Notas iniciais
E aí, gente?! Eu sei que eu disse que postaria às quintas, ou sextas. E é, hoje é quarta. Mas enfim, amanhã meu namorado vem pra minha casa, e eu mereço namorar um pouco né? Hahahaha. Então estou adiantando o capítulo dessa semana para hoje, espero que gostem.

Sasuke.

Eu sabia que era má ideia deixar Naruto nas mãos dele, mas eu precisava que Naruto se afastasse. Eu quase disse isso diretamente, mas algo, uma cutucada ombro, me mandava uma mensagem subliminar que dizia “não faça isso garoto, ou quando perceber estará cheio de hematomas que nem saberá de onde vieram". Fui compelido a dizer aquilo para Naruto, para que ele aparecesse na avenida abandonada. E não, não menti quando disse que ele era uma gracinha... Só não sou bom com essas coisas.

Ele cuidaria bem de Naruto, já que depois de Alexz, Naruto parecia ser seu maior interesse no momento, e ele não é de se interessar em algo tão facilmente. Provavelmente ele, ou como eu costumo chamar minha outra personalidade, Sasuke-punk, deve estar querendo algo de Naruto, e eu só espero que ele não o magoe. Não, não estou nem um pouco preocupado com o fato de Naruto não querer nada com ele, afinal, Sasuke-punk geralmente consegue tudo que ele quer. Começando pelas conquistas baratas, depois para o título de vencedor na maioria dos raxas que disputa. É claro que se ele se desse mal em algum raxa, eu iria por água a baixo também, mas não é como se eu pudesse controlar, como já disse tantas vezes.

Só espero que tudo fique bem. E também espero que Naruto se assuste com o que vir e desista de tentar chegar perto de mim, para sempre.


Naruto.

Como ainda não comprei meu carro, — e mesmo que tivesse comprado, não o levaria para um lugar apelidado de "A Avenida dos Raxas" — fui de ônibus para onde Sasuke marcou comigo. Eu parecia um daqueles motoqueiros que eu já avistava. Havia ido num brechó e comprado a jaqueta mais foda que eu já vi na vida, uma calça jeans normal, já que não tenho aquelas câmaras de sufocamento que eles chamam de skinny, e coturnos de cano curto, recém comprados em uma loja de moda alternativa.

E eu também me sentia ridículo, caso interesse.

Todos os homens ali tinham alguma cicatriz no rosto, barba mal feita e pelo menos o dobro do meu tamanho, isso me intimidava fodidamente. As garotas usavam calças que eu descreveria como prontas-para-o-crime, e jaquetas também. Todos ali carregavam um ou dois capacetes nas mãos, pelo visto, todos eram motoqueiros (Boa dedução, Sherlock!).

Essa era uma avenida bem engraçada. Me fazia sentir como se eu estivesse em Chernobyl, ou sei lá o que. Era cercada por algo que parecia um deserto, só que não era. Era a Avenida que ligava a cidade diretamente com a cidadezinha do interior de onde eu vim, e como eu tinha dito, é tão, mas tão interior, que todos se desinteressaram e a avenida foi abandonada. Do outro lado da rua consegui avistar Sasuke do lado de uma ruiva gostosa que ajeitava os cabelos.

Atravessei, indo até eles.

– Hey. — Chamei. Sasuke virou-se para mim, seu olhar passou desde meus coturnos até meus olhos, para então soltar um risinho de lado.

– Uau, que bom que veio. — Bateu em minha jaqueta, e depois alisou, constatando que o couro era verdadeiro. — Um clássico!

– É, é o que dizem... — Não sei o que estava me fazendo agir como um babaca que finge que saca algo de motos e estilo, quando está claro que eu não sei de nada. — E essa seria a...? — Perguntei, me referindo a ruiva gostosa.

– Ah, essa é Karin... Bem, Karin Uzumaki. Sua parenta de algum grau bizarro. — Oh, então talvez deva ser por isso que Sasuke se interessou por mim, porque tinha uma amiga — ou amante — que era minha parenta.

– Olá. — Ela cumprimentou. Karin usava uma catsuit¹ preta, sem mangas, fechada por um zíper, deixando um pouco dos seios à mostra. Suas botas de cano até o joelho e saltos baixos reluziam, insistindo em me irritar. — Prazer conhecê-lo.

– Hm, prazer. — Respondi. Até um minuto atrás eu não sabia nem que tinha uma parenta na cidade, muito menos que ela era motoqueira assim como Sasuke. — E então, eu vou assistir um raxa onde algum de vocês vai participar?

– Mais ou menos. — Começou Sasuke. — É mais uma apostinha que sempre rola entre nós — apontou para o bando de motoqueiros, de uns 10 caras, atrás dele. — E eles. — indicou o outro lado da rua com a cabeça. — Botamos dezinho dentro de um capacete e uma moto nova, que será do ganhador. Coisa boba.

– Dezinho? — O que ele quis dizer? Dez dólares? Dez reais? Dez euros? Dez pesos? Dez o que?

– É, dez mil. Vivos. — Karin respondeu como se não fosse nada. Se eu tivesse esses dez mil, junto com os dezessete mil na minha conta bancária, eu poderia comprar meu carro novo... Mas não vou pedir para correr, afinal, tirando sábado, fazia anos que eu não andava em uma moto.

– Show. — Comentei, como quem nada quer, mas antes que eu pudesse puxar outro assunto, um barulho ensurdecedor de um motor de moto me interrompeu. Não era como o barulho de Alexz, que arrepiava os pelos do corpo e te dava sede de adrenalina, era um barulho chato, perturbador e eu realmente daria um tiro no cano da maldita moto que estivesse fazendo isso, se não soubesse que ia tomar a surra da minha vida depois.

Olhei por cima do ombro, tentando ver quem tinha uma moto com um motor tão potente assim. Era como se desse para ouvir cada engrenagem, cada peça funcionando. A pessoa vinha pela parte desabitada, levantando uma poeira imensa, que não me permitia identificar o ser humano. Já alguns metros mais perto, pude ver que a moto era alta demais, deixava a piloto — sim, uma mulher — com a bunda pro alto. O capacete branco, roxo e verde, nas mesmas cores da moto, era grande, com uma viseira transparente, e ainda assim, eu não conseguia ver. A motociclista passou direto do grupo do outro lado, então presumi que seria amiga de Sasuke, mas ao olhar o rosto dele, sabia que era exatamente o contrário. Ela continuou, atravessou a avenida larga o bastante para ter quatro faixas para carros, ainda em alta velocidade, parando de supetão quase em cima de mim. Ela apoiou um pé no chão, descendo o apoio da moto, mas não desmontou do veículo. Também usava uma catsuit, mas diferente da de Karin, a dela tinha mangas e um decote obsceno, que chegava até o umbigo, exibindo os fartos seios da mulher. Quando ela tirou o capacete e seus cabelos pretos azulados desceram por suas costas, eu já sabia quem era.

Era Hinata.

– Hm, Punk, parece que você quer mesmo algo com o louro... — Desdenhou, olhando diretamente para Sasuke. — Me devolva segunda sem nenhum arranhão. — Eu não entendi do que ela estava falando, porque não me parecia que ela daria sua moto para qualquer um assim.

– Sempre devolvo, cabritinha. — Sasuke respondeu, fazendo cara feia. Hinata não era sua noiva? Mesmo que se casassem por favor a seus pais, por que eles se tratam tão friamente agora? Será que haviam brigado? — E o que eu quero ou deixo de querer com outras pessoas não é da sua conta.

– Claro que é! — Ela vociferou. — Você sabe que também pode bagunçar os sentimentos dele! E eu não vou perder esse casamento.

– Tsc, tsc... Bobinha. Você não vai casar. Eu sou o mais forte. Sendo ele ou eu, se na hora sair um "não", estará feito.

Oi? Alguém pode me situar? Balancei a cabeça, descontraindo.

– Sasuke, o que está acontecendo? — Mas ele pareceu não me escutar, continuava encarando Hinata, que botou o capacete no guidão da moto e voltou para o outro lado da avenida.

Uma garota com um short minúsculo, cabelo preso em dois coques, e uma bandeira preta e branca quadriculada nas mãos andou até o meio da avenida. Isso eu consegui entender: o raxa estava para começar.

– OU! CAMBADA! — Karin gritou. — Quem vai hoje?

Ninguém respondeu. Qual é, se eu ainda soubesse pilotar direito, até iria. Afinal, são 10 mil! Mas ainda assim, ninguém se ofereceu. Sasuke agitou a cabeça, e eu percebi que ele estava ponderando correr hoje. O que eu não achei uma boa ideia, só não sei o porque. Ele ia se pronunciar, balançava a cabeça com cada vez mais intensidade, então quando levantou a cabeça, eu vi seus olhos. Não tinha conseguido reparar no sábado como seus olhos ficavam selvagens quando ele estava de jaqueta, coturnos, e com toda essa adrenalina que o ambiente selvagem trazia... Era lindo. Ele iria abrir a boca para se pronunciar, mas eu fui mais rápido.

– Eu! Eu vou correr hoje. — E isso fez com que Sasuke arregalasse os olhos.

– Você, magricela? — Um garoto de cabelos brancos perguntou. — Você sabe correr pelo menos?

– Sei. — Não menti, mas eu não era um grande piloto. Mesmo assim, não deixei minha voz vacilar. O garoto de cabelos brancos olhou para Sasuke, como se a intimidade deles o permitisse fazer esse tipo de coisa, e o censurou com o olhar.

– Deixe o garoto correr. — Sasuke também mandou uma mensagem com o olhar para ele, que ao meu ver, foi um claro "não se mete". Ele andou até mim, me segurando pelo braço com força, e sussurrou em meu ouvido: — Você sabe correr não é, garoto? É bom que saiba! Eu tenho uma reputação a zelar aqui, se eu disse que você vai correr, é porque vai, mas... Não quero que se machuque.

Eu queria dizer que consegui dar uma grande resposta, empinar meu nariz para Sasuke e dizer poucas e boas de como eu era o fodão da pilotagem, mas não, não fiz nada. Até porque não é todo dia que Sasuke Uchiha sussurra em seu ouvido enquanto te agarra indiretamente. Talvez eu tenha ficado meio mexido.

Eu sabia, sim, pilotar uma moto. Tirei a carteira de motorista para pilotagem de moto há pouco mais de um ano, talvez dois, só que é o que é: eu só havia pilotado moto poucas vezes, e foi para tirar a carteira.

– Relaxa. — Foi o que consegui dizer. Sasuke me ofereceu seu capacete. Ele não faria isso, faria? Ele me deixaria pilotar Alexz? Meio confuso, aceitei seu capacete. Sasuke sumiu por um tempo, mas logo voltou com Alexz. Sem desligar o motor, desceu e me colocou em cima da moto.

– Aceleradores- Mostrou, botando minha mão em cima. — Freios ali. — Indicou. Entendeu? Relaxa, a estrada é reta e a corrida acaba quando vocês nos avistar, iremos na frente. — Tentou me tranquilizar, apesar de eu já saber de onde ficavam o freio e o acelerador. Eu só não andava numa moto há muito tempo, oras. — Não deixe a cabritinha te intimidar, ela só tem gogó.

Cabritinha? Isso quer dizer que eu iria correr com a Hinata? Oh Deus, por que eu fui dizer que ia correr?

Não me deixando afetar, forcei um pouco o acelerador e a moto deu um solavanco que me despertou o instinto de frear. Sasuke andou três passos até chegar em mim e fazer um "fica calmo" com a boca. Subiu na garupa de Karin e eles foram na frente.

Com um pouco mais de calma consegui pilotar a moto até a avenida, onde Hinata me esperava rindo. Ela sabia e eu sabia que seria péssimo. Para me tranquilizar, peguei meu celular do bolso e conectei os fones, com uma música inspiradora, esperava conseguir me desconcentrar do mundo e focar no que tinha que fazer para me manter vivo. Óbvio que eu queria ganhar, mas... Vamos fazer o possível só para eu não sair em carne viva daqui. Agora vejo outra utilidade para a jaqueta e o coturno.

Não sou lá muito fã de música eletrônica, mas quem sabe uma música eletrônica me faria esquecer que estou numa espécie de corredor da morte? Sasuke e os outros, tantos da gangue de Hinata quanto da dele, estavam tão longe que eu só os identificava por serem um montinho preto. A garota com short de piranha continuava lá no meio da pista, entre mim em Hinata, como se não tivesse medo de ser atropelada. Ela mascava um chiclete compulsivamente, até fazer uma bola e estourar. A mão com que ela segurava a bandeira subiu, e mesmo com o a música alta consegui escutar o ronco do motor de Hinata, achei que eu devia fazer bonitinho também, então fiz o motor roncar... Ou miar. Bom, eu fiz algo. Se eu estava entendendo algo da linguagem dos raxas, aquele primeiro braço levantado indicava o "preparar". Levantou o outro braço, o que agora significava "esperar". Vi Hinata se debruçar ainda mais na moto, ficando praticamente deitada. Segurei firme no guidão, preparando-me para correr. Alexz podia não ser uma moto de última geração, mas também não teria sido fabricada há menos de dez anos. Eu sabia que ela aguentava o tranco, que ela conseguia... Mas e eu? Conseguiria?

Minha mão no acelerador estava nervosa, e eu provavelmente queimaria a largada se a garota demorasse mais um pouco. E então, ela desceu as mãos, abaixando o corpo junto. Automaticamente eu acelerei como um doido, e fui empurrado para trás, quase dando um cavalo-de-pau. Meu coração parecia querer sair pela boca, e eu acreditava que ele conseguiria a qualquer instante. Com meu arranque inesperado, Hinata ficou um pouco para trás, achando que teria que pegar leve para me humilhar, e isso, exatamente isso, alimentou uma coisa que eu não sabia ter dentro de mim, acelerei mais ainda, vi que o acelerador beirava os cem, e pensei que nunca andara nem num ônibus tão rápido assim, quem dirá numa moto. Mas tudo estava bem, eu estava me equilibrando, não era difícil como parecia, na verdade, era relativamente fácil, mas eu sabia que não poderia extrapolar, porque qualquer distração me custaria um braço, uma perna ou até mesmo minha vida, estando nessa velocidade.

Hinata me passou, gargalhando. Percebi que ela corria com a viseira do capacete aberta, mas eu não me arriscaria. Senti a música, as batidas aceleradas, os gritos, e acelerei mais ainda. Agora eu estava em algo como cento e quinze, e não me lembrava de conseguir ver até quanto a moto de Sasuke poderia chegar. Hinata e eu estávamos olho a olho, e isso me dava uma sensação gostosa de adrenalina. Na verdade, era incandescente! Corria em meu sangue assim como eu corria pela avenida. Eu já estava sorrindo sem perceber.

Hinata zombou de mim, me ultrapassando e ficando de frente para minha moto, não me permitindo acelerar. Apertei mais o acelerador, com minha mão que tremia, e fiz algo ousado: dei um giro com o guidão que seria muito perigoso naquela situação, o que quase me fez cair, quase, porque meus reflexos me fizeram virar o guidão para o outro lado quase que imediatamente. Eu estava na frente de novo. Yay! O medo de cair só aumentou mais a coisa insana que eu estava sentindo. Agora eu sabia porque as pessoas faziam esse tipo de coisa. Era proibido, cotra a lei e super perigoso, mas ao mesmo tempo ERA DO CARALHO!

Agora eu gargalhava enquanto pilotava, parecendo possivelmente um terrorista ou coisa do tipo. Mas quem disse que eu ligava? Estava entorpecido pela melhor coisa que já senti na vida. Era como outro mundo, pelo canto do olho, eu não conseguia ver a estrada, tudo passava como um borrão, e isso aumentava a sensação de um outro universo. Eu provavelmente deveria ter me descontrolado com o acelerador, porque Hinata estava um pouco atrás de mim, com a bunda tão alta que parecia um pavão, e eu pude ver em seus olhos um ódio flamejante, uma vez que olhei para trás. Isso me fez rir ainda mais, acelerando de vez, podendo ver Sasuke perfeitamente agora. Uns cinquenta metros nos separavam, e ele sorria orgulhoso.

Os cinquenta metros logo viraram trinta, que viraram vinte, e eu maneirei no acelerador, ainda sem dar brecha para Hinata. Freei do melhor jeito que pude, empurrando a moto para frente e para o lado e me apoiando na perna esquerda, quase caindo com o processo. A gangue de Sasuke correu até mim, me ajudando a por Alexz de pé, e eu fui erguido no colo por uma garota de cabelos roxos, um cara ruivo e outro louro.

– Desçam ele! — Sasuke gritou — Desçam o campeão, caralho! — E acho que era a primeira vez que eu o ouvira xingar, mas não ficou vulgar, até que ficou... Sexy.

Fui posto no chão sem a mínima delicadeza, só para depois ser erguido por Sasuke que me levantou com um braço só, enquanto na outra segurou o capacete de dinheiro que lhe foi oferecido. Ele pulava, berrando ofensas a outra gangue, e seus companheiros o ajudavam. Bem, já que eu já estava na furada, virei um pouco o tronco, só para dar língua para Hinata que bufava irritada. Desci do colo de Sasuke e ele me deu o dinheiro.

– Faça o que quiser com isso. — Disse. — E está vendo aquela moto ali? — Apontou para uma moto parada, no meio das duas gangues. Era totalmente preta, mas sua qualidade era inegável. — Zero bala. E agora é sua.

Corri até a minha linda moto nova. E antes que perguntem, sim, eu tenho carteira de motorista, tanto para moto, quanto para carro. Eu não sabia o quanto conseguiria economizar antes de algo dar errado, então me preparei para caso não pudesse comprar um carro, compraria uma moto. E eu não precisei! Agora eu tinha lindos vinte e sete mil para fazer o que quisesse, e, para dizer a verdade, não faço a mínima ideia do que fazer!

– Sasuke! — Chamei. — Pegue Alexz, vamos dar uma volta. Eu e você.

Ele sorriu, e eu cheguei na conclusão de que jamais cansaria de ver isso, já que quando ele estava em dias de trabalho era tão sério. Corri até minha moto, girando a chave que estava na ignição e pendurando-a no pescoço, já que ela vinha presa em um cordão. Acelerei a moto, como havia feito na corrida, mas sem exagerar, agora eu pilotava mais ou menos em 70km/h, e sabia que Sasuke me seguiria. Continuei andando no sentido da avenida, sabendo que chegaria, em questão de segundos, a uma bifurcação meio lateral, que daria para um lugar onde eu não ia há anos, e talvez nem estivesse mais lá.


XxXx

Quando entramos na bifurcação, eu na frente e Sasuke atrás, vi as árvores que tanto me trouxeram alegria. Estacionei a moto perto de uma delas e desci, esperando Sasuke que não demorou muito.

– Que lugar é esse? — Ele perguntou, logo após tirar o capacete.

– Deixe Alexz aí e me siga! — Exclamei, seguindo quase saltitante por entre as árvores.

Andamos mais um pouco, até encontrar o que eu queria: uma clareira. Com o lago que fez os dias da minha adolescência. Tirei a jaqueta, quase desesperadamente, afinal, estava calor para caralho. E logo em seguida a blusa. Sasuke me olhava curioso enquanto eu tirava os coturnos, e então eu abaixei as calças, ficando só de samba canção. Dobrei minhas roupas em um montinho, e sem dar chance para Sasuke falar alguma coisa, me joguei na água do lago.

Gelada!

– Venha, Sasuke! Vamos nos refrescar em comemoração a minha vitória avassaladora. — Gritei assim que emergi. Sasuke riu, e ao contrário do que pensei, também começou a tirar as roupas.

Eu queria não ter olhado, juro. Mas olhei. Sem querer... Sei que ele tem noiva, mas olhei. Olhei enquanto ele tirava a camisa preta, logo após ter tirado a jaqueta, olhei cada gotinha de suor escorrer por seu peito e adentrar sua calça, que também foi retirada depois dos coturnos. Ele tinha um cordão pendurado no pescoço que eu ia dizer para tirar, mas não deu tempo, ele deu um mergulho bola-de-canhão, me assustando.

– Esse lugar é incrível. — Comentou, aparecendo atrás de mim.

– Sim. Só não chega a ser melhor do que aquela cachoeira... Ainda quero ir lá. — Fiquei de barriga para cima, boiando. — A corrida foi insana!

– Foi mesmo. — Riu. — Achei que você não soubesse pilotar.

Dei língua para ele.

– Eu sei, tenho carteira inclusive, só fazia muito, mas muito tempo mesmo que eu não subia em uma moto.

– Andar de moto é que nem andar de bicicleta, nunca se esquece. — Fechei os olhos, me concentrando na voz de Sasuke e nos barulhos que ele fazia enquanto se movia no lago. — Lembra quando o Sas... Quando eu disse que queria passar alguns fins de semana com você? Eu disse a verdade, se quiser, fim de semana que vem podemos ir na cachoeira.

Ele realmente estava falando sério? Fiquei feliz pelo convite, mas então lembrei-me que eu não podia ficar vagabundeando por aí, que tinha que escrever a música para Itachi, agora só faltavam três semanas.

– Eu adoraria, mas não posso. Tenho o trabalho com Itachi, lembra? Ele vai tentar me lançar como cantor. — Contei. — Preciso compor uma música em três semanas.

– Tsc. Bobagem. A música vai surgir quando tiver que surgir, músicas feitas mecanicamente não são boas. São como aquelas músicas que falam que os caras só querem gastar, beber, e pegar mulheres a noite toda, com aquelas batidas irritantes. — Sasuke desdenhou. — Música boa é música com sentimento, entende? Aliás, cante um pouco para mim, quero ouvir.

Parei de boiar, voltando a ficar de pé na parte mais rasa do lago, Sasuke continuava na mesma posição, me encarando, como se nunca tivesse saído dali. Cheguei mais perto dele, porque eu iria cantar baixo. Apesar de aspirar ser um astro, ainda tinha um pouco de vergonha.

Olhei em seus olhos, que brilhavam com um "Cante! Vai!" estampado neles. Não me pergunte como, mas eu sempre, sempre sabia o que os olhos dele queriam dizer. E eu comecei a cantar.

Vermilion part. 2 — Spliknot.

She seemed dressed in all of me
(Ela pareceu vestida em todo o meu ser)
stretched across my shame
(Esticada através de minha vergonha)
All the torment and the pain
(Todo o tormento e a dor)
Leaked through and covered me
(Escaparam completamente e me cobriram)
I'd do anything to have her to myself
(Eu faria qualquer coisa para tê-la para mim)
Just to have her for myself
(Apenas para tê-la para mim)

Assim que comecei a cantar, os olhos de Sasuke se arregalaram. Não me preocupei em saber se ele estava achando bom ou ruim, apenas senti a letra da música e deixei fluir.

Now I don't know what to do,
(Agora eu não sei o que fazer,)

I don't know what to do
(Eu não sei o que fazer)
When she makes me sad
(Quando ela me entristece)

She is everything to me
(Ela é tudo para mim)
The unrequited dream
(O sonho não correspondido)
A song that no one sings
(Uma canção que ninguém canta)
The unattainable
(O inalcançável)
She's a myth that I have to believe in
(Ela é um mito que eu tenho que acreditar)
All I need to make it real is one more reason
(Tudo que necessito para fazê-la real é mais uma razão)
And I don't know what to do,
(E eu não sei o que fazer,)

Ele se aproximou de mim, com o olhar meio perdido, como se sua felicidade e destreza de quando estava de jaqueta falhassem. Sua mão buscou a minha por de baixo da água, até que se encontraram. Seus polegar faziam carinho em minha palma, e ele entrelaçou nossos dedos.

I don't know what to do
(Eu não sei o que fazer)
when she makes me sad.
(Quando ela me entristece)

But I won't let this build up inside of me
(Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)

Levantei nossas mãos que estavam juntas, olhando como a pele dele ficava bonita contra a minha. E então olhei para ele. Não entendia porque ele parecia tão hipnotizado, mas não parei de cantar.

A catch in my throat
(Um pego em minha garganta)
Choke,
(Sufoco,)
Torn into pieces
(Rasgado em pedaços)
I won't, no
(Eu não vou, não)
I don't want to be this
(Eu não quero ser isso)

But I won't let this build up inside of me
(Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)

Sasuke agora havia virado nossas mãos e passava a costa de minha mão em seu rosto, em uma carícia suave. Desfez o laço dos dedos, espalmando nossas mãos uma contra a outra. Segurou meu pulso e depositou um beijo na palma da minha mão, fazendo minha voz tremer um pouco.

I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)

I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim)
I won't let this build up inside of me
(Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim).

Depois que parei de cantar, Sasuke ainda tinha a palma de minha mão em seus lábios e me olhava intensamente. Mesmo sem vontade, desci a mão, lembrando que era errado, e a deixei afundar na água de novo.

– Isso foi lindo. — Ele elogiou. — Muito lindo. Vejo que meu irmão vai ter um bom material para investir.

– Obrigado... — Agradeci, meio sem jeito. — Acho melhor ficarmos um pouco no sol, para nos secar. — Sugeri e ele assentiu.

Saí do lado, caminhando um pouco e deitando na parte onde a grama era mais curta, aproveitando o sol indireto que passava por entre as folhas das árvores que nos cercavam. Não muito tempo depois, Sasuke também deitou-se ao meu lado, com a cabeça apoiada em um dos braços, ele me olhava.

– Você é interessante. — Comentou ele, do nada.

– Hm... Você também. — Ri nervoso. — Por que está agindo assim?

– Eu não sei... As coisas comigo geralmente são confusas. — Admitiu. — Eu realmente não sei, mas sei o que gostaria, só não posso... Eu não posso errar com o garoto.

– Que garoto? — Levantei a cabeça para lhe olhar melhor.

– Sasuke. — Respondeu. Ele não podia errar consigo mesmo?

– Ãh? As vezes você fala como se alguém controlasse você, ou sei lá... É estranho, como se te dividissem. Semana passada, na sexta à noite, você e Hinata tiveram uma conversa estranha, dizendo que alguém não ia deixar vocês casarem...

– Naruto. — Sasuke me interrompeu. — Isso é uma conversa para termos durante a semana. Agora não, eu realmente não tenho condições de te dizer. Vamos só... Aproveitar, ok? Temos que voltar nossas casas. Já está seco?

– Sim. — Eu estava decepcionado, sinto que fiz um avanço em descobrir quem realmente Sasuke era, mas retrocedi lindamente assim que forcei a barra.

– Então vamos.

Notas finais
Catsuit¹ - Catsuit é um vestuário de uma peça que cobre o tronco e as pernas, e frequentemente os braços.1 Eles são geralmente feitos de material elástico, como lycra, chiffon, elastano (após 1959), couro, látex, PVC ou veludo, e freqüentemente usando um zíper à frente ou para trás.