. E eu sou adulto, encontrar ex namorados acontecem, afinal, eu sou amigo de Sakura e do Kakashi, sei lidar muito bem com ex namorados.

Sasuke rolou os olhos.

– Nem me lembre daquele grisalho filho de uma... Ai! — Sasuke exclamou quando belisquei seu braço. Não iria deixar ele falar mal de Kakashi. — Faltam só dois minutos. Me dá um beijo?

Ele nem precisava ter pedido. O beijei como se minha vida dependesse disso, e a esse ponto da noite, realmente parecia depender. Enquanto o beijava e sentia toda a tranquilidade que ele me passava, notei que eu não estava pronto para encontrar Punk.
Não ainda. Cedo demais eu parti o beijo, a tempo de ver o relógio do painel do carro marcar meia noite...

E nada aconteceu.

– Sasuke... Ainda é você? — Perguntei, curiosíssimo. Meu coração batia feito louco.

– Sim. Nossa. Sim! — Sasuke sorriu. — Acho que esse é o primeiro final de semana em mais de dez anos que eu estou aqui. Caralho! Como é legal um sábado.

Eu ri, bobo. Por que será que Punk não apareceu? Será que ele teria ficado constrangido em aparecer na minha frente? Provavelmente teria sido isso. Mas não pensaria muito mais em Punk. Em comemoração ao “sábado de Sasuke” soltei meu cinto, aproveitando que o trânsito não havia aliviado nem um pouco, e me joguei nos braços de Sasuke, o beijando com gosto.

Terminamos o beijo com vários selinhos, e sorrisos entre esses. Sasuke estava mesmo aqui, meu namorado estava comigo, num lindo sábado de madrugada. Algumas buzinas soaram altas, e então notamos: o trânsito estava cedendo.

– Vamos para casa, Sasuke. Minha casa. — Sussurrei em seu ouvido, antes de voltar para meu banco e por o cinto.

(…)

– Vai querer comer algo, Naruto? Eu posso cozinhar. — Sasuke propôs assim que botamos as malas na sala de estar.

– O que eu disse sobre tentar me engordar? Podemos pedir uma pizza para dividirmos. — Sugeri. — Não quero que você cozinhe, quero que descanse. Por mim nós dois tomamos banho, trocamos de roupa e aguardamos a pizza chegar enquanto ficamos no sofá.

– Hm... — Sasuke me abraçou por trás e mordeu minha orelha. Deus, se ele soubesse que cada vez que me encosta me deixa quente... — Eu acho uma ótima ideia. Tome banho você primeiro, eu vou ligar para pizza.

Concordei e fui para meu quarto, pegando uma muda de roupa limpa, para depois rumar para o banheiro. Tranquei a porta, mesmo que sem necessidade, e me despi, olhando meu rosto pelo pequeno espelho que jazia na parede.

Assim que a água do chuveiro bateu em minhas costas o alívio foi imediato. Estava cansado, realmente, dormir numa cama de solteiro juntamente com outra pessoa pode ser bom, mas depois de um dia faz mal para a coluna. Fora o tempo que passei dentro do carro, acho até que peguei ódio daquele veículo, que apesar de lindo, se torna desconfortável depois de um tempo.

Tomei banho sem pressa, lavei bem cada parte do meu corpo com meu sabonete favorito, não lavei os cabelos porque sabia que eles não iriam secar antes de eu dormir, e a última coisa que queria era um resfriado, justo agora quando minha vida não pode parar para nada. Saí do box, me enxuguei e vesti meu pijama. Me olhei no espelho a última vez, escovei meus dentes e saí do cômodo.

– Pode entrar, Sasuke! Vou ver se na sua mala sobrou alguma roupa de dormir limpa, se não, te empresto algo. Não vou importunar seu mordomo de madrugada. — Justifiquei antes que Sasuke falasse “posso pedir para o mordomo!”. Qual é, né? O cara pode ser empregado de Sasuke, mas também é humano e merece um descanso apropriado.

– Ok, estou indo tomar banho então. Se importa de me levar uma toalha, também?

Neguei com a cabeça.

Enquanto Sasuke tomava banho, separei tudo que pretendia. Ele tinha uma bermuda e uma cueca limpa, e acho que não se importaria de dormir sem camisa. Peguei a toalha e fui até o banheiro, batendo na porta antes de entrar.

As paredes do box estavam embaçadas graças ao vapor da água extremamente quente, mas isso não me proibiu de ver os contornos do corpo de meu namorado. De novo, Sasuke é incrivelmente sexy.

– Amor? Trouxe suas coisas. Vou deixar aqui em cima da pia. — Avisei. — E seque-se bem, não quero meu banheiro todo ensopado!

– Tudo bem, tudo bem.

Antes que eu pudesse retrucar a resposta curta de Sasuke, a campainha de meu apartamento tocou, e eu presumi que fosse a pizza. Peguei minha calça jeans que ainda estava no chão do banheiro e do bolso traseiro tirei minha carteira. Separei a quantia que julguei necessária, já que Sasuke não me fez o favor de dizer quanto a pizza custara.

Atendi o entregador, o paguei e peguei a pizza, fechando a porta e virando-me para dentro de casa. Dei de cara com Sasuke que saía do banheiro enxugando os cabelos com a toalha. Como eu imaginei, ele não parecia incomodado em estar sem camisa na minha frente.

– Ei, que bom que já saiu do banho. Vem comer! — Chamei-o. Sasuke passou por meu armário, pegando papéis toalha para que pudéssemos comer. Eu peguei uma faca e um garfo para partir a pizza e o refrigerante para bebermos.

– Calabresa, é? — Sasuke ergueu uma sobrancelha. — Minha favorita.

Comemos em silêncio até a pizza acabar completamente. Depois disso ainda escovei os dentes mais uma vez, só que agora fiz conjuntamente a Sasuke. Óbvio que não prestou, dois bobões com escovas de dente cheias de pasta, dividindo uma minúscula pia... Mas confesso que foi divertido. É ótimo namorar com o melhor amigo.

Puxei Sasuke pela mão até meu quarto, ou no caso, nosso quarto. Já eram quase duas da manhã e meu corpo implorava por um descanso. Deitamo-nos, e ficamos a namorar por um tempo. O que me frustrava é que toda vez que as coisas começavam a ficar quentes, Sasuke me afastava, dizendo que não queria aquilo agora. Bom, eu acho que desde que nos conhecemos, mesmo quando eu namorava Punk, sempre ficou claro que eu seria o passivo, então não tinha necessidade nenhuma dele fazer esse drama todo.

Enfim, acabei por adormecer com a cabeça no peito de Sasuke.


Sasuke.


Acordei sentindo uma pressão em meu ombro, e eu sabia exatamente o que era. Assim como sabia que não podia ficar na casa de Naruto por nem mais um segundo.

Com cuidado, saí de seu abraço e me levantei, calçando meus sapatos. Deixaria tudo ali, minha mala, minhas roupas, levaria comigo apenas meu celular, carteira e chaves.

Dei um beijo na testa de Naruto antes de deixar o quarto, mas como tudo que é bom dura pouco...

Ga-garoto... Punk chamava. Pare de fazer força! Me deixe sair!

Não mesmo, respondi. Pela primeira vez em séculos eu consegui te segurar aí durante um fim de semana, então fique quieto.

É, eu sei que precisava da ajuda de um psicólogo ou um psiquiatra para lidar com Punk, ainda mais agora que estávamos “medindo forças”, mas toda experiência que reuni indo em médicos nesses meus anos com Punk, me preveniram para esse tipo de situação. Sei que eu posso controlá-lo se tiver muito empenho, e talvez ajuda de remédios, mas como Punk parece estar enfraquecendo por algum motivo... E sei também que para acabar de vez com ele – o que eu quero muito – ele e eu teríamos que nos encontrar em meu subconsciente, e isso só é possível se algum trauma, ou acontecimento destravar esse tipo de “mecanismo”. E eu prefiro que eu permaneça sem nenhum trauma.

Ontem, o beijo que Naruto me deu quando o relógio quase batia meia noite, me deu forças para segurar Punk. Eu simplesmente forcei minha consciência a segurar até não poder mais, e aí, minha outra personalidade parou de lutar.

Minha cabeça começou a doer. Eu sabia que Punk estava tentando sair, e a sensação de aperto em meu ombro quando acordei denunciava isso, mas agora ele parecia realmente determinado. Levei ambas de minhas mãos até minha cabeça, apertando minhas têmporas. Parecia que meu cérebro ia explodir e jogar meus olhos para fora da cara, de tanta dor que eu estava sentindo. E em um grito sufocado, tudo se apagou.

Punk.

Eu não faria mal para Naruto, não mesmo. Eu só queria ver mais uma vez como ele era enquanto dormia.

Abri a porta do quarto do loiro, encontrando-o de bruços com o rosto virado para mim. Sorri.

– Estou com saudades, benzinho. — Disse, mesmo sabendo que ele não me escutava. Dei meia volta e saí dali. Eu não podia deixar a Ambu Nation aos cuidados daqueles incompetentes.

Notas finais
E aí, gostaram? Vejo vocês nos comentários!