Blurred lines.

6 Aguardando.


Notas iniciais
E aí, é quinta-feira e eu estou aqui. Nem iria postar hoje, pelo motivo de cansaço: carnaval acabou, estudando tempo integral, mais os trabalhos em casa... Tá foda, mas estamos aí. Fiquei muito contente com os comentários do capítulo anterior, e espero que esse tenha tantos quanto os outros. Antes que você me matem: o capítulo é mais uma preparação para o próximo... Então, aproveitem e boa leitura!

Naruto.

Acordei com café na cama, o que me surpreendeu muito. A bandeja estava sendo segurada por alguém que presumi ser o mordomo, que me entregou um bilhete e deixou o quarto.

O café da manhã parecia delicioso, torradas com geleia de cereja, uma xícara de café forte – Sasuke lembrou-se de como eu gosto! — e caso eu não quisesse, um copo grande de suco. A bandeja também tinha o pequeno jarro com uma flor que eu reconheci como um gira-sol. Sorri involuntariamente e abri o bilhete.

“Espero que tenha dormido bem e que ache o café da manhã agradável. Eu mesmo preparei.

Sasuke.”

Ele realmente era um amor quando queria ser. Cheirei a flor, não conseguindo identificar nenhum tipo de odor muito chamativo, mas pude constatar que era verdadeira. Meu sorriso alargou e eu comecei a comer, feliz por ter sido tão bem recepcionado na casa de Sasuke, em um dia de semana!

Olhei o relógio da mesa de cabeceira e vi que eram onze horas da manhã. Tão tarde! Meu Deus, como teriam me deixado dormir tanto? E o café da manhã parecia fresco, que horas Sasuke tinha ido trabalhar? Peguei meu celular e liguei para seu número.

Bom dia, Belo Adormecido.– Atendeu, parecendo mais simpático do que de costume. Será que Punk havia o dominado?

– Bom dia! — Saudei. — Gostaria de agradecer pelo café da manhã delicioso. — Disse, após dar um gole no café quentinho.

Que bom que gostou, Naruto. Me atrasei por sua causa!– Acusou em tom de brincadeira. — Eu fiquei esperando você acordar, mas quando percebi que não faria isso nem tão cedo, fui para o trabalho. Só para você acordar cinco minutos depois!

– Está no telefone enquanto dirige? Bastardo! Tome cuidado. — Me preocupei com Sasuke, de verdade. — Vou te dar uns cascudos da próxima vez que te ver, sendo você mesmo ou não.

Ei ei, relaxa, eu estou usando os fones de ouvido.– Justificou-se. — E olha lá quem você chama de bastardo. Dirigir enquanto falo no telefone é menos perigoso do que correr num raxa contra a líder da gangue inimiga de seu namoradinho, sabia?

– O P-punk não é meu namoradinho... — Sussurrei sentindo que minhas bochechas estavam esquentando. Dei graças a Deus por Sasuke não poder ver isso. — Ainda não conversamos sobre isso, já que ainda é terça-feira. — Bufei. Eu realmente queria falar com Punk.

Você... Hm... Preferia que já fosse sábado?– Perguntou. Não entendo porque ele se preocupava tanto com o fato de que eu gostasse mais do Punk do que dele, é só que Punk sempre foi legal comigo, desde a primeira vez que me viu, Sasuke só me tratou com indiferença até o dia do café, e mesmo assim ele não era um poço de simpatia.

– Por que se importa com isso? — Verbalizei minha dúvida. — Eu não entendo.

Hm, não sei, talvez seja só Punk me afetando... Enfim, preciso prestar atenção no trânsito. Até outro dia, Naruto.

– Tsc. Até outro dia, Sasuke, se cuida.


XxXx.


A caminho de casa recebi uma mensagem de Itachi avisando que amanhã eu iria na Uchiha's Enterprises — Matriz, para conhecer um amigo dele que me daria ajuda com aulas de canto para aprimorar sua voz, e ele até me xingou um bocado por não ter dado notícias para ele desde sábado e só mandando uma mensagem pedindo o telefone de Sasuke. Qual é, quem é a esposa de Itachi é a Sakura, não eu. Ele não tem que tomar conta de mim. Mas agradeci pela preocupação.

Definitivamente dormir na casa de Sasuke essa noite havia me feito bem. Minha cama até que é confortável, mas não é nada comparado a dormir numa King Size que parecia ter acabado de sair da loja e era macia como uma nuvem. Cumprimentei o porteiro do prédio e subi as escadas até meu apartamento, que ficava no segundo andar. Entrei em minha casa, feliz da vida pela noite bem dormida e encontrei a maior bagunça do mundo. E é claro que eu não arrumei, não sou nem maluco ainda. Na minha bagunça eu me entendo.

Fui direto para o banheiro tomar banho, e inconsequentemente acabei pensando em Sasuke. Nos dois. Sacudi a cabeça tentando espantar os pensamentos, mas não funcionava. O único jeito foi terminar logo de me lavar e ir para o trabalho, talvez beber um pouco do meu estoque particular, só para aliviar o estresse.

Cheguei no Nove Ases por volta de uma hora da tarde, e fui um dos primeiros, tirando o pessoal do som. Definitivamente, ter uma moto era muito bom, me agilizava em tudo na vida. Se eu tivesse ido de ônibus ainda estaria na metade do caminho para o Bar. Cumprimentei Gaara assim que ele chegou, voltando ao meu trabalho logo depois. Troquei a louça, hoje estava afim de usar copos mais leves e maiores, que me dessem menos trabalho caso quebrassem. Limpei-os, e depois me abaixei para o mini frigobar que ficava ao fundo, pegando uma Coca-cola gelada. Eu sabia que hoje o dia seria longo, daqueles que custam a passar. E isso me fez mandar uma mensagem para um dos meus melhores amigos da minha antiga cidade: Kakashi.

Kakashi e eu trocamos mensagens o dia todo, até quase a hora do Nove Ases abrir. Kakashi era filho de um amigo de meu pai, sendo uns 10 anos mais velho que eu, conseguimos fazer amizade assim que eu fiz 12 anos e não era mais tão infantil assim. Kakashi sempre foi... Hum... Uma pessoa muito ligada no amor físico, sabe? Foi por causa dele que descobri que gostava de garotos. Ele defendia o lema “consideramos justa toda forma de amor”, ou seja: ele era bi. Assim como eu. Confesso que eu nunca consegui levar um relacionamento com um homem, assim como consegui com Sakura. Mas também era só isso. Talvez por eu nunca ter sido alguém fácil. Sou complicado, difícil, e as pessoas geralmente são transparentes, facilmente lidas, o que nunca me deixava criar interesse por alguém. Acho que é por isso que me interesso por Punk... Até porque, que mistério maior do que alguém com duas personalidades?

Com a mente cheia de pensamentos, trabalhei a noite inteira, sem notar com quem estava lidando, quem estava servindo, nada disso. Eu estava em modo automático, torcendo para hora passar rápido. Amanhã é meio de semana, um dia a menos para ver meu Punk. Quer dizer, Punk, só Punk.


XxXx.

Acordei bem disposto, com uma ideia na cabeça que eu sabia que poderia não dar certo, mas mesmo assim fiz o que meu coração mandava. Liguei para Itachi.

Fala aí, Naruto.– Atendeu, como sempre simpático.

– Oi, bom dia. Queria falar sobre a música com você. — Fui logo ao ponto. Nunca gostei de enrolações.

Pois fale.

– Eu quero trabalhar com covers. Mas não só com covers, também quero ter minhas músicas originais. Tipo Boyce Avenue, sabe? É uma proposta interessante, cantar os sucessos que eu e tantas outras pessoas gostam, só que com a minha voz, o meu timbre, a minha interpretação! É algo interessante, não acha?

Itachi ficou em silêncio. Já estava quase desistindo, falando que era uma brincadeira e voltando atrás nessa baboseira toda quando ele respondeu.

Sim, é interessante... Eu acho que pode funcionar... Teríamos mais tempo para trabalhar com você. Poderíamos fazer a prova de fogo, botar você numa sala com pessoas, e depois, se você obtivesse êxito, teríamos um tempo indefinido de laboratório, só postando vídeos de covers e vendo o que os outros acham... Na verdade, isso é genial!– Sorri bobo. Graças a Deus, ele gostou! Ele gostou, ele gostou, ele gostou! Que alívio. — Seu prazo continua o mesmo, escolha a música que quiser.

– Obrigado, Itachi! Mesmo! — Fechei os olhos, rodopiando mentalmente.

De nada, Naruto.– Ele riu. — Eu falei que o insight¹ viria, mesmo que não necessariamente com uma música, nesse caso.

– Tem razão, você disse. — Eu estava bobo da cara, morto de felicidade. Poderia interpretar meus cantores favoritos, só seria mais complicado para lançar um CD, mas isso veríamos com calma. — Obrigado mesmo, desculpe por atrapalhar seu trabalho.

Não é nada. — Itachi bufou. — Quer almoçar comigo hoje? Conheço um ótimo restaurante.

– Claro, parceiro! Pode me buscar aqui em casa? Te passo o endereço por mensagem.

Sem problemas.– Disse. — Te vejo mais tarde, Naruto.


XxXx


– Isso está uma delícia! Realmente uma ótima escolha de restaurante. — Iniciei uma conversa com Itachi, que estava sentado do outro lado da mesa e assim como eu, comia uma macarronada. Sim, ele me levou a um restaurante italiano.

– Realmente. — Riu. — E então, soube que alguém aqui teve uma conversa com o meu irmão mais novo.

Oh, claro, Itachi nunca dava ponto sem nó. Um almoço com o pretexto de arrancar algo de mim, já que provavelmente Sasuke não havia contado-lhe nada mais que “Naruto veio aqui em casa conversar”. Não fiquei chateado, afinal, ele estava pagando!

– Sim. — Corei. — Eu liguei para ele depois de te mandar aquela mensagem, pedi para que viesse ao Nove Ases, mas ele não quis, disse que estava cansado e falou para eu ir em sua casa.

Itachi praticamente quicava na cadeira. Tsc, fofoqueiro de marca maior.

Dei mais algumas garfadas em minha macarronada antes de continuar. Se Itachi queria tanto assim saber o que aconteceu, é bom que ele me pagasse uma pizza depois.

– Então, nós conversamos... Ele me falou sobre Punk. — Olhei em seus olhos. — Toda a verdade. E bem, eu quase insinuei que Punk era mais legal que ele, o que o fez ficar um pouco surpreso e acho que até um pouco chateado, porque toda hora ele insiste com esse assunto. — Podia ver Itachi fazendo um sinal de negação com a cabeça, como se não acreditasse que seu irmãozinho tivesse feito isso. — E depois ele me contou que Punk está a fim de mim.

– Oh meu Deus! — Itachi sorria tão largo quanto o coringa, algo que achei particularmente assustador, e rezei para que ele nunca fizesse de novo. — Eu bem que desconfiava. Punk nunca se interessou por nada que não fosse Alexz.

Corei mais ainda. Quer dizer que ele gostava de mim de verdade?

– Desde quando Punk está com Sasuke? — Disfarcei a pergunta bebendo um pouco de refrigerante, parecendo estar quase alheio a importância do assunto.

– Desde que ele tem treze anos. — Itachi respondeu. — E então, o que vai fazer sobre isso?

– Não sei. Talvez chamar Punk para assistir um filme lá em casa no sábado, depois que o expediente no Nove Ases acabasse. — Ponderei sobre.

– Ah claro, e ele vai na melhor das intenções assistir um filme na sua casa, de madrugada. — Itachi estava zombando de mim?! É claro que ele iria, se realmente gostasse de mim.

– Sim, ué. Se ele gosta de mim de verdade, deve saber que não sou tão fácil. — Dei de ombros. Não entendo porque Itachi fazia mau juízo de Punk. Tirando o apelido horrível, eu o tinha como uma boa pessoa.

Itachi bufou, revirando os olhos.

– É claro, se você quer assim...

– E por fim, eu dormi na casa de Sasuke, porque estava muito cansado para dirigir. — Voltei ao assunto original, fazendo Itachi arregalar os olhos e quase cuspir o refrigerante.

– Você dormiu na casa do Sasuke? Você e ele sobre o mesmo teto?

– É. E ele fez café da manhã para mim no dia seguinte.

E então Itachi riu. Na verdade, gargalhou.

E isso é fodidamente bizarro.

– Ah, isso vai ser tão divertido... — O espírito sádico de Itachi brilhava em seus olhos. Pelo visto, ele previa desastre. — Vamos, te levo até o Nove Ases, Helena de Troia.

Helena de Troia?


XxXx

O Nove Ases abriu as portas, e mais ou menos umas cinquenta pessoas entraram. Esse era o ritmo: conforme a semana passasse, mais pessoas apareceriam. Sexta e sábado eram definitivamente os dias de maior movimento, e domingo, na paz do Senhor, nós não abríamos.

Joguei o copo para o alto, o fazendo dar três giros no ar antes de cair em minha mão, para divertir uma cliente que havia pedido uma caipirinha de morango. Caprichei na vodka, afinal, quanto mais bêbados, mais pedem, mas disfarcei com um suco de morango forte. Entreguei para a garota e marquei em sua comanda.

Ouvi uma música estranha começando, e olhei para o palco, onde vi a garota que deu a bandeirada no início do raxa entre mim e Hinata. Eu não sabia o que ela estava fazendo aqui, mas agradeci por sua roupa ser um pouco – leia-se: BEM POUCO – mais descente que a de outro dia.

A música eu conhecia, era da Beyoncé, só me surpreendi mesmo quando a garota começou a dançar.

Seu vestido vermelho e curto subia conforme ela dançava, e logo algumas dançarinas da casa foram para trás dela, servindo de apoio para a dança. Eu estava chocado. Onde o dono desse lugar estava com a cabeça? A música não fugia do estilo do lugar, afinal, era R&B, mas aquilo era obviamente uma dança provocante e, pelo que eu sei, não trabalho em um bar de strippers.

Estiquei minha cabeça para ver como os clientes do lugar estavam reagindo, mas um em especial me chamou atenção. Branco, alto, de porte atlético, porém enfiado dentro de um terno. Um homem de cabelos castanhos até a cintura e olhos perolados. Idênticos aos de Hinata. Ele sorria minimamente, um sorriso satisfeito, aprovando a atração do palco.

Grunhi irritado.

As garotas continuaram a dançar e eu optei por ignorar, apenas continuando meu trabalho.

O número logo acabou, dando retorno ao normal do Nove Ases, me deixando um pouco tranquilo. Vi a garota do raxa descer do palco e correr direto para o cara de olhos perolados, sentando-se em seu colo. Ele passou o braço pela cintura da garota, pousando a mão na coxa dela e apertando com vontade. Oh, estava explicado. Cara rico, muito, muito rico, pagou ao dono do lugar e ele deixou sua... Hum... Cabritinha – sim, não consegui achar uma palavra melhor – dançar num lugar de respeito. Ela deveria ter o mesmo sonho que eu: ser famosa. Mas ela estava fazendo isso da maneira errada... Ou não.

Eu faria melhor do que aquela garota no palco, eu mostraria talento de verdade. E mesmo que fizesse uma dança suja como ela, também seria melhor. Tenho certeza que Punk também acharia.

Ri com meu pensamento babaca e voltei ao trabalho. Realmente, o dia está mais longo do que eu esperava.

Notas finais
¹ - insight é definido na língua inglesa como "a capacidade de entender verdades escondidas etc., especialmente de caráter ou situação" portando um sentido igual a "discernimento" ou "a capacidade para discernir a verdadeira natureza de uma situação", o ato ou o resultado de alcançar a íntima ou oculta natureza das coisas ou de perceber de uma maneira intuitiva. E aí? Gostaram do capítulo? Eu sei, foi meio chato, mas tem que ter alguns assim, para explicar a passagem de tempo, os sentimentos e pensamentos... E o próximo promete, hein? Hahaha. Deixem comentários!