Blurred lines.

5 Algumas verdades.


Notas iniciais
E aí, gente! Aproveitei que é quarta-feira de cinzas, feriadão, e eu estou podendo postar. Até porque quarta-feira que vem a essa hora estarei estudando D: Como foi o carnaval de vocês? Queria agradecer ao amor de pessoa da Bah_Yuh que deixou uma recomendação na história

Naruto.

E nos teus braços, somente de alegria, não me aguento
Sem você, não há felicidade
Não há paz
Sua ausência é o meu tormento... Não, tá uma merda.

Como escrever sobre o amor se você nem ao menos sentiu? Namorei Sakura durante dois anos. A conheci quando cheguei na cidade, e ela estava no pub em frente meu antigo apartamento, seu celular havia sido roubado e ela precisava muito, muito mesmo de alguém que emprestasse um. Eu estava sentado nas escadas do prédio quando ela me achou. Uma história bonitinha, né? Sakura é bonita, não me entenda mal. Muito bonita. É agradável, carinhosa, só não é espontânea... Se Sakura e eu tínhamos diferenças, a maior delas eram nossas personalidades. Eu sou palhaço, gosto de fazer os outros rirem, e a maioria das vezes estou sorrindo. Sakura jamais gostou de nenhuma das minhas piadas, mas ela achava que eu se eu tentasse estaria tranquilamente estampado em um outdoor usando uma cueca da Calvin Klein.

Foram dois anos completamente sem brigas. Aos fins de semana ela vinha para minha casa, assistíamos filmes até de madrugada e ela botava minha blusa, sem nada por baixo e aí... Bom, vocês sabem o que acontece nessas ocasiões. E era só isso. Às vezes almoçávamos juntos, em datas especiais. É, exatamente isso aí. Um namorico bem chato. E então, um belo dia ela veio me dizer que tinha se apaixonado por um homem, e eu a deixei ir... Por que eu prenderia comigo alguém que não me ama?

E eu pensava nisso tudo enquanto estava sentado no bar, usando o balcão de apoio para o papel onde eu escrevia e rabiscava. Algumas bolas de papel estavam na lixeira, indicando meu evidente fracasso em escrever uma música. Acho que no final Sasuke estava certo... A música fluiria bem quando fosse a hora.

Era segunda-feira, um dia tranquilo no 9 Ases. Ainda faltava uma hora para abrirmos, tudo que havia de ser terminado estava sendo agora. E eu estava jogado, tentando compor. Peguei meu celular e liguei para Itachi.

Oi.– Disse ele. Era tão engraçado. Em seu número pessoal, que ele havia me dado há alguns dias, ele atendia todo informal, enquanto no seu de trabalho era sempre "Itachi Uchiha, bom dia/tarde/noite". - E aí, tudo bem?

– Sim, e com você? — Continuei rabiscando o papel por cima de onde tinha escrito. — Quer saber? Na verdade não. Não consigo compor, tudo o que tento está meloso demais, frio demais, analítico demais... Não quero falar sobre festas, bebedeiras e garotas. — Lembrei o que Sasuke disse. — Quero falar de amor, amizade. Coisas que todos sentem. Quero falar de perdas, de términos... Mas como, se eu não sei nada sobre isso? — Eu me sentia como a Taylor Swift.

Escutei Itachi rir do outro lado da linha.

– Você ainda tem três semanas, se acalme. Quando o insight¹ acontecer, a música ficará pronta em questão de minutos. Você só precisa de inspiração. — Me tranquilizou. — Então, onde você estava sábado? Porque meu irmãozinho apareceu mais bronzeado em casa.

– Ele me levou para a Avenida dos Raxas. — Sorri, lembrando. — E eu fui o corredor! Corri contra Hinata.

– Você... Correu contra a Hinata? Hinata noiva do Sasuke? Hinata Hyuga? Hinata Rinavalius? — Ele parecia incrédulo.

– Sim! E ganhei. — Tenho direito de me achar por isso, sim. — E o que é Rinavalius?

– Você deve ter percebido que Hinata não estava sozinha lá. Ela estava com sua gangue. Que foi fundada por sua avó, uma gangue que era formada só de mulheres feministas, que foi estragada pela mãe de Hinata, que incluiu os homens, mas ela morreu no parto de Hanabi. Hinata assumiu a gangue ainda muito nova, tinha apenas 12 anos. E Hanabi, sua irmã mais nova, é a próxima se Hinata assim quiser, ou algo acontecer. — Explicou. Esse mundo de gente rica é surreal demais! Tudo parece como aquelas coisas de filme e...

– Se Hinata é a líder da gangue, Sasuke é o líder daqueles que o seguiam ontem?

Sim. Minha família também é metida com isso, mas essa nasceu há mais de um século atrás, nem meu avô era nascido. Todos ricos, na época o interesse era política, tudo por debaixo dos panos. Criada por meu trisavô Madara, a gangue de minha família é a Ambu Nation. Eu recusei meu lugar na gangue, assim que meu pai morreu. E o Pun... E Sasuke, bem, uma parte de Sasuke, que gosta dessas coisas, resolveu assumir. Não é qualquer um que entra, é perigoso se meter com isso. A maioria dos que estão ali entraram por laços hereditários, inclusive tem uma menina com o seu sobrenome, é...

– Karin. — Lembrei da ruiva. — Ela é minha parenta. Não sei se é prima, ou sei lá o que. Não sabia que minha família era envolvida nisso... Mas também não vou procurar saber. Espero que eles não achem que entrei para a gangue só por ter ganhado o raxa. Eu só não queria que Sasuke corresse e...

Por que não queria que ele corresse?– Eu definitivamente odeio quando Itachi me interrompe. — Hein, Narutinho?

– Não sei. Quando Karin perguntou quem seria o corredor e ninguém se ofereceu... Eu vi, ele ficou pensando, eu sabia que ele se ofereceria, ele estava quase se oferecendo... Quase, quase, quase... E eu não podia! Não queria que ele corresse. E se ele se machucasse? Por isso me ofereci. — Justifiquei.

Oh, meu Deus... Não acredito nisso!– Itachi exclamou, rindo. — Que coisa mais mimimi. E depois? Você ganhou mesmo?

– Ganhei! — Inflei o peito, mesmo sabendo que Itachi não veria. — Depois peguei meu prêmio, "dezinho" — Imitei Sasuke falando. — E uma moto novinha em folha. Dirigimos até um lugar que eu conhecia ali perto, um lago. Tomamos banho, eu cantei para ele e depois tomamos sol.

JUNTOS?– Gritou.

– Juntos, ué. — Revirei os olhos, não entendendo o espanto de Itachi.

Juntos, juntinhos da Silva?

– Juntinhos de Amaral Ferreira Lopes. — Brinquei. — E eu sei que ele tem noiva, Itachi. Mas somos só bons amigos.

Diga isso para o Punk. Ãhm, quer dizer... Hm...

– Por que todos vocês começam a falar a palavra punk e depois se corrigem? É uma espécie de apelido do Sasuke aos fins de semana, quando ele administra a gangue?

Isso é uma coisa para você conversar com Sasuke. Em dia de semana.– Itachi conseguiria me enrolar, mas só dessa vez. — E falo sério. Se alguém tem que te contar isso, é ele. E ele nos dias de semana não é muito simpático ... Mas, ele não é de ferro. Seja você mesmo, assim como é com ele nos fins de semana, e ele vai ceder. Quem sabe ele não te conte isso do punk, e da gangue.

– Obrigado pelo conselho. — Agradeci. — Até.

Até.


Fiquei pensando no que Itachi me disse. Ele falou a mesma coisa que Sasuke quando estávamos no lago, disse para eu procurar Sasuke em dia de semana, e talvez ele me contasse. Eu estava esperançoso, minha curiosidade aumentava a cada segundo. Fala sério! É tudo muito surreal. Num segundo sou só um barman do Nove Ases, no outro, conheço a família mais rica de todo o país, falei com a noiva de um deles, que por acaso é chefe de uma gangue e parece me odiar, nadei com o caçula da família, que é líder da gangue inimiga da de sua noiva, fui contratado pelo filho mais velho de Fugaku Uchiha, e agora sou amigo dele. É, e tudo isso em uma semana. Uau.

Minha música não sairia até que eu tivesse inspiração, e isso eu sabia. Eu queria escrever sobre o amor, assim como todos os cantores. Ou talvez uma revelação pessoal, coisa que eu nunca tive. Das duas uma: ou eu arranjava uma inspiração, ou a música não sairia.

Pensei em todos as pessoas que eu conhecia, alguém que estivesse apaixonado para me contar como seria, mas nada me vinha na cabeça. Agora era questão de trinta minutos para que o Bar abrisse, e eu teria que deixar isso para amanhã.

Passei um pano no bar e organizei as bebidas, deixando as mais pedidas perto de mim, para maximizar minha eficiência. Se eu não tivesse minha ambição para com o mundo artístico, enfrentaria a "carreira" de barman numa boa. Escutei as portas abrindo, e logo alguns poucos clientes entraram. De pouco em pouco, umas trinta pessoas ocuparam o Bar. E um rosto conhecido logo chegou até mim.

– Cabritinha. — Sorri de lado, maldoso. Estava claro que Hinata não gostava de mim, não havia porque ser simpático com ela. — Que ventos te trazem aqui?

Virei-me, esperando a resposta. Preparei o Dry Martini de Hinata e botei a sua frente. Por conta da casa, sussurrei.

– Vim pedir, para ficar longe de Sasuke. Tanto aos fins de semana como nos dias de semana. — Levantei uma sobrancelha em descrença. Mas que cretina! — Sasuke é uma pessoa que muda fácil de opinião, e eu não vou arriscar meu casamento por causa de um barman metido a piloto dançarino.

– Arriscar seu casamento? Do que está falando, Rinavalius? — Frisei bem o nome da gangue, para estatelar na cara dela que eu sabia.

– Eu vejo o jeito que o Punk olha para você. — Ela não tentou disfarçar o apelido Punk. — E você até chega a retribuir o olhar, só ainda não se deu conta. E você não sabe no que está se metendo, pequeno Ambu Nation. — Hinata riu. — A coisa é mais séria do que pensa, uma vez que estiver envolvido, não poderá sair E quando isso acontecer, eu vou te esmagar.

Por debaixo do balcão peguei meu celular, e mandei uma mensagem para Itachi, pedindo o número de Sasuke. A provocação de Hinata me subiu algo estranho, como que uma raiva, que me instigava continuar nadando naquele mar que eu não conhecia. Ele logo me respondeu, e quando Hinata foi para o outro lado do salão, eu iniciei a chamada.

Alô?– Sasuke atendeu, com a voz cansada.

– Oi, Sasuke. Aqui é Naruto, precisamos muito conversar, muito mesmo. Pode vir ao Nove Ases? — Pedi.

Como você conseguiu meu número?!– Não respondi. — URGH! ITACHI!

Continuei calado, ouvindo sua respiração acelerada do outro lado da linha.

Ok. Estamos mesmo precisando conversar, quero saber porque estou com a marca de minha cueca.– Me controlei para não rir, ao mesmo tempo em que ficava confuso. — Mas me recuso a ir no Nove Ases, é segunda feira e eu estou cansado. Que horas o bar fecha hoje?

– Meia noite. — Respondi.

– Ok, hm... Tentarei me manter acordado e te mandarei meu endereço por mensagem de texto. Se conseguir sair daí antes, venha sem hesitar.– Ordenou. Bem, soou como uma ordem, não que eu tenha prestado muita atenção, parei de escutar direito assim que ele disse que me mandaria seu endereço.

– Claro. Como quiser. — Não sei porque diabos eu estava tentando falar com profissionalismo, afinal, eu trabalho para o irmão dele, não para ele. Desliguei o telefone sem dar a chance de Sasuke falar mais alguma coisa, e eu sabia que tinha o deixado potencialmente irritado.


XxXx


Em minha nova moto, eu estava nos portões da casa de Sasuke, que ao contrário do que pensei, não morava na mansão Uchiha, e sim numa casa própria. Que não deixava de ser uma mansão. Mas entenda, pelas fotos de matérias em revistas, a mansão dos Uchihas deve ser quase do tamanho da Casa Branca, e essa só se parecia com... Sei lá... Uma casa grande a beça.

Após me identificar com o porteiro – Sim, o cara tem um porteiro particular! — o portão abriu e eu pude entrar, estacionando por ali. O porteiro sem nome disse que Sasuke não se importaria, então, deixei por isso mesmo.


Sasuke já me esperava na porta, com um sorrisinho de canto de boca, parecendo feliz por eu ter vindo. Olhou em seu relógio de pulso, seu sorriso se alargou um pouco mais.

– Incrível! São onze e meia agora. — Elogiou e eu receio ter corado.

– Pois é, me esforcei um pouquinho, e como você disse, é segunda-feira, todos estão cansados. O Bar estava pouco movimentado e os clientes que lá estavam saíram rapidamente. — Iniciei a conversa, enquanto Sasuke me dava espaço para passar.

Tirei minha jaqueta, que agora eu iria usar como acessório indispensável, e pendurei no cabideiro que ficava no corredor. Olhei para Sasuke que me guiava, e agora percebi suas roupas. Ele estava de pijamas! Um short de algodão azul claro, e uma blusa branca de meia manga. Só para constar, isso não o deixava menos bonito. Na verdade, me deixou alegre de uma forma estranha, talvez porque Sasuke não se importava de estar exposto naqueles trajes íntimos, o que falando sério não era nada já que eu o vi de cueca no sábado.

– Casa bonita. — Elogiei.

– Obrigado. Uma semana de pura decoração após fugir de casa. — Brincou, e eu ri. Qual é, ele estava sendo perfeitamente sociável. Me levou para um quarto que deveria ser a suíte master, ou seja, o seu quarto. E eu já devia estar da cor dos lençóis de Sasuke, que só para vocês saberem, são vermelhos escarlate.

– Sente-se. — Bateu em sua cama, depois de deitado. — Sei que não veio aqui para ficar elogiando minha casa e nem falar dos horários do bar.


Sasuke.


– Certo. — Naruto disse, sentando-se ao meu lado. — Eu vim aqui porque sei de Rinavalius e Ambu Nation. — Meu coração falhou uma batida, surpreso. — E porque quero saber desse tal apelido... Punk. Por que te chamam assim? Eu sei, nos conhecemos há pouco mais de uma semana, eu sou amigo do seu irmão e convivo com você quando você está “punk”, mas acho que mereço essa explicação. E tanto você quanto Itachi me falaram para te procurar em um dia de semana. Eu não pude esperar.

– Eu... Entendo. — Desviei o olhar para a cama. Não, eu não entendia. Não sei das conversas que ele e Punk tiverem, não sei o que ele sabe ou deixa de fazer, eu...

Garoto, a voz de Punk soou em minha cabeça. Finalmente! Depois de seis meses ele se comunicou comigo. Naruto não sabe de nada que você não tenha contado. Eu só falei para procurá-lo em um dia de semana. Só isso. Mas não afaste o moleque, eu... É algo diferente, sacou? Eu senti isso quando ele cantou para mim no lago.

NO LAGO? QUE LAGO?, perguntei para Punk. Mas, como eu já esperava, não houve resposta. Aquele... Urgh.

– Então quer dizer que estávamos num lago no sábado, não é? — Ele assentiu. — Olha, ok, como você já está cansado de ouvir, eu não era eu mesmo no sábado. Eu não era o Punk, o apelido que você tanto escutou. — Respirei fundo. Era agora ou nunca. Punk gosta dele, não posso afastá-los, porque se eu tentasse, obviamente, Punk me faria sofrer. — Eu sofro de transtorno dissociativo de personalidade meio consciente, mas que eu e todos tenhamos conhecimento, Punk é minha segunda e única personalidade alternativa. E eu não lembro porque Punk, de algum jeito, é mais forte que eu, então bloqueia pensamentos, memórias e essas coisas, mas não o tempo todo, por isso o "meio consciente". Já eu sou como uma parede de vidro, ele sabe de tudo quando eu estou no comando.

Naruto não mudou sua expressão. Sua cara de paisagem já estava me irritando um pouco, ao mesmo tempo em que eu quase podia ouvir um eco de Punk dizendo “se eu pudesse beijar ele agora”.

– Só isso? Eu realmente achei que fosse algo mais sério, do tipo você ter um gêmeo mais legal, ou coisa do tipo. — Desabafou.

– Ele é mais legal que eu?! — Não podia ser. Fala sério, Punk é um grande babaca. Só sabe falar gírias, e a única coisa com que se importa é sua moto... E Naruto. — Então... — Sorri maligno, disposto a ferrar com a vida de minha outra personalidade. — Ele meio que está a fim de você, sabia? — Ergui a sobrancelha.

Naruto mudou de cor, ficando vermelho. O que o fazia ficar mais bonitinho ainda... Ora! Punk! Pare de mexer com meus pensamentos... E sentimentos.

– I-isso... É sério? Ele está a fim de mim? — Perguntou, debruçando-se sobre o colchão. Ele parecia que ia explodir a qualquer momento. — Oh meu Deus, e ele me viu de cueca!

Eu, Sasuke Uchiha, amaldiçoo Sasuke Uchiha, ou Punk, com todas as minhas forças, por ter o poder de bloquear suas lembranças e pensamentos de mim, fazendo com que eu não saiba como é Naruto de cueca.

– Sim, ele gosta de você. — Simplifiquei. — Eu não sei sua opção sexual, nem nada assim, mas se quiser algo com o Punk eu não vou impedir. Só não nos confunda! Sábado e Domingo é Punk, segunda à sexta é Sasuke. — Pedi. — E não deixe ele irritar Hinata.

Naruto revirou os olhos.

– Eu gosto quando ele irrita a cabritinha... — Resmungou. Cabritinha? Ele já até tinha roubado o apelido que ele usa com Hinata? As coisas estavam ficando feias. — Sasuke, você tem um quarto de hóspedes? Eu... Gostaria de dormir aqui, estou muito cansado para dirigir.

– Não seja por isso eu peço para o motoris... Ai! — Reclamei quando senti uma pontada no ombro. Ok, isso eu havia entendido: Punk não quer que ele vá embora. — Pode, pode sim. O quarto de hóspedes fica na segunda porta a esquerda.

– Obrigado... — Naruto agradeceu com um sorriso doce. — Sabe, Itachi tem razão, você não é tão ranzinza assim. — E saiu do quarto.

Deixei meu corpo desabar sobre a cama e fiquei encarando o teto. Nem uma semana desde que eu conheci o louro e Punk já acha ter algum direito sobre ele. Tudo bem, Naruto e eu éramos completamente avessos, mas... Sei lá! Porra, Punk já andou de moto com ele, já nadou com ele, e eu só consigo tomar um café. Não que eu queira alguma coisa com ele, longe disso, mas eu precisava saber quem era a pessoa com que minha segunda personalidade queria namorar, certo?

Oh merda.


Garoto, está aí? Punk perguntou.

Estou, o que você quer?

Você não quer me deixar assumir não? Não é todo dia que o cara que eu gosto dorme aqui.

Não. Não quero safadeza na minha casa.

Humpf, sei. Não encoste no garoto. Se fizer, eu vou saber. E aí você vai estar tão, mas tão fodido... Ameaçou. E você me paga por ter contado a ele que eu estou a fim!


Naruto.


Então era isso: Sasuke tem duas personalidades. Uma é a chata, que assume os dias da semana, administrando a empresa da família e cuidando do noivado com Hinata. E a outra é Punk – sim, agora vou chamá-lo só assim – que é mais divertido, pilota uma moto irada, e é líder de uma gangue.

Ok, acho que minha preferência ficou clara.

Pensei mais um pouco em Sas... Punk. Então quer dizer que ele está a fim de mim? É claro! Como não notei isso antes? Isso é maravilhoso. Sasuke é um cara bonito, de rosto e corpo, e é agradável de dois jeitos diferentes. E o lado que eu mais gostava também gostava de mim. Ok, agora estou nervoso. O que eu deveria fazer quando ele fosse ele de novo? Beijá-lo? Não... Isso seria muito atirado, não é?

Espera! Então quer dizer que o Sasuke líder de gangue, punk, machão toda vida é gay? Uau.

Estava jogado na cama do quarto de hóspedes. Minhas calças estavam penduradas em uma cadeira de balanço que ficava do lado da cama, e eu não conseguia dormir. Mil pensamentos rondavam minha cabeça, e o maior deles era sobre minha música. Será que agora que eu tinha um... pretendente(?) a música fluiria? Há alguma chance de Sasuke e eu vivermos uma história de amor? Esses pensamentos faziam meu estômago dar um duplo mortal carpado.

Eu só tinha certeza de uma coisa: queria que sábado chegasse. Queria ver Punk.

Notas finais
E aí? Gostaram?