Blurred lines.
13 Pretérito talvez perfeito.
Notas iniciais
Punk.
Vi Naruto ir embora sem pressa e não tentei segurá-lo mais nenhuma vez.
Não o segurei, porque o perdi. De vez.
Você não acharia estranho depois de viver tanto tempo, — três décadas! — e nunca ter achado nada que prendesse sua atenção? Desde que passei a existir nada nunca me prendeu. Ia a festas, bebia, ficava com garotas, ficava com garotos, dançava, tocava música, dirigia uma gangue e tinha uma moto maneira. Tá, mas e daí? Era uma vida desinteressante, escrota, porca e tediosa.
Faço o que faço, tudo que faço, porque não tenho mais o que fazer. Entenderam? Eu sou eu. Posso ser arrogante, frio, ganancioso e até exibicionista, mas ainda sou eu. Naruto gostava de mim pelo que eu sou, mesmo tendo a esperança de provar para todos que eu não era nada disso. Então será que ele gostava mesmo?
Foram essas dúvidas e uma única certeza que me fizeram trair Naruto. A certeza é de que eu estava me importando com ele mais do que devia. Afinal, eu banquei o maníaco. Fui atrás de Naruto no dia seguinte em que Sasuke o viu pela primeira vez. Eu sabia que o garoto teve uma queda quase que instantânea por Naruto, mas eu não podia deixá-lo ter esse loiro para si. Assim como tudo que eu quero, Naruto seria meu. E ele foi, por pouco tempo.
Amei Naruto como achei que só amaria a mim, mas amei, sim. Meu medo de algo signficiar mais para mim do que minha própria vida me fez trair Naruto. E se ele me abandonasse antes que eu tivesse a chance de me dar conta do quão pleno eu poderia ser ao seu lado? E se ele não gostasse de mim de verdade? E se ele estivesse pensando em ficar com Sasuke? Me trocar por minha outra personalidade... O que quase aconteceu, não é?
Um sentimento de gelar até os ossos, esse é o medo de perder a pessoa amada. Jamais saberia disso se Naruto não tivesse aparecido na minha vida, mas ainda assim, ele tem todo direito de nunca voltar para mim, mesmo que eu implore de joelhos, o que meu orgulho jamais me permitiria fazer. O mesmo orgulho que me fez achar que era bom demais para amar algo, alguém.
Outro sentimento sinistro é o ciúme. Ciúme esse que me fez chegar no mínimo do homem que sou, que me fez errar uma vez achando que estava certo, que poderia desprender esse sentimento louco e desmedido que tenho por Naruto de meu peito, e que inflou minha raiva ao notar que não importa o quanto eu traísse Naruto, o ciúme prevalecia, me fazia imaginar, supor, tudo que poderia acontecer entra os dois. Loucura, é.
Estraguei tudo pelo medo de me prender a algo. Sasuke era extremamente preso aos pais, preso a família, preso ao amor. E eu sei o quanto ele sofreu quando seus pais morreram.
Era uma uma segunda-feira de manhã, mas nenhum dos criados o acordou para ir para a escola. Ele acordou sem precisar de ninguém, mas Itachi estava ao pé de sua cama.
– Irmãozinho, mantenha-se calmo, ok? — Itachi começou a falar. — Mas nosso pais não vão voltar para casa.
– Eles vão ficar mais tempo fora? — Sasuke perguntou enquanto coçava os olhos.
– Não. Lembre-se do que papai disse: você tem que crescer forte. Não pode depender de ninguém, portanto, eu não quero escândalos. Seja um Uchiha agora, Sasuke. — Itachi respirou fundo. — Nossos pais morreram. Eles não vão voltar para casa nunca mais.
E então algo destravou dentro de Sasuke. Esse algo era eu. Tudo que ele sempre conteve desde o momento em que nasceu, presumo. Faltava em Sasuke aquilo que completava Itachi: a raiva, a agressividade, o sadismo, a frieza, a impassividade... Tudo que ele precisava para ser um verdadeiro Uchiha, e tudo que eu tinha. Sasuke sempre foi dócil, não é à toa que sempre fora a luz dos dias de Itachi. Sempre fora muito amável, gentil, cuidadoso... Claro que ele podia ser tudo isso, todo humano deveria ser tudo isso. Mas ele não era só um humano qualquer, era um Uchiha. Uchihas tem regras e costumes diferentes. Por isso estão no mundo há tanto tempo. Vivos, nesse exato momento, há mais de quatrocentas pessoas com esse sobrenome, todas com as mesmas características físicas e o mesmo sangue correndo nas veias. Eu sou o que completa Sasuke, mas me sinto tão incompleto nesse exato momento.
Porque fui idiota.
Porque perdi Naruto.
Mas não o porque o deixei ir.
Sabia que se fosse atrás dele, ele jamais me escutaria. Ele precisa de tempo, e eu preciso de ajuda.
Levantei-me sem pressa, sem me importar com os quatro seguranças que estavam ao meu lado e atrás de mim, me cercando, querendo saber se eu estava bem e o que tinha acontecido. Talvez estivessem preocupados porque eu nunca perdi uma luta antes, mas só perdi porque minhas emoções atrapalharam.
Dispensei a ajuda e caminhei até a mansão, entrando e passando por Pain, que me olhava com confusão estampada no rosto. Bufei e continuei meu caminho até minha sala. Quando entrei, Ino ainda estava lá, com sua saia apertada e sutiã de renda branco. Estava sentada em cima da minha mesa. Deixei a porta aberta e andei até meu gabinete, sentando-me na cadeira confortável e suspirando, mas antes peguei o buquê de rosas negras que Naruto me deu, que vinha com uma carta dentro.
Ino parecia animada, pois desceu da mesa e virou-se para mim, debruçando no móvel.
– Agora que ele não é mais um empecilho, Sasuke também não precisa casar com Hinata se não quiser. Os dois ficam comigo! — Sugeriu. Bufei irritado lembrando que Sasuke já tivera um caso com sua secretária, agora a maldita achava que nós dois gostávamos dela.
– Ino, vou dizer só uma vez e quero que grave bem, ok, benzinho? — Ela assentiu. — Eu só queria te comer. Segurar nas ancas do seu traseiro e te foder, só para aliviar enquanto Naruto não me desse sexo, mas eu estraguei tudo. Sasuke não te ama. Ele ama Naruto, e nem que você se parecesse mais com o loiro, não te aceitaria. Agora vaza daqui, antes que eu pegue a pistola que está na minha gaveta e fure sua testa pelo menos três vezes.
Ino arregalou os olhos, mas logo saiu dali sem nem se importar com a sua blusa.
Não é que eu estivesse com raiva, mas estava. Não é que eu estivesse irritado, mas estava. Não é como se fosse o fim do meu mundo, mas era. Pela primeira vez na vida senti essa coisa de que todos falam. Meu coração estava partido, e o pior é que eu mesmo tinha conseguido essa proeza. Na única vez em que me importei com algo que não fosse Alexz, me fodi como jamais imaginei ser possível.
Tudo que dizem sobre o amor é verdade. Quando ele é retribuído é ótimo, mas também sabe assustar, adoecer, botar coisas em nossas cabeças, e sempre que acaba é trágico.
Joguei tudo que tinha em cima de minha mesa no chão e apoiei minha cabeça entre as mãos. Eu perdi Naruto! Porra, EU PERDI NARUTO! E o que foi aquilo que eu disse para ele? “Uma puta frígida e indecisa”? O que eu...
O que eu fiz?
– Naruto... — Choraminguei. E após gemer seu nome, lembrei da carta no buquê. Peguei o envelope branco, que continha papel colorido preto, e a caligrafia de Naruto se exibia em letras formadas com caneta estilizada de cor prata. Realmente, ele sabia do que eu gostava.
“Punk,
sei que esse apelido não te agrada, mas é o que você é. O Punk, o meu Punk. E vai continuar sendo, para sempre.
Hoje completamos um mês de namoro e eu não poderia deixar isso em branco. Sei que você provavelmente vai esquecer, até porque não é do seu feito lembrar-se de datas, mas eu lembrei, e isso que importa. Temo que me ache meloso pelo presente e pela carta, mas não custa nada arriscar.
Nesse um mês que passamos juntos, reconheço que fui imprudente. Saí com você sem nem ao menos saber quem você era direito, mas ainda assim, sinto que fiz bem ao decidir assim. Dei uma chance a pessoa que mais me faz feliz, e que espero que me faça feliz por muito tempo ainda.
Tenho medo de dizer tudo que sinto por você, mas espero que um dia dígamos tudo juntos.
Feliz um mês de namoro, do seu, e somente seu, Naruto”.
Traí Naruto por medo. Traí Naruto bem mais de uma vez e ainda assim o olhei nos olhos todas as vezes em que estava com ele. Eu sou horrível. E é por ser horrível que não posso conviver com esse buraco no meu peito. Preciso dele de volta para me sentir inteiro. Por isso vou recorrer a algo que nunca tentei, e que tenho quase certeza de que não vai funcionar.
Garoto, você está aí? Perguntei para Sasuke.
Mas como eu já esperava, não obtive uma resposta. Meu bloqueio por cima de Sasuke era forte demais.
Encostei a cabeça na mesa e fechei os olhos. Estava cansado, precisava de um cochilo nem que fosse de meia hora. Antes de apagar, porém, escutei algo que não sei se foi real ou minha imaginação:
Não chegue mais perto dele.
Naruto.
Enquanto eu corria de moto pelas ruas da cidade, percebia que eu montei meu castelo sozinho, e que agora ele desmoronava todo em cima de mim. Eu aceitei ir com Punk andar de moto sem nem ao menos conhecê-lo, e esperei que ele aparecesse na noite daquele dia. Depois me envolvi com a família de Sasuke, e por escolha minha, quis ir à Avenida dos Raxas, só para vê-lo. Corri aquele raxa para protegê-lo e o levei para o lago para comemorar comigo.
Não me arrependo de nada do que já fiz com Punk. Jamais me arrependeria. Apesar de tudo, eu ainda sou dele. Ainda o amo do jeito que não deveria amar. Eu só não entendo. Fiz algo de errado? O magoei? O deixei duvidar de meu amor nem que fosse por um segundo? Sei que errei em ter deixado Sasuke dormir lá em casa e na mesma cama que eu, e sei que não foi só uma vez que isso aconteceu. Eu sempre soube que Punk via tudo, mas não achei que ele fosse tão ciumento a esse ponto. Nós nem falamos “eu te amo” um para o outro... Lembrei-me de minha carta nesse momento. Tudo que eu escrevi ali, cada maldita palavra... Estava caído no escritório de Punk.
E só de pensar que por um momento eu achei que ele fosse meu.
Penso em todos os beijos que já trocamos, cada carícia, cada momento de intimidade, mesmo que tenham sido poucos. Em um mês e pouquinho, ele tinha se fixado em minha vida e se tornado uma parte que eu não estava disposto a abrir mão, mas fiz sem nem pensar duas vezes. Ele me traiu porque não me quer, porque não fui bom o suficiente, porque lhe neguei sexo. Por que eu lhe neguei sexo? Achei que fosse porque eu não estava pronto, mas quem saiba, pensando bem, tenha sido o destino me avisando para eu não fazer algo de que iria me arrepender depois? Precisava esfriar a cabeça, precisava de meus amigos. Itachi, Sakura, Kiba... Sasuke. Meus pais.
Meu telefone tocou quando eu já estava no portão de meu prédio. Era Itachi.
– Pode falar, 'tachi. — Atendi desanimado.
– Naruto, preciso falar com você agora!– Estranhei a urgência de Itachi. — É sobre seus pais.
Meus pais?!
– Meus pais, Itachi? Como assim? Eu não falo com eles há anos e nesse momento eu quero ficar sozinho e...
– ANDA LOGO!– Desligou.
Olhei para meu celular por uns instantes. Itachi nunca falara assim comigo, então nada de bom poderia vir disso. É, é como dizem: toda desgraça é pouca.
XxXx.
– Eu não esperava te ver por aqui agora... — Sakura disse assim que abriu a porta para mim. E então ela notou meu rosto. — Oh meu Deus! Naruto! O que aconteceu? — Antes que eu pudesse pensar em responder, Sakura já havia me envolvido em um abraço.
A abracei de volta com pouca vontade, por mais que Sakura quisesse me confortar, o abraço dela jamais teria o efeito que eu precisava. Ainda assim, solucei um pouco em seus braços e sem perceber fui perdendo a força nas pernas. Ao contrário do que pensei, Sakura era forte, e se abaixou gradualmente comigo, até estarmos os dois sentados no chão da sala da casa dela e de Itachi.
– Não vai me contar o que aconteceu? — Sussurrou.
– Foi ele... — Meu peito subia e descia numa velocidade espantosa, não conseguia formular frases direito. — Punk. Me traiu.
– O QUE? — Gritou Itachi, que tinha acabado de aparecer no cômodo. — EU VOU MATÁ-LO! — Mas logo depois de ter feito a ameaça, Itachi pareceu se ligar que se matasse Punk, mataria seu irmão também. — Por que...? Com quem ele te traiu?
Desencostei a cabeça de Sakura para poder olhá-la nos olhos. Não sei se ela acreditaria no que eu diria a seguir:
– Ino.
Ao contrário do que eu pensei, vi as mãos de Sakura se fecharem em punhos. A encarei de modo geral e só agora percebi que ela estava arrumada, deveria ir para algum lugar importante. Tirou seu celular do decote, mexeu um pouco e logo o botou na orelha. Itachi respirou para poder falar algo, mas ela apenas levantou a mão para ele em um sinal que indicava espera.
– Oi, amiga! — Sakura entonou uma voz mais fina que a sua usual. — Está livre agora? Eu pensei em matarmos a saudade em uma tarde de compras no shopping!
Vi Itachi revirar os olhos como se não acreditasse que em uma situação como aquela sua mulher estivesse fazendo aquilo.
– Ai que beleza! Estou saindo de casa agora. — Sakura ria, mas logo fechou o rosto em uma expressão de ódio nada contida. — Até mais, Ino.
Não acreditei que ela fez isso.
–Aquela... urgh! Ela vai se ver comigo ou não me chamo Sakura Haruno Uchiha. — Levantou-se do chão, levando-me junto com ela.- Você – Apontou para mim. – Tem MUITO o que resolver e vai me esperar aqui até quando eu voltar, temos que conversar sério. E VOCÊ – Apontou para Itachi. — Trate de explicar tudo direito para ele.
Comigo de pé, trêmulo ainda, e um Itachi desacreditado na atitude de sua mulher, Sakura saiu e bateu a porta sem dizer mais nada.
– O... — Tentei começar. – O que você tem para me dizer de tão urgente?
– Bom, como eu comentei pelo telefone, é sobre seus pais. — Ele indicou a porta pela qual tinha saído. — Venha, os papéis estão em cima da minha cama.
Ainda um pouco contrariado o segui até o quarto dele e de Sakura. O cômodo era todo branco exceto por uma parece, onde a cabeceira da cama estava encostada, que era pintada de preto. Os móveis eram brancos, o teto era branco, o chão era de carpete branco. Aquilo estava me enlouquecendo um pouco, até porque, parecia mais um manicômio.
Em cima da cama de Itachi haviam alguns papeis. Mesmo sem me aproximar muito consegui identificar documentos feitos a mão, folhas de jornal desgastadas, fotos e algumas outras coisas.
– Sente-se. — Itachi pediu. Sentei-me na beirada da cama, enquanto peguei uma folha de jornal nas mãos.
A manchete dizia “FAMÍLIA NAMIKAZE SOFRE ACIDENTE”. A baixo da manchete, uma foto de um carro velho em chamas me preocupou. Sobre o que aquilo poderia estar falando? Olhei a data da matéria. Quase quarenta anos atrás. Não me preocupei em ler a notícia, porque Itachi me estendia uma carta. O envelope ainda estava branco, apesar de um pouco mal tratado, então presumi que não deveria ser tão velho quanto aquela folha de jornal.
Abri o envelope com cuidado e tirei a carta de dentro.
“Querido Minato,
Estou mandando essa carta escondida de meus pais, minha dama de companhia irá levá-la até você com a ajuda de outros empregados. Estou presa na mansão, mal me deixam sair do quarto, até minhas refeições estão sendo servidas na cama. Não posso continuar assim.
Minha barriga está começando a crescer e escondê-la com a cinta não vai dar certo por muito tempo. Precisamos fugir.
Meus pais ainda não desconfiam de nada, evito vomitar com frequencia, mesmo que Aymee diga que não é aconselhável. Estou tendo dificuldade com a alimentação que está me sendo servida. Há pouca coisa saudável de verdade e tenho medo que nosso filho tenha algum defeito quando nascer, se nascer, não é?
Te mando essa carta porque estou desesperada e não sei mais o que fazer. Preciso que me tire daqui. Se quiser fugir me mande somente um “sim” como resposta. Haverá um grande baile de máscaras da Ambu Nation daqui há quinze dias, no Salão Royal. Sei que você sabe onde fica, afinal, foi lá que nos conhecemos. Estarei com um vestido rosa e máscara que só cobre a metade do rosto. Te espero perto da saída ao lado do palco.
Com amor, da sempre sua, Kushina”.
Assim que terminei de ler passei as mãos em minhas cicatrizes do rosto. Será que algo no sangue da minha mãe teria feito essas marcas? Estava claro para mim que minha mãe era uma Ambu Nation, o que eu jamais suspeitei. Levantei a cabeça e mirei Itachi, que já tinha outro papel esticado em minha direção. O peguei e comecei a ler.
“30 de janeiro.
Está aqui, nesse documento, o registro de que Minato Namikaze precisou se afastar de Rinavalius por tempo indeterminado por motivos pessoais.
Pela grande estima que temos pelo filho único de uma das famílias fundadoras de nossa organização, deixamo-nos ir na condição da contribuição anual de dezoito mil em qualquer moeda que possamos cambiar.
Se algum dia Minato Namikaze possuir algum herdeiro, ao atingir a maioridade, a criança, seja homem ou mulher, deve se dirigir a cede de Rinavalius para ser integrada a cabeça da organização e seguir o legado da família.
Que assim esteja registrado por mim, Hyuna Hyuga, líder atual da organização”.
– Quem é Hyuna Hyuga? E meu pai era um Rinavalius? — A última pergunta me provocou ânsia de vômito.
– Hyuna Hyuga era a mãe de Hinata, a responsável por estragar Rinavalius. Há anos e anos atrás, as famílias Namikaze e Hyuga eram como uma só, e então fundaram juntas a Rinavalius, que era de origem uma gangue feminina, como te expliquei. Apesar de tudo, todas as mulheres da família Namikaze integraram a organização por tempo indeterminado, até que uma guerra começou. Hyuna tinha acabado de iniciar-se como líder de Rinavalius e não estava preparada para lidar com tudo isso. — Itachi explicava. — A Ambu Nation era uma gangue mais antiga que a Rinavalius, cerca de trinta ou quarenta anos mais antiga, fora fundada pelos Uchihas... E pelos Uzumakis. Os Uzumakis eram um clã tão grande como os Uchihas, e a característica mais marcante dos dois clãs era a genética pura que mantinham, assim com os Hyugas: os Uchihas presavam manter a pele branca, os cabelos pretos e olhos tão escuros que às vezes pareciam escarlate. Os Hyugas gostavam de manter a linhagem dos olhos perolados, coisa que é rara demais para ser perdida. E os Uzumaki, por fim, mantinham os cabelos ruivos. — Passei as mãos em meus cabelos loiros, herdados de meu pai, e lembrei de Karin, que era extremamente ruiva. Assim como minha mãe. — Algo que a Ambu Nation sempre quis fazer, mas nunca arriscou, foi casar um Uchiha com um Uzumaki e esperar os frutos. Sem dúvida seria uma criança excepcional.
– Ok, e onde meus pais e eu entramos nisso tudo? — Questionei.
– Pouco antes da guerra começar, quando seu pai deveria ter uns 20 anos, e sua mãe 15, eles se conheceram em um baile de máscaras beneficente, que era realizado de cinco em cinco meses por todas as gangues existentes da época. Foi aí que tudo começou. A Akatsuki, que é o nome da empresa de música da Uchiha Enterprises, na época era uma gangue originada a partir da Ambu Nation. A diferença da Akatsuki é que ela tinha um objetivo especial: liquidar todas as outras gangues existentes, para que somente a Ambu Nation prevalecesse. Era uma organização secretíssima, mas estava infiltrada nesse baile de máscaras. Enfim, seus pais se apaixonaram naquele dia, e em base nas outras cartas que tenho aqui, foi naquele dia em que você foi concebido. Nenhuma gangue se odiava naquela época. — Ele fez questão de frisar. — Mas isso não quer dizer que eram amiguinhas. Seus pais foram para uma parte abandonada do salão, mas quando a herdeira da Ambu Nation desaparece por mais de meia hora é de se estranhar, não é? — Mesmo sabendo que era uma pergunta retórica, assenti. — E foi então que todos que estavam atrás de sua mãe a acharam, deitada no chão com Minato Namikaze. Um Rinavalius tinha desvirginado uma Ambu Nation. E aí tudo começou a dar errado.
– O que aconteceu? — Por mais besta que isso pareça, a história era sim interessante. Não acredito que meus pais me esconderam isso durante toda a minha vida! Eu tinha um direito, metade de Rinavalius é minha, e a vontade de chutar Hinata daquele posto de líder me consumia por dentro.
– A guerra aconteceu. Todas as gangues, uma contra a outra. Naquela época tudo era bem maior, as pessoas sabiam manter as coisas em segredo e tinham coisas mais importantes para se preocupar. Muitas das organizações existentes daquela época foram completamente aniquiladas. Os Uchihas prevaleceram porque eramos muitos, mais de mil e quinhentos eu diria. Os Hyugas foram reduzidos a uma família principal de umas dez pessoas, e isso foi diminuindo com o tempo. Dentre os Hyugas agora temos Hiashi, o pai de Hinata e Hanabi, e Neji. — Só quatro Hyugas? Era bom demais para ser verdade. – Os Namikaze foram completamente aniquilados, tirando você e seu pai. E bem, os Uzumaki... Não estou certo de quantos sobraram, mas eu só tenho certeza de quatro: você, sua mãe, Karin e Pain.
– PAIN? — Eu não queria ter gritado, mas era inevitável. A paixão de Konan, amigo de Punk, Ambu Nation, era um parente meu... — Por que ele não tem Uzumaki no sobrenome como a Karin?
– Ele tem. — Itachi suspirou e massageou as têmporas. Se para mim que estava descobrindo tudo agora estava difícil, imagina para Itachi que teve que pesquisar isso tudo. – Seu nome é Nagato Pain Uzumaki, mas seu nome de batismo é Yahiko. E não é um Uzumaki legítimo, deve ter percebido pelo tom de ruivo do cabelo dele, não é igual ao de Karin e de sua mãe.
– Ok, tudo bem, mas por que meus pais nunca me contaram isso? E eles supostamente não deveriam ser ricos? Afinal, meu pai dá dezoito mil todo ano para a Rinavalius! Eu não acredito que ele me deixou viver naquele fim de mundo a vida toda sem nem saber de onde minha família veio! — Esbravejei. Me sentia enganado, tanto por Punk, quanto por minha família.
– Seus pais não te contaram nada para te proteger. Quando Hinata assumiu a liderança de Rinavalius e Sasuke a de Ambu Nation, Hiashi Hyuga decidiu propor uma trégua entre as últimas gangues que sobraram, porque queria proteger suas duas filhas. E você teria que se apresentar aos 18 anos em Rinavalius, esqueceu? Um único problema é que metade de seu sangue pertence a Ambu Nation. Te desmembrariam vivo, Naruto. — Itachi buscou meus olhos para mostrar que estava falando sério. Um arrepio me passou pela espinha. — Sasuke resolveu pesquisar por seu passado e contou com a minha ajuda e de Punk para isso. Procuramos até os ossos do QG da Ambu Nation, assim como procuramos na antiga mansão Uchiha, até acharmos tudo isso. E sinto que ainda faltam muitas peças desse quebra-cabeça.
– Eu não quero saber se vão me desmembrar vivo. — Soei convicto demais, até para mim mesmo. — Eu quero o que é meu por direito. Quero a cabeça de Hinata de baixo de meus pés e quero Rinavalius. Assim como quero Ambu Nation. Quero que Punk sofra cada vez que me veja dentro daquele QG.
Peguei uma pasta vazia que estava aberta em cima da cama e enfiei todos os papeis ali, fechando-a logo em seguida e a mantendo em meu colo. Levaria tudo para casa e leria com calma.
– Espera aí, você me falou de uma gangue que era uma versão menor da Ambu Nation, tipo uma força de elite... — Voltei para esse detalhe. — A Akatsuki foi aniquilada também?
Itachi riu pelo nariz e levantou-se da cama, andando até o armário e tirando uma capa de lá. Era preta com nuvens vermelhas. Vestiu a capa, mostrando que ela só deixava de fora uma parte do rosto.
– Isso é a capa da Akatsuki. As nuvens vermelhas simbolizam o banho de sangue que foi a guerra entre as gangues. — Sorriu, o que eu achei meio macabro. — E bem, aqui é onde eu entro.
– O que quer dizer com isso, Itachi?
– A Akatsuki está viva, Naruto, mais viva que nunca. — Sorriu. — Nem Sasuke faz parte dela, muito menos sabe da existência. O que é uma maravilha, contando que dois de seus parentes estão na Akatsuki, junto comigo e mais dois membros da Ambu Nation. Eu sei que você quer reaver tudo que é seu por direito, e não é pouca coisa. Sei que quer esmagar Hinata como um inseto e quer ferir os sentimentos de Punk. — Seus olhos brilhavam. Pelo que presumi, Itachi estava gostando muito de tudo que viria adiante. — Por isso eu e o resto da Akatsuki vamos te treinar. Todo fim de semana. Você será como nós, será um assassino profissional. E pelo seu sangue metade Namikaze metade Uzumaki, creio que nada poderá te parar.
Sorri.
Nunca fui do tipo vingativo, muito menos ganancioso. Mas tudo aquilo de que eu fora privado, de toda a minha história que poderia ter sido diferente, de tudo aquilo que eu poderia ter vivenciado... Isso tudo me dava uma força nova. De reerguer tudo que fora desmoronado. Eu não preciso de Punk para ser feliz. Vou atrás da minha história, de quem sou eu de verdade, de quem minha família é de verdade, e isso só tem um jeito de começar.
– Fale com Shisui que não poderei trabalhar essa semana, tanto no Nove Ases quanto na A.M 3. — Levantei-me da cama. — Viajarei segunda de manhã.
– Onde você pensa que vai, mocinho? — Itachi levantou as sobrancelhas em diversão.
– Vou fazer uma visita aos meus pais em minha cidade natal, acho que mereço algumas explicações.
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