Blurred lines.

9 Contra ataque: Dia de folga.


Notas iniciais
WAZUP GALERE! Cheguei com mais um capítulo, e antes de tudo gostaria de dar um recado: eu posto essa fanfic toda santa quinta-feira, e acho que uma semana é um tempo razoável de espera. Eu não vou postar mais de um capítulo na mesma semana porque não considero vantajoso para mim e nem para vocês, já que um pouco de expectativa é sempre bom, não é? E os meus capítulos SEMPRE terão em torno de 2.300 - 6.000 palavras, depende do quão inspirada eu estiver ou de quanto tempo eu estiver dispondo. Então vocês terão que entender. Aliás: esse capítulo vai afetar os feelings de muita gente, porque como eu disse no outro capítulo... A guerra começou! Boa leitura!

[Bang bang – K'naan feat. Adam Levine]

Estava ensaiando no Nove Ases. Sim, meu sonho de subir naquele palco estava sendo realizado, apesar de não ser do jeito que eu imaginei. Pelo visto namorar um “mafioso” que conhece seu chefe é uma boa coisa, já que assim que eu cheguei o diretor artístico do Bar disse que o palco era meu por quando tempo eu quisesse, antes que o Nove Ases abrisse as portas.

Kiba e Gaara, em toda a bondade de seus corações, faziam meus coristas e dançarinos de fundo, ensaiando comigo uma coreografia pensada de última hora, que só consistia em deslizar pelo palco e mover os braços. Ainda assim, eu estava contente. Estaria mais ainda se o Bar estivesse cheio de pessoas dançando ao som da minha voz.

Eu já estava suado, e minha garganta até ardia um pouco pelo fato de eu cantar em plenos pulmões, do jeito que nunca tinha feito antes, até porque eu só cantava para mim até outro dia. E ainda assim me divertia, pelo canto dos olhos via que Gaara e Kiba também. Acho que é a primeira vez deles num palco, assim como é a minha.

Quando a música acabou, eu estava eufórico. Agarrei o suporte do microfone, arfando um bocado. Fala sério, a sensação é incrível, melhor que isso acho que só beijar Sasuke mesmo.

– Isso foi show! — Kiba gritou. — Mesmo! Eu não imaginava que você cantava isso tudo, Naruto.

– Obrigado, cara. — Ri. — Mas ei, você e Gaara ao fundo, hein? Acho que vou pedir pra incluir vocês no meu contrato.

Gaara estreitou os olhos.

– Não me dê esperanças, idiota. — Tentou parecer bravo, mas eu podia ver o projeto de sorriso brotando no canto de seus lábios.

Gaara, em muitos aspectos, me lembrava Sasuke, ambas as personalidades de Sasuke, só para constar. Era sério demais, o tempo todo, das poucas vezes que vi Gaara sorrir, a única emoção que senti foi medo, muito medo. O sorriso de Gaara era demoníaco, mas acho que grande parte desse aspecto fazia parte da aparência de meu amigo. Ruivo, de sobrancelhas raspadas, com muito lápis preto ao redor dos olhos e uma carranca indecifrável. Estão vendo? Um docinho de pessoa. E ele realmente é, quando quer ser. Simpático, e eu sei que ele tem um carinho por mim, algo como um parente para ele, já que eu não tenho ideia do que aconteceu sua família. Só sei que quando cheguei, Gaara já estava aqui, e me ensinou grande parte do que é trabalhar no Nove Ases.

– Adoro te dar esperanças. — Cantarolei, antes de pegar o copo d' água que eu tinha deixado na beirada do palco. — Faz você parecer uma criancinha. O pequeno Gaara.

– Ora, seu...! — Gaara ia avançar até mim, mas Kiba o segurou, rindo. — Não pense que só porque está de namoradinho pode me zoar. Sou dez vezes mais macho que seu namorado.

– Opa, quem te contou que eu estou namorando? — Ergui uma sobrancelha.

– E precisa? Um cara chega aqui perguntando por Naruto Uzumaki, eu digo que vou chamá-lo e ele diz que não, que quer te fazer uma surpresa. Depois fica te olhando como um maníaco sexual, e te sequestra. — Kiba ironizou. — Você virou a fofoca do Bar, Narutinho.

Passei as mãos pelo rosto. Punk foi tão indiscreto! Meu deus. Não que eu tenha algo com saberem que eu sou bi, e que eu tenho um namorado, mas sei lá, vai que isso pega mal para ele? Não quero prejudicá-lo. Quando o final de semana chegasse, conversaríamos sobre isso.

Agradeci a meus colegas e desci do palco, decidindo voltar para casa para tomar um banho e retornar ao Bar. Ah, os benefícios de ter uma moto.

Ao chegar em casa, enquanto tirava as roupas suadas, vi que meu celular tinha uma ligação perdida de Sasuke, e um recado de voz. Liguei o auto falante e levei o aparelho para o banheiro.

– Hm, Naruto, seu irresponsável. Sou eu, Sasuke. Queria agradecer pelo almoço, e... Sei lá, se quiser fazer alguma coisa ainda essa semana me manda uma mensagem, me liga, me manda um pombo correio... — A voz de Sasuke foi abaixando aos poucos, mas pude ouvir um resmungo no fundo: — Merda! O que eu tô fazendo? — Ri baixinho. — Então, é isso. Tchau.

Sasuke estava levando a sério esse lance de sermos amigos, o que me faz muito feliz, então obvio que eu ia querer fazer algo com ele essa semana. Pensar nisso me dava frio na barriga. “Essa semana” era tão... específico. Era a regra que eu tinha que me acostumar: jamais poderia sair com meu amigo Sasuke aos fins de semana, assim como não poderia matar a saudade de meu namorado nos dias de semana.

Ok, eu sei que estou falando muito “meu namorado” quando menciono Punk, mas é que... Eu já gostava dele, mesmo que não quisesse me admitir. Não sei se apaixonado era a palavra certa, até poderia ser, já que eu estava renegando meus próprios sentimentos. Para mim, ele é sim meu namorado, só não sei para ele. E agora tenho medo, medo de me referir a ele como meu namorado quando estiver em sua frente e isso desagradá-lo. Se bem que considerando o quanto ele é apressadinho, acho que não se importaria que eu o chamasse de namorado. Mas, num relacionamento sério ou não, eu deixaria que a iniciativa de pedir fosse dele.

Quando saí do banho mandei uma mensagem para Sasuke, sorrindo ao lembrar que, mesmo que aos poucos, eu estava conquistando a confiança dele.

De: Naruto.
Para: Sasuke.

[Ei, desculpe por não atender sua ligação, eu estava ocupado.
E é claro que eu quero fazer algo essa semana. Adoraria, para dizer a verdade]

De: Sasuke.
Para: Naruto.

[Ótimo. Depois me ligue para combinar o que quer fazer]


Sasuke.


Eu sei que é errado. Eu tenho certeza que é errado.

Mas isso não me faz gostar menos de Naruto.

Foi desde a primeira vez que o vi, e senti meu coração pular uma batida, porque Punk, no meu íntimo, havia achado Naruto a coisa mais bonita em que ele já pôs os olhos, depois de Alexz e si mesmo. Ainda assim, tentei relutar. Encontrei com Naruto o mínimo de vezes possível, mesmo sentindo o incômodo das emoções (leia-se interesse) de Punk, o que me causou certa curiosidade. E me fez recorrer ao meu mais nojento impulso: deixar Punk agir. E ele agiu, agarrou Naruto, e não sei porque me sinto infeliz de saber que agora Naruto e minha segunda personalidade namoravam.

Tá, quem eu quero enganar? Eu sei o porquê. Estou com inveja.

Não, eu nunca fui mimado o suficiente para ter tudo que eu quero na hora que quero. A única pessoa que me mimou na vida foi Itachi, e ele parou de fazer isso quando eu tinha uns treze anos. Não me sinto preparado para isso. A única pessoa que já amei na vida foi meu irmão, e mesmo assim, não no sentido romântico; a única pessoa com quem soube demonstrar sentimentos simplesmente mudou comigo quando atingi a puberdade, e não, eu não tenho um trauma. Não estou, em nenhuma possibilidade, preparado para isso. E tenho medo, já que Punk sabe de tudo que se passa em minha cabeça e meu coração, sei que ele está puto a essa altura do campeonato, mas não posso me parar, não agora que Naruto foi atrás de mim, e está interessado em uma amizade. Há uma pequena chance para conquistá-lo.

Punk, uma hora ou outra, vai magoar Naruto. Tenho certeza disso. Não quero Naruto machucado, não quero que ele sofra... Mas ao mesmo tempo, em meu íntimo, rezo para que Punk o magoe, para que eu possa confortá-lo.


– Você não sabe como isso está sendo para mim... — Desabafei com Itachi na videoconferência.

– Realmente não sei, mas não é difícil de imaginar. Mas eu sabia que isso aconteceria, Sasuke. — Meu irmão mordia a tampa de uma caneta.

Apoiei minha cabeça nas mãos, suspirando. Eu não estava apaixonado por Naruto, porra! Eu só gosto dele. É difícil de entender? E gosto em grande parte só porque Punk gosta, mas eu não estou disposto a me declarar ou coisa do tipo.

– O que você vai fazer sobre isso? — Pensei antes de responder.

– Não sei. Acho que só vou deixar rolar, gosto de ter Naruto como amigo, e logo mais ele estará aqui, não é? Vocês têm isso da música... Acredita que Punk já escutou Naruto cantando?! Eu só acho que Punk e ele não fazem o tipo um do outro. Sasuke uma hora vai machucá-lo.

– E aí você será o ombro para Naruto chorar? Boa estratégia, irmãozinho. — Recebi o elogio de bom grado, apesar de não me orgulhar muito disso. — Você também pode escutar Naruto cantar, pode conversar com ele... Basta não ser esse preguiçoso que costuma ser. Pare de “amanhã vou trabalhar, tenho que dormir antes de meia noite!”. Você quer se por no páreo para conquistar Naruto, não é? Então, esqueça disso tudo. Busque-o no trabalho, o chame para jantares, convide para um cinema, não sei! — Itachi jogou os braços para o alto. — Mas que cacete, Sasuke, do que adianta você ser V.P de uma empresa se não pode fazer o que quiser? Você tem uma secretária, uma cacetada de subordinados, tire um dia de folga, isso não vai te matar.

– Mas Itachi...

– Mas Itachi NÃO! — Interrompeu-me. — Quando foi a última vez que você tirou um dia de folga sem ser quando Punk toma conta? Hein? Chega, foda-se nessa merda. Levanta daí, Sasuke!

– O QUE? — Itachi enlouqueceu?

– Levanta. Levanta daí! Ou eu vou te buscar! — Continuei sentado, vendo meu irmão se alterar do outro lado da tela. Então ele empurrou a cadeira para trás e levantou-se, em menos de cinco minutos já estava na minha sala. — Eu avisei para você levantar.

E aí eu o fiz, mas só porque não estava reconhecendo meu irmão.

– Beleza, são nove horas da manhã. Você vai para casa tomar um banho, vestir algo confortável e vai ligar para Naruto, de preferência marcar algo para vocês fazerem ainda hoje. Eu cuido de tudo por aqui. — Itachi ergueu o canto dos lábios levemente, em um dos sorrisos que eu mais amava ver em seu rosto.

Sorri também.

– Você não está fazendo isso por mim, não é?

– Absolutamente que não. — Me abraçou. — Eu quero muito ver isso tudo dar errado, mas não significa que te amo menos, irmãozinho. E se quer saber, torço por você nessa história toda.

– Obrigada Itachi. — Respondi, afundando o rosto no peito do meu irmão. — Agora me larga que já deu de afeto pelos próximos cinco anos.


Naruto.

– Ah, Sasuke. — Bocejei. Aproveitei que estava em casa e tirei um cochilo, cheio de preguiça. No momento estava falando com Sasuke no telefone. — Olá.

Oi! É que, bem, você me mandou aquela mensagem e depois de pensar um pouco resolvi tirar um dia de folga para mim. Quer fazer algo? Agora? Nesse exato momento? Filme? Praia? Piquenique?

– Eu bem que gostaria. — Virei de barriga para cima na cama. — Tenho trabalho hoje, esqueceu, senhor Sou-meu-próprio-chefe?

Ah, só isso? Resolvo isso em um minuto. Aguarde. — Escutei Sasuke apertando algumas coisas no telefone, e logo depois o aparelho vibrou, fazendo soar estranho do meu lado da linha. — Falei com o dono do Bar, está liberado.

Sentei-me e olhei a hora no relógio. Não tinha como eu passar o resto do dia deitado? Me sinto tão... Exausto. Acho que estou ficando doente, merda.

– Odeio como você e Punk fazem isso parecer tão fácil. Eu nem ao menos conheço meu chefe! — Resmunguei, totalmente manhoso. — Sasuke, acho que estou ficando doente, será que...

Podemos marcar outro dia? Tudo bem, é que eu queria te ver hoje.– Esses malditos Uchihas que gostam de interromper frases alheias. Infernos!

– Não! Eu ia perguntar se você queria vir para cá ver um filme, babaca. — Corei um pouco pelo convite ousado, mas logo lembrei que quem viria era Sasuke e não Punk. — Sabe, já que se deu um dia de folga poderia passar numa locadora e alugar uns três filmes... Eu tenho pipoca de microondas e um sofá aconchegante.

Sasuke deu uma gargalhada gostosa, que encheu meus ouvidos e até me despertou um sorriso.

Ok, me passa o endereço por mensagem que eu chego aí em meia hora.

– Mas você já veio... — Parei quando me dei conta da merda que iria falar. — Claro, mando sim. Estou te esperando. E nada de filmes de ação! Eu detesto.


XxXx

– Hey. — Soltei assim que vi o rosto de Sasuke pelo olho mágico, mas tive uma surpresa ao abrir a porta.

Sasuke estava de bermudas pretas, com uma blusa igualmente preta, e chinelos. Apesar de continuar com as cores escuras, o que eu percebi que é um hábito da família Uchiha, ele estava simples, diria até que caseiro. E era justamente isso que estava me cativando em proporções romanas. Nunca nada tão natural me pareceu tão bonito. É como se ele dissesse “vou na casa de um amigo, grande foda-se para isso!” e se vestisse. Em seus braços vi um balde de pipoca daqueles estilizados, grandes, nas cores vermelho e branco, além de uma sacola onde eu presumi estarem os dvds.

– Hey. — Retribuiu. — Posso entrar?

– É claro. — Saí da frente da porta e deixei Sasuke passar. Indiquei o sofá para ele, onde o mesmo se sentou sem demora.

Fui para a cozinha levando o pote de pipoca comigo. Abri o armário e peguei um pacote de pipoca de manteiga, pondo-o no microondas e aguardando. Olhei para onde Sasuke estava e vi que o mesmo se esticava como um gato no sofá, o que me fez rir baixo. Ele estava tão à vontade! Isso era tão... bonito. E parecia certo, tão certo como o sol nasceria todas as manhãs, como as estações mudam e como se necessita de oxigênio para viver. Eu só não sabia o porquê de parecer assim. Algo em meu peito parecia queimar, me trazendo uma sensação de felicidade estranha, que eu prefiro tomar como contentamento por ter conseguido domar grande parte da fera de duas cabeças que Sasuke Uchiha é.

Quando o microondas apitou, tirei o pacote de lá com todo cuidado, abrindo-o e pondo o conteúdo no pote que Sasuke carinhosamente trouxe para mim. Abri a geladeira, pegando limonada para mim e para meu amigo, me dirigindo para sala, sentando no chão, deixando o sofá para Sasuke.

Botei o pote de pipoca e meu copo em cima da mesa de centro, entregando o outro copo de limonada para Sasuke, que se sentou para não deixar derramar.

– E então, o que trouxe para nós? — Perguntei, e Sasuke pegou o saco ao seu lado.

– Bom, deixando claro que eu não pretendia trazer filmes de ação, também não gosto. — Deu de ombros, sem jeito. — Então trouxe alguns filmes que não sei se você gosta, procurei variar. -Sasuke trouxe exatamente três dvds: Precisamos falar sobre Kevin, um drama que eu já havia assistido e adorado; Constantine, cujo eu nunca ouvi falar; e Ele não está tão a fim de você, uma comédia romântica. — E então, muito água com açúcar?

– Não. — Sorri. — Na verdade, são perfeitos. Estou meio chato hoje mesmo, acho que estou ficando doente...

– Melhoras. — Sasuke disse. Olhei em seus olhos e seu desejo parecia realmente sincero, o que me fez pensar o porquê de toda sua relutância em ser legal comigo no começo de tudo. — Bom saber que você gosta do mesmo tipo de filmes que eu!

– Podemos começar com Precisamos falar sobre Kevin? Faz tempo que assisti esse filme e realmente estou com saudade. — Pedi. Sasuke riu e me entregou o dvd. Levantei animado e liguei o aparelho de vídeo, inserindo o dvd e ligando a TV. Fechei as cortinas da sala, deixando o cômodo totalmente escuro, e fui para o sofá.

Dei play no filme e peguei o balde de pipoca, pondo em meu colo. Sasuke às vezes pegava o pote, fazendo parecer que a ideia de ter que encostar em algo que estivesse em meu colo fosse desconfortável para si, o que achei bobeira. Depois de um tempo ri sozinho, deixando-o meio confuso, mas ri por lembrar que eu havia brincado com Itachi dizendo que convidaria Punk para ver um filme comigo, e agora estou aqui justo com sua outra personalidade.

Com mais de meia hora de filme, Sasuke se manifestou:

– Sabe o que eu adoro nesse filme? — Ergui uma sobrancelha, esperando pela continuidade da pergunta retórica. — Eva. Ela é maravilhosa! É expressiva como mulher, gosta do que é dela e só erra em deixar o babaca do Franklin mudar algumas de suas escolhas. Ela não se sente bem com a primeira maternidade, e não precisa fingir que não pensa assim. Acho admirável uma pessoa admitir que não tem afinidade com o que era para ser supostamente natural.

Encarei Sasuke.

Deus! Por que não conversei com ele antes?! Sasuke era, por talento nato, inteligente e bom escolhedor de palavras. O que me fascinava um bocado. Também algo que achei particularmente gay foi Sasuke ter essa perceptividade em relação a Eva, que só quem leu o livro sabe notar, e isso me fez questionar se ele leu o livro que guardo ao lado da minha cabeceira. Achei sim que Sasuke pareceu meio gay falando, mas sinceramente, ele está noivo de uma mulher, e se a questão era só se casar por dinheiro, ele poderia ter escolhido qualquer um dos dois sexos, se assim decidisse.

– Ok, por onde você esteve esse tempo todo? — Brinquei. — Também acho, mas logo dá para perceber que é só questão de momentos e de gênios que não se batem. Para mim, desde que nasceu, Kevin foi intenso. Ele não é mau, só é... Demais. Inteligente demais, manipulador demais, estrategista demais! Entende?

– Sim! Definitivamente. Adoro a personalidade dele, e o modo como se desenvolve com o passar dos anos.

– Talvez por questões de afinidade... — Movi-me no sofá e inclinei-me para o lado de Sasuke, apoiando a cabeça em seu ombro. — Acho vocês dois muito parecidos. Ou os três, se contar com Punk. Sarcásticos, bonitos, elegantes, profundos... E como disse antes, intensos.

A pipoca acabou, e Sasuke botou o pote no chão só para eu não ter que tirar a cabeça de seu ombro, o que achei fofo. Seu braço passou por minhas costas, até sua mão encostar em minha lateral. Estávamos numa posição estranha, mas que não me incomodava e não parecia tampouco incomodar Sasuke.

O filme continuou rolando, e acabou perto da hora do almoço, quando me desencostei de Sasuke e me espreguicei, vendo ele fazer o mesmo logo após.

– Então, quer que eu vá para casa? Posso deixar os filmes aqui, para você assistir mais tarde e...

– Sasuke. — Curti o prazer de interromper um Uchiha. — Combinamos uma maratona de filmes, não foi? Então você vai ficar aqui até que terminemos, poxa. Agora levanta, vou cozinhar algo para comermos.

Sasuke ficou de pé, levantando-me junto com ele. Fomos para a cozinha e lá fizemos a maior bagunça do mundo.

A cada segundo eu me surpreendia mais em como Sasuke podia ser tão... Único. Não que ele não fosse mais aquele turrão que eu conheci há algumas semanas, ainda era sim. Mas numa comparação tosca, Sasuke era uma cebola, com várias camadas a serem tiradas. Sinto que eu já estava numa camada boa, tranquila. Ele ainda me lembrava um gato arisco, desconfiado, mas ainda assim era dengoso, e até bastante sensual. De algum jeito me fazia querer ficar do lado dele por horas e horas a fio, porque quanto mais descobria, mais gostava.

De algum modo percebi que Sasuke era muito parecido comigo, e Punk era exatamente meu oposto. Talvez por isso eu gostasse tanto de Punk, e que Sasuke me fascinasse tanto.

– Eu jamais imaginei que você fosse assim. — Confessei, enquanto levava a boca um pouco do frango ao curry que Sasuke e eu fizemos.

– Assim como? — Sasuke perguntou.

– Assim! Fala sério, quem diria que o Sasuke Uchiha, durão toda vida, antipático e ultra profissional estaria sentado no meu sofá com as pernas dobradas que nem as de uma criança, enquanto ria e almoçava comigo? É o tipo de coisa com que se sonha, mas não se vive.

Sasuke corou, e meu mundo pareceu parar por uns instantes. Inconscientemente levei uma de minhas mãos a seu rosto que estava vermelho. Sorri de leve.

– Odeio você por parecer fazer que eu de alguma forma pertenço a isso. — Sasuke não tirou a minha mão de seu rosto, mas me encarava com fervor. — Nunca fui tão próximo de alguém que não fosse meu irmão.

– E se... Você, de alguma forma, pertencer? — Abaixei a mão, e depositei em meu colo, parando de prestar atenção no almoço e me concentrando totalmente em nossa conversa. — Não gosto de guardar nada para mim. Você me faz sentir estranho. É como se você vivesse aqui comigo há anos, que isso tudo fosse mais natural do que realmente é, e que é como um quebra cabeça completo. Entende?

– Gostaria de poder dizer não. — Bufou. — Tenho medo disso.

– Não sei o porquê. — Dei de ombros.

– Não sou acostumado a sentir.


XxXx

Depois do almoço, tomei banho e ofereci meu banheiro para Sasuke, que ligou para seu mordomo (sim, o podre-de-rico tem um mordomo) e pediu para que ele trouxesse duas mudas de roupa extra para que ele escolhesse dentre elas. Enquanto Sasuke estava no banho recebi o mordomo e peguei as peças de roupa, não me surpreendendo em só ver cores escuras.

Assistimos os outros dois filmes, o que nos tomou o resto da tarde, uma pausa para o lanche, e uma grande parte da noite, levando em conta todas as pausas para brincadeiras como vídeo-game, jogo da verdade, jogos de cartas... Quando parei para ver a hora, já se passavam das 20h.

– Puta! Já é tão tarde? — Sasuke levantou-se do sofá. — Acho que vou para casa, Naruto.

Puxei seu braço para que ele voltasse a se sentar.

– Não mesmo, Sasuke! Você já é maior de idade, vacinado, e não tem que dar satisfações a ninguém. Você tem mais uma muda de roupa e vai dormir aqui sim senhor. Pare de graça e não estrague o dia. — Fiz uma careta emburrada, que fez Sasuke rir e cutucar minha bochecha.

– Acho que te estraguei passando o dia todo com você, gripadinho. — Sasuke girou no sofá, deitando a cabeça no meu colo. Pensei no pote de pipoca, e fiquei feliz ao notar que parte de seu acanhamento já passara.

Cuidadosamente brinquei com os cabelos de Sasuke, não tendo lembrado de apreciá-los assim quando beijava Punk e entrelaçava meus dedos neles. Eram macios, cheirosos, sedosos... E a cor era o mais absoluto preto, assim como seus olhos, que não me deixavam o encarar por mais de dez segundos. Afundava meus dedos o máximo que podia em seu couro cabeludo, só para massageá-lo e depois soltar, voltando a brincar com as mechas. Sasuke ronronou sem querer, o que me trouxe um sorriso de satisfação ao rosto.

– Acho que em toda a minha carreira de estresse tudo o que eu precisava era seu cafuné. — Sasuke comentou de repente. Continuei meu trabalho fazendo cafuné, deixando a televisão em algum programa chato que passava durante a semana.

Conversamos mais, quase chegamos a trocar confidencias, o quem me fez muito, mas muito... Sei lá! Só sei que foi assim.

Quando o relógio chegava perto de meia noite, lembrei à Sasuke que ele tinha que trabalhar amanhã. E nesse momento, vi a coisa mais encantadora do mundo: Sasuke fazendo birra.

– Mas Naruto... Eu sou vice presidente, eu posso ficar em casa amanhã... Por favor, vamos ficar mais um pouco aqui no sofá, hein? — Ele pedia, fazendo um biquinho emburrado. Jamais achei que viveria para ver isso.

– Nada disso, Sasuke! É exatamente por ser vice presidente que você não pode se dar esses luxos. Você é chefe de uma multi nacional, um homem de negócios importantíssimo e tem que honrar com seus compromissos. — Eu tentava puxá-lo, mas o maldito agarrou-se ao meu sofá. — Vamos, minha cama está arrumada para você dormir!

E com essa frase, ele sentou com a postura tão ereta que mais parecia um poste.

– Não mesmo! Você dorme no seu quarto, eu durmo no sofá. — Protestou.

– Para de graça! Você é minha visita, e visita minha não tem que acordar com dor na coluna por dormir nesse sofá bagaceiro. Anda, Sasuke. Para de manha!

– Você não vai dormir nesse sofá, Naruto Uzumaki! — Ficou de pé, intimidando-me com nossa diferença de altura.

– Então vamos dormir os dois na cama! — Gritei.

E assim, dormi minha primeira noite com Sasuke ao meu lado. Antes eu soubesse que isso me traria problemas, dos sérios.

Notas finais
E aí? Gostaram?