Blurred lines.
8 Que a guerra comece.
Notas iniciais
Punk.
– Vai fazer isso mesmo, chefe? — Deidara perguntou, enquanto destrancava a porta do apartamento de Naruto.
– Claro que vou fazer. Não faria se não soubesse que ele não quer. — Falei ríspido. — Só não entendo o que isso tem a ver com você.
– Ok, chefe. — Deidara se levantou. — Está aberta. O que eu digo para Karin mesmo? O senhor sabe que ela...
– Não diga nada. Não devo satisfações a ninguém, muito menos a ela. — Abri a porta de Naruto sem fazer ruídos. — Agora, rala.
E assim Deidara fez.
O apartamento de Naruto não era tão pequeno quanto eu imaginei que fosse. Definiria como confortável. Um único sofá verde-musgo ficava na sala, que não era separada da cozinha. A televisão- que ficava em cima de um raque¹– não era grande, mas também não era pequena, e na sala até tinha uma mesinha de madeira e vidro. Um abajour do lado do sofá, em um criado-mudo onde ficavam alguns livros. Na cozinha um armário de madeira, uma geladeira e um fogão pequenos, perto de uma pia e uma mesa média. E o pior: a casa inteira cheirava a Naruto.
Tirei meus coturnos, os deixando num canto. Andei pela casa em silêncio, até que me deparei com duas portas. Presumi que uma fosse o banheiro e a outra fosse o quarto de Naruto. Um corredor ao lado levava até a área.
Abri a porta da direita com a mão leve, no intuito de não fazer barulho, e dei sorte em ser o quarto de Naruto.
Ele dormia totalmente descoberto, só de cueca, e em toda sua casa, sua cama era a única coisa bagunçada. Seu cobertor estava enrolado, metade caído para fora da cama. Naruto dormia completamente esparramado, de bruços, com uma perna dobrada na cama, enquanto a outra ficava esticada. Sorri com a visão e tirei minha jaqueta, deixando-a deslizar em meus braços e cair no chão fazendo um mínimo ruído. Minha blusa foi logo em seguida, junto com minhas meias. A cama de Naruto era de casal, e eu me senti feliz por isso. Engatinhei sobre o colchão, tentando não mexer muito a cama para que o louro não acordasse, e funcionou. Deitei-me ao seu lado, o abraçando e afundando meu nariz em sua nuca. Eram aproximadamente nove horas da manhã.
Naruto se mexeu um pouco na cama, ficando com as costas coladas em meu peito, e eu me aproveitei para abraçá-lo de um jeito mais confortável, continuando a sentir seu cheiro assim, tão de perto. Um vento gelado entrou pela janela, fazendo Naruto se encolher, e então notar minha presença, acordando aos poucos. Ele virou-se para mim, ainda de olhos fechados, e nada me fez mais feliz do que ver o sorriso em seu rosto quando ele finalmente abriu os olhos e percebeu que eu estava com ele.
– Ei... O que está fazendo aqui? — Disse, se aconchegando em meus braços. Eu achei que ele faria um escândalo, que me daria um esporro por ter invadido sua casa e deitado em sua cama enquanto ele estava só de cueca e totalmente vulnerável.
– Achei que era um jeito legal de te dar bom dia, já que hoje não poderemos sair juntos. — Beijei sua testa.
– Está mesmo aqui, não está? — Perguntou, me deixando confuso.
– Claro que estou, benzinho.
– Fico feliz. — Naruto ergueu a cabeça, antes de descansá-la em meu peito.
– Eu também. Posso ficar aqui por mais uma hora, eu acho. — Comentei enquanto fazia cafuné nele. Se eu soubesse que ele ficava tão manhoso de manhã, o visitaria sempre que possível. Ok que não foi bem uma visita, mas se ele não liga, por que eu me importaria? A perna direita de Naruto subiu, praticamente encochando-me, mas eu não pude ver malícia naquele ato, e realmente não havia. — Dormiu bem?
– Sim. E acordei melhor ainda. — Sorriu fraco, me dando um beijo no peito. Eu definitivamente o visitaria de manhã, sempre que possível. — Como entrou aqui?
– Tive uma ajudinha, paixão.
E então Naruto subiu em mim, deitando-se como uma criança. A pena, ou não, era que Naruto era duas vezes o tamanho de uma criança, o que me deixava com ideias nada puritanas na cabeça, mas eu jamais estragaria esse momento. Nunca.
Continuei fazendo cafuné nele, e desci uma de minhas mãos até suas costas, fazendo carinho ali e o escutando ronronar.
– Por que sempre me chama desses apelidos carinhosos?
– Não sei, para dizer a verdade. — Beijei sua cabeça, sentindo o cheiro dos cabelos de Naruto. Oh Deus, eu estou tão ferrado.
Naruto e eu continuamos a namorar até eu ter que ir embora, e nada poderia ter me deixado mais feliz do que ter visto meu louro hoje.
Naruto.
Fui acordado do melhor jeito que um ser humano pode ser: tendo a visão de Sasuke Uchiha deitado ao meu lado. No começo fiquei surpreso e até meio bravo, porque não tenho ideia de como ele entrou aqui, mas depois pensei em todo o trabalho que ele tem para fazer esse fim de semana e eu o atrapalhei, e mesmo assim ele fez o esforço de vir me ver hoje, por pura birra minha.
Me confortei em seus braços como pude, me sentindo uma criança manhosa, mas isso estava me fazendo feliz. Fala sério, o que é melhor que acordar do lado quem você gosta no seu dia de descanso? Infelizmente ele teve que ir embora, e eu tive que entender.
E aí eu notei que: era domingo, e tirando Sasuke, eu não tinha porra nenhuma para fazer hoje, e fiz o que sempre faço quando não tenho mais o que fazer: liguei pro Itachi.
– Você sabe que são dez horas da manhã e eu vou te matar, não é?– Atendeu a voz sonolenta. — Ao contrário de você, eu gosto de dormir até tarde nos meus dias de folga, animal.
– Nossa, veja só quem acordou de bom humor. — Ri, virando de barriga para baixo na cama. — Seu irmão, ou melhor, Punk, acabou de sair daqui.
– VOCÊS PASSARAM A NOITE JUNTOS?– E aí está o espírito de fofoqueiro do Itachi, já estava sentindo saudades.
– Não, ele deu um jeito de entrar aqui e quando eu acordei ele estava aqui. Eu achei fofo.
– Oh, entendi.– Escutei barulho de alguma coisa, e presumi que Itachi estivesse levantando da cama. — Sabe, eu não quero estragar toda essa sua coisa de “achei o cara da minha vida”, mas tenho que te avisar que o Punk realmente não presta. Ele está interessado em você, isso é um fato, mas, mesmo assim, é sempre bom manter um olho aberto.
– Hum, você já é a segunda pessoa que me diz isso... — Resmunguei, meio bravo. — Vocês todos fazem mau juízo do Punk, ele é legal, atencioso e carinhoso, até.
– Alguém está apaixonado!– Itachi cantarolou e riu. - Estou apenas dizendo, não precisa ficar com raiva. Pode ser que Punk goste mesmo de você, é que eu nunca vi isso antes.
Levantei-me da cama, indo em direção a cozinha para fazer um café.
– Não estou apaixonado, babaca. — Revirei os olhos, apoiando o telefone na mesa da cozinha e deixando no auto falante. — Só estou feliz de ter arranjado alguém, já que minha única namorada agora é sua esposa.
– Ugh, nem me fale. Sakura ultimamente anda tão chata. Acredita que ela quer ter um filho?
– E o que tem demais ela querer ter um filho? — Perguntei enquanto ligava a cafeteira.
– Que eu não quero uma criança! Acho que a única criança que eu consegui gostar foi o Sasuke. E ele era uma criança incrível, fala sério.– Itachi desabafou. — Casar com ela foi uma das piores coisas que eu fiz, Naruto. Eu aproveitei-me de uma pessoa que gostava de mim, simplesmente pelo dinheiro. Até porque, você sabe, Sakura não é uma garota pobre.
– Oh, pode crer que não é... — Confirmei. — Eu não vou te julgar por ter casado com ela visando mais dinheiro, afinal, a maioria dos casamentos até hoje tem um motivo por trás de tudo. Mas tente conversar com ela sobre isso, diga que não está preparado para um filho ainda, sei lá.
– É, até que é uma boa ideia, se eu conseguir que ela me escute em relação a esse assunto.
– Você é um Uchiha, e eu já aprendi que os Uchihas conseguem tudo que querem. — Bufei, soltando um sorriso de lado. — Pelo menos aprendi de um jeito bom.
– Gamadinho.– Escutei Itachi rir, e tive vontade de socá-lo. — Seria muito mais legal se você namorasse o Sasuke.
– Ah claro, namorar o Sasuke estressado, noivo da Hinata e completamente chato. — Fiz careta.
– A cada vez que converso com você acho que tudo ficará mais divertido em breve, Helena de Troia.
– De novo com isso? Mas que chatice! Eu jamais namoraria seu irmão, Hinata me mataria! Ok que o casamento é por dinheiro, e ele me acha uma gracinha, mas...
– ELE TE ACHA UMA GRACINHA?– Itachi gargalhava, logo após me interromper. Se essa conversa fosse pessoalmente, eu nocautearia esse Uchiha maldito. — Retiro meu achismo, eu tenho certeza que tudo será mais divertido. Mal posso esperar!
Peguei minha xícara de café, agora pronto, e levei aos lábios, sorvendo um pouco, antes de murmurar:
– Às vezes você me assusta.
– Faz parte de ser eu.
Meu celular vibrou e eu avisei a Itachi que ia desligar, e que talvez eu ligasse de novo mais tarde.
De: Sasuke
Para: Naruto
[Já estou com saudades]
Sorri abobalhado. Talvez isso fosse só Punk numa estratégia para me ganhar mais rápido, ou talvez ele estivesse mesmo com saudades, afinal, eu já estava.
De: Naruto
Para: Sasuke
[Também, mas agora só daqui a seis dias ):]
De: Sasuke
Para: Naruto
[Nem me lembre disso. Eu não quero você perto de Sasuke nesses seis dias.]
De: Naruto
Para: Sasuke
[Hm, alguém aqui está ciumento. Não se preocupe, Sasuke e eu somos só amigos, ou colegas]
De: Sasuke
Para: Naruto.
[Tenho meus motivos para estar enciumado]
De: Naruto
Para: Sasuke
[Pode me dizer que motivos são esses?]
E ele não respondeu mais.
Fala sério! Que babaquice. Sasuke e eu nem nos falamos direito, até alguns dias atrás ele parecia que ia arrancar minha cabeça. E além do mais, de onde Punk tirou direitos de sentir ciúmes? Tivemos UM encontro, e ele já está assim, tsc... Nunca gostei de ciúmes, muito menos de cobranças. Apesar de ter certeza de que eu e Sasuke mal nos falaríamos durante a semana, como de costume, eu não abriria mão da companhia dele. Só de raiva.
XxXx
Esperei ansioso todas as horas que se passaram até o domingo virar segunda-feira, e lá estava eu na Uchiha Enterprises – Matriz, mas ao invés de ir a sala de Itachi, fui para o outro lado, procurando a sala de quem o Punk não queria que eu batesse os olhos durante a semana. Já que ele pode ver tudo que Sasuke vê, irei me divertir um pouco com seu ciúme.
– O que faz aqui? — Perguntou Sasuke assim que eu entrei na sala. — Não estou interessado nas suas aventuras sexuais com o Punk.
– Como é? — Ergui uma sobrancelha. — Vim aqui apenas te visitar, e eu não sou fácil como pensa, ok? Não aconteceu nada.
– Não? — Ele parecia surpreso. — Sente-se.
Sentei-me em uma das duas cadeiras em frente a sua mesa, e percebi que Sasuke era definitivamente organizado demais, chegava a irritar. Os papeis que estavam em sua mesa estavam organizados em caixas, cada uma com uma cor diferente. O computador de Sasuke estava desligado, e ele digitava apenas em seu notebook branco, sem nenhum arranhão. Sua sala era o tipo de ambiente que dá vontade de ficar louco e sair quebrando tudo, só para ver um pouquinho de bagunça que fosse.
– Espero não estar atrapalhando. — Soltei de repente. Não queria que ficasse aquele silêncio incômodo. — Você realmente não se lembra de nada do que Punk e eu fizemos esse fim de semana?
– Não, e não sei se gostaria de lembrar. — Sasuke concentrava-se em seu trabalho, mas eu podia sentir que ele estava me dando uma brecha para conversar, simplesmente pelo tédio ou não.
– Já disse que não fizemos nada demais! Fomos ao parque de diversões, ele me deu um bichinho de pelúcia, depois fomos a roda gigante e trocamos nosso primeiro beijo, e aí ele me levou em casa! — Sorri ao lembrar. — E ontem ele me visitou de manhã.
– Ele te deu um bichinho de pelúcia? — Sasuke perguntou incredulamente. — Não pode ser!
– Sim, uma raposa de pelúcia. — Mordi o lábio inferior, e vi Sasuke prender a respiração. — Sabe, eu poderia te apresentar um amigo, ele é psicólogo e podia te ajudar com essa questão de ver o que Punk vê.
– Mesmo? Não tenho certeza se quero isso. Como para Punk eu sou transparente, algumas decisões dele me afetam, assim como emoções e etc. Mas o estilo de vida dele é completamente diferente do meu, imagina se no meio de um raxa eu bagunço as emoções dele e ele perde toda aquela coragem? Iríamos morrer!
– Eu não tinha pensado por esse lado... — Suspirei, pensando em como deixaria Punk com ciúmes, apesar de ter certeza que só de ter vindo aqui ele já se encontrava puto da vida. — Quer almoçar comigo hoje?
– Ok, fala sério, o que você realmente quer? — Sasuke fechou seu notebook e me olhou sério. Nesse momento senti como se ele soubesse o verdadeiro motivo de eu estar aqui, e talvez soubesse mesmo.
– Já que estou saindo com a sua outra personalidade, nada mais justo do que conhecer a original, não acha? Só queria ser seu amigo. — Se existe uma pessoa mais suja que eu no mundo, atire a primeira pedra, porque me sinto incrivelmente poderoso por ter feito o olhar de Sasuke suavizar, assim que soltei essa mentirinha inocente.
– Oh. Nesse caso, onde quer almoçar?
– Estava pensando em almoçarmos naquela pizzaria que inaugurou no shopping center, que tal? — Sugeri, sorrindo amarelo. Punk deveria estar se corroendo agora.
– Acho ótima ideia. — Sasuke sorriu. OH MEU DEUS, SASUKE, O MAU HUMORADO, SORRIU.
Ok, tenho que explicar para vocês a diferença entre o sorriso do Sasuke-Punk e do Sasuke. Mesmo quando o Punk sorri de verdade, há alguma coisa que não foge do sarcasmo e da prepotência, mesmo no sorriso mais sincero, eles ainda estão presentes, o que me deixa um pouco inseguro. Mas, nossa, quando o Sasuke sorriu... Era algo realmente puro, entendem? Meu coração chegou a falhar uma batida quando vi suas feições tão calmas, tão relaxas e contentes. Ele queria mesmo almoçar comigo?
– Podemos ir agora, ou está muito ocupado? — Questionei, tentando não me esquecer de que eu deveria estar no Nove Ases até às 18h.
– Claro que podemos ir. — Sasuke leu alguma coisa em um papel, antes de pegar o telefone que ficava em cima da mesa e por no ouvido. — Oi, avise a Itachi que estou tirando minha hora de almoço agora e que ele vai ficar sozinho. Obrigado.
Então ele sabia ser educado? Sasuke estava me surpreendendo, devo admitir.
Fomos em seu carro até o shopping, e isso foi mais uma coisa que prendeu minha atenção. Ao contrário de Punk, Sasuke dirigia um carro, mas não um carro qualquer. Era um Masserati Spider preto, que me fez quase chorar de emoção quando vi. Os vidros eram blindados, como ele me explicou, e os bancos eram de couro branco autentico. O carro cheirava a Sasuke, o que era a mesma coisa que cheirar a Punk, e isso me deixou um pouco balançado.
– Ainda não acredito que você dirige um carro desses. — Comentei, sentado no banco do passageiro.
– É a cara do Punk, não é? — Sasuke alisou o banco de couro sob si. — Eu gosto do carro, principalmente por ele ser preto. É discreto, mas não perde a classe do modelo; é possante, me faz sentir no controle, ao mesmo tempo que eu sei que se descansar o pé no acelerador é capaz de eu não viver para contar como é a sensação.
Era magnífico ver a posse com que Sasuke falava de seu carro. Definitivamente maravilhoso. O seu corpo, seus olhos, tudo demonstrava que ele realmente se sentia do jeito que falava. E algo me dava a certeza que ele era louco para afundar o pé no acelerador, acho que isso era algo que ele e Punk tinham em comum: amor pela velocidade.
Talvez eu devesse mudar minha opinião de Sasuke. Ele não era tudo que Punk poderia ser, na verdade, era tudo que Punk jamais conseguiria ser, e vice-versa.
Chegamos ao shopping antes que eu pudesse perceber, e logo estávamos na dita cuja pizzaria. Pedimos uma pizza metade calabresa metade portuguesa.
– E então, hm, você e Punk, né... — Sasuke tentou puxar o assunto, apesar de demonstrar ser péssimo nisso. — Como ele é com você?
Pensei um pouco antes de responder.
– Ele é doce, carinhoso, mas do jeito dele todo turrão e másculo. Só tivemos um encontro, mas sei que ele gosta de me agradar. E ele até tem ciúmes de você! — Deixei escapar, dando uma risadinha logo depois.
– Ciúmes de mim? O Punk? Essa é boa! — Sasuke também riu enquanto comia sua parte da pizza. — Punk é um ser humano livre desses problemas, quase chego a acreditar que ele não tem nenhum sentimento. Ou tem, se tesão puder ser considerado.
Revirei os olhos descrente. Todos pensavam tão mal de Punk! Ele não era esse monstro de sete cabeças que todos falam. Longe disso... Ele era tão gentil, tão... Meu.
– Ele tem, ele demonstrou que tem ciúmes de você. E eu nem sei o porque, já que por iniciativa minha estamos começando a ser amigos.
– Punk jamais faria algo sem fundações, Naruto. Por isso reluto tanto em te aceitar perto. — Sasuke suspirou, desistindo de comer e apoiando os cotovelos na mesa, num claro gesto de falta de educação.
– O que quer dizer com isso? — Questionei. Odiava quando Itachi me fazia mistérios, então imagine Sasuke.
– Não quero dizer nada que já não tenha dito. — Olhou em meus olhos e eu senti um arrepio passar por meu corpo. Não entendo, simplesmente não entendo. — Embora eu queira fingir que não, eu sei como isso vai acabar, tenho medo... — Ainda olhando em seus olhos eu pude ver um brilho estranho, quase inexistente, mas que eu sabia o que significava: desespero. — Eu não vou mais te afastar. Seja meu amigo.
Temia que Punk estivesse fazendo algo com o psicológico de Sasuke, então apenas procurei sua mão em cima da mesa e acariciei com a palma da minha.
– Você nem ao menos precisava pedir.
Itachi.
Tinha acabado de escutar Sasuke falar horas e mais horas comigo, e agora sorria divertido.
Estava em minha sala, com os pés em cima da mesa e a porta trancada. A minha frente estava Sakura, minha esposa, que me encarava com reprovação no olhar, mas eu nem ao menos conseguia ligar. Aos fracos o inferno! Meu sadismo estava me fazendo de gato e sapato agora, fazendo-me queimar em alegria. Em alguns dias eu teria praticamente uma tragédia grega para assistir.
– Pare de sorrir feito um maníaco, querido. — Sakura se manifestou, após algum tempo.
– Não consigo, você sabe que eu não consigo. — Suspirei contente. — Você sabe o que vai acontecer, está tão na cara que eles nem ao menos percebem! Eu amo o fato de meu irmãozinho tolo ter duas personalidades. Torna minha vida tão mais divertida.
– Não é porque você acha que Sasuke vai se apaixonar por Naruto que isso vai acontecer. Naruto gosta de Punk, Itachi. — Minha esposa tentou botar um pouco de luz em minha cabeça, mas eu ainda preferia a minha convicção. — E se acontecer isso não vai acabar bem.
– Essa é a graça, mulher! Naruto é quase uma Helena de Troia. Eu realmente quero ver quem ele vai escolher.
– Eu aposto em Punk. — Ela sorriu, entrando no meu jogo.
– E eu aposto em Sasuke. — Tirei meus pés da mesa, para inclinar-me e apertar sua mão. — Que vença o mais apaixonado.
– Ou o mais louco... — Sakura cantarolou enquanto virava-se para ir embora.
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