Blurred lines.

15 Primeiro. De novo.


Notas iniciais
E aí, seus lindinhos? Estou de volta! Adorei a quantidade de leitores novos no capítulo anterior, mas e os antigos? Cadê vocês? Apareçam! Não tenho muito o que dizer, nem o que explicar, mas tenho uma boa notícia: já tenho dois projetos de fanfic para quando Blurred Lines acabar, e estou trabalhando em um deles, o outro por enquanto está só na pesquisa. Ambos serão comédia romântica. E algo sobre mim: eu nunca posto duas fanfics ao mesmo tempo porque não dou conta disso tudo. Então Blurred Lines irá acabar (o que ainda vai demorar um bocado), aí lançarei a outra, e quando essa outra acabar, lançarei mais uma. A questão é: quem acompanhará? uaehuhae. Aliás, em falar em fanfic, vocês já ouviram falar de Inside? Uma leitora nova até veio me perguntar sobre a fanfic, e eu respondi que o xodó da minha vida. Quem escreve é ninguém menos que o Killua, meu querido lindinho. Eu já tinha lido Inside antes de conhecê-lo e foi uma surpresa quando ele acabou aparecendo nos comentários de uma fanfic minha, e eu nem notei quem ele era. Enfim, sintam-se à vontade para lê-la, é ótima. Aproveitem o capítulo! Boa leitura!

Sasuke.

Acordei com o sol me expulsando da cama, mas antes que eu pudesse me mover, senti um peso em cima de mim e sorri ao lembrar que estava em uma viagem com Naruto, na casa dos pais dele – que me amam-, e na mesma cama que ele.

– Não se mexa. — Escutei a voz sonolenta de Naruto. — É tão bom saber que não tenho nada para fazer hoje.

– Que não seja por isso. — Comecei a fazer um cafuné em Naruto. — Podemos passear hoje, ir ao cinema, andar pela cidade. Ao contrário de você, eu não conheço isso aqui.

– E nem tem muito o que conhecer nesse fim de mundo. — Resmungou. — Por incrível que pareça já estou sentindo falta do pessoal da empresa. Queria saber como estão Pain e Konan.

Virei-me de frente para Naruto, encarando seus lindos olhos azuis, que pareciam ficar ainda mais bonitos de manhã, enquanto o sol entrava pela janela e iluminava seu rosto. Suspirei. Paixão é mesmo uma merda, não é?

– Pain e Konan? O que têm eles?

– Ah, um é apaixonado pelo outro e vice-versa, mas os dois são bobos em nunca repararam nisso. — Naruto revirou os olhos. — Então eu tive que dar um empurrãozinho para a história acontecer, porque se depender deles, nem ao menos se falam de tanta vergonha.

Naruto virou-se para a mesinha de cabeceira dele e pegou seu celular, discando rapidamente e pondo o aparelho perto de sua orelha.

– Alô? Konan? — Tirou o telefone do rosto e ligou o auto falante, descansando o celular em sua barriga, permitindo-me ouvir a conversa.

Oi Naruto! Chegou bem de viagem? Como estão as coisas aí?– Ela respondia animada. Pelo visto já estava ligada no 220V.

– Cheguei bem sim. As coisas aqui estão bem, e aí? Como vai com Pain? — Realmente Naruto não sabia ser discreto com seus objetivos, mas considerando que Konan era praticamente a melhor amiga dele, quem sou eu para condenar algo?

Ah! Naruto! Saímos ontem e ele é tão perfeito. É tão cavalheiro, me trata como uma joia. Somos completamente compatíveis, tenho certeza disso, conversamos a noite inteira. Pain me levou para jantar num restaurante chique um pouco afastado da cidade. A noite foi super agradável, e no final ele me levou até a porta de casa, e nem pensou em pedir para subir.– Ela contava, animada.

– E vocês se beijaram? — Naruto parecia uma garota dando gritinhos histéricos com Konan. Se Kushina acordasse agora, ele levaria uma surra, tenho certeza.

Sim! Foi tão romântico! Estávamos em frente a minha casa, nos despedindo, quando ele disse que tinha adorado a noite, e que esperava que saíssemos de novo. Eu percebi que ele não tomaria nenhuma atitude, aquele lesado!– Konan xingou e Naruto riu. - E então disse que queria agradecê-lo de alguma forma, e mais uma vez, ele foi lesado e disse que não precisava. Eu insisti, falei que precisava agradecê-lo sim e pedi para que ele fechasse os olhos. E então, rolou! Simples assim.

– Ah, vocês casais moderninhos... — Naruto pegou o telefone, desligou o auto falante e botou o celular perto da orelha de novo. — Tenho que desligar, até depois Konan!

Naruto deixou o celular na mesinha de cabeceira e voltou-se de frente para mim, me abraçando. Com um suspiro seu, eu já tinha adivinhado que ele estava em conflito.

– Ficar assim comigo te incomoda? — Perguntei, voltando a lhe acariciar os cabelos.

Naruto não respondeu de imediato, mas circundou seu braço livre em minha cintura e afundou o rosto na curva de meu pescoço, já que estávamos deitados, suprir a diferença de altura era fácil. Minha maior vontade agora era poder puxar uma coxa de Naruto para minha cintura e colar nossos corpos, só para tê-lo juntinho de mim, mas não acho que seja isso que a Kushina quis dizer para eu fazer, e muito menos que isso era uma investida sutil. Sendo assim, abracei Naruto de volta, praticamente o cobrindo com meu corpo, enquanto beijava o topo de sua cabeça.

– Incomoda sim, mas é muito bom ao mesmo tempo. — Naruto sussurrou. — Incomoda porque você tem o mesmo cheiro que ele, a mesma voz, o mesmo rosto... Mas é bom porque eu sei que é você me abraçando aqui. Agora, quando você rolou para cima de mim, senti borboletas na barriga. — Ri baixo pela confissão de Naruto.

– Toda vez que eu te vejo, penso em ficar perto de você, e quando eu consigo isso que estamos fazendo agora... Em qualquer momento, desde que se trate de você, eu sinto borboletas na barriga. — Admiti. – Você está magoado, tenho medo de fazer algo errado.

– Só não me deixe, nunca, por favor. — Naruto agora me abraçava com força, eu podia sentir seus dedos puxando minha blusa. — Se você me abandonar, eu juro que não vou saber o que fazer, para onde ir, nem nada disso.

Respirei fundo.

– Me diga o que fazer você, Naruto. — Pedi. — Estou em pânico com essa situação, é tudo muito novo para mim. Eu não sei o que fazer quando se trata de você.

Me afastei de Naruto alguns centímetros para poder ver seu rosto. Ele estava de olhos fechados, feições sérias, o cabelo bagunçado... Comecei a reparar em como Naruto era perfeito. Em como suas cicatrizes, três em cada lado do rosto, eram simétricas, em como tanto seus cílios quanto suas sobrancelhas eram loiros, e que sua pele não tinha sequer uma imperfeição, era lisa. Notei como o nariz de Naruto era harmonioso com seus olhos e boca, e essa última era perfeitamente desenhada, rosada e convidativa. Me contive muito para não beijar seus lábios, eu só faria quando tivesse certeza que Naruto desejava esse tipo de contato. Me surpreendi um pouco quando ele abriu os olhos e me encarou. Podia ver meu reflexo naquelas lindas safiras, e ele pareceu ter achado meus olhos um ponto interessante de meu rosto, pois não piscou sequer uma vez.

– Vamos ao cinema. — Ditou Naruto, com a voz calma e baixa. — Você escolhe o filme.

– Sim, vamos depois do almoço. — Confirmei, feliz.

(…)

Naruto.

Estava me arrumando para ir com Sasuke ao cinema. Minha mãe ofereceu o quarto dela para Sasuke se arrumar, me deixando sem entender o porquê disso, mas desde ontem ele e minha mãe parecem estar se dando muito bem. Meu pai continua o de sempre, na dele, em sua poltrona assistindo TV e perguntando se eu não queria pescar com ele amanhã. O que tinha me dado uma curiosidade: meus pais não trabalham?

– Não filho, nós não trabalhamos mais. — Respondeu meu pai, depois de eu lhe ter perguntado. — Mexi uns pauzinhos, assim como Kushina, e agora mexemos livremente no dinheiro que era para ser nosso desde sempre. E se quiser, pode fazer isso também. Te damos a senha de tudo.

– Não precisa. — Neguei. — Eu gosto de ganhar meu próprio dinheiro.

Estava em dúvida entre minha camisa laranja de botões, ou minha blusa cinza com meu casaco preto e laranja. Sim, eu gosto de laranja. Me olhei no espelho do meu quarto. Minha calça jeans escura estava caindo um pouco, deixando a barra de minha cueca à mostra, meus pés estavam calçados por um par de tênis qualquer, minha grande indecisão era só que camisa usar. Bateram na porta do meu quarto e, como achei que era Sasuke, mandei entrar. Mas era minha mãe.

– Meu menino cresceu mesmo, não é? — Mamãe encostou na soleira da porta. — Nem parece o mesmo adolescente magrelo que saiu daqui buscando independência.

– Eu fui, mas voltei não é? — Sorri. — E já independente.

– Está em dúvida do que vestir? — Perguntou ela, vindo até mim. — Já pensou em usar algo diferente?

Pensei um pouco. Eu gostava muito de coisas de cor laranja, especialmente minhas blusas e calças de ficar em casa, mas talvez minha mãe estivesse certa. Afinal, Sasuke e eu tínhamos uma espécie de encontro hoje. Quem diria que para achar a pessoa que eu amo eu teria que sair de casa cedo, trabalhar no Nove Ases, mexer com gangues desconhecidas, e acabar levando tanta coisa maravilhosa, como descobrir minhas origens.

– Uma blusa branca, talvez? — Sugeriu minha mãe, depois de fuçar minha mala e encontrar a tal peça de roupa. Uma blusa branca simples, de botões. — Vai ficar muito bonito. Você precisa ver como Sasuke está lindo. Ele já está lá em baixo na sala, conversando com seu pai.

Considerando que Sasuke é bem mais vaidoso que eu, essa minha escolha de roupas demorou mais tempo do que eu planejava.

– A senhora e o Sasuke andam tão amigos, parece até que se conhecem há séculos. — Comentei como quem nada quer, pegando a blusa das mãos de minha mãe e vestindo, abotoando os botões com calma. Peguei meu perfume de cima da minha mesa de cabeceira e caprichei na área do pescoço.

– E você está se perfumando demais para um cinema com um amigo, certo? — Mamãe riu e piscou um olho para mim. — Uma mãe apenas sabe quando encontrou a nora perfeita, ou no caso, genro.

Arregalei os olhos, mirando minha mãe pelo espelho.

– Como a senhora...?

– Sei que você é gay? Que Sasuke é apaixonado por você? Que você é ex namorado da outra personalidade dele? — Mamãe enumerava nos dedos. — Você sabe que ninguém é capaz de esconder nada de mim.

– É, eu sei. — Revirei os olhos. — Mas eu não sou gay, sou bi. Namorei uma garota por muito tempo lá na cidade grande.

– E qual o nome dela?

– Sakura. Ela agora é esposa do irmão mais velho de Sasuke, por incrível que pareça. — ri fraco. — Realmente, Sasuke e eu somos interligados por mil coisas. — Virei-me para minha mãe abri os braços. — Como estou?

– Magnífico. — Ela pegou minha mão. — Agora vamos, Sasuke está esperando lá em baixo.

De mãos dadas, minha mãe e eu saímos do quarto, descemos a escada e assim que viramos para a sala, encontrei Sasuke de pé. Meu olhar se focou no dele, e nos encaramos por algum tempo.

Minha mãe tinha razão, Sasuke estava maravilhoso. Assim como eu, ele usava uma blusa de botões, só que preta. Sua calça jeans também era escura, e acho que pela primeira vez o tinha visto de tênis, mesmo que fossem All Star. Seu cabelo, como sempre, estava bagunçado, mas dava para notar que ele tentou arrumá-los, já que alguns fios estavam perfeitamente abaixados.

Sonho era saber que aquele pedaço de homem, ou melhor, que aquele homem inteiro, estava me levando para sair. Pisquei algumas vezes, tentando me acostumar com olhar para Sasuke de um “modo geral”. Não dava! Quando ele se tornou tão bonito assim? Quando... Uau.

Sasuke chegou perto de mim, e minha mãe largou minha mão para poder se abanar enquanto usava a outra mão para conter seus gritinhos de felicidade. Realmente, minha mãe gostou bastante de Sasuke. Agora, cara a cara com ele, eu podia notar nossa diferença de altura que beirava uns quinze centímetros. Seus olhos negros me encaravam com expectativa, eram tão brilhantes, tão bonitos... Assim como ele todo. A pele branquíssima estava bem perfumada, eu sentia mesmo não estando colado nele, e em seus lábios brincava um sorriso discreto, sem mostrar os dentes, mal levantando os cantos da boca, mas eu sabia que ele estava sorrindo.

– Me permite? — Sasuke me ofereceu seu braço dobrado, indicando para eu entrelaçar o meu com o dele, e eu fiz. De braços dados saímos de minha casa e começamos a andar pelas ruas. — Desculpe-me, mas você terá de me ensinar como chegar ao cinema.

Ri para Sasuke. Meu Deus, era possível que eu estivesse tão bem ao lado dele? Sim, era possível. E então, minha mente realizou de vez: não importa o quanto eles se pareçam, o quanto tenham alguns trejeitos iguais, e nem que fisicamente tenham o mesmo corpo. Sasuke não é Punk, e ele não vai me magoar.

– Ei. — O chamei, e ele virou o rosto para mim. — Obrigado por tudo.

– Não seja bobo, Naruto. — Sasuke beijou o topo de minha cabeça. — Não me agradeça nunca mais, escutou? Quem tem que agradecer aqui sou eu. Antes de você aparecer minha vida se baseava em trabalho, trabalho, trabalho... Eu era praticamente um workaholic. Você me deu uma razão para repensar isso tudo, para pensar que talvez eu estivesse abandonando minha juventude enquanto ainda a tenho e que de vez em quando não faz mal se jogar de cabeça em algo. — Olhei para cima e vi que os olhos de Sasuke estavam fixos em mim enquanto andávamos pelas ruas que eu conhecia como a palma de minha mão. — Obrigado por me fazer vivo de verdade.

– Bobo... — Resmunguei enquanto socava seu braço de leve. Sasuke tinha um talento para me deixar sem jeito.

Quando chegamos em frente ao cinema, Sasuke pareceu bastante surpreso com os filmes que estavam em cartas, notando que eles eram consideravelmente “antigos”. Enquanto estávamos na pequena fila de pessoas para comprar os ingressos, escolhíamos o filme, e Sasuke parecia feliz com qualquer sugestão que eu dava.

– Ei, Naruto? É você mesmo? — Essa voz... Ela não me é estranha. Virei-me em direção a ela.

– KAKASHI? — Oh meu Deus! Tive que abandonar Sasuke na fila, eu precisava falar com Kakashi. — Há quanto tempo!

Ele continuava lindo demais para ser verdade. Estava mais alto, seus ombros estavam mais largos, mas seu quadril continuava estreito bem como eu lembro. Estava com uma camisa azul marinho de mangas, e sua habitual calça jeans cinza. Kakashi passou as mãos por seu cabelo bagunçado e depois abriu os braços.

– Não vai me dar um abraço sequer, pequeno? — Perguntou sarcástico, pouco antes de eu me jogar em seus braços.

Vocês devem saber que em sua vida sempre terá aquela pessoa que só de você ver de longe seu corpo já queima. Um amigo, um ex namorado, um caso de uma noite... Se você manter contato com ele ou não, sempre, toda vez, será difícil de resistir a ele. Mas eu tenho uma coisa chamada caráter, e jamais ficaria com outro homem enquanto estou em um encontro com Sasuke.

– Venha, você tem que conhecer meu amigo. — Puxei Kakashi pela mão até Sasuke, que agora comprava os ingressos. — Kakashi, este é Sasuke, é irmão do meu chefe, meu melhor amigo no mundo todo e me acompanhou na viagem até aqui. Sasuke, esse é Kakashi, meu amigo de longa data.

Kakashi estendeu a mão para Sasuke apertá-la, e esse o fez num movimento brusco e mecânico. Sasuke parecia ter-se lembrado de algo, pois estava com uma carranca de dar medo, o que me deixou em dúvida se fiz certo em apresentá-los...

– Prazer em conhecê-lo. — Sasuke estalou a língua. — Naruto, temos que ir. Nossa sessão começa em dez minutos.

– Ah, sim, claro... — Ri nervoso. — Bem, então, até a próxima, Kakashi! — Lhe dei outro abraço. Realmente, se tinha algo dessa cidade que eu sentia falta além dos meus pais, era Kakashi.

– Até, Naruto. — Um arrepio correu minha espinha pelo jeito que Kakashi pronunciou meu nome. Ele nunca tomaria jeito! E antes que eu pudesse me afastar apropriadamente, ele me roubou um selinho.

(…)


O filme já tinha começado há mais ou menos meia hora e nenhum dos comentários que fiz com Sasuke foi respondido. Ele estava me ignorando.

Sim, ele viu o selinho, mas o que eu poderia dizer? Realmente não sinto que eu deveria pedir desculpas, até porque fui pego de surpresa por Kakashi... Mas afinal, o que foi aquilo? Achei que antes de partir eu tinha deixado bem claro que ele e eu não tínhamos mais nada, e das outras vezes que conversamos por telefone ou mensagens, nunca tocamos nesse assunto. Por que ele me beijou do nada? Ainda mais vendo que eu estava acompanhado...

– Sasuke, você está bravo comigo? — Fui direto ao que interessava. Se ele estava bravo comigo, eu tinha direito de saber.

– Hn. — Foi tudo que ganhei como resposta.

– Sasuke. — Sussurrei. — Se você não me responder agora eu vou fazer um escândalo digno de Oscar nesse cinema.

– Não estou bravo com você, usuratonkachi. — Ele me chamou do quê? — Estou bravo com aquele cara de cabelos brancos, aquele babaca. Quem ele pensa que é pra sair te beijando assim? Urgh.

– Está com ciúmes? — Perguntei divertido. Sim! Ele estava com ciúmes! E isso é tão bonito vindo dele...

– Não posso estar com ciúmes de algo que não é meu. — Sasuke virou-se para mim. Mesmo no escuro, seus olhos eram incrivelmente bonitos, e me encaravam com firmeza, mostrando que ele não estava ali para brincar, que tudo que dizia era muito sério. — Se algum dia você me der permissão para sentir ciúmes, me der permissão para chamar você de meu, então o farei. E nenhum babaca irá lhe tocar sem o seu consentimento. Nem eu.

– Eu... — Não sabia o que dizer.

Punk, a essa hora, já teria batido em Kakashi, e estaria tentando me comer aqui dentro do cinema. Ok, acho que usei um termo muito pesado, mas com certeza Punk e eu estaríamos nos beijando fervorosamente agora, e eu não reclamaria.

Punk...

Quando estou com Sasuke, pensar em Punk parece até errado. Ainda sinto o vazio que ele causou em meu peito, ainda sinto a tristeza pela traição, a decepção... Ainda sinto muito por não ter sido o suficiente para ele se manter fiel. Eu devia ter dado logo tudo que ele queria? Não sei. E não há como descobrir, porque eu realmente não quero estar na presença dele por enquanto.

Sasuke estava sendo maravilhoso, mesmo com raiva, então achei que devesse tomar uma atitude. Virei-me um pouco na cadeira, notando que agora Sasuke parecia prestar atenção no filme. Pigarrei, fazendo-o virar para mim. Peguei seu rosto entre as mãos e pude ver Sasuke arregalar os olhos um pouco, ele parecia surpreso com minha atitude. Ao contrário do que ele deveria estar pensando, resolvi não o beijar na boca, e sim no rosto. Um gesto significativo, apesar de tudo.

– Quando você me quiser para si, me tome. — Disse calmamente. — Eu realmente não sou bom em iniciar algo, tenho medo de estragar tudo. E se eu não for o suficiente para você também? Não posso te perder, portanto, não posso fazer nada errado.

E Sasuke sorriu. Sorriu como eu nunca tinha o visto sorrir. Lindo demais.

– Você pode errar quantas vezes quiser, Naruto. Eu sempre vou te perdoar e entender. Eu também morro de medo de errar com você. Não sou galante como Punk, nem sei como te seduzir para que você queira me beijar. — Ele mordeu os lábios. — Você é mais que o suficiente para mim. Eu sinto como se estivéssemos ligados de alguma maneira, por pelo menos mil fios de destino. Nós tínhamos tudo para nos conhecermos desde pequenos, mas também tínhamos tudo para não nos encontrarmos nunca. Mas veja só, aqui estamos, numa sala de cinema da sua cidade natal. Eu acho que no final de tudo, se pararmos para pensar, você pode ser minha outra metade...

Meus olhos ardiam, eu sabia que queria chorar. E era de felicidade. Como um homem pode ser tão romântico assim?! Sasuke parecia saber exatamente o que falar para fazer meu coração ficar acelerado, minhas mãos suarem e pelo menos uma centena de borboletas se agitarem em meu estômago, que devia estar dando um duplo mortal com pirueta a essa hora.

Sorri para ele, mostrando toda a felicidade que eu sentia, em nível máximo. Encostei minha cabeça em seu ombro e agarrei sua mão. Assim assistimos o resto do filme em paz, silêncio, e eu me sentia pleno. Depois do cinema eu levei Sasuke para um restaurante pequeno que frequentei muito durante a minha adolescência, mas fiquei um pouco triste em saber que o dono tinha morrido, e que quem agora comandava o lugar era sua filha, que decidiu seguir os negócios da família.

Quando chegamos em casa meus pais nos esperavam na sala, assistindo televisão. Sasuke eu os cumprimentamos e mamãe não parava de nos lançar olhares maliciosos, e aposto que assim que ela tivesse a oportunidade, me bombardearia de perguntas de como foi o tal “encontro”, as quais eu responderia, é claro, já que não sou nem louco de negar algo a minha mãe.

Sasuke, por outro lado, ficou preso no andar de baixo enquanto eu trocava de roupa para me deitar, porque apesar de ser cedo, eu estava cansado demais para sequer pensar em ficar acordado com meus pais assistindo TV, embora esses sejam meus planos para amanhã... Decidi que os visitaria mais vezes.

Eu já estava quase dormindo quando Sasuke entrou no quarto coçando os olhos. Ele abaixou-se para sua mala, provavelmente pensando que eu já estava no décimo sono, e começou a vasculhar entre suas roupas. Tirou dali uma calça de algodão azul claro e se levantou. Fiquei embasbacado ao ver que Sasuke trocaria de roupa ali na minha frente. Me mexi um pouco, fingindo ajeitar o cobertor por estar com frio, só para poder abrir um pouco mais meus olhos sem que ele percebesse. Sasuke abriu sua camisa, botão por botão, me dando a visão do corpo que eu não conhecia muito, mas amava loucamente. Ele suspirou e se encarou no espelho do quarto.

– Temos o mesmo corpo, certo, Punk? — Sasuke falava consigo mesmo, porque acho que Punk não o responderia. Devia estar com muita raiva. — Então por que eu me sinto tão menos capaz do que você? Não quero que ele sofra... Farei o meu melhor.

E então Sasuke abriu sua calça jeans e a retirou, ficando apenas com suas costumeiras boxers pretas. Olhou para o espelho mais uma vez e vestiu as calças de pijama, encarando seu reflexo mais um pouco. Fechei meus olhos, porque agora sabia que ele viria deitar-se e não queria que soubesse que eu estava o espionando. A cama balançou e Sasuke se encaixou atrás de mim. Notei que minha mão agarrava o cobertor com força, então gradualmente afrouxei o aperto, para que ele pudesse se cobrir também. Uma de seus braços contornou minha cintura e senti um beijo em minha nuca. Controlei minha vontade de rir baixinho e me obriguei a dormir.

Notas finais
Obs: o capítulo não foi revisado. Gostaram? Vejo vocês nos comentários.